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sábado, 6 de junho de 2026

Scary Movie: What's Up? é mais uma paródia divertida que ninguém leva a mal (Crítica)

Chegou o momento para assistir ao novo capítulo de uma das sagas de comédia mais populares e irreverentes do cinema atual.

Realizado por Michael Tiddes, Scary Movie: What’s Up? traz de regresso o seu elenco original e introduz novas personagens. Para que depois possa apresentar o espírito caótico e provocador que o público está tão habituado a ver.

O argumento é de Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez. Já o elenco é composto por: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris, Regina Hall, Damon Wayans Jor., Gregg Wayans, Kim Wayans, Benny Zielke, Cameron Scott Roberts, Cheri Oteri, Chris Elliott, Dave Sheridan, Heidi Gardner, Lochlyn Munro, Olivia Rose Keegan, Ruby Snowber, Savannah Lee Nassif e Sydney Park.

Desta vez, vinte e seis anos depois de escaparem a um assassino mascarado estranhamente familiar (“Ghostface”), o grupo original volta a estar na mira do homicida – e nenhum filme de terror está a salvo. Marlon Wayans (“Shorty”), Shawn Wayans (“Ray”), Anna Faris (“Cindy”) e Regina Hall (“Brenda”) reencontram-se em Scary Movie, acompanhados pelas personagens favoritas dos fãs, para satirizar reboots, remakes, “requels”, prequelas, sequelas, spin-offs, o chamado “terror sofisticado”, histórias originais, tudo o que inclua a palavra “legado” e todos os “capítulos finais” que nunca são realmente finais.

Nada é sagrado. Nenhum cliché escapa. Não há limites. Os Wayans estão de volta para gozar com a chamada “cultura do cancelamento”.

Não irão faltar referências à cultura pop, tendências recentes, mortes, humor absurdo e paródias aos maiores sucessos de terror. E esta foi a altura indicada para que todo este tempo depois, Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris e Regina Hall se voltem a reunir para este novo filme, que recupera o humor provocador e a sátira ao terror contemporâneo que definiram esta saga tão peculiar.

Por isso, preparem-se para o reencontro com o elenco que marcou gerações!

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Scary Movie: What’s Up? é mais uma paródia divertida que ninguém leva a mal e que irá entreter o espetador, com todos os seus exageros e todas as suas referências inteligentes, tanto à cultura pop, como às produções de terror e de outros géneros que foram as mais bem-sucedidas dos últimos tempos.

Apesar de ter algumas saídas engraçadas e cenas hilariantes, há momentos que são demasiado exagerados e outros mais artificiais. E também, a pessoa não consegue parar de notar, a falta de estrutura que vai existindo ao longo de cada um dos seus atos.

Em vez de tudo se interligar, há situações que são claramente levadas ao extremo, mas que infelizmente, acabam por ser isoladas daquilo que está a acontecer na cena em si. E por isso, acabam por perder um pouco a sua potência e essência.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

No entanto, consegue abordar a sociedade e o mundo em que vivemos hoje de um modo leve, mais descontraído e com um humor atípico. E isso, trouxe um bom resultado que realmente encaixou.  

Scary Movie: What’s Up? é um caos absoluto que brilha com muitas das referências apresentadas e não irá deixar ninguém indiferente. Com uma identidade muito, muito particular, este filme mistura comédia com terror, não havendo limites para a sátira e o seu tom provocador. Apesar dos seus erros, vai de certeza, proporcionar uma experiência positiva à maior parte dos admiradores desta saga.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Backrooms - o que esperar deste terror psicológico (Crítica)

A A24 apresenta o fenómeno viral da internet que promete não deixar ninguém indiferente!

Da mente do visionário criador do YouTube Kane Parsons, que com esta produção faz a sua estreia na realização de longas-metragens, chega um pesadelo cinematográfico inquietante, preparado para definir uma nova era em relação à narrativa de terror.

Falamos de Backrooms, um terror psicológico protagonizado por Renate Reinsve, Avan Jogia, Lukita Maxwell, Finn Bennett e Chiwetel Ejiofor.

Passado em 1990 e baseado na série viral de Parsons na internet, Backrooms acompanha Clark (Chiwetel Ejiofor), um vendedor imobiliário, enquanto descobre, na cave da sua loja, uma porta — iluminada por luzes fluorescentes amarelas e repleta de objetos familiares — que conduz a um inquietante labirinto de intermináveis espaços de escritório e onde encontrar uma saída não será tão fácil como imagina.

Ao longo de noventa minutos, o foco da narrativa associa-se à descoberta de uma misteriosa passagem que conduz a uma dimensão paralela composta por corredores intermináveis, espaços vazios e labirínticos, iluminados por uma luz artificial alarmante. À medida que diferentes personagens entram neste universo estranho e claustrofóbico, percebem que não estão sozinhas: algo se esconde neste sítio.

Tudo isto começa com Clark a ter uma loja de móveis, no qual tem tido muita dificuldade em vender os seus artigos. A loja está constantemente vazia. A eletricidade parece que ganha vida própria. E o seu desânimo continua a aumentar.

Contudo, ele é seguido por uma terapeuta que também tem os seus traumas para lidar, mas que faz os possíveis para o ajudar. Utiliza exercícios terapêuticos que incluem role-plays e que faz com que ele se mostre algumas vezes, alterado. Será que ela tem a habilidade necessária para o conseguirá ajudar?

