segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Fui a Londres ver a Peça de Teatro "All My Sons" protagonizada por Bryan Cranston

 

Bastaram 24 horas em Londres para ir assistir de propósito a mais uma peça de teatro que tem tido um sucesso tremendo desde a sua estreia. E agora, partilho de seguida com vocês, a minha opinião sobre a mesma.

All My Sons é a produção mais recente do West End com a realização do visionário Ivo Van Hove que tem esgotado todas as suas sessões no Wyndham’s Theatre e pode ser vista por um tempo limitado entre 14 de novembro de 2025 até 7 de março de 2026.

Logo após a 2ª Guerra Mundial, Arthur Miller escreveu esta peça em 1946, onde apresentou a sua visão perante o American Dream, cujos ideais ainda persistem até aos dias de hoje, mas com algumas mudanças. Esta história é inspirada em factos verídicos, onde Arthur Miller pega nesta definição de sonho americano e o vira para revelar o seu lado mais negro, os compromissos morais, a culpa e a negação que se podem esconder sob a superfície do sucesso.

Desta vez, para contar esta sua trama, o elenco é constituído por Bryan Cranston (Joe Keller), Marianne Jean-Baptiste (Kate Keller), Paapa Essiedu (Chris Keller), Tom Glynn-Carney (George Deever), Hayley Squires (Ann Deever), Richard Hansell (Dr. Jim Bayliss), Aliyah Odoffin (Lydia Lubey), Cath Whitefield (Sue Bayliss), Zach Wyatt (Frank Lubey), Stevie Raine (Raine) e Charles Dark, Sammy Jones e Zayne Tayabali, como Bert.

Esta é a história de Joe Keller, um empresário de sucesso que construiu o seu próprio negócio, sendo que durante a 2ª Guerra Mundial vendeu ao Governo, peças mecânicas que eram essenciais para os aviões de combate. Porém, essas mesmas peças estavam com defeitos, levando à morte de soldados e Joe foi exonerado dos crimes, enquanto quem acabou por levar com as culpas foi o seu sócio.

Aqui Arthur Miller convida o público para passarem um dia num quintal na América, onde são expostos os segredos de cada personagem, a culpa sentida e as suas próprias interpretações sobre o que significa alcançar o American Dream. Desde o início que ficamos a pensar sobre questões que continuam a criar discussões na atualidade. Será que se consegue alcançar esse sonho de um modo honesto ou na realidade, tem de incluir sempre um preço?

Joe Keller é um trabalhador com classe que tem muito orgulho naquilo que fez. Desde os 10 anos que tem sido independente, construiu a sua marca pessoal e trabalhou com muita intensidade até conseguir criar a sua loja de máquinas. E devido a isso, novas oportunidades de negócio surgiram e assim, passou a fornecer materiais necessários para a execução de trabalhos em relação à 2ª Guerra Mundial.

Para ele, sobrevivência significava sucesso e esse sucesso implicava não voltar a ser vulnerável. Por isso, acabou por ser levado a tomar decisões questionáveis que acabaram por trazer efeitos devastadores para outros. Ou seja, gerar lucro à custa da desgraça dos outros e sem pensar nas consequências. De uma certa forma, pode haver quem acabe por se relacionar, identificar alguém familiar com a mesma falta de valores morais apresentada por Joe.

Será que Joe Keller é o vilão da história ou é uma simples vítima da sua própria corrupção? Na opinião dele, a sua corrupção tinha boas intenções, pois o dinheiro ganho estava a cuidar da sua família e do futuro do seu filho. Para além disso, deu para se perceber imediatamente que ele faria qualquer coisa para proteger a sua família, mesmo que tivesse de ignorar os seus valores morais.

All My Sons é uma peça de teatro trágica e dramática muito bem executada sobre traição, família, morte e com uma ideologia muito própria, que é tão relevante para os tempos atuais, sendo que é muito realista e olha para o lado mais obscuro do American Dream.

Além disso, é uma obra de storytelling poderosa e profundamente emocionante que deixa com uma mensagem crucial de como o American Dream pode obrigar a que se pague um preço elevado que depois acaba por consumir uma pessoa por completo até que consiga aproveitar como deve ser as recompensas.

De uma maneira muito própria, esta história intensa transcende para uma fase de provocação e pressão que leva a um desmantelamento brutal deste sonho americano que é cada vez mais pertinente que seja discutido. Afinal vale a pena ter sucesso construído a partir de culpa e corrupção e assim, sacrificar os valores morais para alcançar o American Dream?   

All My Sons proporciona ao público uma experiência fenomenal e eletrizante que faz pensar e que tem performances espetaculares, onde Bryan Cranston faz um trabalho magnífico e magnético a desempenhar o protagonista que tanto pode mostrar um tom mais dramático, como de repente, apresentar outro mais divertido.

