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sábado, 13 de junho de 2026

Disclosure Day - um espetáculo visual impressionante e impactante que entrega uma mensagem poderosa (Crítica)

Chegou o momento de Disclosure Day (O Dia da Revelação, como título em português), uma nova descoberta que promete muita ficção científica. É realizado por Steven Spielberg, o cineasta que redefiniu o imaginário coletivo sobre a vida extraterrestre.

O elenco é composto por Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Eve Hewson, Colman Domingo, Wyatt Russell e Henry Lloyd-Hughes.

Já a banda sonora fica a cargo do lendário compositor John Williams, assinalando assim, a 30ª colaboração com Steven Spielberg e reforçando o estatuto do filme como um dos grandes eventos cinematográficos do ano. No argumento, temos Steven Spielberg e o David Koepp que se reúnem para mais uma produção.

Neste caso, temos a apresentação de uma história original sobre o momento em que a humanidade é confrontada com a prova definitiva de que não está sozinha no universo.

Agora e se, de um momento para o outro, o mundo inteiro soubesse? E se a verdade — aquela que governos e agências mantiveram em segredo durante décadas — fosse finalmente revelada a sete mil milhões de pessoas em simultâneo.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Margaret (Emily Blunt), meteorologista, está no ar numa transmissão em direto quando sinais e padrões de comunicação anómalos começam a interromper as emissões de todo o mundo. Daniel (Josh O’Connor), especialista em cibersegurança, deteta simultaneamente a origem dos sinais — e percebe que se trata de inteligência extraterrestre. Juntos, os dois investigadores arriscam tudo para trazer a verdade ao público.   

Do outro lado da barricada, uma figura de autoridade (Colin Firth) tenta a todo o custo impedir a divulgação — convicto de que a revelação provocará o colapso da ordem mundial. Disclosure Day não é apenas um filme sobre extraterrestres: é uma pergunta sobre o que acontece à humanidade quando a maior mentira de sempre deixa de ser sustentável.

Desde o início que é colocada a questão. Se houvesse provas a comprovar que afinal não estamos sozinhos, então como seria a nossa reação? Será que ficávamos assustados? Ou, simplesmente aumentava a nossa curiosidade em querer saber mais?

O maior foco é explorar o impacto global da revelação da existência de vida alienígena, enquanto deixa em aberto, grande parte da narrativa, para assim, preservar o mistério.

Já imaginaram como seria alguém, como Margaret estar numa emissão em direto e é subitamente afetada por estranhos sons e padrões de comunicação? Automaticamente se pensaria que algo estaria errado, não é verdade?

Enquanto isso, outras pessoas lidam com sinais inquietantes e imagens enigmáticas.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Disclosure Day é um espetáculo visual impressionante e impactante, que entrega uma mensagem poderosa e intensa sobre o valor da empatia, verdade, espiritualidade, humanidade, comunicação, fé e como não se deve perder a esperança. E tudo é feito com uma grande generosidade e compaixão, por parte de Steven Spielberg, que é acompanhado por uma banda sonora estrondosa da responsabilidade do lendário John Williams. Uma banda sonora que amplifica o tom misterioso da narrativa.

A experiência em si é imersiva e envolvente, sendo que há momentos que conseguem ser tão inquietantes e emocionantes. O filme desperta aquela curiosidade genuína sobre o desconhecido e nos faz questionar e refletir sobre o que realmente existe para além daquilo que conhecemos. Isso foi uma das partes que mais me cativou.

Depois, a forma como os acontecimentos são apresentados faz com que tudo pareça muito familiar com a nossa realidade. Como se aquela revelação pudesse acontecer a qualquer momento. E isto, fosse um tipo de preparação para nos aproximar, melhorar os meios de comunicação e ter noção, do que poderia ocorrer, caso fosse na vida real.     

Um dos maiores impactos é sem dúvida, os 20 minutos finais, no qual nos tira o fôlego e nos deixa perplexos e completamente sem palavras. Parecia que estávamos realmente a assistir a um telejornal, que estava a acompanhar uma descoberta histórica em tempo real. E depois estarmos a vivê-lo com a mesma intensidade do que as personagens. Para quem cresceu fascinado por estes temas relacionados com os extraterrestres, aqueles momentos finais fazem-nos sentir que fazemos parte de algo muito importante. E de que não estamos sozinhos.

Além disso, há que destacar a performance espetacular, cativante e emocionante de Emily Blunt. Ela brilha em cada cena e rouba todas as atenções. Basta um simples olhar para criarmos uma empatia imediata por ela. Este é um dos trabalhos mais marcantes da sua carreira e ela merece todos os aplausos e reconhecimento.  

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Em relação à história, tem as suas imperfeições e deslizes. Poderiam ter mostrado e aprofundado mais detalhes sobre a vida alienígena e a sua tecnologia. E houve alturas que parecia que se estava a arrastar e até poderia ter tido mais ação.

