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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Filme "Minamata" com Johnny Depp - uma história baseada em factos reais que merece ser vista e reconhecida

 

Depois de ter sido adiado por diversas vezes, finalmente chegou o momento em que estreia nos cinemas portugueses, o filme Minamata (O Fotógrafo de Minamata, como título em português) com distribuição do Films4You, sendo realizado por Andrew Levitas e protagonizado por Johnny Depp.

Este drama de 2020 estreou na 70ª edição do Festival de Cinema de Berlim e é baseado na visita em 1971 do fotógrafo norte-americano W. Eugene Smith à cidade japonesa de Minamata, onde documentou os efeitos do envenenamento por mercúrio dos cidadãos das comunidades costeiras, resultado da poluição provocada pela atividade de uma corporação industrial.

O elenco é constituído por Johnny Depp, Hiroyuki Sanada, Minami, Jun Kunimura, Ryo Kase, Tadanobu Asano, Akiko Iwase e Bill Nighy.

W. Eugene Smith ganhou fama a fotografar nas linhas da frente durante a Segunda Guerra Mundial. Quando o editor da Life Magazine lhe pede ajuda para expor um grande escândalo, ele volta ao Japão para revelar ao mundo a realidade dos residentes de Minamata, uma cidade do litoral onde a comunidade está a ser envenenada por mercúrio.

Naquela época, centenas de residentes das comunidades costeiras do Japão foram vítimas da “Doença de Minamata”, causada pela atividade de uma corporação industrial química que iriam trazer mais tarde efeitos devastadores e inesquecíveis para estas pessoas, incluindo a morte. Infelizmente, ninguém tinha o poder suficiente para impedir que isto continuasse a acontecer. Mas, tudo muda quando um fotógrafo de guerra aceita visitar este local e documentar aquilo que ia observando e que foi fruto de envenenamento por mercúrio.

W. Eugene Smith teve um papel muito importante na denúncia deste desastre ocorrido em Minamata, onde os resíduos industriais das fábricas da Chisso Corporation contaminaram com mercúrio a rede pública de abastecimento de água, os peixes e mariscos e cujas consequências duraram décadas que levou à morte e ao sofrimento de milhares de pessoas.

Para quem não sabe, esta é uma história baseada em factos reais que ocorreu entre 1932 e 1968 e onde uma empresa química japonesa despejou cerca de 81 toneladas de mercúrio em Minamata, na ilha de Kyusho no Japão. Os resíduos tóxicos foram consumidos pelos peixes da região e, por sua vez, pelos habitantes, causando danos irreparáveis à sua saúde física e cognitiva, mas sobretudo deformações nos filhos que as mulheres grávidas tiveram posteriormente.

Além disso, é recriado o último grande trabalho do lendário fotógrafo W. Eugene Smith que era definido como sendo um excelente profissional com um feitio difícil e com uma paixão pela fotografia, mas que também tinha um vício em álcool. Ele é desleixado e tem um comportamento imprevisível e estava numa fase mais infeliz, onde se metia em sarilhos, vivia isolado e bebia para afogar as mágoas.

Um dia, ele recebe um trabalho irrecusável que incluía uma missão bem difícil e se iria tornar num autêntico desafio para este fotógrafo, mas que decide arriscar a sua própria vida para salvar milhares de pessoas no Japão.

Esta história também acompanha este profissional nos seus primeiros dias no Japão, onde ele precisa de conquistar a confiança da população de Minamata para que consiga fazer o seu trabalho e testemunhe em primeira mão o que está realmente a acontecer nesta comunidade e qual é a sua dimensão.

Ele precisa de conquistar a confiança da população para que consiga fazer o seu trabalho e testemunhe em primeira mão o que está realmente a acontecer nesta comunidade e qual é a sua dimensão.

Minamata é um filme deslumbrante e comovente que apresenta com sensibilidade um relato chocante e libertador, sendo produzido com uma fotografia bem escolhida e cuidada, nos quais começamos a imaginar como é possível determinadas pessoas são capazes de tudo por dinheiro e sem pensarem nas possíveis consequências que podem trazer para os outros.

Esta tragédia foi considerada como um dos eventos mais conhecidos do Japão, cuja história causa revolta e merece ser contada, e através das fotografias captadas por W. Eugene Smith dá para apresentar uma dimensão dolorosa e triste cometida por negligência humana que teve uma falta de preocupação e cuidado nas grandes empresas perante a população, principalmente aqueles de classes mais baixas da sociedade que acabaram por serem contaminadas e ficaram com sequelas para o resto das suas vidas. E infelizmente, as empresas que cometem crimes ambientais normalmente não são penalizadas por isso, porque há muitos mais fatores em jogo que influenciam o desenrolar da situação e com a existência da ganância insensível dos lucros corporativos ao custo da saúde da humanidade é um cenário que acontece com mais frequência do que poderíamos esperar.

E com o crescimento do poder que a imprensa foi tendo naquela altura fez com que tivesse um impacto muito maior, através da publicação na revista Life de imagens fortes, mas criadas com compaixão pelas vítimas do envenenamento ocorrido em Minamata, transformando-se assim numa história de triunfo sobre a adversidade e sobre as atrocidades que têm sido cometidas por seres humanos.  