Toda esta tragédia de Arthur Miller acontece num espaço aberto que também é envolvido numa iluminação e banda sonora simples que combina perfeitamente na narrativa complexa que está a ser contada. A pessoa quer acompanhar esta relação complicada entre pai e filho, estar atenta a cada instante e consegue reconhecer as dinâmicas. E até de alguma forma, identifica-se com elas.  

Há muito tempo que eu acho que o verdadeiro talento de um ator é testado quando ele está a representar num palco. E com Bryan Cranston, isso comprovou-se mais uma vez. Eu já era admiradora do seu trabalho em filmes e séries, entre elas, Breaking Bad, que atualmente continua muito popular e é uma das séries mais bem classificadas no IMDb. Logo, no teatro ainda me surpreendeu mais e mostrou a sua excelente qualidade enquanto ator.

Ver um ator desta qualidade ao vivo lembra-nos porque é que o verdadeiro talento também se sente no palco. E é por isso que ele merece o destaque como um dos melhores atores da sua geração.

All My Sons é um outro exemplo de como a arte continua a brilhar e a oferecer-nos produções de elevada qualidade, sendo que neste caso apresentam as ilusões e a realidade pura e dura deste American Dream.

Apesar de haver quem possa não apreciar estes temas mais pesados, esta adaptação da obra de Arthur Miller vale a pena ser vista, pois poderão assistir ao vivo a uma peça de uma enorme qualidade com boas surpresas e onde podemos testemunhar a interpretação única de Bryan Cranston que vai sendo acompanhada por um grande elenco.

Depois de ter assistido à peça, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Bryan Cranston no Stage Door deste teatro e ainda houve tempo para uma breve conversa - falámos da peça, do seu percurso e claro, de Breaking Bad. Um momento que eu vou guardar!

Por isso, estou muito grata por ter conseguido ir ver All My Sons a Londres! Obrigada, Bryan Cranston e restante elenco! E acreditem, que há experiências que valem a pena a jornada!

De seguida, partilho um vídeo e mais fotografias desta noite maravilhosa!










domingo, 25 de janeiro de 2026

Filme "Marty Supreme" - é uma obra fascinante, onde Timothée Chalamet entrega uma das maiores performances da sua carreira

 

Preparem-se para um dos filmes mais marcantes dos últimos tempos!

Marty Supreme que é protagonizado por Timothée Chalamet e realizado Josh Safdie já chegou para nos cativar e fazer sonhar em grande!

Neste momento, esta produção conta já com um Globo de Ouro e um Critics Choice Award para Timothée Chalamet na categoria de “Melhor Ator”. E é um forte candidato aos Óscares.

O elenco também é constituído por Gwyneth Paltrow, Odessa A’Zion, Kevin O’Leary, Tyler Okonma, Abel Ferrara e Fran Drescher.

Esta comédia dramática desportiva é centrada no mundo vibrante e competitivo do ténis de mesa que oferece uma história de ambição e superação e que é apresentado com um estilo próprio.

Marty Mauser (Timothée Chalamet) é uma versão ficcional do lendário jogador Marty Reisman – ícone do ténis de mesa dos anos 50 que regressou à ribalda em 1997. Ao seu lado temos uma estrela de cinema que se envolve com ele, num relacionamento intenso e surpreendente que é interpretada por Gwyneth Paltrow.

Para quem não sabe, Timothée Chalamet fez uma preparação física e técnica de excelência para realizar todas as cenas desportivas relacionadas com o ténis de mesa. E sem que fosse necessário ter recurso a duplos.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Não há ninguém como o Marty que faz o que for preciso para realizar o seu maior objetivo. Nem lhe passa pela cabeça o que planeia fazer, caso o seu sonho não se concretize. Ele tem um propósito que é ser o melhor neste desporto e trazê-lo para as bocas do mundo. E com esta obrigação vem sacrifício. Não importa se ele ainda não faz dinheiro com este seu sonho. Uma coisa é garantida! Marty tem uma determinação implacável em vencer e não vai parar, sejam quais forem os obstáculos que surgem no seu caminho.  

Além disso, ele é carismático, impulsivo e imprevisível, sendo que nunca sabemos em que sarilhos se vai meter e o que esperar dos seus comportamentos malucos. E isso faz com que fiquemos ainda mais agarrados ao ecrã. A história representa bem a sua época e é muito interessante de se acompanhar, onde também envolve momentos hilariantes, surpreendentes e inesperados. Apesar de ser contada num ritmo mais acelerado, isso não tira o foco, nem a vontade de querer seguir a jornada sem limites de Marty Mauser.   

