quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Crime 101 - o que esperar deste thriller policial protagonizado por Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Halle Berry e Barry Keoghan

 

Crime 101 é um thriller policial escrito e realizado por Bart Layton, tendo sido baseado no livro de Don Winslow. O elenco é constituído por Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Barry Keoghan, Monica Barbaro, Corey Hawkins, Jennifer Jason Leigh, Nick Nolte e Halle Berry.

Espera-se muitas reviravoltas nesta história, onde David (Chris Hemsworth) é um esquivo ladrão cujos assaltos de alto risco têm deixado a polícia intrigada.

Enquanto planeia o maior golpe da sua vida – na esperança que seja o último – o seu caminho cruza-se com o de Sharon (Halle Berry), uma desiludida executiva de uma seguradora, com quem será forçado a trabalhar. E depois temos Orman (Barry Keoghan), um ladrão rival com métodos muito mais perturbadores do que os de David.

À medida que o assalto de vários milhões de dólares se aproxima, o incansável detetive Tenente Lubesnik (Mark Ruffalo) aperta o cerco à operação, aumentando ainda mais a tensão e fazendo esbater a linha entre caçador e presa.

Assim, cada um deles é forçado a enfrentar o preço das suas próprias escolhas e também a perceber que já não há caminho de volta.

© 2025 Amazon MGM Studios Content Services LLC

Primeiramente, vamos falar do grande protagonista em ação que é o David, um homem misterioso e charmoso que é uma pessoa com segredos e é impossível de rastrear. Ele é um ladrão de alta escola que prefere os carros americanos antigos e tem um visual elegante.

Os alvos dele são joias, dinheiro e objetos valiosos, sendo que em cada roubo, ele sabe exatamente o que transportar e quando. Além disso, David não deixa ser apanhado, pois não deixa ADN e entra e sai em segundos. Porém, por mais calculista, intimidante e inteligente que possa ser, não consegue evitar de criar um padrão. Apesar de executar planos eficazes e ser sempre atento aos detalhes, principalmente quando faz ocasionalmente desaparecer bens de alto valor, um dos seus padrões é que ataca sempre ao longo da autoestrada 101 e ninguém se magoa.

Depois chega um dia em que ele sente que algo está errado com o seu próximo assalto. Será que está prestes a quebrar as suas regras? Uma coisa é certa! O Tenente Lubesnik é o único que está a chegar perto de o encontrar.

© 2025 Amazon MGM Studios Content Services LLC

Este Detetive Tenente Lubesnik é daqueles agentes da lei que a pessoa cria uma empatia imediata, pois consegue ser engraçado com o seu humor subtil, enquanto é esperto e perspicaz a seguir, cada uma das pistas destas séries de crimes de roubo de joias que têm estado a acontecer na cidade de Los Angeles, e que parece que não têm prazo para terminar. Ele até pode ser o menos bem-sucedido da sua equipa, mas não se deixa influenciar tanto pelas pessoas, como por toda a corrupção ao seu redor. E de seguida, basta um instinto para sentir que está mais próximo de capturar David.

Mark Ruffalo está de parabéns, porque faz um ótimo trabalho a desempenhar este agente que cativa qualquer um! Apesar de ter durado pouco tempo, foi muito interessante assistir à dinâmica natural entre Mark Ruffalo e Chris Hemsworth que proporcionaram boas cenas. E acho que teria sido benéfico se tivesse havido mais cenas protagonizadas por esta dupla. Também existiram cenas em que uma simples troca de olhares entre eles dizia muito mais do que umas meras palavras. Por isso, espero que no futuro possamos ver estes dois atores a partilharem o ecrã mais uma vez!

© 2025 Amazon MGM Studios Content Services LLC

De seguida, é relevante salientar a personagem interpretada por Barry Keoghan, onde ele dá vida a Orman, um ladrão que é adversário do protagonista e que é inteiramente imprevisível e irritante, chegando a um ponto que nunca sabemos o que ele vai fazer. E também dá para perceber desde o início que este louco está sempre a causar problemas e não tem limites.

Já Halle Berry rouba as atenções sempre que entra em cena com a sua Sharon, entregando uma excelente prestação. Sharon trabalha há 11 anos para a mesma empresa, é vice-presidente quando já devia ser sócia e ainda considera que é muito boa a ler pessoas. Depois dela conhecer David e ele lhe apresentar uma proposta de negócio, então ela começa a ponderar as suas opções, porque chegou o momento de ela lutar contra o preconceito que sofre constantemente naquela empresa. E assim, agir perante o seu superior e mostrar o seu valor.