O final deixa-nos com aquela sensação de que ficámos pendurados e que haveria mais para apresentar. Acredito que todo o filme também quer que tenhamos a nossa própria interpretação. Mas, sinto que terminou na altura errada. Pois, deram a entender de que haveria mais para contar.

Disclosure Day é um thriller de sci-fi com um ar vintage que é envolvido em mistério, conspiração, perseguições, aventura, ação e suspense, no qual é preciso ter um pouco de tempo para se processar. A cinematografia, edição, som, cenografia e efeitos especiais estão fabulosos. Todo o elenco faz um ótimo trabalho e temos boas sequências de ação. É mais um clássico de Steven Spielberg sobre alienígenas que nos deixa a pensar.

É uma perspetiva diferente e mais surreal daquilo que estamos habituados a ver em filmes sobre extraterrestres. Aqui, eles não apresentam qualquer ameaça e simplesmente querem criar contacto e quem sabe, gerar um tipo de ligação. E para os humanos, apresentam-se em formas familiares.


Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Este filme é uma viagem intrigante que diverte e transmite que todos merecem saber a verdade sobre a existência de vida fora do planeta Terra. E torna-se numa luta desesperada para que isso se concretize, onde não vão faltar conflitos, questões morais, perguntas que precisam de respostas e peças de um puzzle que precisam de ser encaixadas.

Pode dividir opiniões, mas é daquelas produções com um storytelling que nos faz sentir algo, cria discussões interessantes e que deve ser vista sem julgamentos. E também contém uma mensagem que merece muito ser ouvida.

De um modo geral, Steven Spielberg continua a ser um mestre no cinema, fez um trabalho mágico e conseguiu entreter o espetador. E até parece que ele sabe de algo que não sabemos.

Para mim, quando temos um novo filme de Steven Spielberg é uma espécie de celebração. E somos mesmo sortudos, em viver na mesma altura em que o Steven Spielberg está a fazer filmes.


quinta-feira, 4 de junho de 2026

Backrooms - o que esperar deste terror psicológico (Crítica)

A A24 apresenta o fenómeno viral da internet que promete não deixar ninguém indiferente!

Da mente do visionário criador do YouTube Kane Parsons, que com esta produção faz a sua estreia na realização de longas-metragens, chega um pesadelo cinematográfico inquietante, preparado para definir uma nova era em relação à narrativa de terror.

Falamos de Backrooms, um terror psicológico protagonizado por Renate Reinsve, Avan Jogia, Lukita Maxwell, Finn Bennett e Chiwetel Ejiofor.

Passado em 1990 e baseado na série viral de Parsons na internet, Backrooms acompanha Clark (Chiwetel Ejiofor), um vendedor imobiliário, enquanto descobre, na cave da sua loja, uma porta — iluminada por luzes fluorescentes amarelas e repleta de objetos familiares — que conduz a um inquietante labirinto de intermináveis espaços de escritório e onde encontrar uma saída não será tão fácil como imagina.

Ao longo de noventa minutos, o foco da narrativa associa-se à descoberta de uma misteriosa passagem que conduz a uma dimensão paralela composta por corredores intermináveis, espaços vazios e labirínticos, iluminados por uma luz artificial alarmante. À medida que diferentes personagens entram neste universo estranho e claustrofóbico, percebem que não estão sozinhas: algo se esconde neste sítio.

Tudo isto começa com Clark a ter uma loja de móveis, no qual tem tido muita dificuldade em vender os seus artigos. A loja está constantemente vazia. A eletricidade parece que ganha vida própria. E o seu desânimo continua a aumentar.

Contudo, ele é seguido por uma terapeuta que também tem os seus traumas para lidar, mas que faz os possíveis para o ajudar. Utiliza exercícios terapêuticos que incluem role-plays e que faz com que ele se mostre algumas vezes, alterado. Será que ela tem a habilidade necessária para o conseguirá ajudar?

Agora, vem o início do ato em que Clark iria fazer uma descoberta que depois lhe iria criar uma grande transformação. Essa descoberta remete-se a uma porta estranha que aparece na cave da sua loja.

Para além de uma porta que era suposto não existir, esconde-se uma série infinita de salas e corredores, simultaneamente familiares, com um tom ameaçador e um vazio com papel de parede amarelado. Um lugar fora da nossa realidade situada numa dimensão paralela. O que poderá ele encontrar neste labirinto bem vasto?

Assim, de um modo inesperado, Clark desaparece misteriosamente por uma dimensão além da realidade. E por isso, a terapeuta terá de se aventurar perante o desconhecido para encontrar o seu paciente e salvá-lo.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Backrooms é um terror psicológico fora da caixa e estranho que entrega uma componente diferente em termos do género do horror. Muito mistério e suspense com uma boa banda sonora a criar a tensão necessária. É daquelas histórias que é uma viagem pelo desconhecido, que nos faz processar com uma intensidade que não é tão regular de acontecer. E basta, percorrermos juntamente com o protagonista, por um labirinto peculiar composto por todos aqueles corredores intermináveis, para que cheguemos, a um ponto de exaustão. Claro, que depois tudo isso faz criar todo o tipo de teorias. E até por momentos, também parece que estamos a viver os filmes do REC.