Uma das grandes lições que este filme transmite para o público é o nível de persistência e resiliência que muitas vezes é necessário ter para se conseguir realizar qualquer sonho que se tenha. Neste caso, Marty vive com a confiança de acreditar em si mesmo e apesar de haver momentos em que tudo na sua vida esteja a desmoronar, ele mesmo assim, acredita que vai conseguir. Assim, é mostrada a importância que é não desistir dos nossos sonhos por mais difíceis que possam ser de alcançar. A jornada pode ser desafiante, mas no final irá valer a pena.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Marty Supreme é uma obra fascinante que proporciona uma experiência cinematográfica completamente louca e ousada, tendo sido repleta de uma grande criatividade e adrenalina que conquista o espetador desde o primeiro instante. Nesta narrativa original e única com um tom, tanto dramático, como cómico, também apresenta a paixão, a intensidade, a vulnerabilidade, o risco e a enorme vontade de vencer, que certos desportos podem ter na vida de alguém.

Contudo, nem tudo é um mar de rosas e é realmente nos bastidores que se vê a verdade dura e crua sobre os sacrifícios que têm de ser feitos para que a pessoa seja a melhor na sua modalidade desportiva. E como muitas vezes, tem de se adaptar para vencer.

Um dos maiores destaques vai para a interpretação magnífica de Timothée Chalamet que traz autenticidade, brilho e uma energia contagiante a cada cena. Timothée foi mesmo espetacular, sendo que todas as cenas desportivas que ele executou foram incríveis. E também deu para se perceber a transformação fabulosa que ele teve e que foi crucial para assim, entregar uma das maiores performances da sua carreira.

Para além disso, é graças a Marty Supreme que ficamos com mais vontade de assistir, tanto a mais competições de ténis de mesa, como a ver mais vezes, quem sabe no futuro, o Timothée Chalamet a jogar esta modalidade.

Este é dos filmes que mais queria ver nos últimos tempos e sem dúvida, que não desiludiu e que merece todo o devido reconhecimento! E espero mesmo que Timothée Chalamet vença o Óscar de Melhor Ator Principal!


domingo, 11 de janeiro de 2026

Eleanor the Great - o que esperar do primeiro filme realizado por Scarlett Johansson e protagonizado por June Squibb

 

Chegou o momento para assistirmos a Eleanor the Great (A Grande Eleanor, como título em português), o primeiro filme de Scarlett Johansson enquanto realizadora e com June Squibb como a protagonista.

No elenco também fazem parte Erin Kellyman, Jessica Hecht, Rita Zohar e Chiwetel Ejiofor.

Inicialmente, o público português teve a oportunidade de assistir a esta estreia no dia 1 de novembro no The Chapel durante a 2ª edição do Tribeca Festival Lisboa.

Nesta produção temos Eleanor, uma viúva que aos 94 anos procura reencontrar-se em Nova Iorque, mas uma história contada por acaso arrasta-a para uma teia de afetos, ilusões e descobertas, onde a fronteira entre verdade e mentira se dissolve em humanidade.

June Squibb é a atriz responsável por dar vida de uma forma vibrante à espirituosa e orgulhosamente problemática Eleanor Morgenstein, uma mulher de 94 anos que, após uma perda devastadora, passa a contar uma história que ganha vida própria e torna-se perigosa.

Nas mãos de Scarlett Johansson são entrelaçados temas como o envelhecimento, a família, a perda e os limites do engano, transformando esta história de amizade e memória num retrato profundo da complexidade humana.

Divulgação: Sony Pictures Classics

Eleanor sempre se manteve envolvida e ligada às pessoas à sua volta. Depois de ter perdido a sua melhor amiga, ela muda-se da Florida para Nova Iorque para assim, viver com a filha e o neto, na esperança de se reconectar com a família. Em vez disso, ela sente-se ainda mais à deriva e invisível.

Eleanor é uma mulher sem filtros cheia de vida e com um lado rebelde que depois da partida da sua Bessie (Rita Zohar), leva a que ela viva uma grande dor e um vazio emocional, devido à ausência de alguém que foi a sua amiga mais íntima ao longo de 70 anos.

Um dia durante uma visita ao Centro Comunitário Judaico de Manhattan, ela calha entrar num grupo de apoio para sobreviventes do Holocausto, onde na realidade não pertence. No entanto, aproveita apenas para revelar uma história que, sem querer, lhe traz um nível de atenção que não pretendia.

Esta mesma história que Eleanor contou e que nem tinha noção das proporções que iriam tomar, era na realidade o testemunho de Bessie que sobreviveu ao Holocausto. Embora sem pensar, quando Eleanor decidiu assumir o relato de uma sobrevivente do Holocausto, esta mentira acabou por aumentar a sua dimensão até fugir do controlo.

