terça-feira, 3 de novembro de 2026

Wildwood é uma obra-prima extraordinária que entrega uma aventura alucinante, impactante e espetacular

Wildwood (Floresta Mágica, como título em português) é o filme de animação stop-motion mais longo, ambicioso e desafiante produzido pelo estúdio da Laika, uma referência e especialista mundial neste estilo de animação que tanto nos entregou produções de animação emblemáticas!

Dos criadores de Coraline e realizado por Travis Knight, Wildwood tem um elenco de vozes originais constituído: por Peyton Elizabeth Lee, Jacob Tremblay, Carey Mulligan, Mahershala Ali, Angela Bassett, Awkwafina, Jake Johnson, Charlie Day, Amandla Stenberg, entre outros.

Foram precisos 16 anos para que toda a produção ficasse totalmente pronta para concretizar uma adaptação do livro de fantasia de Colin Meloy, publicado em 2011.

A dimensão deste projeto é gigante, sendo que contou com 233 marionetas e 49 animadores. E foram ainda construídos 136 cenários físicos para criar o universo do filme.

Nesta aventura de animação em stop-motion, acompanhamos Prue, uma adolescente determinada a encontrar o irmão bebé depois de este ser raptado por um bando de corvos.

Agora, para o encontrar, Prue entra no Território Impenetrável, uma floresta encantada nos arredores de Portland, Oregon. Ao lado de Curtis Mehlberg, um colega de turma desafortunado, mas leal e eles embarcam numa viagem por um mundo habitado por animais falantes, bandidos e outras figuras misteriosas.

À medida que avançam, Prue e Curtis acabam envolvidos num conflito que ameaça o equilíbrio daquele território. Perante perigos inesperados e forças movidas pela dor e pela ambição, Prue terá de descobrir uma força que desconhecia possuir para conseguir salvar o irmão e proteger o futuro da Terra Selvagem.

Uma nova e grande aventura que leva o público a um mundo que nunca se imaginou ser possível de entrar. Isto começa com os primeiros grandes responsáveis que são um bando de corvos. É verdade! Quando o irmão bebé é raptado por eles, a obstinada adolescente Prue Mckeel lança-se numa missão de resgate desesperada neste Território Impenetrável. Ela vai ter de arriscar tudo para trazer o seu irmão são e salvo e de regresso a casa. E ainda, evitar que a Terra Selvagem seja destruída por uma bruxa.  

Divulgação: NOS Audiovisuais

Algumas das premissas principais desta história são as questões seguintes: até onde a pessoa iria por aqueles que mais ama? E será que tem a coragem necessária para atravessar uma floresta mágica e desconhecida que estava a tornar-se cada vez mais num lugar selvagem?

Prue é uma rapariga impulsiva que não é do tipo de desistir e teve de crescer demasiado depressa. Isso fez com que não acreditasse em fantasias. Um dia, ela fez uma promessa aos pais dela. Tomar conta do irmão, mas o inesperado aconteceu. Devido a Prue desafiar a ordem dos pais de sair de casa, o seu irmão foi levado repentinamente por corvos. E ela vai fazer o que for preciso para o encontrar. Não vai desistir de procurar por ele. Nem que tenha de entrar por um mundo diferente daquilo que já conheceu. E onde tudo pode acontecer, sendo que este universo tem os seus perigos e está à espera de que os seus segredos sejam revelados.

Para conseguir resgatar o irmão, ela vai precisar de encontrar a sua coragem para enfrentar um lugar desconhecido e selvagem que está proibida de ir. Além disso, este é o lar de muitas criaturas mágicas que lhe querem fazer mal e que falam. Enquanto isso, ela tem de enfrentar os seus próprios medos.

