I
Swear (Mais Forte
Que Eu, como título em português) é inspirado numa história verídica que é
focada na Síndrome de Tourette. O realizador é Kirk Jones e este filme é vencedor
de 3 BAFTA em 2026 (Melhor Casting, e Robert Aramayo como Estrela em Ascensão e
Melhor Ator Principal). Este drama biográfico é protagonizado por Robert
Aramayo, Peter Mullan e Maxine Peake.
Esta
é a inspiradora e extraordinária história de vida de John Davidson, um notável
ativista da Síndrome de Tourette. É um drama biográfico com a duração de duas
horas emocionalmente envolvente, divertido e cativante que acompanha o
diagnóstico de Tourette de John Davidson aos 14 anos. Passada na Grã-Bretanha
dos anos 80, a história acompanha a adolescência conturbada e o início da vida
adulta deste rapaz, explorando esta condição pouco conhecida e frequentemente
mal compreendida, bem como as suas tentativas de levar uma vida “normal” contra
todas as probabilidades.
Divulgação: Pris Audiovisuais
Este
é um vislumbre da luta de John Davidson contra a Síndrome de Tourette, uma
condição que poucas pessoas tinham testemunhado.
Contudo,
há histórias que podem ser fulcrais para uma mudança significativa no modo como
vemos muita coisa. E este é um desses exemplos que pode realmente fazer a
diferença e quem sabe, até mudar vidas.
Quando
menos esperamos, algo tão trágico pode vir a acontecer. No caso de John
Davidson, ele era um jovem de 14 anos com amigos e possuindo um talento como
guarda-redes, chegando a um ponto que poderia ter um futuro promissor. Porém, o
aparecimento desta condição médica mudou para sempre a sua vida.
Inicialmente,
ele tentou disfarçar ou ignorar os tiques e o que lhe estava a acontecer. Mas à
medida que os sintomas iam evoluindo, percebeu que não podia voltar à sua
normalidade e teria assim, de se adaptar a uma nova realidade. E até chegou a utilizar
o riso, como um género de mecanismo de defesa.
Além
disso, na altura em que isto lhe aconteceu, não era uma doença tão conhecida. Por
isso mesmo, ao início foi difícil de se diagnosticar e a sociedade ao seu redor
não sabia lidar com isso.
Para
quem não sabe, a Síndrome de Tourette é caracterizada por tiques simples,
complexos e incontroláveis que vão sendo variados e divididos entre vocais e
motores. No entanto, vai muito além dos tiques, pois também, inclui o
transtorno obsessivo-compulsivo, a ansiedade, o cansaço de tentar fingir que
não há nada de errado e o peso que se carrega em tentar esconder e suprimir os
tiques, algo que não se consegue controlar.
Divulgação: Pris Audiovisuais
I
Swear é uma obra inspiradora,
interessante e bastante relevante que pode mesmo fazer a diferença na vida de
alguém com Síndrome de Tourette, através do ensino daquilo que define esta
condição médica e o que implica.
Esta
é uma história impactante que precisa de ser conhecida e nos sensibiliza a
todos sobre a Síndrome de Tourette, sendo que também contém cenas que
absolutamente fazem rir. É uma luta extremamente e constantemente desafiante. Isto,
porque o problema não é a condição em si. Mas sim, é o facto de as pessoas não
saberem o suficiente sobre a Síndrome de Tourette e por isso, não conseguem
compreender e lidar com quem sofre com a doença.
Com
este filme, aprendemos muito em relação à Síndrome de Tourette. Como todas as
pessoas que vivem com isto são diferentes e precisam de apoio e compreensão, em
vez de críticas e julgamentos. E até têm os seus próprios sintomas, tiques e
comportamentos. Além disso, é essencial que se saiba viver com este diagnóstico
e apoiar quem sofre disso. Também mostra que a pessoa que insulta e tem
determinados comportamentos involuntários não tem culpa. Por exemplo, em 2019 quando
John Davidson estava prestes a ser homenageado pela Rainha pelos serviços
prestados ao povo britânico, ele grita um insulto involuntário na presença da própria
monarca.
Para
além disso, é fundamental perceber que esta doença não define quem a tem.
Ao
longo desta narrativa, temos momentos comoventes e outros duros de tensão que
conseguem ser tão autênticos e por vezes, dolorosos, enquanto é representada a
vida real do escocês John Davidson. Para ele, o aparecimento do Síndrome de
Tourette começou desde logo pela escola. Foi por isso que passou a ser a um
alvo de bullying e violência física e a meter-se involuntariamente, em
sarilhos. As crianças eram cruéis com ele e já os adultos eram incompreensíveis
e confundiam os sintomas desta síndrome com má educação ou falta de disciplina.
Mas, apesar de todas as dificuldades que teve, ele descobriu o poder do riso e
se tornou mais tarde, num ativista. E quis assim, partilhar a sua experiência e
ajudar outras pessoas na mesma situação.
Divulgação: Pris Audiovisuais
E
muito do impacto que se criou ao redor de I Swear foi devido às
performances excelentes do seu elenco, principalmente a atuação brilhante e
criativa de Robert Aramayo a dar vida ao protagonista. Muitas vezes, as suas
expressões faciais e corporais valeram mais do que palavras, sendo que dá para
ver que ele fez uma construção muito precisa, de acordo com os encontros que
teve com John Davidson. Os tiques não são exagerados e são integrados de forma
natural na personagem. Enquanto isso, ele enfrenta uma batalha interna que afeta
desde as suas relações pessoais e passando pela sua carreira profissional. Para
além disso, ele também concilia a dor, a solidão e a energia caótica da sua personagem
com a vulnerabilidade, sofrimento e resiliência que também fazem parte da
essência dele.
Houve
situações que até tiveram a sua piada, mesmo com todos os seus tiques e
impulsos incontroláveis, a sua linguagem peculiar envolvida em alguns palavrões
e o seu sarcasmo e humor negro que deixava os outros desconfortáveis. Contudo, John
Davidson era bondoso e respeitador com as pessoas mais próximas e por isso, conseguimos
criar uma empatia imediata, compaixão e dar valor a ele.
I
Swear é importante, envolvente,
tem o seu lado mais emocionante e faz-nos refletir profundamente sobre este
tema do Síndrome de Tourette que é uma realidade muito complexa e cheia de
desafios diários e fragilidades. E também pensamos na tolerância e na forma
como lidamos com os outros, principalmente aqueles que têm condições
específicas ou uma deficiência. Proporciona uma grande aprendizagem e cria uma margem
para se abrir conversas sobre o assunto que poderá ajudar quem tem Síndrome de
Tourette, os familiares respetivos e a própria sociedade.
