Mostrar mensagens com a etiqueta Drama Biográfico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Drama Biográfico. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de maio de 2026

I Swear é uma obra inspiradora, interessante e bastante relevante que pode fazer a diferença na vida de alguém com Síndrome de Tourette

I Swear (Mais Forte Que Eu, como título em português) é inspirado numa história verídica que é focada na Síndrome de Tourette. O realizador é Kirk Jones e este filme é vencedor de 3 BAFTA em 2026 (Melhor Casting, e Robert Aramayo como Estrela em Ascensão e Melhor Ator Principal). Este drama biográfico é protagonizado por Robert Aramayo, Peter Mullan e Maxine Peake.

Esta é a inspiradora e extraordinária história de vida de John Davidson, um notável ativista da Síndrome de Tourette. É um drama biográfico com a duração de duas horas emocionalmente envolvente, divertido e cativante que acompanha o diagnóstico de Tourette de John Davidson aos 14 anos. Passada na Grã-Bretanha dos anos 80, a história acompanha a adolescência conturbada e o início da vida adulta deste rapaz, explorando esta condição pouco conhecida e frequentemente mal compreendida, bem como as suas tentativas de levar uma vida “normal” contra todas as probabilidades.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Este é um vislumbre da luta de John Davidson contra a Síndrome de Tourette, uma condição que poucas pessoas tinham testemunhado.

Contudo, há histórias que podem ser fulcrais para uma mudança significativa no modo como vemos muita coisa. E este é um desses exemplos que pode realmente fazer a diferença e quem sabe, até mudar vidas.

Quando menos esperamos, algo tão trágico pode vir a acontecer. No caso de John Davidson, ele era um jovem de 14 anos com amigos e possuindo um talento como guarda-redes, chegando a um ponto que poderia ter um futuro promissor. Porém, o aparecimento desta condição médica mudou para sempre a sua vida.

Inicialmente, ele tentou disfarçar ou ignorar os tiques e o que lhe estava a acontecer. Mas à medida que os sintomas iam evoluindo, percebeu que não podia voltar à sua normalidade e teria assim, de se adaptar a uma nova realidade. E até chegou a utilizar o riso, como um género de mecanismo de defesa.

Além disso, na altura em que isto lhe aconteceu, não era uma doença tão conhecida. Por isso mesmo, ao início foi difícil de se diagnosticar e a sociedade ao seu redor não sabia lidar com isso.

Para quem não sabe, a Síndrome de Tourette é caracterizada por tiques simples, complexos e incontroláveis que vão sendo variados e divididos entre vocais e motores. No entanto, vai muito além dos tiques, pois também, inclui o transtorno obsessivo-compulsivo, a ansiedade, o cansaço de tentar fingir que não há nada de errado e o peso que se carrega em tentar esconder e suprimir os tiques, algo que não se consegue controlar.

Divulgação: Pris Audiovisuais

I Swear é uma obra inspiradora, interessante e bastante relevante que pode mesmo fazer a diferença na vida de alguém com Síndrome de Tourette, através do ensino daquilo que define esta condição médica e o que implica.

Esta é uma história impactante que precisa de ser conhecida e nos sensibiliza a todos sobre a Síndrome de Tourette, sendo que também contém cenas que absolutamente fazem rir. É uma luta extremamente e constantemente desafiante. Isto, porque o problema não é a condição em si. Mas sim, é o facto de as pessoas não saberem o suficiente sobre a Síndrome de Tourette e por isso, não conseguem compreender e lidar com quem sofre com a doença.

Com este filme, aprendemos muito em relação à Síndrome de Tourette. Como todas as pessoas que vivem com isto são diferentes e precisam de apoio e compreensão, em vez de críticas e julgamentos. E até têm os seus próprios sintomas, tiques e comportamentos. Além disso, é essencial que se saiba viver com este diagnóstico e apoiar quem sofre disso. Também mostra que a pessoa que insulta e tem determinados comportamentos involuntários não tem culpa. Por exemplo, em 2019 quando John Davidson estava prestes a ser homenageado pela Rainha pelos serviços prestados ao povo britânico, ele grita um insulto involuntário na presença da própria monarca.

Para além disso, é fundamental perceber que esta doença não define quem a tem.  