Foi graças a este relato que foi possível fazer a denúncia deste desastre ambiental causado pelo homem e assim, revelar a verdade. E até existem determinados momentos em que temos a oportunidade de ver no filme o que a câmara fotográfica está a ver, ficando a pessoa ainda mais emocionada com aquilo que lhe está a ser mostrado e sem saber como reagir. A história deste filme também cria um número elevado de questões morais, éticas, sociais e humanidade que são essenciais que sejam discutidas e resolvidas.

Minamata é daquelas produções pertinentes e importantes com qualidade que nos entrega uma mensagem muito poderosa, real e relevante, sendo que mostra que uma fotografia marcante basta muito mais do que inúmeras palavras, onde representa a realidade que muitos tentam esconder, mas a emoção sentida continua muito bem presente e não é possível disfarçar. Tem a capacidade extraordinária de apresentar uma história perspicaz e fiel aos eventos ocorridos com conflitos e protestos pelo meio, juntamente com um ritmo e uma banda sonora adequada á situação e ainda retratar assuntos como o álcool, dinheiro, saúde, paternidade e muito mais. Ainda nos créditos finais também nos é apresentado um conjunto de catástrofes ocorridas ao redor do mundo que deixam qualquer um a pensar.

E por mais que possa dividir a opinião do público, este é um filme sensacional e impactante bem detalhado e realizado que chama a atenção, cria uma reflexão profunda sobre este tema e foi produzido de um modo bem interessante. Toda a gente precisa de ver e depois tirar as suas próprias conclusões sobre esta história verídica. Mas uma coisa é certa! Este é um dos melhores trabalhos da carreira de Johnny Depp que tem um desempenho brilhante e digno de reconhecimento!

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Filme "Curral de Moinas - Os Banqueiros do Povo" é uma comédia portuguesa que não vai deixar ninguém indiferente

 

Curral de Moinas – Os Banqueiros do Povo é um dos filmes que fazem parte das estreias desta semana nos cinemas portugueses. Distribuída pela NOS Audiovisuais, esta é uma comédia portuguesa com argumento de Frederico Pombares e Henrique Cardoso Dias e com a duração de 102 minutos protagonizada por João Paulo Rodrigues e Pedro Alves e realizada por Miguel Cadilhe, sendo que ainda tem no elenco Sofia Ribeiro, Júlia Pinheiro, Rui Unas, Diana Nicolau, Rui Mendes, Carla Andrino e Luís Simões. Atualmente, podem ver o filme no canal TVCine Top e no serviço TVCine+

Desta vez a vida em Curral de Moinas é abalada, quando Quim (João Paulo Rodrigues) descobre que tinha um pai, que lhe deixa em herança um banco, o prestigiado BICO (Banco Internacional de Crédito Oficial). Assim, Quim e (Pedro Alves) rumam a Lisboa, passando a ter uma vida de luxo, com direito a vinhos de rolha e carros com mais de 20 cavalos. Mas, o dinheiro e a grande cidade, corrompem Quim. Será que a amizade entre os dois amigos vai resistir? Será que Quim consegue gerir o BICO se nem consegue fazer um troco? Será que a noite da capital está preparada para a monocelha de ? Lisboa nunca mais será a mesma.

Tanto o Quim como o são personagens hilariantes e carismáticas que nunca sabemos o que esperar, mas que prendem constantemente o público, cativando de tal forma que a pessoa não consegue parar de rir em determinadas situações. Sempre que esta dupla se junta nas suas aventuras é animação garantida e possuem um humor tão peculiar e divertido que não conseguem deixar ninguém indiferente.

Já perdi a conta do tempo que já acompanho as aventuras do Quim e do por Curral de Moinas e dos espetáculos de humor que assisti protagonizados pelo João Paulo Rodrigues e Pedro Alves. Começou pelo programa Telerural no pequeno ecrã, um formato de humor que começou como rubrica do programa das manhãs da RTP1, Praça da Alegria e que já foi confirmado que vai regressar em breve à televisão (Onde? Quando? Teremos de aguardar por mais novidades). E passando ainda pelo filme 7 Pecados Rurais que estreou nos cinemas em 2013 (disponível na Netflix) e tornou-se num sucesso de bilheteira. Agora, temos a sequela com Curral de Moinas – Os Banqueiros do Povo que promete trazer muitas gargalhadas ao público.

Ainda me lembro quando vi o filme 7 Pecados Rurais nos cinemas e foi das produções portugueses mais divertidas que assisti até hoje. Por isso com a sua sequela, as expetativas eram bem elevadas, não desiludiu e cumpriu com aquilo que prometeu!

Curral de Moinas – Os Banqueiros do Povo possui os ingredientes necessários para se transformar num resultado final muito bem-disposto e divertido com piadas únicas que vai captar a atenção do espetador do início até ao fim e que teve a capacidade de continuar a surpreender e a exceder as expetativas dos admiradores destas personagens. A equipa técnica fez um ótimo trabalho, o elenco esteve à altura do desafio e tanto o João Paulo Rodrigues como o Pedro Alves brilharam em cada cena e estão de parabéns por mais um desempenho fantástico num projeto que de certeza será mais um sucesso!

