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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Thunderbolts* traça o encerramento da Fase 5 do MCU e cria uma expetativa mais positiva para produções futuras da Marvel

 

Preparem-se para a apresentação de um grupo bem improvável de anti-heróis que vai com certeza arrasar! Uma presença de personagens inesquecíveis que tem cada um o seu charme. 

Thunderbolts* é o próximo filme da Marvel Studios realizado por Jake Schreier que tem a produção de Kevin Feige. E pode ser visto na plataforma de streaming da Disney+.

O elenco é composto por Florence Pugh (Yelena Belova), Sebastian Stan (Bucky Barnes), David Harbour (Red Guardian), Wyatt Russell (John Walker), Olga Kurylenko (Taskmaster), Hannah John-Kamen (Ghost), Julia Louis-Dreyfus (Valentina Allegra de Fontaine), Lewis Pullman (Bob), Geraldine Viswanathan (Mel), Chris Bauer (Holt) e Wendell Edward Pierce (Gary).

Aqui temos reunida uma equipa irreverente de anti-heróis – Yelena Belova, Bucky Barnes, Red Guardian, Ghost, Taskmaster e John Walker. Depois de se verem enredados numa armadilha mortal montada por Valentina Allegra de Fontaine, estes desiludidos desistentes têm de embarcar numa perigosa missão que os obrigará a confrontar os cantos mais negros dos seus passados. Será que este grupo de inadaptados se vai destruir ou encontrar a redenção e unir-se como algo mais, antes que seja demasiado tarde?

Divulgação: Marvel Studios

Já imaginaram como seria se um número de anti-heróis excluídos se juntassem por um objetivo em comum cheio de adversidades pelo meio? Seria sem dúvida, interessante e esse aguardado momento finalmente chegou com os peculiares Thunderbolts*, que terão uma segunda oportunidade para mostrarem o que realmente valem!

Estamos aqui a falar de uma equipa de anti-heróis imprevisíveis com um passado sombrio que estão dececionados com o rumo que os seus caminhos têm tomado e que se juntam de um modo acidental para sobreviverem de uma armadilha preparada por Valentina Allegra de Fontaine. Será que todos vão conseguir escapar? Para isso acontecer, eles terão de trabalhar em conjunto numa missão arriscada, enquanto enfrentam as consequências mais obscuras das suas ações e procuram redimir-se pelas mesmas.

É verdade que muitas produções da Marvel não têm tido a qualidade que outrora existiu noutros tempos e que deixavam qualquer um, completamente em êxtase. No entanto, Thunderbolts* traça o encerramento da Fase 5 do MCU e veio à sua maneira dar-nos esperança que o universo que tanto apreciamos está de regresso para nos entreter à grande e que os seus tempos de glória estão a voltar aos poucos.

Divulgação: Marvel Studios

Thunderbolts* é um excelente entretenimento que cativa o espetador. É executado de um modo fabuloso, inteligente e mais maduro, tendo atenção também ao seu lado mais emocional e humano. Com um desempenho fantástico por parte do seu elenco, o argumento em si é sólido, onde combina eficazmente o drama com a comédia, sendo que o humor é introduzido exatamente nas alturas certas, acabando por proporcionar umas boas gargalhadas.

A história tem um bom desenvolvimento, focando principalmente nas personagens da Yelena e na própria introdução do Sentry. Por isso, estas duas personagens protagonizaram os pontos mais fortes do filme e brilharam em cada cena. E sem esquecer do caricato Red Guardian que alivia com as suas piadas hilariantes, articulando muito bem, como referido anteriormente, o drama com a comédia. Infelizmente, o Bucky foi daquelas pessoas que acabou por ser deixada um bocado de parte e não aproveitaram bem o potencial que ele continua a possuir. No entanto, uma das cenas com mais ação foi apresentada por ele que mostra a razão pelo qual, ele é uma das personagens favoritas dos admiradores deste universo cinematográfico da Marvel.

Esta produção trouxe a introdução de uma nova figura que poderá vir a ter um papel crucial no futuro da MCU que é o Sentry e é considerado como um dos mais poderosos da banda desenhada da Marvel. O facto de nos terem dado a chance de conhecer melhor, o Bob, a pessoa por trás dele e de testemunharmos as suas vulnerabilidades, cria uma vontade imediata em querer acompanhar a sua jornada. Tudo isso, porque apesar de ser alguém cheio de habilidades, ele é o maior inimigo de si mesmo e essa é a sua maior fragilidade. Assim, ficamos com uma melhor noção do lado mais obscuro e perigoso de Bob.  

Divulgação: Marvel Studios

Além disso, também foi aproveitado o momento para tocar em tópicos mais pesados e complexos, como a saúde mental que por vezes, são difíceis de serem comentados. Pois, nem todos têm a capacidade suficiente para partilharem a sua própria experiência. E à sua maneira, Thunderbolts* aborda de uma forma respeitosa a solidão, a depressão, o luto, a ansiedade, os traumas da vida e maioritariamente, a perceção de um vazio que muitos de nós podemos sentir na pele em certas alturas da nossa vida e que nem sempre, sabemos como lidar com essa sensação. Mostra também que podemos partilhar as nossas dores, sendo que não precisamos de lutar sozinhos contra os nossos demónios e que juntos somos mais fortes. Por mais que nos tentemos destacar, todos nós cometemos erros e temos as nossas fragilidades e dores.