Para além disso, a pessoa acaba por imaginar como é residir dentro da própria mente e perder-se completamente, sem forma de regressar à realidade. E quando referimos a uma mente mais perturbada, então, pode se tornar aterrorizante. Sem esquecer, que também mostra como a desconexão com a sociedade pode levar a um ponto sem retorno.

Ao contrário de muitos críticos por aí espalhados, eu não achei que o filme tivesse sido assim tão impactante como têm afirmado. Para muitos, pode tornar-se cansativo e extremamente confuso. É que a pessoa saí de lá sem praticamente compreender aquilo que acabou de experienciar. E nem sempre, isso é positivo.  

No entanto, uma coisa é certa. Backrooms é uma produção que conseguiu criar discussão, destacar-se à sua maneira e fazer o espetador mergulhar por algo inexplicável. E com um final que deixa que o público crie a sua própria interpretação. Infelizmente, por vezes, também chega a ser bizarro e totalmente incoerente e irreal.


sábado, 23 de maio de 2026

Passenger - o que esperar desta entidade demoníaca que tem os viajantes como alvos

Passenger (O Passageiro do Inferno, como título em português) é uma produção da Paramount Pictures. É classificado como um thriller de terror realizado por André Øvredal, tendo como protagonistas: Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo.

Temos aqui um jovem casal que depois de testemunhar um terrível acidente numa estrada, rapidamente perceber que não saiu do local sozinho. Uma presença demoníaca conhecida como “The Passenger” transforma a sua viagem num autêntico pesadelo, não descansando até reclamar ambos como as suas vítimas.

Este é um casal que vendeu tudo o que tinha para mudar o rumo das suas vidas e viverem uma nova fase. Eles decidiram pegar numa caravana e meterem-se à estrada, percorrendo inúmeros quilómetros e irem simplesmente, à aventura.

Contudo, quando passam algumas semanas, um deles já não está assim tão satisfeito com esta mudança de vida. E começa a ter dificuldades a lidar com isso. Mas, essa não seria a maior complicação desta nova jornada deles.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Depois de presenciarem um acidente numa estrada isolada, eles acabam por saírem de lá acompanhados. Companhia essa que não lhes ia facilitar a vida. A partir desse momento, a viagem torna-se numa luta desesperada pela sobrevivência, marcada por uma presença inexplicável que os persegue sem descanso.

Não importa o que eles façam, parece que não se conseguem livrar deste passageiro do inferno, uma entidade do mal. Será que irão sobreviver?

Neste cenário, nas estradas norte-americanas de um determinado estado, têm aumentado o número de pessoas desaparecidas. Muitas têm acidentes, desaparecem sem deixar rasto e nunca mais são vistas. E depois o pior acontece, quando estão a conduzir de noite por estradas vazias.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Passenger pode possuir os elementos essenciais para atrair quem aprecia filmes de terror, mas não é inteligente na forma como entrega este enredo. Sim, é verdade que tem visuais sólidos, cria algum interesse e prega alguns sustos pelo caminho. Mas, poderá não ser o suficiente para marcar o espetador.

A narrativa contém um nível elevado de tensão e suspense envolvido num terror psicológico. Os alvos são viajantes que conduzem pelas estradas. Caso, desapareçam são facilmente esquecidos. E além disso, parece que não existe ninguém que coloque a sua atenção em tentar resolver esses mesmos desaparecimentos.

Enquanto isso são explorados os medos associados ao isolamento e à escuridão. E de um modo muito breve é mostrado como é o modo de vivência de determinadas comunidades, onde a caravana é o seu lar. Também ficamos a saber ligeiramente mais sobre os símbolos que são colocados nas viaturas dos viajantes como o aviso de perigo ou outros com significados diferentes.

Gostaria que tudo isto referido anteriormente, tivesse sido mais desenvolvido. Como por exemplo, teria sido mais interessante, haver ataques deste demónio nestes acampamentos. E aí, teríamos um melhor vislumbre do poder dessa figura, a ameaça que representava e que seria impossível de evitar. E assim, realmente testemunhar que não haveria forma de escapar.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Supostamente, a história seria centrada nesta entidade demoníaca, mas infelizmente mais de metade do filme, não esteve presente visualmente. Só eram apresentados sinais da sua aproximação. Por isso, esperava muito mais ataques infernais e caóticos. Além disso, esperava que se tivesse sabido mais sobre as origens desta criatura.

Uma outra coisa que poderia ter sido mais desenvolvida e que faltou contexto foi o historial entre esta figura demoníaca e o São Cristóvão, o padroeiro dos viajantes. Este santo acabou por se tornar num género de arma secreta para ajudar a enfrentar o passageiro do inferno e sem se perceber o porquê.