Esta comédia portuguesa é uma ótima fonte de entretenimento que devem mesmo ver e uma coisa é garantida! Vão sair de lá completamente satisfeitos com esta produção e ainda com vontade de acompanhar mais a jornada de Quim, e companhia!

domingo, 16 de maio de 2021

Crítica ao filme "Minari" - a história de uma família coreana que decide ir viver para uma zona rural em Arkansas e vai tentar criar as suas raízes e conquistar o sonho americano

 

Minari é uma das estreias desta semana nos cinemas portugueses que apresenta a história de uma família coreana na américa rural dos anos 80. Durante 115 minutos, este filme de 2020 é escrito e realizado por Lee Isaac que segue de acordo com a sua própria perspetiva e experiência pessoal de vida, sendo que ganhou vários prémios pertinentes, entre eles, um Óscar da edição deste ano para Melhor Atriz Secundária ou 1 Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 2021, entre outros.

O elenco é constituído maioritariamente por Steven Yeun (Jacob), Yeri Han (Monica), Alan S. Kim (David), Noel Cho (Anne), Darryl Cox (Sr. Harlan), Esther Moon (Sra. Oh), Eric Starkey (Randy Boomer), Will Patton (Paul), Scott Haze (Billy) e Yuh-Jung Youn (Soonja).

A história retrata a vida de Jacob (Steven Yeun), a sua mulher Monica (Yeri Han) e os filhos de ambos, David (Alan S. Kim) e Anne (Noel Cho). Em busca do seu próprio sonho americano, esta é uma família sul-coreana que se muda para uma pequena quinta numa zona mais rural e conservadora em Arkansas. Eles pretendem ter uma vida mais estabilizada nos EUA, mas não será uma tarefa fácil, sendo que será repleta de dificuldades e de desafios e vão passar por situações com uma resiliência notável, principalmente quando chega Soonja (Yuh-Jung Youn), a mãe de Monica, acabando por criar uma grande mudança na vida desta família.

Esta é uma família imigrante resiliente que arriscou recomeçar uma vida nova pelas montanhas de Ozark, no Arkansas depois de terem passado uma temporada na Califórnia e tentam sobreviver num sítio completamente novo e desconhecido, mas que não desistem, por mais obstáculos que possam vir a surgir.

Divulgação: A24 e NOS AUDIOVISUAIS

Ao longo do filme são apresentadas as dificuldades que muitos imigrantes passam para tentarem alcançar o tal sonho americano e mostram como é a construção de um lar familiar, mesmo que possam ter poucas posses, mas é sem dúvida, uma luta diária cheia de adversidades pelo caminho e uma história arrebatadora sobre uma família corajosa que quer criar as suas raízes nos EUA.

Infelizmente o sonho americano não é exatamente aquilo que pensávamos e vamos acompanhando a coragem que estes imigrantes vão tendo para darem melhores condições a quem mais amam. Este acaba por ser uma homenagem a todos os pais imigrantes que querem proporcionar aos seus filhos, uma vida e um futuro melhor e por isso não param de lutar, enquanto não conseguiram alcançar esse desejo.

Divulgação: A24 e NOS AUDIOVISUAIS

Para além disso, neste drama familiar são focados temas significativos para a sociedade, como por exemplo, relações familiares, a xenofobia, preconceito, solidão, problemas financeiros e de saúde, conflitos que podem acontecer numa relação quando existem opiniões divergentes, culturas distintas, isolamento, a agricultura, a criação de raízes num determinado local, a procura pela identidade e por um sonho americano, os valores que cada um possui e a importância que é ter esperança num futuro melhor.

Nos anos 80 é quando a família Yi muda-se da Califórnia para o Arkansas para uma vida mais isolada e mais perto da Natureza, em que nem todos os elementos se conseguem adaptar a esta mudança, sendo que todos vão ter de lutar para que consigam sobreviver nesta nova terra.

Divulgação: A24 e NOS AUDIOVISUAIS

Jacob é uma pessoa que se preocupa com o bem-estar da sua família e tem a melhor das intenções, sendo que quer provar que é capaz de sustentar a mesma. Assim, ele tenta trazer uma vida de conforto aos seus familiares por mais que tenha de trabalhar no duro, ao mesmo tempo que tenta criar um significado para tudo o que faz e chegando ao ponto que fica obcecado relativamente ao nível de sucesso que quer para a sua colheita e para o seu pequeno negócio, colocando o seu casamento em risco.

Depois de ter investido num terreno no Ozark, em Arkansas, este homem de família tem a oportunidade de recomeçar, sendo que vai lutar constantemente contra os obstáculos que vão surgindo, pois Jacob é determinado, tem ambições próprias e quer sustentar-se a si próprio, sem precisar de trabalhar para terceiros.

Divulgação: A24 e NOS AUDIOVISUAIS

A sua mulher, Monica tem um pensamento diferente de Jacob. Ela é uma mulher realista que fez muitos sacrifícios e tem as suas dúvidas sobre Jacob querer conquistar o sonho americano e chegando a um ponto em que Monica não está satisfeita com a sua nova vida e entra em conflito com as suas raízes, pois não quer perder a sua cultura.  

Como referido anteriormente, neste caso os imigrantes são uma família asiática que vive numa casa com poucas condições, mas que tentam transformá-la no seu lar enquanto passam por dificuldades para se adaptarem a uma nova vida num local desconhecido. Quando passamos por mudanças, nem sempre as coisas correm da forma como imaginávamos e acabam por ocorrer problemas que não são fáceis de serem resolvidos. Este é um ambiente que faz parte de muitas famílias, seja num casamento com altos e baixos que podem estar a discutir ou então onde as pessoas estão a trabalhar em conjunto por um objetivo em comum, mesmo que não seja um emprego de sonho.

