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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

"Jeanne du Barry" é um filme de época francês dedicado à história de vida da última amante do Rei Luís XV

 

Jeanne du Barry foi o filme de abertura da edição deste ano do Festival de Cannes, que recebeu uma ovação de 7 minutos e já tem data marcada para estrear em Portugal. Após ter aberto a 24ª edição da Festa do Cinema Francês no Cinema São Jorge, podem finalmente ver este filme francês nos cinemas, a partir do dia 2 de novembro e através da distribuição da Pris Audiovisuais. Além de protagonista desta produção com uma duração de quase 2 horas, Maïween é também a argumentista e a realizadora da mesma. Atualmente, está disponível na plataforma da Prime Video. 

O elenco é constituído por Maïween (Jeanne du Barry), Johnny Depp (Louis XV), Benjamin Lavernhe (La Borde), Pierre Richard (Duc de Richelieu), Melvil Poupaud (Comte du Barry), Pascal Greggory (Duc d’Aiguillon), India Hair (Adélaïde), Suzanne de Baecque (Victoire), Capucine Valmary (Louise), Diego Le Fur (The Dauphin), Pauline Pollmann (Marie-Antoinette), Micha Lescot (Mercy), Noémie Lvovsky (Comtesse de Noailles), Marianne Basler (Anne) e Robin Renucci (Monsieur Dumousseaux).

Jeanne du Barry é livremente inspirado na vida de Jeanne Bécu, que nasceu como filha ilegítima de uma costureira pobre e subiu à corte de Luís XV para se tornar na sua última amante oficial. A famosa cortesã viveu um relacionamento escandaloso na corte de Versailles com o rei Luís XV, monarca conhecido pelas suas extravagâncias e inúmeras amantes. 

Como Condessa du Barry, Jeanne foi oficialmente apresentada ao Rei, que se apaixonou perdidamente e imediatamente por ela. Em 1769 foi incluída com pompa e circunstância na Corte, gerando escândalo, inveja e animosidade.

Com a distância de 230 anos, possivelmente teremos uma Jeanne menos julgada, mas, infelizmente igualmente trágica. Uma mulher que conseguiu superar todos os obstáculos, menos o julgamento da sociedade. 

Divulgação: Pris Audiovisuais

Este filme aborda a vida de Jeanne Vaubernier, uma mulher do povo determinada a subir na hierarquia social, usa os seus encantos para escapar à pobreza. O seu amante, o Comte du Barry, que enriqueceu graças às intrigas amorosas de Jeanne, deseja apresentá-la ao Rei e organiza um encontro através do influente Duque de Richelieu. O encontro vai muito além das suas expetativas: para Luís XV e Jeanne, é amor à primeira vista. Através da cortesã, o rei redescobre o apetite pela vida: de tal forma que já não consegue viver sem ela e decide torná-la a sua favorita oficial. Segue-se um escândalo. Ninguém quer uma mulher da rua na Corte.

Jeanne foi uma jovem inteligente e trabalhadora que sabia muito bem o que estava a fazer. Ela nasceu em 1743 como filha ilegítima de uma costureira pobre que depois, teve a capacidade de alcançar com distinção a corte de Luís XV. E tornou-se mais tarde, na favorita e na última amante oficial do monarca.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Como Jeanne, uma mulher do povo se transformou numa cortesã e criou toda a sua influência durante o reinado do rei Luís XV? Uma parte foi devido à habilidade perspicaz do seu marido, o Comte du Barry, sendo que aos poucos, ela foi subindo de posição até chegar ao soberano da monarquia francesa. E outra pela beleza, independência e personalidade peculiar de Jeanne que começou a criar invejas e temas de conversa para com quem ela se cruzasse.

Esta famosa cortesã que alterou completamente o seu destino viveu um relacionamento escandaloso na corte de Versailles com o rei Luís XV. Contra todas as possibilidades e rigores de etiqueta, Jeanne mudou-se para Versailles, onde a sua chegada escandaliza a corte.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Jeanne foi uma mulher recheada de espontaneidade que não respeitava as regras de etiqueta e a aristocracia real. Mas, o seu sofrimento era provocado constantemente por diversas razões, entre elas, os rumores que iam surgindo na corte sobre si e o facto de ser amante de Luís XV. Porém, ela tinha uma grande influência sob o rei e sabia exatamente o que dizer. A pessoa sente uma conexão forte com esta mulher, seja pela sua resiliência, inteligência ou pelo caminho que teve de percorrer para chegar ao que desejava.

