Jason
Statham está de regresso para mais um thriller de ação e desta vez com o filme Shelter!
Realizado
por Ric Roman Waugh, o elenco também é composto por Bodhi Era Breathnach, Naomi
Ackie, Daniel Mays, Harriet Walter e Bill Nighy.
Neste
caso, a história acompanha Michael Mason, um antigo assassino do governo
britânico que vive isolado numa remota ilha escocesa. A sua vida solitária muda
quando resgata Jessie, uma jovem que sobrevive a um naufrágio, atraindo
imediatamente a atenção da agência que o quer eliminar.
Nesta
ilha costeira remota, temos um homem recluso que salva esta rapariga de uma
tempestade mortal, acabando por arrastar ambos para uma situação de grande
perigo. E depois, ele é forçado a sair do isolamento e vê-se obrigado a enfrentar
um passado turbulento enquanto protege Jessie, dando assim, início a uma
viagem intensa de sobrevivência e redenção.
E
é desta forma que Mason é empurrado novamente para um jogo de caça ao homem,
onde tenta sobreviver e ao mesmo tempo, enfrenta uma estrutura governamental
corrupta e brutal.
Divulgação: Cinemundo
Desde
o início que se percebe que Mason tem algo a esconder e que deve ter
tido uma razão muito forte para ter tomado a decisão de viver completamente
isolado de tudo e todos, sendo que a única possibilidade de contacto humano seria
através de Jessie, a pessoa que lhe entregava suprimentos. E mesmo
assim, ele decidia manter-se afastado. Porém, ela quis tentar criar uma ligação
com ele e mostrar-lhe algum tipo de humanidade. Será que este ex-agente lhe vai
dar uma chance de ter algum tipo de conexão?
Apesar
de ser um filme maioritariamente de ação, também é dedicado algum tempo a
explorar a construção da relação entre eles que se inicia essencialmente após a
tempestade que deixou Jessie sem família.
Shelter vai entregar ao espetador uma
experiência satisfatória, principalmente quem aprecia filmes que combinam uma
boa dose de ação intensa com violência e espionagem. Além de toda a perseguição
e a tensão psicológica que faz parte, também temos referências aos perigos que
sistemas sofisticados de vigilância possuem e como podem prejudicar mais do que
beneficiar.
Quando
Jason Statham participa neste género de projetos, a pessoa acaba por ter sempre
uma expetativa e sensação que vai passar por um bom momento de entretenimento. E
mais uma vez, ele cumpriu com isso mesmo, onde todas as cenas de luta que
protagoniza são sólidas e prendem a atenção.
Em
comparação com outros filmes deste tipo, até pode não acrescentar nada de novo,
surpreender pouco e ter uma história relativamente previsível com alguns clichés
pelo caminho. Contudo, cumpre com um dos objetivos principais, que é entreter o
público, e isso já é suficiente.
Bastaram
24 horas em Londres para ir assistir de propósito a mais uma peça de teatro que
tem tido um sucesso tremendo desde a sua estreia. E agora, partilho de seguida
com vocês, a minha opinião sobre a mesma.
All
My Sons é a produção
mais recente do West End com a realização do visionário Ivo Van Hove que tem
esgotado todas as suas sessões no Wyndham’s Theatre e pode ser vista por um
tempo limitado entre 14 de novembro de 2025 até 7 de março de 2026.
Logo
após a 2ª Guerra Mundial, Arthur Miller escreveu esta peça em 1946, onde
apresentou a sua visão perante o American Dream, cujos ideais ainda persistem até
aos dias de hoje, mas com algumas mudanças. Esta história é inspirada em factos
verídicos, onde Arthur Miller pega nesta definição de sonho americano e o vira
para revelar o seu lado mais negro, os compromissos morais, a culpa e a negação
que se podem esconder sob a superfície do sucesso.
Desta
vez, para contar esta sua trama, o elenco é constituído por Bryan Cranston (Joe
Keller), Marianne Jean-Baptiste (Kate Keller), Paapa Essiedu (Chris Keller),
Tom Glynn-Carney (George Deever), Hayley Squires (Ann Deever), Richard Hansell
(Dr. Jim Bayliss), Aliyah Odoffin (Lydia Lubey), Cath Whitefield (Sue Bayliss),
Zach Wyatt (Frank Lubey), Stevie Raine (Raine) e Charles Dark, Sammy Jones e
Zayne Tayabali, como Bert.
Esta
é a história de Joe Keller, um empresário de sucesso que construiu o seu
próprio negócio, sendo que durante a 2ª Guerra Mundial vendeu ao Governo, peças
mecânicas que eram essenciais para os aviões de combate. Porém, essas mesmas
peças estavam com defeitos, levando à morte de soldados e Joe foi
exonerado dos crimes, enquanto quem acabou por levar com as culpas foi o seu
sócio.
