quarta-feira, 10 de junho de 2026

Masters Of The Universe é uma excelente fonte de entretenimento que merecia mais reconhecimento (Crítica)

Já chegou o franchise lendário para liderar uma épica aventura em live-action. Falamos de Masters Of The Universe que é realizado por Travis Knight e é baseado no material da MATTEL.

O elenco é constituído por Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Alison Brie, James Purefoy, Morena Baccarin, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Charlotte Rilley, Kristen Wiig, Idris Elba e Jared Leto.

Neste enredo, após 15 anos separados, o Príncipe Adam (Nicholas Galitzine) descobre a sua Espada do Poder e regressa a Eternia, onde encontra a sua terra natal devastada pelo domínio maléfico de Skeletor (Jared Leto). Para salvar o seu mundo e proteger a sua família, Adam terá de unir forças com os seus aliados mais próximos, Teela (Camila Mendes) e Duncan/Man-At-Arms (Idris Elba) e assumir o seu verdadeiro destino como He-Man, o herói mais poderoso do universo.

Primeiramente, inicia-se em Eternia, quando Adam era tratado como uma criança. Este era um reino com um brilho próprio que estava em paz e no qual, as novas gerações treinavam para possíveis futuras guerras. E assim, defenderem o seu reino.

Aqui as lendas não nascem, elas são forjadas.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Contudo, havia quem não levasse o treino tão a sério, como foi o caso de Adam, que tinha outras prioridades em vista. Um dia, de um modo inesperado, Eternia é atacado pelo vilão Skeletor (Jared Leto) e o líder deste reino teve de render-se. Depois de ficarem prisioneiros de Skeletor, ele e a mulher nunca mais foram vistos. E foi assim, que Skeletor tornou-se no novo Rei de Eternia, cujo futuro deste lugar iria se tornar num pesadelo.  

Durante a conquista de Skeletor, Adam, o herdeiro de Eternia conseguiu fugir para a Terra, utilizando um portal. E levando consigo, um bem com poder absoluto que era bastante precioso. No entanto, durante a viagem perdeu-o. E não iria descansar, enquanto não encontrasse.

Entretanto, Skeletor não estava satisfeito, porque faltava-lhe a Espada do Poder, que lhe iria transformar na figura mais poderosa. E sem isso, poderia ocorrer uma Rebelião para tentar tirá-lo do trono.

Enquanto isso, passam 15 anos e vemos um Adam mais adulto a viver uma vida normal na Terra, mas a continuar a sonhar com o regresso à sua terra natal. É aí que vemos uma pessoa diferente, atrapalhada e com competências valiosas de comunicação que lhe poderiam, quem sabe, ser úteis mais tarde.

No entanto, num dia, o seu passado acabaria por apanhá-lo. E Adam teria de se tornar no herói que Eternia realmente precisa para vencer Skeletor. Será que ele está preparado para essa grande responsabilidade?

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Para uma iniciante neste mundo, Masters Of The Universe é uma aventura empolgante e divertida, repleta de energia e ação que possui uma essência atrativa e leve. No meu caso, é uma ótima introdução a este universo que nos faz viajar para o seu interior e ter assim, uma experiência mais imersiva.

Um dos destaques vai para Jared Leto na sua interpretação de Skeletor. Ele consegue roubar cada uma das cenas em que está presente e naturalmente, brilhar. E faz um ótimo trabalho, enquanto vilão.

Já Nicholas Galitzine faz um bom desempenho no papel deste herói que vai ganhando confiança em si e fazendo o necessário para depois ser merecedor da sabedoria de Grayskull. Ele cativa e de um modo genuíno, prende a atenção do público que depois cria empatia e ligação pela personagem. Uma coisa é certa! Pelo poder de Grayskull, Adam tem o poder!

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Pictures Films

A história em si não é ambiciosa e não é levada a sério. Infelizmente, faltou desenvolvimento nas personagens, principalmente do protagonista. É que não se soube grande coisa sobre os anos em que ele passou na Terra, o que aprendeu e como chegou à sua idade adulta e ao momento em que o encontramos no presente.