Esta longa-metragem aproveita para contar a partir da infância pobre de Jeanne. Depois, é mostrada um pouco da educação que recebeu, nos quais era pouco frequente de acontecer para pessoas com o seu estatuto social. De seguida, a sua ida e expulsão do convento, onde viveu por uns anos. Mais tarde, é apresentada a sua função de cortesã que surgiu, devido ao seu gosto pelo sexo e respetivos poderes de sedução. Tudo isto até chegar o dia, em que ela conhece o rei Luís XV, ficando assim, com uma nova posição que ocorreu por causa do seu relacionamento com o líder francês.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Johnny Depp é um dos principais destaques desta longa-metragem, onde desempenha Luís XV, um monarca conhecido pelas extravagâncias e inúmeras amantes. O seu desempenho é muito bom. E apesar de ter surgido com menos diálogos e em poucas cenas, ele brilhou imediatamente de um modo próprio e com uma dicção bem implementada do francês. Também bastou apenas a sua linguagem corporal e respetivas expressões faciais para compreendermos, não só as diferentes emoções deste rei, mas também, tudo aquilo que ele pretendia. Como um olhar e o silêncio valem mais do que mil palavras!

Luís XV foi um líder que possuía uma personalidade bem peculiar, de acordo com a sua própria posição. Mas também tinha uma hipersensibilidade e um lado mais romântico. Ele era curioso com a maneira de ser de Jeanne e acabou por ser atraído por ela, porque era uma mulher diferente e livre.

Divulgação: Pris Audiovisuais

O relacionamento de Luís XV com Jeanne não foi bem recebido e foi fonte de intrigas por parte da corte que são bem retratadas, de acordo com a época. Infelizmente, faltou mais cumplicidade neste romance que era suposto representar uma paixão profunda complementada com um amor louco entre Jeanne e Luís XV. Também esperava que houvesse muitas mais cenas focadas neles, tendo como objetivo, o de explorar mais a relação deles. Para mim, seria sem dúvida, um lado da narrativa mais interessante para se desenvolver.

Uma das boas surpresas desta longa-metragem é La Borde, o fiel servo do rei que protagoniza cenas que traz ao argumento, um rumo mais descontraído e com alguma piada pelo meio, criando assim, mais empatia e envolvência para com o espetador.

A história é filmada em 33 mm, sendo composta por um tom moderno e um ritmo relativamente lento que pode não agradar a todos. É dividida em diferentes etapas da vida de Jeanne e apresentada com delicadeza. Além disso, foram implementadas algumas mudanças que podem não ter o resultado desejado por parte do público. Infelizmente, a maior parte das personagens foram passadas para segundo plano. E também podia ter existido mais carisma e dinâmica entre elas. Uma escolha que impediu que a história fosse mais rica e interessante.

A representação desta era é feita com ligações precisas entre o século 18 e o tempo atual. Uma das partes mais bem representadas é o guarda-roupa fantástico, maquilhagem e os penteados inovadores que eram usados naquela altura. Também a banda sonora clássica teve um papel fundamental no filme.

A importância dos protocolos reais e da etiqueta ou os comportamentos da corte perante diversas situações, nos quais fazia parte, a discriminação que ainda existe nos tempos atuais são alguns dos assuntos desenvolvidos que eram pertinentes no século 18.

Divulgação: Pris Audiovisuais

No entanto, os cenários naturais do lindíssimo Palácio de Versailles e os seus magníficos jardins são dos principais destaques deste filme. Eles criam cenas mais apropriadas à realidade da época, que são exuberantes e com requinte, onde são apresentados os luxos e o próprio poder da corte. A Capela Real, o Salão dos Espelhos e a Sala Hércules são lugares mágicos que mais entusiasmaram quem está a acompanhar esta longa-metragem, principalmente quem já teve a oportunidade de os visitar pessoalmente, como foi o meu caso. Foi espetacular ver cada uma das cenas a serem apresentadas nestes espaços!   