Assim, ela vê-se envolvida numa narrativa que não esperava vir a acontecer, enquanto Nina (Erin Kellyman), uma jovem estudante de jornalismo a procura como amiga e mentora e que ainda, quer fazer um artigo sobre Eleanor. Quando as coisas vão longe demais, Eleanor tem de enfrentar a verdade.

Por quanto tempo irá a mentira de Eleanor durar? Será que a relação entre Eleanor e Nina irá resistir?



Divulgação: Sony Pictures Classics

Eleanor The Great é de um modo inesperado surpreendente e contém um tom caricato e outro mais emocional e caloroso. Apesar disso e devido a alguns desequilíbrios, fragilidades e falta de cuidados com alguns assuntos, a trama em si pode não agradar a todos. Contudo, aborda temas com o qual o público se identifica, como a perda, o luto, a empatia, a compaixão, o perdão e acima de tudo, o poder da amizade. Além disso, transmite a mensagem do quanto devemos viver a vida, não importa a idade e ainda, manter vivas, memórias importantes.

Os destaques deste filme vão para a interpretação maravilhosa e comovente de June Squibb e para as dinâmicas das ligações, tanto de Eleanor com Bessie, como a de Eleanor com Nina. É bonito de se assistir a uma amizade tão verdadeira e cúmplice como a de Bessie e Eleanor e além disso, acompanhar a construção da ligação inesperada de Eleanor com Nina. Estas são duas relações muito diferentes entre si, mas que é interessante ver como funciona a dinâmica de cada uma delas.  

No seu papel como Eleanor, June Squibb apresenta-a como uma mulher carismática e astuta que usa a idade avançada a seu favor e entrega uma combinação de ironia e um humor atípico enrolado numa língua afiada.  

Divulgação: Sony Pictures Classics

Temos aqui alguém que sofreu uma perda forte e profunda, enquanto quer ser dispensada e colocada num lar de idosos pela sua filha. Ela não tem muitas pessoas com quem conversar e ter a oportunidade de se abrir e partilhar os sentimentos de perder a sua melhor amiga e os seus arrependimentos. E é graças a Nina que começa a sentir-se mais confortável e aberta para conversar, embora inclua algumas mentiras pelo meio. Nina não só passa a passar muito tempo com Eleanor, mas à sua maneira, também consegue impactar esta idosa.

Aos poucos, vamos compreendendo os motivos pelos quais nasceu esta grande mentira criada por Eleanor que envolve boas intenções. Na realidade, quando Eleanor assume a identidade de uma sobrevivente do Holocausto, ela acredita que é por um bom motivo e que está a honrar e conservar a memória da amiga. É impressionante como a dor e o luto pode fazer as pessoas fazerem coisas inimagináveis.

Divulgação: Sony Pictures Classics

Com Eleanor the Great é explorado o tema da identidade e o poder do storytelling e da conexão humana. É oferecido algo que não vemos todos os dias, que é trazer uma história moralmente mais complexa e um tanto ambiciosa, cuja protagonista é uma idosa autêntica e onde June Squibb brilhou do início ao fim, sendo que tudo é tratado de um modo leve, apesar de por vezes, serem retratados assuntos mais delicados. Também existem aqueles momentos em que a pessoa fica com uma lágrima no cantinho do olho e outros em que algumas saídas de Eleanor têm a sua piada. Já a fotografia é satisfatória e a banda sonora é discretamente eficaz.

Em relação à estreia de Scarlett Johansson como realizadora resulta num desempenho que mostra potencial nesta função e cria curiosidade em querer acompanhar projetos desta figura que tanto conhecemos nos seus inúmeros trabalhos como atriz. Acredito que ela tem um futuro promissor numa carreira de realização, mas que precisa de tempo para melhorar as suas capacidades para tal.  

Apesar de por vezes ser um pouco previsível, Eleanor the Great é bom o suficiente para criar reações no espetador e em que June Squibb rouba genuinamente as atenções com a sua versatilidade, onde a sua performance complexa equilibra humor, profundidade emocional e vulnerabilidade.  

domingo, 4 de janeiro de 2026

All Her Fault - o que esperar desta minissérie protagonizada por Sarah Snook

 

Desta vez apresento-vos All Her Fault, uma minissérie original da Peacock com oito episódios que pode ser vista através da plataforma de streaming da SkyShowtime. É baseada no romance homónimo de Andrea Mara, publicado em 2021. E recebeu indicações a dois Globos de Ouro nas categorias de Melhor Minissérie e Melhor Atriz em Minissérie para Sarah Snook.