Em relação à antagonista, temos uma bruxa que quer devastar a floresta e recuperar o que ela lhe tirou. Este é um exemplo de como uma tragédia pode moldar plenamente uma personagem.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Wildwood é uma obra-prima bonita e extraordinária que tem uma magia muito própria e nos entrega uma aventura alucinante, impactante e espetacular. Toda a animação em stop-motion a nível técnico é perfeita e é executada numa escala nunca antes vista. A fotografia é lindíssima. A quantidade de detalhes que tem e as cenas bonitas que possui são surreais. Cada detalhe é tão deslumbrante e criativo! É mesmo de deixar a pessoa de boca aberta e em êxtase, enquanto aprecia este estilo de animação e sentindo uma autêntica montanha-russa de emoções. As horas envolvidas nesta criação e todo o cuidado, esforço e energia que colocaram na experiência visual é de tirar o fôlego e de louvar!

Com cada aspeto do filme, dá para ver que fizeram isto por amor à arte e é isso que a Laika prioriza em todas as suas produções.  

O facto de ter sido utilizada totalmente uma técnica de stop-motion faz com que a experiência ainda seja mais fenomenal. A quantidade de vezes que passa pela cabeça a questão: como é possível que este universo e cada uma destas cenas em stop-motion terem sido feitas pelas mãos de muitas pessoas? E realçar que todas as sequências das cenas da batalha são brilhantes.  

Divulgação: NOS Audiovisuais

Para quem não sabe, o stop-motion é uma técnica de animação que consiste em criar a ilusão e a sensação de movimento, a partir de uma sequência de fotografias de objetos reais e estáticos. Neste caso, são criados cenários e marionetas, mas é tudo em miniatura. Primeiro, coloca-se a personagem num cenário físico. Depois tirar a fotografia, mudar ligeiramente a posição da personagem e repetir todo o processo, milhares de vezes.

Um segundo de filme são 24 frames, ou seja, 24 fotos e como a duração do filme é de 2 horas e 12 minutos, então isso equivale a milhares de frames (cerca de 7920 frames). É mesmo um método extremamente complexo, muito minucioso, demorado e exaustivo que exige paciência e dedicação. Mas, que no final, entrega um rigor técnico e proporciona um resultado incrível e único.  

Já na história em si, poderia ter sido mais bem desenvolvida, principalmente em relação a algumas das personagens, fazendo com que não se crie empatia por elas. Contudo, não é algo que afete a experiência de todo.

Esta narrativa com um espírito ligeiramente selvagem retrata a guerra entre povos, mas também é focada em temas relacionados com magia, luto, sacrifício, amor, família, amadurecimento e amizade, sendo que é cheia de adrenalina, mistério, criaturas mágicas e estranhas, perseguições, lutas, batalhas, rituais e com muito mais para se descobrir. E além disso, mexe muito com a pessoa, em todos os sentidos.

Divulgação: NOS Audiovisuais

A arte é uma manifestação da criatividade humana e Wildwood é um excelente exemplo disso. É impressionante quando um grupo de pessoas talentosas se junta para criar uma obra de arte de animação tão rica, envolvente e muito especial. Tudo o que se vê é feito à mão e foi criado por alguém. Na minha opinião, o stop-motion é mesmo uma arte pura.

Wildwood é um filme de aventura, ação e fantasia que é encantador e arrepiante, visualmente genial que passou num piscar de olhos e que merece ser admirado, celebrado e premiado. É importante referir que tem de haver mais reconhecimento pelo stop-motion. Num mundo que está a ser cada vez mais dominado pela inteligência artificial, a arte manual continua a resistir. E sem dúvida, que precisamos cada vez mais, desta técnica de arte que possui um poder e um nível de grandiosidade, sofisticação e profundidade que deixa qualquer um, sem palavras. Por isso, viva à arte que é feita à mão!

Assim, se são fãs de cinema, então têm mesmo de ver Wildwood no maior ecrã possível! Acreditem que esta é daquelas produções inspiradoras com uma qualidade magnífica que dificilmente iremos ver tão cedo no cinema.

E Wildwood é tão precioso, marcante e surpreendente que a pessoa fica encantada a viver esta experiência inesquecível que lhe foi oferecida. Passou a fazer parte da lista dos meus filmes de animação favoritos. E faz-me lembrar o porquê de eu ser completamente apaixonada por cinema, pois a magia do cinema também está na criatividade e nos detalhes.


sábado, 31 de outubro de 2026

A Festa de Anos - o que esperar deste drama psicológico protagonizado por Willem Dafoe (Crítica)

Bem-vindos à celebração de A Festa de Anos protagonizada por Willem Dafoe!

