sábado, 16 de maio de 2026

I Swear é uma obra inspiradora, interessante e bastante relevante que pode fazer a diferença na vida de alguém com Síndrome de Tourette

I Swear (Mais Forte Que Eu, como título em português) é inspirado numa história verídica que é focada na Síndrome de Tourette. O realizador é Kirk Jones e este filme é vencedor de 3 BAFTA em 2026 (Melhor Casting, e Robert Aramayo como Estrela em Ascensão e Melhor Ator Principal). Este drama biográfico é protagonizado por Robert Aramayo, Peter Mullan e Maxine Peake.

Esta é a inspiradora e extraordinária história de vida de John Davidson, um notável ativista da Síndrome de Tourette. É um drama biográfico com a duração de duas horas emocionalmente envolvente, divertido e cativante que acompanha o diagnóstico de Tourette de John Davidson aos 14 anos. Passada na Grã-Bretanha dos anos 80, a história acompanha a adolescência conturbada e o início da vida adulta deste rapaz, explorando esta condição pouco conhecida e frequentemente mal compreendida, bem como as suas tentativas de levar uma vida “normal” contra todas as probabilidades.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Este é um vislumbre da luta de John Davidson contra a Síndrome de Tourette, uma condição que poucas pessoas tinham testemunhado.

Contudo, há histórias que podem ser fulcrais para uma mudança significativa no modo como vemos muita coisa. E este é um desses exemplos que pode realmente fazer a diferença e quem sabe, até mudar vidas.

Quando menos esperamos, algo tão trágico pode vir a acontecer. No caso de John Davidson, ele era um jovem de 14 anos com amigos e possuindo um talento como guarda-redes, chegando a um ponto que poderia ter um futuro promissor. Porém, o aparecimento desta condição médica mudou para sempre a sua vida.

Inicialmente, ele tentou disfarçar ou ignorar os tiques e o que lhe estava a acontecer. Mas à medida que os sintomas iam evoluindo, percebeu que não podia voltar à sua normalidade e teria assim, de se adaptar a uma nova realidade. E até chegou a utilizar o riso, como um género de mecanismo de defesa.

Além disso, na altura em que isto lhe aconteceu, não era uma doença tão conhecida. Por isso mesmo, ao início foi difícil de se diagnosticar e a sociedade ao seu redor não sabia lidar com isso.

Para quem não sabe, a Síndrome de Tourette é caracterizada por tiques simples, complexos e incontroláveis que vão sendo variados e divididos entre vocais e motores. No entanto, vai muito além dos tiques, pois também, inclui o transtorno obsessivo-compulsivo, a ansiedade, o cansaço de tentar fingir que não há nada de errado e o peso que se carrega em tentar esconder e suprimir os tiques, algo que não se consegue controlar.

Divulgação: Pris Audiovisuais

I Swear é uma obra inspiradora, interessante e bastante relevante que pode mesmo fazer a diferença na vida de alguém com Síndrome de Tourette, através do ensino daquilo que define esta condição médica e o que implica.

Esta é uma história impactante que precisa de ser conhecida e nos sensibiliza a todos sobre a Síndrome de Tourette, sendo que também contém cenas que absolutamente fazem rir. É uma luta extremamente e constantemente desafiante. Isto, porque o problema não é a condição em si. Mas sim, é o facto de as pessoas não saberem o suficiente sobre a Síndrome de Tourette e por isso, não conseguem compreender e lidar com quem sofre com a doença.

Com este filme, aprendemos muito em relação à Síndrome de Tourette. Como todas as pessoas que vivem com isto são diferentes e precisam de apoio e compreensão, em vez de críticas e julgamentos. E até têm os seus próprios sintomas, tiques e comportamentos. Além disso, é essencial que se saiba viver com este diagnóstico e apoiar quem sofre disso. Também mostra que a pessoa que insulta e tem determinados comportamentos involuntários não tem culpa. Por exemplo, em 2019 quando John Davidson estava prestes a ser homenageado pela Rainha pelos serviços prestados ao povo britânico, ele grita um insulto involuntário na presença da própria monarca.

Para além disso, é fundamental perceber que esta doença não define quem a tem.  

Ao longo desta narrativa, temos momentos comoventes e outros duros de tensão que conseguem ser tão autênticos e por vezes, dolorosos, enquanto é representada a vida real do escocês John Davidson. Para ele, o aparecimento do Síndrome de Tourette começou desde logo pela escola. Foi por isso que passou a ser a um alvo de bullying e violência física e a meter-se involuntariamente, em sarilhos. As crianças eram cruéis com ele e já os adultos eram incompreensíveis e confundiam os sintomas desta síndrome com má educação ou falta de disciplina. Mas, apesar de todas as dificuldades que teve, ele descobriu o poder do riso e se tornou mais tarde, num ativista. E quis assim, partilhar a sua experiência e ajudar outras pessoas na mesma situação.  

Divulgação: Pris Audiovisuais

E muito do impacto que se criou ao redor de I Swear foi devido às performances excelentes do seu elenco, principalmente a atuação brilhante e criativa de Robert Aramayo a dar vida ao protagonista. Muitas vezes, as suas expressões faciais e corporais valeram mais do que palavras, sendo que dá para ver que ele fez uma construção muito precisa, de acordo com os encontros que teve com John Davidson. Os tiques não são exagerados e são integrados de forma natural na personagem. Enquanto isso, ele enfrenta uma batalha interna que afeta desde as suas relações pessoais e passando pela sua carreira profissional. Para além disso, ele também concilia a dor, a solidão e a energia caótica da sua personagem com a vulnerabilidade, sofrimento e resiliência que também fazem parte da essência dele.

Houve situações que até tiveram a sua piada, mesmo com todos os seus tiques e impulsos incontroláveis, a sua linguagem peculiar envolvida em alguns palavrões e o seu sarcasmo e humor negro que deixava os outros desconfortáveis. Contudo, John Davidson era bondoso e respeitador com as pessoas mais próximas e por isso, conseguimos criar uma empatia imediata, compaixão e dar valor a ele.

I Swear é importante, envolvente, tem o seu lado mais emocionante e faz-nos refletir profundamente sobre este tema do Síndrome de Tourette que é uma realidade muito complexa e cheia de desafios diários e fragilidades. E também pensamos na tolerância e na forma como lidamos com os outros, principalmente aqueles que têm condições específicas ou uma deficiência. Proporciona uma grande aprendizagem e cria uma margem para se abrir conversas sobre o assunto que poderá ajudar quem tem Síndrome de Tourette, os familiares respetivos e a própria sociedade.

Por isso, I Swear é daqueles filmes que não podem mesmo perder! E que merece reconhecimento!

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