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domingo, 12 de setembro de 2021

Série "Queen of the South", protagonizada por Alice Braga - a história intrigante e viciante de Teresa Mendoza que se tornou na rainha do seu próprio cartel de drogas

 

Queen of the South (Rainha do Sul, como título em português) é uma série de ação, drama e suspense que é um original do canal USA Network composto por cinco temporadas que estreou em 2016. Esta produção foi criada por Joshua John Miller e M.A. Fortin, sendo baseada no romance La Reina Del Sur, de Arturo Pérez-Reverte e podemos ver tanto no canal português Fox Life como também na Netflix. 

A história explora a luta da poderosa Teresa Mendoza (Alice Braga) que após o assassinato inesperado do seu namorado traficante no México é obrigada a fugir para os Estados Unidos da América (EUA). Já no país americano, ela junta-se a uma figura improvável do seu passado para destruir o cartel de droga que a obrigou a fugir. Ao longo da sua jornada, Teresa aprende o que for preciso para garantir a sua sobrevivência e se tornar a líder do seu próprio cartel.

O elenco é constituído maioritariamente por Alice Braga (Teresa Mendoza), Veronica Falcon (Camila Vargas), Justina Machado (Brenda Parra), Peter Gadiot (James Valdez), Hemry Madera (Pote Galvez), Joaquim de Almeida (Don Epifanio Vargas), Jon-Michael Ecker (Guero), Nick Sagar (Detetive Alonzo Loya), Molly Burnett (Kelly Anne Van Awken), Joseph T. Campos (Boaz Jimenez), Ryan O’Nan (King George) e Alfonso Herrera (Javier Jimenez).

Divulgação: USA Network Media

O que não falta são produções a desenvolverem histórias que estejam relacionadas com o mundo da droga, mas esta série tem uma diferença significativa relativamente às restantes, porque é focada numa protagonista feminina que conseguiu alcançar poder, onde teve de passar por um caminho cheio de perigos, desafios e dificuldades para chegar ao seu objetivo.

Temos a oportunidade de acompanhar a luta constante para chegar ao seu objetivo, as suas motivações e todos os passos que tiveram de ser tomados para que Teresa Mendoza conseguisse se tornar numa referência e numa autêntica líder e rainha de um cartel de drogas que não tem um minuto de descanso, mas que conquistou o respeito de muita gente.

Pode conter spoilers!

Divulgação: USA Network Media

Teresa é uma jovem mexicana que é lutadora, inteligente, perspicaz e muito inteligente que nunca teve a vida muito fácil desde que se conhece, sendo que passou grande parte do seu tempo a viver sozinha e a não depender de ninguém. A vida dela está prestes a mudar! Ela vai ter de se deslocar para os EUA e trabalhar para um cartel que é responsável pela morte do seu namorado, Guero. Assim, Teresa utiliza um bloco de notas misterioso que irá ser bem útil para ela, ao mesmo tempo que coloca em prática tudo o que vai aprendendo e todo o conhecimento que vai adquirindo para sobreviver e até para criar novas alianças que serão fundamentais para construir mais tarde o seu império. Afinal como é que esta jovem se tornou numa das maiores traficantes de drogas do mundo?

Divulgação: USA Network Media

Esta é uma mulher independente que se adapta às circunstâncias da vida e vai aprender todos as ferramentas e os segredos do ofício que é como tudo funciona no negócio do tráfico de drogas e como é a vida de um cartel, sendo que irá ser explorada e traída, passar por vários tipos de traumas, acumular inimigos por onde passa e até cruzar-se no caminho de pessoas sem escrúpulos que têm os seus próprios planos que querem executar e até podem vê-la como uma possível ameaça, tendo assim, a intenção mais provável de a prejudicar ou de a matar.

