Entrevistas

sexta-feira, 17 de julho de 2026

A Odisseia de Christopher Nolan é uma obra-prima extraordinária que é profundamente arrepiante, intensa e impactante (Crítica)

Chegou o momento da estreia do filme mais antecipado de 2026! A Odisseia (The Odyssey, 2026) está preparada para elevar as fasquias e proporcionar uma experiência audiovisual que nunca foi antes vista.

Desta vez, esta obra tão popular de Homero foi adaptada pelas mãos do grande visionário Christopher Nolan. E este é o primeiro filme narrativo da história a ser filmado integralmente com câmaras IMAX de 70mm.

Este é considerado como o projeto mais ambicioso da carreira de Christopher Nolan com um orçamento estimado em 250 milhões de dólares.

As suas rodagens decorreram ao longo de 91 dias, sendo que terminaram antes do previsto e sem ultrapassarem o orçamento. E passaram por localizações reais que incluíram Marrocos, Grécia, Itália, Islândia, Escócia e Saara Ocidental.

Já o elenco é de luxo, sendo constituído por Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Samantha Morton, John Leguizamo, Zendaya, Charlize Theron, Jon Bernthal, Himesh Patel, Mia Goth e Benny Safdie.

Em termos de equipa técnica, estão de regresso o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema, o compositor vencedor de Óscares, Ludwig Göransson e a produtora Emma Thomas.

A Odisseia acompanha Ulisses, o lendário rei grego de Ítaca, na sua longa e perigosa jornada de regresso a casa após a Guerra de Troia, narrando os seus encontros com seres míticos como o Ciclope Polifemo, as Sereias e a ninfa Calipso, enquanto tenta reunir-se com a sua esposa, Penélope. Mito e legado — estes são os temas que atravessam o épico de ação de Nolan.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Depois de Ulisses liderar o exército que levou a uma vitória decisiva contra Troia, ele procura voltar ao seu lar de Ítaca. Enquanto isso, o seu filho Telémaco resolve partir à procura do seu pai e a sua mulher, Penélope espera ansiosamente pelo regresso dele.

No entanto, Ítaca está repleto de pretendentes que se querem casar com Penélope e assim, se tornarem, no próximo monarca de Ítaca. Porém, até ao momento, Penélope tem conseguido adiar esse acontecimento.

O foco desta narrativa é na jornada difícil de 10 anos do regresso de Ulisses a casa, que lhe proporcionou uma reflexão profunda que também incluiu uma procura pela sua identidade e uma transformação útil para o que viesse de seguida. Além disso, também acompanhamos a sua culpa, tormento e o seu processo de redenção perante tudo o que fez ao longo da Guerra de Troia

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

A Odisseia é uma obra-prima extraordinária que é profundamente arrepiante, intensa e impactante. Desde o primeiro instante que nos faz sair imediatamente da nossa própria realidade. E acabamos por mergulhar por uma experiência inesquecível, única e imersiva que nos deixa completamente deslumbrados, sem palavras e em êxtase com a sua grandiosidade, atenção aos detalhes e com tudo aquilo que nos vai sendo apresentado.

Um dos maiores destaques vai sem dúvida, para a banda sonora tão rica e fantástica de Ludwig Göransson que ao longo do filme, nos faz vibrar cada vez mais e também cria uma tensão pertinente e interessante à própria história.  

Em relação ao elenco, quero realçar as interpretações fabulosas de Matt Damon, Anne Hathaway, Samantha Morton, John Leguizamo e Robert Pattinson. Cada um, deu vida a personagens com personalidades muito distintas entre si. Mas, mesmo assim, conseguiram brilhar durante o tempo em que estiveram em cena. E até houve quem desse mesmo tudo de si, por mais pequena que pudesse ser a cena apresentada.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

De uma certa forma, Anne Hathaway no papel de Penélope representou um símbolo, uma mulher resiliente e complexa que é envolvida em luto, raiva e abandono. Ela tem uma dose de esperança de que o poder do amor entre ela e Ulisses é o suficiente para ele voltar. Por isso, ela faz o que for necessário para aguentar o máximo de tempo possível para que aconteça o seu reencontro mais aguardado.

Depois, temos Samantha Morton como Circe que é surpreendente nas poucas cenas onde surge, mas é o suficiente para se destacar de um modo impecável. Já Robert Pattinson mostra a sua versatilidade com a interpretação de um antagonista que nos dá alguns calafrios e que não queremos que ganhe a mão de Penélope. Matt Damon é excelente a desempenhar a evolução deste líder e todas as camadas da personalidade de Ulisses. Enquanto John Leguizamo é uma das grandes surpresas deste enredo e tem uma relevância muito maior do que se pensava.  

