domingo, 23 de agosto de 2026

Pompeia: Antes do Desastre com Tom Hidleston é uma produção notável sobre as horas que antecederam à erupção do Vesúvio

Pompeia: Antes do Desastre (Pompeii: Out of Time, como título original) é uma série documental constituída por três episódios que é apresentada por Tom Hiddleston. E que pode ser vista na plataforma de streaming da Disney+ e no canal National Geographic.

Para este projeto, Kevin R. Wright, produtor executivo da série Loki volta a se reencontrar com Tom Hiddleston.

Neste docudrama, Tom Hiddleston interpreta um detetive do passado que lidera uma investigação inovadora sobre as últimas 24 horas da erupção do Vesúvio que ocorreu em 79 d.C. Contudo, ele precisa de combinar uma arqueologia de ponta com a sua própria intuição.

Afinal, será que alguém poderia sobreviver à destruição de Pompeia? Tom Hiddleston questiona o que realmente aconteceu às pessoas sob as cinzas, seguindo o percurso de um adolescente, de uma empresária e de um soldado enquanto enfrentam escolhas impossíveis numa corrida contra o tempo.

Ao longo de três episódios, há muito para se descobrir sobre este acontecimento fatal.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

O que aborda estes três episódios:

Em primeiro lugar, à medida que o Vesúvio começa a despertar, a primeira questão crucial é colocada: será possível que alguém conseguirá reconhecer os sinais de aviso a tempo? Inicialmente, Tom Hiddleston segue a história de dois romanos reais, um jovem aprendiz e uma imponente mulher de negócios, descobre uma cidade que continua a sua rotina, enquanto os sismos se intensificam.  

Com o tempo a esgotar-se, Tom investiga a razão pela qual as pessoas ignoram o perigo e se estas primeiras decisões selaram o seu destino.

Já no segundo episódio, quando o Vesúvio entra em erupção, ele procura saber quem tem a capacidade de escapar perante o caos e quem assume o controlo. Ao seguir o jovem Avianius, que corre para salvar a mãe, e Julia Felix, que protege os membros da sua casa, descobre também um misterioso guarda pretoriano em Herculano. Será ele apenas uma testemunha ou um líder?

Com a chegada da escuridão e da primeira fase mortífera da erupção, Tom investiga se ainda há alguém capaz de sair com vida.

Por fim, no terceiro e último episódio, temos o momento mais assustador de todos. É quando as últimas vagas mortíferas atingem Pompeia. E é aqui que Tom Hiddleston confronta-se com a questão final: o que significa sobreviver? Devido a investigar a derradeira decisão de Julia Felix, o sacrifício do guarda pretoriano e o destino de Avianius, Tom descobre novas provas que desafiam tudo o que julgamos saber sobre Pompeia.

Perante a destruição total, revela não só quem sobreviveu, mas também o verdadeiro significado de sobrevivência.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

A minha análise a este docudrama:

Pompeia: Antes do Desastre é uma produção notável que nos dá a oportunidade exclusiva de ter uma experiência imersiva em viajar no tempo e de sermos transportados para a Roma Antiga nas horas que antecederam à erupção do Vulcão Vesúvio. E cuja catástrofe levou a que três cidades, incluindo Pompeia fossem completamente soterradas.

No entanto, acompanhamos tudo numa perspetiva nova que é bastante criativa e interessante, enquanto vai existindo uma contagem decrescente para o desastre começar. Aqui, temos uma representação cinematográfica que não falha em retratar a época em questão.

Pode ser definido como um documentário de investigação com o seu tom dramático que prende a atenção de quem está a ver e que conta uma história que não conhecemos.  

O storytelling é executado de um modo tão diferente, preciso e inovador, sendo que não falta referências tão engraçadas ao lendário Loki, a personagem do universo da Marvel que Tom Hiddleston desempenha há mais de uma década. E uma dessas referências inclui um simples movimento da mão que automaticamente, nos cria uma sensação de alegria e nostalgia.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

O foco vai para os sobreviventes, em que graças a tecnologias mais avançadas, foi possível explorar novas evidências arqueológicas. Estas indicaram que nem todas as pessoas morreram num mero instante e que, até houve quem tentasse escapar. E que se calhar, com todas as descobertas que foram sendo reveladas, então, teria sido possível que muitos daqueles que foram apanhados por esta tragédia, poderiam ter sobrevivido.