Crime 101 é um thriller policial muito sólido e fantástico que é repleto de suspense, tensão e sequências de cenas de ação explosivas que traz de volta àqueles filmes clássicos de policiais americanos. Neste caso, foi transformado numa versão mais moderna que resultou na perfeição. Infelizmente, já não estamos tão habituados a ver thrillers de crimes deste tipo que não têm sido produzidos com tanta regularidade. E por isso, foi mesmo bom matar saudades.  

A cinematografia é excelente, na qual apresenta, através de ótimos ângulos de filmagem, a atmosfera de Los Angeles de um modo eficiente, enquanto capta aquela sensação de solidão que existe muitas vezes nestas cidades grandes. Depois nesta história intrigante que é cheia de autenticidade e com uma boa dose de caos e sacrifícios, havia sempre algo a acontecer e a pessoa acaba por sentir muito mais suspense do que a ação em si. E ainda, fica a torcer para que o protagonista não seja apanhado.

No entanto, houve falta de desenvolvimento principalmente em relação ao protagonista e até personagens que não acrescentaram grande coisa à trama, fazendo com que estes se tornassem facilmente esquecíveis. Não é algo que incomode, porque acaba por passar um pouco ao lado e o foco é noutro lugar.

© 2025 Amazon MGM Studios Content Services LLC

Mesmo assim, Crime 101 proporciona um entretenimento intenso e interessante com um estilo próprio que surpreende pela positiva e é extremamente satisfatório. Desde o seu trailer que prometeu muito e que depois, juntamente com o desempenho forte do seu elenco, entregou tudo! Um dos seus destaques vão para as suas sequências de ação que incluíram uma perseguição a alta velocidade muito bem realizada. E é empolgante acompanhar como um determinado crime consegue conectar e unir todas estas personagens, e também como pessoas que crescem no caos, podem ter a capacidade de criar ordem.

Este filme com um tom mais moderno é uma grande adição para o género de thrillers policiais e é um dos meus filmes favoritos de 2026! E para além disso, tenho a certeza que os fãs de filmes de crimes, suspenses e policiais vão adorar!

Por isto tudo, Crime 101 merece o seu devido reconhecimento e é daquelas produções que consegue marcar à sua maneira e que não podem perder!


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Entrevista exclusiva a Daniela Ruah | Tribeca Festival Lisboa 2025

 

Em 2025, Daniela Ruah, juntamente com o Joaquim de Almeida foram os embaixadores da 2ª edição do Tribeca Festival Lisboa que decorreu ao longo de 3 dias pelo Beato Innovation District, sendo que as datas escolhidas foram 30 e 31 de outubro e 1 de novembro.

No papel de embaixadora, Daniela Ruah esteve presente neste festival onde se celebra o storytelling. E umas das Talks mais marcantes foi a Talk dedicada aos “Villans We Love To Hate: The Rise Of The Antihero” que foi moderada por ela e teve como convidados os atores: Giancarlo Esposito, Joaquim de Almeida e Veronica Falcón.

Além disso, ao lado da atriz Kim Cattrall, Daniela Ruah participou na Talk de “No Fixed Address: A Life in Global Storytelling” que foi moderada por Carlos Moedas.

Durante o Opening Night do Tribeca Festival Lisboa 2025, eu estive à conversa com a Daniela Ruah, onde falámos sobre a curta-metragem “My Type” que realizou, o papel que o seu trabalho como atriz pode ter na realização e muito mais.

No dia 7 de fevereiro deste ano, a curta-metragem “My Type” foi apresentada na edição de 2026 do Santa Barbara International Film Festival (SBIFF). Um orgulho enorme para Portugal!

Aproveito para deixar aqui os Parabéns à Daniela Ruah e um agradecimento pelo tempo e disponibilidade para responder às minhas perguntas! E também gostaria de agradecer ao Tribeca Festival Lisboa pelo convite!

Agora, de seguida, partilho com vocês, esta entrevista exclusiva com a Daniela Ruah!



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Shelter | Crítica deste filme protagonizado por Jason Statham

 

Jason Statham está de regresso para mais um thriller de ação e desta vez com o filme Shelter!