Este drama (The Birthday Party, como título original) é realizado por Miguel Ángel Jiménez. Para além de Willem Dafoe, o elenco é composto por Vic Carmen Sonne, Joe Cole, Emma Suárez e Carlos Cuevas.

Esta produção é uma adaptação do romance homónimo do escritor Panos Karnezis.

A história acompanha Markos Timoleon, um rico empresário grego que celebra o 25º aniversário da filha na sua ilha privada. Mas, acontecimentos inesperados colocam o seu poder em risco e abalam os alicerces da sua vida.

Para este homem, a família é o mais sério dos negócios. Ele tem a necessidade de controlar tudo ao seu redor. E a relação de obsessão e de amor com a sua filha não está nos melhores termos.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Aqui temos uma figura autoritária que está habituada a influenciar todos à sua volta e a querer controlar o presente e futuro da própria família. E ainda, a proteger o seu património a todo o custo. Mesmo assim, nem sempre, as coisas decorrem de acordo com os seus planos.

Ele tem o objetivo de sabotar a vida da filha para que não coloque em causa o seu legado. Já a filha, só quer ter uma vida independente do pai.

Perante uma ilha privada no Mediterrâneo, temos uma celebração cheia de segundas intenções e de coisas a esconder que é passada na década de 1970. E que tem os elementos para que possa correr mal.

Divulgação: Pris Audiovisuais

A Festa de Anos é um evento tenso que testa o psicológico, tendo sido envolvido num ambiente de riqueza, luxo, extravagância e cinismo. Também é cheio de relações de conveniência, conflitos familiares, espionagem, ambição, isolamento, corrupção, planos a serem colocados em prática, interesses pessoais e muitos segredos prestes a serem desvendados.

O único destaque mais interessante vai para a interpretação de Willem Dafoe que dá vida a um patriarca frio, calculista e manipulador. De um modo implacável tenta controlar a sua família. E não faltam situações decadentes, em que ele mostra a sua dinâmica de poder e como às vezes, ultrapassa os limites.

Além disso, é-nos entregue uma cinematografia de boa qualidade que mostra a beleza paradisíaca das ilhas gregas. E cria um contraste entre estas paisagens gregas e a atmosfera pesada e paranoica que é captada nesta ilha.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Mesmo assim, a história peca a vários níveis, na qual não dá para ignorar e desviar o olhar, acabando por trazer algo que é mais cansativo, não traz nada de novo e nem transmite qualquer impacto a quem está a assistir. Também existe uma quebra constante no ritmo e um desequilíbrio evidente em termos das músicas escolhidas para a banda sonora.

A Festa de Anos é daqueles filmes que não tem nada de marcante e contém uma narrativa que é facilmente esquecível. Infelizmente, nem Willem Dafoe conseguiu salvar o material adaptado e deu para ver que fez o seu melhor.

Por isso, caso tomem a decisão de ir ver o filme, aconselho a não terem expetativas e simplesmente, aproveitarem para apreciarem as vistas requintadas e estupendas do Mediterrâneo.  


sexta-feira, 30 de outubro de 2026

4 Séries da Disney+ para fazer uma maratona no Halloween

Chegou o momento de se celebrar o Halloween! E que melhor forma de passar este Dia das Bruxas do que se prepararem para uma maratona, seja de filmes ou mesmo de séries.

Por isso, desta vez vou sugerir 4 séries que podem assistir durante esta época! Umas para uma maratona mais curtinha e outras com uma duração mais longa. E todas elas estão disponíveis na plataforma de streaming da Disney+.

Vamos agora, a estas dicas relacionadas com séries para assistir no Halloween? 

1.  Agatha All Along

Agatha All Along acaba por ser uma sequência dos eventos de WandaVision, onde o foco é a Agatha Harkness que sofreu as consequências dos seus atos e agora terá de se reinventar, fazendo o que for necessário para tentar recuperar os seus poderes.

Esta é uma personagem cativante, complexa e cheia de traços específicos na sua personalidade que consegue conquistar o público de um modo muito próprio.