Para quem conhece um pouco daquilo que aconteceu em Pompeia, acaba por surpreender-se por determinados detalhes, sinais e informações que eu particularmente não sabia. E ainda, chegando à conclusão de que havia muito sobre Pompeia que se desconhecia.

Também é apresentada a vida na Roma Antiga e são contadas as histórias de pessoas reais, como a de um adolescente, uma empresária e um soldado. Como estes romanos passaram as suas últimas horas, antes do derradeiro final da cidade de Pompeia. E a relevância que as escolhas de cada um deles acabou por ter.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

Apesar de termos aqui uma reconstrução histórica muito humana deste evento acompanhada por uma boa banda sonora, também houve uma equipa de arqueólogos, historiadores, geólogos e especialistas em catástrofes que ao mesmo tempo, analisaram e esclareceram todos os aspetos relacionados com a erupção do Vesúvio. E tudo, de acordo com as provas e as mais recentes descobertas arqueológicas.

E pelo meio, esta narrativa que se destaca pela sobrevivência, resiliência e sacrifício do ser humano, também contém uma boa dose de imaginação incorporada nesta história e uma reinvenção na forma como ela é contada.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

Além disso, há que realçar a interpretação brilhante de Tom Hiddleston, agora como anfitrião e investigador. Desde jovem, ele sempre teve uma curiosidade, um fascínio e um carinho especial por Pompeia. E aqui, dá para ver o quanto ele quer descobrir mais sobre o que realmente aconteceu com as pessoas que testemunharam esta tragédia.

É mesmo muito cativante quando o vemos a visitar esta cidade em ruínas e a ser o nosso próprio guia turístico. É um momento tão autêntico e real que acaba por criar ainda mais vontade em querer fazer uma visita pessoalmente e sentir a energia desse lugar. Como apreciadora da história romana, há muito tempo que eu já queria ir a Pompeia e agora, esse desejo é ainda maior.

Com Pompeia: Antes do Desastre, temos uma visão dinâmica, distinta e única dos momentos que antecederam o soterramento desta cidade. Num geral, foi uma aprendizagem muito interessante e cheia de detalhes pertinentes que foi apresentada pelo excelente, Tom Hiddleston. Mas, que não termina sem uma reflexão que dá muito em que se pensar.

Por isso, não podem perder este docudrama surpreendente sobre um dos desastres mais mortíferos da humanidade!



sábado, 15 de agosto de 2026

The End of Oak Street entregou uma fórmula completamente diferente de inovar histórias com dinossauros (Crítica)

Imaginem que o vosso bairro inteiro era teletransportado de volta para a época dos Dinossauros. Será que iriam conseguir sobreviver?

Esta é a premissa de The End of Oak Street (O Fim de Oak Street, como título em português) protagonizada por Anne Hathaway e Ewan McGregor. Neste filme produzido por J.J. Adams e com argumento e realização de David Robert Mitchell, também temos no elenco, Maisy Stella e Christian Convery.

Nesta história, após um misterioso evento cósmico arrancar a Rua Oak dos subúrbios e transportar o bairro inteiro para a era dos dinossauros, a família Platt percebe que a sobrevivência depende de uma coisa: permanecer unida. Com predadores em cada esquina e um mundo irreconhecível à sua volta, Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor) têm de deixar para trás os problemas que os separam e lutar pelos filhos, pelo bairro e pela família.

Afinal, como seria ficar completamente preso num tempo pré-histórico? É isso que poderemos acompanhar em primeira mão.

Como referido anteriormente, de um modo inexplicável e misterioso, um bairro inteiro é transportado para o passado para a época dos dinossauros. Os moradores terão de fazer o que for preciso para sobreviverem. Será que todos vão ser bem-sucedidos?