Realizado por Ric Roman Waugh, o elenco também é composto por Bodhi Era Breathnach, Naomi Ackie, Daniel Mays, Harriet Walter e Bill Nighy.

Neste caso, a história acompanha Michael Mason, um antigo assassino do governo britânico que vive isolado numa remota ilha escocesa. A sua vida solitária muda quando resgata Jessie, uma jovem que sobrevive a um naufrágio, atraindo imediatamente a atenção da agência que o quer eliminar.

Nesta ilha costeira remota, temos um homem recluso que salva esta rapariga de uma tempestade mortal, acabando por arrastar ambos para uma situação de grande perigo. E depois, ele é forçado a sair do isolamento e vê-se obrigado a enfrentar um passado turbulento enquanto protege Jessie, dando assim, início a uma viagem intensa de sobrevivência e redenção.

E é desta forma que Mason é empurrado novamente para um jogo de caça ao homem, onde tenta sobreviver e ao mesmo tempo, enfrenta uma estrutura governamental corrupta e brutal.

Divulgação: Cinemundo

Desde o início que se percebe que Mason tem algo a esconder e que deve ter tido uma razão muito forte para ter tomado a decisão de viver completamente isolado de tudo e todos, sendo que a única possibilidade de contacto humano seria através de Jessie, a pessoa que lhe entregava suprimentos. E mesmo assim, ele decidia manter-se afastado. Porém, ela quis tentar criar uma ligação com ele e mostrar-lhe algum tipo de humanidade. Será que este ex-agente lhe vai dar uma chance de ter algum tipo de conexão?

Apesar de ser um filme maioritariamente de ação, também é dedicado algum tempo a explorar a construção da relação entre eles que se inicia essencialmente após a tempestade que deixou Jessie sem família.

Shelter vai entregar ao espetador uma experiência satisfatória, principalmente quem aprecia filmes que combinam uma boa dose de ação intensa com violência e espionagem. Além de toda a perseguição e a tensão psicológica que faz parte, também temos referências aos perigos que sistemas sofisticados de vigilância possuem e como podem prejudicar mais do que beneficiar.

Quando Jason Statham participa neste género de projetos, a pessoa acaba por ter sempre uma expetativa e sensação que vai passar por um bom momento de entretenimento. E mais uma vez, ele cumpriu com isso mesmo, onde todas as cenas de luta que protagoniza são sólidas e prendem a atenção.

Em comparação com outros filmes deste tipo, até pode não acrescentar nada de novo, surpreender pouco e ter uma história relativamente previsível com alguns clichés pelo caminho. Contudo, cumpre com um dos objetivos principais, que é entreter o público, e isso já é suficiente.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Fui a Londres ver a Peça de Teatro "All My Sons" protagonizada por Bryan Cranston

 

Bastaram 24 horas em Londres para ir assistir de propósito a mais uma peça de teatro que tem tido um sucesso tremendo desde a sua estreia. E agora, partilho de seguida com vocês, a minha opinião sobre a mesma.

All My Sons é a produção mais recente do West End com a realização do visionário Ivo Van Hove que tem esgotado todas as suas sessões no Wyndham’s Theatre e pode ser vista por um tempo limitado entre 14 de novembro de 2025 até 7 de março de 2026.

Logo após a 2ª Guerra Mundial, Arthur Miller escreveu esta peça em 1946, onde apresentou a sua visão perante o American Dream, cujos ideais ainda persistem até aos dias de hoje, mas com algumas mudanças. Esta história é inspirada em factos verídicos, onde Arthur Miller pega nesta definição de sonho americano e o vira para revelar o seu lado mais negro, os compromissos morais, a culpa e a negação que se podem esconder sob a superfície do sucesso.

Desta vez, para contar esta sua trama, o elenco é constituído por Bryan Cranston (Joe Keller), Marianne Jean-Baptiste (Kate Keller), Paapa Essiedu (Chris Keller), Tom Glynn-Carney (George Deever), Hayley Squires (Ann Deever), Richard Hansell (Dr. Jim Bayliss), Aliyah Odoffin (Lydia Lubey), Cath Whitefield (Sue Bayliss), Zach Wyatt (Frank Lubey), Stevie Raine (Raine) e Charles Dark, Sammy Jones e Zayne Tayabali, como Bert.

