Chegou
o momento de Disclosure Day (O Dia da Revelação, como título em português),
uma nova descoberta que promete muita ficção científica. É realizado por Steven
Spielberg, o cineasta que redefiniu o imaginário coletivo sobre a vida
extraterrestre.
O elenco é
composto por Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Eve Hewson, Colman
Domingo, Wyatt Russell e Henry Lloyd-Hughes.
Já
a banda sonora fica a cargo do lendário compositor John Williams, assinalando
assim, a 30ª colaboração com Steven Spielberg e reforçando o estatuto do filme
como um dos grandes eventos cinematográficos do ano. No argumento, temos Steven
Spielberg e o David Koepp que se reúnem para mais uma produção.
Neste
caso, temos a apresentação de uma história original sobre o momento em que a
humanidade é confrontada com a prova definitiva de que não está sozinha no
universo.
Agora
e se, de um momento para o outro, o mundo inteiro soubesse? E se a verdade — aquela
que governos e agências mantiveram em segredo durante décadas — fosse
finalmente revelada a sete mil milhões de pessoas em simultâneo.
Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo
Margaret (Emily Blunt), meteorologista, está
no ar numa transmissão em direto quando sinais e padrões de comunicação
anómalos começam a interromper as emissões de todo o mundo. Daniel (Josh
O’Connor), especialista em cibersegurança, deteta simultaneamente a origem dos
sinais — e percebe que se trata de inteligência extraterrestre. Juntos, os dois
investigadores arriscam tudo para trazer a verdade ao público.
Do
outro lado da barricada, uma figura de autoridade (Colin Firth) tenta a todo o
custo impedir a divulgação — convicto de que a revelação provocará o colapso da
ordem mundial. Disclosure Day não é apenas um filme sobre extraterrestres:
é uma pergunta sobre o que acontece à humanidade quando a maior mentira de
sempre deixa de ser sustentável.
Desde
o início que é colocada a questão. Se houvesse provas a comprovar que afinal
não estamos sozinhos, então como seria a nossa reação? Será que ficávamos
assustados? Ou, simplesmente aumentava a nossa curiosidade em querer saber
mais?
O
maior foco é explorar o impacto global da revelação da existência de vida
alienígena, enquanto deixa em aberto, grande parte da narrativa, para assim, preservar
o mistério.
Já
imaginaram como seria alguém, como Margaret estar numa emissão em direto
e é subitamente afetada por estranhos sons e padrões de comunicação? Automaticamente
se pensaria que algo estaria errado, não é verdade?
Enquanto
isso, outras pessoas lidam com sinais inquietantes e imagens enigmáticas.
Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo
Disclosure
Day é um espetáculo
visual impressionante e impactante, que entrega uma mensagem poderosa e intensa
sobre o valor da empatia, verdade, espiritualidade, humanidade, comunicação, fé
e como não se deve perder a esperança. E tudo é feito com uma grande
generosidade e compaixão, por parte de Steven Spielberg, que é acompanhado por
uma banda sonora estrondosa da responsabilidade do lendário John Williams. Uma
banda sonora que amplifica o tom misterioso da narrativa.
A
experiência em si é imersiva e envolvente, sendo que há momentos que conseguem
ser tão inquietantes e emocionantes. O filme desperta aquela curiosidade
genuína sobre o desconhecido e nos faz questionar e refletir sobre o que
realmente existe para além daquilo que conhecemos. Isso foi uma das partes que mais
me cativou.
Depois,
a forma como os acontecimentos são apresentados faz com que tudo pareça muito
familiar com a nossa realidade. Como se aquela revelação pudesse acontecer a
qualquer momento. E isto, fosse um tipo de preparação para nos aproximar,
melhorar os meios de comunicação e ter noção, do que poderia ocorrer, caso
fosse na vida real.
Um
dos maiores impactos é sem dúvida, os 20 minutos finais, no qual nos tira o
fôlego e nos deixa perplexos e completamente sem palavras. Parecia que estávamos
realmente a assistir a um telejornal, que estava a acompanhar uma descoberta
histórica em tempo real. E depois estarmos a vivê-lo com a mesma intensidade do
que as personagens. Para quem cresceu fascinado por estes temas relacionados
com os extraterrestres, aqueles momentos finais fazem-nos sentir que fazemos parte
de algo muito importante. E de que não estamos sozinhos.
Além
disso, há que destacar a performance espetacular, cativante e emocionante de
Emily Blunt. Ela brilha em cada cena e rouba todas as atenções. Basta um
simples olhar para criarmos uma empatia imediata por ela. Este é um dos
trabalhos mais marcantes da sua carreira e ela merece todos os aplausos e
reconhecimento.
Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo
Em
relação à história, tem as suas imperfeições e deslizes. Poderiam ter mostrado
e aprofundado mais detalhes sobre a vida alienígena e a sua tecnologia. E houve
alturas que parecia que se estava a arrastar e até poderia ter tido mais ação.
O
final deixa-nos com aquela sensação de que ficámos pendurados e que haveria
mais para apresentar. Acredito que todo o filme também quer que tenhamos a
nossa própria interpretação. Mas, sinto que terminou na altura errada. Pois,
deram a entender de que haveria mais para contar.
Disclosure
Day é um thriller de sci-fi
com um ar vintage que é envolvido em mistério, conspiração, perseguições,
aventura, ação e suspense, no qual é preciso ter um pouco de tempo para se
processar. A cinematografia, edição, som, cenografia e efeitos especiais estão
fabulosos. Todo o elenco faz um ótimo trabalho e temos boas sequências de ação.
É mais um clássico de Steven Spielberg sobre alienígenas que nos deixa a pensar.
É
uma perspetiva diferente e mais surreal daquilo que estamos habituados a ver em
filmes sobre extraterrestres. Aqui, eles não apresentam qualquer ameaça e
simplesmente querem criar contacto e quem sabe, gerar um tipo de ligação. E para
os humanos, apresentam-se em formas familiares.
Este
filme é uma viagem intrigante que diverte e transmite que todos merecem saber a
verdade sobre a existência de vida fora do planeta Terra. E torna-se numa luta
desesperada para que isso se concretize, onde não vão faltar conflitos, questões
morais, perguntas que precisam de respostas e peças de um puzzle que precisam
de ser encaixadas.
Pode
dividir opiniões, mas é daquelas produções com um storytelling que nos
faz sentir algo, cria discussões interessantes e que deve ser vista sem
julgamentos. E também contém uma mensagem que merece muito ser ouvida.
De
um modo geral, Steven Spielberg continua a ser um mestre no cinema, fez um trabalho
mágico e conseguiu entreter o espetador. E até parece que ele sabe de algo que
não sabemos.
Para mim, quando temos um novo filme de Steven Spielberg é uma espécie de celebração. E somos mesmo sortudos, em viver na mesma altura em que o Steven Spielberg está a fazer filmes.









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