O resultado de Thunderbolts* é bastante satisfatório e cria um entusiasmo em querer acompanhar o que vem de seguida, sendo que foi interessante de acompanhar estas novas dinâmicas entre personagens que até seriam pouco prováveis de virem a cruzar-se noutro tipo de circunstância. Por isso, foi revigorante assistir a algo novo e diferente com uma mensagem pertinente e inspiradora de empatia e humildade que encaixou perfeitamente e cujas cenas de ação e de luta foram bem coreografadas e de ótima qualidade, juntamente com os efeitos visuais, incluindo o CGI utilizado.

Este género de Novos Vingadores são uma fonte de entretenimento criativa e engraçada com uma boa cinematografia e banda sonora que proporcionou um tempo tão bem passado, entregou aquilo que prometeu e que vos irá trazer uma aventura tocante repleta de emoções e com ação de qualidade. E que terá duas cenas pós-créditos que valem muito a pena em assistir. Concluindo, uma coisa é certa! Este é daquelas histórias que nós estávamos mesmo a precisar de ver e que marcará o universo da Marvel. E de uma certa maneira, criou uma expetativa mais positiva para produções futuras da Marvel. Assim, que comece uma nova era de histórias para o público conhecer e que venham mais aventuras deste gangue carismático em colaboração com outros super-heróis que tanto estimamos.


sexta-feira, 18 de outubro de 2024

O filme "The Apprentice: A História de Trump" promete dar que falar

The Apprentice: A História de Trump promete dar que falar! Realizado por Ali Abbasi e protagonizado por Sebastian Stan, Jeremy Strong e Maria Bakalova, esta produção segue a ascensão do jovem Donald Trump ao poder através de um pacto faustiano que faz com o influente advogado e facilitador político Roy Cohn.

Depois de ter sido visto na edição deste ano do Festival de Cannes e com estreia perto das eleições americanas, Donald Trump tentou a todo o custo evitar que este drama biográfico visse a luz do dia. Contudo, ele não foi bem-sucedido e por isso, esta produção cinematográfica quem sabe, até pode vir a ter efeitos na sua própria campanha presidencial.

Esta história decorre em Nova Iorque na década de 1970. Decidido a sair da sombra do seu poderoso pai e a fazer nome no sector imobiliário de Manhattan, o aspirante a magnata Donald J. Trump está no começo da sua carreira quando conhece o homem que se tornará uma das figuras mais importantes da sua vida: o facilitador político Roy Cohn. Vendo que o jovem Donald é promissor, o influente advogado, que garantiu as condenações por espionagem de Julius e Ether Rosenberg e investigou alegados comunistas juntamente com o senador Joseph McCarthy, ensina ao seu novo acólito como acumular riqueza e poder através da mentira, intimidação e manipulação da comunicação social. O resto é história.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Inicialmente, temos um Donald Trump numa versão mais ingénua que queria mostrar o seu valor e ter a aprovação do seu pai, enquanto construía o seu império que prometia mudar para sempre a cidade de Nova Iorque. Um dia, quando ele conheceu o manipulador e eficaz advogado, Roy Cohn, a sua vida nunca mais seria a mesma.  

Com este drama biográfico, temos a chance de conhecer melhor o trajeto desta figura polémica que por momentos até poderia criar alguma simpatia, dependendo da perspetiva de cada um. Enquanto isso, ele também conquistou o poder, através da influência bem perigosa de Roy Cohn. Além disso, também nos é apresentado como é que Trump conheceu a sua primeira mulher e como se desenrolou este casamento.

Roy Cohn é daquelas pessoas intimidantes que acabou por ser o principal interveniente na transformação arrebatadora e alucinante de Trump na pessoa que é hoje, através das suas lições duvidosas e incorretas que pelos vistos, acabavam por resultar no mundo real e chegar assim, ao objetivo pretendido. Lições essas que Trump coloca em prática, ainda nos dias de hoje. Por instantes, até acaba por ser de uma certa forma, assustador como é que uma única pessoa pode ter tanto efeito em alguém e de um modo tão negativo.

Divulgação: NOS Audiovisuais

The Apprentice: A História de Trump é uma visão bem realista desta figura norte-americana que move multidões perante os seus ideais e consegue criar perante o público, todo o tipo de reações. É muito interessante poder acompanhar uma parte da sua jornada cheia de controvérsias, manipulações e intrigas. O argumento em si foi bem constituído e executado num ritmo adequado. A nível cinematográfico foi bem conseguido e tendo sido bem introduzida a época da história que estava a ser contada, apesar da escolha na banda sonora não ter sido sempre composta por músicas que se relacionassem e fizessem sentido com a cena que estava a ser mostrada.  

Um dos principais destaques vai para a excelente interpretação, tanto de Sebastian Stan, como de Jeremy Strong. Sempre que partilhavam uma cena, esta dupla conseguiu brilhar, cada um à sua maneira. E ainda, tiveram a capacidade nata de criar inúmeras emoções no próprio espetador que estava constantemente cativado e atento ao que estava a assistir. Relativamente a Sebastian Stan, deve ser aqui referido que ele mergulhou profundamente e de um modo muito competente na forma como representou Donald Trump. E fez um ótimo trabalho, onde não faltou os tiques e as expressões corporais típicas de Trump. Já Jeremy Strong teve um fantástico desempenho neste ser humano com uma personalidade sem escrúpulos que conseguia sempre o que queria, através das suas estratégias implementadas que eram imbatíveis.