Na série é Teresa Mendoza que narra a sua vida antes de se tornar numa chefe de um cartel de droga, mostrando como conseguiu construir o seu império e expõe a sua própria perspetiva, sendo que vamos conhecendo o que foi preciso acontecer para que ela se transformasse numa versão diferente de si mesma e aquela que nos foi apresentada no primeiro episódio ou seja, uma líder nata no tráfico de drogas. É impressionante tudo aquilo que esta Teresa teve de passar para chegar onde queria e podemos ver no seu rosto, todo o peso que ela tem sentido em cima de si, devido a ter sido capturada, presa e torturada, todo o sofrimento e dor de que foi vítima e todas as escolhas que teve de fazer.  

Divulgação: USA Network Media

Apesar de tudo o que lhe aconteceu, Teresa está disposta a sacrificar-se por quem mais ama, tem um código moral e gosta de seguir o seu bom coração que influencia muito cada uma das suas decisões e pode afetar o seu percurso, relativamente aos objetivos que pretende. Mas por vezes, apesar de ter momentos em que é muito ingénua, esta mulher tem de fazer o que for necessário para que a levem a sério, mesmo que esteja relacionado com quem lhe seja mais próximo e vai ter ao seu lado, soldados que são leais a ela, aconteça o que acontecer.

Desde o início, Teresa Mendoza tenta sobreviver e quer melhorar e controlar a sua vida. Ela está determinada a vencer à sua maneira e não desiste, mesmo que esteja sempre em perigo, não tenha sossego e tenha de se tornar na chefe de um poderoso cartel e numa das mulheres mais influentes do tráfico de drogas. Esta não vai ser uma vida fácil para ela, porque vai ter de mostrar o seu valor e ser forçada a tomar decisões difíceis e rápidas que nem sempre concorda, mas sabe que têm de ser feitas e também vai estar a ser constantemente perseguida seja pelos seus inimigos ou até pela polícia.

Divulgação: USA Network Media

Alice Braga tem um papel de destaque e brilha nesta história num desempenho incrível e notável, onde foi a escolha adequada para interpretar uma protagonista credível, forte e com um bom sotaque que tem as suas vulnerabilidades, sendo que fez uma excelente construção desta personagem complexa, principalmente a nível emocional, em que entregou e deu tudo o que era preciso para que o público se identificasse com Teresa Mendoza e tivesse empatia por ela.   

Ao longo desta sua jornada, Teresa vai conviver com pessoas muito perigosas e consegue ser convincente por mais cruel que seja a pessoa e é esperta o suficiente para negociar numa forma em que todos ficam a ganhar, criando assim, uma certa influência com quem cria alianças. Para além disso, ela terá de adquirir novos territórios para expandir o seu negócio e de arranjar diferentes formas para distribuir o seu produto que pode incluir o suborno, porém para isso acontecer, ela tem de analisar tudo aquilo que está ao seu redor.

Divulgação: USA Network Media

Como referido anteriormente, Teresa tem de procurar refúgio nos EUA, onde se une a Camila Vargas, uma mulher poderosa que quer destruir o cartel mexicano liderado pelo seu marido, Don Epifanio que é o governador do México e também foi o responsável pela morte de Guero. Apesar de serem casados, Camila e Epifanio não se dão muito bem e têm uma rivalidade entre si, relativamente a territórios que utilizam para os negócios da droga.

Divulgação: USA Network Media

Depois de conhecer Guero, ela teve a chance de ter uma vida de luxo que é garantida para quem tem um cargo importante num cartel de drogas que era o caso do seu namorado e depois dele ser assassinado pela própria organização, Teresa tem que guardar um segredo muito importante ao mesmo tempo que quer vingar-se e liderar este cartel. Durante o período em que passou com Camila e enquanto o Don Epifanio procura por si por ela saber informações valiosas que podem prejudicar o governador, Teresa conheceu James Valdez que acabou por criar uma ligação muito especial com quem tem uma química evidente e que vai passar por um relacionamento cheio de altos e baixos.