Para quem gosta de histórias de bruxas e dos seus feitiços, esta pode ser uma ótima sugestão. Além disso, é original e a forma inteligente como esta narrativa vai sendo desenvolvida é diferente do habitual.


2. American Horror Story

American Horror Story é das séries mais populares deste género do terror, sendo que pelo meio também inclui drama, suspense e surpresas inesperadas. Foi criada por Ryan Murphy e Brad Falchuck, sendo que já conta com 13 temporadas e inúmeros prémios.

Estreou em 2011 e podem acompanhar na plataforma da Disney+. Cada temporada é focada numa história diferente, sendo que participam nomes bem conhecidos do público, tais como: Sarah Paulson, Evan Peters e Jessica Lange.

 

   3. American Horror Stories

Criado também por Ryan Murphy, temos American Horror Stories. É uma série de antologia semanal dos mesmos criadores com 3 temporadas, onde podem encontrar histórias de terror diferentes em cada episódio.

 

4. Scream Queens

Scream Queens é mais uma série de antologia de terror criada por Ryan Murphy que também tem uma dose de comédia. Esta produção possui um humor muito próprio, mistério, caos e é repleto de sarcasmo e paródia.

A primeira temporada desta sátira centra-se num campus universitário que é abalado por uma série de homicídios. Tudo isto acontece na Kappa House, a irmandade mais popular da Universidade Wallace que tem como membros, a elite da escola. Esta irmandade é liderada pela implacável Chanel Oberlin (Emma Roberts). O caos instala-se quando a Diretora Cathy Munsch (Jamie Lee Curtis) força a irmandade a aceitar qualquer estudante como candidata. E isso, coincide com uma onda de crimes cometidos por um assassino mascarado.

A segunda temporada desenrola-se num hospital psiquiátrico que é gerido pela Cathy Munsch. As sobreviventes da temporada anterior juntam-se à equipa médica. Mas, o local rapidamente se torna no novo alvo de uma criatura mortífera.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Primetime - o melhor deste filme foi o desempenho surpreendente e imparável de Robert Pattinson

Chegou o momento de Primetime realizado por Lance Oppenheim. É aqui que conhecermos Chris Hansen, o homem que mudou a história da televisão!

O elenco é constituído por Robert Pattinson, Merritt Wever, Skyler Gisondo, Matthew Maher, Phoebe Bridgers, Bokeem Woodbine, Sean Bridgers e Anna Faris.

Inspirado em factos verídicos, Primetime leva-nos a 2006, quando Chris Hansen, apresentador de To Catch a Predator, decide fazer história na televisão.

Robert Pattinson veste a pele do jornalista, num retrato dos bastidores de um dos programas de investigação mais controversos da época, onde a linha entre justiça e espetáculo fica cada vez mais difícil de traçar.

O jornalista em questão é Chris Hansen da Dateline NBC. Esta figura era o apresentador do programa, To Catch a Predator, um reality show com audiências recorde que foi um fenómeno. Utilizando câmaras ocultas, este programa caçava predadores, usando um isco para ver se conseguiam apanhá-los em flagrante.

Isto acabava por ser um reality show, no qual estavam a fazer uma reportagem sobre adultos que tentavam aliciar adolescentes online. E que depois tínhamos um apresentador que estava disposto a tudo para livrar o mundo de um mal ancestral.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Apesar da América adorar, ter milhões de pessoas a ver e de ter uma audiência prendida constantemente ao ecrã, inicialmente este programa nunca tinha recebido o devido reconhecimento. Mas, a partir do momento em que foi decidido que seria exibido em Primetime, então isso iria mudar.

Essa mudança também fez com que elevasse ainda mais a fasquia em cada um dos seus episódios, que não eram encenação. Por isso, tinham de fazer uma maior preparação e arranjar forma de chocar o máximo possível. Até podia acontecer que havia alturas que não sabiam bem o que poderia acontecer. No entanto, tinham objetivos muito práticos. Apanhar e limpar o mundo destes predadores, enquanto entregavam um grande produto de entretenimento.          