Em relação ao seu lado mais cómico e ridículo, nem sempre acerta. Claro, que existem momentos de humor com saídas bastantes engraçadas. Mas, depois também temos outros menos frequentes que acabam por ser forçadas e/ou piadas secas. E que nem sempre combina com o que está a acontecer. Num geral, tem uma boa capacidade de gozar com o seu próprio mundo e incluindo piadas que realmente resultam.

Adicionalmente, também poderá haver uma divisão a nível de opiniões e acredito que poderá mesmo não agradar a todos.

Mas mesmo assim, dá para ver que é feito com carinho e respeito pelos admiradores do franchise. E para alguns, poderá oferecer uma certa sensação de nostalgia perante o original.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Então, Masters Of The Universe faz-nos sair da nossa realidade e simplesmente, tem uma magia única em cativar e atrair quem está a ver. E naturalmente, cria vontade em querer acompanhar mais a jornada de cada uma das personagens.

Além disso, este filme composto por um elenco competente e cores tão vivas é puramente generoso com tudo aquilo que nos entrega. Pelo design de produção, pelas cenas de ação com algumas coreografias de lutas criativas e pela música fenomenal que fica no ouvido. Pelos bons efeitos visuais e pelos cenários maravilhosos construídos ao detalhe e ainda, figurinos que encaixam tão bem. E até pela própria mensagem bonita que transmite, principalmente em termos de comunicação que também proporciona momentos de maior emoção. A comunicação é vital para a relação entre cada um e às vezes, pode vir a evitar muitos conflitos.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Masters Of The Universe é uma excelente fonte de entretenimento, onde o tempo voa e cria interesse em ver mais. Possui uma boa dose de paródia, ironia, estranheza, silêncios desconfortáveis, explosões e mitologia. Sinceramente, eu acho que merecia mais reconhecimento. E cumpriu com o objetivo de trazer um mundo maravilhoso e vibrante à realidade, envolvido em bondade e esperança e entregando assim, ao espetador, uma jornada descontraída em live-action a partir de um conjunto de histórias de banda desenhada e de animação que têm feito parte da vida de muitas pessoas.

Por isso, não vão com expetativas e vejam, sejam fãs deste mundo ou estejam a descobri-lo pela primeira vez. E no maior ecrã, juntem-se a esta aventura de fantasia por um universo muito rico e com ainda, muito potencial para dar. 


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Tudo O Que Nunca Fomos | Entrevista a Margarida Corceiro e Maxi Iglesias | E o que esperar do filme

Depois de ter conquistado inúmeros admiradores, chegou a adaptação cinematográfica de Tudo O Que Nunca Fomos (Todo Lo Que Nunca Fuimos, como título original)!

Esta produção adaptou o romance de Alice Kellen que tem sido um fenómeno literário de língua espanhola. A realização fica a cabo de Jorge Alonso e os protagonistas são a Margarida Corceiro e o Maxi Iglesias.

O filme acompanha Leah (Margarida Corceiro), uma jovem pintora que tenta lidar com a morte dos pais e com a dor que a afastou de si própria. Quando o irmão parte para longe, pede ao seu melhor amigo Axel (Maxi Iglesias) que fique a tomar conta dela. O que nenhum deles imagina é que, entre os dois, existe uma ligação antiga e silenciosa que pode mudar tudo.

Esta é uma história intensa sobre o poder transformador do amor.

Divulgação: Cinemundo

Tudo começa com Leah, de 19 anos, que enfrenta uma jornada de autodescoberta após um trágico acidente de viação que lhe tira os pais. Mudando-se para uma cidade costeira sob os cuidados de Axel, Leah luta contra o luto, pesadelos perturbadores e uma identidade fragmentada.

Desde a perda dos seus pais, Leah nunca mais foi a mesma. Ela entrou em território desconhecido e simplesmente, não tinha vontade de estar com ninguém. Isolava-se e queria estar no seu canto.

Contudo, quando o seu irmão vai trabalhar temporariamente para fora do país, Leah passa a viver na casa do Axel. E é aí que as coisas começam a mudar e a presença do seu novo companheiro de casa iria ter nela, um impacto que ela não contava.