Divulgação: A24 e NOS AUDIOVISUAIS

Jacob e Monica têm dois filhos, Anne e David que tentam levar uma vida normal, mas não é uma tarefa fácil de se concretizar. Anne é mais responsável, ajuda o irmão da forma que consegue e adapta-se facilmente a mudanças enquanto David é um miúdo curioso e ingénuo de 7 anos com determinados medos que sofre de um problema cardíaco que tem de ser vigiado constantemente e tem momentos em que está mais em baixo ou com comportamentos mais impulsivos, sendo que a história vai sendo muito focada no desenvolvimento dele.

A vida da família Yi muda ainda mais quando chega da Coreia, a mãe de Monica, uma senhora carinhosa que não tem cuidados com aquilo que diz e que não é uma avó tradicional e conservadora que estávamos à espera de encontrar.

Divulgação: A24 e NOS AUDIOVISUAIS

Soonja veio ajudar a sua filha a tomar conta de Anne e David, mas esta avó vai ter de se adaptar a uma vida mais moderna e com menos tradições. Ela é uma pessoa cheia de energia que não está quieta, é direta e não tem cuidados com a linguagem, sendo que Soonja vai criar uma reviravolta nesta família que já estava a lidar com mudanças difíceis ao mesmo tempo que traz presentes, como por exemplo, sementes de uma planta específica utilizada na culinária asiática que podem ter benefícios para a saúde, mas que precisam de ser plantadas num local bem especial.

A avó divertida e pouco convencional não se encaixa na maneira como David imaginaria que seria a mesma, pois ele tinha determinadas expetativas que não corresponderam à realidade, muito devido aos comportamentos diferentes e aos gostos peculiares de Soonja. Ele não consegue compreender e aceitar a avó que tem mas que nunca conheceu, pois esperava alguém bem diferente e o oposto de Soonja, sendo que ele tenta não lidar muito com ela.

Divulgação: A24 e NOS AUDIOVISUAIS

A introdução de Soonja na história cria uma visão de reflexão para o público, onde ela vai criar novas dinâmicas na família e vai ter uma relação delicada com David, que sem dúvida vai ser bem desenvolvida e vão sendo partilhadas cenas bem engraçadas entre avó e neto.

As interpretações que tiveram o maior impacto no filme foi entre David e a sua avó que foram peças fundamentais para que o filme se tornasse numa ótima produção final. Apesar de terem começado por ter uma relação conturbada, eles acabaram por criar uma ligação bem peculiar entre si que se destacou na história.

Divulgação: A24 e NOS AUDIOVISUAIS

Minari é uma história sensível, simples, humana e tão real que é emocionante de uma certa forma contendo uma dinâmica familiar usual, sendo que aos poucos vamos percebendo a razão pelo qual foi escolhido este nome para o filme que pode fazer toda a diferença na vida futura desta família. Para além disso, temos a oportunidade de saber melhor a forma como os americanos reagem com pessoas de culturas diferentes que pode levar a determinados conflitos ou até a uma bonita amizade como acontece com Paul que pode ser uma pessoa estranha ou ter a sua religião, mas que ajuda Jacob no campo.

A mensagem do filme é genuína e muito bem trabalhada e transmitida para o público, mostrando que é fundamental que se tenha esperança e força, se quiser alcançar um sucesso próprio ou até mesmo para conseguir obter qualquer tipo de felicidade, chegando a um pouco que deixa a pessoa a pensar nesta mensagem de esperança e imaginando-se a viver numa vida daquele género. Como a história é bem definida que pode ser vista a partir da perspetiva e do olhar inocente de uma criança acaba por conseguir cumprir com seu objetivo para com o espetador com uma fotografia tão bem introduzida, bonita e adequada ao tema e um ritmo mais lento, mas que faz todo o sentido que tenha sido realizado dessa forma.

Divulgação: A24 e NOS AUDIOVISUAIS

Minari é um filme modesto com um idioma que se vai dividindo entre o coreano e o inglês, mas que envolve quem vai assistir ao mesmo, criando um impacto e uma reflexão profunda sobre os temas abordados e todas as lutas que são necessárias para que se consiga ter uma vida melhor e criar raízes num lugar completamente novo. Este acompanha uma realidade bem específica com cenas delicadas ou com diálogos que ensinam lições pertinentes e desempenhos que tocam o espetador, sendo que dá para perceber a dedicação e carinho que foi dado pelo seu realizador às suas personagens e também na maneira como tudo foi filmado com todo o cuidado e explorando a história de um modo digno e realista.


quarta-feira, 3 de março de 2021

Crítica do filme "Color Out of Space", protagonizado por Nicolas Cage e filmado em Sintra, Portugal - uma história de terror e ficção científica com surpresas inesperadas

 

Color Out of Space (A Cor que Caiu do Espaço, em português) é um filme de ficção científica e de terror de 2019 que também tem pelo meio, suspense, sendo que é uma adaptação do conto homónimo de H. P. Lovecraft que foi escrito e realizado por Richard Stanley e tendo Elijah Wood como um dos seus produtores, juntamente com Daniel Noah, Josh C. Walker e Lisa Whalen. Esta é uma produção da SpectreVision e da Ace Pictures Entertainment que tem a duração de 116 minutos que pode ser vista em exclusivo no canal TVCine Top e está disponível na plataforma TVCine+, em que foi filmada maioritariamente em Sintra, Portugal, mas também passou por outros locais do país, sendo que inclui produtores e uma equipa técnica em que fazem parte alguns portugueses.