Tudo era pensado ao pormenor. Uma pessoa da equipa lançava o isco online. Depois, era esperar se conseguiam obter ou não uma resposta do outro lado. E se houvesse, então aí preparavam a armadilha. Uma casa era escolhida e os predadores suspeitos iam ter com eles. De seguida, avaliavam se era ou não só uma conversa. Caso, fosse muito mais do que isso que normalmente era, então o apresentador Chris Hansen entrava em cena para confrontar esse homem e referir que tinha de ser responsabilizado pelas suas ações.  

E se Chris não estivesse lá, o que poderia ter acontecido? Neste caso, essa possibilidade nunca foi apresentada no ecrã.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Primetime tem uma visão muito própria, no qual se inspira em acontecimentos reais para combinar este thriller com um estilo mais documental. Possui uma apresentação que incluiu uma recriação fiel da tecnologia analógica e de transição daquela altura, imitando com qualidade o visual das cassetes de vídeo.

Este filme não é para todos. A história em si é bastante controversa, pois faz-nos questionar a moralidade do programa, das pessoas envolvidas e refletir naquilo que a sociedade realmente quer ver na televisão. E deu para se perceber de que naquela época, graças a este programa, a televisão nunca mais foi a mesma e acabou por fazer história à sua maneira.

O melhor deste filme foi sem dúvida, o desempenho surpreendente e imparável de Robert Pattinson. É uma das melhores interpretações dele e cada vez mais chegamos à conclusão de que ele é um autêntico camaleão.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Robert Pattinson tem tido uma enorme versatilidade em cada uma das suas personagens que vai desempenhando, sendo que é excelente, o facto do público ter a chance de assistir e de ter as expetativas superadas. Já se sabe que para cada papel, ele faz uma preparação minuciosa e aqui não foi exceção. A sua transformação em Chris Hansen foi impressionante, principalmente no sotaque bem específico desta figura televisiva que teve de adotar.

Primetime é um entretenimento imperdível, muito peculiar e com segmentos que prendem a atenção do espetador e outros que podem incomodar. Temos a oportunidade de acompanhar os bastidores de um programa polémico, que nunca se sabe o que se pode esperar. Mas, acho que poderiam ter adicionado mais camadas da personalidade de Chris Hansen fora do seu campo profissional.

Como referido anteriormente, a estrela que se destacou foi mesmo Robert Pattinson. E pela sua performance, vale a pena ver!


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Clayface é o primeiro filme de terror da DC Studios que é perturbador, aterrador e que arrisca fortemente no body horror

Chegou o momento de conhecermos melhor Clayface que é centrado num dos vilões clássicos de Batman e é realizado por James Watkins. Este é o primeiro filme de terror da DC Studios, que faz parte do novo universo DC de James Gunn e Peter Safran.

O argumento é de Mike Flanagan e Hossein Amini.

Esta personagem foi criada em 1940 por Bill Finger e Bob Kane. E agora, pode ser vista nesta nova fase que abre as portas de Gotham City.

Tom Rhys Harries dá vida ao protagonista, sendo que se junta a ele: Naomi Ackie, Max Minghella, Eddie Marsan, David Dencik, Nancy Carroll, Joshua James e a atriz portuguesa, Joana Ribeiro.

Esta é a história de Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator em plena ascensão que vê a vida desmoronar-se depois de ficar desfigurado. Disposto a tudo para recuperar o que perdeu, aceita um tratamento experimental que lhe devolve o rosto. Só que o corpo começa a ceder, a deformar-se e a fugir-lhe ao controlo, numa transformação tão física quanto psicológica. Quando descobre as traições por detrás da sua queda, a procura de redenção dá lugar a uma sede de vingança que o torna algo muito mais perigoso.

Aqui temos a ascensão meteórica de Matt Hagen, de miúdo das ruas de Gotham a estrela de Hollywood. Praticamente, num instante, a sua vida é tragicamente interrompida quando as ações de um chefe do crime local o deixam horrivelmente desfigurado. Depois de ser abandonado pela sua equipa e sem nada a perder, Matt procura um tratamento de vanguarda que milagrosamente o restaura ao seu estado anterior. Mas, que também afeta inesperadamente a sua perceção da realidade, arrastando-o por um caminho destrutivo de vingança obsessiva e consumidora.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Um dos convites primordiais desta produção é para o público enfrentar o medo cara a cara. Enquanto isso, esse mesmo medo vai ganhando forma no próprio corpo.  

