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sábado, 31 de outubro de 2026

A Festa de Anos - o que esperar deste drama psicológico protagonizado por Willem Dafoe (Crítica)

Bem-vindos à celebração de A Festa de Anos protagonizada por Willem Dafoe!

Este drama (The Birthday Party, como título original) é realizado por Miguel Ángel Jiménez. Para além de Willem Dafoe, o elenco é composto por Vic Carmen Sonne, Joe Cole, Emma Suárez e Carlos Cuevas.

Esta produção é uma adaptação do romance homónimo do escritor Panos Karnezis.

A história acompanha Markos Timoleon, um rico empresário grego que celebra o 25º aniversário da filha na sua ilha privada. Mas, acontecimentos inesperados colocam o seu poder em risco e abalam os alicerces da sua vida.

Para este homem, a família é o mais sério dos negócios. Ele tem a necessidade de controlar tudo ao seu redor. E a relação de obsessão e de amor com a sua filha não está nos melhores termos.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Aqui temos uma figura autoritária que está habituada a influenciar todos à sua volta e a querer controlar o presente e futuro da própria família. E ainda, a proteger o seu património a todo o custo. Mesmo assim, nem sempre, as coisas decorrem de acordo com os seus planos.

Ele tem o objetivo de sabotar a vida da filha para que não coloque em causa o seu legado. Já a filha, só quer ter uma vida independente do pai.

Perante uma ilha privada no Mediterrâneo, temos uma celebração cheia de segundas intenções e de coisas a esconder que é passada na década de 1970. E que tem os elementos para que possa correr mal.

Divulgação: Pris Audiovisuais

A Festa de Anos é um evento tenso que testa o psicológico, tendo sido envolvido num ambiente de riqueza, luxo, extravagância e cinismo. Também é cheio de relações de conveniência, conflitos familiares, espionagem, ambição, isolamento, corrupção, planos a serem colocados em prática, interesses pessoais e muitos segredos prestes a serem desvendados.

O único destaque mais interessante vai para a interpretação de Willem Dafoe que dá vida a um patriarca frio, calculista e manipulador. De um modo implacável tenta controlar a sua família. E não faltam situações decadentes, em que ele mostra a sua dinâmica de poder e como às vezes, ultrapassa os limites.

Além disso, é-nos entregue uma cinematografia de boa qualidade que mostra a beleza paradisíaca das ilhas gregas. E cria um contraste entre estas paisagens gregas e a atmosfera pesada e paranoica que é captada nesta ilha.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Mesmo assim, a história peca a vários níveis, na qual não dá para ignorar e desviar o olhar, acabando por trazer algo que é mais cansativo, não traz nada de novo e nem transmite qualquer impacto a quem está a assistir. Também existe uma quebra constante no ritmo e um desequilíbrio evidente em termos das músicas escolhidas para a banda sonora.

A Festa de Anos é daqueles filmes que não tem nada de marcante e contém uma narrativa que é facilmente esquecível. Infelizmente, nem Willem Dafoe conseguiu salvar o material adaptado e deu para ver que fez o seu melhor.

Por isso, caso tomem a decisão de ir ver o filme, aconselho a não terem expetativas e simplesmente, aproveitarem para apreciarem as vistas requintadas e estupendas do Mediterrâneo.  


segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Primetime - o melhor deste filme foi o desempenho surpreendente e imparável de Robert Pattinson

Chegou o momento de Primetime realizado por Lance Oppenheim. É aqui que conhecermos Chris Hansen, o homem que mudou a história da televisão!

O elenco é constituído por Robert Pattinson, Merritt Wever, Skyler Gisondo, Matthew Maher, Phoebe Bridgers, Bokeem Woodbine, Sean Bridgers e Anna Faris.

Inspirado em factos verídicos, Primetime leva-nos a 2006, quando Chris Hansen, apresentador de To Catch a Predator, decide fazer história na televisão.

Robert Pattinson veste a pele do jornalista, num retrato dos bastidores de um dos programas de investigação mais controversos da época, onde a linha entre justiça e espetáculo fica cada vez mais difícil de traçar.

O jornalista em questão é Chris Hansen da Dateline NBC. Esta figura era o apresentador do programa, To Catch a Predator, um reality show com audiências recorde que foi um fenómeno. Utilizando câmaras ocultas, este programa caçava predadores, usando um isco para ver se conseguiam apanhá-los em flagrante.

Isto acabava por ser um reality show, no qual estavam a fazer uma reportagem sobre adultos que tentavam aliciar adolescentes online. E que depois tínhamos um apresentador que estava disposto a tudo para livrar o mundo de um mal ancestral.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Apesar da América adorar, ter milhões de pessoas a ver e de ter uma audiência prendida constantemente ao ecrã, inicialmente este programa nunca tinha recebido o devido reconhecimento. Mas, a partir do momento em que foi decidido que seria exibido em Primetime, então isso iria mudar.

Essa mudança também fez com que elevasse ainda mais a fasquia em cada um dos seus episódios, que não eram encenação. Por isso, tinham de fazer uma maior preparação e arranjar forma de chocar o máximo possível. Até podia acontecer que havia alturas que não sabiam bem o que poderia acontecer. No entanto, tinham objetivos muito práticos. Apanhar e limpar o mundo destes predadores, enquanto entregavam um grande produto de entretenimento.          