Divulgação: NOS Audiovisuais

The Apprentice: A História de Trump foi uma surpresa inesperada com mensagens enigmáticas e marcantes que merece ser vista. E que traz temas pertinentes e um lado perspicaz, por vezes perigoso e até útil sobre a vida deste homem que sempre soube aquilo que estava a fazer, não assumindo quando estava errado e magoando muitas vezes as pessoas mais próximas dele. Mesmo que tivesse de descartar quem lhe estava a condicionar o seu caminho, para ele as consequências dos seus atos não interessavam. O que importava era a sua verdade e mais nada. Mas, que na realidade e apesar de tudo, ele precisou de um mentor fulcral e inteligente para chegar à personalidade da atualidade que lhe ensinou aquilo que era necessário para garantir o seu sucesso e o poder que sempre ambicionou deste muito novo. Agora, depois de verem o filme, tirem as vossas próprias conclusões. Conseguem perceber a razão pelo qual Trump tentou prejudicar o lançamento desta produção?

Então, já conhecemos um pouco melhor esta figura complexa de Trump que quer queira, quer não, este filme irá ter um efeito significativo não só na sua vida atual, mas também no seu próprio futuro. Será que este drama biográfico vai ter influência nas eleições norte-americanas? É isso que vamos ter de esperar para ver! 



terça-feira, 19 de abril de 2022

Minissérie "Pam & Tommy" - o impacto e a história real do lançamento de uma cassete com imagens intimas de um casal famoso que deu que falar nos anos 90 e foi vista por milhões

 

Pam & Tommy é uma minissérie original constituída por oito episódios criado por Robert Siegel e foi exibida pelo Hulu, estando disponível na plataforma da Disney +, através do Star. É baseada num artigo da Rolling Stone de 2014 “Pam and Tommy: The Untold Story of the World’s Most Infamous Sex Tape” de Amanda Chicago Lewis.

O elenco é constituído por Lily James (Pamela Anderson), Sebastian Stan (Tommy Lee), Seth Rogen (Rand), Taylor Schilling (Erica) e Nick Offerman (Miltie).

Os acontecimentos desta narrativa ocorrem nos primórdios da internet e são baseados na inacreditável história real da cassete com cenas de sexo entre Pamela Anderson e Tommy Lee. Roubada da casa do casal por um empreiteiro insatisfeito, o vídeo passou de uma curiosidade clandestina de VHS para uma sensação global quando chegou à internet em 1997.

Divulgação: Disney +

É uma história de amor, um crime e uma chamada de atenção, juntos numa produção original de oito episódios que aborda as fronteiras da privacidade, tecnologia e fama, ligando as origens da atual era de reality TV a uma cassete roubada, vista por milhões, mas destinada a ter um público de apenas duas pessoas.

Pam & Tommy é uma produção que tem uma mistura de biografia com drama e romance e apresenta um escândalo verdadeiro e todos os efeitos que uma simples cassete pode ter na vida de um casal, principalmente um tão famoso quanto era naquela altura, Pamela Anderson e Tommy Lee.

Pode conter spoilers!


Divulgação: Hulu

Ao longo destes episódios, temos a oportunidade de ver um lado mais vulnerável e simples desta modelo e atriz que se tornou mundialmente conhecida com a sua participação em Baywatch e também passou por diversas dificuldades para ter uma carreira artística. Um dia, a vida de Pamela começou a piorar quando foi lançada sem autorização, uma cassete com cenas de sexo que ela e o seu marido Tommy gravaram de um modo particular durante a lua de mel de ambos. De seguida, o casal começou a ter um impacto imediato, mas não pelas melhores razões.

Esta minissérie não aborda só as consequências que o lançamento de momentos privados de Pam e Tommy teve para a vida de cada um deles. Também retrata os altos e baixos que fizeram parte do relacionamento entre eles e conta como é que a história de amor de Pam e o músico Tommy começou, o casamento que decorreu na praia, a gravidez dela e as aventuras que passaram juntos e às vezes com sexo à mistura.

Divulgação: Hulu

A vida de uma celebridade não é perfeita e é assim que esta história nos apresenta. Duas pessoas com personalidades distintas e comportamentos opostos que se juntam depois de um mero encontro numa discoteca, sendo que tanto um como outro têm a sua própria popularidade e carreira. Além disso, acompanhamos o modo como cada um lida com as pessoas ao seu redor. Pam é uma pessoa mais simpática e delicada, enquanto Tommy tem comportamentos mais agressivos, acabando por ser o principal responsável do escândalo que acabou por lhe suceder, devido à forma como tratou o seu funcionário Rand Gauthier que trabalhava nas reformas da casa do baterista do Mötley Crüe na Califórnia e Lee estava sempre constantemente a mudar de ideias sobre aquilo que queria e não queria pagar pelo trabalho fornecido. Um dia, Rand vinga-se e rouba do cofre da garagem, uma cassete que iria dar muito que falar antes de ele ter tido algumas dificuldades iniciais a vender a mesma a distribuidores, devido a não ter os direitos de autor.