Agora, vem o início do ato em que Clark iria fazer uma descoberta que depois lhe iria criar uma grande transformação. Essa descoberta remete-se a uma porta estranha que aparece na cave da sua loja.

Para além de uma porta que era suposto não existir, esconde-se uma série infinita de salas e corredores, simultaneamente familiares, com um tom ameaçador e um vazio com papel de parede amarelado. Um lugar fora da nossa realidade situada numa dimensão paralela. O que poderá ele encontrar neste labirinto bem vasto?

Assim, de um modo inesperado, Clark desaparece misteriosamente por uma dimensão além da realidade. E por isso, a terapeuta terá de se aventurar perante o desconhecido para encontrar o seu paciente e salvá-lo.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Backrooms é um terror psicológico fora da caixa e estranho que entrega uma componente diferente em termos do género do horror. Muito mistério e suspense com uma boa banda sonora a criar a tensão necessária. É daquelas histórias que é uma viagem pelo desconhecido, que nos faz processar com uma intensidade que não é tão regular de acontecer. E basta, percorrermos juntamente com o protagonista, por um labirinto peculiar composto por todos aqueles corredores intermináveis, para que cheguemos, a um ponto de exaustão. Claro, que depois tudo isso faz criar todo o tipo de teorias. E até por momentos, também parece que estamos a viver os filmes do REC.

Para além disso, a pessoa acaba por imaginar como é residir dentro da própria mente e perder-se completamente, sem forma de regressar à realidade. E quando referimos a uma mente mais perturbada, então, pode se tornar aterrorizante. Sem esquecer, que também mostra como a desconexão com a sociedade pode levar a um ponto sem retorno.

Ao contrário de muitos críticos por aí espalhados, eu não achei que o filme tivesse sido assim tão impactante como têm afirmado. Para muitos, pode tornar-se cansativo e extremamente confuso. É que a pessoa saí de lá sem praticamente compreender aquilo que acabou de experienciar. E nem sempre, isso é positivo.  

No entanto, uma coisa é certa. Backrooms é uma produção que conseguiu criar discussão, destacar-se à sua maneira e fazer o espetador mergulhar por algo inexplicável. E com um final que deixa que o público crie a sua própria interpretação. Infelizmente, por vezes, também chega a ser bizarro e totalmente incoerente e irreal.


sábado, 23 de maio de 2026

Passenger - o que esperar desta entidade demoníaca que tem os viajantes como alvos

Passenger (O Passageiro do Inferno, como título em português) é uma produção da Paramount Pictures. É classificado como um thriller de terror realizado por André Øvredal, tendo como protagonistas: Jacob Scipio, Lou Llobell e Melissa Leo.

Temos aqui um jovem casal que depois de testemunhar um terrível acidente numa estrada, rapidamente perceber que não saiu do local sozinho. Uma presença demoníaca conhecida como “The Passenger” transforma a sua viagem num autêntico pesadelo, não descansando até reclamar ambos como as suas vítimas.

Este é um casal que vendeu tudo o que tinha para mudar o rumo das suas vidas e viverem uma nova fase. Eles decidiram pegar numa caravana e meterem-se à estrada, percorrendo inúmeros quilómetros e irem simplesmente, à aventura.

Contudo, quando passam algumas semanas, um deles já não está assim tão satisfeito com esta mudança de vida. E começa a ter dificuldades a lidar com isso. Mas, essa não seria a maior complicação desta nova jornada deles.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Depois de presenciarem um acidente numa estrada isolada, eles acabam por saírem de lá acompanhados. Companhia essa que não lhes ia facilitar a vida. A partir desse momento, a viagem torna-se numa luta desesperada pela sobrevivência, marcada por uma presença inexplicável que os persegue sem descanso.

Não importa o que eles façam, parece que não se conseguem livrar deste passageiro do inferno, uma entidade do mal. Será que irão sobreviver?

Neste cenário, nas estradas norte-americanas de um determinado estado, têm aumentado o número de pessoas desaparecidas. Muitas têm acidentes, desaparecem sem deixar rasto e nunca mais são vistas. E depois o pior acontece, quando estão a conduzir de noite por estradas vazias.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Passenger pode possuir os elementos essenciais para atrair quem aprecia filmes de terror, mas não é inteligente na forma como entrega este enredo. Sim, é verdade que tem visuais sólidos, cria algum interesse e prega alguns sustos pelo caminho. Mas, poderá não ser o suficiente para marcar o espetador.

A narrativa contém um nível elevado de tensão e suspense envolvido num terror psicológico. Os alvos são viajantes que conduzem pelas estradas. Caso, desapareçam são facilmente esquecidos. E além disso, parece que não existe ninguém que coloque a sua atenção em tentar resolver esses mesmos desaparecimentos.

Enquanto isso são explorados os medos associados ao isolamento e à escuridão. E de um modo muito breve é mostrado como é o modo de vivência de determinadas comunidades, onde a caravana é o seu lar. Também ficamos a saber ligeiramente mais sobre os símbolos que são colocados nas viaturas dos viajantes como o aviso de perigo ou outros com significados diferentes.

Gostaria que tudo isto referido anteriormente, tivesse sido mais desenvolvido. Como por exemplo, teria sido mais interessante, haver ataques deste demónio nestes acampamentos. E aí, teríamos um melhor vislumbre do poder dessa figura, a ameaça que representava e que seria impossível de evitar. E assim, realmente testemunhar que não haveria forma de escapar.

Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

Supostamente, a história seria centrada nesta entidade demoníaca, mas infelizmente mais de metade do filme, não esteve presente visualmente. Só eram apresentados sinais da sua aproximação. Por isso, esperava muito mais ataques infernais e caóticos. Além disso, esperava que se tivesse sabido mais sobre as origens desta criatura.

Uma outra coisa que poderia ter sido mais desenvolvida e que faltou contexto foi o historial entre esta figura demoníaca e o São Cristóvão, o padroeiro dos viajantes. Este santo acabou por se tornar num género de arma secreta para ajudar a enfrentar o passageiro do inferno e sem se perceber o porquê.

Com Passenger, temos uma produção com thriller, terror e suspense que apresenta uma história simples com algumas falhas e desequilíbrios. E que cria a sensação de que falta alguma coisa. Poderia ter sido muito mais. Apesar disso, no final pode entreter na mesma, quem for assistir. E no meu caso, foi isso que aconteceu.


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Obsession - A Felicidade É Relativa : é um terror psicológico com um lado sinistro que é envolvido no sobrenatural

Ultimamente, Blumhouse tem lançado vários projetos ligados ao universo do terror. E o próximo é Obsession – A Felicidade É Relativa. Este thriller sobrenatural é realizado por Curry Barker, tendo sido protagonizado por Michael Johnston e Inde Navarrette.

Nesta história Bear (Michael Johnston) é um jovem apaixonado pela sua melhor amiga de infância, Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de confessar os seus sentimentos, recorre a um misterioso artefacto sobrenatural para que ela se apaixone por ele. O desejo concretiza-se, mas amar alguém assim tem um preço sombrio e irreversível.

Assim, o que começa como uma comédia adolescente sobre amor não correspondido transforma-se rapidamente num pesadelo visceral: a obsessão de Nikki assume contornos cada vez mais perigosos e violentos, obrigando Bear a confrontar as consequências devastadoras do seu desejo.  

Às vezes, é importante que tenha cuidado com quem se deseja.

Para além disso, lembram-se daquela afirmação: Cuidado com aquilo que desejas? Nunca uma frase fez tanto sentido como nesta narrativa.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Temos um One Wish Willow (Desejo Willow, como tradução em português) disponível nas mãos do Bear, sendo que ele desejou que a Nikki Freeman o amasse mais do que a alguém em todo o mundo. E não é que se concretizou? É que Nikki passou a ter só olhos para o Bear . E é como se um feitiço tivesse sido lançado para ela.

Tudo isto inicia-se, porque Bear quer demonstrar o amor que sente por Nikki. Um dia, ele vai a uma loja esotérica para adquirir uma peça de bijuteria para lhe oferecer. Em vez disso, acaba por sair com um One Wish Willow. Ao final de contas, quem acaba por usá-lo é Bear.

No entanto, a concretização deste desejo acabaria por correr terrivelmente mal. E além disso, tem uma complicação. Não é possível reverter esse desejo, enquanto ele estiver vivo. O que será que Bear irá fazer? Será que vai aguentar a obsessão descontrolada de Nikki?

Agora, o que ele não se irá livrar é de um grande pesadelo que lhe vai traumatizar.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Obsession – A Felicidade É Relativa é um terror psicológico com um lado sinistro que é envolvido no sobrenatural. Está cheio de cenas perturbadoras e outras mais violentas que resultam assim, num filme intenso, aterrorizante e completamente louco.

Vale a pena salientar a interpretação única de Inde Navarrette a dar vida à Nikki. É impressionante assistir ao modo como ela desenvolve a sua Nikki e depois representa esta obsessão sem limites. Por outro lado, ainda mostra a vulnerabilidade e a incapacidade que fazem parte quando a pessoa não está a agir por si própria. E consequentemente, perdendo assim, o controlo do seu próprio corpo e mente.  

Esta não é uma produção para todos os gostos, pois poderá deixar muitos desconfortáveis. E também, devido a ter arcos um pouco parados que pode tirar o foco e cansar as pessoas mais impacientes. De certeza, que poderá dividir opiniões, mas desde o início que demonstra a sua complexidade e o quanto é diferente e fora da caixa.

E este é daqueles exemplos que mostra realmente o que é o significado de ter uma obsessão.

As cenas que vão sendo apresentadas são bastante tensas e algumas delas, agonizantes. Dá para observar facilmente, o quanto este projeto tenta inovar neste género do terror. E isso acaba por acontecer com algumas surpresas pelo meio.

Com aquilo que se vê em Obsession – A Felicidade É Relativa, automaticamente vai-te obrigar a processar sobre o tema abordado. Além disso, cria uma curiosidade imediata em acompanhar mais histórias relacionadas com outros desejos que poderiam ter sido feitos, utilizando o One Wish Willow.

sábado, 18 de abril de 2026

The Mummy (2026) nas mãos de Lee Cronin é um filme de terror que é bizarro, sangrento e atormenta à sua maneira

Fãs de filmes de terror, preparados? Chegou o momento do novo reboot de uma das sagas de terror mais icónicas de sempre! E este tenho a certeza que não irá deixar ninguém indiferente, pois prometem algo completamente diferente. Por isso, deixa qualquer um entusiasmado, verdade?

Este é The Mummy (2026) de Lee Cronin (A Múmia de Lee Cronin, como título em português) que cria a sua própria reinterpretação.

Este filme está disponível na plataforma de streaming da HBO Max. 