Tudo era pensado ao pormenor. Uma pessoa da equipa lançava o isco online. Depois, era esperar se conseguiam obter ou não uma resposta do outro lado. E se houvesse, então aí preparavam a armadilha. Uma casa era escolhida e os predadores suspeitos iam ter com eles. De seguida, avaliavam se era ou não só uma conversa. Caso, fosse muito mais do que isso que normalmente era, então o apresentador Chris Hansen entrava em cena para confrontar esse homem e referir que tinha de ser responsabilizado pelas suas ações.  

E se Chris não estivesse lá, o que poderia ter acontecido? Neste caso, essa possibilidade nunca foi apresentada no ecrã.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Primetime tem uma visão muito própria, no qual se inspira em acontecimentos reais para combinar este thriller com um estilo mais documental. Possui uma apresentação que incluiu uma recriação fiel da tecnologia analógica e de transição daquela altura, imitando com qualidade o visual das cassetes de vídeo.

Este filme não é para todos. A história em si é bastante controversa, pois faz-nos questionar a moralidade do programa, das pessoas envolvidas e refletir naquilo que a sociedade realmente quer ver na televisão. E deu para se perceber de que naquela época, graças a este programa, a televisão nunca mais foi a mesma e acabou por fazer história à sua maneira.

O melhor deste filme foi sem dúvida, o desempenho surpreendente e imparável de Robert Pattinson. É uma das melhores interpretações dele e cada vez mais chegamos à conclusão de que ele é um autêntico camaleão.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Robert Pattinson tem tido uma enorme versatilidade em cada uma das suas personagens que vai desempenhando, sendo que é excelente, o facto do público ter a chance de assistir e de ter as expetativas superadas. Já se sabe que para cada papel, ele faz uma preparação minuciosa e aqui não foi exceção. A sua transformação em Chris Hansen foi impressionante, principalmente no sotaque bem específico desta figura televisiva que teve de adotar.

Primetime é um entretenimento imperdível, muito peculiar e com segmentos que prendem a atenção do espetador e outros que podem incomodar. Temos a oportunidade de acompanhar os bastidores de um programa polémico, que nunca se sabe o que se pode esperar. Mas, acho que poderiam ter adicionado mais camadas da personalidade de Chris Hansen fora do seu campo profissional.

Como referido anteriormente, a estrela que se destacou foi mesmo Robert Pattinson. E pela sua performance, vale a pena ver!


domingo, 18 de outubro de 2026

Whalefall é uma obra tensa, dura e por vezes, assustadora que transmite uma sensação constante de claustrofobia (Crítica)

Whalefall (A Queda da Baleia, como título em português) realizado por Brian Duffield é um thriller de sobrevivência, baseado no aclamado romance homónimo de Daniel Kraus sobre o encontro de um jovem com uma enorme baleia-cachalote.

O elenco é constituído por Austin Abrams, Josh Brolin, Elisabeth Shue, John Ortiz, Jane Levy e Emily Rudd.

Nesta história, após a morte do seu pai (Josh Brolin), Jay Gardiner (Austin Abrams) vai mergulhar ao largo da costa central da Califórnia em busca dos seus restos mortais, mas é engolido por uma enorme cachalote. Enquanto está preso no seu interior, com apenas uma hora de oxigénio restante, Jay percebe que os valiosos ensinamentos do seu pai podem ser a chave para a sua fuga.

Há um ano, Jay perdeu o seu pai e continua a querer provar o seu valor. Um dia, ele decide pegar no fato de mergulho e ir para o mar à procura dos restos mortais do pai. E acaba por ter um encontro perigoso com uma baleia.

Para sobreviver, ele terá de fazer o que for preciso para sair do interior desta baleia, enquanto coloca em prática, aquilo que aprendeu com o seu pai.

Whalefall é uma obra completamente nova e diferente que é tensa, dura e por vezes, assustadora. É acompanhada por uma ótima banda sonora e ainda, transmite uma sensação constante de claustrofobia.

Apesar de às vezes ser irrealista, é algo que não incomoda a experiência em si, sendo que é ótimo que haja um storytelling que seja mais renovado e original.

Neste caso, é claro que não passaria pela cabeça de alguém questionar uma situação aparentemente impossível. Mas, esta história faz isso mesmo. Praticamente, desde o início, o espetador é questionado: O que faria se ficasse preso numa baleia? O que faria para escapar? E caso acontecesse, qual seria a reação? Era logo entrar em pânico e simplesmente, aceitar que a morte seria o seu destino? Ou então, tentaria fazer o impossível para sobreviver?

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Desde o início que o espetador embarca numa experiência aterradora, juntamente com a personagem principal que é engolida viva por um cachalote gigantesco. Enquanto isso, mostra como é ser engolido vivo por uma baleia é altamente improvável, mas que aqui, pode ser possível. Da forma como tudo é executado em termos de planos de filmagem, parece que o público também está preso dentro deste animal e há alturas que dá para sentir claustrofobia.