Por
isso, I Swear é daqueles filmes que não podem mesmo perder! E que merece
reconhecimento!
Chegou
a hora de acompanharmos a história de origem de uma Lenda com o nome de Michael
Jackson!
Esta
é uma homenagem à vida e ao legado de um dos artistas mais influentes que o
mundo já conheceu. O famoso Rei do Pop.
Michael é o biopic deste artista realizado
por Antoine Fuqua e é protagonizado por Jaafar Jackson, sobrinho do próprio
Michael Jackson.
O
filme conta a história da vida de Michael Jackson para além da música, traçando
a sua jornada desde a descoberta do seu talento extraordinário como líder dos
Jackson Five até se tornar um artista visionário cuja ambição criativa
alimentou uma busca incansável para se tornar o maior artista do mundo.
Destacando
tanto a sua vida fora do palco como algumas das atuações mais icónicas do início
da carreira a solo, o filme oferece ao público um lugar na primeira fila para
ver Michael Jackson como nunca antes. E é aqui que a sua história começa.
Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo
Isto
é como se fosse uma introdução à sua vida até chegar ao último concerto, onde
partilhou o palco com os seus irmãos. Ficamos com uma noção de como ele foi
criado e um traço da sua infância. E depois, como ele tenta encontrar a sua voz,
em primeiro lugar, como um artista e logo de seguida, como um artista a solo.
Pode-se
considerar como um género de retrato mais intimista do que era o Michael, mas
claro que há muita coisa que não chegou a ser retratada. E até pode ser essa uma
das razões pelo qual esta produção tem sido criticada por quem já assistiu e
tem dividido opiniões.
Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo
Michael é um biopic arrepiante e um grande
presente para os fãs deste artista, no qual temos a oportunidade de conhecer
melhor o seu lado mais humano e vulnerável. Para além disso, acompanhamos o seu
talento extraordinário e performances espetaculares.
Naquela
altura e até mesmo agora, não existia ninguém como Michael Jackson. Ele tinha
uma relação complicada com o seu pai. E é através dessa dinâmica difícil que vemos
a sua vulnerabilidade e o receio que tinha em seguir com as suas convicções.
Por isso, ele estava constantemente a ser atormentado e a lidar com a dor e os traumas
causados pelo seu pai. Mesmo assim, isso não o impediu de continuar a lutar por
aquilo que acreditava.
Há
que dar o reconhecimento merecido ao desempenho excelente de Colman Domingo,
dando vida ao pai de Michael Jackson. Já não é a primeira vez que vemos este
ator num papel de antagonista. Ele fez de novo um ótimo trabalho, ao ponto de o
espetador convencer-se no ser humano intragável que este era para Michael.
Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo
Um
dos destaques vai sem dúvida, para Jafaar Jackson e Juliano Valdi, que
interpretam o Michael Jackson, onde podemos ver performances brilhantes e até
chega a uma altura, em que a pessoa fica com a sensação que está a assistir ao
próprio Michael Jackson. É mesmo fantástico, o trabalho detalhado que foi feito
por Jafaar Jackson e cuja preparação teve a duração de cerca de três anos. E houve
situações em parece mesmo que ele tinha o espírito do seu tio a acompanhá-lo.
Agora,
uma das minhas partes favoritas neste filme foi a recriação do videoclip do
Thriller que traz imediatamente uma sensação de nostalgia e foi mesmo incrível!
Admito que esta é uma das minhas músicas favoritas dele. E aquele videoclip com
a sua coreografia peculiar e excecional, simplesmente, marcou-me até aos dias
de hoje e deixa-me sempre com um grande sorriso. Por isso, foi muito
interessante ver como tudo foi pensado e executado e ainda, sentir aquela magia
tão única e contagiante.
Michael pode não ser perfeito, mas celebra com
energia e carinho o legado dele e também mostra a essência deste artista. As
atuações são maravilhosas e envolvidas em coreografias de dança criativas, de
tal forma, que somos transportados para a audiência presente nos concertos. Para
além disso, conseguimos perceber melhor, o fenómeno que ele foi e que continua
a ser, onde marcou a vida de milhões de admiradores.
Um ícone que nunca iremos esquecer!
Por
isso, vão ver este filme, principalmente se são fãs do Michael Jackson e
aproveitem para mergulhar nas músicas icónicas do incomparável Rei do Pop. E
que venha a sua continuação!
De seguida, também partilho um vídeo de quando fui assistir ao filme e uma crítica que fiz de Michael que estão ambos disponíveis na conta de YouTube (sigam o canal)!
Chegou
o momento de apresentar O Testamento de Ann Lee, o novo filme da
realizadora e argumentista premiada Mona Fastvold. Amanda Seyfriend é a
protagonista, sendo que foi nomeada ao Globo de Ouro na categoria de Melhor
Atriz. Atualmente, está disponível na plataforma de streaming da Disney+.
Esta
é a extraordinária história verídica de Ann Lee, fundadora da seita devocional
conhecida como os “Shakers”. O filme capta o êxtase e a agonia da sua missão de
construir uma utopia, apresentando mais de uma dúzia de hinos tradicionais dos “Shakers”,
reinventados como movimentos arrebatadores e ainda contendo canções originais.
Tudo
isto que nos vai sendo mostrado é fundamentado em algo real para esta pessoa
real que existiu e conseguimos perceber de um modo pouco usual, como uma
comunidade particular a admirava. Começam a contar a história desta figura,
desde a sua infância, mas que avança num instante para a sua idade adulta que
mostra com intensidade a sua devoção a Deus.
No
entanto, esta sua admiração é apresentada através do movimento e da
vocalização. Cada uma das canções eram um género de extensões da sua dor num
momento ou extensões da sua excitação ou até a sua curiosidade para com o
mundo. Mas, que realmente era uma extensão dos seus sentimentos e desta sua
devoção a Deus.
Não
importando os sacrifícios que tinham de fazer, tanto para esta mulher, como
para os seus seguidores era através do movimento, por vezes bizarro e acompanhado
por uma música peculiar, que se sentiam mais profundamente perto de Deus. E assim,
esta era a forma de se expressarem essa linha direta com o divino.