Divulgação: Cinemundo

Tudo O Que Nunca Fomos é um romance bonito que entrega drama, ternura, amor e uma boa dose de compaixão e compreensão. Um dos seus focos é apresentar como alguém lida com a dor, o luto de perder um ente querido e os desafios que existem, em termos de saúde mental. E isso, foi executado de uma maneira leve e simples.

Apesar de mostrar vistas de um lugar de sonho, a narrativa teve as suas falhas e as escolhas que recaíram para os ângulos de filmagem em determinadas cenas, não foram as melhores. É que quando se estava a ver uma cena específica focada numa das personagens, tudo o que estava ao seu redor acabava por estar com um nível de desfocagem demasiado elevada. E isso, acaba por criar alguma estranheza e impressão, no olhar do espetador.

Margarida Corceiro e Maxi Iglesias fizeram um bom trabalho a interpretarem estas personagens, no qual mostram uma cumplicidade evidente, sendo que tanto Leah, como Axel, conseguem transmitir as suas próprias camadas e fragilidades.  

Por isso, se são fãs do livro, então não podem perder este romance! E que venha a sua continuação.

Durante a antestreia de Tudo O Que Nunca Fomos, eu estive à conversa com os protagonistas, Margarida Corceiro e Maxi Iglesias. E partilho de seguida, o vídeo da entrevista.

Além disso, também podem ver fotografias (se partilharem, por favor, coloquem os devidos créditos) e o vídeo da cobertura do evento da antestreia do filme que teve lugar no Cinema São Jorge, em Lisboa. E teve a presença desta dupla de atores e ainda, do realizador Jorge Alonso.

Por isso, deixo um agradecimento à Margarida Corceiro e ao Maxi Iglesias pela disponibilidade em responderem às minhas perguntas. E um Obrigada à Cinemundo pela oportunidade e pelo convite para estar presente na antestreia deste filme!










sábado, 6 de junho de 2026

Scary Movie: What's Up? é mais uma paródia divertida que ninguém leva a mal (Crítica)

Chegou o momento para assistir ao novo capítulo de uma das sagas de comédia mais populares e irreverentes do cinema atual.

Realizado por Michael Tiddes, Scary Movie: What’s Up? traz de regresso o seu elenco original e introduz novas personagens. Para que depois possa apresentar o espírito caótico e provocador que o público está tão habituado a ver.

O argumento é de Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez. Já o elenco é composto por: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris, Regina Hall, Damon Wayans Jor., Gregg Wayans, Kim Wayans, Benny Zielke, Cameron Scott Roberts, Cheri Oteri, Chris Elliott, Dave Sheridan, Heidi Gardner, Lochlyn Munro, Olivia Rose Keegan, Ruby Snowber, Savannah Lee Nassif e Sydney Park.

Desta vez, vinte e seis anos depois de escaparem a um assassino mascarado estranhamente familiar (“Ghostface”), o grupo original volta a estar na mira do homicida – e nenhum filme de terror está a salvo. Marlon Wayans (“Shorty”), Shawn Wayans (“Ray”), Anna Faris (“Cindy”) e Regina Hall (“Brenda”) reencontram-se em Scary Movie, acompanhados pelas personagens favoritas dos fãs, para satirizar reboots, remakes, “requels”, prequelas, sequelas, spin-offs, o chamado “terror sofisticado”, histórias originais, tudo o que inclua a palavra “legado” e todos os “capítulos finais” que nunca são realmente finais.

Nada é sagrado. Nenhum cliché escapa. Não há limites. Os Wayans estão de volta para gozar com a chamada “cultura do cancelamento”.

Não irão faltar referências à cultura pop, tendências recentes, mortes, humor absurdo e paródias aos maiores sucessos de terror. E esta foi a altura indicada para que todo este tempo depois, Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris e Regina Hall se voltem a reunir para este novo filme, que recupera o humor provocador e a sátira ao terror contemporâneo que definiram esta saga tão peculiar.