Este projeto é protagonizado por Sarah Snook e junta-se a ela Jake Lacy, Dakota Fanning, Michael Peña, Sophia Lillis, Abby Elliot, Daniel Monks, Jay Ellis, Thomas Cocquerel, Duke McCloud e Kartiah Vergara.

A história inicia-se quando uma mãe se vê numa procura desesperada para descobrir a verdade por trás do desaparecimento misterioso do seu filho.  

O pior pesadelo de qualquer mãe começa. Marissa Irvine (Sarah Snook) prepara-se para ir buscar o seu filho Milo à casa de um amigo da sua nova escola. Contudo, quando ela chega lá e bate à porta, recebe uma resposta que não esperava. A mulher que vive naquela casa nunca ouviu falar da criança e a Marissa fica completamente aflita e em choque com o que está a acontecer, enquanto faz tudo o que é possível para descobrir o paradeiro de Milo e saber quem o raptou.

Este foi só o primeiro passo para que esta família começasse a desmoronar, juntamente com todos os seus segredos profundos prestes a serem revelados. No entanto, Marissa vê na sua nova amiga Jenny Kaminki (Dakota Fanning) como a única pessoa em quem pode confiar, sendo que estas duas mulheres formam uma aliança próxima e improvável. E juntas, elas procuram por Milo.

Marissa carregada com o peso da culpa do que levou àquele momento nunca mais seria a mesma, principalmente depois de saber de determinados segredos de família que iriam mudar o rumo da sua vida para sempre.

Enquanto isso, o detetive Alcaras (Michael Peña) segue todas as pistas deste caso de desaparecimento, levando a que o seu código moral seja levado ao limite. Será que ele vai conseguir encontrar Milo a tempo, desvendar o que realmente aconteceu a esta criança e levar a justiça aos responsáveis pelo rapto?

All Her Fault é um thriller e um suspense intrigante cheio de reviravoltas inesperadas que prende completamente a atenção e que entrega um mistério interessante e bem desenvolvido. Ao longo desta história, a pessoa começa a pensar automaticamente em teorias relacionadas com quem poderão ser os responsáveis por esta tragédia e quais poderão ser as possíveis causas para tal.

Quando olhamos para a narrativa em si, então podemos identificá-la como um pouco complexa que tem um lado mais assustador. E é verdade que há alturas em que parece que a história é previsível, mas de repente, surgem surpresas que nos atrai.

Esta trama misteriosa retrata dinâmicas familiares, erros, mal-entendidos, acusações, mentiras e manipulações causadas por este grupo de seres humanos que são mais profundas do que se poderia imaginar, sendo que se fica com vontade em saber como tudo se irá desenrolar. No entanto, existem algumas personagens que acabaram por ser dispensáveis e que na realidade, não faziam falta. E por isso mesmo, pode tornar-se difícil criar algum tipo de empatia pelas mesmas.

All Her Fault consegue ser subtil a apresentar muitas das pressões sociais, sacrifícios e dificuldades que são impostas a muitas mães trabalhadoras. E o quanto é difícil conciliar a vida profissional da vida pessoal. Assim, é por essa razão que muitas mães acabam por ter a necessidade de contratar uma ama para tomarem conta dos filhos. Porém, tem as suas desvantagens.

Nesta minissérie dramática que também aborda a maternidade, podemos acompanhar mais um desempenho arrebatador e fantástico de Sarah Snook que carrega às costas esta história e consegue transmitir com qualidade, um sofrimento por vezes, silencioso e perturbador desta mãe que esconde as suas emoções e se sente culpada pelo desaparecimento do seu filho. Além disso, podemos observar a evolução interessante da sua personagem no decorrer de cada episódio.

Até pode não ser perfeita, principalmente em relação ao trabalho mais fraco de alguns dos atores e pelo facto da pessoa chegar ao final desta trama e ficar com a sensação que faltava ali qualquer coisa. Por exemplo, podiam ter desenvolvido mais o enredo da amizade das duas mães e o final poderia ter sido melhor. Mas, mesmo assim, traz um conteúdo com um suspense na medida certa com algumas surpresas associadas que cria interesse em acompanhar e que num modo geral, foi bem executado.

A convite da SkyShowtime e da NOS que deixo aqui um agradecimento, eu estive presente no visionamento do primeiro episódio desta minissérie que ocorreu nos Cinemas NOS do Centro Comercial Vasco da Gama em Lisboa e partilho de seguida, um vídeo deste evento!



sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Filme "Anaconda" (2025) - este reboot é uma enorme surpresa e é muito mais divertido do que se esperaria

 

Chegou o momento de assistir a uma comédia original cheia de boa-disposição!

Anaconda é a nova versão realizada por Tom Gormican que é protagonizada por Jack Black e Paul Rudd, sendo que se juntam a eles, Daniela Melchior, Steve Zahn, Thandiwe Newton e Selton Mello.