Pelo meio desta narrativa, vão sendo apresentados flashbacks entre Jay e o seu pai. Nestas cenas de flashbacks, ficamos a conhecer um pouco mais sobre o relacionamento complexo dele com o pai. E que nos faz compreender melhor aquilo que o protagonista está a sentir. Como esta figura paterna foi dura com Jay nos seus ensinamentos e no modo como lhe tratava.  

Aqui temos um pai que vai ensinar-lhe todas as ferramentas para quando for importante, Jay saiba o que fazer. E que assim, não deixe o medo impedi-lo de sobreviver.

Depois de uma luta pavorosa com os tentáculos de uma lula gigante, a partir do momento em que Jay entra na cachalote, aí é que começa o verdadeiro desafio de sobrevivência. Ele tem 60 minutos nas suas reservas de oxigénio para sobreviver ao impensável. Para isso acontecer, ele terá de pensar com calma e terá de recorrer ao que o pai lhe ensinou. E também terá de enfrentar o seu passado e luto para que assim, possa seguir em frente.

Isto não é apenas um thriller intenso de sobrevivência. Também é uma história envolvente e emocional que aborda os perigos do oceano, como o oceano não deixa que nada nos falte e a perda de um ente querido. Ainda, de certa forma, desenvolve um tipo de metáfora inesperada para que a própria personagem principal possa lidar com essa mesma perda.

Com Whalefall, há uma certa identificação no sentido em que muitas vezes, as marcas da infância nos podem acompanhar pela vida fora e nos moldar enquanto pessoas. Porém, às vezes essas marcas podem nos trazer aprendizagens muito mais úteis do que pudéssemos imaginar.  

Se querem ver algo de diferente e inimaginável, preparem-se para suster a respiração para os 60 minutos mais duradouros que possamos vivenciar. E não podem perder este filme que arriscou e que surpreendeu! 


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O Veredito Social é uma enorme chamada de atenção sobre a realidade pura e dura do Facebook (Crítica)

Depois do filme A Rede Social (2010) ter sido um fenómeno impressionante, chega O Veredito Social (Social Reckoning, como título original), uma nova obra complementar deste mundo do Facebook realizada por Aaron Sorkin e que é inspirada numa história verídica.  

O argumento em si que tem a autoria de Aaron Sorkin é baseado nos factos que deram origem à impactante investigação do The Wall Street Journal, The Facebook Files.

O elenco é composto por Mikey Madison, Jeremy Allen White, Wunmi Mosaku, Betty Gilpin, Billy Magnussen, Bill e Jeremy Strong.

Este filme conta a história de Frances Haugen (Mikey Madison), uma jovem engenheira do Facebook que recorre à ajuda de Jeff Horwitz (Jeremy Allen White), jornalista do The Wall Street Journal, para embarcar numa perigosa jornada que acabaria por expor alguns dos segredos mais bem guardados da rede social.

Já desde o início que dá para se perceber o império no qual o Facebook se veio a tornar. E que mais tarde, introduziu outras marcas a esta empresa multinacional que em 2021 passou a designar-se por Meta.

Apesar desta rede social se ter transformado numa das maiores e mais influentes plataformas do mundo, o Facebook foi sempre colocado em causa, devido aos múltiplos fatores de risco e perigos que poderiam apresentar para os seus utilizadores.

Quando chegou o momento de publicar os The Facebook Files, uma combinação de artigos que incluíam documentos internos altamente confidenciais desta plataforma, foi então que surgiu uma das revelações mais obscuras e chocantes em relação ao Facebook. E ainda, mostrou a influência e a liderança tóxica do seu criador, Mark Zuckerberg.

Contudo, para isso acontecer, Jeff Horwitz teria de obter provas suficientes para apoiar o seu caso. E as paredes do Facebook pareciam mais impenetráveis do que nunca. Mesmo assim, ele não desiste e precisa de encontrar a fonte certa para o ajudar na sua investigação.

Após diversas tentativas, ele chegou a Frances Haugen que iria ter um papel fulcral nesta missão de desmascarar o Facebook. E para isso acontecer, esta dupla teria de trabalhar como uma equipa, sendo que o tempo para cumprir com o objetivo deles é limitado.

Depois do sucesso de A Rede Social, acredito plenamente que poderia haver algumas pessoas que tinham grandes expetativas para esta produção. Mas, será que este extra irá percorrer o mesmo caminho? E vale mesmo a pena ir ver?

Se formos a fazer uma comparação, é bem diferente e entrega uma narrativa mais insípida, sendo que teve algumas mudanças significativas. Uma dessas mudanças foi a alteração do ator que dá vida a Mark Zuckerberg. Em A Rede Social, tínhamos o grande Jesse Eisenberg que fez uma performance extraordinária. Mas, como ele não quis voltar, a escolha recaiu para Jeremy Strong.

Por mais que aprecie o trabalho de Jeremy Strong, infelizmente, esta não foi das suas melhores interpretações. Não obstante do seu pouco tempo de ecrã, foram várias as vezes que dava por mim a observar mais características semelhantes a Kendall, a personagem dele na série de sucesso, The Sucession. E não tanto do que poderia ser a figura do Mark Zuckerberg.

O mesmo aconteceu com o desempenho de Jeremy Allen White que apresentava traços idênticos à personagem dele na série, The Bear (parecia que o Carmy se tinha tornado num jornalista de investigação).  