Divulgação: Hulu

Pam & Tommy é uma história cheia de tensões que tem um argumento consistente que tem a capacidade de criar interesse no espetador. Não é indicado para todos, devido a algumas cenas explícitas de sexo, drogas, álcool e violência. Porém, o destaque da minissérie vai para o desempenho fantástico tanto de Lily James como Sebastian Stan que conseguiram representar a essência da Pamela Anderson e do Tommy Lee e eles estavam completamente irreconhecíveis. Estes episódios foram sem dúvida, uma boa surpresa e também é bom ver como era a vida nos anos 90, onde ainda não existia redes sociais, porém a internet já estava a começar a ser introduzida na vida das pessoas!

domingo, 25 de abril de 2021

Minissérie "Falcon and The Winter Soldier" da Disney +, protagonizada por Anthony Mackie e Sebastian Stan - uma dupla impecável que têm uma missão para cumprir

Falcon and the Winter Soldier (O Falcão e o Soldado do Inverno, em português) é uma minissérie de seis episódios, produzida pela Marvel Studios que está disponível em exclusivo na plataforma da Disney +. Com criação para a televisão de Malcolm Spellman, esta é baseada nas personagens da Marvel Comics que tem Kari Skogland como realizador, Henry Jackman como responsável da banda sonora e Kevin Feige como um dos seus produtores executivos, juntamente com Louis D’Esposito, Victoria Alonso, Nate Moore, Kari Skogland e Malcolm Spellman.

A história está introduzida na fase 4 da MCU e se desenrola após os acontecimentos do filme de 2019, Avengers: Endgame (Vingadores: Ultimato, em português).

Depois de ter recebido o escudo de vibranium por parte do Captain America (Chris Evans), Sam Wilson (Anthony Mackie) vai ter de ponderar bem sobre se ele é a pessoa mais indicada para continuar com o legado deste super-herói ao mesmo tempo que Bucky Barnes (Sebastian Stan) terá de lidar com o seu passado conturbado e com os seus atos enquanto Winter Soldier, um assassino sem qualquer tipo de misericórdia que sofreu uma lavagem cerebral e foi programado pela organização Hydra para eliminar quem eles quisessem. Juntos, esta dupla terá de enfrentar uma ameaça que pode vir a trazer o caos. Será que nesta jornada, Sam Wilson irá se tornar no próximo Captain America? Para além disso, será que Bucky Barnes vai conseguir ultrapassar os seus traumas?

O elenco é constituído por Sebastian Stan (Bucky Barnes), Anthony Mackie (Sam Wilson), Emily VanCamp (Sharon Carter), Wyatt Russell (John Walker), Erin Kellyman (Karli Morgenthau), Florence Kasumba (Ayo), Danny Ramirez (Joaquin Torres) e Daniel Brühl (Zemo), mas também tem a participação de Adepero Oduye (Sarah Wilson), Clé Bennett (Lemar Hoskins), Carl Lumbly (Isaiah Bradley), Georges St. Pierre (Batroc), Desmond Chiam (Dovich), Dani Deetté (Gigi), Indya Bussey (DeeDee), Renes Rivera (Lennox), Tyler Dean Flores (Diego), Miki Ishikawa (Leah), Noah Mills (Nico), entre outros.

Esta é uma minissérie de super-heróis que mistura ação com aventura, ficção científica, suspense, comédia e até drama, sendo que aborda temas que são muito importantes para a nossa sociedade e que devem continuar a serem discutidos, tais como a procura pela própria identidade, o racismo, a discriminação, o preconceito, a saúde mental, o patriotismo, conflitos políticos, a depressão, o transtorno de stress pós-traumático, o modo como cada uma das personagens lida com os seus medos e traumas e muito mais.

Desta vez, o mundo corre perigo já que existe um grupo anarquista e terrorista designado por Flag-Smashers, cuja líder é Karli Morgenthau que são eficazes a espalharem a sua mensagem, com um lema próprio e têm um plano organizado que pode vir a trazer ataques com violência e morte. Por isso, Sam e Bucky têm de os impedir antes que seja tarde demais. Será que vão conseguir vencer a tempo esta equipa de mascarados?

Pode conter spoilers!

Divulgação: Disney + e Marvel Studios

Sam Wilson recebeu o escudo do Captain America que antes pertencia ao seu grande amigo, Steve Rogers que o entregou como escolha pessoal, sendo que na minha opinião esta foi uma passagem emocionante, surpreendente e marcante que este herói fez para com o Falcon. Mas Sam não está convencido e acha que não é a pessoa certa para continuar com este legado e por isso, ele prefere entregar esta relíquia ao governo dos EUA para que possa ser apreciada num museu juntamente com o uniforme deste super-herói. Será que esta sua escolha vai ser assim tão fácil ou o governo americano tem outros planos em vista?

Apesar de estar a colaborar com a Força Aérea dos EUA, Sam é um cidadão que tenta viver uma vida normal e de certa forma sobreviver ao mesmo tempo que tenta descobrir qual é realmente o seu verdadeiro propósito. Ele aproveita o seu tempo livre para se dedicar à sua família e ir ajudar a sua irmã, Sarah que está a passar por dificuldades financeiras, devido ao negócio da família. Assim, Sam tenta ajudar a irmã a arranjar o barco que pertence há muito tempo à sua família que não vai uma tarefa fácil.