O elenco é constituído por Nicolas Cage (Nathan Gardner), Joely Richardson (Theresa Gardner), Madeleine Arthur (Lavinia Gardner), Julian Hilliard (Jack Gardner), Brendan Meyer (Benny Gardner), Elliot Knight (Ward Philips), Q’orianka Kilcher (Tooma), Tommy Chong (Ezra) e Josh C. Waller (Xerife Pierce).  

© 2019 ACE PICTURES ENTERTAINMENT LLC.  All Rights Reserved.

Esta história retrata os acontecimentos da família Gardner que num dia resolveu trocar uma vida mais agitada que tinha na cidade pelo sossego do campo, pois veio a herdar uma propriedade rural localizada num sítio isolado, perto de Arkham, Massachussets. Nathan Gardner (Nicholas Cage) é um artista que nunca teve reconhecimento e por isso, ele opta por se dedicar à jardinagem que infelizmente não teve os resultados pretendidos. Ainda numa fase de adaptação, tudo muda na vida desta família quando numa noite, um tipo de meteorito cai no quintal da mesma em que revela ser uma rocha roxa que brilha com intensidade, mas que deixa efeitos significativos ao seu redor, entre elas, nas reservas de água locais. O que parecia algo alienígena e de certa forma, inofensivo acaba por se tornar num pesadelo para esta família, mas será que vão conseguir proteger-se deste perigo?

Este é um mistério sobrenatural em que decorre situações estranhas sem qualquer tipo de explicação possível que chega a um ponto que começa a perturbar a mente de cada um dos membros da família Gardner que vai tendo a sua própria experiência, mas será que vão ter a capacidade de lidar com os efeitos deste pequeno meteorito?

© 2019 ACE PICTURES ENTERTAINMENT LLC.  All Rights Reserved.

© 2019 ACE PICTURES ENTERTAINMENT LLC.  All Rights Reserved.

A família Gardner é composta pelo casal Nathan e Theresa e os seus filhos, Benny, Lavinia e Jack que escolheu optar pela tranquilidade do campo na propriedade do pai de Nathan que já tinha falecido, em vez da confusão da cidade, mas essa vida nova fica em risco quando cai um meteorito de cor roxa na sua herdade. Nem todos os elementos desta família estavam de acordo com a mudança de uma cidade mais agitada para um lugar mais remoto e calmo contendo cães, cavalos e alpacas e assim, temos a oportunidade de ver algumas dessas dificuldades, principalmente com Lavinia que não consegue aceitar a sua nova realidade.

© 2019 ACE PICTURES ENTERTAINMENT LLC.  All Rights Reserved.

Lavinia Gardner é uma rapariga rebelde com gostos góticos que tem um estilo bem próprio e uma personalidade muito peculiar e complexa, sendo que se preocupa com a sua mãe de tal forma que faz rituais com orações para que a matriarca da família possa melhorar a sua saúde.

Esta é uma família que vai ter de lutar para sobreviver de criaturas sanguinárias que sofrem uma transformação inédita e assustadora, mas não vai ser uma tarefa nada fácil, pois não fazem ideia daquilo que estão a lidar, com os comportamentos de cada um deles a mudarem rapidamente, aumentando a probabilidade de tomarem atitudes impulsivas que podem não ser as mais corretas e de existir descontrolo na mente.

© 2019 ACE PICTURES ENTERTAINMENT LLC.  All Rights Reserved.

Este meteorito com um cheiro específico pode afetar as características do espaço e do tempo e os comportamentos dos animais e dos seres humanos. Depois vai surgir a altura em que até desaparece, ficando reduzido em pó parece ter efeitos improváveis e misteriosos com acontecimentos surreais ou até macabros, seja a nível das plantações ou nas condições da água, entre outros, mas que em certos momentos podem vir a ser perigosos e em algumas situações, letais, pois acaba por ser um género de força alienígena que aos poucos influencia e se transforma em todas as formas de vida em que toca, levando a consequências devastadoras.

Esta história intrigante de terror e suspense tem o seu próprio ritmo, chegando a um ponto que o espetador fica interessado nos seus desenvolvimentos, sendo que este acaba por criar teorias e utiliza a sua imaginação para tentar desvendar as causas da queda deste meteorito, a origem do mesmo, os efeitos da sua presença que pode levar ao caos e muito mais.

© 2019 ACE PICTURES ENTERTAINMENT LLC.  All Rights Reserved.

Os locais escolhidos para o desenrolar deste filme fazem lembrar as histórias de fantasia que parece ter alguma magia pelo meio e sem dúvida são adequados para esta narrativa. A fotografia vai sendo adaptada, de acordo com as cenas que vão sendo mostradas e naquelas que são mais de terror, esta é mais obscura enquanto noutras acaba por ser muito mais luminosa e viva e com uma boa mistura de cores, em que inclui vistas imperdíveis que estão situadas no meio do nada, onde o silêncio prevalece, mas que à noite dá arrepios.

© 2019 ACE PICTURES ENTERTAINMENT LLC.  All Rights Reserved.