Em relação à Mickey Madison, este foi o seu primeiro filme depois de ter ganho o Óscar para Melhor Atriz em Anora (2024). E a sua interpretação não foi de acordo com o esperado.

Ainda assim, o filme também teve os seus pontos positivos, sendo que um dos principais é que cria na sociedade, debates interessantes e úteis.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

O Veredito Social é uma enorme chamada de atenção sobre a realidade pura e dura do Facebook e até de outras redes sociais. Tem uma mensagem poderosa sobre poder, o perigo das redes sociais, os efeitos que tem na saúde mental, a liderança destrutiva e política. Naquela altura, não importava o que acontecesse com os utilizadores que estavam a usar o Facebook. Era só o lucro que viam à frente e os resultados dos estudos realizados que mostravam efeitos nocivos não tinham qualquer importância. Esses estudos não eram tornados públicos e eram logo descartados e muito bem guardados para evitar fugas de informação.

Automaticamente, a pessoa começa a refletir sobre o seu próprio uso das redes sociais. O impacto, dor e sofrimento que pode ter na saúde mental de cada um. E como daqui para a frente se deve lidar com esta ferramenta.

Além disso, ficamos com uma melhor noção de como o Facebook e o seu algoritmo funciona. Os problemas associados. Nós também sabemos melhor do que ninguém que plataformas deste tipo querem que o público fique lá ligado o maior tempo possível. E nem sempre é o mais saudável de se fazer.

Há alturas em que também se começa a pensar como é que é possível que uma empresa tenha desempenhado um papel sem precedentes nas nossas vidas. Em que depois disso, muitas das vezes, não sofre com as consequências de atos tão irrepreensíveis. Ou simplesmente, como não tiveram interesse a combater grupos radicais e o discurso de ódio. Como um indivíduo responsável por tudo não está a fazer nada para controlar. E a sua decisão ter sido puramente amplificar e acelerar ao máximo tudo isso.

No entanto, mesmo que não tivesse sido nada de especial ou ter sido daquelas produções que não havia a necessidade de se adaptar este acontecimento maioritariamente real. Uma coisa é certa! O Veredito Social é uma obra que não se pode descartar facilmente e sem dúvidas, transmitiu uma aprendizagem útil.

Garantidamente, The Facebook Files foi mesmo uma grande história que revelou o impensável, criou toda uma revolução e que tocou realmente na ferida que o Facebook fazia os possíveis para não deixar rastos!

domingo, 11 de outubro de 2026

Entrevista a Ella Bruccoleri, protagonista de The Other Bennet Sister | E o que esperar desta série do universo de Jane Austin

Se são fãs de Orgulho e Preconceito, então esta série é para vocês!

Com oito episódios, The Other Bennet Sister é protagonizada por Ella Bruccoleri e é inspirada neste universo tão popular de Jane Austin. Neste caso, é focada na vida de Mary Bennet.

Em Portugal, pode ser vista no canal AXN White.

Esta é a história de Mary Bennet, a simples e desajeitada irmã do meio da famosa família Bennet, enquanto tenta sair da sombra das suas irmãs para encontrar a sua voz, o seu lugar no mundo e, talvez, o amor.

Este é um drama de época centrado nas personagens, que se move das restrições tranquilas do campo até ao pulsar libertador de Londres. E isto tudo é visto através dos olhos penetrantes, autodepreciativos e surpreendentemente modernos de Mary.  

No início do século XVIII e numa Inglaterra rural, e protagonista é Mary Bennet, sendo que ela é bem diferente, ao contrário das suas irmãs. Ela é uma mulher instruída e talentosa que é simples, menos bonita e mais introvertida que quer ser admirada e respeitada pela sua inteligência.

Para as mulheres daquela época, o futuro não oferecia outra opção senão casamento ou miséria. Mas, Mary queria conquistar o seu lugar e construir o seu próprio caminho.

Será que alguma vez, Mary vai encontrar o seu caminho, enquanto se enquadra numa sociedade que tem preconceito perante a classe e a aparência?

Divulgação: AXN Portugal

The Other Bennet Sister é uma série cativante e maravilhosa, cuja história toca profundamente o coração de quem está a ver e haverá muitos que se irão identificar com a Mary. Pelo meio, possui frases de humor e ironia que encaixam muito bem, enquanto vão existindo diálogos que são impactantes.

Além disso, transmite lições interessantes sobre amor próprio, coragem, independência e o quanto é importante ser você mesma, autêntica e ouvir o seu próprio instinto.

Nesta narrativa, está na hora de Mary se dar a conhecer, e ser ousada e quem sabe, encontrar o amor. E também de se afastar da sombra das suas irmãs para finalmente, se encontrar e se escolher a si própria. Para que depois, deixe de existir uma comparação constante com elas e com todas as pessoas ao seu redor.

Divulgação: AXN Portugal

Dá para perceber que ao longo desta jornada de aprendizagem, Mary tem duas vozes muito realçadas na sua mente: a da sua mãe e da sociedade com todos os seus preconceitos, regras e comparações.