Divulgação: Warner Bros. Pictures e Cinemundo

The End of Oak Street entregou uma fórmula completamente diferente de inovar histórias que incluam dinossauros. Já vimos inúmeros enredos de sobrevivência. Mas desta vez, foi algo novo e refrescante que adicionou à ficção científica e a este thriller, um tom ligeiramente mais humorístico e inesperado.

E desde o início, teve a capacidade de prender a atenção e criar curiosidade em saber o que poderia acontecer com cada uma das personagens.   

Além disso, quem está a ver acaba por imaginar o que faria, se estivesse num cenário destes.

A ideia desta narrativa é bastante interessante e original. No entanto, acaba por ter os seus deslizes. A história em si é tensa e acaba por combinar elementos da série Stranger Things com os filmes do universo de Jurassic World. Mas, é Anne Hathaway que carregou o filme às costas e roubou todas as atenções.

Infelizmente, a interpretação de outros membros do elenco esteve um pouco desequilibrada.

Apesar das suas falhas e de ter um final em aberto, The End of Oak Street é um filme divertido com uma energia própria que irá entreter com efeitos visuais de qualidade e uma boa banda sonora. Apesar de esperar mais, na generalidade, a experiência foi positiva.

E foi ótimo termos tido a chance de ver dinossauros num ambiente novo. Por isso, se gostam de filmes do estilo anos 80 e com dinossauros a acompanhar, então não percam este filme!

De seguida, partilho vídeos relacionados com esta produção. 




sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros | Entrevista exclusiva a Matay | E o que esperar deste filme de animação

Chegou o momento de mais uma aventura da Patrulha Pata, o universo canino que continua a conquistar crianças e famílias em todo o mundo!

Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros (Paw Patrol: Dino Movie, como título original) é a nova missão cheia de ação, humor e espírito de equipa que este grupo de heróis tão popular tem pela frente. Desta vez, a Patrulha Pata é transportada para um ambiente inesperado, onde irá enfrentar grandes desafios.

A presença de dinossauros vai introduzir uma nova dimensão a este universo canino, aumentando assim, a escala dos perigos a enfrentar e das próprias operações de resgate.

Neste novo capítulo baseado na série criada por Keith Chapman e realizado por Cal Brunker. O elenco de vozes portuguesas é composto por Soraia Tavares, Solange Santos, Romeu Vale, Vasco Pereira Coutinho, Mafalda Luís de Castro, Custódia Gallego, Matay, Sara Santos, Filipa Caçador e da cantora e compositora Maro. E estes são apenas alguns dos nomes da equipa de dobragem portuguesa.

Nesta narrativa, depois de a sua nave ser apanhada por uma tempestade misteriosa, os membros da Patrulha Pata acabam por aterrar de emergência numa ilha tropical desconhecida, habitada por dinossauros. Lá, conhecem Rex, um jovem cão que ficou preso na ilha durante anos e que se tornou um verdadeiro especialista em tudo o que está relacionado com dinossauros.

Agora, quando o arqui-inimigo da Patrulha Pata, o Presidente da Câmara Humdinger, inicia uma exploração imprudente dos recursos naturais da ilha, acaba por provocar a erupção de um enorme vulcão adormecido. Perante uma sucessão de missões de resgate de alto risco, a equipa enfrenta os maiores desafios de sempre e terá de impedir Humdinger, antes que tudo na ilha seja destruído.

Assim, Marshall, Chase, Skye, Rubble e o resto da equipa descobrem um mundo perdido habitado por dinossauros, onde terão de lidar com situações de proporções jurássicas numa missão, onde não irá faltar ação, amizade e humor. Mas, que poderá determinar o futuro de toda a ilha.


Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros é um filme para toda a família que vai entreter numa aventura pré-histórica cheia de alegria, exploração, resgates, mensagens importantes, espírito de equipa, natureza e acima de tudo, dinossauros.

É daqueles tipos de entretenimento que nos faz viajar diretamente para este universo canino tão acarinhado e que continua a surpreender e a inovar. Nós nunca sabemos o que esperar e é fantástico quando ainda conseguem criar histórias novas e que também podem impactar o espetador.

Mesmo que a pessoa não acompanhe nem a série de animação, nem os filmes que já foram lançados, isso não irá importar quando for assistir a esta nova aventura. Vai descontrair, rir, envolver-se com as personagens e até pode vir a criar uma certa ligação mágica com cada uma delas.  