Divulgação: 20th Century Studios Portugal
O
Testamento de Ann Lee
é uma obra extremamente excêntrica, selvagem e louca que tenta criar uma
perspetiva completamente diferente e estranha no modo como expressa a fé. Enquanto
isso, transmite o lado mais bonito e alegre de fazer parte dos “Shakers”, onde a
pessoa fica imersa nas atuações musicais. Porém, não deixa de mostrar a
obsessão, os sacrifícios, a luta por estas crenças e a realidade crua daqueles
tempos.
Amanda
Seyfriend entrega uma performance extasiante, cujos seus movimentos são
elegantes apesar dos extremos que fazem parte da personagem e sem esquecer os
inúmeros gritos, seja de euforia e/ou de sofrimento que esta vai sentindo e
expressando.
Infelizmente,
quem assiste não consegue ter qualquer tipo de conexão com nenhuma das
personagens e a narrativa chega a ter uma duração demasiado longa, sendo que a
pessoa fica com aquela sensação de que não acrescentou nada de novo.
Garantidamente, este é daqueles filmes que não é para qualquer um. E é
necessário que se tenha uma mente aberta, pois pode tornar-se confuso e cansativo
para alguns.
Pessoalmente,
no início tinha alguma curiosidade em saber mais sobre os “Shakers”, as suas
crenças e a mensagem que transportaram naquela época. Contudo, não captou o
interesse que esperava e acaba por ser demasiado a diferentes níveis.
Apesar
de ter uma bonita cenografia, boas atuações musicais e uma ótima banda sonora a
acompanhar, esta é uma produção com o seu lado espiritual que não impacta, nem cria
vontade do público em querer saber mais sobre a história dos “Shakers” e as suas
respetivas tradições.
Assim,
O Testamento de Ann Lee será daqueles filmes facilmente esquecíveis que
tinha o potencial para atrair mais a
atenção de quem assistir, seja qual fosse a sua religião.
Chegou
o momento de ver a adaptação cinematográfica do livro homónimo de Warren Zanes
sobre a vida e carreira do ícone do rock americano, Bruce Springsteen. Springsteen:
Deliver Me From Nowhere é realizado por Scott Cooper e tem Jeffrey Allen
White a representar este artista musical. Atualmente, está disponível na plataforma de streaming da Disney+.
Para
além de Jeffrey Allen White como o protagonista, o elenco é constituído por
Jeremy Strong, Paul Walter Hauser, Stephen Graham, Odessa Young, Gaby Hoffman,
Marc Maron e David Krumholtz.
Esta
visão narra a produção de “Nebraska”, o álbum lançado por Bruce Springsteen em
1982 – um disco acústico, cru e assombrado, que marcou um momento decisivo na
vida do artista e é considerado como uma das suas obras mais impactantes e
duradouras.
Também
acompanha Bruce Springsteen ainda jovem, no limiar do sucesso mundial, num
momento em que lutava para conciliar as exigências do sucesso com os fantasmas
do passado. Gravado num gravador de 4 faixas no quarto da casa de Springsteen
na Nova Jérsia, “Nebraska” tornou-se num marco da sua carreira – um álbum
íntimo e sombrio, habitado por almas perdidas à procura de um motivo para
acreditar.
Divulgação: 20th Century Studios Portugal
Em
1981, logo após o êxito de “The River Tour” temos este jovem artista a
atravessar um momento crítico da sua vida. Enquanto sente o peso da fama e dos
traumas de um passado conturbado, ele decide afastar-se durante algum tempo
numa casa em Colts Neck, Nova Jérsia. Este lugar torna-se num tipo de refúgio
silencioso, onde faz uma reflexão mais profunda que leva a que escreva novas
canções extremamente pessoais.
Springsteen:
Deliver Me From Nowhere
não é uma simples história biográfica, é sim, a apresentação do homem por
detrás da música que está à beira de ser uma superestrela global que enfrenta
um capítulo exigente da sua vida e os fantasmas do seu passado. De uma maneira
muito particular, testemunhamos a sua vulnerabilidade que vai estando associada
às suas inseguranças, enquanto compreendemos o papel principal e a força que a
música tem para ele.
Divulgação: 20th Century Studios Portugal
Desde
o início, dá para perceber a razão pelo qual “Nebraska” foi um dos seus
trabalhos mais duradouros, pois ele passou por dificuldades, mergulhou
profundamente e em silêncio perante as suas feridas, medos e memórias que não foram
fáceis de encarar. Ele sempre foi definido como um ótimo storyteller e foi
o facto de sair da sua zona de conforto, lidar com a sua saúde mental e
acompanharmos todos os passos da produção de “Nebraska” que torna esta jornada tão
interessante.
Ficamos
a saber mais sobre o seu trauma não resolvido e a conhecer melhor esta figura tão
conhecida que tinha os seus momentos de solidão e as suas fragilidades. E que ainda,
gravou um álbum inteiro sozinho em casa isolado do sucesso e do mundo da fama,
cujas faixas não precisavam de ter um som perfeito. Um ícone do rock americano
que procurava inspiração, paz em casa e no seu processo criativo, fazendo com
que o espetador crie uma ligação maior com ele.
Divulgação: 20th Century Studios Portugal
Um
dos maiores destaques vai para a interpretação de Jeffrey Allen White como
Bruce Springsteen. Foi uma boa surpresa, principalmente por ver este ator num
registo completamente diferente daquilo que já tinha visto e por ter tido uma
ótima performance nas apresentações ao vivo e a representar a diferentes níveis
a personalidade complexa e real do Boss.
Além disso, foi maravilhoso assistir à dinâmica
única e especial de Bruce Springsteen e Jon Laudau, o histórico manager e
confidente do músico. Jeremy Strong encaixou na perfeição a dar vida à pessoa
que mais apoiou e acreditou em Bruce, sendo que dá para a ver que tinha uma
sensibilidade muito própria e um sentido de proteção para com ele, porque para
Jon aquilo que importava era o Bruce Springsteen e nada mais.
Esta
é daquelas relações tão naturais que muitos de nós admira e muito devido ao
amor, lealdade, confiança e o sentido de responsabilidade que têm um pelo
outro. As cenas que mais apreciei foram protagonizadas por esta dupla que fazem
com que o público tenha logo uma ligação imediata e próxima com estes dois. E
algumas destas cenas até tiveram os seus momentos mais comoventes e verdadeiros.