Depois da tragédia da qual foi vítima, Matt era um homem que tinha perdido tudo de um modo implacável. As pessoas em quem ele confiava traíram-no e roubaram-lhe a carreira e o dinheiro respetivo. Por isso mesmo, ele nunca mais iria conseguir ser o mesmo. Simplesmente, naquele momento, Matt queria recuperar a vida que tinha e a voltar a ser quem era. Não importavam as consequências. E nem que isso significasse o início da sua queda e da sua jornada sangrenta.

Essa sua queda começou com a sua decisão de se voluntariar para ensaios clínicos em seres humanos. O procedimento em questão ainda não estava preparado para chegar a esse ponto. E não se sabia os efeitos secundários que poderia ter, nem de como poderiam vir a ser tratados. Mesmo assim, arriscou.

Inicialmente, parecia que estava tudo a correr bem e que a sua cara perfeita tinha regressado. Mas, claro que não foi isso que acabou por acontecer. Esse procedimento provocou alterações físicas preocupantes, sendo que chegou a um nível que até conseguia mudar de cara. E depois, chegou-se à conclusão de que o seu trauma e as emoções dele eram um gatilho para algo muito pior.  

Para evitar que o seu monstro saia, Matt tem de aprender a controlar os seus sentimentos, principalmente os de raiva. Será que ele vai conseguir? Isso é outra das premissas deste argumento.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Clayface é um thriller psicológico de terror perturbador e aterrador que aposta e arrisca fortemente num body horror visceral que é o papel principal, sendo que toma um rumo bastante sombrio e violento. E de seguida, entrega um resultado muito satisfatório e surpreendente.  

Este filme contém uma identidade própria, efeitos de cortar a respiração, detalhes explícitos, uma cinematografia no ponto e conseguiu inovar com qualidade neste género do terror. No entanto, acaba por ser desproporcional num outro sentido. Existem falhas evidentes e um desequilíbrio em termos nas escolhas das músicas para a banda sonora e na execução da montagem da própria produção. O lado mais romântico também poderia ter sido descartado. Não me pareceu ter sido uma boa adição. Mesmo assim, não incomoda a experiência em si.

Também esperava que Aaron Paul tivesse uma maior participação. É que nem se dá por ele. Além disso, achei que o antagonista não foi grande coisa. Até podia ser o responsável pela deformação da face de Matt Hagen. Mas, infelizmente não teve o perfil suficiente para cativar quem esteja a ver.

Divulgação: Warner Bros. Pictures e Cinemundo

Um dos grandes destaques vai para Tom Rhys Harries. Ele fez uma excelente interpretação deste vilão. De tal forma que cria ao espetador, um interesse imediato em assistir ao futuro desta personagem. A transformação de Matt Hagen para Clayface foi fantástica. Revela um lado desta figura que nunca tinha sido vista. Isso e acrescentando à sua evolução, começando pelo ator popular que se tornou num monstro sedento de vingança também foi muito cativante de se acompanhar.

Outra das grandes surpresas foi a participação da atriz portuguesa, Joana Ribeiro. Apesar de não ter assim muito tempo de ecrã, o papel dela foi crucial para o desenvolvimento desta narrativa e destacou-se no seu desempenho como Mia.

Desde o seu início que Clayface prende a atenção com a sua criatividade e o seu lado mais bizarro. Vai haver quem queira desviar o olhar, devido ao desconforto de algumas cenas. Enquanto isso, também explora temas, tais como: o medo, a perda de identidade e humanidade, o preço da perfeição, vingança, o lado negro da fama e da ambição científica, a obsessão, corrupção, raiva e muito mais. E tudo isto vai sendo envolvido num ambiente mais obscuro que faz parte das características particulares da cidade de Gotham.