Divulgação: USA Network Media

No primeiro episódio da série surge Teresa Mendoza como a líder de um cartel poderoso com uma vida luxuosa que leva um tiro e não se sabe nem quem foi o responsável, nem a razão pela qual isto aconteceu. É a partir daí que a história volta atrás e é contado como é que esta protagonista chegou a este momento específico e o que teve de descobrir por si mesma. Ela não chegou ali por acaso e muita coisa aconteceu. Foi um conjunto de acontecimentos, aprendizagens e conquistas que foram vitais para que ela tivesse uma transformação inédita e uma força e resiliência suficiente para continuar a seguir em frente, mas que começou pela sua paixão enquanto jovem por um membro de um cartel mexicano.

É interessante que inicialmente mostraram o objetivo alcançado da protagonista e o lugar que conquistou neste mundo e depois voltarem ao início da sua jornada para se acompanhar a sua ascensão e como foi a sua trajetória desde que era uma jovem pobre que lutava para sobreviver até aquele momento específico que tinha tudo o que ela alguma vez poderia imaginar e o seu próprio império de drogas.

Para além disso surgem situações em que ela tem as suas dúvidas e não sabe bem o que deve fazer, mas ela não está sozinha, pois tem uma versão de si mesma que fala com ela e lhe ajuda a pensar e a dar a força necessária para fazer o que for preciso e as bases para que ela encontre as respostas que precisa. Pode ser um simples instinto de sobrevivência que ela tem quando corre perigo e até teme pela sua vida, mas que faz toda a diferença para que Teresa se foque naquilo que é mais importante.

Divulgação: USA Network Media

Para além de Teresa, na minha opinião existem duas personagens emblemáticas que se destacam, cada uma à sua maneira que é o Pote Galvez e King George, interpretado respetivamente por Hemry Madera e Ryan O’Nan. São soldados leais, divertidos e de confiança que protegem Teresa a todo o custo, mas que também criam uma relação de cumplicidade e de amizade com ela, fazendo parte da sua família e que estão presentes, sempre que ela precisa.

Divulgação: USA Network Media

Temos a oportunidade de acompanhar o trabalho de atores portugueses que desempenharam papéis interessantes e bem desenvolvidos na série. Falamos de Pêpê Rapazote que interpreta o traficante cubano Raul “El Gordo” Rodriguez que veio de Miami e tem ligações perigosas com os criminosos mais temidos da Costa Leste e se vai apresentar como uma ameaça a Teresa e o vilão da quarta temporada, caso ela não tenha cuidado. Depois temos Joaquim de Almeida que faz a pele de Don Epifanio, um dos seus principais adversários e que foi o responsável para Teresa ter resolvido pertencer a um cartel de drogas e mais tarde, construir o seu próprio negócio.

Divulgação: USA Network Media

Esta é uma história intrigante e viciante com momentos emocionantes, obscuros e de tensão que prende desde o início até ao fim repleta de ação, reviravoltas, mistério, revelações, conflitos, dilemas e de surpresas que tem drama, suspense e uma parte mais policial, sendo uma combinação perfeita e realizada de um modo inteligente e organizado e desenrola-se ao seu próprio ritmo, umas vezes mais rápido do que outras, mas completamente indicada a esta série cheia de cenas alucinantes. O mundo das drogas traz perigos associados em que não falta homicídios, perseguições, tiroteios, violência, explosões, bombas, estratégias, dinheiro, poder, corrupção, traição, vingança e guerra. Mas a história também explora a criminalidade, o preconceito, a independência financeira, a criminalidade, o sexo, o luxo, a lealdade, a representação da mulher como latina que também pode ser líder do seu próprio negócio e referências à religião.

Apesar de ser uma das melhores séries que vi deste género e de estar na lista das minhas preferidas, haviam partes que poderiam ter sido melhor desenvolvidas e aproveitadas, mas não afetaram o final da história em si. Um desses exemplos é a importância das personagens latinas que fazem parte desta história falarem no seu idioma original e não em inglês, pois acaba por ser menos realista e cria uma falta de equilíbrio, perdendo assim, o sentido para a própria narrativa.  

Mesmo assim, o que vale foi aquilo que conseguiu trazer para o público que fica com vontade de participar nas escolhas das personagens e assim, começa a criar as suas próprias teorias, envolvendo assim, o espetador com a história e criando empatia com a mesma, torcendo para que as suas personagens favoritas sobrevivam e consigam alcançar a sua versão de final feliz. 