Com Passenger, temos uma produção com thriller, terror e suspense que apresenta uma história simples com algumas falhas e desequilíbrios. E que cria a sensação de que falta alguma coisa. Poderia ter sido muito mais. Apesar disso, no final pode entreter na mesma, quem for assistir. E no meu caso, foi isso que aconteceu.


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Obsession - A Felicidade É Relativa : é um terror psicológico com um lado sinistro que é envolvido no sobrenatural

Ultimamente, Blumhouse tem lançado vários projetos ligados ao universo do terror. E o próximo é Obsession – A Felicidade É Relativa. Este thriller sobrenatural é realizado por Curry Barker, tendo sido protagonizado por Michael Johnston e Inde Navarrette.

Nesta história Bear (Michael Johnston) é um jovem apaixonado pela sua melhor amiga de infância, Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de confessar os seus sentimentos, recorre a um misterioso artefacto sobrenatural para que ela se apaixone por ele. O desejo concretiza-se, mas amar alguém assim tem um preço sombrio e irreversível.

Assim, o que começa como uma comédia adolescente sobre amor não correspondido transforma-se rapidamente num pesadelo visceral: a obsessão de Nikki assume contornos cada vez mais perigosos e violentos, obrigando Bear a confrontar as consequências devastadoras do seu desejo.  

Às vezes, é importante que tenha cuidado com quem se deseja.

Para além disso, lembram-se daquela afirmação: Cuidado com aquilo que desejas? Nunca uma frase fez tanto sentido como nesta narrativa.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Temos um One Wish Willow (Desejo Willow, como tradução em português) disponível nas mãos do Bear, sendo que ele desejou que a Nikki Freeman o amasse mais do que a alguém em todo o mundo. E não é que se concretizou? É que Nikki passou a ter só olhos para o Bear . E é como se um feitiço tivesse sido lançado para ela.

Tudo isto inicia-se, porque Bear quer demonstrar o amor que sente por Nikki. Um dia, ele vai a uma loja esotérica para adquirir uma peça de bijuteria para lhe oferecer. Em vez disso, acaba por sair com um One Wish Willow. Ao final de contas, quem acaba por usá-lo é Bear.

No entanto, a concretização deste desejo acabaria por correr terrivelmente mal. E além disso, tem uma complicação. Não é possível reverter esse desejo, enquanto ele estiver vivo. O que será que Bear irá fazer? Será que vai aguentar a obsessão descontrolada de Nikki?

Agora, o que ele não se irá livrar é de um grande pesadelo que lhe vai traumatizar.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Obsession – A Felicidade É Relativa é um terror psicológico com um lado sinistro que é envolvido no sobrenatural. Está cheio de cenas perturbadoras e outras mais violentas que resultam assim, num filme intenso, aterrorizante e completamente louco.

Vale a pena salientar a interpretação única de Inde Navarrette a dar vida à Nikki. É impressionante assistir ao modo como ela desenvolve a sua Nikki e depois representa esta obsessão sem limites. Por outro lado, ainda mostra a vulnerabilidade e a incapacidade que fazem parte quando a pessoa não está a agir por si própria. E consequentemente, perdendo assim, o controlo do seu próprio corpo e mente.  

Esta não é uma produção para todos os gostos, pois poderá deixar muitos desconfortáveis. E também, devido a ter arcos um pouco parados que pode tirar o foco e cansar as pessoas mais impacientes. De certeza, que poderá dividir opiniões, mas desde o início que demonstra a sua complexidade e o quanto é diferente e fora da caixa.

E este é daqueles exemplos que mostra realmente o que é o significado de ter uma obsessão.

As cenas que vão sendo apresentadas são bastante tensas e algumas delas, agonizantes. Dá para observar facilmente, o quanto este projeto tenta inovar neste género do terror. E isso acaba por acontecer com algumas surpresas pelo meio.

Com aquilo que se vê em Obsession – A Felicidade É Relativa, automaticamente vai-te obrigar a processar sobre o tema abordado. Além disso, cria uma curiosidade imediata em acompanhar mais histórias relacionadas com outros desejos que poderiam ter sido feitos, utilizando o One Wish Willow.

domingo, 5 de abril de 2026

Filme "Ready or Not 2: Here I Come" - o que esperar desta sequela de terror combinada com humor negro

 

Ready or Not 2: Here I Come (Ready or Not 2: O Ritual, como título em português) é a sequela de Ready or Not (2019). Realizado por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, esta continuação traz de volta Samara Weaving como a protagonista.  

O filme está disponível na plataforma de streaming da Disney+. 

A Samara Weaving, junta-se Kathryn Newton, Sarah Michelle Gellar, Shawn Hatosy, Elijah Wood, Nestor Carbonell, Kevin Durand e David Cronenberg.