O elenco é protagonizado por Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy, Natalie Grace e Veronica Falcón.

Neste argumento, a jovem filha de um jornalista desaparece no deserto sem deixar rasto. Oito anos depois, a família destroçada fica em choque quando ela regressa. O que deveria ser um reencontro feliz transforma-se num verdadeiro pesadelo.

Afinal o que aconteceu à Katie? Por mais que algumas coisas devem permanecer enterradas, estes pais têm mesmo de saber a verdade.

Nesta nova versão do monstro clássico, esta família depara-se com uma múmia ancestral que vai desencadear uma aventura sobrenatural que traz terror e suspense.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Depois de Katie desaparecer, sem deixar qualquer pista, estes pais desesperados continuam a procurá-la durante anos, mas infelizmente, sem sucesso. Oito anos depois, o inesperado acontece, quando eles recebem um telefonema a informar que a filha foi encontrada viva no interior de um sarcófago com três mil anos.

Katie regressa aparentemente mumificada, profundamente transformada e com comportamentos muito perturbadores. Para que possam realmente perceber o que lhe terá acontecido, tanto a família como as autoridades terão de abandonar as suas crenças e enfrentar um mistério que desafia qualquer lógica.

O momento em que um antigo sarcófago se abre e acompanhado por aquele som de suspense, é sempre aquela altura que não sabemos bem o que irá sair dali. E se nos vai ou não pregar algum susto e aqui não é exceção. 

Agora, temos aqui uma família que foi marcada por uma tragédia inexplicável quando a filha desaparece misteriosamente depois de um encontro com uma mulher desconhecida. E acaba por ser dada como morta, ficando a sua família destroçada e em luto. Porém, quando ela reaparece como uma jovem em vez de criança, deixando assim, todos chocados. Além disso, ela está acompanhada por um mal antigo que vai desencadeando uma energia sombria para as pessoas ao seu redor.

Assim, Katie já não era a menina doce e inocente que conhecemos inicialmente e não se sabe o que esperar dela e de quem estará a salvo. Por isso, todos estão em perigo e estas personagens vão sem dúvida, levar com um grande pesadelo psicológico e um trauma que nunca mais se irão esquecer.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

The Mummy é uma produção ousada que apresenta mistério, violência muito detalhada e que chega a ser cruel. Não é para todos. É extremamente mais perturbador do que o esperado e diferente de tudo o que já vimos, sendo que pode chocar alguns. E para outros, não vai ser de certeza agradável. Este é um terror que é dirigido aos mais fortes de estômago, devido ao seu body horror peculiar e às suas cenas inquietantes e repugnantes que se vão intensificando. E que por vezes, foram longe demais.

Este é um filme de múmias mais obscuro e muito distinto, onde não vão faltar rituais antigos, símbolos para decifrar, violência, escorpiões e aquele conflito previsível da luta do bem contra o mal. E também possui uma identidade mais ousada, violenta e transforma o trauma e o luto familiar em algo mais sinistro.

Na realidade, a sua história não tem nada de especial, proporciona poucos sustos e não assusta. Mas, tem os seus momentos mais macabros e cenas que podem fazer algumas pessoas desviar o olhar, devido a serem tão nojentas. Uma coisa é certa. Há quem não vá olhar para as pedicures da mesma forma.

O destaque vai para a Natalie Grace que desempenha a Katie de um modo muito convincente e que cria curiosidade em saber o que vai acontecer de seguida. De resto, a pessoa não se sente envolvida com os personagens.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Depois não era preciso que a sua duração fosse tão longa, sendo que se fica com a sensação de que estão a arrastar o enredo, sem que seja necessário. E por isso, acaba por ser mais extenso e não acrescenta nada de impactante.   

The Mummy nas mãos de Lee Cronin é bizarro, sangrento e atormenta à sua maneira. Pode ser visto em IMAX e não ser um filme fácil de assistir. Até pode ser desagradável para alguns e também pode dividir opiniões. Porém, ele conseguiu entregar um reboot único que se foca mais no body horror e em horrores inesperados, testando um terror mais psicológico e com imagens que falam por si.

Acredito que os fãs de terror vão gostar, mas como referi anteriormente: a nível visual não tem filtros e pode fazer com que a pessoa tenha de desviar o olhar! Não foi o meu caso, mas simplesmente aproveitem este filme e não vão com grandes exigências.   



domingo, 5 de abril de 2026

Filme "Ready or Not 2: Here I Come" - o que esperar desta sequela de terror combinada com humor negro

 

Ready or Not 2: Here I Come (Ready or Not 2: O Ritual, como título em português) é a sequela de Ready or Not (2019). Realizado por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, esta continuação traz de volta Samara Weaving como a protagonista.  

O filme está disponível na plataforma de streaming da Disney+. 

A Samara Weaving, junta-se Kathryn Newton, Sarah Michelle Gellar, Shawn Hatosy, Elijah Wood, Nestor Carbonell, Kevin Durand e David Cronenberg.

Agora, momentos depois de sobreviver a um ataque total da família Le Domas, Grace (Samara Weaving) descobre que chegou ao próximo nível do jogo de pesadelo – e desta vez com a sua irmã afastada, Faith (Kathryn Newton), ao seu lado. Grace tem uma oportunidade de sobreviver, manter a sua irmã viva e reivindicar o Alto Cargo do Conselho que controla o mundo. Quatro famílias rivais estão à sua procura para conquistar o trono e quem vencer irá governar tudo.