Por isso, não percam a próxima missão da Patrulha Pata na companhia dos Dinossauros!

Entretanto, na antestreia do filme de animação, Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros, eu estive à conversa com o cantor Matay que faz parte do elenco da dobragem portuguesa.

Durante esta entrevista, Matay que deu voz a Dave partilhou a sua experiência neste projeto e algumas curiosidades sobre os bastidores.

Um agradecimento do Matay pela disponibilidade em responder às minhas perguntas. E um obrigada à Paramount Pictures Portugal e à NOS pelo convite para estar presente nesta antestreia! 

De seguida, podem assistir ao vídeo desta entrevista!




segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Spider-Man: Brand New Day - o que esperar deste novo capítulo protagonizado por Tom Holland

Depois de 5 anos de espera, o nosso super-herói Spider-Man está de regresso para Spider-Man: Brand New Day (Homem-Aranha: Um Novo Dia, como título em português).

Baseado mais uma vez na banda desenhada da Marvel criada por Stan Lee e Steve Ditko, o filme é realizado por Destin Daniel Cretton.

O elenco é composto por Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jacob Batalon, Jon Bernthal, Tramell Tillman, Michael Mando e Mark Ruffalo.

É UM NOVO DIA para Peter Parker. A combater o crime a tempo inteiro como Homem-Aranha num mundo que já não se lembra dele, e perante a pressão de ver os seus amigos de longa data seguirem em frente sem ele, Peter enfrenta uma mudança que poderá estar para além do seu controlo. Mas essa transformação poderá também ser a única forma de travar uma nova e chocante ameaça à cidade e às pessoas que ama: um poderoso vilão que ninguém consegue sequer ver.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Será que Peter estará à altura deste novo desafio? Uma coisa é certa! Será mais uma aprendizagem para esta figura carismática.

Quatro anos se passaram desde os eventos que mudaram a sua vida para sempre. Agora, Peter é um adulto que vive totalmente sozinho, depois de ter escolhido apagar-se da vida de quem mais ama.

Como Homem-Aranha está a passar por uma ótima fase, sendo que tem conseguido proteger a sua cidade que infelizmente, já não o reconhece. No entanto, ele começa a enfrentar uma pressão crescente que o leva a uma evolução física inesperada, surpreendente e perigosa que inclui mudanças nos seus poderes e coloca em risco a sua própria existência.

Enquanto isso, surge um estranho padrão de crimes na cidade que dá origem a uma das ameaças mais poderosas que ele já enfrentou. Para salvar a New York que tanto ama, ele terá de descobrir até onde está disposto a ir e o que está preparado para sacrificar.




Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Spider-Man: Brand New Day é um novo capítulo na vida de Peter Parker que é completamente inovador e divertido. E transmite uma mensagem importante com o qual nos identificados e que nos faz refletir.

O maior destaque vai para a dinâmica espetacular e única entre Peter Parker e Frank Castle, sendo que eles encaixaram mesmo na perfeição. Foi mesmo tão bom vê-los a trabalhar juntos e a pessoa fica com uma grande vontade de assistir a mais cenas protagonizadas por esta dupla imbatível.

Os efeitos visuais e ângulos de filmagem escolhidos estão fantásticos. As cenas de luta e de ação são empolgantes, criativas e surpreendentes, principalmente a luta entre o Spider-Man e o Hulk.

Depois, existem momentos de nostalgia que nos transmitem traços tão característicos do filme, Shang-Chi.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Em relação à história, é emocionante, madura, tem humor, aventura, ação e que dá para ver que é feito de coração. 

Para além da mensagem interessante que entrega, também aborda temas pertinentes relacionados com a solidão, isolamento, procura pela identidade, entre outros. 

No entanto, quando se chega ao fim, fica-se com a sensação de que ficamos com mais perguntas por responder do que respostas dadas. E a cena pós-créditos poderia ter sido bem melhor e ter uma ligação mais explícita ao futuro do universo da Marvel. 