Divulgação: USA Network Media 

Queen of the South é uma série dinâmica e interessante com um charme especial que tem um resultado final satisfatório e com diálogos bem engraçados. Não se vão arrepender, sendo que é comparada inevitavelmente a uma versão feminina de Narcos, em que finalmente surge a história da vida de uma mulher que se torna a líder de um cartel de drogas e faz o que for preciso para sobreviver. Esta é uma boa fonte de entretenimento e uma ótima aposta que utiliza cenas tanto de flashforwards como de flashbacks que tem o efeito de surpreender em determinados episódios e através de cliffhangers empolgantes e imprevisíveis, mesmo quando não estamos à espera, deixando a pessoa na expetativa, curiosa com o que vai acontecer de seguida e até preocupada com o destino de algumas personagens e é indicada para quem gosta deste género de histórias que tem um elenco que fez um ótimo trabalho a representar personagens bem carismáticas e que conseguiram criar um impacto positivo para o desenvolvimento da história.


domingo, 10 de maio de 2020

Série "Stumptown" - uma investigadora privada que trabalha à sua maneira e sem regras


A série "Stumptown" é o trabalho mais recente de Cobie Smulders, que estreou em Setembro de 2019, no canal ABC. Em Portugal, a série é transmitida atualmente pelo canal FOX Life. Atualmente é constituída por uma temporada, com 18 episódios, pois ainda não há notícias se esta história será ou não renovada para uma nova temporada. É baseada na banda desenhada de Greg Rucka, Matthew Southworth e Justin Greenwood, que tem o mesmo nome, e foi adaptada por Jason Richman, nos quais também é produtor, juntamente com Cobie Smulders. 

Conta a história de Dex Parios (Cobie Smulders), uma ex-militar incapaz de manter um emprego e tem um vício de jogo, que acaba por trazer-lhe problemas e dívidas. Sofre de stress pós-traumático, depois de ter servido missões para o exército, no Afeganistão. Antes de terminar a sua última missão foi ferida, devido a uma explosão improvável que acabou por matar o seu namorado. Desde então, sente-se responsabilizada por aquilo que aconteceu, mas acaba por lidar com essa situação, através do seu gosto por cerveja e whisky.  Um dia resolve tornar-se numa detetive privada para combater criminosos e fazer justiça pelas suas próprias mãos. Com a ajuda de um detetive da polícia de Portland chamado Miles Hoffman (Michael Ealy) terá as informações necessárias para resolver as suas investigações. Terá o apoio do seu melhor amigo, Grey McConnell (Jake Johnson) e também do seu irmão Ansel (Cole Sibus), mas não será nada fácil seguir este trabalho, pois vão ser muitas as preocupações que vai ter no caminho e aprendizagem que é ser uma boa investigadora privada.

O elenco desta série é constituído por: Cobie Smulders (Dex Parios), Jake Johnson (Grey McConnell), Michael Ealy (Miles Hoffman), Cole Sibus (Ansel), Adrian Martinez (Tookie), Tantoo Cardinal (Sue Lynn Blackbird) e Camryn Manheim (Tenente Cosgrove).  

Esta é uma série que tem drama, momentos de comédia e diversão, nos quais vemos, a protagonista atrapalhada em alguns dos casos que tem nas suas mãos.


Dex é uma personagem com uma personalidade muito complexa, pois acaba por ter atitudes impulsivas, sem pensar nas consequências. Tem um instinto de sobrevivência próprio, devido ao tempo que passou como militar no Afeganistão. Mas a sua vida nunca mais foi a mesma, desde que o seu namorado morreu numa explosão, acabando por percorrer um caminho longo de auto-destruição, nos quais não conseguia manter um emprego e onde também obteve um vício em jogar em casinos, levando a que acumulasse muitas dívidas. Nem sempre consegue lidar com os seus problemas, como por exemplo, o seu stress pós-traumático e quando tenta opta por beber cerveja ou whisky