Este filme da DC Studios tem um visual impactante, entregou aquilo que prometeu e ainda, conseguiu superar algumas das expetativas iniciais. Assim, é um entretenimento que é bom para se desfrutar e que não deixará ninguém indiferente.


domingo, 18 de outubro de 2026

Whalefall é uma obra tensa, dura e por vezes, assustadora que transmite uma sensação constante de claustrofobia (Crítica)

Whalefall (A Queda da Baleia, como título em português) realizado por Brian Duffield é um thriller de sobrevivência, baseado no aclamado romance homónimo de Daniel Kraus sobre o encontro de um jovem com uma enorme baleia-cachalote.

O elenco é constituído por Austin Abrams, Josh Brolin, Elisabeth Shue, John Ortiz, Jane Levy e Emily Rudd.

Nesta história, após a morte do seu pai (Josh Brolin), Jay Gardiner (Austin Abrams) vai mergulhar ao largo da costa central da Califórnia em busca dos seus restos mortais, mas é engolido por uma enorme cachalote. Enquanto está preso no seu interior, com apenas uma hora de oxigénio restante, Jay percebe que os valiosos ensinamentos do seu pai podem ser a chave para a sua fuga.

Há um ano, Jay perdeu o seu pai e continua a querer provar o seu valor. Um dia, ele decide pegar no fato de mergulho e ir para o mar à procura dos restos mortais do pai. E acaba por ter um encontro perigoso com uma baleia.

Para sobreviver, ele terá de fazer o que for preciso para sair do interior desta baleia, enquanto coloca em prática, aquilo que aprendeu com o seu pai.

Whalefall é uma obra completamente nova e diferente que é tensa, dura e por vezes, assustadora. É acompanhada por uma ótima banda sonora e ainda, transmite uma sensação constante de claustrofobia.

Apesar de às vezes ser irrealista, é algo que não incomoda a experiência em si, sendo que é ótimo que haja um storytelling que seja mais renovado e original.

Neste caso, é claro que não passaria pela cabeça de alguém questionar uma situação aparentemente impossível. Mas, esta história faz isso mesmo. Praticamente, desde o início, o espetador é questionado: O que faria se ficasse preso numa baleia? O que faria para escapar? E caso acontecesse, qual seria a reação? Era logo entrar em pânico e simplesmente, aceitar que a morte seria o seu destino? Ou então, tentaria fazer o impossível para sobreviver?

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Desde o início que o espetador embarca numa experiência aterradora, juntamente com a personagem principal que é engolida viva por um cachalote gigantesco. Enquanto isso, mostra como é ser engolido vivo por uma baleia é altamente improvável, mas que aqui, pode ser possível. Da forma como tudo é executado em termos de planos de filmagem, parece que o público também está preso dentro deste animal e há alturas que dá para sentir claustrofobia.

Pelo meio desta narrativa, vão sendo apresentados flashbacks entre Jay e o seu pai. Nestas cenas de flashbacks, ficamos a conhecer um pouco mais sobre o relacionamento complexo dele com o pai. E que nos faz compreender melhor aquilo que o protagonista está a sentir. Como esta figura paterna foi dura com Jay nos seus ensinamentos e no modo como lhe tratava.  

Aqui temos um pai que vai ensinar-lhe todas as ferramentas para quando for importante, Jay saiba o que fazer. E que assim, não deixe o medo impedi-lo de sobreviver.

Depois de uma luta pavorosa com os tentáculos de uma lula gigante, a partir do momento em que Jay entra na cachalote, aí é que começa o verdadeiro desafio de sobrevivência. Ele tem 60 minutos nas suas reservas de oxigénio para sobreviver ao impensável. Para isso acontecer, ele terá de pensar com calma e terá de recorrer ao que o pai lhe ensinou. E também terá de enfrentar o seu passado e luto para que assim, possa seguir em frente.

Isto não é apenas um thriller intenso de sobrevivência. Também é uma história envolvente e emocional que aborda os perigos do oceano, como o oceano não deixa que nada nos falte e a perda de um ente querido. Ainda, de certa forma, desenvolve um tipo de metáfora inesperada para que a própria personagem principal possa lidar com essa mesma perda.