Já a introdução da Sadie Sink neste mundo foi bem conseguida e a pessoa fica com curiosidade em acompanhar a sua jornada.

Spider-Man: Brand New Day traz uma visão completamente nova deste super-herói que tanto adoramos e que é cativante.  




sexta-feira, 17 de julho de 2026

A Odisseia de Christopher Nolan é uma obra-prima extraordinária que é profundamente arrepiante, intensa e impactante (Crítica)

Chegou o momento da estreia do filme mais antecipado de 2026! A Odisseia (The Odyssey, 2026) está preparada para elevar as fasquias e proporcionar uma experiência audiovisual que nunca foi antes vista.

Desta vez, esta obra tão popular de Homero foi adaptada pelas mãos do grande visionário Christopher Nolan. E este é o primeiro filme narrativo da história a ser filmado integralmente com câmaras IMAX de 70mm.

Este é considerado como o projeto mais ambicioso da carreira de Christopher Nolan com um orçamento estimado em 250 milhões de dólares.

As suas rodagens decorreram ao longo de 91 dias, sendo que terminaram antes do previsto e sem ultrapassarem o orçamento. E passaram por localizações reais que incluíram Marrocos, Grécia, Itália, Islândia, Escócia e Saara Ocidental.

Já o elenco é de luxo, sendo constituído por Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Samantha Morton, John Leguizamo, Zendaya, Charlize Theron, Jon Bernthal, Himesh Patel, Mia Goth e Benny Safdie.

Em termos de equipa técnica, estão de regresso o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema, o compositor vencedor de Óscares, Ludwig Göransson e a produtora Emma Thomas.

A Odisseia acompanha Ulisses, o lendário rei grego de Ítaca, na sua longa e perigosa jornada de regresso a casa após a Guerra de Troia, narrando os seus encontros com seres míticos como o Ciclope Polifemo, as Sereias e a ninfa Calipso, enquanto tenta reunir-se com a sua esposa, Penélope. Mito e legado — estes são os temas que atravessam o épico de ação de Nolan.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Depois de Ulisses liderar o exército que levou a uma vitória decisiva contra Troia, ele procura voltar ao seu lar de Ítaca. Enquanto isso, o seu filho Telémaco resolve partir à procura do seu pai e a sua mulher, Penélope espera ansiosamente pelo regresso dele.

No entanto, Ítaca está repleto de pretendentes que se querem casar com Penélope e assim, se tornarem, no próximo monarca de Ítaca. Porém, até ao momento, Penélope tem conseguido adiar esse acontecimento.

O foco desta narrativa é na jornada difícil de 10 anos do regresso de Ulisses a casa, que lhe proporcionou uma reflexão profunda que também incluiu uma procura pela sua identidade e uma transformação útil para o que viesse de seguida. Além disso, também acompanhamos a sua culpa, tormento e o seu processo de redenção perante tudo o que fez ao longo da Guerra de Troia

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

A Odisseia é uma obra-prima extraordinária que é profundamente arrepiante, intensa e impactante. Desde o primeiro instante que nos faz sair imediatamente da nossa própria realidade. E acabamos por mergulhar por uma experiência inesquecível, única e imersiva que nos deixa completamente deslumbrados, sem palavras e em êxtase com a sua grandiosidade, atenção aos detalhes e com tudo aquilo que nos vai sendo apresentado.

Um dos maiores destaques vai sem dúvida, para a banda sonora tão rica e fantástica de Ludwig Göransson que ao longo do filme, nos faz vibrar cada vez mais e também cria uma tensão pertinente e interessante à própria história.  

Em relação ao elenco, quero realçar as interpretações fabulosas de Matt Damon, Anne Hathaway, Samantha Morton, John Leguizamo e Robert Pattinson. Cada um, deu vida a personagens com personalidades muito distintas entre si. Mas, mesmo assim, conseguiram brilhar durante o tempo em que estiveram em cena. E até houve quem desse mesmo tudo de si, por mais pequena que pudesse ser a cena apresentada.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

De uma certa forma, Anne Hathaway no papel de Penélope representou um símbolo, uma mulher resiliente e complexa que é envolvida em luto, raiva e abandono. Ela tem uma dose de esperança de que o poder do amor entre ela e Ulisses é o suficiente para ele voltar. Por isso, ela faz o que for necessário para aguentar o máximo de tempo possível para que aconteça o seu reencontro mais aguardado.

