I
Swear (Mais Forte
Que Eu, como título em português) é inspirado numa história verídica que é
focada na Síndrome de Tourette. O realizador é Kirk Jones e este filme é vencedor
de 3 BAFTA em 2026 (Melhor Casting, e Robert Aramayo como Estrela em Ascensão e
Melhor Ator Principal). Este drama biográfico é protagonizado por Robert
Aramayo, Peter Mullan e Maxine Peake.
Esta
é a inspiradora e extraordinária história de vida de John Davidson, um notável
ativista da Síndrome de Tourette. É um drama biográfico com a duração de duas
horas emocionalmente envolvente, divertido e cativante que acompanha o
diagnóstico de Tourette de John Davidson aos 14 anos. Passada na Grã-Bretanha
dos anos 80, a história acompanha a adolescência conturbada e o início da vida
adulta deste rapaz, explorando esta condição pouco conhecida e frequentemente
mal compreendida, bem como as suas tentativas de levar uma vida “normal” contra
todas as probabilidades.
Divulgação: Pris Audiovisuais
Este
é um vislumbre da luta de John Davidson contra a Síndrome de Tourette, uma
condição que poucas pessoas tinham testemunhado.
Contudo,
há histórias que podem ser fulcrais para uma mudança significativa no modo como
vemos muita coisa. E este é um desses exemplos que pode realmente fazer a
diferença e quem sabe, até mudar vidas.
Quando
menos esperamos, algo tão trágico pode vir a acontecer. No caso de John
Davidson, ele era um jovem de 14 anos com amigos e possuindo um talento como
guarda-redes, chegando a um ponto que poderia ter um futuro promissor. Porém, o
aparecimento desta condição médica mudou para sempre a sua vida.
Inicialmente,
ele tentou disfarçar ou ignorar os tiques e o que lhe estava a acontecer. Mas à
medida que os sintomas iam evoluindo, percebeu que não podia voltar à sua
normalidade e teria assim, de se adaptar a uma nova realidade. E até chegou a utilizar
o riso, como um género de mecanismo de defesa.
Além
disso, na altura em que isto lhe aconteceu, não era uma doença tão conhecida. Por
isso mesmo, ao início foi difícil de se diagnosticar e a sociedade ao seu redor
não sabia lidar com isso.
Para
quem não sabe, a Síndrome de Tourette é caracterizada por tiques simples,
complexos e incontroláveis que vão sendo variados e divididos entre vocais e
motores. No entanto, vai muito além dos tiques, pois também, inclui o
transtorno obsessivo-compulsivo, a ansiedade, o cansaço de tentar fingir que
não há nada de errado e o peso que se carrega em tentar esconder e suprimir os
tiques, algo que não se consegue controlar.
Divulgação: Pris Audiovisuais
I
Swear é uma obra inspiradora,
interessante e bastante relevante que pode mesmo fazer a diferença na vida de
alguém com Síndrome de Tourette, através do ensino daquilo que define esta
condição médica e o que implica.
Esta
é uma história impactante que precisa de ser conhecida e nos sensibiliza a
todos sobre a Síndrome de Tourette, sendo que também contém cenas que
absolutamente fazem rir. É uma luta extremamente e constantemente desafiante. Isto,
porque o problema não é a condição em si. Mas sim, é o facto de as pessoas não
saberem o suficiente sobre a Síndrome de Tourette e por isso, não conseguem
compreender e lidar com quem sofre com a doença.
Com
este filme, aprendemos muito em relação à Síndrome de Tourette. Como todas as
pessoas que vivem com isto são diferentes e precisam de apoio e compreensão, em
vez de críticas e julgamentos. E até têm os seus próprios sintomas, tiques e
comportamentos. Além disso, é essencial que se saiba viver com este diagnóstico
e apoiar quem sofre disso. Também mostra que a pessoa que insulta e tem
determinados comportamentos involuntários não tem culpa. Por exemplo, em 2019 quando
John Davidson estava prestes a ser homenageado pela Rainha pelos serviços
prestados ao povo britânico, ele grita um insulto involuntário na presença da própria
monarca.
Para
além disso, é fundamental perceber que esta doença não define quem a tem.
Ao
longo desta narrativa, temos momentos comoventes e outros duros de tensão que
conseguem ser tão autênticos e por vezes, dolorosos, enquanto é representada a
vida real do escocês John Davidson. Para ele, o aparecimento do Síndrome de
Tourette começou desde logo pela escola. Foi por isso que passou a ser a um
alvo de bullying e violência física e a meter-se involuntariamente, em
sarilhos. As crianças eram cruéis com ele e já os adultos eram incompreensíveis
e confundiam os sintomas desta síndrome com má educação ou falta de disciplina.
Mas, apesar de todas as dificuldades que teve, ele descobriu o poder do riso e
se tornou mais tarde, num ativista. E quis assim, partilhar a sua experiência e
ajudar outras pessoas na mesma situação.
Divulgação: Pris Audiovisuais
E
muito do impacto que se criou ao redor de I Swear foi devido às
performances excelentes do seu elenco, principalmente a atuação brilhante e
criativa de Robert Aramayo a dar vida ao protagonista. Muitas vezes, as suas
expressões faciais e corporais valeram mais do que palavras, sendo que dá para
ver que ele fez uma construção muito precisa, de acordo com os encontros que
teve com John Davidson. Os tiques não são exagerados e são integrados de forma
natural na personagem. Enquanto isso, ele enfrenta uma batalha interna que afeta
desde as suas relações pessoais e passando pela sua carreira profissional. Para
além disso, ele também concilia a dor, a solidão e a energia caótica da sua personagem
com a vulnerabilidade, sofrimento e resiliência que também fazem parte da
essência dele.
Houve
situações que até tiveram a sua piada, mesmo com todos os seus tiques e
impulsos incontroláveis, a sua linguagem peculiar envolvida em alguns palavrões
e o seu sarcasmo e humor negro que deixava os outros desconfortáveis. Contudo, John
Davidson era bondoso e respeitador com as pessoas mais próximas e por isso, conseguimos
criar uma empatia imediata, compaixão e dar valor a ele.
I
Swear é importante, envolvente,
tem o seu lado mais emocionante e faz-nos refletir profundamente sobre este
tema do Síndrome de Tourette que é uma realidade muito complexa e cheia de
desafios diários e fragilidades. E também pensamos na tolerância e na forma
como lidamos com os outros, principalmente aqueles que têm condições
específicas ou uma deficiência. Proporciona uma grande aprendizagem e cria uma margem
para se abrir conversas sobre o assunto que poderá ajudar quem tem Síndrome de
Tourette, os familiares respetivos e a própria sociedade.
Por isso, I Swear é daqueles filmes que não podem mesmo perder! E que merece reconhecimento!








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