Esta é a história de Joe Keller, um empresário de sucesso que construiu o seu próprio negócio, sendo que durante a 2ª Guerra Mundial vendeu ao Governo, peças mecânicas que eram essenciais para os aviões de combate. Porém, essas mesmas peças estavam com defeitos, levando à morte de soldados e Joe foi exonerado dos crimes, enquanto quem acabou por levar com as culpas foi o seu sócio.

Aqui Arthur Miller convida o público para passarem um dia num quintal na América, onde são expostos os segredos de cada personagem, a culpa sentida e as suas próprias interpretações sobre o que significa alcançar o American Dream. Desde o início que ficamos a pensar sobre questões que continuam a criar discussões na atualidade. Será que se consegue alcançar esse sonho de um modo honesto ou na realidade, tem de incluir sempre um preço?

Joe Keller é um trabalhador com classe que tem muito orgulho naquilo que fez. Desde os 10 anos que tem sido independente, construiu a sua marca pessoal e trabalhou com muita intensidade até conseguir criar a sua loja de máquinas. E devido a isso, novas oportunidades de negócio surgiram e assim, passou a fornecer materiais necessários para a execução de trabalhos em relação à 2ª Guerra Mundial.

Para ele, sobrevivência significava sucesso e esse sucesso implicava não voltar a ser vulnerável. Por isso, acabou por ser levado a tomar decisões questionáveis que acabaram por trazer efeitos devastadores para outros. Ou seja, gerar lucro à custa da desgraça dos outros e sem pensar nas consequências. De uma certa forma, pode haver quem acabe por se relacionar, identificar alguém familiar com a mesma falta de valores morais apresentada por Joe.

Será que Joe Keller é o vilão da história ou é uma simples vítima da sua própria corrupção? Na opinião dele, a sua corrupção tinha boas intenções, pois o dinheiro ganho estava a cuidar da sua família e do futuro do seu filho. Para além disso, deu para se perceber imediatamente que ele faria qualquer coisa para proteger a sua família, mesmo que tivesse de ignorar os seus valores morais.

All My Sons é uma peça de teatro trágica e dramática muito bem executada sobre traição, família, morte e com uma ideologia muito própria, que é tão relevante para os tempos atuais, sendo que é muito realista e olha para o lado mais obscuro do American Dream.

Além disso, é uma obra de storytelling poderosa e profundamente emocionante que deixa com uma mensagem crucial de como o American Dream pode obrigar a que se pague um preço elevado que depois acaba por consumir uma pessoa por completo até que consiga aproveitar como deve ser as recompensas.

De uma maneira muito própria, esta história intensa transcende para uma fase de provocação e pressão que leva a um desmantelamento brutal deste sonho americano que é cada vez mais pertinente que seja discutido. Afinal vale a pena ter sucesso construído a partir de culpa e corrupção e assim, sacrificar os valores morais para alcançar o American Dream?   

All My Sons proporciona ao público uma experiência fenomenal e eletrizante que faz pensar e que tem performances espetaculares, onde Bryan Cranston faz um trabalho magnífico e magnético a desempenhar o protagonista que tanto pode mostrar um tom mais dramático, como de repente, apresentar outro mais divertido.

Toda esta tragédia de Arthur Miller acontece num espaço aberto que também é envolvido numa iluminação e banda sonora simples que combina perfeitamente na narrativa complexa que está a ser contada. A pessoa quer acompanhar esta relação complicada entre pai e filho, estar atenta a cada instante e consegue reconhecer as dinâmicas. E até de alguma forma, identifica-se com elas.  

Há muito tempo que eu acho que o verdadeiro talento de um ator é testado quando ele está a representar num palco. E com Bryan Cranston, isso comprovou-se mais uma vez. Eu já era admiradora do seu trabalho em filmes e séries, entre elas, Breaking Bad, que atualmente continua muito popular e é uma das séries mais bem classificadas no IMDb. Logo, no teatro ainda me surpreendeu mais e mostrou a sua excelente qualidade enquanto ator.

Ver um ator desta qualidade ao vivo lembra-nos porque é que o verdadeiro talento também se sente no palco. E é por isso que ele merece o destaque como um dos melhores atores da sua geração.