Ao longo desta narrativa, temos momentos comoventes e outros duros de tensão que conseguem ser tão autênticos e por vezes, dolorosos, enquanto é representada a vida real do escocês John Davidson. Para ele, o aparecimento do Síndrome de Tourette começou desde logo pela escola. Foi por isso que passou a ser a um alvo de bullying e violência física e a meter-se involuntariamente, em sarilhos. As crianças eram cruéis com ele e já os adultos eram incompreensíveis e confundiam os sintomas desta síndrome com má educação ou falta de disciplina. Mas, apesar de todas as dificuldades que teve, ele descobriu o poder do riso e se tornou mais tarde, num ativista. E quis assim, partilhar a sua experiência e ajudar outras pessoas na mesma situação.  

Divulgação: Pris Audiovisuais

E muito do impacto que se criou ao redor de I Swear foi devido às performances excelentes do seu elenco, principalmente a atuação brilhante e criativa de Robert Aramayo a dar vida ao protagonista. Muitas vezes, as suas expressões faciais e corporais valeram mais do que palavras, sendo que dá para ver que ele fez uma construção muito precisa, de acordo com os encontros que teve com John Davidson. Os tiques não são exagerados e são integrados de forma natural na personagem. Enquanto isso, ele enfrenta uma batalha interna que afeta desde as suas relações pessoais e passando pela sua carreira profissional. Para além disso, ele também concilia a dor, a solidão e a energia caótica da sua personagem com a vulnerabilidade, sofrimento e resiliência que também fazem parte da essência dele.

Houve situações que até tiveram a sua piada, mesmo com todos os seus tiques e impulsos incontroláveis, a sua linguagem peculiar envolvida em alguns palavrões e o seu sarcasmo e humor negro que deixava os outros desconfortáveis. Contudo, John Davidson era bondoso e respeitador com as pessoas mais próximas e por isso, conseguimos criar uma empatia imediata, compaixão e dar valor a ele.

I Swear é importante, envolvente, tem o seu lado mais emocionante e faz-nos refletir profundamente sobre este tema do Síndrome de Tourette que é uma realidade muito complexa e cheia de desafios diários e fragilidades. E também pensamos na tolerância e na forma como lidamos com os outros, principalmente aqueles que têm condições específicas ou uma deficiência. Proporciona uma grande aprendizagem e cria uma margem para se abrir conversas sobre o assunto que poderá ajudar quem tem Síndrome de Tourette, os familiares respetivos e a própria sociedade.

Por isso, I Swear é daqueles filmes que não podem mesmo perder! E que merece reconhecimento!

domingo, 26 de abril de 2026

Michael é um biopic arrepiante e um grande presente para os fãs de Michael Jackson

Chegou a hora de acompanharmos a história de origem de uma Lenda com o nome de Michael Jackson!

Esta é uma homenagem à vida e ao legado de um dos artistas mais influentes que o mundo já conheceu. O famoso Rei do Pop.

Michael é o biopic deste artista realizado por Antoine Fuqua e é protagonizado por Jaafar Jackson, sobrinho do próprio Michael Jackson.

O filme conta a história da vida de Michael Jackson para além da música, traçando a sua jornada desde a descoberta do seu talento extraordinário como líder dos Jackson Five até se tornar um artista visionário cuja ambição criativa alimentou uma busca incansável para se tornar o maior artista do mundo.

Destacando tanto a sua vida fora do palco como algumas das atuações mais icónicas do início da carreira a solo, o filme oferece ao público um lugar na primeira fila para ver Michael Jackson como nunca antes. E é aqui que a sua história começa.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Isto é como se fosse uma introdução à sua vida até chegar ao último concerto, onde partilhou o palco com os seus irmãos. Ficamos com uma noção de como ele foi criado e um traço da sua infância. E depois, como ele tenta encontrar a sua voz, em primeiro lugar, como um artista e logo de seguida, como um artista a solo.

Pode-se considerar como um género de retrato mais intimista do que era o Michael, mas claro que há muita coisa que não chegou a ser retratada. E até pode ser essa uma das razões pelo qual esta produção tem sido criticada por quem já assistiu e tem dividido opiniões.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Michael é um biopic arrepiante e um grande presente para os fãs deste artista, no qual temos a oportunidade de conhecer melhor o seu lado mais humano e vulnerável. Para além disso, acompanhamos o seu talento extraordinário e performances espetaculares.