Outro
ator que vale a pena referir pelo seu bom trabalho é o de Paul Walter Hauser
que tem surpreendido cada vez mais e aqui interpreta o técnico de guitarra Mike
Batlan, trazendo um lado mais leve e cómico à história em si.
Divulgação: 20th Century Studios Portugal
Springsteen:
Deliver Me From Nowhere
é uma viagem mais emocional por um outro lado deste artista icónico que parece incompleto
e saber a pouco. Além disso, poderia ter beneficiado muito mais, se tivesse tido
mais atuações ao vivo, mostrando assim, a força da natureza que é Bruce
Springsteen no palco. E ainda, ter mais cenas partilhadas entre Bruce e o seu
manager, Jon Laudau, cuja relação é um dos pontos mais fortes do filme. Isso
também teria sido uma excelente adição.
Não
há dúvidas, que ele mostra com intensidade a sua verdade contra tudo e todos e
os sacrifícios que teve de fazer. E é transmitida a sua determinação e coragem para
se enfrentar a si mesmo e o seu passado complicado, mas não é o suficiente para
se destacar da mesma forma, em relação a outras histórias dedicadas a outros artistas
musicais que tiveram um impacto muito maior.
Divulgação: 20th Century Studios Portugal
Mesmo
assim, é uma obra inspiradora bem editada que apresenta a criação da canção
popular “Born in The USA” e também o processo artístico por detrás de um disco
peculiar. Enquanto isso, também honra o legado de Bruce Springsteen e não deixa
de ser interessante acompanhar alguns dos anos mais difíceis deste músico
visionário que foi crucial para a evolução da sua carreira e visão artística,
sendo que continua a ser um ícone na música internacional, uma inspiração para
uma geração de artistas e músicos e também é um autêntico espetáculo cheio de
energia no palco. E para quem já assistiu a um concerto ao vivo, como eu, sabe
bem daquilo que eu falo.
Por
isso, não vão com expetativas e aproveitem o momento para conhecer um pouco
mais sobre a vida e carreira do astro de rock, Bruce Springsteen numa
perspetiva diferente e até identificarem-se com alguns dos temas abordados
nesta narrativa.
Depois
de ter sido aplaudido durante cerca de 15 minutos na estreia mundial do Festival
de Veneza de 2025 e até recebido o Leão de Prata de Melhor Realizador que foi
atribuído a Benny Safdie, The Smashing Machine: Coração de Lutador criou
uma certa expetativa para o público.
Com
Dwayne Johnson como protagonista que também teve Emily Blunt e Ryan Bader a
completar este elenco, este filme independente é produzido e distribuído nos
EUA pela A24.
Toda
esta narrativa é inspirada na história verídica de Mark Kerr, lenda do MMA nos
primórdios da UFC, onde apresenta um homem que está dividido entre a glória no
ringue e o caos na vida pessoal, num retrato intenso sobre superação, vício e
identidade.
É
inicialmente focado no auge da sua carreira, sendo que em pleno ano 2000, ele
enfrenta uma batalha interna marcada pelo vício, a pressão da vitória, o amor e
a fragilidade das amizades.
Esta
era uma era implacável para este desporto de combate, em que o mínimo erro
podia deitar tudo a perder. E aquilo que não se vê e que acaba por ser o lado
negro da coisa é a tensão constante que existe entre a glória exterior e o
colapso interior que pode acontecer a qualquer momento.
Divulgação: A24 e NOS Audiovisuais
The
Smashing Machine: Coração de Lutador
apresenta como um desporto tão brutal e exigente pode ter o seu lado menos bonito,
sendo que se transforma numa batalha interna que envolve ter de fazer sacrifícios e lidar com vícios
perigosos e todo o tipo de emoções que vão surgindo. Enquanto isso, vai
percorrendo um caminho com um tom obscuro que acompanha a queda e a luta pela
redenção de um campeão, em que não basta ter só força. E também explora a
resiliência profunda, a trajetória desafiante e o lado mais vulnerável deste
protagonista que acreditava plenamente que nada o iria deitar abaixo e que
nunca iria sentir a sensação de perder um combate.
É
interessante assistir a um registo completamente diferente do trabalho de
representação de Dwayne Johnson que iniciou a sua carreira nos ringues da WWE. Dá
para perceber que foi um papel bastante rigoroso para esta figura emblemática
que deu vida ao icónico Mark Kerr, um lutador que entrou numa rota de colisão
com os seus próprios limites e cujo sucesso desportivo já não era suficiente
para o manter de pé. E houve momentos que deu para sentir o impacto emocional
que a interpretação de Dwayne Johnson quis transmitir deste lutador que teve de
enfrentar os seus próprios demónios, enquanto testava os seus limites físicos e
morais. Por isso em algumas cenas, ele com o seu desempenho conseguiu
surpreender pela positiva.
Para
além disso, houve uma dinâmica que caso tivesse sido mais explorada, teria sido
uma forma de melhorar significativamente a trama geral. Neste caso, seria a
relação de companheirismo entre Mark Kerr e Mark Coleman que poderia ter trazido
uma vantagem significativa para o resultado desta produção. Além disso,
ocorreram alturas em que a pessoa fica com mais interesse em saber mais sobre a
carreira e jornada de Mark Coleman do que acompanhar o inapropriado desequilíbrio
que existiu em contar a história do próprio Mark Kerr.
Como
admiradora de artes marciais, os combates para mim foram um dos destaques,
sendo que a pessoa sente um pontinho de adrenalina quando está a assistir.
Também foi boa ideia mostrarem alguns dos treinos de preparação que são necessários
para que os lutadores estejam no seu melhor nível.
Divulgação: A24 e NOS Audiovisuais
Em
relação ao papel de Emily Blunt como Dawn Staples, existiram alturas em que perdia
a sua relevância, chegando a protagonizar cenas mais cansativas. No entanto,
uma das cenas mais poderosas do filme foi uma discussão intensa e esgotante
entre as personagens Mark Kerr e Dawn Staples que se tornou num ótimo trabalho
de representação, tanto de Dwayne Johnson, como de Emily Blunt.
Num
modo geral, The Smashing Machine: Coração de Lutador é um filme de
superação que foi mal aproveitado, perdeu um pouco o seu controlo e poderia ter sido
apresentado de uma forma mais interessante. É que ficou tão preso a
determinados períodos que levou a caminhos sombrios que perderam o encanto. E
que acabaram por influenciar e trazer um rumo desequilibrado na sua narrativa,
chegando a perder-se por diversas vezes. Assim, a sua duração não deveria ter
sido tão longa como foi.