Tanto a banda sonora como os efeitos visuais com luzes específicas são muito bem inseridos, de acordo com tudo o que vai acontecendo e com o suspense necessário para prender a atenção, mas infelizmente o argumento teve falhas e poderia ter esclarecido melhor algumas coisas que foram sendo apresentadas e o que a pessoa estava a assistir em determinados momentos, principalmente para quem não leu o livro, no qual este é baseado e também focaram pouco em personagens que poderiam ter sido interessantes em se conhecer melhor.  

© 2019 ACE PICTURES ENTERTAINMENT LLC.  All Rights Reserved.

Color Out of Space está repleto de uma boa criatividade, reviravoltas, cenas inimagináveis, contaminações, monstros bizarros, sangue, surpresas inesperadas e com o seu nível de loucura que de certa forma tem um lado de terror psicológico, pois massacra o corpo e o pensamento de cada uma das personagens, seja através de possíveis alucinações ou mesmo através da perda da noção do tempo a passar e nem todas vão conseguir lidar com isso, da melhor maneira, acabando por enlouquecer e tomar medidas mais drásticas.   

Se tiverem a oportunidade de verem este filme, eu aconselho que vão de mente aberta e aproveitem o momento para experienciarem algo com um estilo diferente e perturbador que até acredito que pode vir a surpreender de um modo natural, sendo que a pessoa não dá conta do tempo a passar, principalmente para quem gosta de uma combinação de terror com ficção científica, mas não deixa de ter as suas cenas mais violentas e contém um resultado final curioso. Para além disso, é interessante acompanhar uma produção que foi filmada em Sintra, Portugal que eu considero que é das zonas mais bonitas deste país, dando assim, cada vez mais a hipótese de mais filmes ou séries seguirem o mesmo caminho e escolherem Portugal como local de filmagens.



domingo, 3 de janeiro de 2021

Crítica ao filme "Wonder Woman 1984", protagonizado por Gal Gadot

 

Wonder Woman 1984 (Mulher Maravilha, em português) tem sido um dos filmes mais esperados de 2020, mas a sua estreia tinha sido adiada, devido à pandemia. Finalmente, o filme que faz parte do universo da DC chegou aos cinemas portugueses e também já está disponível na plataforma da HBO Max. Depois do sucesso alcançado em 2017, Wonder Woman da Warner Bros. Pictures está de volta desta vez nos anos 80 com a duração de cerca de 151 minutos, sendo protagonizada por Gal Gadot que também tem o papel de produtora e com a realização de Patty Jenkins que não só tem a função de produtora, mas também de argumentista, juntamente com Geoff Johns e Dave Callaham e para além disso, Hans Zimmer é o responsável da banda sonora.

Em 1984, Diana Price (Gal Gadot) tem de impedir dois inimigos que podem pôr em risco o bem-estar da humanidade, ao mesmo tempo que reencontra alguém que julgava ter perdido há muito tempo.  

Para além de Gal Gadot (Diana Price), o elenco também é constituído por Pedro Pascal (Maxwell Lord), Chris Pine (Steve Trevor), Kristen Wiig (Barbara Minerva), Robin Wright (Antiope), Connie Nielden (Hipolita), Lily Aspell (Diana mais nova), Amr Waked (Emir Said Bin Abydos), Natasha Rothwell (Carol), Ravi Patel (Babajide), Oliver Cotton (Simon Stagg), Lucian Perez (Alistair), Gabriella Wilde (Raquel), Kelvin Yu (Jake), Stuart Milligan (POTUS), Shane Attwooll, David Al-Fahmi (Sr. Khalaji), Wai Wong (Lai Zhong), entre outros.

Com um pouco de mitologia pelo meio, a história desenrola-se em 1984 à volta de uma relíquia que acredita-se que é muito poderosa, pois consegue concretizar os mais diversos desejos, sejam eles quais forem, mas estes não se realizam sem que aconteçam determinadas consequências. Quantos mais desejos forem realizados, mais a humanidade estará num perigo iminente, mas será que Wonder Woman vai conseguir impedir os planos de um dos antagonistas?

Temos a oportunidade de acompanhar as aventuras de Diana Price nos anos 80, mas desta vez na cidade de Washington, onde ela trabalha no Museu Smithsonian como antropóloga especialista em mitologia, sendo que mais ninguém tem conhecimento específico sobre determinadas culturas como ela, em que também é considerada como um tipo de Deusa guerreira na sua terra que é a ilha de Themyscira que acaba por ter a sua própria mitologia.  

Diana é definida por ser uma pessoa confiante, inteligente, amorosa, paciente, otimista e reservada, sendo que tenta levar uma vida simples, sem exuberâncias, nem muitas convivências e sem querer dar nas vistas. Ela prefere salvar as pessoas em perigo, mesmo que seja de um modo anónimo, sem precisar de ser mencionada como uma guerreira e por isso, ela tenta esconder os seus atos para que não seja descoberta a sua identidade, através da destruição de câmaras de vigilância ou pedindo segredo às pessoas que salvou.

Ao longo do filme vai sendo mostrado como é a vida quotidiana de Diana neste mundo mais moderno e a forma como se vai adaptando, sendo que também é empolgante vê-la nas cenas de ação ou com armaduras mais vistosas. Para além disso, também acabamos por ver mais Diana e a sua vulnerabilidade perante determinadas situações do que como a Wonder Woman e a fé que ela tem na humanidade por mais mentira, ganância, maldade, egoísmo e manipulação que possa existir no mundo, sendo que a história foca-se muito mais no lado humano da personagem, mostrando uma boa representação da mesma.