Será que Grace vai sobreviver? É que desta vez a fasquia é muito mais elevada e ela não teve tempo para recuperar da sua última batalha pela sobrevivência.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Ela tinha acabado de passar por um ataque atroz da família Le Domas e depois disso acontecer acorda num hospital. Contudo, descobre que na verdade foi levada para os terrenos de um clube de campo de elite e vê-se noutro jogo mortal. Agora, tem de lutar mais uma vez pela sua sobrevivência contra quatro famílias rivais que estão a competir entre si para a matar e assim, tomar posse da fortuna.

Contudo, tem uma grande diferença em relação ao seu desafio anterior. Ela não está sozinha, sendo que tem a sua irmã a acompanhá-la neste jogo mortal. Será que com Faith ao seu lado, vai ser mais difícil sobreviver ou será uma aliança produtiva?

Ao longo deste pesadelo, ficamos a conhecer melhor a disfunção familiar destas duas irmãs e acabamos por torcer para que elas possam sobreviver e depois fazerem as pazes. Com uma experiência traumática deste tipo, quem sabe, esta pode ser a altura certa para uma reconciliação duradoura.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Ready or Not 2: Here I Come é uma produção de terror ousada, violenta e extremamente sangrenta. Esta perseguição mortal com os seus momentos satíricos mantém o seu tom cómico e é enrolado num humor negro e sarcástico que combina muito bem com a sua história tensa cheia de ação, sangue e com uma dose certa de suspense.

O que não faltam são produções de terror que juntam a comédia, transformando muitas das suas cenas como absurdas e às vezes, bizarras. Mas que várias vezes até têm a sua piada. E com este filme, isso também acontece.

Neste caso, temos mais rituais satânicos e tradições assustadoras que vão além de uma família, onde podemos observar como uma organização secreta tem tantos privilégios, poder e uma grande influência sobre o mundo.       

A premissa é semelhante ao primeiro filme, mas é mais agressiva e com muitas mais lutas. Desta vez são quatro famílias rivais e bastante poderosas que vão à caça da protagonista, enquanto disputam por um trono que lhes irá dar o controlo do mundo. Porém, houve algumas dessas personagens que acabaram por não ter tido qualquer tipo de relevância e facilmente dispensáveis. Pareciam mais alvos a abater.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Depois, houve aqueles que poderiam ter sido mais bem aproveitados e não serem descartados da forma que foram. Um exemplo disso foi a personagem interpretada por Kevin Durand que teve pouco tempo de ecrã e acredito que tinha potencial para ser um adversário formidável.  

Outra coisa foi a incoerência das regras deste jogo tão perigoso. É que chega a um ponto que parece que já não existem regras e por isso, tudo pode acontecer. Ou seja, não há praticamente limitações.

Um dos pontos altos do filme foi mais uma vez o desempenho competente e forte de Samara Weaving que continua a dar vida a Grace, uma autêntica Scream Queen, que mesmo estando muito vulnerável e não ter tido qualquer descanso, está mais uma vez, a lutar ferozmente pela sua liberdade. Ela continua a ser o coração da história. É sempre interessante vê-la a lutar, ajustar e depois a sobreviver. Os seus instintos de sobrevivência parecem que não falham. E apesar de não ter uma relação assim tão próxima com a irmã, não deixa de se preocupar com Faith.

Em relação à introdução de Faith na narrativa, a atriz escolhida foi a Kathryn Newton. Como já seguia o seu trabalho, então tinha curiosidade em ver como se ia sair neste filme. Infelizmente, não foi o que esperava. A sua interpretação pareceu-me mais artificial e outras vezes, os seus atos demasiado exagerados. Inicialmente não havia muita química entre ela e Samara Weaving, mas com a reconstrução da relação das suas personagens, melhorou. Porém, não foi o suficiente para impactar.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Sarah Michelle Gellar foi outra das adições ao elenco e acho que foi uma boa escolha. Perdi a conta de quantas vezes, senti semelhanças com a sua tão popular Buffy que muitos de nós conhecemos.

Já as cenas de ação e de luta foram bem conseguidas. Durante as mesmas foram surgindo ataques implacáveis, mortes brutais, uma maior frequência de explosões de pessoas e outras cenas que foram agarrando a pessoa ao ecrã.

Ready or Not 2: Here I Come foi uma adição positiva e conseguiu superar ligeiramente o primeiro filme em diferentes situações. Por isso, vejam de novo o seu original. E depois, não podem perder este novo jogo perigoso com muito mais ação, sangue e caos e onde ninguém está a salvo!


segunda-feira, 30 de março de 2026

Filme "They Will Kill You" - é uma paródia sangrenta e divertida com boas cenas, tanto de ação, como de luta

 

Preparados para serem transportados para mais um culto, mas desta vez com um tom cómico? They Will Kill You (Eles Matam-te, como título em português) é o novo projeto dos produtores de IT que é realizado por Kirill Sokolov. E está disponível na plataforma de streaming da HBO Max.

O elenco é composto por Zazie Beetz, Myha’la, Paterson Joseph, Tom Felton, Heather Graham e Patricia Arquette.

Este filme acompanha uma jovem mulher que aceita um emprego no Hotel Virgil, sem imaginar que o edifício esconde um culto demoníaco. Ali, os seus membros fazem pactos com o diabo e, para alcançarem a mortalidade, têm de realizar sacrifícios humanos.