Agora, momentos depois de sobreviver a um ataque total da família Le Domas, Grace (Samara Weaving) descobre que chegou ao próximo nível do jogo de pesadelo – e desta vez com a sua irmã afastada, Faith (Kathryn Newton), ao seu lado. Grace tem uma oportunidade de sobreviver, manter a sua irmã viva e reivindicar o Alto Cargo do Conselho que controla o mundo. Quatro famílias rivais estão à sua procura para conquistar o trono e quem vencer irá governar tudo.

Será que Grace vai sobreviver? É que desta vez a fasquia é muito mais elevada e ela não teve tempo para recuperar da sua última batalha pela sobrevivência.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Ela tinha acabado de passar por um ataque atroz da família Le Domas e depois disso acontecer acorda num hospital. Contudo, descobre que na verdade foi levada para os terrenos de um clube de campo de elite e vê-se noutro jogo mortal. Agora, tem de lutar mais uma vez pela sua sobrevivência contra quatro famílias rivais que estão a competir entre si para a matar e assim, tomar posse da fortuna.

Contudo, tem uma grande diferença em relação ao seu desafio anterior. Ela não está sozinha, sendo que tem a sua irmã a acompanhá-la neste jogo mortal. Será que com Faith ao seu lado, vai ser mais difícil sobreviver ou será uma aliança produtiva?

Ao longo deste pesadelo, ficamos a conhecer melhor a disfunção familiar destas duas irmãs e acabamos por torcer para que elas possam sobreviver e depois fazerem as pazes. Com uma experiência traumática deste tipo, quem sabe, esta pode ser a altura certa para uma reconciliação duradoura.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Ready or Not 2: Here I Come é uma produção de terror ousada, violenta e extremamente sangrenta. Esta perseguição mortal com os seus momentos satíricos mantém o seu tom cómico e é enrolado num humor negro e sarcástico que combina muito bem com a sua história tensa cheia de ação, sangue e com uma dose certa de suspense.

O que não faltam são produções de terror que juntam a comédia, transformando muitas das suas cenas como absurdas e às vezes, bizarras. Mas que várias vezes até têm a sua piada. E com este filme, isso também acontece.

Neste caso, temos mais rituais satânicos e tradições assustadoras que vão além de uma família, onde podemos observar como uma organização secreta tem tantos privilégios, poder e uma grande influência sobre o mundo.       

A premissa é semelhante ao primeiro filme, mas é mais agressiva e com muitas mais lutas. Desta vez são quatro famílias rivais e bastante poderosas que vão à caça da protagonista, enquanto disputam por um trono que lhes irá dar o controlo do mundo. Porém, houve algumas dessas personagens que acabaram por não ter tido qualquer tipo de relevância e facilmente dispensáveis. Pareciam mais alvos a abater.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Depois, houve aqueles que poderiam ter sido mais bem aproveitados e não serem descartados da forma que foram. Um exemplo disso foi a personagem interpretada por Kevin Durand que teve pouco tempo de ecrã e acredito que tinha potencial para ser um adversário formidável.  

Outra coisa foi a incoerência das regras deste jogo tão perigoso. É que chega a um ponto que parece que já não existem regras e por isso, tudo pode acontecer. Ou seja, não há praticamente limitações.

Um dos pontos altos do filme foi mais uma vez o desempenho competente e forte de Samara Weaving que continua a dar vida a Grace, uma autêntica Scream Queen, que mesmo estando muito vulnerável e não ter tido qualquer descanso, está mais uma vez, a lutar ferozmente pela sua liberdade. Ela continua a ser o coração da história. É sempre interessante vê-la a lutar, ajustar e depois a sobreviver. Os seus instintos de sobrevivência parecem que não falham. E apesar de não ter uma relação assim tão próxima com a irmã, não deixa de se preocupar com Faith.

Em relação à introdução de Faith na narrativa, a atriz escolhida foi a Kathryn Newton. Como já seguia o seu trabalho, então tinha curiosidade em ver como se ia sair neste filme. Infelizmente, não foi o que esperava. A sua interpretação pareceu-me mais artificial e outras vezes, os seus atos demasiado exagerados. Inicialmente não havia muita química entre ela e Samara Weaving, mas com a reconstrução da relação das suas personagens, melhorou. Porém, não foi o suficiente para impactar.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Sarah Michelle Gellar foi outra das adições ao elenco e acho que foi uma boa escolha. Perdi a conta de quantas vezes, senti semelhanças com a sua tão popular Buffy que muitos de nós conhecemos.

Já as cenas de ação e de luta foram bem conseguidas. Durante as mesmas foram surgindo ataques implacáveis, mortes brutais, uma maior frequência de explosões de pessoas e outras cenas que foram agarrando a pessoa ao ecrã.

Ready or Not 2: Here I Come foi uma adição positiva e conseguiu superar ligeiramente o primeiro filme em diferentes situações. Por isso, vejam de novo o seu original. E depois, não podem perder este novo jogo perigoso com muito mais ação, sangue e caos e onde ninguém está a salvo!


quarta-feira, 25 de março de 2026

Project Hail Mary é uma obra de ficção científica poderosa que nos leva para uma viagem única e original pelo espaço

 

Chegou o momento para acompanharmos uma das adaptações mais esperadas dos últimos tempos no género da ficção científica. Project Hail Mary é baseado no romance homónimo de Andy Weir que foi lançado em 2021, tendo sido produzido e realizado por Phil Lord e Christopher Miller.