Esta produção é o primeiro filme de época de Maïween e é dedicado completamente a Jeanne du Barry, uma figura histórica que fez a diferença durante o reinado de Luís XV. Mas, não foi referida da forma que devia. Temos a oportunidade de acompanhar, tanto a sua ascensão, como a sua própria queda, após ocorrer uma tragédia que iria mudar por completo a vida de Jeanne para sempre.

Jeanne du Barry possui uma narrativa emocionante, simples e sem exageros, que por vezes perdeu o seu equilíbrio. Esta retratou a infância, a juventude, o relacionamento de Jeanne com Luís XV e os efeitos que teve na sua vida.

Obviamente, não é um filme perfeito e teve problemas evidentes, sendo capaz de provocar reações inesperadas e até de dividir as opiniões do público. Mas, dá para perceber que Maïween dedicou-se de alma e coração a contar a história de Jeanne du Barry com todo o amor e respeito que ela tem por esta mulher.

O balanço final é que considero como sendo uma história interessante com potencial para muito mais, onde criou vontade no espetador, em querer saber mais sobre a vida de Jeanne du Barry, mas que infelizmente, soube a pouco.

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Filme "Minamata" com Johnny Depp - uma história baseada em factos reais que merece ser vista e reconhecida

 

Depois de ter sido adiado por diversas vezes, finalmente chegou o momento em que estreia nos cinemas portugueses, o filme Minamata (O Fotógrafo de Minamata, como título em português) com distribuição do Films4You, sendo realizado por Andrew Levitas e protagonizado por Johnny Depp.

Este drama de 2020 estreou na 70ª edição do Festival de Cinema de Berlim e é baseado na visita em 1971 do fotógrafo norte-americano W. Eugene Smith à cidade japonesa de Minamata, onde documentou os efeitos do envenenamento por mercúrio dos cidadãos das comunidades costeiras, resultado da poluição provocada pela atividade de uma corporação industrial.

O elenco é constituído por Johnny Depp, Hiroyuki Sanada, Minami, Jun Kunimura, Ryo Kase, Tadanobu Asano, Akiko Iwase e Bill Nighy.

W. Eugene Smith ganhou fama a fotografar nas linhas da frente durante a Segunda Guerra Mundial. Quando o editor da Life Magazine lhe pede ajuda para expor um grande escândalo, ele volta ao Japão para revelar ao mundo a realidade dos residentes de Minamata, uma cidade do litoral onde a comunidade está a ser envenenada por mercúrio.

Naquela época, centenas de residentes das comunidades costeiras do Japão foram vítimas da “Doença de Minamata”, causada pela atividade de uma corporação industrial química que iriam trazer mais tarde efeitos devastadores e inesquecíveis para estas pessoas, incluindo a morte. Infelizmente, ninguém tinha o poder suficiente para impedir que isto continuasse a acontecer. Mas, tudo muda quando um fotógrafo de guerra aceita visitar este local e documentar aquilo que ia observando e que foi fruto de envenenamento por mercúrio.

W. Eugene Smith teve um papel muito importante na denúncia deste desastre ocorrido em Minamata, onde os resíduos industriais das fábricas da Chisso Corporation contaminaram com mercúrio a rede pública de abastecimento de água, os peixes e mariscos e cujas consequências duraram décadas que levou à morte e ao sofrimento de milhares de pessoas.

Para quem não sabe, esta é uma história baseada em factos reais que ocorreu entre 1932 e 1968 e onde uma empresa química japonesa despejou cerca de 81 toneladas de mercúrio em Minamata, na ilha de Kyusho no Japão. Os resíduos tóxicos foram consumidos pelos peixes da região e, por sua vez, pelos habitantes, causando danos irreparáveis à sua saúde física e cognitiva, mas sobretudo deformações nos filhos que as mulheres grávidas tiveram posteriormente.