Divulgação: Disney + e Marvel Studios

Sam é uma pessoa sarcástica que toma atitudes espontâneas e vai questionar-se constantemente sobre que caminho deve seguir e se é possível um homem negro representar um país que não aceita bem a sua comunidade e nem respeita a mesma. Ele sente-se pressionado para assumir o escudo que acaba por ser um símbolo que tem um grande significado de esperança e justiça para a humanidade. De certa forma, tudo isto faz sentido para o seu grande dilema, pois ele tem o intuito de proteger os outros e aos poucos começamos a ver as semelhanças que Sam tem com Steve Rogers, principalmente quando falamos dos seus valores que são de acordo com aquilo que é preciso para erguer o escudo. O que significa ser um Captain America negro? Poderá Sam fazer a diferença? Será que a população vai aceitar essa mudança?

Ao longo dos episódios, Falcon mostra os seus talentos tanto em voo como em combate ao mesmo tempo que ficamos a conhecer mais detalhes da vida de Sam e do seu passado. Um dos momentos altos desta minissérie que prende a atenção desde o primeiro minuto e é empolgante é a sequência de ação iniciada por Wilson, utilizando o seu equipamento de Falcon e mostrando assim, as suas habilidades impressionantes, onde durante quase 10 minutos, a pessoa não consegue tirar os olhos do que está a acontecer. Esta é uma luta aérea que é feita de uma forma impecável por Falcon enquanto enfrenta um grupo de inimigos num local perigoso e com helicópteros e tiroteios à mistura que são realizados com efeitos especiais espetaculares em que não falta o mínimo detalhe.

Para além disso, também temos a oportunidade de ver uma boa sequência de imagens do treino de Sam Wilson, enquanto utiliza o escudo de Captain America como ferramenta de trabalho.

Divulgação: Disney + e Marvel Studios

Com o soro de super-soldado a correr nas suas veias, James Bucky Barnes foi recentemente perdoado por todas as atrocidades que cometeu nos últimos tempos, mas tudo isto implicava que ele tivesse sessões de terapia e quem sabe ajudá-lo a lidar com tudo o que fez durante o seu tempo enquanto um assassino tão perspicaz e eficaz quanto o Winter Soldier que tinha sofrido uma intensa lavagem cerebral, mas que acabou por conseguir ultrapassar, devido à sua passagem por Wakanda, onde teve um período de recuperação e passou a ser conhecido como The White Wolf (O Lobo Branco, em português), criando uma ligação com uma cena pós-credito que foi mostrada no filme do Black Panther (Pantera Negra, em português).

Bucky quer afastar-se da sua vida enquanto Winter Soldier e deixar esse seu lado mais obscuro para trás, mas não é uma tarefa nada fácil de se concretizar, pois vai passar por diversas dificuldades pelo caminho ao mesmo tempo que se tenta encaixar nesta sociedade tão nova e diferente para ele.

Este soldado passou grande parte da sua vida a lutar, onde sofreu um trauma intenso por todos os crimes de guerra que cometeu no passado que foram causados através da manipulação que foi feita pela Hydra que o transformou num assassino. Ele luta contra o seu passado conturbado para conseguir ultrapassar os seus demónios e se tornar numa pessoa melhor, mas para que consiga seguir em frente, ele tem de obrigatoriamente fazer terapia.

Divulgação: Disney + e Marvel Studios

Uma das principais dificuldades de Bucky são os pesadelos que vai tendo enquanto Winter Soldier, onde relembra a altura em que era um assassino profissional sem misericórdia em que eliminava todos os seus alvos, acabando por trazer memórias que o assombram e lhe cria um sentimento muito grande de culpa.

Estas sessões de terapia vão ajudá-lo a aceitar que cometeu erros no seu passado violento, mas que precisa de se perdoar a si mesmo para que consiga encontrar a paz no seu interior e ultrapassar os seus obstáculos e medos e sobreviver neste mundo atual. Vai ser sem dúvida, um desafio para Bucky que tem um longo caminho pela frente para melhorar a sua saúde mental, onde vai conhecer melhor a sua identidade e tem de se adaptar a viver numa realidade em que não tem a presença de Steve Rogers na sua vida. Ele terá de enfrentar o seu transtorno de stress pós-traumático e arranjar ferramentas para que possa lidar com isso da melhor forma, sendo que Bucky coloca em prática tudo o que vai aprendendo nas suas sessões de terapia. O que não vão faltar são conexões com o passado de Bucky e finalmente vamos conhecer a sua verdadeira personalidade.

Divulgação: Disney + e Marvel Studios

Tanto Sam e Bucky vão passar por uma fase de auto-descoberta e chegarem à conclusão de quem são na verdade e o que precisam de fazer para seguirem em frente e enfrentarem os seus traumas e medos. A vida de cada um deles não é a mesma sem a presença de Steve, mas eles têm de aprender a viver sem o amigo e lidar com os seus demónios, cada um à sua maneira.

A relação entre Sam e Bucky que começou no filme Captain America: Civil War vai tendo os seus altos e baixos e ao longo destes episódios mostram a jornada deles como uma boa equipa. Eles têm uma dinâmica natural e real que é excelente e divertida, sendo que sem dúvida, conseguiram conquistar o público, em que não vão faltar brincadeiras e troca de piadas que vão ajudar a descontrair de cenas mais dramáticas. Um desses exemplos é a parte onde esta dupla está no interior de uma sala com a terapeuta de Bucky e partilham diálogos caricatos, curiosos e engraçados.

Tudo isto acontece devido à ótima química já partilhada pelos seus atores, em que estão completamente à vontade com as suas personagens, pois já estão a interpretá-las há mesmo muito tempo…não são apenas super-heróis, mas também são seres humanos que têm dificuldades e medos como cada um de nós.