Presa numa verdadeira armadilha, a protagonista – uma ex-presidiária habituada a lutar – enfrenta uma noite de sobrevivência onde tudo pode acontecer, num confronto marcado por ação constante, mortes épicas e humor negro perverso.

Sobreviver à noite no Virgil e evitar que se torne na próxima oferenda não será tarefa fácil, pois no interior deste edifício está escondido um misterioso e distorcido covil de um culto demoníaco que é transformado numa verdadeira armadilha mortal.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Esta comédia de terror e ação desenrola-se à volta de Asia Reaves (Zazie Beetz) que tem tido um caminho difícil desde que enfrentou o seu pai agressivo e tomou a decisão de abandonar a sua irmã, acabando por ser apanhada e passar assim, uma temporada na prisão.

Depois de ser libertada, Asia recomeça a sua vida como funcionária do Hotel Virgil, um local exclusivo e com um ar requintado, mas com segredos por revelar. Desde o momento em que ela pisa no seu interior que aos poucos, tudo ao seu redor começa a tornar-se muito estranho, principalmente a partir do momento, que a porta do hotel se tranca com várias fechaduras.   

Por isso, esta poderá ser uma das muitas razões que a estadia de Asia poderá dar para o torto, mas afinal, quem é que está realmente em perigo e irá sobreviver?  

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

They Will Kill You é uma paródia sangrenta e divertida com boas cenas, tanto de ação, como de luta. Esta é uma aposta ousada e intensa, sendo que cumpre com o seu propósito de entreter o espetador. Por mais falhas que pode ter e até com a quantidade de coisas que nem disfarçam e dá para ver que não são realistas, isso não importa. Ou seja, acaba por ser algo que ninguém leva a mal. E simplesmente, assiste e até acha alguma piada.

Para mim um dos destaques é a criatividade usada nas cenas de luta que prende a atenção de quem está a ver, onde não falta violência, alguma adrenalina, bons instintos de sobrevivência, mortes e pessoas encharcadas de sangue.

Esta comédia de terror é carregada praticamente sozinha por Zazie Beetz. E, ela ainda brilha em cada um dos seus confrontos e respetivas cenas de ação. Enquanto isso, há personagens que estiveram presentes que não trouxeram qualquer relevância à própria trama.

They Will Kill You é uma boa fonte de entretenimento com uma escolha acertada na banda sonora que tenta trazer algo de novo para o género e inovar na forma como aborda tanto a imortalidade, como os cultos dedicados ao diabo. E fá-lo de um modo caricato e por vezes, ligeiramente bizarro.


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Filme "Frankenstein" - o que esperar desta nova adaptação tão esperada e realizada por Guillermo del Toro

 

Uma das adaptações mais esperadas de 2025 chegou à plataforma de streaming da Netflix. Frankenstein é a próxima produção realizada pelo icónico Guillermo del Toro, tendo sido baseada na criação da Mary Shelley.

O elenco é constituído por Oscar Isaac, Jacob Elordi, Mia Goth, Christopher Waltz, Charles Dance, Felix Kammerer, David Bradley, Lars Mikkelsen e Christian Convery.

Tudo é desenrolado ao redor do Dr. Victor Frankenstein que quer criar vida nova a partir da morte, sem prever o que viria a seguir. Em uma história com dois lados, quem realmente é o monstro?

Já houve diversas versões desta figura tão enigmática e popular. No entanto, quando foi anunciado que iríamos ter uma nova visão nas mãos do grande Guillermo del Toro, a expetativa para assistir era elevada. Mas será que este cineasta irá deixar a sua marca impactante o suficiente para transformar Frankenstein em algo que ainda não tenhamos visto?

Primeiramente, a história é dividida em duas partes, sendo que a primeira parte do filme é contada do ponto de vista do cientista, o Victor Frankenstein. E ao longo desse período há alguma incerteza em relação ao quanto é credível a história de Victor, onde pode ser questionado se existe realmente uma criatura. Já a segunda parte é dedicada a vermos pelos olhos da criação de Victor. No final, acabamos por acompanhar um tipo de dinâmica familiar invulgar e complexa.

Relativamente a Victor, ele é aquele tipo de personagem principal que se torna o vilão e muito disso, está relacionado com as consequências dos seus atos, devido àquilo que passou na sua infância, principalmente com o seu pai e chegando a um ponto que parece um género de dor geracional que ocorreu e que passou entre gerações. Ele tinha o objetivo de ultrapassar os conhecimentos e habilidades do seu pai e criar algo único no mundo. Além disso, ele é alguém que tinha uma dor muito profunda e queria muito que o seu irmão o amasse.

Enquanto conta o seu lado da história, nós conseguimos de certa forma, entender a dor de Victor e a obsessão dele em criar o homem perfeito. Inicialmente, ele teve uma visão que se transformou numa ideia que ganhou forma na sua mente e desde aí, foi inexorável até se tornar verdade. Até mesmo nas etapas iniciais que ele testou num público específico, parte do que lhes iria dizer seria um facto. Porém, outra parte não, sendo que tudo acaba por tornar-se numa verdade absoluta.