Para além disso, Dex tem um lado mais sensível, principalmente quando está com o seu irmão Ansel e acaba por protegê-lo mais do que devia. Ansel tem síndrome de Down, mas não é por isso que deixa de viver a sua vida. É um rapaz muito inteligente, que apoia a irmã quando ela necessita e trabalha num bar, como empregado de mesa, com o objetivo de tornar-se numa pessoa independente. Achei muito interessante incluírem um ator com este diagnóstico, pois demonstraram não ter qualquer tipo de preconceito e darem oportunidade ao Cole Sibus, que está de parabéns pela sua interpretação de Ansel

Ansel é uma personagem que cria empatia com o espetador pela sua maneira de ser e pela sua simplicidade. É responsável, criativo e um trabalhador exemplar, ao contrário da sua irmã Dex.

Uma das minhas partes favoritas desta série é a relação entre Dex e Grey. É engraçado ver as cenas que são partilhadas entre eles, que mostram tanto um lado dramático, como um lado mais cómico. Grey é o melhor amigo de Dex e que esteve preso, mas quando saiu em liberdade, resolveu abrir um bar chamado Bad Alibi, nos quais, é o espaço favorito de Dex, onde ela bebe cerveja ou whisky sem pagar. Apesar de terem tido um caso, quando se conheceram, isso não estragou a amizade entre os 2, que acaba por ser uma relação complexa, mas bonita de se acompanhar. Grey acaba por ser o apoio moral de Dex, que lhe abre os olhos e tenta ajudá-la a não meter-se em sarilhos e ao mesmo tempo, também dá apoio a Ansel.       

Dex decide seguir uma carreira como investigadora privada que acaba por tornar-se um desafio, pois ela não é uma pessoa de seguir regras, acabando por ter uma relação mais difícil com a polícia, principalmente quando ela faz o trabalho sujo. Ela é perspicaz, mas por vezes atrapalha-se em algumas das situações que vão acontecendo ao longo dos episódios. Possui muitas habilidades, que utiliza quando são necessárias, mas que nem sempre resultam da melhor forma, colocando-se várias vezes em perigo. A sua especialidade é encontrar pessoas desaparecidas, que acabam por ser os casos principais que ela aceita. 

Apesar de ter um feitio complicado, Dex tem a parceria de Miles Hoffman que sendo detetive da polícia de Portland consegue ajudá-la a obter informações, que ela não consegue descobrir sozinha. Mas também Dex irá ajudar Miles a resolver algumas das investigações da polícia, pois ela acaba por ter uma abordagem completamente diferente, que nem sempre é bem aceite pela superior de Miles e que o público não está habituado a ver. 

Esta é também uma série que mostra a relação complicada entre Dex e Sue. Sue é dona de um casino, líder de uma comunidade privada e a mãe de Benny, o namorado de Dex, que morreu numa explosão no Afeganistão. Esta é a líder do mesmo casino, onde Dex joga e foi acumulando muitas dúvidas. Sendo uma mulher respeitada e temida por todos, acaba por ter um lado mais compreensivo com Dex e acaba por ajudar quando ela mais precisa.

Esta acaba por ser uma história que mostra a aprendizagem que Dex vai adquirindo, enquanto detetive privada, todas as dificuldades que vai passando e a ligação que alguns dos casos podem ter com o seu passado. 

Considero que Stumptown mostra um lado diferente na representação de Cobie Smulders e seja uma série que deixa o espetador curioso com a história da mesma, nos quais o passado de cada personagem pode sempre bater à sua porta. Também tem um pouco de comédia à mistura, mas sem dúvida que esta é uma boa forma do público divertir-se e passar o tempo, com as atitudes e ações imprevisíveis de Dex Parios.     