Nesta história temos Doug (Jack Black) e Griff (Paul Rudd), dois amigos inseparáveis desde a infância que partilham um sonho: refazer o “clássico” Anaconda. O plano? Aventurarem-se pela Amazónia e filmarem o seu próprio remake, com mais entusiasmo do que preparação. O que começa por um sonho de amigos rapidamente se transforma numa hilariante aventura repleta de imprevistos.

Entre mal-entendidos e planos que vão dar de mal a pior, tudo muda quando uma anaconda entra em cena para surpresa de todos. Eles têm um filme para produzir, mas antes disso precisam de…sobreviver.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Pictures Films

Desde o início que se tornou numa ideia intrigante, mas refazer o Anaconda era bom demais para estes dois amigos deixarem passar. Claire (Thandiwe Newton) e Griff iriam entrar nele, o Kenny (Steve Zahn) iria filmá-lo e o Doug seria o realizador. O que será que vai sair dali?  

Para este grupo, isto vai ser a aventura de uma vida que começou por viajarem uma longa distância para gravarem um filme e para enfrentarem o maior desafio de sempre. O que eles não imaginavam é o filme que eles estavam a fazer acabou por se tornar real, chegando a um ponto que estão no meio da selva a serem perseguidos por uma anaconda verdadeira. Será que vão conseguir escapar?

Fazer um filme não é tão fácil como se pensava e isso é comprovado a partir do momento em que uma tragédia com uma cobra amigável acontece e tudo parece estar perdido por instantes. É que recriarem Anaconda e eles já não terem uma cobra para um filme sobre cobras não leva a lado nenhum. Por isso, eles decidem entrar na selva e encontrar outra, mas não pensaram o quanto este poderia ser um lugar perigoso. É que nunca se sabe o que podem vir a encontrar e assim que perceberem os riscos que estão a correr, então já não há volta atrás.    

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Pictures Films

Este reboot de Anaconda é uma enorme surpresa e é muito mais divertido do que se esperaria, onde temos uma comédia sem limites, muito para rir, muita diversão e muita ação. Apesar da narrativa em si ser muito previsível, não deixa de ter as suas reviravoltas inesperadas que são acompanhadas por uma banda sonora que fica no ouvido, onde inclui uma música em loop tão conhecida que é energética e encaixa tão bem.  

Esta visão possui várias referências a este mundo e proporciona ao espetador uma experiência hilariante e surreal, sendo que perdi a conta de quantas vezes me saíram gargalhadas. Além disso, já há muito tempo que um filme não me fazia rir tanto.  

O maior destaque vai sem dúvida para a química contagiante de Jack Black e Paul Rudd que são as estrelas desta aventura e que brilham sempre que surgem no ecrã. E a pessoa fica cheia de vontade em querer acompanhar mais a jornada destas duas personagens. Esta é uma dupla imbatível e cativante que arrasa e nos entrega cenas brutais, humor, loucura e muito mais!  

Em relação à participação da atriz portuguesa Daniela Melchior que interpreta Ana, uma capitã de um barco que tem os seus próprios planos de viagem. Desta vez, ela entrega um registo bem diferente daquilo que se tem visto em relação aos seus últimos papéis, em que surge com um lado mais de antagonista e juntando ainda, um sotaque mais brasileiro com umas habilidades úteis para se defender e conseguir concretizar os seus objetivos. E também é sempre interessante quando se vê a versatilidade do trabalho de um ator.

Esta versão da Anaconda com cabeçadas à mistura é levada muito mais para um tom cómico e é daqueles filmes que nem sabíamos que estávamos realmente a precisar. É importante não fazer comparações com o material que já existe. E digam o que disseram, o filme realmente resulta para entreter o público, principalmente se estiver à procura de um momento de pura animação e descontração.

De seguida, partilho um vídeo da antestreia deste filme nos Cinemas UCI El Corte Inglés em Lisboa e que teve a presença da Daniela Melchior. Obrigada AXN Portugal pelo convite!




domingo, 14 de dezembro de 2025

Jay Kelly proporciona uma representação de uma luta interna e ainda, uma reflexão sobre escolhas, fama, valores morais e identidade

 

Parece que todo o mundo conhece Jay Kelly, exceto ele mesmo.

Jay Kelly é uma das produções mais recentes da Netflix que é realizada por Noah Baumbach.

O elenco conta com George Clooney, Adam Sandler, Laura Dern, Billy Crudup, Riley Keough, Grace Edwards, Stacy Keach, Jim Broadbent, Patrick Wilson, Eve Hewson, Greta Gerwig, Alba Rohrwacher, Josh Hamilton, Lenny Henry, Emily Mortimer, Nicôle Lecky, Thaddea Graham, Isla Fisher, Louis Partridge e Charlie Rowe.