Agora, depois de ter concretizado o seu desejo e ter superado os limites da ciência, Victor acreditou plenamente que criou algo verdadeiramente horrível e tinha determinado que a memória dos seus males deveria morrer consigo. Na opinião dele, ele ao procurar a vida, acabou por criar a morte. Mas, será isso mesmo verdade? Será que o grande Victor Frankenstein cometeu um erro? Uma coisa é certa. Ele não considerou o que viria após a criação e é preciso destacar o Oscar Isaac que teve uma performance excelente em transmitir a personalidade peculiar e toda a loucura e destruição deste Victor. E para saber as respostas às perguntas feitas anteriormente, é essencial que se conheça a versão da sua criatura.

Afinal que criatura é esta? Em primeiro lugar, é completamente diferente daquilo que já tivemos a oportunidade de assistir noutras adaptações e ao longo do filme percebemos a razão para esta conclusão. Depois do criador dele ter contado a sua história, agora ele vai contar a dele.

Esta é uma criatura feita de pedaços de cadáveres de um campo de batalha que Victor Frankenstein monta como se fosse um puzzle. Ele é um tipo de ser original e é claramente composto por pessoas diferentes, sendo que se recorda de fragmentos e de memórias de vários homens. No entanto, desde o início há uma pureza nele que nos identificamos imediatamente, criamos empatia e em certos momentos, começamos a torcer por ele.

Enquanto isso, há quem o considere como um monstro como é o caso de Victor Frankenstein, o criador dele. E tal como qualquer ser humano, quando alguém tem medo de algo e neste caso, de alguém, a tendência é caçar e matar apenas por ser uma criatura fragmentada e discriminada e também tudo o que possa ser considerado como desconhecido.

Temos a possibilidade de ver o desenvolvimento difícil desta criatura que bastava uma palavra ou um simples olhar para se compreender o que estava a sentir. Apesar de ter sido maltratado e excluído por Victor, ele simplesmente queria uma companheira ao seu lado para viver em paz. E caso o amor lhe fosse negado, então iria entregar-se à ira e o principal alvo seria o seu criador.

Para este tipo de personagem já adaptado diversas vezes, sabia-se que precisava de se ver alguém com potencial e que conseguisse prender a atenção do público. Jacob Elordi encarnou com tanta elegância e dedicação esta criatura e à medida que a história foi ocorrendo, o seu próprio movimento corporal é pensado numa maneira diferente, sendo que depois lhe deu mais expressividade e realidade.

Frankenstein é uma obra eletrizante e arrebatadora que nos proporciona uma experiência imersiva e nos apresenta com inteligência, uma visão louca e espetacular desta trama passada no século XIX. Esta não é apenas uma história de um cientista brilhante que foi capaz de criar vida e muitas outras coisas. É também retratada a fragmentação do ser humano, o luto, a relação complexa de pais e filhos, a solidão e isolamento e a necessidade de pertencer e de ser amado. E também está a ser contada histórias de pessoas cheias de maldade que têm uma ambição sem limites e são cruéis e egoístas. E tudo isto é uma forma mais real de ver o mundo e entender cada história.

Automaticamente faz questionar-nos não só o mundo e a humanidade, mas também a nossa própria identidade. Quem sou eu e porque estou aqui? Afinal, qual é o meu propósito? Podemos encontrar redenção? E também nos transmite a ideia de amar uma personagem que é imperfeita e de perdoar essas imperfeições.  

Guillermo del Toro deu tudo de si nesta produção, sendo que para mim estava destinado a fazer Frankenstein e a transformá-lo atualmente num dos seus filmes mais bonitos visualmente. Era mesmo inevitável isso acontecer, pois ele já estava a pensar há muito tempo na sua visão perante o livro de Mary Shelley. E dá para ver que também tinha uma estratégia muito precisa de como decidiu filmar este filme, enquanto mostrava o amor que tem por ele, sendo que fez coisas que normalmente um realizador não faz e estava disposto a correr mais riscos.

Apesar de existirem mudanças em relação a diferentes adaptações de Frankenstein, este cineasta queria impulsionar a sua visão e encontrou uma maneira de permanecer fiel ao romance original, mas moldando de acordo com a sua marca, o seu estilo e a sua maneira de demonstrar emoções. E são muito poucos os cineastas que realmente são capazes de criar mundos e proporcionar uma experiência única ao espetador.

Frankenstein possui uma energia própria envolvida numa história comovente que é fluída e repleta de espontaneidade. E é uma homenagem a um ambiente gótico combinado com o sobrenatural que automaticamente relacionamos com este mundo. Além disso, mergulhamos profundamente para o mundo de Frankenstein, graças ao trabalho brilhante a nível do design de produção, cinematografia, guarda-roupa muito adequado à época representada, maquilhagem e banda sonora com música que faz amplificar as emoções do filme e as loucuras da situação que está a acontecer no momento. Também a iluminação estava muito bem incorporada e os efeitos especiais foram ótimos. Assim, todos estes elementos juntos foram fulcrais para funcionarem em conjunto e assim, darem vida a esta obra impressionante e com uma ótima qualidade.

Um desses exemplos, vai para os cenários que foram construídos. Estes foram fundamentais para definirem o tom em que como seria esta adaptação de Frankenstein. A cela da criatura foi construída de raiz e o laboratório é o derradeiro cenário onde a criação acontece. O laboratório era um local completamente louco com muitas partes de cadáveres e sangue espalhados por todo o lado, sendo que Victor fez o que fosse necessário para provocar uma tempestade e relâmpagos. E claro que não faltaram explosões e muito mais.