Por isso, preparem-se para o reencontro com o elenco que marcou gerações!

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Scary Movie: What’s Up? é mais uma paródia divertida que ninguém leva a mal e que irá entreter o espetador, com todos os seus exageros e todas as suas referências inteligentes, tanto à cultura pop, como às produções de terror e de outros géneros que foram as mais bem-sucedidas dos últimos tempos.

Apesar de ter algumas saídas engraçadas e cenas hilariantes, há momentos que são demasiado exagerados e outros mais artificiais. E também, a pessoa não consegue parar de notar, a falta de estrutura que vai existindo ao longo de cada um dos seus atos.

Em vez de tudo se interligar, há situações que são claramente levadas ao extremo, mas que infelizmente, acabam por ser isoladas daquilo que está a acontecer na cena em si. E por isso, acabam por perder um pouco a sua potência e essência.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

No entanto, consegue abordar a sociedade e o mundo em que vivemos hoje de um modo leve, mais descontraído e com um humor atípico. E isso, trouxe um bom resultado que realmente encaixou.  

Scary Movie: What’s Up? é um caos absoluto que brilha com muitas das referências apresentadas e não irá deixar ninguém indiferente. Com uma identidade muito, muito particular, este filme mistura comédia com terror, não havendo limites para a sátira e o seu tom provocador. Apesar dos seus erros, vai de certeza, proporcionar uma experiência positiva à maior parte dos admiradores desta saga.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Backrooms - o que esperar deste terror psicológico (Crítica)

A A24 apresenta o fenómeno viral da internet que promete não deixar ninguém indiferente!

Da mente do visionário criador do YouTube Kane Parsons, que com esta produção faz a sua estreia na realização de longas-metragens, chega um pesadelo cinematográfico inquietante, preparado para definir uma nova era em relação à narrativa de terror.

Falamos de Backrooms, um terror psicológico protagonizado por Renate Reinsve, Avan Jogia, Lukita Maxwell, Finn Bennett e Chiwetel Ejiofor.

Passado em 1990 e baseado na série viral de Parsons na internet, Backrooms acompanha Clark (Chiwetel Ejiofor), um vendedor imobiliário, enquanto descobre, na cave da sua loja, uma porta — iluminada por luzes fluorescentes amarelas e repleta de objetos familiares — que conduz a um inquietante labirinto de intermináveis espaços de escritório e onde encontrar uma saída não será tão fácil como imagina.

Ao longo de noventa minutos, o foco da narrativa associa-se à descoberta de uma misteriosa passagem que conduz a uma dimensão paralela composta por corredores intermináveis, espaços vazios e labirínticos, iluminados por uma luz artificial alarmante. À medida que diferentes personagens entram neste universo estranho e claustrofóbico, percebem que não estão sozinhas: algo se esconde neste sítio.

Tudo isto começa com Clark a ter uma loja de móveis, no qual tem tido muita dificuldade em vender os seus artigos. A loja está constantemente vazia. A eletricidade parece que ganha vida própria. E o seu desânimo continua a aumentar.

Contudo, ele é seguido por uma terapeuta que também tem os seus traumas para lidar, mas que faz os possíveis para o ajudar. Utiliza exercícios terapêuticos que incluem role-plays e que faz com que ele se mostre algumas vezes, alterado. Será que ela tem a habilidade necessária para o conseguirá ajudar?

Agora, vem o início do ato em que Clark iria fazer uma descoberta que depois lhe iria criar uma grande transformação. Essa descoberta remete-se a uma porta estranha que aparece na cave da sua loja.

Para além de uma porta que era suposto não existir, esconde-se uma série infinita de salas e corredores, simultaneamente familiares, com um tom ameaçador e um vazio com papel de parede amarelado. Um lugar fora da nossa realidade situada numa dimensão paralela. O que poderá ele encontrar neste labirinto bem vasto?