Não
é um filme mau, sendo que a narrativa em si poderia ter sido organizada de um
modo diferente e até ter tido uma melhor abordagem em pontos mais interessantes
relacionados com este desporto de combate, os respetivos bastidores e as dificuldades
que os lutadores sentem realmente na pele. Mas infelizmente, não foi o
resultado esperado.
A
Searchlight Pictures apresenta A Complete Unknown, o novo filme
realizado por James Mangold. Este é um biopic dedicado a Bob Dylan, onde
Timothée Chalamet desempenhou este artista e compositor bem icónico, sendo que
o resto do elenco é composto por Edward Norton, Elle Fanning, Monica Barbaro,
Boyd Holbrook, Dan Fogler, Norbert Leo Buzt e Scoot McNairy. Atualmente, o filme está disponível na plataforma de streaming da Disney+.
Além
disso, na 82ª edição dos Globos de Ouro teve três nomeações nas categorias de
Melhor Filme de Drama, Melhor Ator de Drama (Timothée Chalamet) e Melhor Ator
Secundário (Edward Norton). Já na edição dos Óscares teve oito nomeações nas
categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador (James Mangold), Melhor Ator (Timothée
Chalamet), Melhor Ator Secundário (Edward Norton), Melhor Atriz Secundária
(Monica Barbaro), Melhor Som, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Guarda-Roupa.
O
filme decorre na influente cena musical de Nova Iorque do início dos anos 60 e
segue a ascensão meteórica do músico do Minnesota de 19 anos, Bob Dylan
(Timothée Chalamet), como cantor folk até às salas de concerto e topo das
tabelas – as suas canções e mística tornaram-no numa sensação mundial –
culminando com a sua atuação inesquecível de rock and roll elétrico no Newport
Folk Festival em 1965.
Aqui
num cenário musical vibrante e de tumulto cultural, temos um enigmático jovem
de 19 anos do Minnesota que chega a West Village com a sua guitarra e um
talento revolucionário, destinado a mudar o rumo da música americana. Ao mesmo
tempo que estabelece as suas relações mais íntimas durante a sua ascensão à
fama, fica inquieto com o movimento folk e, recusando-se a ser definido, faz
uma escolha controversa que se irá repercutir culturalmente em todo o mundo.
Divulgação: 20th Century Studios Portugal
Bob
Dylan é uma pessoa complexa, rebelde e determinada com uma maneira de ser muito peculiar
que nem sempre os outros têm a capacidade de compreender. Ele acaba por se
sentir um completo estranho com ideias mais refrescantes que nem todos irão
aceitar de bom grado, chegando a um ponto que mostra alguma indiferença perante
os outros e luta por aquilo que quer. Mesmo assim com uma agitação cultural, ele
cria relações mais chegadas com ícones da música em Greenwich Village que levaram
a uma mudança súbita. E que mais tarde, iria revolucionar a música americana
para sempre.
De
um modo eletrizante, A Complete Unknown leva-nos a viajar de volta ao
tempo para conhecermos a ascensão de um fantástico cantor e compositor, capturando
uma história verídica e perspicaz. A música representa a alma deste filme, onde
as atuações apresentadas são excecionais, inovadoras e por vezes, mais controversas.
E também é uma homenagem bem elaborada e executada que teve um forte começo.
Porém, acabou por deslizar um pouco nos últimos atos. Quando terminamos de
assistir ao filme, ficamos com a sensação de que falta algo, sendo que as
expetativas acabam por não serem totalmente correspondidas e chegamos à
conclusão de que não tivemos um conhecimento suficiente deste artista.
Divulgação: 20th Century Studios Portugal
No
entanto, nós não estamos só a acompanhar a jornada artística de Bob Dylan
durante os anos 60, mas também às respetivas mudanças históricas e culturais
dessa altura que encaixam na perfeição. A produção contém um ritmo equilibrado,
um som nítido e tem atenção aos detalhes para que o resultado seja o mais
fidedigno possível, incluindo nos próprios cenários e guarda-roupa. O trabalho a
nível técnico foi bem-sucedido e a implementação de um alívio cómico no
argumento foi uma boa escolha.
Além
disso, também nos é mostrado de um modo impressionante como a música folk e as
canções daquela época tinham muita relevância nas diferentes comunidades e
ainda, como era o ambiente do Newport Folk Festival. E esse foi o local onde
Bob Dylan teve no set a sua maior transformação, cuja receção não foi
inicialmente bem aceite pelos espetadores desse festival. Um ato de coragem e
impulsividade repleto de controvérsia que iria mudar para sempre a carreira de
Bob Dylan.
Divulgação: 20th Century Studios Portugal
Este
é um filme biográfico autêntico com um tom poético e ousado que tem o seu
impacto e capturou eficazmente tanto a época, onde a narrativa é situada, como
os traços característicos próprios de Bob Dylan, através da interpretação
sublime e convincente de Timothée Chalamet, que também transmite a genialidade,
o brilho e vulnerabilidade deste ícone bem influente da música internacional. Também
possui um lado mais emocionante e envolvente que cria uma ligação especial do
espetador para com as suas canções e com algumas das pessoas ao seu redor que
foram essenciais para o seu crescimento no mundo da música.
A
Complete Unknown
também nos mostra a importância que a música tem para a nossa vida. Seja ela, um
tipo de refúgio ou simplesmente uma forma para transmitir os ideais de alguém e
assim, criar uma voz que nos possa ajudar a libertar das complicações pelos
quais vamos passando. Naquela altura, a música tinha um poder único em
implementar mudanças e mesmo nos dias atuais, esta arte continua a desempenhar
um papel significativo na sociedade.
Este é um drama vibrante
que não podem perder e que se foca na vida de Bob Dylan de 1961 a 1965, ou
seja, os primeiros quatro anos da sua carreira musical. E complementando o que
já foi referido anteriormente, depois de assistirmos, nós ficamos com a impressão
de que este artista continua a ser um mistério com muitos segredos por
desvendar. Contudo, continua a conquistar inúmeros admiradores com os seus
maiores sucessos, por mais anos que possam vir a passar.
Pam & Tommy é uma minissérie
original constituída por oito episódios criado por Robert Siegel e foi exibida
pelo Hulu, estando disponível na plataforma da Disney +, através do Star. É baseada
num artigo da Rolling Stone de 2014 “Pam and Tommy: The Untold Story of the
World’s Most Infamous Sex Tape” de Amanda Chicago Lewis.