Naquela altura e até mesmo agora, não existia ninguém como Michael Jackson. Ele tinha uma relação complicada com o seu pai. E é através dessa dinâmica difícil que vemos a sua vulnerabilidade e o receio que tinha em seguir com as suas convicções. Por isso, ele estava constantemente a ser atormentado e a lidar com a dor e os traumas causados pelo seu pai. Mesmo assim, isso não o impediu de continuar a lutar por aquilo que acreditava.

Há que dar o reconhecimento merecido ao desempenho excelente de Colman Domingo, dando vida ao pai de Michael Jackson. Já não é a primeira vez que vemos este ator num papel de antagonista. Ele fez de novo um ótimo trabalho, ao ponto de o espetador convencer-se no ser humano intragável que este era para Michael.  

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Um dos destaques vai sem dúvida, para Jafaar Jackson e Juliano Valdi, que interpretam o Michael Jackson, onde podemos ver performances brilhantes e até chega a uma altura, em que a pessoa fica com a sensação que está a assistir ao próprio Michael Jackson. É mesmo fantástico, o trabalho detalhado que foi feito por Jafaar Jackson e cuja preparação teve a duração de cerca de três anos. E houve situações em parece mesmo que ele tinha o espírito do seu tio a acompanhá-lo.

Agora, uma das minhas partes favoritas neste filme foi a recriação do videoclip do Thriller que traz imediatamente uma sensação de nostalgia e foi mesmo incrível! Admito que esta é uma das minhas músicas favoritas dele. E aquele videoclip com a sua coreografia peculiar e excecional, simplesmente, marcou-me até aos dias de hoje e deixa-me sempre com um grande sorriso. Por isso, foi muito interessante ver como tudo foi pensado e executado e ainda, sentir aquela magia tão única e contagiante.

Michael pode não ser perfeito, mas celebra com energia e carinho o legado dele e também mostra a essência deste artista. As atuações são maravilhosas e envolvidas em coreografias de dança criativas, de tal forma, que somos transportados para a audiência presente nos concertos. Para além disso, conseguimos perceber melhor, o fenómeno que ele foi e que continua a ser, onde marcou a vida de milhões de admiradores.   

Um ícone que nunca iremos esquecer!

Por isso, vão ver este filme, principalmente se são fãs do Michael Jackson e aproveitem para mergulhar nas músicas icónicas do incomparável Rei do Pop. E que venha a sua continuação!

De seguida, também partilho um vídeo de quando fui assistir ao filme e uma crítica que fiz de Michael que estão ambos disponíveis na conta de YouTube (sigam o canal)!




sexta-feira, 3 de outubro de 2025

"The Smashing Machine: Coração de Lutador" - o que esperar deste filme protagonizado por Dwayne Johnson e Emily Blunt

 

Depois de ter sido aplaudido durante cerca de 15 minutos na estreia mundial do Festival de Veneza de 2025 e até recebido o Leão de Prata de Melhor Realizador que foi atribuído a Benny Safdie, The Smashing Machine: Coração de Lutador criou uma certa expetativa para o público.

Com Dwayne Johnson como protagonista que também teve Emily Blunt e Ryan Bader a completar este elenco, este filme independente é produzido e distribuído nos EUA pela A24.

Toda esta narrativa é inspirada na história verídica de Mark Kerr, lenda do MMA nos primórdios da UFC, onde apresenta um homem que está dividido entre a glória no ringue e o caos na vida pessoal, num retrato intenso sobre superação, vício e identidade.

É inicialmente focado no auge da sua carreira, sendo que em pleno ano 2000, ele enfrenta uma batalha interna marcada pelo vício, a pressão da vitória, o amor e a fragilidade das amizades.

Esta era uma era implacável para este desporto de combate, em que o mínimo erro podia deitar tudo a perder. E aquilo que não se vê e que acaba por ser o lado negro da coisa é a tensão constante que existe entre a glória exterior e o colapso interior que pode acontecer a qualquer momento.