Depois, temos Samantha Morton como Circe que é surpreendente nas poucas cenas onde surge, mas é o suficiente para se destacar de um modo impecável. Já Robert Pattinson mostra a sua versatilidade com a interpretação de um antagonista que nos dá alguns calafrios e que não queremos que ganhe a mão de Penélope. Matt Damon é excelente a desempenhar a evolução deste líder e todas as camadas da personalidade de Ulisses. Enquanto John Leguizamo é uma das grandes surpresas deste enredo e tem uma relevância muito maior do que se pensava.  

Esta é daquelas produções que nos faz relembrar a razão pela qual temos um amor poderoso pelo cinema. Como o storytelling, a cinematografia, a cenografia, a banda sonora e a escala de um projeto destes, encaixam na perfeição. E entregam ao público, uma história de qualidade extremamente elevada que faz transbordar todo o tipo de emoções e que consegue surpreender a todos os níveis. Um filme que é memorável, supera as expetativas e onde todos os atores entregam performances espetaculares.

As cenas de luta foram incríveis, principalmente as do último ato relacionadas com a personagem de Matt Damon. E sabendo que estas sequências não demoraram assim tanto tempo a filmar, ainda torna o resultado mais surpreendente.  

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Apesar de todas as polémicas que fizeram parte desta produção, nenhuma delas afetou a minha experiência a ver este filme. Fui completamente de mente aberta e sem pensar, se estava ou não de acordo com o material original. O que acabou por me estranhar foi o tempo de ecrã de algumas personagens. Umas esperava que aparecessem durante mais tempo, enquanto outras esperava muito menos.

Além disso, houve alturas em que faltou um pouco mais de emoção e no qual alguns diálogos não resultaram assim tão bem.  

Garantidamente, A Odisseia de Christopher Nolan merece ser celebrada e vista no maior ecrã possível em IMAX. E ficará para sempre como uma experiência cinematográfica única que triunfou e que marcará com excelência, a história do cinema!

Por isso, não percam esta aventura impressionante por esta Odisseia, porque filmes deste calibre não aparecem todos os dias. Valeu a pena a espera. E se são realmente amantes de cinema, então têm mesmo de assistir a esta aposta tão arriscada, mas que no final foi bem-sucedida.







quinta-feira, 2 de julho de 2026

The Death of Robin Hood - o que esperar de uma adaptação completamente diferente e nova desta lenda (Crítica)

The Death of Robin Hood (A Morte de Robin Hood, como título em português) é um filme que apresenta uma reinterpretação mais crua, realista e emocional da lenda, questionando o mito de Robin Hood e explorando um retrato mais humano de uma figura confrontada com o seu passado e com a lenda que ajudou a construir.

Esta versão mais sombria de uma das figuras mais icónicas da cultura pop é realizada por Michael Sarnoski, tendo Hugh Jackman no papel do lendário fora da lei, Jodie Comer e Bill Skarsgård.

Então, confrontado com o seu passado de crime e assassínios, Robin Hood encontra-se gravemente ferido depois de uma batalha que pensava ser a última. Nas mãos de uma mulher misteriosa, é-lhe oferecida uma oportunidade de redenção.

Aqui, nós temos um herói confrontado com o peso do mito e com a oportunidade de dar um novo sentido ao seu legado.

Já imaginaram se todas as histórias que tivéssemos ouvido falar sobre Robin Hood eram na realidade uma grande mentira? E ele seria completamente o oposto? Isso, é uma das coisas que vai sendo abordado nesta nova adaptação pouco convencional.

Estas questões começam a ser colocadas, a partir do momento em que após uma batalha decisiva, ele é ferido e está mais perto de adquirir a morte que tanto desejava. Logo de seguida, ele é transportado para uma ilha remota liderada por uma mulher com uma personalidade muito especial, que lhe salva a vida e lhe oferece a possibilidade de ter uma segunda oportunidade. 