Aqui
Arthur Miller convida o público para passarem um dia num quintal na América,
onde são expostos os segredos de cada personagem, a culpa sentida e as suas
próprias interpretações sobre o que significa alcançar o American Dream. Desde
o início que ficamos a pensar sobre questões que continuam a criar discussões
na atualidade. Será que se consegue alcançar esse sonho de um modo honesto ou
na realidade, tem de incluir sempre um preço?
Joe
Keller é um
trabalhador com classe que tem muito orgulho naquilo que fez. Desde os 10 anos
que tem sido independente, construiu a sua marca pessoal e trabalhou com muita
intensidade até conseguir criar a sua loja de máquinas. E devido a isso, novas
oportunidades de negócio surgiram e assim, passou a fornecer materiais
necessários para a execução de trabalhos em relação à 2ª Guerra Mundial.
Para
ele, sobrevivência significava sucesso e esse sucesso implicava não voltar a
ser vulnerável. Por isso, acabou por ser levado a tomar decisões questionáveis
que acabaram por trazer efeitos devastadores para outros. Ou seja, gerar lucro
à custa da desgraça dos outros e sem pensar nas consequências. De uma certa
forma, pode haver quem acabe por se relacionar, identificar alguém familiar com
a mesma falta de valores morais apresentada por Joe.
Será
que Joe Keller é o vilão da história ou é uma simples vítima da sua
própria corrupção? Na opinião dele, a sua corrupção tinha boas intenções, pois o
dinheiro ganho estava a cuidar da sua família e do futuro do seu filho. Para
além disso, deu para se perceber imediatamente que ele faria qualquer coisa
para proteger a sua família, mesmo que tivesse de ignorar os seus valores
morais.
All
My Sons é uma peça de
teatro trágica e dramática muito bem executada sobre traição, família, morte e com
uma ideologia muito própria, que é tão relevante para os tempos atuais, sendo que
é muito realista e olha para o lado mais obscuro do American Dream.
Além
disso, é uma obra de storytelling poderosa e profundamente emocionante
que deixa com uma mensagem crucial de como o American Dream pode obrigar a que
se pague um preço elevado que depois acaba por consumir uma pessoa por completo
até que consiga aproveitar como deve ser as recompensas.
De
uma maneira muito própria, esta história intensa transcende para uma fase de
provocação e pressão que leva a um desmantelamento brutal deste sonho americano
que é cada vez mais pertinente que seja discutido. Afinal vale a pena ter sucesso
construído a partir de culpa e corrupção e assim, sacrificar os valores morais
para alcançar o American Dream?
All
My Sons proporciona ao
público uma experiência fenomenal e eletrizante que faz pensar e que tem performances espetaculares, onde Bryan Cranston faz um trabalho magnífico e
magnético a desempenhar o protagonista que tanto pode mostrar um tom mais
dramático, como de repente, apresentar outro mais divertido.
Toda
esta tragédia de Arthur Miller acontece num espaço aberto que também é envolvido
numa iluminação e banda sonora simples que combina perfeitamente na narrativa
complexa que está a ser contada. A pessoa quer acompanhar esta relação
complicada entre pai e filho, estar atenta a cada instante e consegue
reconhecer as dinâmicas. E até de alguma forma, identifica-se com elas.
Há
muito tempo que eu acho que o verdadeiro talento de um ator é testado quando
ele está a representar num palco. E com Bryan Cranston, isso comprovou-se mais
uma vez. Eu já era admiradora do seu trabalho em filmes e séries, entre elas, Breaking
Bad, que atualmente continua muito popular e é uma das séries mais bem
classificadas no IMDb. Logo, no teatro ainda me surpreendeu mais e mostrou a
sua excelente qualidade enquanto ator.
Ver
um ator desta qualidade ao vivo lembra-nos porque é que o verdadeiro talento também
se sente no palco. E é por isso que ele merece o destaque como um dos melhores
atores da sua geração.
All
My Sons é um outro exemplo
de como a arte continua a brilhar e a oferecer-nos produções de elevada qualidade, sendo que neste
caso apresentam as ilusões e a realidade pura e dura deste American Dream.
Apesar
de haver quem possa não apreciar estes temas mais pesados, esta adaptação da
obra de Arthur Miller vale a pena ser vista, pois poderão assistir ao vivo a
uma peça de uma enorme qualidade com boas surpresas e onde podemos testemunhar a
interpretação única de Bryan Cranston que vai sendo acompanhada por um grande
elenco.
Depois
de ter assistido à peça, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Bryan
Cranston no Stage Door deste teatro e ainda houve tempo para uma breve conversa
- falámos da peça, do seu percurso e claro, de Breaking Bad. Um momento
que eu vou guardar!