Mary é constantemente rejeitada pela mãe. A sua mãe tem a obsessão de casar as filhas e não desiste facilmente, mas nunca perde uma oportunidade de dizer o que sente por Mary e de humilhá-la. Por mais que Mary tente, parece que nada é suficiente para a sua figura materna que quer que ela seja de uma certa maneira. E por isso, acaba por haver muito barulho na mente de Mary.

Com toda essa pressão e barulho, seja da família ou da sociedade ou de ambas, qualquer pessoa consegue identificar-se com o que Mary vai sentindo e ter assim, empatia. E torce para que ela tenha o seu final feliz. Nesta situação, uma mulher está a toda a hora a ser comparada aos outros, perante a aparência das outras mulheres e o sucesso que elas alcançaram nas suas vidas. É cansativo e é normal que se queira acabar com esse barulho. Tudo Isto é algo que acontecia naquela época, mas que continua a acontecer nos dias de hoje.

Uma das principais razões pela qual a série prende a atenção é devido à própria Mary! A Mary encanta com a sua personalidade forte, corajosa e vincada que tem um sentido de liberdade, desejos próprios e que nunca desiste de ser quem é.

Ao longo dos episódios, ela vai se tornando mais forte, faz escolhas que a fortalecem e que a aproximam mais daquilo que lhe faz feliz.

Divulgação: AXN Portugal

Esta viagem que começa por Meryton até Londres e pelo meio passa pelo Lake District, sendo que é envolvida também por reviravoltas com algumas surpresas e por uma história de amor tão bonita e inesperada.

Uma das minhas cenas favoritas e que foram bastante hilariantes ocorreram no lago entre Mary, Tom (Dónal Finn) e Ryder (Laurie Davidson), os interesses amorosos dela. É muito divertido acompanhar as dinâmicas deles e quando partilham o ecrã com a própria Mary. E claro que nesta narrativa também fica aquela questão. Quem irá Mary escolher?

The Other Bennet Sister tem todos os ingredientes para conquistar, sendo que encaixa plenamente na época representada e é acompanhada por uma fotografia bonita e bem escolhida e uma ótima banda sonora. Esta série é romântica, intelectual, criativa, divertida, na qual cria uma ligação com o espetador, transmite mensagens pertinentes e não falha quando falamos de uma boa dose de drama e mexericos.

Por isso, vale a pena assistir a mais uma história fantástica de Jane Austin que mostra o lado desta história contada pela perspetiva de Mary Bennet e ainda, é narrada por esta protagonista!

Para terminar, aproveito para dizer que estive à conversa com a Ella Bruccoleri que fez um desempenho muito bom da Mary Bennet.

Um agradecimento à Ella Bruccoleri pela sua disponibilidade em responder às minhas perguntas. Foi um gosto falar sobre esta série encantadora! Por fim, um obrigada ao canal AXN Portugal e à Sony pela oportunidade desta entrevista! E partilho de seguida, a minha entrevista com ela!

sábado, 3 de outubro de 2026

Verity - vale a pena ver a adaptação do romance bestseller de Colleen Hoover? (Crítica)

Amantes dos livros de Colleen Hoover, chegou o momento!

Verity é a adaptação do romance bestseller de Colleen Hoover que tem a realização de Michael Showalter. E é protagonizado por Anne Hathaway, Dakota Johnson, Josh Hartnett, Brady Wagner, Ismael Cruz Cordova e Daniel Echevarria.

Este thriller psicológico sedutor acompanha a renomada autora Verity Crawford (Anne Hathaway) e Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma escritora em dificuldades que se muda para a remota propriedade dos Crawford para escrever em nome de Verity.

Após Lowen descobrir aquilo que parecem ser as perturbadoras notas autobiográficas da autora, vê-se confrontada com confissões inquietantes e distorcidas sobre o marido de Verity, Jeremy (Josh Hartnett), sendo forçada a distinguir entre a ficção e a realidade, manipulação e atração, oportunidade e obsessão.

Divulgação: Amazon MGM Studios, Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Primeiramente, é essencial referir que esta análise é feita de mente aberta e sem ter lido o livro pelo qual esta história é adaptada.

Pode parecer fácil, mas ser uma escritora é mais desafiante do que se possa pensar. Pois, a pessoa até pode ter muitas habilidades, mas existem outros fatores externos que influenciam toda uma carreira. E aqui, temos um exemplo prático disso. De um lado, temos Verity Crawford, um fenómeno e uma referência que conquistou uma comunidade gigante de seguidores que devora os seus livros. Já do outro, temos Lowen Ashleigh que apesar de escrever o mesmo género de histórias de que a Verity faz, ela não consegue encher uma livraria pequena quando ocorre uma leitura da sua obra mais recente.

Mesmo com o seu pequeno alcance, Lowen não desiste, sendo que um dia, tudo muda. Tem a oferta de uma proposta irrecusável que depois lhe iria proporcionar uma viagem conturbada e marcante. E essa oportunidade, era nada menos do que ajudar a Verity Crawford a escrever o seu próximo romance da coleção. Será que a Lowen é capaz de estar à altura do desafio? E afinal, qual foi a razão dela ser a escolhida para a tarefa?

Uma coisa é dada a entender desde o início: nem tudo é o que parece.

E vai chegar um momento, em que tanto o espetador, como a própria Lowen vão ter muita dificuldade em identificarem o que é real e o que é ficção.