Ao contrário do que Sam pensava o governo nomeia um novo Captain America que desta vez é o soldado John Walker. Tanto Sam como Bucky não reagem bem a esta escolha, sendo que o segundo tem a intenção de trazer o escudo de volta que estão nas mãos de quem não merece, mas que pode levar a grandes consequências como já aconteceu em eventos no passado.

John Walker é um membro das Forças Armadas e a escolha do governo dos EUA para se tornar no próximo Captain America. Ele passa a usar o uniforme e o escudo deste herói e ao longo dos episódios temos a oportunidade de conhecer melhor esta personagem que acabou de ser introduzida no MCU, o seu desenvolvimento e o caminho que teve de percorrer até lhe oferecerem este cargo que tem o dever de honrar o trabalho de Steve Rogers. John quer deixar a sua marca enquanto o Captain America, mas será que vai ter esse reconhecimento?

Walker é uma pessoa impaciente e determinada que tem os seus valores, princípios e convicções que nem sempre são o suficiente, pois ele mete-se naquilo que não deve e toma decisões precipitadas e impulsivas, tal como injetar o soro de super-soldado em si mesmo que pode intensificar o seu feitio. Ele até pode ter boas intenções, mas as circunstâncias não ajudam, pois é descontrolado, tem ataques de raiva e tem um estado psicológico que pode explodir a qualquer momento, levando a comportamentos que podem deixar qualquer um perplexo e em choque, principalmente quando resolve as coisas pelas suas próprias mãos e não traz bons resultados, acabando por passar por momentos de humilhação. Depois de ter passado por períodos de muito ódio e frustração, temos a oportunidade de ver a sua transformação num US Agent (Agente americano, em português) que faz parte dos eventos da banda desenhada.

Ao longo dos episódios vão existir conflitos entre Sam e Bucky com Walker e Lemar, sendo que as cenas de luta na batalha entre Sam e Bucky contra Walker foram sensacionais, intensas e muito bem feitas.

Como referido anteriormente, o Falcon e Winter Soldier têm de impedir o grupo terrorista Flag-Smashers liderado pela Karli de trazer o caos, mas para isso acontecer, eles precisam de saber mais informações.

Segundo Bucky, uma das melhores formas para obterem informações é através de um agente da Hydra que neste caso é o Helmut (Barão, em português) Zemo que está preso, mas a sua saída da prisão está para breve, devido a um plano bem executado por Bucky.


Divulgação: Marvel Studios

Zemo é um mestre da manipulação e um autêntico terrorista que usa uma máscara roxa que é bem peculiar para os fãs do universo da Marvel, sendo que ele é cínico, inteligente e tem um talento particular para conseguir aquilo que quer e fazer o que for necessário para impedir os seus inimigos de concretizarem os seus planos. Ele foi responsável pela morte do Rei T’Chaka durante um evento mundial que eu acredito que Wakanda não vai esquecer facilmente quando souber que ele já não está preso.

A decisão de terem adicionado Zemo à história foi muito bem implementada, pois fez toda a diferença para a curiosidade que o público vai tendo sobre os seus comportamentos e atos e surpreendeu na forma como conseguiu encaixar-se tão bem nas cenas partilhadas com Sam e Bucky que foram inesperadas e até divertidas de se ver, formando assim, uma boa tripla. Esta personagem tem carisma, tendo como objetivo principal, a destruição tanto os super-soldados como o soro que foi recriado e não descansa enquanto não cumprir com a sua missão. Será que vai conseguir seguir com os seus planos?

Quando Bucky, Sam e Zemo chegam à cidade de Madripoor para saberem mais informações sobre o soro, eles cruzam-se com a fugitiva Sharon Carter que é a sobrinha de Peggy Carter e já foi uma agente da S.H.I.E.L.D., mas foi exilada dos EUA Neste momento, ela é uma vendedora de arte em Madripoor cheia de contactos, mas que esconde muitos segredos.

Finalmente vai chegar a altura em que Wakanda quer que Zemo sofra as consequências dos seus atos e seja feita justiça por todo o mal que ele cometeu. Por isso Ayo, um dos elementos da guarda real da Dora Milaje aparece para capturar Zemo que acaba por ser um trabalho mais fácil do que se pensava, pois estas guerreiras de Wakanda conseguiram proporcionar-nos grandes momentos de luta com habilidades extraordinárias mesmo que pudessem estar a enfrentar pessoas com o soro de super-soldado.

Bucky Barnes resolve dar a conhecer a Sam, Isaiah Bradley que é um homem afro-americano veterano que tem no seu sistema e que esteve preso durante 30 anos depois de ter utilizado o traje do Captain America, onde foi alvo de várias experiências científicas e utilizado como cobaia que acabaram por prejudicar a sua vida, chegando a um ponto que foi dado como morto. Eu acho que poderia ter sido interessante que tivesse sido mostrado o passado de Isaiah.

Sendo assim, num momento de grande tensão, Isaiah acredita um homem negro não pode nunca ser o Captain America, porque a sociedade não vai deixar. Será que é possível alguma vez um homem negro tornar-se neste herói? É isto que esta minissérie explora, sendo que Isaiah foi uma peça fundamental para Sam começar a refletir e questionar-se sobre aquilo que queria mesmo fazer.