Assim, de um modo inesperado, Clark desaparece misteriosamente por uma dimensão além da realidade. E por isso, a terapeuta terá de se aventurar perante o desconhecido para encontrar o seu paciente e salvá-lo.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Backrooms é um terror psicológico fora da caixa e estranho que entrega uma componente diferente em termos do género do horror. Muito mistério e suspense com uma boa banda sonora a criar a tensão necessária. É daquelas histórias que é uma viagem pelo desconhecido, que nos faz processar com uma intensidade que não é tão regular de acontecer. E basta, percorrermos juntamente com o protagonista, por um labirinto peculiar composto por todos aqueles corredores intermináveis, para que cheguemos, a um ponto de exaustão. Claro, que depois tudo isso faz criar todo o tipo de teorias. E até por momentos, também parece que estamos a viver os filmes do REC.

Para além disso, a pessoa acaba por imaginar como é residir dentro da própria mente e perder-se completamente, sem forma de regressar à realidade. E quando referimos a uma mente mais perturbada, então, pode se tornar aterrorizante. Sem esquecer, que também mostra como a desconexão com a sociedade pode levar a um ponto sem retorno.

Ao contrário de muitos críticos por aí espalhados, eu não achei que o filme tivesse sido assim tão impactante como têm afirmado. Para muitos, pode tornar-se cansativo e extremamente confuso. É que a pessoa saí de lá sem praticamente compreender aquilo que acabou de experienciar. E nem sempre, isso é positivo.  

No entanto, uma coisa é certa. Backrooms é uma produção que conseguiu criar discussão, destacar-se à sua maneira e fazer o espetador mergulhar por algo inexplicável. E com um final que deixa que o público crie a sua própria interpretação. Infelizmente, por vezes, também chega a ser bizarro e totalmente incoerente e irreal.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

2ª edição do Cinecapitólio Rooftop com Rui Tendinha | E o que esperar do filme, Em Zona Cinzenta de Guy Ritchie que teve a sua antestreia neste evento

 

São fãs de cinema ao ar livre?

Então, já arrancou a 2ª edição do CINECAPITÓLIO ROOFTOP, onde podem ir ver diretamente ao Capitólio em Lisboa, uma boa lista de filmes.  

No passado dia 26 de maio foi o evento de inauguração desta segunda edição que promete para esta temporada, uma programação repleta experiências únicas de cinema, enquanto se sente uma brisa fresquinha a acompanhar.

O que não vai faltar são filmes para todos os gostos!

The Mask, Inception, Romeu e Julieta, Lost in Translation, 2001: Odisseia no Espaço, Quatro Casamentos e um Funeral, Moulin Rouge, Notting Hill são algumas das escolhas que podem ver num ambiente incrível e com headphones wireless.

Num momento de sunset, este evento requintado e divertido proporcionou uma ótima experiência, escolhas acertadas em relação à música e juntando, a uma noite bastante agradável. Não só em termos de cinema ao ar livre com pipocas, mas com um bom cocktail e uma boa variedade de comida e bebida a acompanhar.

À conversa com Rui Tendinha, responsável pela programação do Cinecapitólio Rooftop

Durante uma conversa com Rui Tendinha, jornalista, crítico de cinema e curador responsável pela programação disse-me aquilo que podemos esperar este ano: “Este ano, a ideia é tentar uma renovação do que se foi feito no ano passado. Mas, tentar perceber quais foram os filmes que resultaram melhor. O tipo de filmes. E ter filmes novos e ir buscar aqueles que resultaram melhor para quem não pode ver”.

“Aquilo que se pede é a experiência de ver alguns clássicos. Filmes que as pessoas conheçam, mas ver neste contexto com headphones. É só incrível. Num sítio com a melhor vista de Lisboa. E as pessoas quando vierem cá terem uma experiência, como estar numa esplanada, um rooftop incrível de Lisboa com uma vista magnífica. É ser mais do que ir ver um filme. É ir ver num contexto, numa experiência”.

Em relação a filmes que valem a pena assistir neste contexto e neste espaço, Rui Tendinha sugere: “Eu acho que é muito importante verem o filme do Estômago. É um grande sucesso do cinema brasileiro. E que vai ser mostrado aqui num círculo do cinema brasileiro que eu acho que está a adquirir um novo público, depois do filme, Ainda Estou Aqui. Há muita afinidade para as pessoas em Portugal, descobrirem o cinema brasileiro. E até mesmo os brasileiros que vivem cá. Todos podem vir cá ver o filme”.     