O elenco é constituído por Lily
James (Pamela Anderson), Sebastian Stan (Tommy Lee), Seth Rogen (Rand), Taylor
Schilling (Erica) e Nick Offerman (Miltie).
Os acontecimentos desta narrativa
ocorrem nos primórdios da internet e são baseados na inacreditável história
real da cassete com cenas de sexo entre Pamela Anderson e Tommy Lee. Roubada da
casa do casal por um empreiteiro insatisfeito, o vídeo passou de uma
curiosidade clandestina de VHS para uma sensação global quando chegou à
internet em 1997.
Divulgação: Disney +
É uma história de amor, um crime
e uma chamada de atenção, juntos numa produção original de oito episódios que
aborda as fronteiras da privacidade, tecnologia e fama, ligando as origens da
atual era de reality TV a uma cassete roubada, vista por milhões, mas destinada
a ter um público de apenas duas pessoas.
Pam & Tommy é uma
produção que tem uma mistura de biografia com drama e romance e apresenta um
escândalo verdadeiro e todos os efeitos que uma simples cassete pode ter na
vida de um casal, principalmente um tão famoso quanto era naquela altura,
Pamela Anderson e Tommy Lee.
Pode conter
spoilers!
Divulgação: Hulu
Ao longo destes episódios, temos
a oportunidade de ver um lado mais vulnerável e simples desta modelo e atriz
que se tornou mundialmente conhecida com a sua participação em Baywatch
e também passou por diversas dificuldades para ter uma carreira artística. Um
dia, a vida de Pamela começou a piorar quando foi lançada sem autorização, uma
cassete com cenas de sexo que ela e o seu marido Tommy gravaram de um modo
particular durante a lua de mel de ambos. De seguida, o casal começou a ter um
impacto imediato, mas não pelas melhores razões.
Esta minissérie não aborda só as
consequências que o lançamento de momentos privados de Pam e Tommy teve para a
vida de cada um deles. Também retrata os altos e baixos que fizeram parte do
relacionamento entre eles e conta como é que a história de amor de Pam e o
músico Tommy começou, o casamento que decorreu na praia, a gravidez dela e as
aventuras que passaram juntos e às vezes com sexo à mistura.
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A vida de uma celebridade não é
perfeita e é assim que esta história nos apresenta. Duas pessoas com
personalidades distintas e comportamentos opostos que se juntam depois de um
mero encontro numa discoteca, sendo que tanto um como outro têm a sua própria
popularidade e carreira. Além disso, acompanhamos o modo como cada um lida com
as pessoas ao seu redor. Pam é uma pessoa mais simpática e delicada, enquanto
Tommy tem comportamentos mais agressivos, acabando por ser o principal
responsável do escândalo que acabou por lhe suceder, devido à forma como tratou
o seu funcionário Rand Gauthier que trabalhava nas reformas da casa do
baterista do Mötley Crüe na Califórnia e Lee estava sempre constantemente
a mudar de ideias sobre aquilo que queria e não queria pagar pelo trabalho fornecido.
Um dia, Rand vinga-se e rouba do cofre da garagem, uma cassete que iria dar
muito que falar antes de ele ter tido algumas dificuldades iniciais a vender a
mesma a distribuidores, devido a não ter os direitos de autor.
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Pam & Tommy é uma
história cheia de tensões que tem um argumento consistente que tem a capacidade
de criar interesse no espetador. Não é indicado para todos, devido a algumas cenas
explícitas de sexo, drogas, álcool e violência. Porém, o destaque da minissérie
vai para o desempenho fantástico tanto de Lily James como Sebastian Stan que
conseguiram representar a essência da Pamela Anderson e do Tommy Lee e eles estavam
completamente irreconhecíveis. Estes episódios foram sem dúvida, uma boa
surpresa e também é bom ver como era a vida nos anos 90, onde ainda não existia
redes sociais, porém a internet já estava a começar a ser introduzida na vida
das pessoas!
Leonardo é uma série
dramática com oito episódios criada por Frank Spotnitz e Steve Thompson que já
tem uma segunda temporada confirmada, sendo transmitido no canal italiano, Rai
e com uma distribuição internacional feita pela Sony Pictures Entertainment. Com
a realização de Dan Percival e Alexis Sweet, a série foi produzida pelo
italiano Lux Vide em colaboração com a Rai Fiction, Sony Pictures
Entertainment, Big Luz Productions, Alfresco Pictures do ator Freddie Highmore
e em associação com a France Télévisions e a RTVE.
A Rai Fiction apresenta este
drama histórico que pode ser visto em Portugal, através do canal RTP 1 que vai
abordar a vida do renomado artista e criador italiano, Leonardo da Vinci e é
baseado na biografia escrita pelo historiador Walter Isaacson. Este projeto
pretende desvendar o mistério de um dos maiores génios da história, cujas obras
são mundialmente conhecidas, mas de quem pouco se sabe.
O elenco é constituído por Aidan
Turner (Leonardo), Matilda de Angelis (Caterina da Cremona), James D’Arcy
(Ludovico Sforza), Alessandro Sperduti (Tommaso Masini), Freddie Highmore
(Stefano Giraldi), Robin Renucci (Piero da Vinci), Giancarlo Giannini (Andreia
del Verrocchio) e Carlos Cuevas (Salai).
Ao longo destes oito episódios,
os criadores deste enredo tomaram a decisão de apresentarem elementos ficcionais
com alguma fantasia à mistura que não são fiéis à história original. Por
exemplo, o facto de Leonardo ter sido acusado de assassinar a Caterina da Cremona
que na realidade não aconteceu e outras mudanças feitas que não coincidem com a
verdadeira história de algumas personagens. Um dos principais objetivos desta
série biográfica é mostrar a vida extraordinária de Leonardo da Vinci e todas as
obras-primas, invenções e projetos que ele teve a oportunidade de criar.