O protagonista é Ryan Gosling e junta-se a ele: Sandra Hüller, Lionel Boyce, Ken Leung e Milana Vayntrub.

A narrativa inicia-se com o professor de Ciências Ryland Grace (Ryan Gosling) que acorda numa nave espacial a anos-luz de casa, sem se lembrar de quem é ou de como lá chegou. À medida que a sua memória regressa, começa a desvendar a sua missão: resolver o enigma de uma substância misteriosa que está a provocar a extinção do Sol.

Para isso acontecer, ele precisa de recorrer a todo o seu conhecimento científico e às suas ideias pouco ortodoxas para salvar tudo na Terra da extinção. Contudo, uma amizade inesperada pode significar que talvez não tenha de o fazer sozinho.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Project Hail Mary é uma experiência cinematográfica impactante e é extremamente maravilhosa em termos visuais. Desde o primeiro instante, a pessoa fica interessada e em êxtase em acompanhar cada um dos elementos desta narrativa que tem o espaço como um dos grandes protagonistas.  

Um dos seus maiores destaques vai para a cumplicidade imbatível entre Grace e Rocky. É impressionante como conseguimos criar uma empatia imediata e uma conexão mais emocional por um extraterrestre em formato de rocha que desenvolve uma ligação profunda e autêntica com um ser humano. E é nesta relação improvável que é encontrado o coração do filme. A dinâmica deles é tão tocante e bonita de se testemunhar, onde demonstram como a comunicação e pequenos gestos fazem toda a diferença.  

Além disso, a mensagem transmitida é muito pertinente e com um significado de esperança, sendo que mostra que se nós não desistirmos, então milagres são possíveis de acontecer. Por isso, apesar da resolução de alguns problemas parecer impossível, o importante é não desistir e acreditar. É preciso coragem para enfrentar o desconhecido e juntando a determinação, então acabam por ser muitas vezes consideradas como uma das várias chaves para o sucesso. E foi isso que esta história nos quis mostrar em relação ao modo como Grace e Rocky se juntam para salvarem os seus planetas da extinção.  

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Ryan Gosling faz um ótimo desempenho como o protagonista e ele passa diversas vezes a contracenar ou sozinho ou com Rocky, uma nova figura engraçada e muito peculiar que o conquistou logo de um modo genuíno. Ryland Grace também acaba por criar a sua própria jornada de redenção, enquanto se vai lembrando da sua identidade e vai compreendendo o papel vital que tem para cumprir com a missão, pois ele é a última esperança para impedir a extinção da Terra. Por isso, acaba por ter uma transformação interessante que foi essencial para a sua evolução, enquanto ser humano. Esta mudança começou depois de se considerar como um cobarde e até se tornar assim, num herói de dois planetas. E uma coisa é certa! Rocky também foi importante para esta jornada de Grace, tanto de redenção, como de auto-conhecimento e a vida deste professor de Ciências nunca mais seria a mesma.

Project Hail Mary é uma obra de ficção científica poderosa com uma história envolvente que nos leva para uma viagem única e original pelo espaço, marcando a história do cinema deste género e que merece todo o devido reconhecimento. Não esquecer que deve ser vista em IMAX e no maior ecrã possível! E também é um filme repleto de um visual impressionante acompanhado de uma excelente banda sonora e com um bom toque de comédia e emoção. Mas, acima de tudo, esta grande produção é uma boa lição de humanidade, coragem, empatia e amizade que toca o espetador com intensidade, deixando-o a refletir sobre aquilo que realmente mais importa e ainda, a ter mais esperança.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Crime 101 - o que esperar deste thriller policial protagonizado por Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Halle Berry e Barry Keoghan

 

Crime 101 é um thriller policial escrito e realizado por Bart Layton, tendo sido baseado no livro de Don Winslow. O elenco é constituído por Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Barry Keoghan, Monica Barbaro, Corey Hawkins, Jennifer Jason Leigh, Nick Nolte e Halle Berry.

Espera-se muitas reviravoltas nesta história, onde David (Chris Hemsworth) é um esquivo ladrão cujos assaltos de alto risco têm deixado a polícia intrigada.

Enquanto planeia o maior golpe da sua vida – na esperança que seja o último – o seu caminho cruza-se com o de Sharon (Halle Berry), uma desiludida executiva de uma seguradora, com quem será forçado a trabalhar. E depois temos Orman (Barry Keoghan), um ladrão rival com métodos muito mais perturbadores do que os de David.

À medida que o assalto de vários milhões de dólares se aproxima, o incansável detetive Tenente Lubesnik (Mark Ruffalo) aperta o cerco à operação, aumentando ainda mais a tensão e fazendo esbater a linha entre caçador e presa.