Aproveitem para passarem uma noite maravilhosa de cinema neste espaço, de 27 de maio até 26 de setembro.

Podem consultar a programação completa desta segunda edição em https://teatrovariedades-capitolio.pt/

Os bilhetes estão à venda em https://capitolio.bol.pt/ ; na bilheteira do Teatro Variedades (aberta de 2ª a sábado, das 17h às 20h, e domingo, das 13h às 16h), na Fnac, El Corte Ingles, Worten e CTT.

Divulgação: Cinemundo

Antestreia do filme, Em Zona Cinzenta e o que esperar desta obra de Guy Ritchie

Para celebrar e assinalar a abertura de mais uma temporada, o Cinecapitólio Rooftop e a Cinemundo juntaram-se para a antestreia do filme, Em Zona Cinzenta (In the Grey, como título original). Esta é a nova produção de ação do realizador Guy Ritchie que também é responsável pelo argumento. E reúne Jake Gyllenhall, Henry Cavil e Eiza González.

Esta é uma história de ação explosiva, estratégia e estilo onde nada é bem o que parece. E onde se pode ver os únicos profissionais capazes de roubar mil milhões de volta.

Então, Rachel Wild (Eiza González) é uma negociadora contratada para recuperar mil milhões de dólares roubados por um déspota com exército próprio numa ilha privada. Para o que a lei não resolver, ela chama o Bronco (Jake Gyllenhaal) e o Sid (Henry Cavill) — dois ex-agentes especiais com um método próprio: planos minuciosos, saídas de emergência preparadas com antecedência e a violência tratada como mais uma ferramenta de trabalho, a par das injunções judiciais e da manipulação financeira. Entre os dois há uma cumplicidade silenciosa que diz mais do que qualquer diálogo.

Temos aqui uma equipa secreta de operacionais de elite que vivem nas sombras do mundo, tão à vontade a exercer poder e influência como a manusear armas automáticas e explosivos.

Contudo, o que começa como um assalto impossível rapidamente piora, transformando-se numa guerra total de estratégia, engano e sobrevivência.

Divulgação: Cinemundo

Este filme, Em Zona Cinzenta tem a capacidade de entreter temporariamente o espetador com a sua dose de ação envolvida em perseguições, explosões, manipulações e tiroteios. No entanto, existe falhas e uma falta de fundamento evidente no seu argumento e respetivo desenvolvimento, que acaba por não criar grande interesse nesta narrativa, que às vezes, parece tão frágil.

Além disso, infelizmente, não acrescenta nada de novo ao género. E apesar do seu bom conteúdo de ação e do trabalho eficiente do seu elenco, isso não é suficiente para atrair e prender totalmente a atenção.

Assim, esta obra mais recente de Guy Ritchie poderá vir a tornar-se facilmente esquecível.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Mother Mary protagonizado por Anne Hathaway e Michaela Coel - será que vale a pena ver?

2026 tem sido um ano em grande para Anne Hathaway e agora, temos a estreia de mais um filme com a sua participação.

Mother Mary é realizado por David Lowery e no elenco, juntamente com Anne Hathaway, temos: Michaela Coel, Sian Clifford, Hunter Schafer, FKA Twigs, Kaia Gerber, Atheena Frizzell, Jessica Brown Findlay, Isaura Barbé-Brown e a portuguesa Alba Batista.

Esta história segue Mother Mary (Anne Hathaway), uma estrela pop em crise que, na véspera do seu aguardado regresso, volta a cruzar- se com Sam Anselm (Michaela Coel), a antiga melhor amiga e figurinista. O reencontro faz ressurgir feridas antigas e transforma a preparação para o espetáculo numa experiência emocional intensa, marcada por tensão, memória e identidade.

E passem os anos que passarem, algumas rivalidades vão perseguir a pessoa para sempre.