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Série "Empire" - uma série empolgante que tem dado muito que falar e que não teve um final merecido devido ao Coronavirus


Considero que esta série da Fox seja uma das melhores na categoria de drama musical existentes até hoje. Criada e produzida por Lee Daniels e Danny Strong, este drama estreou em 2015 e é constituída por 6 temporadas, nos quais os 2 últimos episódios da última temporada da série não chegaram a ser filmados devido à pandemia do Coronavirus, tendo assim um final inesperado. Atualmente podem ver a série na plataforma do Disney +

Sendo uma série com conteúdo musical, a responsabilidade da criação de diversas músicas originais foi do rapper Timbaland, nos quais participou tanto na composição como na produção musical das mesmas.  

Empire desenrola-se na cidade de New York e conta a história da vida de Lucious Lyon (Terrence Howard), que para além de ser um rapper reconhecido e vencedor de diversos prémios na área da música, é também o dono da Empire Entertainment, uma editora discográfica que possui os maiores artistas da indústria da música. Assim que é diagnosticado com uma doença, Lucious informa os filhos que necessita de escolher o sucessor para a sua empresa e para isso acontecer cada um terá de mostrar a sua capacidade em liderar Empire. Ao mesmo tempo, a sua ex-mulher, Cookie (Taraji P. Henson) sai da prisão, após cumprir 17 anos de pena e assim, tem o objetivo de recuperar tudo aquilo que perdeu, como a relação com os seus 3 filhos, Andre (Trai Byers), Jamal (Jussie Smollett) e Hakeem (Bryshere Y. Gray). Também irá ser revelado o passado conturbado de Lucious que lhe permitiu ajudar a garantir o sucesso da sua empresa.


Tem um elenco constituído por Terrence Howard (Lucious Lyon), Taraji P. Henson (Cookie Lyon), Trai Byers (Andre Lyon), Jussie Smollett (Jamal Lyon), Bryshere Y. Gray (Hakeem Lyon), entre outros.  

Apesar da história desenrolar-se na cidade de New York, as filmagens foram realizadas em Chicago e a forma como a cidade é representada na série foi muito bem conseguida. 

Há muito drama envolvido e são várias as disputas que acontecem pelo controle da empresa, seja a nível familiar como a nível de inimigos, que tanto fazem parte do passado de Lucious, como alguns que ele vai criando ao longo dos episódios. Lucious construiu um império do zero e são vários aqueles que tentarão tirar-lhe o trono da sua empresa. Para isso acontecer, teve de cometer alguns crimes e fazer sacrifícios fundamentais para conseguir tudo aquilo que quer. É interessante ver o passado que Lucious tenta esconder, mas que nem sempre tem êxito em o fazer.

Empire criou o seu lugar na história da TV e por isso acabou por tornar-se numa série emblemática para muitas pessoas, nos quais incluíram artistas, tanto do mundo da música, como do cinema. Foram várias as figuras públicas que quiseram ter uma participação na própria história, tais como, Courtney Love, Alicia Keys, Joss Stone, Demi Moore, Cuba Gooding Jr, Anthony Hamilton, Snoop Dogg, Mary J. Blige, Mariah Carey, Chris Rock, Pitbull, Rita Ora, entre outros. Sem dúvida, que tem deixado a sua marca na memória de todos os espetadores. 

Esta é uma série que aborda diversos temas, tais como: drogas; crimes e traições de todos os níveis; homossexualidade; luta pelo poder seja a nível empresarial como a nível político; o amor que um artista tem pela música; lealdade que é partilhada por todos os membros da família Lyon, por mais traições que possam fazer uns aos outros; sede de vingança e de orgulho, violência, doenças, entre outros. Algumas das personagens introduzem alguns destes temas, através da sua própria música, seja num ensaio ou num tipo de atuação. É uma forma bem inteligente de se abordar estes assuntos, que por vezes acabam por ser um tabu para a sociedade. 


Uma das razões pelo sucesso da série, é sem dúvida, as cenas partilhadas pelas personagens do Lucious e a Cookie. Considero que o Terrence e a Taraji estão no top de atores que melhor representam e transmitem a química entre as suas respetivas personagens. Não é fácil, interpretar estas 2 personagens, pois acabam por terem personalidades muito complexas e ao mesmo tempo passam por situações realmente muito complicadas. Estes 2 atores estão mesmo de parabéns pelas interpretações impressionantes que fizeram nestas 6 temporadas. São personagens que cativam ao longo de toda a história e qualquer cena em que eles dividem o protagonismo, deixa o espetador interessado, desde o início até ao fim. 