O público conecta-se com este lado mais vulnerável de Diana e torce para que ela consiga ultrapassar todas as adversidades que lhe possam surgir e a dor que tem sentido nos últimos anos por ter perdido o amor da sua vida. É interessante ver como Diana lida com uma possibilidade bem improvável de reencontrar o seu grande amor por quem ainda não tinha ultrapassado a sua perda.

Para Diana, a verdade deve ser sempre contada e tem muito mais força do que a pessoa julga, sendo que é fundamental para se tornar num verdadeiro herói e ela sabe disso, fazendo com que ocorra um crescimento na maneira de pensar de Diana, em que ela tem de enfrentar os seus próprios dilemas para que possa evoluir como super-heroína.

A sua relação com Steve Trevor é explorada, mantendo-se a química partilhada entre ambos, mas sem exageros, sendo que a personagem tem uma razão específica para estar presente de novo na vida de Diana.

Steve Trevor aprende com Diana, o modo como funciona a época onde veio parar e todas as suas modernidades, seja através da roupa, do metro ou mesmo da evolução dos aviões, sendo que existem momentos de humor que são maioritariamente protagonizados por ele. Ele é um bom aliado de Diana e ajuda-a no que for preciso, mesmo que tenha de colocar-se em risco e por isso, Steve está bem relacionado com a temática do filme.

Uma das minhas cenas favoritas foi quando Steve e Diana estavam no avião, pilotado por ele com destino ao Egipto e observavam os vários fogos de artifício que estavam a ser lançados por estar a ser celebrado o feriado de 4 de Julho, mas a perspetiva que tinham num nível superior às nuvens era simplesmente maravilhosa, bonita e impressionante de se ver.

Não foi só este piloto que aprendeu com Diana, sendo que ela utiliza os ensinamentos de Steve para aprender a voar enquanto Wonder-Woman e ela acaba por sentir uma sensação de liberdade quando está completamente sozinha por entre as nuvens.

Uma das melhores partes do filme é sem dúvida, a sequência inicial que foi muito bem montada e desenvolvida, apesar de ser um flashback em Temyscira, o lar das Amazonas. Esta foi das cenas que mais me prendeu na história acompanhando a jornada de uma Diana mais nova, enquanto enfrenta uma prova impressionante num campeonato empolgante com desafios bem complicados que faz parte do seu treinamento para se tornar numa grande guerreira e luta até ao fim para vencer por mais obstáculos que lhe possam surgir durante este teste, mostrando a sua determinação e coragem, onde também competia com mulheres muito mais velhas do que ela, mas será que ela vai conseguir vencê-las, apesar de ainda ser muito nova e inexperiente?

Uma das cenas que mais teve ação e que prenderam a atenção são retratadas num centro comercial quando um grupo de assaltantes tenta fugir depois de terem roubado objetos preciosos de uma loja que era fachada para a venda ilegal de outro tipo de itens. Assim que uma criança está em perigo, Wonder Woman surge para os impedir e luta com eles de formas bem engraçadas e divertidas, sem colocar ninguém em risco e salvando o dia.

Um filme de super-heróis não seria a mesma coisa se não fosse pelos seus vilões com as suas ambições e convicções para colocarem em prática os planos respetivos. Tudo começa quando chega ao Museu Smithsonian, um artefacto misterioso e bem antigo que não se sabe a sua origem, sendo que tem o poder de concretizar qualquer tipo de desejo, por mais impossível que possa ser, mas sem deixar de ter as suas consequências.

Esta é um tipo de pedra ou cristal que é definido por ser uma relíquia poderosa que pode trazer o caos para a humanidade, caso caia nas mãos erradas, levando a efeitos muito desastrosos para todos. Todas as personagens têm as suas razões para pedirem determinadas coisas, sendo que precisam de lidar com as consequências dos seus desejos, mas será que vão ter vontade suficiente para fazer o que é mais certo?

Relativamente aos antagonistas da história, comecemos por Maxwell Lord que é o fundador de uma companhia petrolífera e uma estrela de televendas em que tem como objetivo, fazer o que for preciso para tornar-se num dos homens mais ricos e poderosos do mundo. Ele é um homem de negócios com ideias inovadoras que nem sempre resultam, mas gosta de ser o centro das atenções, mesmo que tenha o seu lado mais humano que ele tenta disfarçar o máximo possível e vai sendo constantemente desafiado a esse nível.  

Maxwell Lord tem razões muito específicas para adquirir o artefacto histórico, pois quer dominar tudo e todos e ele acaba por ser um bom “vendedor” para obter o que quer, pois as pessoas são ingénuas e acreditam que ele lhes pode ajudar, sem desconfiarem de outras intenções e assim, ele vai atraindo as atenções e conquistar tudo o que precisa.

Este é um vilão egoísta que só arranja conflitos e tem planos bem perigosos para utilizar este artefacto para seu benefício próprio, mas que pode ter resultados devastadores para as pessoas ao seu redor.

Pedro Pascal é um ator conhecido pela sua variedade de trabalhos e neste filme não é exceção, pois temos a oportunidade de ver um lado diferente daquilo que estamos habituados a ver com a sua interpretação de Maxwell Lord que tenta obter o artefacto através do seu papel como suposto investidor do Museu Smithsonian.