Além disso, é recriado o último grande trabalho do lendário fotógrafo W. Eugene Smith que era definido como sendo um excelente profissional com um feitio difícil e com uma paixão pela fotografia, mas que também tinha um vício em álcool. Ele é desleixado e tem um comportamento imprevisível e estava numa fase mais infeliz, onde se metia em sarilhos, vivia isolado e bebia para afogar as mágoas.

Um dia, ele recebe um trabalho irrecusável que incluía uma missão bem difícil e se iria tornar num autêntico desafio para este fotógrafo, mas que decide arriscar a sua própria vida para salvar milhares de pessoas no Japão.

Esta história também acompanha este profissional nos seus primeiros dias no Japão, onde ele precisa de conquistar a confiança da população de Minamata para que consiga fazer o seu trabalho e testemunhe em primeira mão o que está realmente a acontecer nesta comunidade e qual é a sua dimensão.

Ele precisa de conquistar a confiança da população para que consiga fazer o seu trabalho e testemunhe em primeira mão o que está realmente a acontecer nesta comunidade e qual é a sua dimensão.

Minamata é um filme deslumbrante e comovente que apresenta com sensibilidade um relato chocante e libertador, sendo produzido com uma fotografia bem escolhida e cuidada, nos quais começamos a imaginar como é possível determinadas pessoas são capazes de tudo por dinheiro e sem pensarem nas possíveis consequências que podem trazer para os outros.

Esta tragédia foi considerada como um dos eventos mais conhecidos do Japão, cuja história causa revolta e merece ser contada, e através das fotografias captadas por W. Eugene Smith dá para apresentar uma dimensão dolorosa e triste cometida por negligência humana que teve uma falta de preocupação e cuidado nas grandes empresas perante a população, principalmente aqueles de classes mais baixas da sociedade que acabaram por serem contaminadas e ficaram com sequelas para o resto das suas vidas. E infelizmente, as empresas que cometem crimes ambientais normalmente não são penalizadas por isso, porque há muitos mais fatores em jogo que influenciam o desenrolar da situação e com a existência da ganância insensível dos lucros corporativos ao custo da saúde da humanidade é um cenário que acontece com mais frequência do que poderíamos esperar.

E com o crescimento do poder que a imprensa foi tendo naquela altura fez com que tivesse um impacto muito maior, através da publicação na revista Life de imagens fortes, mas criadas com compaixão pelas vítimas do envenenamento ocorrido em Minamata, transformando-se assim numa história de triunfo sobre a adversidade e sobre as atrocidades que têm sido cometidas por seres humanos.  

Foi graças a este relato que foi possível fazer a denúncia deste desastre ambiental causado pelo homem e assim, revelar a verdade. E até existem determinados momentos em que temos a oportunidade de ver no filme o que a câmara fotográfica está a ver, ficando a pessoa ainda mais emocionada com aquilo que lhe está a ser mostrado e sem saber como reagir. A história deste filme também cria um número elevado de questões morais, éticas, sociais e humanidade que são essenciais que sejam discutidas e resolvidas.

Minamata é daquelas produções pertinentes e importantes com qualidade que nos entrega uma mensagem muito poderosa, real e relevante, sendo que mostra que uma fotografia marcante basta muito mais do que inúmeras palavras, onde representa a realidade que muitos tentam esconder, mas a emoção sentida continua muito bem presente e não é possível disfarçar. Tem a capacidade extraordinária de apresentar uma história perspicaz e fiel aos eventos ocorridos com conflitos e protestos pelo meio, juntamente com um ritmo e uma banda sonora adequada á situação e ainda retratar assuntos como o álcool, dinheiro, saúde, paternidade e muito mais. Ainda nos créditos finais também nos é apresentado um conjunto de catástrofes ocorridas ao redor do mundo que deixam qualquer um a pensar.

E por mais que possa dividir a opinião do público, este é um filme sensacional e impactante bem detalhado e realizado que chama a atenção, cria uma reflexão profunda sobre este tema e foi produzido de um modo bem interessante. Toda a gente precisa de ver e depois tirar as suas próprias conclusões sobre esta história verídica. Mas uma coisa é certa! Este é um dos melhores trabalhos da carreira de Johnny Depp que tem um desempenho brilhante e digno de reconhecimento!