Empire tornou-se num fenómeno devido também à interpretação brilhante da Taraji P. Henson, com a sua Cookie Lyon. Em 2016 venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz, com este papel. A Cookie é uma personagem com uma personalidade muito forte e com alguns segredos a esconder, mas a sua garra e força fez com que influenciasse muitas mulheres na vida real, a contarem as suas próprias histórias e considero que seja um ponto muito positivo, o facto de haver uma série que fale sobre assuntos que são importantes para a sociedade. 

Um dos pontos positivos desta drama é a forma como a história é construída e desenvolvida, ao longo dos episódios, pois cativa sempre que a pessoa assiste. São várias as reviravoltas, que acabam por ser imprevisíveis e surpreendentes para o espetador, levando a que o interesse se mantenha. 

Admito que há episódios que nem sempre têm a mesma qualidade. Mas isso também acontece devido a algumas interpretações mais fracas de algumas personagens, que às vezes me questionava, qual seria a relevância e importância de ter uma determinada personagem naquele momento da história.

As cenas de música são sem dúvida, algumas das minhas cenas favoritas. O tipo de coreografias criadas e adequadas a cada canção. A forma como cada cena foi filmada também foi bem realizada. 

Para quem gosta de música, Empire é uma série que vale mesmo a pena ver, pois uma das suas principais vantagens é mostrarem como é o procedimento de criar um álbum, tais como as respetivas dificuldades e obstáculos que cada artista tem de passar para conseguir o que quer. Quando se cria uma música, a personagem está a representar um artista, que consegue transmitir o que lhe vai na alma, os respetivos sentimentos sobre situações que estejam a passar no momento e ao mesmo tempo, inseguranças, que tornam as letras de cada canção verdadeiras, sem qualquer tipo de filtros e tabus. Existem todo o tipo de músicas, desde as mais melancólicas, até aquelas que são mais mexidas, que deixa a pessoa com vontade de dançar. 

Empire é daquelas séries que teve os seus altos e baixos. Infelizmente devido à pandemia do coronavirus, as filmagens da última temporada não foram terminadas (dos 20 episódios encomendados, faltavam apenas 2 para terminar as gravações) e o fim da série acabou por ser diferente e inesperado, pois ficaram muitas perguntas por responder. Existe esperança de que um dia possa ser feito um filme, para que seja realizado o desfecho que tinha sido escolhido inicialmente e espero mesmo que aconteça. Apesar disto ter acontecido, os criadores da série tentaram montar um episódio final, de uma forma que não imaginaram que poderia vir a acontecer, mas achei que as últimas cenas filmadas foram bem organizadas.

Para além disto, em 2019, a série acabou por ter alguma publicidade negativa, devido ao escândalo que envolveu Jussie Smollett, onde ele referiu que tinha sido atacado por 2 homens em Chicago e considerou que tinha sido vítima de um crime de ódio e homofobia. Após uma investigação longa, a polícia concluiu que Jussie tinha planeado tudo aquilo, com o objetivo de ter um maior reconhecimento público. Este acabou por ter o seu caso arquivado, nos quais continha 16 acusações, mas devido a esta situação toda, Jussie prejudicou e influenciou toda a história e evolução da série Empire

Considero que os fãs mereciam mais e espero mesmo que um filme seja feito, mas acredito que não seja fácil e que possa vir a acontecer tão cedo, devido aos inúmeros fatores que estão dependentes para a concretização deste projeto. É uma série que me vai deixar saudades e que também vai ficar na minha memória. Para além disso, está incluída no top das minhas séries favoritas, por isso aconselho-vos a ver.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Série "Power" - o fim e o que vai acontecer no futuro deste universo


Apesar da série "Power" não ser muita falada e ter um público-alvo muito específico, eu considero que é uma das melhores séries que vi até hoje. Criada por Courtney Kemp Agboh, produzida pelo rapper Curtis "50 Cent" Jackson e protagonizada por Omari Harwick, Joseph Sikora, Lela Loren e Naturi Naughton, esta é uma série de 6 temporadas, que tem sido transmitida pelo canal Starz. Foi o canal Fox Life responsável por transmitir cá, as primeiras 3 temporadas da mesma. Este fim-de-semana saiu nos EUA o último episódio e foi também revelado qual seria o possível futuro do universo desta série (possíveis spoilers mais à frente).