Dez anos foi o tempo no qual esta cantora mundialmente famosa já não se encontrava com a estilista responsável pela sua imagem pública. Enquanto estas duas mulheres se reaproximam, elas são levadas a reavaliar a relação que as une, marcada por uma admiração mútua, mas ao mesmo tempo, por ressentimento e dependência emocional. Este reencontro reabre feridas do passado que afinal, nunca chegaram a sarar por completo.

Será que é desta que elas vão conseguir resolver o que as separa?

Muito aconteceu com a carreira de Mother Mary que incluíram altos e baixos. Porém, o momento decisivo da carreira estava prestes a chegar, através de um grande espetáculo de regresso aos palcos. Desta vez, a nível de figurinos, ela queria algo diferente, algo mais autêntico. E a sua equipa não estava a entregar o que ela realmente pretendia. Por isso, ela dirigiu-se à única pessoa que poderia fazer o vestido que tanto queria. Mas, para isso acontecer, Mother Mary teria de enfrentar o seu passado conturbado com Sam.

Por entre arte, fama, identidade, pressão mediática, traumas e o preço da exposição pública, estas mulheres têm de lidar com o impacto emocional da relação que tiveram no passado.

Além disso, havia um mistério paranormal associado que precisava de ser resolvido. 

Mother Mary apresenta atuações musicais bastante convincentes protagonizadas pela Anne Hathaway que são acompanhados por figurinos mais extravagantes. Com um lado mais espiritual e uma identidade própria e fora do comum, temos nesta história lenta, uma falta de fundamento e uma combinação de metáforas sucessivas que chegam a ser exaustivas. E que por vezes, tiram o foco daquilo que poderia prender mais a atenção.

Inicialmente, imaginava que este seria uma produção totalmente diferente daquilo que depois acabei por ver. Esperava muitas mais atuações musicais da protagonista e ver mais o lado negro da fama e como isso pode afetar um artista. É verdade que vamos observando o nível elevado da vulnerabilidade dela. Mas, na maior parte das vezes, não nos mostra exemplos de situações que levaram ela a chegar exatamente a esse ponto mais frágil.

Para mim, uma das cenas mais inesperadas e mais surpreendentes do filme foi a coreografia de dança que Mother Mary mostrou a Sam Anselm. Um tipo de demonstração da sua dor. Um momento sem música a acompanhar e com uma profundidade emocional bastante intensa, onde meras expressões faciais e corporais transmitem muito mais do que meras palavras. Um silêncio puro, onde apenas os seus passos causavam ruído. Aí, Anne Hathaway fez um ótimo trabalho, incluindo também nas suas performances em palco que mereciam mais tempo de ecrã. 

O maior foco deste enredo que é mais bem classificado como um drama psicológico do que um thriller vai para a relação conturbada e inexplicável de Mother Mary com Sam Anselm. Uma ligação muito próxima que depois se tornou numa relação mais desconfortável, em que uma das partes sentiu-se completamente desvalorizada. As conversações que têm entre si são extensas, onde partilham as suas emoções. Infelizmente, não dão grandes explicações para esse afastamento. E nem apresentam cenas de flashbacks úteis para termos uma melhor noção do quanto elas eram inseparáveis e de como tudo ruiu.  

Depois, a forma como quiseram juntar a relação delas com um género de entidade sobrenatural envolvida em suspense foi muito estranho. Simplesmente, não encaixou. E não fez grande sentido.

Também temos a participação da atriz portuguesa Alba Baptista, mas cuja cena onde participa é uma autêntica miniatura. Poderia ter sido interessante ver mais desta sua atuação musical e até fazer uma pequena comparação com a atuação de regresso de Mother Mary.  

Mother Mary é uma experiência abstrata, distante, um pouco complexa, louca e mais emocional com uma expressão artística e um tom melancólico. O seu final é aberto a várias interpretações. Além disso, transmite uma sensação agridoce que poderia ter optado por outro rumo. Se tivesse sido escolhido um percurso mais inteligente, então poderia ter criado uma maior conexão com o espetador. E assim, evitava que se tornasse num filme sobre relações humanas facilmente esquecível.  

sábado, 23 de maio de 2026

Passenger - o que esperar desta entidade demoníaca que tem os viajantes como alvos

Passenger (O Passageiro do Inferno, como título em português) é uma produção da Paramount Pictures. É classificado como um thriller de terror realizado por André Øvredal, tendo como protagonistas: Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo.