All My Sons é um outro exemplo de como a arte continua a brilhar e a oferecer-nos produções de elevada qualidade, sendo que neste caso apresentam as ilusões e a realidade pura e dura deste American Dream.

Apesar de haver quem possa não apreciar estes temas mais pesados, esta adaptação da obra de Arthur Miller vale a pena ser vista, pois poderão assistir ao vivo a uma peça de uma enorme qualidade com boas surpresas e onde podemos testemunhar a interpretação única de Bryan Cranston que vai sendo acompanhada por um grande elenco.

Depois de ter assistido à peça, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Bryan Cranston no Stage Door deste teatro e ainda houve tempo para uma breve conversa - falámos da peça, do seu percurso e claro, de Breaking Bad. Um momento que eu vou guardar!

Por isso, estou muito grata por ter conseguido ir ver All My Sons a Londres! Obrigada, Bryan Cranston e restante elenco! E acreditem, que há experiências que valem a pena a jornada!

De seguida, partilho um vídeo e mais fotografias desta noite maravilhosa!










domingo, 25 de janeiro de 2026

Filme "Marty Supreme" - é uma obra fascinante, onde Timothée Chalamet entrega uma das maiores performances da sua carreira

 

Preparem-se para um dos filmes mais marcantes dos últimos tempos!

Marty Supreme que é protagonizado por Timothée Chalamet e realizado Josh Safdie já chegou para nos cativar e fazer sonhar em grande!

Neste momento, esta produção conta já com um Globo de Ouro e um Critics Choice Award para Timothée Chalamet na categoria de “Melhor Ator”. E é um forte candidato aos Óscares.

O elenco também é constituído por Gwyneth Paltrow, Odessa A’Zion, Kevin O’Leary, Tyler Okonma, Abel Ferrara e Fran Drescher.

Esta comédia dramática desportiva é centrada no mundo vibrante e competitivo do ténis de mesa que oferece uma história de ambição e superação e que é apresentado com um estilo próprio.

Marty Mauser (Timothée Chalamet) é uma versão ficcional do lendário jogador Marty Reisman – ícone do ténis de mesa dos anos 50 que regressou à ribalda em 1997. Ao seu lado temos uma estrela de cinema que se envolve com ele, num relacionamento intenso e surpreendente que é interpretada por Gwyneth Paltrow.

Para quem não sabe, Timothée Chalamet fez uma preparação física e técnica de excelência para realizar todas as cenas desportivas relacionadas com o ténis de mesa. E sem que fosse necessário ter recurso a duplos.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Não há ninguém como o Marty que faz o que for preciso para realizar o seu maior objetivo. Nem lhe passa pela cabeça o que planeia fazer, caso o seu sonho não se concretize. Ele tem um propósito que é ser o melhor neste desporto e trazê-lo para as bocas do mundo. E com esta obrigação vem sacrifício. Não importa se ele ainda não faz dinheiro com este seu sonho. Uma coisa é garantida! Marty tem uma determinação implacável em vencer e não vai parar, sejam quais forem os obstáculos que surgem no seu caminho.  

Além disso, ele é carismático, impulsivo e imprevisível, sendo que nunca sabemos em que sarilhos se vai meter e o que esperar dos seus comportamentos malucos. E isso faz com que fiquemos ainda mais agarrados ao ecrã. A história representa bem a sua época e é muito interessante de se acompanhar, onde também envolve momentos hilariantes, surpreendentes e inesperados. Apesar de ser contada num ritmo mais acelerado, isso não tira o foco, nem a vontade de querer seguir a jornada sem limites de Marty Mauser.   

Uma das grandes lições que este filme transmite para o público é o nível de persistência e resiliência que muitas vezes é necessário ter para se conseguir realizar qualquer sonho que se tenha. Neste caso, Marty vive com a confiança de acreditar em si mesmo e apesar de haver momentos em que tudo na sua vida esteja a desmoronar, ele mesmo assim, acredita que vai conseguir. Assim, é mostrada a importância que é não desistir dos nossos sonhos por mais difíceis que possam ser de alcançar. A jornada pode ser desafiante, mas no final irá valer a pena.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Marty Supreme é uma obra fascinante que proporciona uma experiência cinematográfica completamente louca e ousada, tendo sido repleta de uma grande criatividade e adrenalina que conquista o espetador desde o primeiro instante. Nesta narrativa original e única com um tom, tanto dramático, como cómico, também apresenta a paixão, a intensidade, a vulnerabilidade, o risco e a enorme vontade de vencer, que certos desportos podem ter na vida de alguém.