Esta série conta a história da vida de James St. Patrick (Omari Harwick), com a alcunha de "Ghost" e dono de um clube noturno da cidade de New York. Ele vive uma vida dupla, entre ser um empresário de sucesso e ser chefe de uma das maiores redes de drogas da cidade. O seu principal objetivo é tornar o seu negócio legítimo e dedicar-se à sua família, mas para isso acontecer terá uma longa jornada pela frente, cheia de inimigos, traições, homicídios e vários diferentes tipos de obstáculos, pelo meio.

Na minha opinião, uma das razões pelo sucesso da série foi devido à ligação de companheirismo do "Ghost" com a personagem "Tommy Egan" (Joseph Sikora), que é um grande traficante de drogas e respetivo parceiro. A química que Omari Harwick e Joseph Sikora transmitem através das suas personagens é incrível, que faz com que o espetador esteja do lado dos mesmos, por mais ações ilegais que possam cometer e também mostra como a lealdade é fundamental neste mundo. Por mais traições que possam cometer um contra o outro, irão estar sempre presentes, lado a lado, quando necessário.

Como muitas séries, têm também os seus pontos mais negativos. Há sempre aquelas personagens, que nem sempre trazem o melhor à série e acabam por torná-la um pouco previsível, como é o caso da personagem "Tariq St Patrick" (Michael Rainer Jr.) ou a personagem "Kanan Stark" ("50 Cent"). Foi exatamente o que aconteceu na última temporada da série "Power". O drama desenrolou-se à volta do responsável por dar um tiro a "Ghost", onde em cada episódio é indicado os possíveis motivos pelos quais cada suspeito poderia ser responsável por esta ação. Após ter tido a oportunidade de ter visto o último episódio da série, conclui que o mesmo foi previsível e que quem era o verdadeiro culpado foi sempre o meu palpite.

Apesar da forma como terminou, eu continuo a achar uma das melhores séries de sempre até hoje. E aconselho a verem esta série, se gostarem deste tipo de drama.

Fim de Power, o que vem de seguida para este universo?

Já foram confirmados 4 Spin-offs. O primeiro spin-off chama-se "Power Book II : Ghost", que irá estrear neste Verão e que se desenrola cerca de 48 horas após os acontecimentos finais da série "Power", com a participação de algumas personagens da série original e também com Mary J. Blidge, que vai interpretar "Monet", uma empresária de sucesso em Queens. 

Confirmado recentemente pelo rapper Curtis "50 Cent" Jackson, está "Power Book III : Raising Kanan", que está na fase final de castings e irá desenrolar a história da sua personagem antes dos acontecimentos iniciais da série original.

Por fim mais 2 spin-offs foram confirmados que estão neste momento em desenvolvimento de escrita. São eles "Power Book IV : Influence", que estará relacionado com a personagem "Rashad Tate" (Larenz Tate), que se tornou candidato democrático para se tornar no futuro Governador de New York e "Power Book V: Force", que irá desenrolar a história de "Tommy Egan", depois da sua saída de New York.

Aquele que tenho mais curiosidade em assistir é sem dúvida, o spin-off de "Power Book V: Force", pois a personagem "Tommy Egan" é a minha favorita deste universo todo de "Power". O Joseph Sikora faz um excelente trabalho com esta personagem e todo o desenvolvimento que teve até agora me deixou com grandes expetativas para assistir ao futuro desta grande personagem.

Será que estes spin-offs vão ter o mesmo sucesso que a série original? Isso é algo que teremos de esperar para ver.