A grande estrela de cinema, Jay Kelly embarca numa jornada de autodescoberta inesperadamente intensa, profunda e transformadora pela Europa e na companhia de Ron, o seu agente bastante dedicado. Ao longo deste percurso, esta dupla questiona as suas escolhas de vida, relações familiares e o impacto que causaram no mundo. E assim, eles terão de lidar, tanto com o presente, como com o passado.

Ao longo deste drama, podemos observar o protagonista a reavaliar as suas escolhas de vida que tiveram um impacto duro na sua vida pessoal.

Para muitos ele é o sonho americano e um herói do cinema, sendo que consideram magico o que ele faz, enquanto brilha em qualquer lugar em que esteja presente e por isso, o mundo quer que este artista continue a fazer filmes.

Logo no início, conhecemos Jay num ponto de viragem da sua vida, pois é devido a uma sequência de acontecimentos que fazem com que ele decida fazer uma viagem. Tudo isto, porque ele debate-se com as escolhas que fez na vida e com as prioridades que definiu, onde também inclui as suas relações com a família e as suas amizades. E chega alturas em que lhe apetece simplesmente desistir.

Jay está a entrar nos últimos anos da sua carreira, onde ele tem feito muita gente feliz e significa muito para muitas pessoas. Porém, aos poucos começa a aceitar a ideia de que se calhar ele não tenha sido um bom pai e amigo, porque teve de fazer determinadas escolhas e por tudo aquilo que ele fez e que não fez.

Por isso, pela primeira vez, ele enfrenta tudo de uma forma mais clara, enquanto é roído de preocupação, arrependimento e culpa que vai combinando com momentos de ansiedade. E são muitos os pensamentos que lhe passam pela cabeça, como o facto de estar a chegar o momento de partida da filha dele e sentir que não passou tempo suficiente com ela. Apesar de ele dizer que há várias alturas em que ele está sozinho, o contrário é mostrado de um modo divertido.

Depois de ter sempre vivido na sua bolha como se de um cenário de um filme se tratasse, ele decide sair para o mundo com uma enorme vontade em querer voltar a ligar-se e sair com as pessoas. Uma das suas ideias que é de loucos para muitos, é ele viajar num comboio na Europa, algo que não fazia há muitos anos e onde qualquer pessoa poderia interagir com ele.

Com Jay Kelly vemos um pouco da loucura que envolve uma estrela de cinema, mostrando com convicção como é difícil sermos nós próprios, principalmente quando se é o Jay Kelly, sendo que acompanhamos a posição dele na sua jornada. Esta jornada mostra que a vida de artista não é um mar de rosas, principalmente para aqueles ao seu redor, como é o caso de Ron, o seu agente.

Através de Ron, conseguimos perceber que o trabalho de um agente de um ator de cinema não é nada fácil e que implica muitas vezes fazer sacrifícios e estar longe da família dele. Não importa que compromissos que ele tivesse avisado com antecedência, se Jay estivesse a ter um esgotamento nervoso ou outra coisa qualquer, então Ron teria de largar tudo e correr num instante para o seu cliente. É garantido que todos precisam do Ron, maioritariamente Jay, pois é ele que está sempre presente e resolve tudo o que for preciso.

Aqui vemos Adam Sandler a interpretar este Ron que nos apresenta a capacidade de versatilidade deste ator. Claro que estamos mais habituados a vê-lo em registos mais cómicos, mas neste caso é uma ótima surpresa e espero que ele possa desempenhar mais personagens com um tom mais dramático. Desde o início que a pessoa se identifica com esta personagem, comove-se, cria empatia e coloca-se no lugar dele, imaginando em determinadas situações, o que faria no lugar dele. E também é interessante acompanhar a dinâmica dele com Jay Kelly.

Importante destacar que a performance de Adam Sandler merece o seu devido reconhecimento, sendo que foi nomeado na categoria de Melhor Ator Secundário para os Critics Choice Awards, Gotham Awards e os Golden Globes por esta sua prestação.

Jay Kelly apresenta uma transformação cinematográfica que é bonita e convidativa que mantém as pessoas motivadas e proporciona uma representação de uma luta interna e ainda, uma reflexão sobre escolhas, fama, valores morais e sobre a questão da identidade.

Uma das surpresas mais criativas foi nesta aventura de Jay Kelly, o modo como representaram as suas memórias, ou seja, como se tivéssemos um filme dentro da cena de outro filme. Ao longo desta história, ele começa a relembrar-se de coisas e questiona-se se deu valor às coisas certas, sendo que a maior parte das memórias dele estão relacionadas com filmes onde participou.