Este é um lugar em que todos são aceites e onde podem recomeçar. Desde que contribuem nesta nova comunidade, não importa de onde vieram. E esta poderia ser a ocasião ideal para Robin Hood e quem sabe, melhorar a capacidade de lidar com a culpa e com os seus demónios.

Divulgação: NOS Audiovisuais

The Death of Robin Hood é uma reinvenção completa daquilo que conhecemos sobre o popular fora de lei.  É uma abordagem muito mais sombria, intensa e até humana que surpreende pela positiva e é cheia de garra.

Neste caso é mais focado no seu legado, no seu sentimento de culpa e na possibilidade de redenção pelos atos cometidos repletos de violência. E nesta narrativa, não irá faltar momentos de pura tensão, raiva, ação, reflexão e emoção.

O próprio ambiente do filme é diferente e denso, sendo que acompanhamos um lado desta lenda que normalmente não é abordado e não é tão tradicional de se ver.

Hugh Jackman faz um excelente e muito poderoso desempenho deste Robin Hood e merece todo o devido reconhecimento. Podemos assistir a um Robin Hood forte, atormentado, resiliente, mais frio e que mesmo no silêncio, tem a capacidade de nos transmitir algo.

É mesmo muito interessante observar a versatilidade no trabalho de Hugh Jackman e como ele interpreta todas as camadas e complexidades deste protagonista.  

Se a pessoa está muito habituada aquela história tão tradicional de Robin Hood, um grande herói que roubava aos ricos para dar aos pobres, então, neste filme, não espere nada disso.  

The Death of Robin Hood é completamente inovador e obscuro. Não nos tira a atenção, entregando assim, algo novo e surpreendente. E tudo isto é acompanhado por uma ótima cinematografia, banda sonora, vistas estupendas e boas interpretações por parte do seu elenco.


sexta-feira, 26 de junho de 2026

Supergirl - o que esperar da heróina kryptoniana protagonizada por Milly Alcock (Crítica)

Depois de várias adaptações da heroína kryptoniana, chegou o momento de conhecermos a Supergirl protagonizada por Milly Alcock.

Este filme realizado por Craig Gillespie é baseado na aclamada série de banda desenhada “Supergirl: Woman of Tomorrow” de Tom King e Bilquis Evely. O argumento é de Ana Nogueira.

Para além de Milly Alcock no duplo papel de Supergirl/Kara Zor-El, o elenco é composto por Eve Ridley como Ruthye Marye Knoll, Matthias Schoenaerts como o vilão Krem of the Yellow Hills, Jason Momoa como Lobo, e David Corenswet, que está de volta com o papel de Superman. Emily Beecham e David Krumholtz também fazem parte, interpretando os pais de Kara, Alura e Zor-El.

Nesta narrativa, quando um adversário implacável e inesperado atinge algo demasiado próximo de casa, Kara Zor-El, também conhecida como Supergirl, une forças, ainda que com relutância, com uma companheira improvável numa jornada épica e interestelar movida por justiça e vingança.

Nesta ameaça, Kara não responde com discursos inspiradores. Responde com raiva, com atitude e com música alternativa a tocar de fundo.

Kara Zor-El não é o Superman. Não é aquilo que a pessoa esperava. Mas ela não quer saber da opinião de ninguém. Supergirl tem superpoderes, um cão adorável e uma bagagem emocional que nenhum cabo de aço consegue segurar. Cresceu com o peso de um nome impossível de carregar, numa galáxia que espera que ela seja perfeita — e decidiu que não.

Antes de tudo, esta é considerada como uma história de crescimento, de identidade e de uma rapariga que está a descobrir quem é enquanto salva o universo.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

O ponto de vista referido de seguida, não terá comparações com o material original pelo qual foi baseado. Como não vi, a minha opinião será de acordo com aquilo que foi apresentado neste filme.

Esta nova visão de Kara Zor-El foi inicialmente apresentada no filme mais recente do Superman que introduziu David Corenswet no papel deste super-herói. Mesmo que tenha aparecido por breves instantes, Kara Zor-El cria imediatamente uma vontade para se conhecer melhor a sua jornada, acompanhada pelo seu adorável cão Krypto.