Por
isso, estou muito grata por ter conseguido ir ver All My Sons a Londres!
Obrigada, Bryan Cranston e restante elenco! E acreditem, que há experiências
que valem a pena a jornada!
De
seguida, partilho um vídeo e mais fotografias desta noite maravilhosa!
Preparem-se
para um dos filmes mais marcantes dos últimos tempos!
Marty
Supreme que é
protagonizado por Timothée Chalamet e realizado Josh Safdie já chegou para nos
cativar e fazer sonhar em grande!
Neste
momento, esta produção conta já com um Globo de Ouro e um Critics Choice Award
para Timothée Chalamet na categoria de “Melhor Ator”. E é um forte candidato
aos Óscares.
O
elenco também é constituído por Gwyneth Paltrow, Odessa A’Zion, Kevin O’Leary,
Tyler Okonma, Abel Ferrara e Fran Drescher.
Esta
comédia dramática desportiva é centrada no mundo vibrante e competitivo do
ténis de mesa que oferece uma história de ambição e superação e que é
apresentado com um estilo próprio.
Marty
Mauser (Timothée
Chalamet) é uma versão ficcional do lendário jogador Marty Reisman – ícone do
ténis de mesa dos anos 50 que regressou à ribalda em 1997. Ao seu lado temos
uma estrela de cinema que se envolve com ele, num relacionamento intenso e
surpreendente que é interpretada por Gwyneth Paltrow.
Para
quem não sabe, Timothée Chalamet fez uma preparação física e técnica de
excelência para realizar todas as cenas desportivas relacionadas com o ténis de
mesa. E sem que fosse necessário ter recurso a duplos.
Divulgação: A24 e Cinemundo
Não
há ninguém como o Marty que faz o que for preciso para realizar o seu
maior objetivo. Nem lhe passa pela cabeça o que planeia fazer, caso o seu sonho
não se concretize. Ele tem um propósito que é ser o melhor neste desporto e
trazê-lo para as bocas do mundo. E com esta obrigação vem sacrifício. Não
importa se ele ainda não faz dinheiro com este seu sonho. Uma coisa é
garantida! Marty tem uma determinação implacável em vencer e não vai
parar, sejam quais forem os obstáculos que surgem no seu caminho.
Além
disso, ele é carismático, impulsivo e imprevisível, sendo que nunca sabemos em
que sarilhos se vai meter e o que esperar dos seus comportamentos malucos. E
isso faz com que fiquemos ainda mais agarrados ao ecrã. A história representa bem a sua época e é muito interessante de se acompanhar, onde também envolve momentos hilariantes, surpreendentes e
inesperados. Apesar de ser contada num ritmo mais acelerado, isso não tira o
foco, nem a vontade de querer seguir a jornada sem limites de Marty
Mauser.
Uma
das grandes lições que este filme transmite para o público é o nível de
persistência e resiliência que muitas vezes é necessário ter para se conseguir
realizar qualquer sonho que se tenha. Neste caso, Marty vive com a
confiança de acreditar em si mesmo e apesar de haver momentos em que tudo na
sua vida esteja a desmoronar, ele mesmo assim, acredita que vai conseguir. Assim,
é mostrada a importância que é não desistir dos nossos sonhos por mais difíceis
que possam ser de alcançar. A jornada pode ser desafiante, mas no final irá
valer a pena.
Divulgação: A24 e Cinemundo
Marty
Supreme é uma obra
fascinante que proporciona uma experiência cinematográfica completamente louca
e ousada, tendo sido repleta de uma grande criatividade e adrenalina que conquista
o espetador desde o primeiro instante. Nesta narrativa original e única com um
tom, tanto dramático, como cómico, também apresenta a paixão, a intensidade, a
vulnerabilidade, o risco e a enorme vontade de vencer, que certos desportos
podem ter na vida de alguém.
Contudo,
nem tudo é um mar de rosas e é realmente nos bastidores que se vê a verdade
dura e crua sobre os sacrifícios que têm de ser feitos para que a pessoa seja a
melhor na sua modalidade desportiva. E como muitas vezes, tem de se adaptar
para vencer.
Um
dos maiores destaques vai para a interpretação magnífica de Timothée Chalamet que
traz autenticidade, brilho e uma energia contagiante a cada cena. Timothée foi
mesmo espetacular, sendo que todas as cenas desportivas que ele executou foram
incríveis. E também deu para se perceber a transformação fabulosa que ele teve e
que foi crucial para assim, entregar uma das maiores performances da sua
carreira.
Para
além disso, é graças a Marty Supreme que ficamos com mais vontade de
assistir, tanto a mais competições de ténis de mesa, como a ver mais vezes, quem
sabe no futuro, o Timothée Chalamet a jogar esta modalidade.