Contudo, nem tudo é um mar de rosas e é realmente nos bastidores que se vê a verdade dura e crua sobre os sacrifícios que têm de ser feitos para que a pessoa seja a melhor na sua modalidade desportiva. E como muitas vezes, tem de se adaptar para vencer.

Um dos maiores destaques vai para a interpretação magnífica de Timothée Chalamet que traz autenticidade, brilho e uma energia contagiante a cada cena. Timothée foi mesmo espetacular, sendo que todas as cenas desportivas que ele executou foram incríveis. E também deu para se perceber a transformação fabulosa que ele teve e que foi crucial para assim, entregar uma das maiores performances da sua carreira.

Para além disso, é graças a Marty Supreme que ficamos com mais vontade de assistir, tanto a mais competições de ténis de mesa, como a ver mais vezes, quem sabe no futuro, o Timothée Chalamet a jogar esta modalidade.

Este é dos filmes que mais queria ver nos últimos tempos e sem dúvida, que não desiludiu e que merece todo o devido reconhecimento! E espero mesmo que Timothée Chalamet vença o Óscar de Melhor Ator Principal!


domingo, 11 de janeiro de 2026

Eleanor the Great - o que esperar do primeiro filme realizado por Scarlett Johansson e protagonizado por June Squibb

 

Chegou o momento para assistirmos a Eleanor the Great (A Grande Eleanor, como título em português), o primeiro filme de Scarlett Johansson enquanto realizadora e com June Squibb como a protagonista.

No elenco também fazem parte Erin Kellyman, Jessica Hecht, Rita Zohar e Chiwetel Ejiofor.

Inicialmente, o público português teve a oportunidade de assistir a esta estreia no dia 1 de novembro no The Chapel durante a 2ª edição do Tribeca Festival Lisboa.

Nesta produção temos Eleanor, uma viúva que aos 94 anos procura reencontrar-se em Nova Iorque, mas uma história contada por acaso arrasta-a para uma teia de afetos, ilusões e descobertas, onde a fronteira entre verdade e mentira se dissolve em humanidade.

June Squibb é a atriz responsável por dar vida de uma forma vibrante à espirituosa e orgulhosamente problemática Eleanor Morgenstein, uma mulher de 94 anos que, após uma perda devastadora, passa a contar uma história que ganha vida própria e torna-se perigosa.

Nas mãos de Scarlett Johansson são entrelaçados temas como o envelhecimento, a família, a perda e os limites do engano, transformando esta história de amizade e memória num retrato profundo da complexidade humana.

Divulgação: Sony Pictures Classics

Eleanor sempre se manteve envolvida e ligada às pessoas à sua volta. Depois de ter perdido a sua melhor amiga, ela muda-se da Florida para Nova Iorque para assim, viver com a filha e o neto, na esperança de se reconectar com a família. Em vez disso, ela sente-se ainda mais à deriva e invisível.

Eleanor é uma mulher sem filtros cheia de vida e com um lado rebelde que depois da partida da sua Bessie (Rita Zohar), leva a que ela viva uma grande dor e um vazio emocional, devido à ausência de alguém que foi a sua amiga mais íntima ao longo de 70 anos.

Um dia durante uma visita ao Centro Comunitário Judaico de Manhattan, ela calha entrar num grupo de apoio para sobreviventes do Holocausto, onde na realidade não pertence. No entanto, aproveita apenas para revelar uma história que, sem querer, lhe traz um nível de atenção que não pretendia.

Esta mesma história que Eleanor contou e que nem tinha noção das proporções que iriam tomar, era na realidade o testemunho de Bessie que sobreviveu ao Holocausto. Embora sem pensar, quando Eleanor decidiu assumir o relato de uma sobrevivente do Holocausto, esta mentira acabou por aumentar a sua dimensão até fugir do controlo.

Assim, ela vê-se envolvida numa narrativa que não esperava vir a acontecer, enquanto Nina (Erin Kellyman), uma jovem estudante de jornalismo a procura como amiga e mentora e que ainda, quer fazer um artigo sobre Eleanor. Quando as coisas vão longe demais, Eleanor tem de enfrentar a verdade.