O primeiro episódio desta série inicia-se
quando em Milão no ano de 1506, Leonardo da Vinci, o artista mais famoso da sua
época é acusado do assassinato de Caterina da Cremosa, a sua musa que foi
envenenada e este caso vai ser investigado por Stefano Giraldi que tem as suas
suspeitas sobre Leonardo ser o verdadeiro culpado da morte desta mulher. Quando
está preso na Podestà, Leonardo começa a contar a sua vida a Giraldi, a partir
do momento em que conhece Caterina no atelier do mestre Andrea del Verrocchio
que se iniciou há 16 anos em Florença. Giraldi vai fazer o que for necessário
para descobrir a verdade sobre a morte de Caterina. Será que Leonardo matou
Caterina? É o que têm de esperar para ver nesta série ficcional ao mesmo tempo
que acompanhamos as aventuras de Leonardo por Florença, Milão e Imola!
Pode conter
spoilers!
Qual foi a história de Leonardo
da Vinci? Como
Leonardo conhecia a vítima e qual era a sua relação com a mesma?
Leonardo da Vinci é um homem enigmático,
atormentado, obcecado pela perfeição e com um lado mais estranho e misterioso. Ele
nasceu em Vinci na Toscana, tendo passado por uma infância difícil, onde a mãe
dele era supersticiosa e achava que ele era amaldiçoado e depois tinha uma
relação complicada com o seu pai que o abandonou aos 5 anos, tendo sido criado
pelo seu avô. As memórias da infância de Leonardo têm muitos traumas pelo meio,
onde ele tem pesadelos e sofre muito por causa do pai, apesar da sua figura
paterna lhe ajudar a ter o seu primeiro atelier. Podemos ver isso, através de
cenas de flashbacks que nos é apresentada sobre essa época peculiar da
vida dele.
Ele é uma pessoa muito
observadora, perfeccionista, curiosa e inteligente com uma personalidade
complexa que é uma figura determinada, ambiciosa e incompreendida pelos outros,
sendo que se inspira facilmente e costuma refletir sobre aquilo que lhe vão
dizendo. Infelizmente nem sempre se valoriza ou toma as melhores decisões que
podem vir a destruir tudo aquilo pelo qual ele trabalhou e fazendo com que ele
tenha de pagar o preço pelas suas ações. Alguns dizem que ele é um génio e o
resto tem medo dele, referindo que Leonardo é capaz de tudo para alcançar aquilo
que quer. Mas faça aquilo que Leonardo fizer, ele tem de lidar com as
consequências dos seus atos e quem sabe, aprender com os seus erros.
Leonardo tem um talento nato e um
dom extraordinário para as artes, sendo que consegue ver tudo ao seu redor e
onde a sua imaginação não tem limites. Ele gosta de arriscar, é perspicaz
naquilo que faz e desenha aquilo que vê que é real e aquilo que sente, em que
ele acredita que a Natureza é uma grande obra de arte e a única criação perfeita
e é isso que ele quer recriar.
Este artista imagina antes de
pintar e começa a ver coisas que lhe são mostradas, através do fumo e dá-lhe
ideias que podem fazer toda a diferença em determinados projetos. Ele também vê
histórias quando olha para as pessoas e ele refere que isso lhe costuma acontecer
quando desenha pessoas, como por exemplo quando lavam a roupa.
As habilidades impressionantes de
Leonardo vão sendo reconhecidas ao mesmo tempo que ele vai criando a sua
reputação bem forte como um dos artistas mais famosos do Renascimento em Itália.
Inicialmente, ele se tornou no aprendiz de Andrea del Verrocchio que lhe deu
uma chance depois de reconhecer o seu talento, mas que é muito exigente com os
seus alunos e lhe ensina muitas coisas, mostrando que o primeiro triunfo de um
artista é constituído por um momento que nunca se esquece. Não vão faltar projetos
desafiantes para Leonardo que lhe vão dar a oportunidade de colocar a sua
criatividade à prova e de utilizar a sua própria imaginação para os concretizar,
seja no seu próprio atelier ou noutro local. Ele segue com o seu trabalho,
aconteça o que acontecer, porém não é garantido que ele o termine, sendo que
isso acaba por acontecer em alguns dos seus projetos, onde ele desiste de obras
que dedicou muito do seu tempo e simplesmente continua o seu caminho.
Leonardo é um génio solitário repleto
de sofrimento e dor com medos e fragilidades como qualquer um que vive no seu
mundo, tem uma paixão por arte e pinturas e quer entregar uma obra de arte. Por
vezes, ele omite coisas ou é tratado injustamente ou até é prejudicado por
pintar a verdade e por isso, este artista passa por um caminho cheio de escuridão,
obstáculos e sacrifícios. Para além disso, ele é um alquimista que tem as
capacidades necessárias para envenenar alguém, pois tem facilidade em
identificar venenos e os respetivos antídotos e por isso é uma das principais
razões que se acredita na sua culpa na morte de Caterina, segundo testemunhos e
por supostamente ela ter queimado os seus trabalhos. Será que ele vai ser
enforcado?
Houve quem aprendesse com o
Leonardo e ele faz com que a pessoa mude a forma como vê o mundo e a si próprio.
Ele teve os seus rivais, mas também um grupo de assistentes que lhe foram ajudando
em algumas das suas invenções e tiveram a sua própria experiência com o
artista, seja ela positiva ou negativa.
Ao longo dos episódios foram
vários os projetos desenvolvidos por Leonardo que são exploradas na série e
começaram em Florença. Um deles foi em Milão quando Ludovico Sforza, o Duque
Regente de Milão lhe propõe a criação de um espetáculo teatral em vez de uma
pintura e de uma estátua em homenagem ao seu pai. Como nunca tinha feito antes,
Leonardo quer que a plateia sinta tudo o que vai ver e por isso, ele tem um
desafio em mãos na organização deste espetáculo que será fantástico com um
final inesperado e com surpresas.
Leonardo sempre teve o desejo de
criar uma obra prima, sendo que quer fazer as coisas da maneira certa e por
isso, tem mais uma pintura que pode ser a tal. Falamos da famosa pintura, A Última
Ceia que foi um projeto de grandes dimensões, onde seria pintada numa sala
da Santa Marie Delle Grazie em Milão. Ele tinha de escolher os rostos
mais adequados para expressar o carácter de cada apóstolo e as paredes da sala supostamente
iriam-se estender para fora da pintura. Assim, quando as pessoas entrarem e
olharem vai parecer que aquela sala é um tipo de continuidade dessa. Como se fosse
uma só e sentindo que estamos na sala como se fossemos discípulos na companhia
de Jesus durante a última refeição antes da crucificação.