Barbara Minerva é recém-chegada e a nova funcionária do Museu Smithsonian e começou a ter uma admiração por Diana de tal forma que gostaria de ser como ela. Ela é retratada como sendo uma pessoa solitária, pouco popular, desastrada, insignificante para os outros e mais ligada à área da geologia, sendo que sempre teve o desejo de ser notada e ter as atenções dos outros. As suas motivações para a realização de um determinado desejo são compreensíveis e fazem todo o sentido, mas depois ela não consegue lidar com os efeitos secundários das suas escolhas, chegando a um ponto que começa a perder a razão e os seus valores, tornando-se mais tarde na Cheetah (um tipo de mulher leopardo) em que uma fotografia mais escura acaba por disfarçar o CGI da mesma.

A personagem de Barbara Minerva tem uma grande evolução, mas também intensa na sua personalidade, desde uma mulher tímida que quer tornar-se numa pessoa completamente oposta de si, mas acaba por transformar-se numa vilã implacável, melhorando a sua auto-estima de uma forma bem significativa que não quer voltar atrás nas suas decisões, porque gosta de tudo aquilo que conseguiu adquirir graças a uma relíquia mágica e acabando por transformar-se numa boa adversária para Diana Price. Infelizmente, faltou saber o desfecho da história de Barbara que ficou sem resolução após uma batalha difícil com a Wonder Woman.

Estes são vilões bem trabalhados e credíveis que querem alcançar o sucesso, a todo o custo e sem pensarem nas consequências, sendo que a sua introdução foi eficaz para a história, tornando-se em bons adversários para a Wonder Woman. Cada uma destas personagens tem o seu caminho a percorrer até tornarem-se numa versão mais antagonista que foi criada, devido às decisões que foram tomando ao longo do tempo, sendo que cada escolha tem as suas consequências e o preço pode ser muito mais alto do que se julgava inicialmente.

Nesta história também são abordadas as tensões políticas que acontecem entre os Estados Unidos e a União Soviética, as tecnologias secretas do governo norte-americano, os líderes que continuam a ambicionar cada vez mais poder e alguns detalhes que fazem parte dos anos 80, com o seu ambiente muito mais leve e divertido, a sua moda peculiar que era utilizada naquele tempo, os penteados respetivos e muito mais, mas na minha opinião, esta época poderia ter sido muito mais bem retratada, pois fugiu um pouco à sua realidade.

Dá para se perceber que existiu uma maior liberdade na forma como todo o argumento foi construído, mostrando uma versão diferente, mas bem natural para o tipo de pessoa que Diana é e criando uma identidade bem notória para o universo das super-heroínas.

Este filme de ação e aventura é mais leve e simples com um lado muito mais emocional e humano do que a pessoa esperava, mas é algo que eu achei que foi muito bem introduzido, em que não vemos tanto a Diana como guerreira, mas como mulher, sendo que traz uma mensagem de esperança, paz, amor e empatia para a humanidade e mostra a importância de valores que poderão fazer parte da essência do ser humano como compaixão, entre outros. Foi tudo contado de um modo fluído, dinâmico e divertido sem complicações, com boas sequências de ação e uma fotografia maioritariamente colorida, tendo uma banda sonora adequada ao tema do filme.  

A história está repleta de romance, humor, esperança e verdade, sendo constituída por momentos muito bem estruturados e emocionantes e com cenas de ação empolgantes, bem executadas e complexas a nível técnico, mas que num geral resultaram bem, apesar de ter desiludido relativamente ao confronto final. Esta acaba por mostrar pontos fundamentais que infelizmente acontecem na sociedade e tentam ensinar que nada de bom acontece quando inicia-se por uma mentira tais como, uma pessoa que quer sempre alcançar o poder e conquistar tudo o que não tem, mas para fazer isso tenta enganar os outros.  

O importante é valorizar o momento atual e olhar para um futuro com esperança, em nem sempre é essencial vencer, mas o que realmente importa é a jornada e cada um deve pensar na sociedade num geral, tendo empatia uns pelos outros pelo bem geral, mantendo a paz e assim evitar o caos. A esperança de um mundo melhor e a importância que é não desistir, por mais dificuldades que possam vir a surgir e esta história entrega emoção com uma mensagem poderosa que merece ser vista e que vai tocar o coração da maior parte do público.

O filme surpreendeu, mas foi sem dúvida, de acordo com as expetativas, sendo que o tempo de duração de 2 horas e 35 minutos passou rápido, apesar de ser extenso, mas claro que poderia ter tido muitas mais cenas de ação, mas percebo a razão pelo qual isso não aconteceu. Existiram cenas que parecem improváveis mas que até resultam para satisfação do espetador, pois cativam e deixam-no a imaginar possíveis formas da mesma terminar.

Na minha opinião, Wonder Woman 1984 foi mesmo lançado na altura certa e é ótimo para ser visto, principalmente devido ao período mais conturbado que todos estamos a passar e transmite uma mensagem positiva, de esperança e de conforto para quem está a assistir. A história é bonita, mas maioritariamente, humana com bons desempenhos do seu elenco que criou numa época emblemática, uma mistura de sentimentos, cenas emocionantes e uma ligação com o público, sendo que é exatamente o que a maior parte de nós estava a precisar. Pode ter dividido opiniões, mas não deixa de ser uma boa fonte de entretenimento mais colorida para a pessoa descontrair em que trouxe boas surpresas que deixaram os fãs satisfeitos e que criou um bom resultado final e acima de tudo, eficaz com uma cena pós-créditos inesperada para alguns.