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Crítica ao filme "Waiting for the Barbarians", protagonizado por Johnny Depp, Mark Rylance e Robert Pattinson

O filme Waiting for the Barbarians estreou recentemente, depois de ter sido exibido no Festival de Cinema de Veneza em 2019. Este drama tem a realização de Ciro Guerra e é baseado no livro de JM Coetzee, que também é o responsável pelo seu argumento, tendo a duração de cerca de uma hora e cinquenta e dois minutos. É produzido por Monika Barcardi, Michael Fitzgerald, Andrea Iervolino e Olga Segura, sendo que Giampiero Ambrosi é o responsável pela banda sonora do mesmo.

 

O Magistrado (Mark Rylance) é o responsável por um posto localizado nas fronteiras de um determinado império. Tudo parecia estar a correr bem até que chega o Coronel Joll (Johnny Depp) para fazer uma investigação, com o objetivo de saber mais informações sobre o paradeiro exato dos bárbaros, que estariam relativamente perto da fronteira e para isso, utilizou muitas das suas técnicas de tortura para fazer os prisioneiros falarem, mas nem sempre teve os melhores resultados, piorando a situação neste sítio. Sendo o Magistrado, como uma pessoa justa, este fará os possíveis para saber quais são os planos deste coronel que infelizmente terá para ele consequências devastadoras.  

 

Esta história é protagonizada por Johnny Depp (Coronel Joll), Mark Rylance (Magistrado), Gana Bayarsaikhan (A Rapariga), Greta Scacchi (Mai) e Robert Pattinson (Oficial Mandel), David Dencik (Clerk) e Sam Reid (Lieutenant).


 

Esta base e de certa forma vila, que é uma das principais defesas do império, sendo localizada num sítio incerto, vai sem dúvida passar por mudanças muitas significativas ao longo do desenrolar da história, principalmente a partir do momento que os soldados do Coronel Joll começam a querer obter tudo que esta população tem disponível, desde comida a cavalos. Será que algum dia a população ou mesmo o próprio Magistrado estarão dispostos a virarem-se contra eles?


 

O Magistrado é um cavalheiro pacífico com um bom coração que é justo para com os outros, mas nem sempre lhe compensa nas situações que vai passando. Um dia, ele conhece uma rapariga do povo nómada que está gravemente ferida, devido a ter sido torturada por soldados, tendo criado uma relação relativamente próxima com ela, mesmo que ela não veja dessa forma. Ele fará os possíveis para cuidar desta rapariga que só quer voltar para o seu povo e assim, o Magistrado resolve ir numa jornada longa com ela pelo deserto para que possa voltar para o seu lar, mas esta aproximação irá trazer consequências para este homem, que terá mudanças significativas na sua vida, com traições pelo meio. 



 

Este senhor considera que é responsável por um espaço relativamente pacífico, em que não surge problemas. É um indivíduo muito dedicado ao seu trabalho, mas não gosta de ver injustiças, sendo que há determinados momentos que parece que não está satisfeito com tudo o que acontece ao seu redor. Por isso, ele não concorda com as decisões do Coronel Joll como é o caso de ter pessoas maltratadas presas sem qualquer justificação possível que acabam por ser torturadas com grande intensidade e tenta intervir para defendê-las e assim, ele conseguir libertá-las. Será que os seus atos de bondade serão considerados razão suficiente para se associar com o povo inimigo e assim cometer traição?


 

Infelizmente, nem todos os soldados da base concordam com as atitudes e os comportamentos do Magistrado perante o povo nómada, não compreendendo, a razão pelo qual ele trata tão bem este povo e como sabe tanto sobre a respetiva história.



 

Na sua jornada, o Magistrado terá de percorrer um caminho longo pelo deserto cheio de dificuldades que inclui dormir em tendas, tempestades de areia, consequentemente levando alguns dos seus cavalos e para além disso, também irá suceder um nível elevado de desconfiança por parte de um dos povos nómadas que vivem nas montanhas e estão indignados com os soldados. Será que ele conseguirá sobreviver e criar uma boa relação com esta tribo?