Este
é dos filmes que mais queria ver nos últimos tempos e sem dúvida, que não
desiludiu e que merece todo o devido reconhecimento! E espero mesmo que
Timothée Chalamet vença o Óscar de Melhor Ator Principal!
Chegou
o momento para assistirmos a Eleanor the Great (A Grande Eleanor,
como título em português), o primeiro filme de Scarlett Johansson enquanto
realizadora e com June Squibb como a protagonista.
No
elenco também fazem parte Erin Kellyman, Jessica Hecht, Rita Zohar e Chiwetel
Ejiofor.
Inicialmente,
o público português teve a oportunidade de assistir a esta estreia no dia 1 de
novembro no The Chapel durante a 2ª edição do Tribeca Festival Lisboa.
Nesta
produção temos Eleanor, uma viúva que aos 94 anos procura reencontrar-se
em Nova Iorque, mas uma história contada por acaso arrasta-a para uma teia de
afetos, ilusões e descobertas, onde a fronteira entre verdade e mentira se
dissolve em humanidade.
June
Squibb é a atriz responsável por dar vida de uma forma vibrante à espirituosa e
orgulhosamente problemática Eleanor Morgenstein, uma mulher de 94 anos
que, após uma perda devastadora, passa a contar uma história que ganha vida
própria e torna-se perigosa.
Nas
mãos de Scarlett Johansson são entrelaçados temas como o envelhecimento, a
família, a perda e os limites do engano, transformando esta história de amizade
e memória num retrato profundo da complexidade humana.
Divulgação: Sony Pictures Classics
Eleanor sempre se manteve envolvida e ligada
às pessoas à sua volta. Depois de ter perdido a sua melhor amiga, ela muda-se da
Florida para Nova Iorque para assim, viver com a filha e o neto, na esperança
de se reconectar com a família. Em vez disso, ela sente-se ainda mais à deriva
e invisível.
Eleanor é uma mulher sem filtros cheia de
vida e com um lado rebelde que depois da partida da sua Bessie (Rita
Zohar), leva a que ela viva uma grande dor e um vazio emocional, devido à
ausência de alguém que foi a sua amiga mais íntima ao longo de 70 anos.
Um
dia durante uma visita ao Centro Comunitário Judaico de Manhattan, ela calha
entrar num grupo de apoio para sobreviventes do Holocausto, onde na realidade
não pertence. No entanto, aproveita apenas para revelar uma história que, sem
querer, lhe traz um nível de atenção que não pretendia.
Esta
mesma história que Eleanor contou e que nem tinha noção das proporções
que iriam tomar, era na realidade o testemunho de Bessie que sobreviveu
ao Holocausto. Embora sem pensar, quando Eleanor decidiu assumir o
relato de uma sobrevivente do Holocausto, esta mentira acabou por aumentar a
sua dimensão até fugir do controlo.
Assim,
ela vê-se envolvida numa narrativa que não esperava vir a acontecer, enquanto Nina
(Erin Kellyman), uma jovem estudante de jornalismo a procura como amiga e
mentora e que ainda, quer fazer um artigo sobre Eleanor. Quando as
coisas vão longe demais, Eleanor tem de enfrentar a verdade.
Por
quanto tempo irá a mentira de Eleanor durar? Será que a relação entre Eleanor
e Nina irá resistir?
Divulgação: Sony Pictures Classics
Eleanor
The Great é de um
modo inesperado surpreendente e contém um tom caricato e outro mais emocional e
caloroso. Apesar disso e devido a alguns desequilíbrios, fragilidades e falta
de cuidados com alguns assuntos, a trama em si pode não agradar a todos.
Contudo, aborda temas com o qual o público se identifica, como a perda, o luto,
a empatia, a compaixão, o perdão e acima de tudo, o poder da amizade. Além
disso, transmite a mensagem do quanto devemos viver a vida, não importa a idade
e ainda, manter vivas, memórias importantes.
Os
destaques deste filme vão para a interpretação maravilhosa e comovente de June
Squibb e para as dinâmicas das ligações, tanto de Eleanor com Bessie,
como a de Eleanor com Nina. É bonito de se assistir a uma amizade
tão verdadeira e cúmplice como a de Bessie e Eleanor e além
disso, acompanhar a construção da ligação inesperada de Eleanor com Nina.
Estas são duas relações muito diferentes entre si, mas que é interessante ver como
funciona a dinâmica de cada uma delas.
No
seu papel como Eleanor, June Squibb apresenta-a como uma mulher
carismática e astuta que usa a idade avançada a seu favor e entrega uma
combinação de ironia e um humor atípico enrolado numa língua afiada.