Divulgação: A24 e NOS Audiovisuais

The Smashing Machine: Coração de Lutador apresenta como um desporto tão brutal e exigente pode ter o seu lado menos bonito, sendo que se transforma numa batalha interna que envolve ter de fazer sacrifícios e lidar com vícios perigosos e todo o tipo de emoções que vão surgindo. Enquanto isso, vai percorrendo um caminho com um tom obscuro que acompanha a queda e a luta pela redenção de um campeão, em que não basta ter só força. E também explora a resiliência profunda, a trajetória desafiante e o lado mais vulnerável deste protagonista que acreditava plenamente que nada o iria deitar abaixo e que nunca iria sentir a sensação de perder um combate.

É interessante assistir a um registo completamente diferente do trabalho de representação de Dwayne Johnson que iniciou a sua carreira nos ringues da WWE. Dá para perceber que foi um papel bastante rigoroso para esta figura emblemática que deu vida ao icónico Mark Kerr, um lutador que entrou numa rota de colisão com os seus próprios limites e cujo sucesso desportivo já não era suficiente para o manter de pé. E houve momentos que deu para sentir o impacto emocional que a interpretação de Dwayne Johnson quis transmitir deste lutador que teve de enfrentar os seus próprios demónios, enquanto testava os seus limites físicos e morais. Por isso em algumas cenas, ele com o seu desempenho conseguiu surpreender pela positiva.   

Para além disso, houve uma dinâmica que caso tivesse sido mais explorada, teria sido uma forma de melhorar significativamente a trama geral. Neste caso, seria a relação de companheirismo entre Mark Kerr e Mark Coleman que poderia ter trazido uma vantagem significativa para o resultado desta produção. Além disso, ocorreram alturas em que a pessoa fica com mais interesse em saber mais sobre a carreira e jornada de Mark Coleman do que acompanhar o inapropriado desequilíbrio que existiu em contar a história do próprio Mark Kerr.

Como admiradora de artes marciais, os combates para mim foram um dos destaques, sendo que a pessoa sente um pontinho de adrenalina quando está a assistir. Também foi boa ideia mostrarem alguns dos treinos de preparação que são necessários para que os lutadores estejam no seu melhor nível.

Divulgação: A24 e NOS Audiovisuais

Em relação ao papel de Emily Blunt como Dawn Staples, existiram alturas em que perdia a sua relevância, chegando a protagonizar cenas mais cansativas. No entanto, uma das cenas mais poderosas do filme foi uma discussão intensa e esgotante entre as personagens Mark Kerr e Dawn Staples que se tornou num ótimo trabalho de representação, tanto de Dwayne Johnson, como de Emily Blunt.

Num modo geral, The Smashing Machine: Coração de Lutador é um filme de superação que foi mal aproveitado, perdeu um pouco o seu controlo e poderia ter sido apresentado de uma forma mais interessante. É que ficou tão preso a determinados períodos que levou a caminhos sombrios que perderam o encanto. E que acabaram por influenciar e trazer um rumo desequilibrado na sua narrativa, chegando a perder-se por diversas vezes. Assim, a sua duração não deveria ter sido tão longa como foi.  

Não é um filme mau, sendo que a narrativa em si poderia ter sido organizada de um modo diferente e até ter tido uma melhor abordagem em pontos mais interessantes relacionados com este desporto de combate, os respetivos bastidores e as dificuldades que os lutadores sentem realmente na pele. Mas infelizmente, não foi o resultado esperado.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Filme "A Complete Unknown" - o que esperar do biopic dedicado a Bob Dylan e protagonizado por Timothée Chalamet

 

A Searchlight Pictures apresenta A Complete Unknown, o novo filme realizado por James Mangold. Este é um biopic dedicado a Bob Dylan, onde Timothée Chalamet desempenhou este artista e compositor bem icónico, sendo que o resto do elenco é composto por Edward Norton, Elle Fanning, Monica Barbaro, Boyd Holbrook, Dan Fogler, Norbert Leo Buzt e Scoot McNairy. Atualmente, o filme está disponível na plataforma de streaming da Disney+.

Além disso, na 82ª edição dos Globos de Ouro teve três nomeações nas categorias de Melhor Filme de Drama, Melhor Ator de Drama (Timothée Chalamet) e Melhor Ator Secundário (Edward Norton). Já na edição dos Óscares teve oito nomeações nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador (James Mangold), Melhor Ator (Timothée Chalamet), Melhor Ator Secundário (Edward Norton), Melhor Atriz Secundária (Monica Barbaro), Melhor Som, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Guarda-Roupa.