Assim, cada um deles é forçado a enfrentar o preço das suas próprias escolhas e também a perceber que já não há caminho de volta.

© 2025 Amazon MGM Studios Content Services LLC

Primeiramente, vamos falar do grande protagonista em ação que é o David, um homem misterioso e charmoso que é uma pessoa com segredos e é impossível de rastrear. Ele é um ladrão de alta escola que prefere os carros americanos antigos e tem um visual elegante.

Os alvos dele são joias, dinheiro e objetos valiosos, sendo que em cada roubo, ele sabe exatamente o que transportar e quando. Além disso, David não deixa ser apanhado, pois não deixa ADN e entra e sai em segundos. Porém, por mais calculista, intimidante e inteligente que possa ser, não consegue evitar de criar um padrão. Apesar de executar planos eficazes e ser sempre atento aos detalhes, principalmente quando faz ocasionalmente desaparecer bens de alto valor, um dos seus padrões é que ataca sempre ao longo da autoestrada 101 e ninguém se magoa.

Depois chega um dia em que ele sente que algo está errado com o seu próximo assalto. Será que está prestes a quebrar as suas regras? Uma coisa é certa! O Tenente Lubesnik é o único que está a chegar perto de o encontrar.

© 2025 Amazon MGM Studios Content Services LLC

Este Detetive Tenente Lubesnik é daqueles agentes da lei que a pessoa cria uma empatia imediata, pois consegue ser engraçado com o seu humor subtil, enquanto é esperto e perspicaz a seguir, cada uma das pistas destas séries de crimes de roubo de joias que têm estado a acontecer na cidade de Los Angeles, e que parece que não têm prazo para terminar. Ele até pode ser o menos bem-sucedido da sua equipa, mas não se deixa influenciar tanto pelas pessoas, como por toda a corrupção ao seu redor. E de seguida, basta um instinto para sentir que está mais próximo de capturar David.

Mark Ruffalo está de parabéns, porque faz um ótimo trabalho a desempenhar este agente que cativa qualquer um! Apesar de ter durado pouco tempo, foi muito interessante assistir à dinâmica natural entre Mark Ruffalo e Chris Hemsworth que proporcionaram boas cenas. E acho que teria sido benéfico se tivesse havido mais cenas protagonizadas por esta dupla. Também existiram cenas em que uma simples troca de olhares entre eles dizia muito mais do que umas meras palavras. Por isso, espero que no futuro possamos ver estes dois atores a partilharem o ecrã mais uma vez!

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De seguida, é relevante salientar a personagem interpretada por Barry Keoghan, onde ele dá vida a Orman, um ladrão que é adversário do protagonista e que é inteiramente imprevisível e irritante, chegando a um ponto que nunca sabemos o que ele vai fazer. E também dá para perceber desde o início que este louco está sempre a causar problemas e não tem limites.

Já Halle Berry rouba as atenções sempre que entra em cena com a sua Sharon, entregando uma excelente prestação. Sharon trabalha há 11 anos para a mesma empresa, é vice-presidente quando já devia ser sócia e ainda considera que é muito boa a ler pessoas. Depois dela conhecer David e ele lhe apresentar uma proposta de negócio, então ela começa a ponderar as suas opções, porque chegou o momento de ela lutar contra o preconceito que sofre constantemente naquela empresa. E assim, agir perante o seu superior e mostrar o seu valor.

Crime 101 é um thriller policial muito sólido e fantástico que é repleto de suspense, tensão e sequências de cenas de ação explosivas que traz de volta àqueles filmes clássicos de policiais americanos. Neste caso, foi transformado numa versão mais moderna que resultou na perfeição. Infelizmente, já não estamos tão habituados a ver thrillers de crimes deste tipo que não têm sido produzidos com tanta regularidade. E por isso, foi mesmo bom matar saudades.  

A cinematografia é excelente, na qual apresenta, através de ótimos ângulos de filmagem, a atmosfera de Los Angeles de um modo eficiente, enquanto capta aquela sensação de solidão que existe muitas vezes nestas cidades grandes. Depois nesta história intrigante que é cheia de autenticidade e com uma boa dose de caos e sacrifícios, havia sempre algo a acontecer e a pessoa acaba por sentir muito mais suspense do que a ação em si. E ainda, fica a torcer para que o protagonista não seja apanhado.

No entanto, houve falta de desenvolvimento principalmente em relação ao protagonista e até tivemos personagens que não acrescentaram grande coisa à trama, fazendo com que estes se tornassem facilmente esquecíveis. Não é algo que incomode, porque acaba por passar um pouco ao lado e o foco é noutro lugar.