Com Whalefall, há uma certa identificação no sentido em que muitas vezes, as marcas da infância nos podem acompanhar pela vida fora e nos moldar enquanto pessoas. Porém, às vezes essas marcas podem nos trazer aprendizagens muito mais úteis do que pudéssemos imaginar.  

Se querem ver algo de diferente e inimaginável, preparem-se para suster a respiração para os 60 minutos mais duradouros que possamos vivenciar. E não podem perder este filme que arriscou e que surpreendeu! 


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Crítica do filme, Street Fighter, uma adaptação cinematográfica de uma das maiores sagas de videojogos

Fãs dos Videojogos, um clássico está prestes a chegar ao grande ecrã! Falo de Street Fighter, onde temos uma adaptação em imagem real realizada por Kitao Sakurai e que foi filmado para IMAX.

O filme em si presta uma homenagem ao espírito original dos anos 90, reinventando-o assim, para uma nova geração de espetadores.

Já o elenco é constituído por Noah Centineo, Andrew Koji, Callina Liang, Jason Momoa, Curtis “50 Cent” Jackson, Joe “Roman Reigns” Anoa’i, David Dastmalchian, Cody Rhodes, Eric André, Andrew Schulz, Vidyut Jammwal, Orville Peck, Olivier Richters, entre outros.

E não vão faltar nesta aventura, rivalidades, as personagens preferidas dos amantes deste videojogo, Hadoukens e confrontos que prometem ser marcantes.

A história decorre em 1993, quando os combatentes Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineio), afastados há anos, são inesperadamente recrutados por Chun-Li (Callina Liang) para o mítico World Warrior Tournament – um confronto brutal onde o destino de cada lutador se cruza com conspirações globais, batalhas pessoais e um passado que não os larga.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal

Mas, por detrás deste confronto esconde-se uma conspiração mortal que os obriga não só a enfrentarem os seus adversários, mas também os demónios do passado. Caso contrário, e se falharem, então é mesmo GAME OVER!

Sempre que há uma nova edição, este World Warrior Tournament chama lutadores de todo o mundo para pisarem o palco e mostrarem a força que têm. E porque merecem ter a distinção de fazerem parte da lista dos melhores.

Só que neste caso, nem tudo é o que parece, sendo que se percebe desde o início que existem segundas intenções. Ou seja, o grande propósito seria atrair Ryu, o campeão da edição passada para que houvesse a oportunidade de roubar o seu poder. Agora, algo que pode ser garantido. Aconteça o que acontecer, aqui haverá sempre um confronto de alto risco.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal

Street Fighter consegue triunfar maioritariamente nas suas cenas de ação, no qual as coreografias das lutas são inovadoras, criativas e algo como nunca antes se viu. É graças às cenas de luta que a pessoa fica mais prendida ao ecrã e a sentir alguma adrenalina. E por isso, tem curiosidade em ver como estes confrontos se vão desenrolar.

A nível visual foi bem conseguido e o fato de ter conseguido criar ao espetador, uma sensação de nostalgia dos anos 90 também foi positivo.

No entanto, o argumento tem partes absurdas, é muito fraco, com falhas e infelizmente, está numa desordem e num desequilíbrio constante. A interpretação do elenco não é grande coisa. As músicas escolhidas para algumas das cenas nem sempre têm um bom encaixe. A montagem não foi muito bem trabalhada. Em certos momentos, poderia proporcionar alguma confusão. E por vezes, o humor não combinava com a cena apresentada ou então, era composto por piadas secas que teriam sido melhor, se tivessem sido dispensadas do diálogo.

Para quem gosta de artes marciais, Street Fighter é um bom espetáculo repleto de ação contínua, lutas, explosões, poderes a serem colocados em prática e duelos bem coreografados que precisam de serem vividos no cinema e em IMAX. Mesmo assim, acredito que Street Fighter tinha muito mais potencial e poderia ter sido mais bem aproveitado.

Apesar disso, deu para se chegar à conclusão de que esta adaptação cinematográfica foi um miminho aos admiradores de cultura pop, anime e desta saga original. Saga essa que é uma das franquias de videojogos mais icónicas que se conhece. 

Por isso, o melhor é irem ao cinema e tirarem as vossas próprias conclusões.