Divulgação: Amazon MGM Studios, Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Verity é daqueles filmes promissores que tinha tudo para brilhar, mas que ficou aquém das expetativas. Possuía todos os elementos necessários para inovar os thrillers psicológicos, criar inúmeras discussões e chocar em determinadas situações. No entanto, preferiu optar pelo caminho mais fácil e ser assim, mais previsível e por vezes até incoerente.

Automaticamente, o espetador entra nesta narrativa a esperar que seja algo tremendamente perturbador e mais tenso. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. Poderiam ter arriscado mais e tornar tudo isto em algo mais arrepiante, obscuro e criativo. Mesmo que não tenha lido o livro, eu tinha a informação de que o romance original era muito mais pesado. E parece que não quiseram se esforçar ou quem sabe, entrar em grandes polémicas.

Também esperava um maior tempo de ecrã da própria Verity, interpretada pela grande Anne Hathaway. Mesmo assim, ela brilhou sempre que esteve presente em cena. Já o restante elenco, fez o melhor que conseguiu com o guião que lhes foi entregue.

Mesmo assim, tem uma boa quantidade de manipulação, tensão, vibrações estranhas e revelações que faz com que se mantenha algum interesse em querer assistir a esta narrativa, seja qual venha a ser o seu desfecho.

Por isso, se forem ver, o melhor é não ir com expetativas e evitar fazer comparações com o material original.


sábado, 12 de setembro de 2026

Practical Magic 2 - vale a pena ver esta sequela mágica protagonizada por Nicole Kidman e Sandra Bullock? (Crítica)

Quase três décadas depois, as irmãs Owen estão de regresso com Practical Magic 2 (Magia e Sedução: Segredos de Família, como título em português).

Baseado no romance “The Book of Magic”, de Alice Hoffman, esta dupla protagonizada por Nicole Kidman e Sandra Bullock volta a lidar com a maldição da família Owen que teima a não lhes deixar viver a vida nos seus próprios termos.

No elenco também inclui Joey King, Maisie Williams, Stockard Channing, Dianne Wiest, Lee Pace, Xolo Maridueña e Solly McLeod.

Então, Gillian e Sally regressam com tudo o que sempre as tornou inconfundíveis: margaritas à meia-noite, feitiços na cozinha, travessuras ao luar e partidas entre irmãs. Conhecemos também as filhas de Sally, Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams), já crescidas e determinadas a enfrentar a maldição geracional que condena à morte qualquer homem que se apaixone por uma mulher Owens.­­

Divulgação: Warner Bros. Pictures e Cinemundo

Passem os anos que passarem, a maldição continua mais poderosa do que nunca. O amor é a ruína delas. Será que a família Owens toda junta vai finalmente conseguir quebrar a maldição?

Esta história inicia-se com Sally a perder o seu segundo marido. Depois, ela pede à Gillian para esconder das filhas que elas são bruxas e todo o poder que vem associado. Para complementar, também lança um feitiço para que as filhas se esquecessem de tudo aquilo que sabiam sobre magia. De seguida, Sally deixou a sua magia para trás e assim, passou a viver uma vida mais normal. E pensava ela que estava a tomar a decisão certa.

No entanto, o passado tem sempre uma maneira de regressar. Isso acontece, quando Kylie fica completamente apaixonada pelo namorado Gideon (Xolo Maridueña). E assim, que nutre o seu sentimento em palavras, um acidente ocorre e Gideon fica entre a vida e a morte. Enquanto isso, Kylie fica a saber a verdade sobre as suas origens e fará o que for preciso para acabar com a maldição e salvar o namorado.

Mais tarde, quando Sally fica a saber que Kylie pode estar em perigo, vai atrás dela numa corrida contra o tempo e na companhia de Gillian. Para isso, também tem de desbloquear o seu poder e ela vai precisar de ajuda para o fazer.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Practical Magic 2 é uma sequela leve, cheia de magia, amor, união, cumplicidade, feitiços e esperança. A fotografia é maravilhosa, no qual tem uma boa música a acompanhar. E a história em si é executada de um modo simples e fluído, sendo que não só manifesta magia, mas também aborda a força do vínculo destas mulheres determinadas que não desistem e tentam encontrar uma solução, por mais que difícil que seja. É impressionante como a força da irmandade pode ter a capacidade de fazer o inesperado. E não nos vamos esquecer que também é transmitido por parte das personagens, um lado mais maternal.

Já a cumplicidade entre Nicole Kidman e Sandra Bullock continua a ser bastante divertida. Elas protagonizam das cenas mais engraçadas com um tom humorístico que nos anima e nos faz ter ainda mais conexão com elas.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Além disso, mesmo envolvido em algum caos no bom sentido, o filme proporciona uma ótima energia, boas aprendizagens e uma mensagem importante que nos faz refletir sobre o que realmente importa. É uma boa sugestão que serve para descontrair e apreciar o power destas mulheres enigmáticas. E é daquelas narrativas que nem sabíamos que estávamos a precisar de ver.

Por isso, não percam esta produção! E não pode faltar a como este grupo de personagens femininas tão poderosas nos aconselha a simplesmente, viver a vida!