Apesar de não ter grandes expetativas iniciais e de ter assistido a outras adaptações de Supergirl, tinha curiosidade em ver se teríamos algo refrescante ou até mais do mesmo.

Desta vez, temos uma Kara Zor-El dura e imprevisível com os seus traumas, destroçada, perdida e ainda, com dificuldades em encaixar-se, depois de ter sido obrigada a fugir do seu lar. Mesmo com o apoio do seu primo, Kal-El, a sua adaptação tem tido os seus desafios e parecia que a sua solução seria viajar por diferentes planetas. E embebedar-se naqueles, em que ela não tinha poderes para que assim, pudesse sentir algo.

Ela até podia ter sobrevivido à queda de Krypton. Porém, decidiu que não iria dar satisfações a ninguém, nem vestir a capa e assim, não salvaria ninguém.

Um dia, ela conhece Ruthye Marye Knoll, uma rapariga que tinha acabado de perder os pais e com uma sede de vingança para encontrar o culpado. Por isso, estava decidida a fazer justiça pelas próprias mãos.

Acrescentando a isso, o seu amor de quatro patas corre risco de vida e só ela o pode salvar. Será que é desta que Kara Zor-El vai sair da sua bolha de auto-destruição? E finalmente, seguir o caminho que era suposto?

Divulgação: Warner Bros. Pictures e Cinemundo

Supergirl é daqueles filmes de super-heróis que é dinâmico, tem momentos de ação na dose certa e que vai entreter. Mas, falta-lhe a capacidade de transmitir emoção e de desenvolver as suas personagens, principalmente em relação à protagonista. Pessoalmente, esperava que fosse uma história com um tom mais emocionante. Até porque é abordado um dos traumas da Supergirl. E infelizmente, são percetíveis os erros no argumento e muitas das personagens seriam facilmente descartáveis.

Tanto Milly Alcock, como Jason Momoa fizeram um trabalho bastante competente e aproveitaram ao máximo, a partir daquilo que lhes deram. E dessa forma, conseguiram prender a atenção do público. Cada um à sua maneira.

No caso de Milly Alcock, ela fez uma boa performance desta heroína kryptoniana, onde temos a possibilidade de conhecer brevemente mais camadas da sua personalidade, principalmente os efeitos que os seus traumas têm tido nas suas escolhas mais recentes. E como ela tenta não se importar com nada, mas na realidade, não é bem assim.

Vemos uma visão bem diferente daquilo que já nos foi mostrado noutras adaptações, sendo que mesmo assim, acaba por complementar muito pouco à sua história. E isso, também foi devido a não ter existido aqui um grande desenvolvimento da personagem.

Divulgação: Warner Bros. Pictures e Cinemundo

Uma das partes que mais apreciei neste filme foram as cenas partilhadas entre ela e o Krypto que elevaram mais a história. Acho que se tivessem adicionado mais cenas entre ambos e do próprio Krypto, então teria sido, sem dúvida, uma mais-valia.

Além disso, há que também realçar as cenas protagonizadas por David Corenswet, como Superman. Ele adiciona um lado mais ternurento e traz de volta, a ligação e a preocupação genuína de Kal-El com Kara Zor-El.         

Já em relação ao Jason Momoa, ele dá vida ao implacável caçador de recompensas com o nome de Lobo. Uma personagem bastante interessante, onde em cada cena em que participa, ele é a estrela. E dá mesmo para se perceber que o ator se estava a divertir muito neste papel. Teria sido benéfico, se ele tivesse surgido mais vezes no ecrã. Agora, é esperar que possamos ter mais oportunidades para vê-lo como Lobo.

Supergirl tinha potencial para se tornar num grande destaque, mas o seu produto final acaba por ser nada de especial. E poderá correr o risco de vir a se tornar num filme que vários espetadores acabam mesmo por esquecer.

Mesmo assim, isso não tira a vontade de querer continuar a acompanhar as aventuras de Supergirl na companhia de Krypto e ainda, a partilhar o ecrã com o Superman.

De seguida, partilho a minha crítica mais resumida deste filme que está disponível na conta de YouTube do A Geek Traveller.