Divulgação: Disney + e Marvel Studios

Esta é uma história sólida com uma introdução brilhante e com boas surpresas que vai tendo o seu impacto ao longo dos seus episódios, em que o público consegue identificar-se com as suas personagens e onde existem referências que são naturais e fluídas não só às bandas desenhadas, mas também aos muitos filmes da MCU. São mostradas as vulnerabilidades desta dupla, cada um com a sua abordagem, principalmente a nível de ângulos que foram utilizados durante a filmagem das cenas que focavam mais no Sam ou no Bucky.

Esta minissérie dá a oportunidade de explorar melhor estas personagens que tiveram um papel fundamental em filmes anteriores pertencentes ao universo da Marvel, sendo que também ajuda a pessoa refletir, pois lida com temas que continuam a ser um tabu e a serem desconfortáveis de discutir, como por exemplo, o racismo que é abordado sem que sejam utilizados filtros.

A Marvel está de parabéns por mais uma produção incrível com um argumento ambicioso, muito bem realizada e com diálogos bem introduzidos, sendo que é repleta de ação, mas que é ao mesmo tempo divertida com piadas bem inseridas e caricatas, com participações muito especiais e com flashbacks e cliffhangers interessantes. Também é constituída por momentos constrangedores com o seu lado mais cómico e algumas partes bem épicas para o público com cenas de ação com uma boa qualidade, perseguições empolgantes e episódios que prendem a atenção.

Toda a banda sonora está muito bem adaptada a cada uma das cenas que vão sendo mostradas e vai sendo dividida por temas musicais específicos, dependendo da personagem ou do ambiente envolvido e por uma música utilizada nos créditos iniciais após terminar cada episódio que fica no ouvido. A cinematografia está fantástica, com uma qualidade técnica brilhante e precisa que inclui efeitos especiais bem feitos, bons ângulos de filmagem, mostrando o ponto de vista das suas personagens e lutas muito bem coreografadas.

The Falcon and The Winter Soldier tem uma mistura de espionagem e suspense que mostra como é a relação desta dupla e como vai sendo desenvolvida, sendo constituída por cenas no meio dos créditos e por sequências de ação cativantes. Tudo é mostrado num modo subtil, onde heróis e vilões se juntam por um objetivo em comum e sem dúvida que conquista qualquer um, terminando com um uniforme do Captain America bem interessante.

Finalmente, as personagens tiveram o destaque merecido que eu já esperava há muito tempo e em que foram bem desenvolvidas. Esta minissérie tem um final que deixa em aberto várias possibilidades para a continuação da MCU durante a fase 4 e mais no futuro.




segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Crítica ao filme "Devil All The Time" da Netflix, protagonizado por Tom Holland - um thriller misterioso que aborda a religião e a violência

 

O filme designado por Devil All The Time (O Diabo de Cada Dia, em português) foi considerado como uma das estreias mais esperadas da Netflix, principalmente devido ao seu elenco de luxo, tendo estreado recentemente. Este thriller de cerca de 138 minutos é baseado no romance com o mesmo título de 2011, do escritor Donald Ray Pollock, tendo sido criado e realizado por Antonio Campos e com a produção de Jake Gyllenhaal.

 

O elenco é constituído por Tom Holland (Arvin Russell), Bill Skarsgård (Willard Russell), Sebastian Stan (Lee Bodecker), Mia Wasikowska (Helen Hatton), Robert Pattinson (Preston Teagardin), Jason Clarke (Carl Henderson), Riley Keough (Sandy Henderson), Drew Starkey, Harry Melling (Roy Laferty), Haley Bennett (Charlotte Russell), Eliza Scanlen (Lenora Laferty), Douglas Hodge (Tater Brown), Gregory Kelly (Bobo McDaniels), Pokey LaFarge (Theodore), entre outros.


 

A história desenrola-se na zona rural das cidades de Knockemstiff, no sul de Ohio e em Coak Creek, na Virgínia Ocidental, após o final da 2ª Guerra Mundial e até 1960, onde são apresentadas personagens que são estranhas à sua maneira, mas que têm um objetivo específico a alcançar, enquanto percorrem a jornada respetiva. Desde um jovem que passa por uma infância conturbada, um casal de serial killers com os seus próprios planos e um pregador que chega à cidade para arrasar, utilizando os seus discursos arrebatadores. Será que os caminhos de cada um vão ser cruzados de alguma forma?

 

Este drama aborda temas, tais como, evangelismo, violência, corrupção, vingança e o poder que a religião pode ter nos outros, tendo a capacidade de influenciar as pessoas mais sensíveis a cometerem atos terríveis e desenrolando-se no período que vai desde 1939 até 1945 e também até 1960, onde é mencionada a Guerra do Vietname, em que algumas das cenas são mostradas através de flashbacks.

 



Willard Russell é um veterano atormentado que regressa da guerra, tentando criar uma vida nova, longe dos seus demónios e traumas até que um dia, ele apaixona-se perdidamente por uma rapariga muito simples e simpática que chama-se Charlotte e trabalha num café.

 

Ele considerava-se como uma pessoa religiosa, mas perde a sua fé após tudo aquilo que presenciou na guerra, sendo que vai vivendo a sua vida, de um modo muito perturbado, devido aos acontecimentos que foram sucedendo, ao mesmo tempo que resolve aos poucos retomar a fé que tinha dantes, mas não será uma tarefa fácil, principalmente quando a vida lhe prega uma partida e a sua mulher é diagnosticada com um cancro agressivo e terminal.