Este é um trabalho intenso que
exige sacrifício, onde ele vai ter todas as cores à disposição e com a ajuda
dos seus assistentes, a pintura vai demorar largas horas e dias a ser feita. Leonardo
vai tendo os seus medos e inseguranças e assim que comete um erro, ele fica
furioso, mas recomeça de novo, por mais dificuldades que possam vir a surgir. Como
resultado final, esta é uma obra de arte brilhante, gloriosa e imortal que
emociona e dá que falar, onde Leonardo utiliza as suas técnicas e consegue superar
todas as expetativas. E é muito interessante ver o processo de criação de uma
das pinturas mais famosas deste artista e todos os respetivos detalhes, sendo
na minha opinião, um dos principais destaques desta série biográfica e
dramática.
A sua genialidade não tem limites
em que tudo é criado pela imaginação, onde através do olhar, ele tem uma
perceção peculiar para ver o sofrimento no rosto das pessoas e vê coisas que os
outros não conseguem ver. Para ele fazer um retrato precisa de conhecer a
pessoa, ou seja, a sua alma e na sua opinião apenas a arte pega na dor e
sofrimento, tendo a capacidade de transformar em beleza e de criar algo mágico.
Para além disso, ele construiu equipamentos para que sejam úteis nas suas tarefas,
fez desenhos da anatomia humana e pinturas mais íntimas ou pinturas que têm de
ocupar uma parede inteira e projetou máquinas para ajudar as pessoas a voar e também
para serem utilizadas na guerra.
Em Florença, Leonardo aceita
pintar o retrato de uma mulher que se tornará mais tarde como uma das maiores obras-primas
deste artista, a famosa Mona Lisa. Fazer este retrato foi difícil e um
grande desafio para Leonardo, porque ele teve dificuldades em terminar e fica
constantemente pensativo a olhar para a pintura. Uma coisa é certa! Leonardo
aperfeiçoou a Mona Lisa até á sua morte.
Cesare Borgia (Max Bennett) também
é uma das pessoas que o contrata para diversos projetos, mas neste caso em
Imola. Ele fez uma proposta a Leonardo para um trabalho de engenheiro na corte
dele em Imola que inclui fortalecer as paredes da fortaleza deste local, mas
também quer máquinas que sejam utilizadas como armas para destruir os seus
inimigos. Infelizmente, Leonardo tem de fazer o impensável e criar uma arma
nunca antes vista no mundo para se ir embora para a sua casa, mesmo que seja
muito valioso para o Borgia.
Caterina de Cremosa é a musa e a
amiga de Leonardo e também a pessoa que foi envenenada de um modo misterioso.
Ela e Leonardo sempre tiveram uma relação de altos e baixos, mas será que ele
era capaz de cometer tal loucura?
Inicialmente, Caterina era uma
modelo que posava para os artistas a desenharem no atelier do Andrea del
Verrocchio, sendo que estava a representar Diana, a deusa da caça e a
guardiã do submundo. Ela é uma mulher charmosa, forte, determinada e
inteligente que quer uma vida melhor para si mesma, mas já foi magoada e não
quer que volte a acontecer. Depois de ela estar a trabalhar uns tempos como
criada, Caterina recebe uma oportunidade imperdível que lhe vai dar muitas
lições de vida.
Depois de ter conhecido Leonardo,
ela aceita posar para ele para que o artista possa desenhá-la de um modo mais
privado. A partir daí, a relação de ambos foi evoluindo, onde passaram uma
temporada a viverem juntos e Caterina foi incentivando o trabalho de Leonardo, mas
pelo meio foram passando por divergências entre si, em que se chega á conclusão
que esta dupla precisa muito uma da outra, mais do que eles pensavam. Para
Leonardo, Caterina era amor e um mistério para ele!
O oficial Stefano Giraldi é a
pessoa responsável pela investigação do passado de Leonardo depois deste estar
envolvido e se tornar suspeito num caso de homicídio. Ele está encarregado de
resolver este mistério que é bem mais complexo do que se pensava, sendo que a
culpa de Leonardo tem de ser comprovada. Com as conversas que tem com Leonardo,
Giraldi acaba por ficar fascinado não só pela personalidade do artista, mas
também se sentiu cativado quando visitou a igreja da Santa Marie Delle Grazie
e viu a pintura deste génio designada pela A Última Ceia, pois segundo este
oficial, parecia que ele próprio estava à mesa com Cristo.
Este investigador tem muito pouco
tempo para descobrir o segredo de Leonardo que pode ser vital para o salvar de
ser enforcado e até acredita que o artista está disposto a destruir o que tem
para proteger alguém que ama. Como ele tem a vida de Leonardo nas suas mãos,
Stefano tem de encontrar evidências que comprovam a inocência deste
prisioneiro. Será que Stefano vai conseguir descobrir a verdade e a identidade
da pessoa que matou Caterina?
A história vai sendo contada aos
poucos para chegar ao momento em que Leonardo foi preso, sendo que são
utilizados flashbacks da sua vida para se perceber afinal como a sua
jornada começou e como as pessoas se impressionaram com ele. Houve uma
liberdade criativa na série que teve alguns resultados interessantes, mas nem
sempre existiu um compromisso para com a história real e nem com as datas que
não chegaram a ser precisas e eu acho que teria sido uma mais valia se
existissem mais cenas verídicas.
Dá para perceber que produzir
esta série foi um desafio com uma banda sonora que cria o sentimento exato para
o espetador e intensifica o momento que está a ocorrer num período específico
da história. É uma boa representação que referem frases pertinentes e é constituída
por momentos que tem intrigas, tensão, traição, perigo, política e guerra. O genérico
é bem diferente do que possamos estar à espera, onde a apresentação dos nomes
do elenco é feita de um modo original, mas completamente indicado para a
história que está a ser apresentada.
Leonardo retrata a vida extraordinária de Leonardo da Vinci através
das obras que o tornaram famoso, explorando as histórias escondidas nessas
obras, revelando pouco a pouco, o tormento interior de um homem obcecado em
alcançar a perfeição.
Num geral, um olhar pela história sobre o Leonardo da Vinci não deixa de ser maravilhosa e surpreendente, cativando o espetador de formas inesperadas, através das suas personagens, mas podia ter sido muito mais equilibrada, relativamente aos detalhes que não são fiéis e ao que aconteceu na realidade. Temos a oportunidade de conhecer o que está por trás deste génio que nos deixa a pensar! Uma coisa é certa! Leonardo Da Vinci sempre foi um autêntico mistério e são muitos os segredos da sua vida que ainda ficam por descobrir!