Bastaram
24 horas em Londres para ir assistir de propósito a mais uma peça de teatro que
tem tido um sucesso tremendo desde a sua estreia. E agora, partilho de seguida
com vocês, a minha opinião sobre a mesma.
All
My Sons é a produção
mais recente do West End com a realização do visionário Ivo Van Hove que tem
esgotado todas as suas sessões no Wyndham’s Theatre e pode ser vista por um
tempo limitado entre 14 de novembro de 2025 até 7 de março de 2026.
Logo
após a 2ª Guerra Mundial, Arthur Miller escreveu esta peça em 1946, onde
apresentou a sua visão perante o American Dream, cujos ideais ainda persistem até
aos dias de hoje, mas com algumas mudanças. Esta história é inspirada em factos
verídicos, onde Arthur Miller pega nesta definição de sonho americano e o vira
para revelar o seu lado mais negro, os compromissos morais, a culpa e a negação
que se podem esconder sob a superfície do sucesso.
Desta
vez, para contar esta sua trama, o elenco é constituído por Bryan Cranston (Joe
Keller), Marianne Jean-Baptiste (Kate Keller), Paapa Essiedu (Chris Keller),
Tom Glynn-Carney (George Deever), Hayley Squires (Ann Deever), Richard Hansell
(Dr. Jim Bayliss), Aliyah Odoffin (Lydia Lubey), Cath Whitefield (Sue Bayliss),
Zach Wyatt (Frank Lubey), Stevie Raine (Raine) e Charles Dark, Sammy Jones e
Zayne Tayabali, como Bert.
Esta
é a história de Joe Keller, um empresário de sucesso que construiu o seu
próprio negócio, sendo que durante a 2ª Guerra Mundial vendeu ao Governo, peças
mecânicas que eram essenciais para os aviões de combate. Porém, essas mesmas
peças estavam com defeitos, levando à morte de soldados e Joe foi
exonerado dos crimes, enquanto quem acabou por levar com as culpas foi o seu
sócio.
Aqui
Arthur Miller convida o público para passarem um dia num quintal na América,
onde são expostos os segredos de cada personagem, a culpa sentida e as suas
próprias interpretações sobre o que significa alcançar o American Dream. Desde
o início que ficamos a pensar sobre questões que continuam a criar discussões
na atualidade. Será que se consegue alcançar esse sonho de um modo honesto ou
na realidade, tem de incluir sempre um preço?
Joe
Keller é um
trabalhador com classe que tem muito orgulho naquilo que fez. Desde os 10 anos
que tem sido independente, construiu a sua marca pessoal e trabalhou com muita
intensidade até conseguir criar a sua loja de máquinas. E devido a isso, novas
oportunidades de negócio surgiram e assim, passou a fornecer materiais
necessários para a execução de trabalhos em relação à 2ª Guerra Mundial.
Para
ele, sobrevivência significava sucesso e esse sucesso implicava não voltar a
ser vulnerável. Por isso, acabou por ser levado a tomar decisões questionáveis
que acabaram por trazer efeitos devastadores para outros. Ou seja, gerar lucro
à custa da desgraça dos outros e sem pensar nas consequências. De uma certa
forma, pode haver quem acabe por se relacionar, identificar alguém familiar com
a mesma falta de valores morais apresentada por Joe.
Será
que Joe Keller é o vilão da história ou é uma simples vítima da sua
própria corrupção? Na opinião dele, a sua corrupção tinha boas intenções, pois o
dinheiro ganho estava a cuidar da sua família e do futuro do seu filho. Para
além disso, deu para se perceber imediatamente que ele faria qualquer coisa
para proteger a sua família, mesmo que tivesse de ignorar os seus valores
morais.
All
My Sons é uma peça de
teatro trágica e dramática muito bem executada sobre traição, família, morte e com
uma ideologia muito própria, que é tão relevante para os tempos atuais, sendo que
é muito realista e olha para o lado mais obscuro do American Dream.
Além
disso, é uma obra de storytelling poderosa e profundamente emocionante
que deixa com uma mensagem crucial de como o American Dream pode obrigar a que
se pague um preço elevado que depois acaba por consumir uma pessoa por completo
até que consiga aproveitar como deve ser as recompensas.
De
uma maneira muito própria, esta história intensa transcende para uma fase de
provocação e pressão que leva a um desmantelamento brutal deste sonho americano
que é cada vez mais pertinente que seja discutido. Afinal vale a pena ter sucesso
construído a partir de culpa e corrupção e assim, sacrificar os valores morais
para alcançar o American Dream?
All
My Sons proporciona ao
público uma experiência fenomenal e eletrizante que faz pensar e que tem performances espetaculares, onde Bryan Cranston faz um trabalho magnífico e
magnético a desempenhar o protagonista que tanto pode mostrar um tom mais
dramático, como de repente, apresentar outro mais divertido.
Toda
esta tragédia de Arthur Miller acontece num espaço aberto que também é envolvido
numa iluminação e banda sonora simples que combina perfeitamente na narrativa
complexa que está a ser contada. A pessoa quer acompanhar esta relação
complicada entre pai e filho, estar atenta a cada instante e consegue
reconhecer as dinâmicas. E até de alguma forma, identifica-se com elas.
Há
muito tempo que eu acho que o verdadeiro talento de um ator é testado quando
ele está a representar num palco. E com Bryan Cranston, isso comprovou-se mais
uma vez. Eu já era admiradora do seu trabalho em filmes e séries, entre elas, Breaking
Bad, que atualmente continua muito popular e é uma das séries mais bem
classificadas no IMDb. Logo, no teatro ainda me surpreendeu mais e mostrou a
sua excelente qualidade enquanto ator.
Ver
um ator desta qualidade ao vivo lembra-nos porque é que o verdadeiro talento também
se sente no palco. E é por isso que ele merece o destaque como um dos melhores
atores da sua geração.
All
My Sons é um outro exemplo
de como a arte continua a brilhar e a oferecer-nos produções de elevada qualidade, sendo que neste
caso apresentam as ilusões e a realidade pura e dura deste American Dream.
Apesar
de haver quem possa não apreciar estes temas mais pesados, esta adaptação da
obra de Arthur Miller vale a pena ser vista, pois poderão assistir ao vivo a
uma peça de uma enorme qualidade com boas surpresas e onde podemos testemunhar a
interpretação única de Bryan Cranston que vai sendo acompanhada por um grande
elenco.
Depois
de ter assistido à peça, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Bryan
Cranston no Stage Door deste teatro e ainda houve tempo para uma breve conversa
- falámos da peça, do seu percurso e claro, de Breaking Bad. Um momento
que eu vou guardar!
Por
isso, estou muito grata por ter conseguido ir ver All My Sons a Londres!
Obrigada, Bryan Cranston e restante elenco! E acreditem, que há experiências
que valem a pena a jornada!
De seguida, partilho um vídeo e mais fotografias desta noite maravilhosa!















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