Por quanto tempo irá a mentira de Eleanor durar? Será que a relação entre Eleanor e Nina irá resistir?



Divulgação: Sony Pictures Classics

Eleanor The Great é de um modo inesperado surpreendente e contém um tom caricato e outro mais emocional e caloroso. Apesar disso e devido a alguns desequilíbrios, fragilidades e falta de cuidados com alguns assuntos, a trama em si pode não agradar a todos. Contudo, aborda temas com o qual o público se identifica, como a perda, o luto, a empatia, a compaixão, o perdão e acima de tudo, o poder da amizade. Além disso, transmite a mensagem do quanto devemos viver a vida, não importa a idade e ainda, manter vivas, memórias importantes.

Os destaques deste filme vão para a interpretação maravilhosa e comovente de June Squibb e para as dinâmicas das ligações, tanto de Eleanor com Bessie, como a de Eleanor com Nina. É bonito de se assistir a uma amizade tão verdadeira e cúmplice como a de Bessie e Eleanor e além disso, acompanhar a construção da ligação inesperada de Eleanor com Nina. Estas são duas relações muito diferentes entre si, mas que é interessante ver como funciona a dinâmica de cada uma delas.  

No seu papel como Eleanor, June Squibb apresenta-a como uma mulher carismática e astuta que usa a idade avançada a seu favor e entrega uma combinação de ironia e um humor atípico enrolado numa língua afiada.  

Divulgação: Sony Pictures Classics

Temos aqui alguém que sofreu uma perda forte e profunda, enquanto quer ser dispensada e colocada num lar de idosos pela sua filha. Ela não tem muitas pessoas com quem conversar e ter a oportunidade de se abrir e partilhar os sentimentos de perder a sua melhor amiga e os seus arrependimentos. E é graças a Nina que começa a sentir-se mais confortável e aberta para conversar, embora inclua algumas mentiras pelo meio. Nina não só passa a passar muito tempo com Eleanor, mas à sua maneira, também consegue impactar esta idosa.

Aos poucos, vamos compreendendo os motivos pelos quais nasceu esta grande mentira criada por Eleanor que envolve boas intenções. Na realidade, quando Eleanor assume a identidade de uma sobrevivente do Holocausto, ela acredita que é por um bom motivo e que está a honrar e conservar a memória da amiga. É impressionante como a dor e o luto pode fazer as pessoas fazerem coisas inimagináveis.

Divulgação: Sony Pictures Classics

Com Eleanor the Great é explorado o tema da identidade e o poder do storytelling e da conexão humana. É oferecido algo que não vemos todos os dias, que é trazer uma história moralmente mais complexa e um tanto ambiciosa, cuja protagonista é uma idosa autêntica e onde June Squibb brilhou do início ao fim, sendo que tudo é tratado de um modo leve, apesar de por vezes, serem retratados assuntos mais delicados. Também existem aqueles momentos em que a pessoa fica com uma lágrima no cantinho do olho e outros em que algumas saídas de Eleanor têm a sua piada. Já a fotografia é satisfatória e a banda sonora é discretamente eficaz.

Em relação à estreia de Scarlett Johansson como realizadora resulta num desempenho que mostra potencial nesta função e cria curiosidade em querer acompanhar projetos desta figura que tanto conhecemos nos seus inúmeros trabalhos como atriz. Acredito que ela tem um futuro promissor numa carreira de realização, mas que precisa de tempo para melhorar as suas capacidades para tal.  

Apesar de por vezes ser um pouco previsível, Eleanor the Great é bom o suficiente para criar reações no espetador e em que June Squibb rouba genuinamente as atenções com a sua versatilidade, onde a sua performance complexa equilibra humor, profundidade emocional e vulnerabilidade.  

domingo, 4 de janeiro de 2026

All Her Fault - o que esperar desta minissérie protagonizada por Sarah Snook

 

Desta vez apresento-vos All Her Fault, uma minissérie original da Peacock com oito episódios que pode ser vista através da plataforma de streaming da SkyShowtime. É baseada no romance homónimo de Andrea Mara, publicado em 2021. E recebeu indicações a dois Globos de Ouro nas categorias de Melhor Minissérie e Melhor Atriz em Minissérie para Sarah Snook.