O filme decorre na influente cena musical de Nova Iorque do início dos anos 60 e segue a ascensão meteórica do músico do Minnesota de 19 anos, Bob Dylan (Timothée Chalamet), como cantor folk até às salas de concerto e topo das tabelas – as suas canções e mística tornaram-no numa sensação mundial – culminando com a sua atuação inesquecível de rock and roll elétrico no Newport Folk Festival em 1965.

Aqui num cenário musical vibrante e de tumulto cultural, temos um enigmático jovem de 19 anos do Minnesota que chega a West Village com a sua guitarra e um talento revolucionário, destinado a mudar o rumo da música americana. Ao mesmo tempo que estabelece as suas relações mais íntimas durante a sua ascensão à fama, fica inquieto com o movimento folk e, recusando-se a ser definido, faz uma escolha controversa que se irá repercutir culturalmente em todo o mundo.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Bob Dylan é uma pessoa complexa, rebelde e determinada com uma maneira de ser muito peculiar que nem sempre os outros têm a capacidade de compreender. Ele acaba por se sentir um completo estranho com ideias mais refrescantes que nem todos irão aceitar de bom grado, chegando a um ponto que mostra alguma indiferença perante os outros e luta por aquilo que quer. Mesmo assim com uma agitação cultural, ele cria relações mais chegadas com ícones da música em Greenwich Village que levaram a uma mudança súbita. E que mais tarde, iria revolucionar a música americana para sempre.

De um modo eletrizante, A Complete Unknown leva-nos a viajar de volta ao tempo para conhecermos a ascensão de um fantástico cantor e compositor, capturando uma história verídica e perspicaz. A música representa a alma deste filme, onde as atuações apresentadas são excecionais, inovadoras e por vezes, mais controversas. E também é uma homenagem bem elaborada e executada que teve um forte começo. Porém, acabou por deslizar um pouco nos últimos atos. Quando terminamos de assistir ao filme, ficamos com a sensação de que falta algo, sendo que as expetativas acabam por não serem totalmente correspondidas e chegamos à conclusão de que não tivemos um conhecimento suficiente deste artista.  

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

No entanto, nós não estamos só a acompanhar a jornada artística de Bob Dylan durante os anos 60, mas também às respetivas mudanças históricas e culturais dessa altura que encaixam na perfeição. A produção contém um ritmo equilibrado, um som nítido e tem atenção aos detalhes para que o resultado seja o mais fidedigno possível, incluindo nos próprios cenários e guarda-roupa. O trabalho a nível técnico foi bem-sucedido e a implementação de um alívio cómico no argumento foi uma boa escolha.     

Além disso, também nos é mostrado de um modo impressionante como a música folk e as canções daquela época tinham muita relevância nas diferentes comunidades e ainda, como era o ambiente do Newport Folk Festival. E esse foi o local onde Bob Dylan teve no set a sua maior transformação, cuja receção não foi inicialmente bem aceite pelos espetadores desse festival. Um ato de coragem e impulsividade repleto de controvérsia que iria mudar para sempre a carreira de Bob Dylan.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Este é um filme biográfico autêntico com um tom poético e ousado que tem o seu impacto e capturou eficazmente tanto a época, onde a narrativa é situada, como os traços característicos próprios de Bob Dylan, através da interpretação sublime e convincente de Timothée Chalamet, que também transmite a genialidade, o brilho e vulnerabilidade deste ícone bem influente da música internacional. Também possui um lado mais emocionante e envolvente que cria uma ligação especial do espetador para com as suas canções e com algumas das pessoas ao seu redor que foram essenciais para o seu crescimento no mundo da música.

A Complete Unknown também nos mostra a importância que a música tem para a nossa vida. Seja ela, um tipo de refúgio ou simplesmente uma forma para transmitir os ideais de alguém e assim, criar uma voz que nos possa ajudar a libertar das complicações pelos quais vamos passando. Naquela altura, a música tinha um poder único em implementar mudanças e mesmo nos dias atuais, esta arte continua a desempenhar um papel significativo na sociedade.