Divulgação: Sony Pictures Classics
Temos
aqui alguém que sofreu uma perda forte e profunda, enquanto quer ser dispensada
e colocada num lar de idosos pela sua filha. Ela não tem muitas pessoas com
quem conversar e ter a oportunidade de se abrir e partilhar os sentimentos de
perder a sua melhor amiga e os seus arrependimentos. E é graças a Nina
que começa a sentir-se mais confortável e aberta para conversar, embora inclua
algumas mentiras pelo meio. Nina não só passa a passar muito tempo com Eleanor,
mas à sua maneira, também consegue impactar esta idosa.
Aos
poucos, vamos compreendendo os motivos pelos quais nasceu esta grande mentira
criada por Eleanor que envolve boas intenções. Na realidade, quando Eleanor
assume a identidade de uma sobrevivente do Holocausto, ela acredita que é por
um bom motivo e que está a honrar e conservar a memória da amiga. É
impressionante como a dor e o luto pode fazer as pessoas fazerem coisas
inimagináveis.
Divulgação: Sony Pictures Classics
Com
Eleanor the Great é explorado o tema da identidade e o poder do storytelling
e da conexão humana. É oferecido algo que não vemos todos os dias, que é trazer
uma história moralmente mais complexa e um tanto ambiciosa, cuja protagonista é
uma idosa autêntica e onde June Squibb brilhou do início ao fim, sendo que tudo
é tratado de um modo leve, apesar de por vezes, serem retratados assuntos mais
delicados. Também existem aqueles momentos em que a pessoa fica com uma lágrima
no cantinho do olho e outros em que algumas saídas de Eleanor têm a sua
piada. Já a fotografia é satisfatória e a banda sonora é discretamente eficaz.
Em
relação à estreia de Scarlett Johansson como realizadora resulta num desempenho
que mostra potencial nesta função e cria curiosidade em querer acompanhar
projetos desta figura que tanto conhecemos nos seus inúmeros trabalhos como
atriz. Acredito que ela tem um futuro promissor numa carreira de realização,
mas que precisa de tempo para melhorar as suas capacidades para tal.
Apesar
de por vezes ser um pouco previsível, Eleanor the Great é bom o suficiente
para criar reações no espetador e em que June Squibb rouba genuinamente as
atenções com a sua versatilidade, onde a sua performance complexa equilibra
humor, profundidade emocional e vulnerabilidade.
Desta
vez apresento-vos All Her Fault, uma minissérie original da Peacock com oito episódios que
pode ser vista através da plataforma de streaming da SkyShowtime. É baseada no
romance homónimo de Andrea Mara, publicado em 2021. E recebeu indicações a dois
Globos de Ouro nas categorias de Melhor Minissérie e Melhor Atriz em
Minissérie para Sarah Snook.
Este
projeto é protagonizado por Sarah Snook e junta-se a ela Jake Lacy, Dakota Fanning,
Michael Peña, Sophia Lillis, Abby Elliot, Daniel Monks, Jay Ellis, Thomas
Cocquerel, Duke McCloud e Kartiah Vergara.
A
história inicia-se quando uma mãe se vê numa procura desesperada para descobrir
a verdade por trás do desaparecimento misterioso do seu filho.
O
pior pesadelo de qualquer mãe começa. Marissa Irvine (Sarah Snook) prepara-se
para ir buscar o seu filho Milo à casa de um amigo da sua nova escola. Contudo,
quando ela chega lá e bate à porta, recebe uma resposta que não esperava. A
mulher que vive naquela casa nunca ouviu falar da criança e a Marissa
fica completamente aflita e em choque com o que está a acontecer, enquanto faz
tudo o que é possível para descobrir o paradeiro de Milo e saber quem o
raptou.
Este
foi só o primeiro passo para que esta família começasse a desmoronar,
juntamente com todos os seus segredos profundos prestes a serem revelados. No
entanto, Marissa vê na sua nova amiga Jenny Kaminki (Dakota Fanning)
como a única pessoa em quem pode confiar, sendo que estas duas mulheres formam
uma aliança próxima e improvável. E juntas, elas procuram por Milo.
Marissa carregada com o peso da culpa do que
levou àquele momento nunca mais seria a mesma, principalmente depois de saber
de determinados segredos de família que iriam mudar o rumo da sua vida para
sempre.
Enquanto
isso, o detetive Alcaras (Michael Peña) segue todas as pistas deste caso
de desaparecimento, levando a que o seu código moral seja levado ao limite. Será
que ele vai conseguir encontrar Milo a tempo, desvendar o que realmente
aconteceu a esta criança e levar a justiça aos responsáveis pelo rapto?
All
Her Fault é um
thriller e um suspense intrigante cheio de reviravoltas inesperadas que prende
completamente a atenção e que entrega um mistério interessante e bem
desenvolvido. Ao longo desta história, a pessoa começa a pensar automaticamente
em teorias relacionadas com quem poderão ser os responsáveis por esta tragédia e
quais poderão ser as possíveis causas para tal.