Temos aqui um jovem casal que depois de testemunhar um terrível acidente numa estrada, rapidamente perceber que não saiu do local sozinho. Uma presença demoníaca conhecida como “The Passenger” transforma a sua viagem num autêntico pesadelo, não descansando até reclamar ambos como as suas vítimas.

Este é um casal que vendeu tudo o que tinha para mudar o rumo das suas vidas e viverem uma nova fase. Eles decidiram pegar numa caravana e meterem-se à estrada, percorrendo inúmeros quilómetros e irem simplesmente, à aventura.

Contudo, quando passam algumas semanas, um deles já não está assim tão satisfeito com esta mudança de vida. E começa a ter dificuldades a lidar com isso. Mas, essa não seria a maior complicação desta nova jornada deles.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Depois de presenciarem um acidente numa estrada isolada, eles acabam por saírem de lá acompanhados. Companhia essa que não lhes ia facilitar a vida. A partir desse momento, a viagem torna-se numa luta desesperada pela sobrevivência, marcada por uma presença inexplicável que os persegue sem descanso.

Não importa o que eles façam, parece que não se conseguem livrar deste passageiro do inferno, uma entidade do mal. Será que irão sobreviver?

Neste cenário, nas estradas norte-americanas de um determinado estado, têm aumentado o número de pessoas desaparecidas. Muitas têm acidentes, desaparecem sem deixar rasto e nunca mais são vistas. E depois o pior acontece, quando estão a conduzir de noite por estradas vazias.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Passenger pode possuir os elementos essenciais para atrair quem aprecia filmes de terror, mas não é inteligente na forma como entrega este enredo. Sim, é verdade que tem visuais sólidos, cria algum interesse e prega alguns sustos pelo caminho. Mas, poderá não ser o suficiente para marcar o espetador.

A narrativa contém um nível elevado de tensão e suspense envolvido num terror psicológico. Os alvos são viajantes que conduzem pelas estradas. Caso, desapareçam são facilmente esquecidos. E além disso, parece que não existe ninguém que coloque a sua atenção em tentar resolver esses mesmos desaparecimentos.

Enquanto isso são explorados os medos associados ao isolamento e à escuridão. E de um modo muito breve é mostrado como é o modo de vivência de determinadas comunidades, onde a caravana é o seu lar. Também ficamos a saber ligeiramente mais sobre os símbolos que são colocados nas viaturas dos viajantes como o aviso de perigo ou outros com significados diferentes.

Gostaria que tudo isto referido anteriormente, tivesse sido mais desenvolvido. Como por exemplo, teria sido mais interessante, haver ataques deste demónio nestes acampamentos. E aí, teríamos um melhor vislumbre do poder dessa figura, a ameaça que representava e que seria impossível de evitar. E assim, realmente testemunhar que não haveria forma de escapar.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Supostamente, a história seria centrada nesta entidade demoníaca, mas infelizmente mais de metade do filme, não esteve presente visualmente. Só eram apresentados sinais da sua aproximação. Por isso, esperava muito mais ataques infernais e caóticos. Além disso, esperava que se tivesse sabido mais sobre as origens desta criatura.

Uma outra coisa que poderia ter sido mais desenvolvida e que faltou contexto foi o historial entre esta figura demoníaca e o São Cristóvão, o padroeiro dos viajantes. Este santo acabou por se tornar num género de arma secreta para ajudar a enfrentar o passageiro do inferno e sem se perceber o porquê.

Com Passenger, temos uma produção com thriller, terror e suspense que apresenta uma história simples com algumas falhas e desequilíbrios. E que cria a sensação de que falta alguma coisa. Poderia ter sido muito mais. Apesar disso, no final pode entreter na mesma, quem for assistir. E no meu caso, foi isso que aconteceu.