Este é um drama vibrante que não podem perder e que se foca na vida de Bob Dylan de 1961 a 1965, ou seja, os primeiros quatro anos da sua carreira musical. E complementando o que já foi referido anteriormente, depois de assistirmos, nós ficamos com a impressão de que este artista continua a ser um mistério com muitos segredos por desvendar. Contudo, continua a conquistar inúmeros admiradores com os seus maiores sucessos, por mais anos que possam vir a passar.



sexta-feira, 18 de outubro de 2024

O filme "The Apprentice: A História de Trump" promete dar que falar

The Apprentice: A História de Trump promete dar que falar! Realizado por Ali Abbasi e protagonizado por Sebastian Stan, Jeremy Strong e Maria Bakalova, esta produção segue a ascensão do jovem Donald Trump ao poder através de um pacto faustiano que faz com o influente advogado e facilitador político Roy Cohn.

Depois de ter sido visto na edição deste ano do Festival de Cannes e com estreia perto das eleições americanas, Donald Trump tentou a todo o custo evitar que este drama biográfico visse a luz do dia. Contudo, ele não foi bem-sucedido e por isso, esta produção cinematográfica quem sabe, até pode vir a ter efeitos na sua própria campanha presidencial.

Esta história decorre em Nova Iorque na década de 1970. Decidido a sair da sombra do seu poderoso pai e a fazer nome no sector imobiliário de Manhattan, o aspirante a magnata Donald J. Trump está no começo da sua carreira quando conhece o homem que se tornará uma das figuras mais importantes da sua vida: o facilitador político Roy Cohn. Vendo que o jovem Donald é promissor, o influente advogado, que garantiu as condenações por espionagem de Julius e Ether Rosenberg e investigou alegados comunistas juntamente com o senador Joseph McCarthy, ensina ao seu novo acólito como acumular riqueza e poder através da mentira, intimidação e manipulação da comunicação social. O resto é história.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Inicialmente, temos um Donald Trump numa versão mais ingénua que queria mostrar o seu valor e ter a aprovação do seu pai, enquanto construía o seu império que prometia mudar para sempre a cidade de Nova Iorque. Um dia, quando ele conheceu o manipulador e eficaz advogado, Roy Cohn, a sua vida nunca mais seria a mesma.  

Com este drama biográfico, temos a chance de conhecer melhor o trajeto desta figura polémica que por momentos até poderia criar alguma simpatia, dependendo da perspetiva de cada um. Enquanto isso, ele também conquistou o poder, através da influência bem perigosa de Roy Cohn. Além disso, também nos é apresentado como é que Trump conheceu a sua primeira mulher e como se desenrolou este casamento.

Roy Cohn é daquelas pessoas intimidantes que acabou por ser o principal interveniente na transformação arrebatadora e alucinante de Trump na pessoa que é hoje, através das suas lições duvidosas e incorretas que pelos vistos, acabavam por resultar no mundo real e chegar assim, ao objetivo pretendido. Lições essas que Trump coloca em prática, ainda nos dias de hoje. Por instantes, até acaba por ser de uma certa forma, assustador como é que uma única pessoa pode ter tanto efeito em alguém e de um modo tão negativo.

Divulgação: NOS Audiovisuais

The Apprentice: A História de Trump é uma visão bem realista desta figura norte-americana que move multidões perante os seus ideais e consegue criar perante o público, todo o tipo de reações. É muito interessante poder acompanhar uma parte da sua jornada cheia de controvérsias, manipulações e intrigas. O argumento em si foi bem constituído e executado num ritmo adequado. A nível cinematográfico foi bem conseguido e tendo sido bem introduzida a época da história que estava a ser contada, apesar da escolha na banda sonora não ter sido sempre composta por músicas que se relacionassem e fizessem sentido com a cena que estava a ser mostrada.  

Um dos principais destaques vai para a excelente interpretação, tanto de Sebastian Stan, como de Jeremy Strong. Sempre que partilhavam uma cena, esta dupla conseguiu brilhar, cada um à sua maneira. E ainda, tiveram a capacidade nata de criar inúmeras emoções no próprio espetador que estava constantemente cativado e atento ao que estava a assistir. Relativamente a Sebastian Stan, deve ser aqui referido que ele mergulhou profundamente e de um modo muito competente na forma como representou Donald Trump. E fez um ótimo trabalho, onde não faltou os tiques e as expressões corporais típicas de Trump. Já Jeremy Strong teve um fantástico desempenho neste ser humano com uma personalidade sem escrúpulos que conseguia sempre o que queria, através das suas estratégias implementadas que eram imbatíveis.