Este projeto é protagonizado por Sarah Snook e junta-se a ela Jake Lacy, Dakota Fanning, Michael Peña, Sophia Lillis, Abby Elliot, Daniel Monks, Jay Ellis, Thomas Cocquerel, Duke McCloud e Kartiah Vergara.

A história inicia-se quando uma mãe se vê numa procura desesperada para descobrir a verdade por trás do desaparecimento misterioso do seu filho.  

O pior pesadelo de qualquer mãe começa. Marissa Irvine (Sarah Snook) prepara-se para ir buscar o seu filho Milo à casa de um amigo da sua nova escola. Contudo, quando ela chega lá e bate à porta, recebe uma resposta que não esperava. A mulher que vive naquela casa nunca ouviu falar da criança e a Marissa fica completamente aflita e em choque com o que está a acontecer, enquanto faz tudo o que é possível para descobrir o paradeiro de Milo e saber quem o raptou.

Este foi só o primeiro passo para que esta família começasse a desmoronar, juntamente com todos os seus segredos profundos prestes a serem revelados. No entanto, Marissa vê na sua nova amiga Jenny Kaminki (Dakota Fanning) como a única pessoa em quem pode confiar, sendo que estas duas mulheres formam uma aliança próxima e improvável. E juntas, elas procuram por Milo.

Marissa carregada com o peso da culpa do que levou àquele momento nunca mais seria a mesma, principalmente depois de saber de determinados segredos de família que iriam mudar o rumo da sua vida para sempre.

Enquanto isso, o detetive Alcaras (Michael Peña) segue todas as pistas deste caso de desaparecimento, levando a que o seu código moral seja levado ao limite. Será que ele vai conseguir encontrar Milo a tempo, desvendar o que realmente aconteceu a esta criança e levar a justiça aos responsáveis pelo rapto?

All Her Fault é um thriller e um suspense intrigante cheio de reviravoltas inesperadas que prende completamente a atenção e que entrega um mistério interessante e bem desenvolvido. Ao longo desta história, a pessoa começa a pensar automaticamente em teorias relacionadas com quem poderão ser os responsáveis por esta tragédia e quais poderão ser as possíveis causas para tal.

Quando olhamos para a narrativa em si, então podemos identificá-la como um pouco complexa que tem um lado mais assustador. E é verdade que há alturas em que parece que a história é previsível, mas de repente, surgem surpresas que nos atrai.

Esta trama misteriosa retrata dinâmicas familiares, erros, mal-entendidos, acusações, mentiras e manipulações causadas por este grupo de seres humanos que são mais profundas do que se poderia imaginar, sendo que se fica com vontade em saber como tudo se irá desenrolar. No entanto, existem algumas personagens que acabaram por ser dispensáveis e que na realidade, não faziam falta. E por isso mesmo, pode tornar-se difícil criar algum tipo de empatia pelas mesmas.

All Her Fault consegue ser subtil a apresentar muitas das pressões sociais, sacrifícios e dificuldades que são impostas a muitas mães trabalhadoras. E o quanto é difícil conciliar a vida profissional da vida pessoal. Assim, é por essa razão que muitas mães acabam por ter a necessidade de contratar uma ama para tomarem conta dos filhos. Porém, tem as suas desvantagens.

Nesta minissérie dramática que também aborda a maternidade, podemos acompanhar mais um desempenho arrebatador e fantástico de Sarah Snook que carrega às costas esta história e consegue transmitir com qualidade, um sofrimento por vezes, silencioso e perturbador desta mãe que esconde as suas emoções e se sente culpada pelo desaparecimento do seu filho. Além disso, podemos observar a evolução interessante da sua personagem no decorrer de cada episódio.

Até pode não ser perfeita, principalmente em relação ao trabalho mais fraco de alguns dos atores e pelo facto da pessoa chegar ao final desta trama e ficar com a sensação que faltava ali qualquer coisa. Por exemplo, podiam ter desenvolvido mais o enredo da amizade das duas mães e o final poderia ter sido melhor. Mas, mesmo assim, traz um conteúdo com um suspense na medida certa com algumas surpresas associadas que cria interesse em acompanhar e que num modo geral, foi bem executado.

A convite da SkyShowtime e da NOS que deixo aqui um agradecimento, eu estive presente no visionamento do primeiro episódio desta minissérie que ocorreu nos Cinemas NOS do Centro Comercial Vasco da Gama em Lisboa e partilho de seguida, um vídeo deste evento!