 

Nesta época existia uma guerra entre os soldados liderados pelo Coronel Joll e o povo nómada que são considerados como bárbaros que não parece ter fim, mas que infelizmente não chegamos a acompanhar essas batalhas. Mas será que a força dos soldados do Coronel Joll será suficiente para vencer os seus inimigos?



 

O Coronel Joll é uma pessoa peculiar, perigosa e um especialista em tortura que quer adquirir a todo o custo, as informações necessárias para que consiga encontrar os bárbaros e eliminá-los. Para além disso, ele captura qualquer tipo de pessoa para seu prisioneiro, considerando que todos são culpados e que merecem ser castigados e torturados, mas não sabemos realmente o que vai na cabeça dele.


 

Sendo conhecido pelas suas técnicas de interrogatório que inclui torturas a um nível elevado, o Coronel Joll tem o objetivo de investigar os bárbaros, prendendo quem ache que possa ser útil para destruir este povo que ele não suporta. Eu achei os seus óculos de sol bem caricatos e criativos, sendo que os mesmos acabam por ser mencionados no filme em que algumas das personagens ficam surpreendidas e curiosas com aquele objeto.

 



O oficial Mandel é um dos soldados comandados pelo Coronel Joll, até que ligeiramente impulsivo, que chega a liderar esta base, enquanto o coronel não está presente, mas não consegue fazê-lo da mesma forma que o seu superior. 

 

Os interrogatórios feitos aos prisioneiros são constituídos maioritariamente por tortura que às vezes pode fazer confusão a espetadores mais sensíveis. As pessoas tornavam-se prisioneiras pelas razões mais descabidas e estranhas, não importa a faixa etária, pois na opinião do Coronel Joll, todos aqueles que ele conseguia apanhar faziam parte do povo bárbaro e que mesmo após períodos longos de tortura não tivesse conseguido obter respostas, continua a acreditar que eles estão a mentir e a esconder algum ponto fundamental para a sua investigação.


 

Esta história está dividida, de acordo com as estações do ano, representando as atitudes que são cometidas por estes seres humanos enquanto esperam que chegue a guerra até eles e infelizmente nem sempre tomam as melhores decisões, levando a possíveis consequências. Temos a oportunidade de ver mais linguagem corporal ou mesmo expressões faciais do que diálogos em si ou seja tenta dar uma atenção específica às emoções de cada personagem, mas nem sempre resulta da melhor forma.

 



Este filme é constituído por um ritmo muito lento e um argumento frágil que tem dificuldades em criar uma possível empatia com o espetador, criando por vezes, confusão para o mesmo, diminuindo cada vez mais a sua vontade e interesse de acompanhar este drama. Mesmo assim, a banda sonora está adequada ao tipo de história que estamos a ver, a realização está bem trabalhada, a interpretação do elenco é bem conseguida, principalmente por Mark Rylance e Johnny Depp e toda a fotografia, decoração dos interiores e as vistas escolhidas são bem introduzidas nos diversos planos de filmagem. 

 

Apesar de a história estar a ser desenrolada a uma velocidade inferior ao que estaria à espera, eu achei que a jornada que o Magistrado fez no deserto foi provavelmente das partes mais cativantes do filme inteiro, pois foi a altura onde teve um pouco mais de ação e para além disso, também gostei dos diálogos partilhados entre o Magistrado e o Coronel Joll.

 



Também não deveria ter sido representado da forma que foi, em que faltaram partes cruciais da história que deveriam ter sido muito mais esclarecidas, fazendo com que perdesse o seu próprio brilho e para além não indica a localização de onde decorre o filme ou mesmo o nome do império que a maioria das personagens quer tanto defender.

 

Este é um filme que vai perdendo força no seu desenrolar, com falta de ação e violência, em que as personagens poderiam ter sido mais exploradas de uma forma mais eficiente e poderia ter aproveitado o seu potencial. A parte técnica até está bem implementada neste filme, mas não é suficiente para que tenha um resultado final satisfatório, acabando por desiludir o público que está a assistir.

 

Como não tive oportunidade de ler o livro, não posso argumentar de uma forma mais específica, as semelhanças e diferenças entre o filme e o livro, mas sinceramente depois de ter visto o filme, não fiquei curiosa para ler o mesmo.