Divulgação: NOS Audiovisuais

The Apprentice: A História de Trump foi uma surpresa inesperada com mensagens enigmáticas e marcantes que merece ser vista. E que traz temas pertinentes e um lado perspicaz, por vezes perigoso e até útil sobre a vida deste homem que sempre soube aquilo que estava a fazer, não assumindo quando estava errado e magoando muitas vezes as pessoas mais próximas dele. Mesmo que tivesse de descartar quem lhe estava a condicionar o seu caminho, para ele as consequências dos seus atos não interessavam. O que importava era a sua verdade e mais nada. Mas, que na realidade e apesar de tudo, ele precisou de um mentor fulcral e inteligente para chegar à personalidade da atualidade que lhe ensinou aquilo que era necessário para garantir o seu sucesso e o poder que sempre ambicionou deste muito novo. Agora, depois de verem o filme, tirem as vossas próprias conclusões. Conseguem perceber a razão pelo qual Trump tentou prejudicar o lançamento desta produção?

Então, já conhecemos um pouco melhor esta figura complexa de Trump que quer queira, quer não, este filme irá ter um efeito significativo não só na sua vida atual, mas também no seu próprio futuro. Será que este drama biográfico vai ter influência nas eleições norte-americanas? É isso que vamos ter de esperar para ver! 



terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O que esperar do filme Pássaro Branco: Uma História Extraordinária?

Do realizador Marc Forster e baseado no livro homónimo de R.J. Palacio, Pássaro Branco: Uma História Extraordinária (White Bird, como título original) é um drama biográfico que tem estreia marcada para dia 18 de janeiro nos cinemas. O elenco é composto por nomes como Helen Mirren, Bryce Gheisar e Gillian Anderson.

Do autor do best-seller Wonder – Encantador, o livro que gerou o movimento inspirador “escolha ser gentil”. Em Pássaro Branco: Uma História Extraordinária, a narrativa da história é contada por uma avó ao seu neto, Julian (Bryce Gheisar), que tem estado a tentar perceber o motivo pelo qual foi expulso da escola pelo seu comportamento para com Auggie Pullman, o menino que nasceu com uma malformação facial. Num ato de transformar a vida do neto, a avó (Helen Mirren) vai revelar a Julian a sua própria história de coragem – durante a sua juventude vivida na França ocupada pelos nazis, um rapaz protege-a de um perigo mortal. Eles vão viver o seu primeiro amor num mundo mágico e deslumbrante criado por eles mesmos, enquanto a mãe do rapaz (Gillian Anderson) arrisca tudo para mantê-los seguros. Um ato de gentileza que irá mudar corações, constituir laços e, até mesmo, salvar vidas.

Pássaro Branco: Uma História Extraordinária é um filme construtivo sobre como um ato de bondade pode viver para sempre nos nossos corações.

Esta produção tem a capacidade de retratar com carinho uma jornada inspiradora sobre como um ato de generosidade pode mudar realmente a vida de uma pessoa. É uma lição de vida pertinente que faz refletir, em relação aquilo que realmente importa. Contudo, é uma história maioritariamente focada num período de um autêntico terror, enquanto se enfrentava o perigo constante e se escapava das crueldades dos seguidores de Hitler. Uma época em que França era ocupada por nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, sendo que os judeus eram os principais alvos. Mesmo numa altura tão complexa e assustadora quanto esta, ainda existia esperança e fé.

E também havia quem tivesse compaixão e coragem suficiente para ajudar e até transformar de um modo positivo, a vida de alguém. Este é o poder de ser uma pessoa com bom coração e resiliente que coloca a sua própria vida em risco, por aquilo que acredita que seja o mais correto.  

Além disso, são discutidos temas que ainda hoje continuam a acontecer, como o bullying, a discriminação, a sobrevivência e a guerra. Situações que deixam qualquer um a pensar que é necessária uma mudança e até uma transformação urgente.

Pássaro Branco: Uma História Extraordinária traz uma mensagem profunda e forte sobre como alguém tem a habilidade excecional de ser corajosa, determinada e genuína, apesar de todas as dificuldades e sacrifícios que possam vir a surgir e ainda, mudar para sempre, a vida de uma pessoa.