Temos aqui a filmagem de muitos planos num só movimento e um cenário que ganha forma numa perspetiva que não estamos tão habituados a ver que entrega uma boa sincronização. Durante as cenas em que o protagonista está a relembrar-se, a sensação é que estamos a passar por diferentes portais, onde inicialmente estamos num sítio e de repente somos transportados para outro completamente distinto. Ele está a ver-se a si mesmo em jovem e camadas da sua realidade, enquanto está a mostrar ao público a sua jornada que ele acredita que tudo o que passou tem de ter algum significado.

Além disso, vai sendo abordado o tributo que ele no fim irá receber e é interessante darem-nos a oportunidade de observar o próprio Jay Keller a ver a vida dele a passar diante dos seus olhos, onde gera camadas subtis de emoções, tanto para ele, como para o público a assistir.  

Outro dos destaques também vai para o facto de conseguirmos assistir aos bastidores de como é fazer um filme, mesmo que seja por uns instantes. E ainda, vai para a banda sonora inserida neste filme que tem autenticidade, não é nada forçada e que toca num tom familiar e revigorante que encaixa na perfeição, fica no ouvido e que faz realmente desfrutar deste som melódico.

Por isso, Jay Kelly até pode não agradar a todos, mas à sua maneira está a reconhecer a nossa humanidade nos seus prós e nos seus contras e como é muito mais fácil sermos outra pessoa. E realça com energia e garra, um sentimento mais pessoal e íntimo dos seus protagonistas e faz com que queiramos conhecer melhor as personagens e fazer esta viagem com elas.

Para terminar, A Geek Traveller esteve presente uns dias durante o BFI London Film Festival, onde o icónico Royal Festival Hall também recebeu Noah Baumbach, George Clooney, Adam Sandler, entre outros para apresentar este drama da Netflix.

A energia e o ambiente em si foram também a loucura – mais um momento único para qualquer fã de cinema! Por isso, partilho com vocês, o vídeo exclusivo da Premiere de Jay Kelly em Londres.



segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Entrevista exclusiva ao elenco da série portuguesa "Lua Vermelha: Nova Geração"

 

Depois de cerca de 15 anos depois, Lua Vermelha, uma das séries de vampiros mais icónicas da televisão portuguesa está de regresso. Com Lua Vermelha: Nova Geração que é inspirada no universo que conquistou milhares de fãs em 2010, esta nova aposta promete combinar o ADN original com uma abordagem mais contemporânea, com o objetivo não só de cruzar fronteiras, mas também de dar a conhecer novos talentos.

A primeira temporada foi lançada a 31 de outubro, sendo que já tem uma segunda temporada confirmada. E fez parte do top das séries mais vistas nas plataformas de streaming da Opto e da Prime Video.  

O elenco do reboot desta série juvenil conta com os regressos de Mafalda Luís de Castro (Isabel), Rui Porto Nunes (Afonso), António Camelier (Henrique) e Catarina Mago (Beatriz).

Já o novo elenco é constituído pela Inês Pires Tavares (Sofia), Rui Pedro Silva (Tomás), Henrique Mello (Lucas), Bia Wong (Sun), Rita Bretão (Beni), Henrique de Carvalho (Hélio), Sofia Arruda (Teresa), Carolina Carvalho (Eunice), André Leitão (Francisco), Rui Unas (Sancho), Oceano Basílio (Brigida) e Miguel Damião (Otelo).

Em Lua Vermelha: Nova Geração, dezasseis anos após deixarem o passado para trás, Afonso e Isabel veem a sua vida tranquila em Sintra abalada, quando a sua filha, Sofia, se torna o centro de uma nova ameaça sobrenatural. Dotada de dons especiais e ligada a uma guerra ancestral sem o saber, Sofia terá de descobrir segredos escondidos e enfrentar uma força obscura que pode destruir a humanidade. À medida que o perigo se aproxima, os pais já não conseguem continuar a esconder-lhe a verdade. 

Na 2ª edição do Tribeca Festival Lisboa 2025, o elenco esteve à conversa com A Geek Traveller, onde partilharam mais sobre o que podemos esperar das suas personagens, como foi a experiência em participar nesta série e muito mais...

Um agradecimento à Inês Pires Tavares, Rui Pedro Silva, Henrique Mello, Mafalda Luís de Castro, Bia Wong, Rui Porto Nunes, António Camelier e Catarina Mago pela disponibilidade em responderem às minhas perguntas. E um obrigada à Prime Video Portugal pela oportunidade!

De seguida, partilho com vocês a conversa completa com o elenco da série portuguesa, Lua Vermelha: Nova Geração. E ainda, um vídeo, onde estes atores descrevem a série em 3 palavras.