De seguida, também podem assistir a um vídeo que eu fiz dedicado a este filme!


sábado, 29 de agosto de 2026

The Dog Stars protagonizado por Jacob Elordi e realizado por Ridley Scott (Crítica do Filme)

The Dog Stars (Na Companhia das Estrelas, como título em português) é baseado no bestseller de Peter Heller e tem a realização de Ridley Scott.

O elenco é composto por Jacob Elordi, Josh Brolin, Margaret Qualley, Allison Janney, Benedict Wong e Guy Pearce.

O filme conta a história de Hig (Jacob Elordi), um jovem piloto que, juntamente com Bangley (Josh Brolin), um especialista militar em sobrevivência, construiu um refúgio eficiente, mas isolado, num mundo pós-apocalíptico brutal. Quando Hig recebe uma misteriosa transmissão de rádio, parte rumo ao desconhecido em busca da esperança e da humanidade que ainda acredita existirem.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Neste mundo pós-apocalíptico, um vírus misterioso elimina uma grande parte da humanidade. Não se sabe como tudo aconteceu. Porém, houve quem tivesse sobrevivido, como foi o caso de Hig, um piloto que juntamente com o seu cão tenta seguir em frente após a morte da sua mulher.

Como é óbvio, os sobreviventes terão de lidar com todo o tipo de perigos, incluindo a presença de saqueadores. Neste caso, temos um grupo de saqueadores que são conhecidos como os Reapers e que aterrorizam quem se cruza no caminho deles.

Agora, uma das mensagens que esta produção tenta transmitir é que no fim do mundo, ninguém tem de sobreviver sozinho. O instinto de sobrevivência pode surgir num ápice. Mas, demonstrar a sua humanidade, isso já faz parte das muitas escolhas do chamado livre-arbítrio.

Hig é daqueles indivíduos ingénuos e cheios de esperança, que ainda acredita que pode haver sobreviventes com boas intenções e dispostos a tornar este mundo onde vivem no momento, num lugar melhor. Enquanto isso, o seu companheiro, Bangley acredita completamente no contrário. Afinal, quem terá razão?

Por mais que estivesse a viver num sítio confortável e protegido o suficiente para que pudesse chamar de lar, Hig queria muito mais. Ele pretendia aventurar-se no desconhecido e fazer muito mais. Contudo, a partir do momento em que tomasse essa decisão, então iria para um ponto sem retorno. Isso, depois poderia lhe proporcionar um género de transformação. E quem sabe, lidar com o seu luto.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Apesar de possuir uma cinematografia bonita e uma boa escolha em termos de som, The Dog Stars não acrescenta nada de novo. O filme em si, faz lembrar automaticamente o ambiente da série, The Last of Us, mas sem as suas criaturas mortíferas.

Depois, torna-se difícil criar qualquer ligação com as personagens. Houve momentos em que o cão do protagonista cativou muito mais do que outras personagens. O enredo também tem as suas falhas e há muitas questões que ficaram por responder.

Além disso, fica-se com a sensação de que falta sempre algo que poderia tornar a história mais produtiva e intensa.

Mesmo assim, num geral, apreciei a atmosfera do filme e as alturas em que foram apresentando as estrelas.

Para mim, uma das melhores partes foi a presença do Bangley, sendo que Josh Brolin fez o seu melhor com o argumento que lhe proporcionaram.  

Sinceramente, esperava muito mais deste The Dog Stars que poderia ter seguido um rumo bem melhor. Até pode haver quem vá gostar muito, devido ao Jacob Elordi. Mas, na minha opinião, a interpretação dele não foi nada de especial. Por isso, se forem ver o filme, então não vão com expetativas.


domingo, 23 de agosto de 2026

Pompeia: Antes do Desastre com Tom Hidleston é uma produção notável sobre as horas que antecederam à erupção do Vesúvio

Pompeia: Antes do Desastre (Pompeii: Out of Time, como título original) é uma série documental constituída por três episódios que é apresentada por Tom Hiddleston. E que pode ser vista na plataforma de streaming da Disney+ e no canal National Geographic.

Para este projeto, Kevin R. Wright, produtor executivo da série Loki volta a se reencontrar com Tom Hiddleston.

Neste docudrama, Tom Hiddleston interpreta um detetive do passado que lidera uma investigação inovadora sobre as últimas 24 horas da erupção do Vesúvio que ocorreu em 79 d.C. Contudo, ele precisa de combinar uma arqueologia de ponta com a sua própria intuição.

Afinal, será que alguém poderia sobreviver à destruição de Pompeia? Tom Hiddleston questiona o que realmente aconteceu às pessoas sob as cinzas, seguindo o percurso de um adolescente, de uma empresária e de um soldado enquanto enfrentam escolhas impossíveis numa corrida contra o tempo.

Ao longo de três episódios, há muito para se descobrir sobre este acontecimento fatal.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

O que aborda estes três episódios:

Em primeiro lugar, à medida que o Vesúvio começa a despertar, a primeira questão crucial é colocada: será possível que alguém conseguirá reconhecer os sinais de aviso a tempo? Inicialmente, Tom Hiddleston segue a história de dois romanos reais, um jovem aprendiz e uma imponente mulher de negócios, descobre uma cidade que continua a sua rotina, enquanto os sismos se intensificam.  