Quando
olhamos para a narrativa em si, então podemos identificá-la como um pouco
complexa que tem um lado mais assustador. E é verdade que há alturas em que
parece que a história é previsível, mas de repente, surgem surpresas que nos
atrai.
Esta
trama misteriosa retrata dinâmicas familiares, erros, mal-entendidos, acusações,
mentiras e manipulações causadas por este grupo de seres humanos que são mais
profundas do que se poderia imaginar, sendo que se fica com vontade em saber como
tudo se irá desenrolar. No entanto, existem algumas personagens que acabaram
por ser dispensáveis e que na realidade, não faziam falta. E por isso mesmo,
pode tornar-se difícil criar algum tipo de empatia pelas mesmas.
All
Her Fault consegue
ser subtil a apresentar muitas das pressões sociais, sacrifícios e dificuldades
que são impostas a muitas mães trabalhadoras. E o quanto é difícil conciliar a
vida profissional da vida pessoal. Assim, é por essa razão que muitas mães acabam
por ter a necessidade de contratar uma ama para tomarem conta dos filhos. Porém,
tem as suas desvantagens.
Nesta
minissérie dramática que também aborda a maternidade, podemos acompanhar mais
um desempenho arrebatador e fantástico de Sarah Snook que carrega às costas
esta história e consegue transmitir com qualidade, um sofrimento por vezes, silencioso
e perturbador desta mãe que esconde as suas emoções e se sente culpada pelo
desaparecimento do seu filho. Além disso, podemos observar a evolução interessante
da sua personagem no decorrer de cada episódio.
Até
pode não ser perfeita, principalmente em relação ao trabalho mais fraco de
alguns dos atores e pelo facto da pessoa chegar ao final desta trama e ficar
com a sensação que faltava ali qualquer coisa. Por exemplo, podiam ter
desenvolvido mais o enredo da amizade das duas mães e o final poderia ter sido melhor.
Mas, mesmo assim, traz um conteúdo com um suspense na medida certa com algumas
surpresas associadas que cria interesse em acompanhar e que num modo geral, foi
bem executado.
A convite da SkyShowtime e da NOS que deixo aqui um agradecimento, eu estive presente no visionamento do primeiro episódio desta minissérie que ocorreu nos Cinemas NOS do Centro Comercial Vasco da Gama em Lisboa e partilho de seguida, um vídeo deste evento!
Chegou
o momento de assistir a uma comédia original cheia de boa-disposição!
Anaconda é a nova versão realizada por Tom
Gormican que é protagonizada por Jack Black e Paul Rudd, sendo que se juntam a
eles, Daniela Melchior, Steve Zahn, Thandiwe Newton e Selton Mello.
Nesta
história temos Doug (Jack Black) e Griff (Paul Rudd), dois amigos
inseparáveis desde a infância que partilham um sonho: refazer o “clássico” Anaconda.
O plano? Aventurarem-se pela Amazónia e filmarem o seu próprio remake, com mais
entusiasmo do que preparação. O que começa por um sonho de amigos rapidamente
se transforma numa hilariante aventura repleta de imprevistos.
Entre
mal-entendidos e planos que vão dar de mal a pior, tudo muda quando uma
anaconda entra em cena para surpresa de todos. Eles têm um filme para produzir,
mas antes disso precisam de…sobreviver.
Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Pictures Films
Desde
o início que se tornou numa ideia intrigante, mas refazer o Anaconda era
bom demais para estes dois amigos deixarem passar. Claire (Thandiwe
Newton) e Griff iriam entrar nele, o Kenny (Steve Zahn) iria
filmá-lo e o Doug seria o realizador. O que será que vai sair dali?
Para
este grupo, isto vai ser a aventura de uma vida que começou por viajarem uma
longa distância para gravarem um filme e para enfrentarem o maior desafio de
sempre. O que eles não imaginavam é o filme que eles estavam a fazer acabou por
se tornar real, chegando a um ponto que estão no meio da selva a serem
perseguidos por uma anaconda verdadeira. Será que vão conseguir escapar?
Fazer
um filme não é tão fácil como se pensava e isso é comprovado a partir do
momento em que uma tragédia com uma cobra amigável acontece e tudo parece estar
perdido por instantes. É que recriarem Anaconda e eles já não terem uma
cobra para um filme sobre cobras não leva a lado nenhum. Por isso, eles decidem
entrar na selva e encontrar outra, mas não pensaram o quanto este poderia ser
um lugar perigoso. É que nunca se sabe o que podem vir a encontrar e assim que
perceberem os riscos que estão a correr, então já não há volta atrás.
Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Pictures Films
Este
reboot de Anaconda é uma enorme surpresa e é muito mais divertido do
que se esperaria, onde temos uma comédia sem limites, muito para rir, muita
diversão e muita ação. Apesar da narrativa em si ser muito previsível, não
deixa de ter as suas reviravoltas inesperadas que são acompanhadas por uma
banda sonora que fica no ouvido, onde inclui uma música em loop tão conhecida que
é energética e encaixa tão bem.
Esta
visão possui várias referências a este mundo e proporciona ao espetador uma
experiência hilariante e surreal, sendo que perdi a conta de quantas vezes me
saíram gargalhadas. Além disso, já há muito tempo que um filme não me fazia rir
tanto.
O
maior destaque vai sem dúvida para a química contagiante de Jack Black e Paul
Rudd que são as estrelas desta aventura e que brilham sempre que surgem no
ecrã. E a pessoa fica cheia de vontade em querer acompanhar mais a jornada
destas duas personagens. Esta é uma dupla imbatível e cativante que arrasa e nos
entrega cenas brutais, humor, loucura e muito mais!
Em
relação à participação da atriz portuguesa Daniela Melchior que interpreta Ana,
uma capitã de um barco que tem os seus próprios planos de viagem. Desta vez,
ela entrega um registo bem diferente daquilo que se tem visto em relação aos
seus últimos papéis, em que surge com um lado mais de antagonista e juntando ainda,
um sotaque mais brasileiro com umas habilidades úteis para se defender e conseguir
concretizar os seus objetivos. E também é sempre interessante quando se vê a
versatilidade do trabalho de um ator.
Esta
versão da Anaconda com cabeçadas à mistura é levada muito mais para um
tom cómico e é daqueles filmes que nem sabíamos que estávamos realmente a
precisar. É importante não fazer comparações com o material que já existe. E
digam o que disseram, o filme realmente resulta para entreter o público,
principalmente se estiver à procura de um momento de pura animação e descontração.
De seguida, partilho um vídeo da antestreia deste filme nos Cinemas UCI El Corte Inglés em Lisboa e que teve a presença da Daniela Melchior. Obrigada AXN Portugal pelo convite!
Parece
que todo o mundo conhece Jay Kelly, exceto ele mesmo.
Jay
Kelly é uma das
produções mais recentes da Netflix que é realizada por Noah Baumbach.
O elenco conta
com George Clooney, Adam Sandler, Laura Dern, Billy Crudup, Riley Keough, Grace
Edwards, Stacy Keach, Jim Broadbent, Patrick Wilson, Eve Hewson, Greta Gerwig,
Alba Rohrwacher, Josh Hamilton, Lenny Henry, Emily Mortimer, Nicôle Lecky,
Thaddea Graham, Isla Fisher, Louis Partridge e Charlie Rowe.
A
grande estrela de cinema, Jay Kelly embarca numa jornada de autodescoberta
inesperadamente intensa, profunda e transformadora pela Europa e na companhia de
Ron, o seu agente bastante dedicado. Ao longo deste percurso, esta dupla
questiona as suas escolhas de vida, relações familiares e o impacto que
causaram no mundo. E assim, eles terão de lidar, tanto com o presente, como com
o passado.
Ao
longo deste drama, podemos observar o protagonista a reavaliar as suas escolhas
de vida que tiveram um impacto duro na sua vida pessoal.
Para
muitos ele é o sonho americano e um herói do cinema, sendo que consideram
magico o que ele faz, enquanto brilha em qualquer lugar em que esteja presente
e por isso, o mundo quer que este artista continue a fazer filmes.
Logo
no início, conhecemos Jay num ponto de viragem da sua vida, pois é
devido a uma sequência de acontecimentos que fazem com que ele decida fazer uma
viagem. Tudo isto, porque ele debate-se com as escolhas que fez na vida e com
as prioridades que definiu, onde também inclui as suas relações com a família e
as suas amizades. E chega alturas em que lhe apetece simplesmente desistir.
Jay está a entrar nos últimos anos da sua
carreira, onde ele tem feito muita gente feliz e significa muito para muitas
pessoas. Porém, aos poucos começa a aceitar a ideia de que se calhar ele não
tenha sido um bom pai e amigo, porque teve de fazer determinadas escolhas e por
tudo aquilo que ele fez e que não fez.
Por
isso, pela primeira vez, ele enfrenta tudo de uma forma mais clara, enquanto é
roído de preocupação, arrependimento e culpa que vai combinando com momentos de
ansiedade. E são muitos os pensamentos que lhe passam pela cabeça, como o facto
de estar a chegar o momento de partida da filha dele e sentir que não passou tempo
suficiente com ela. Apesar de ele dizer que há várias alturas em que ele está
sozinho, o contrário é mostrado de um modo divertido.