Outra coisa que gostaria de destacar e que dá para perceber o trabalho espantoso de cenografia foi o navio preso no gelo do Ártico, onde se dá grande parte da ação. E fiquei ainda, mais surpreendida pela positiva, por saber que construíram o navio de verdade, tanto o interior, como o exterior. Este acaba por ser um dos grandes símbolos desta produção.

A obra deste génio que é o Guillermo del Toro é mesmo digna de se ver e é apresentada em grande escala como este mundo funciona, levando a momentos muito ativos de loucura e a cenas brutalmente violentas, transmitindo todo o tipo de emoções e também mostrando a importância que era contar a história da criatura. E para além disso, acredito que vai permanecer para sempre na memória de muitos admiradores deste universo do Frankenstein.


terça-feira, 4 de novembro de 2025

Filme "Os Estranhos: Capítulo 2" - o que esperar da sequência desta saga de terror

 

Os Estranhos: Capítulo 2 (The Strangers: Chapter 2, como título original) é o segundo filme de uma trilogia do género de terror que é uma adaptação criada de acordo com a visão do realizador Renny Harlin. O argumento tem como base o filme, Os Estranhos (2008), realizado por Bryan Bertino e protagonizado por Liv Tyler e Scott Speedman – que também serviu de inspiração para The Strangers – Predadores da Noite (2018), de Johannes Roberts.

No elenco, fazem parte nomes, tais como, Madelaine Petsch, Gabriel Basso, Ema Horvath, Brooke Lena Johnson, Richard Brake, Pedro Leandro e Rachel Shenton.

É verdade! Os Estranhos estão de volta – mais brutais e implacáveis do que nunca. Quando descobrem que uma das suas vítimas, Maya (Madelaine Petsch), ainda está viva, regressam para terminar o que começaram. Sem ter para onde fugir e ninguém em quem confiar, Maya tem de sobreviver a mais um capítulo horrível de terror enquanto os Estranhos – movidos por um propósito incessante e sem sentido – a perseguem, mais do que dispostos a matar qualquer um que se atravesse no seu caminho.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Para relembrar, o pesadelo de Maya começou quando, durante uma viagem pelo Oregon (no Pacífico Noroeste dos EUA) com Gregory, o namorado, o carro avariou no meio de uma floresta e ambos cometem o maior erro das suas vidas: recorrer à aplicação Airbnb para encontrar um lugar para passar a noite. Perante a preocupação, encontrar uma cabana isolada e silenciosa pareceu-lhes a solução perfeita. Mas a noite trouxe-lhes três visitantes inesperados na forma de assassinos mascarados que cercaram a casa e transformaram aquelas horas em puro terror.

Após esse ataque brutal, que terminou com a morte de Gregory e uma milagrosa fuga de Maya, ela desperta numa cama de hospital, convencida de que está a salva. Mas, o horror não ficou para trás, pois os três estranhos sabem que ela sobreviveu e não vão parar enquanto não terminarem tudo aquilo que começaram.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Por isso, na sequência desta saga acompanhamos os eventos logo após o final do primeiro filme, onde Maya foge do hospital e é colocada novamente em perigo, precisando lutar para sobreviver.

Aqui temos Maya que coloca em prática o seu instinto de sobrevivência e assim, tenta escapar a todo o custo, perante psicopatas que não descansam enquanto não a eliminarem.

Ao longo de 1 hora e 36 minutos, temos muitos clichês, cenas sem sentido e somos desafiados a tentar compreender o que realmente está a acontecer e possíveis motivos para tal. Enquanto isso, acompanhamos a protagonista a fugir destes Estranhos e também a lidar com os obstáculos e ameaças que vão surgindo. Também temos alguns flashbacks relacionados com estes assassinos estranhos, mas como não explicam aquilo que importa, acaba por atrapalhar a história que está a ser contada.  

Não fazendo comparações com o material original no qual é adaptado, Os Estranhos: Capítulo 2 focou-se mais numa perseguição que parecia não ter fim e que não acrescenta nada de novo. De certa forma, a história em si torna-se demasiado previsível e pouco consegue surpreender.

Apesar de inicialmente não ter tido grandes expetativas, aquilo que esperaria seria no mínimo, algo ao nível do primeiro filme ou até algo superior ao mesmo. Infelizmente, o resultado foi inferior e conseguiu diminuir ainda mais a fasquia para a produção que irá encerrar esta saga.

Houve situações nas quais a narrativa parecia desleixada e tinha um número considerável de falhas que fez com que o espetador perca o interesse naquilo que está a ver. Claro que não deixa de ter os seus momentos de maior tensão, suspense e aflição, mas não é o suficiente para captar como deve ser, a atenção do público. A sensação é que a pessoa fica com mais perguntas do que respostas e a tendência de perder-se pela narrativa aumenta.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Este é um filme que tem falta de inovação e originalidade e que poderia ter aproveitado esta adaptação de uma outra forma. Até pode possuir algumas boas cenas de perseguição, mas chega a um ponto que se torna cansativa e depois também tem aquelas alturas que parece que perde todo o sentido.

No final, foram mostradas imagens do terceiro e último filme e aquilo que foi apresentado acabou por não criar grande vontade em assistir a como tudo isto termina.

Na crítica do primeiro filme, referi que podia ser considerado como uma produção facilmente esquecível. E com este segundo capítulo, tenho a certeza que as pessoas vão esquecer ainda mais rapidamente, esta sequência.  

Esta saga prometeu valer a pena e até agora, entregou pouco.

Para saber mais sobre a crítica do primeiro capítulo desta saga, basta Ver Aqui!