Com o tempo a esgotar-se, Tom investiga a razão pela qual as pessoas ignoram o perigo e se estas primeiras decisões selaram o seu destino.

Já no segundo episódio, quando o Vesúvio entra em erupção, ele procura saber quem tem a capacidade de escapar perante o caos e quem assume o controlo. Ao seguir o jovem Avianius, que corre para salvar a mãe, e Julia Felix, que protege os membros da sua casa, descobre também um misterioso guarda pretoriano em Herculano. Será ele apenas uma testemunha ou um líder?

Com a chegada da escuridão e da primeira fase mortífera da erupção, Tom investiga se ainda há alguém capaz de sair com vida.

Por fim, no terceiro e último episódio, temos o momento mais assustador de todos. É quando as últimas vagas mortíferas atingem Pompeia. E é aqui que Tom Hiddleston confronta-se com a questão final: o que significa sobreviver? Devido a investigar a derradeira decisão de Julia Felix, o sacrifício do guarda pretoriano e o destino de Avianius, Tom descobre novas provas que desafiam tudo o que julgamos saber sobre Pompeia.

Perante a destruição total, revela não só quem sobreviveu, mas também o verdadeiro significado de sobrevivência.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

A minha análise a este docudrama:

Pompeia: Antes do Desastre é uma produção notável que nos dá a oportunidade exclusiva de ter uma experiência imersiva em viajar no tempo e de sermos transportados para a Roma Antiga nas horas que antecederam à erupção do Vulcão Vesúvio. E cuja catástrofe levou a que três cidades, incluindo Pompeia fossem completamente soterradas.

No entanto, acompanhamos tudo numa perspetiva nova que é bastante criativa e interessante, enquanto vai existindo uma contagem decrescente para o desastre começar. Aqui, temos uma representação cinematográfica que não falha em retratar a época em questão.

Pode ser definido como um documentário de investigação com o seu tom dramático que prende a atenção de quem está a ver e que conta uma história que não conhecemos.  

O storytelling é executado de um modo tão diferente, preciso e inovador, sendo que não falta referências tão engraçadas ao lendário Loki, a personagem do universo da Marvel que Tom Hiddleston desempenha há mais de uma década. E uma dessas referências inclui um simples movimento da mão que automaticamente, nos cria uma sensação de alegria e nostalgia.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

O foco vai para os sobreviventes, em que graças a tecnologias mais avançadas, foi possível explorar novas evidências arqueológicas. Estas indicaram que nem todas as pessoas morreram num mero instante e que, até houve quem tentasse escapar. E que se calhar, com todas as descobertas que foram sendo reveladas, então, teria sido possível que muitos daqueles que foram apanhados por esta tragédia, poderiam ter sobrevivido.

Para quem conhece um pouco daquilo que aconteceu em Pompeia, acaba por surpreender-se por determinados detalhes, sinais e informações que eu particularmente não sabia. E ainda, chegando à conclusão de que havia muito sobre Pompeia que se desconhecia.

Também é apresentada a vida na Roma Antiga e são contadas as histórias de pessoas reais, como a de um adolescente, uma empresária e um soldado. Como estes romanos passaram as suas últimas horas, antes do derradeiro final da cidade de Pompeia. E a relevância que as escolhas de cada um deles acabou por ter.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

Apesar de termos aqui uma reconstrução histórica muito humana deste evento acompanhada por uma boa banda sonora, também houve uma equipa de arqueólogos, historiadores, geólogos e especialistas em catástrofes que ao mesmo tempo, analisaram e esclareceram todos os aspetos relacionados com a erupção do Vesúvio. E tudo, de acordo com as provas e as mais recentes descobertas arqueológicas.

E pelo meio, esta narrativa que se destaca pela sobrevivência, resiliência e sacrifício do ser humano, também contém uma boa dose de imaginação incorporada nesta história e uma reinvenção na forma como ela é contada.

Divulgação: Disney+ e National Geographic

Além disso, há que realçar a interpretação brilhante de Tom Hiddleston, agora como anfitrião e investigador. Desde jovem, ele sempre teve uma curiosidade, um fascínio e um carinho especial por Pompeia. E aqui, dá para ver o quanto ele quer descobrir mais sobre o que realmente aconteceu com as pessoas que testemunharam esta tragédia.

É mesmo muito cativante quando o vemos a visitar esta cidade em ruínas e a ser o nosso próprio guia turístico. É um momento tão autêntico e real que acaba por criar ainda mais vontade em querer fazer uma visita pessoalmente e sentir a energia desse lugar. Como apreciadora da história romana, há muito tempo que eu já queria ir a Pompeia e agora, esse desejo é ainda maior.

Com Pompeia: Antes do Desastre, temos uma visão dinâmica, distinta e única dos momentos que antecederam o soterramento desta cidade. Num geral, foi uma aprendizagem muito interessante e cheia de detalhes pertinentes que foi apresentada pelo excelente, Tom Hiddleston. Mas, que não termina sem uma reflexão que dá muito em que se pensar.

Por isso, não podem perder este docudrama surpreendente sobre um dos desastres mais mortíferos da humanidade!

De seguida, também partilho 3 razões para ver esta produção!