Depois
de ter sempre vivido na sua bolha como se de um cenário de um filme se
tratasse, ele decide sair para o mundo com uma enorme vontade em querer voltar
a ligar-se e sair com as pessoas. Uma das suas ideias que é de loucos para
muitos, é ele viajar num comboio na Europa, algo que não fazia há muitos anos e
onde qualquer pessoa poderia interagir com ele.
Com
Jay Kelly vemos um pouco da loucura que envolve uma estrela de cinema, mostrando
com convicção como é difícil sermos nós próprios, principalmente quando se é o
Jay Kelly, sendo que acompanhamos a posição dele na sua jornada. Esta
jornada mostra que a vida de artista não é um mar de rosas, principalmente para
aqueles ao seu redor, como é o caso de Ron, o seu agente.
Através
de Ron, conseguimos perceber que o trabalho de um agente de um ator de
cinema não é nada fácil e que implica muitas vezes fazer sacrifícios e estar longe
da família dele. Não importa que compromissos que ele tivesse avisado com
antecedência, se Jay estivesse a ter um esgotamento nervoso ou outra
coisa qualquer, então Ron teria de largar tudo e correr num instante
para o seu cliente. É garantido que todos precisam do Ron, maioritariamente
Jay, pois é ele que está sempre presente e resolve tudo o que for
preciso.
Aqui
vemos Adam Sandler a interpretar este Ron que nos apresenta a capacidade
de versatilidade deste ator. Claro que estamos mais habituados a vê-lo em
registos mais cómicos, mas neste caso é uma ótima surpresa e espero que ele
possa desempenhar mais personagens com um tom mais dramático. Desde o início
que a pessoa se identifica com esta personagem, comove-se, cria empatia e
coloca-se no lugar dele, imaginando em determinadas situações, o que faria no
lugar dele. E também é interessante acompanhar a dinâmica dele com Jay Kelly.
Importante
destacar que a performance de Adam Sandler merece o seu devido reconhecimento,
sendo que foi nomeado na categoria de Melhor Ator Secundário para os Critics
Choice Awards, Gotham Awards e os Golden Globes por esta sua prestação.
Jay
Kelly apresenta uma
transformação cinematográfica que é bonita e convidativa que mantém as pessoas
motivadas e proporciona uma representação de uma luta interna e ainda, uma reflexão
sobre escolhas, fama, valores morais e sobre a questão da identidade.
Uma
das surpresas mais criativas foi nesta aventura de Jay Kelly, o modo
como representaram as suas memórias, ou seja, como se tivéssemos um filme
dentro da cena de outro filme. Ao longo desta história, ele começa a
relembrar-se de coisas e questiona-se se deu valor às coisas certas, sendo que
a maior parte das memórias dele estão relacionadas com filmes onde participou.
Temos
aqui a filmagem de muitos planos num só movimento e um cenário que ganha forma
numa perspetiva que não estamos tão habituados a ver que entrega uma boa
sincronização. Durante as cenas em que o protagonista está a relembrar-se, a
sensação é que estamos a passar por diferentes portais, onde inicialmente
estamos num sítio e de repente somos transportados para outro completamente distinto.
Ele está a ver-se a si mesmo em jovem e camadas da sua realidade, enquanto está
a mostrar ao público a sua jornada que ele acredita que tudo o que passou tem
de ter algum significado.
Além
disso, vai sendo abordado o tributo que ele no fim irá receber e é interessante
darem-nos a oportunidade de observar o próprio Jay Keller a ver a vida
dele a passar diante dos seus olhos, onde gera camadas subtis de emoções, tanto
para ele, como para o público a assistir.
Outro
dos destaques também vai para o facto de conseguirmos assistir aos bastidores
de como é fazer um filme, mesmo que seja por uns instantes. E ainda, vai para a
banda sonora inserida neste filme que tem autenticidade, não é nada forçada e
que toca num tom familiar e revigorante que encaixa na perfeição, fica no
ouvido e que faz realmente desfrutar deste som melódico.
Por
isso, Jay Kelly até pode não agradar a todos, mas à sua maneira está a
reconhecer a nossa humanidade nos seus prós e nos seus contras e como é muito
mais fácil sermos outra pessoa. E realça com energia e garra, um sentimento
mais pessoal e íntimo dos seus protagonistas e faz com que queiramos conhecer
melhor as personagens e fazer esta viagem com elas.
Para terminar, A Geek Traveller esteve presente uns dias durante o BFI London Film Festival, onde o icónico Royal Festival Hall também recebeu Noah Baumbach, George Clooney, Adam Sandler, entre outros para apresentar este drama da Netflix.
A energia e o ambiente em si foram também a loucura – mais um momento único para qualquer fã de cinema! Por isso, partilho com vocês, o vídeo exclusivo da Premiere de Jay Kelly em Londres.