Esta é daquelas produções que nos faz relembrar a razão pela qual temos um amor poderoso pelo cinema. Como o storytelling, a cinematografia, a cenografia, a banda sonora e a escala de um projeto destes, encaixam na perfeição. E entregam ao público, uma história de qualidade extremamente elevada que faz transbordar todo o tipo de emoções e que consegue surpreender a todos os níveis. Um filme que é memorável, supera as expetativas e onde todos os atores entregam performances espetaculares.

As cenas de luta foram incríveis, principalmente as do último ato relacionadas com a personagem de Matt Damon. E sabendo que estas sequências não demoraram assim tanto tempo a filmar, ainda torna o resultado mais surpreendente.  

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Apesar de todas as polémicas que fizeram parte desta produção, nenhuma delas afetou a minha experiência a ver este filme. Fui completamente de mente aberta e sem pensar, se estava ou não de acordo com o material original. O que acabou por me estranhar foi o tempo de ecrã de algumas personagens. Umas esperava que aparecessem durante mais tempo, enquanto outras esperava muito menos.

Além disso, houve alturas em que faltou um pouco mais de emoção e no qual alguns diálogos não resultaram assim tão bem.  

Garantidamente, A Odisseia de Christopher Nolan merece ser celebrada e vista no maior ecrã possível em IMAX. E ficará para sempre como uma experiência cinematográfica única que triunfou e que marcará com excelência, a história do cinema!

Por isso, não percam esta aventura impressionante por esta Odisseia, porque filmes deste calibre não aparecem todos os dias. Valeu a pena a espera. E se são realmente amantes de cinema, então têm mesmo de assistir a esta aposta tão arriscada, mas que no final foi bem-sucedida.






quinta-feira, 2 de julho de 2026

The Death of Robin Hood - o que esperar de uma adaptação completamente diferente e nova desta lenda (Crítica)

The Death of Robin Hood (A Morte de Robin Hood, como título em português) é um filme que apresenta uma reinterpretação mais crua, realista e emocional da lenda, questionando o mito de Robin Hood e explorando um retrato mais humano de uma figura confrontada com o seu passado e com a lenda que ajudou a construir.

Esta versão mais sombria de uma das figuras mais icónicas da cultura pop é realizada por Michael Sarnoski, tendo Hugh Jackman no papel do lendário fora da lei, Jodie Comer e Bill Skarsgård.

Então, confrontado com o seu passado de crime e assassínios, Robin Hood encontra-se gravemente ferido depois de uma batalha que pensava ser a última. Nas mãos de uma mulher misteriosa, é-lhe oferecida uma oportunidade de redenção.

Aqui, nós temos um herói confrontado com o peso do mito e com a oportunidade de dar um novo sentido ao seu legado.

Já imaginaram se todas as histórias que tivéssemos ouvido falar sobre Robin Hood eram na realidade uma grande mentira? E ele seria completamente o oposto? Isso, é uma das coisas que vai sendo abordado nesta nova adaptação pouco convencional.

Estas questões começam a ser colocadas, a partir do momento em que após uma batalha decisiva, ele é ferido e está mais perto de adquirir a morte que tanto desejava. Logo de seguida, ele é transportado para uma ilha remota liderada por uma mulher com uma personalidade muito especial, que lhe salva a vida e lhe oferece a possibilidade de ter uma segunda oportunidade. 

Este é um lugar em que todos são aceites e onde podem recomeçar. Desde que contribuem nesta nova comunidade, não importa de onde vieram. E esta poderia ser a ocasião ideal para Robin Hood e quem sabe, melhorar a capacidade de lidar com a culpa e com os seus demónios.

Divulgação: NOS Audiovisuais

The Death of Robin Hood é uma reinvenção completa daquilo que conhecemos sobre o popular fora de lei.  É uma abordagem muito mais sombria, intensa e até humana que surpreende pela positiva e é cheia de garra.

Neste caso é mais focado no seu legado, no seu sentimento de culpa e na possibilidade de redenção pelos atos cometidos repletos de violência. E nesta narrativa, não irá faltar momentos de pura tensão, raiva, ação, reflexão e emoção.

O próprio ambiente do filme é diferente e denso, sendo que acompanhamos um lado desta lenda que normalmente não é abordado e não é tão tradicional de se ver.

Hugh Jackman faz um excelente e muito poderoso desempenho deste Robin Hood e merece todo o devido reconhecimento. Podemos assistir a um Robin Hood forte, atormentado, resiliente, mais frio e que mesmo no silêncio, tem a capacidade de nos transmitir algo.

É mesmo muito interessante observar a versatilidade no trabalho de Hugh Jackman e como ele interpreta todas as camadas e complexidades deste protagonista.  

Se a pessoa está muito habituada aquela história tão tradicional de Robin Hood, um grande herói que roubava aos ricos para dar aos pobres, então, neste filme, não espere nada disso.  

The Death of Robin Hood é completamente inovador e obscuro. Não nos tira a atenção, entregando assim, algo novo e surpreendente. E tudo isto é acompanhado por uma ótima cinematografia, banda sonora, vistas estupendas e boas interpretações por parte do seu elenco.