© 2025 Amazon MGM Studios Content Services LLC

Mesmo assim, Crime 101 proporciona um entretenimento intenso e interessante com um estilo próprio que surpreende pela positiva e é extremamente satisfatório. Desde o seu trailer que prometeu muito e que depois, juntamente com o desempenho forte do seu elenco, entregou tudo! Um dos seus destaques vão para as suas sequências de ação que incluíram uma perseguição a alta velocidade muito bem realizada. E é empolgante acompanhar como um determinado crime consegue conectar e unir todas estas personagens, e também como pessoas que crescem no caos, podem ter a capacidade de criar ordem.

Este filme com um tom mais moderno é uma grande adição para o género de thrillers policiais e é um dos meus filmes favoritos de 2026! E para além disso, tenho a certeza que os fãs de filmes de crimes, suspenses e policiais vão adorar!

Por isto tudo, Crime 101 merece o seu devido reconhecimento e é daquelas produções que consegue marcar à sua maneira e que não podem perder!


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Filme "One Battle After Another" é um espetáculo de cinema implacável e verdadeiramente americano

 

Chegou um dos grandes filmes de 2025! One Battle After Another (Batalha Atrás de Batalha, como título em português) é realizado por Paul Thomas Anderson, um dos mestres mais aclamados na realização da atualidade.

O elenco reúne o trio Leonardo DiCaprio, Sean Penn e Benicio Del Toro, sendo que se juntam a eles, Regina Hall, Teyana Taylor, Chase Infiniti, Wood Harris e Alana Haim.

Esta é a história de Bob (Leonardo DiCaprio) que vive há anos em fuga, tentando deixar para trás um passado feito de confrontos e perdas. Mas, quando o destino o obriga a regressar, descobre que há batalhas que não podem ser evitadas. Entre memórias que assombram e inimigos que regressam mais fortes, Bob terá de enfrentar a luta definitiva: proteger a filha Willa (Chase Infiniti) e descobrir até onde pode ir um pai pelo amor à família.

Aqui temos Bob, um sobrevivente e um talento nato para explosivos que fez parte de um grupo revolucionário. Mas, que depois teve de desaparecer e assumir uma nova identidade, tornando-se assim, em alguém tão paranoico e convencido de que mais cedo ou mais tarde, o seu passado lhe irá fazer uma visita.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

One Battle After Another é uma viagem intensa, explosiva e completamente caótica de sobrevivência, amor incondicional e redenção, tendo sido envolvida num tom humorístico bem peculiar. E que se transforma numa obra cinematográfica extraordinária, em que cada uma das suas cenas é perfeitamente executada.  

Esta é daquelas produções em que a pessoa pode esperar pelo inesperado, principalmente em termos técnicos. Uma das cenas de maior destaque vai para a perseguição que parecia que nunca mais acabava e que trouxe uma sensação imediata de que estávamos realmente a perseguir o carro em frente, chegando a um ponto que se podia sentir algumas tonturas, devido às características da estrada e pelo ritmo da cena ser mais acelerado.  

Este é um drama psicológico poderoso com um visual brilhante e arrebatador que é repleto de violência, sendo constituído por uma narrativa impactante que mostra a fragilidade da humanidade, enquanto mistura bons momentos de ação e de suspense, onde não faltou diferentes combinações de comédia. Nesta história com relevância política, revolta e cheia de conflitos e tensão, onde o ser humano é constantemente testado e até traído, também iremos ver que cada detalhe importa e tudo é desenvolvido com criatividade e inteligência.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

O elenco foi bem escolhido, sendo que num geral, as dinâmicas entre as personagens foram equilibradas e engraçadas de se observar. Um desses exemplos vai para as personagens desempenhadas por Leonardo DiCaprio e Benicio Del Toro que tiveram cenas que trouxeram um lado mais descontraído a esta história arrojada. Já Chase Infiniti que se estreava no grande ecrã foi uma ótima surpresa no trabalho que teve com a sua Willa, sendo que as suas cenas partilhadas com a personagem arrogante e perigosa interpretada por Sean Penn prenderam a atenção. No entanto e infelizmente, houve personagens que não tiveram grande interesse e que até se tornaram irritantes sempre que apareciam no ecrã.    

One Battle After Another é um filme ousado e uma aposta acertada com uma excelente qualidade que proporciona ao espetador uma adrenalina imediata com todo o caos envolvido e o perigo no qual as personagens se vão encontrando. Aqui é-nos mostrado um mundo semelhante ao nosso atual, onde neste caso, temos uma revolução composta por elementos extremamente dedicados à sua causa que se sacrificaram e atingiram significativamente os seus alvos, levando a que fossem bem-sucedidos por algum tempo. Enquanto isso, transmite a mensagem de que há batalhas de que não podemos escapar e mostra que quando temos um propósito e estamos a lutar pela nossa família surge uma capacidade única de determinação para fazer o que for preciso.

Este é absolutamente um espetáculo de cinema implacável e verdadeiramente americano que apresenta o peso da realidade e é acompanhado por uma ótima banda sonora que traz o tom certo em cada uma das suas cenas. E também é um dos maiores filmes de 2025, cuja experiência precisa de ser vivida em IMAX® e que merece o devido reconhecimento.