 


Willard tenta a todo o custo impedir que Charlotte morra, que inclui sacrifícios sanguinários que ele coloca no seu altar improvisado e também obrigando o seu filho, Arvin a rezar com intensidade através de chantagem emocional, mesmo que este possa não ter qualquer tipo de vontade de o fazer. Infelizmente as suas inúmeras orações não têm o efeito desejado, fazendo com que ele tome atitudes plenamente destruidoras, pois ele tem estado a sacrificar-se de formas indescritíveis para salvar a sua mulher que não chegaram a dar em nada e assim, acaba por não aguentar com a sua dor de a ter perdido.

 

O ator que interpreta Willard Russell fez um trabalho brilhante representando um veterano que tenta lidar com os seus traumas e lutar com os seus fantasmas, sendo que são efeitos secundários de ter participado na guerra, demostrando que esta personagem é capaz de fazer tudo o que for preciso para salvar quem mais ama.

 


Arvin Eugene Russell é o filho órfão de Willard e Charlotte, que passou por uma infância complicada e conturbada, desde bullying, a doença da sua mãe e os acontecimentos devastadores que aconteceram à sua família. Quando ele cresce, tenta proteger as pessoas que mais ama, ao mesmo tempo que tenta ser um homem bom, mas tem um lado mais violento, que nem sempre consegue controlar.

 

Inicialmente Arvin é um jovem que está no seu canto, não quer ter problemas e é perturbado pelos outros da sua idade em que chega a um ponto que vai acumulando aos poucos, a sua raiva interior ao longo dos anos e quando não consegue aguentar mais, ultrapassa todos os limites, recorrendo à violência, mesmo que tente a todos os custos ser uma boa pessoa e proteger aqueles que mais gosta ou por uma questão de instinto de sobrevivência.


 

Este é um jovem que tem uma vida marcada por perdas de pessoas que ama, traumas e tragédias que passou durante a sua infância e a influência que o cancro da sua mãe teve nas ações cometidas pelo seu pai. Arvin luta contra as forças do mal que ameaçam ele e a sua família, fazendo-o questionar as suas crenças religiosas, ao mesmo tempo que cruza-se com pessoas bem estranhas que podem ser, desde um casal de assassinos em série a um xerife corrupto.

 

Num dos seus aniversários, Arvin recebe a arma do seu pai que foi um soldado na 2ª Guerra Mundial e chega a um ponto que vê a sua vida a mudar de uma forma caótica, onde testemunha situações inexplicáveis. Ele tem boas intenções, mas apesar de ser um homem com um bom coração acaba por ter os seus momentos mais violentos.


 

Arvin tem uma carga emocional intensa, em que eu fiquei surpreendida com o tempo que demorou a tomar atitudes mais impulsivas, mesmo que tivesse sido criado por uma avó fanática pela sua religião.

 

O espetador até consegue criar uma certa ligação com esta personagem mesmo que não tenha tido tempo suficiente para o fazer ou por acontecer situações mais violentas que possam distrair o público de uma possível conexão.

 

Tom Holland fez um desempenho excelente, surpreendendo na forma como interpreta a sua personagem e onde podemos ver um lado bem mais dramático, relativamente a trabalhos anteriores deste ator, fazendo com que a pessoa fique na expetativa e com curiosidade em ver mais versões deste tipo no trabalho futuro do mesmo, ao longo da sua ainda curta carreira.


 

Na vida de Arvin também temos Lenora Laferty que é sua meia irmã e foi criada como uma católica autêntica, onde vive o seu próprio inferno de uma forma que não imaginava que algum dia viesse a suceder, mas será que Arvin vai conseguir protegê-la?

 



Carl e Sandy Henderson são um casal que têm um segredo muito grave por desvendar, mas será que vão sofrer com as consequências dos seus atos? Estes são uma dupla de assassinos em série, pois eles percorrem as estradas norte-americanas, oferecendo boleia a estranhos, mas têm um objetivo muito específico que inclui a vítima ser modelo fotográfico por umas horas e depois acabando por ter um fim terrível e macabro.

 

Este casal espalha simpatia por quem se cruzam, principalmente perante homens que podem ser adequados para os seus planos, que inclui posar em posições comprometedoras, mas infelizmente esta dupla de serial killers gostam de deixar os seus crimes registados em fotografias.

 


Como pessoas fanáticas pela sua religião, a comunidade está cheia de expetativas e ao mesmo tempo ansiosa quando chega à sua terra, um pregador chamado Preston Teagardin que é motivo de celebração, em que cada família traz comida para este homem saborear, mas nem todos são recebidos da melhor forma por este indivíduo.

 

Preston Teagardin é uma personagem cruel e manipuladora que aproveita-se das pessoas mais vulneráveis para benefício próprio, utilizando os seus discursos emblemáticos, mas que não pode fazer sentido para todos e que infelizmente, nem sempre têm os melhores efeitos nas pessoas.

 

O ator interpreta de um modo excelente esta personagem, em que ele acaba por protagonizar muitas das cenas mais odiadas do filme, pois ele é muito credível na forma como vai desempenhando as mesmas, principalmente quando utiliza o poder de Deus para o seu próprio benefício e para conseguir alcançar aquilo que quer.


 

Lee Bodecker é um xerife corrupto, sendo cobarde em determinadas situações e em outras, não tem equilíbrio nas suas atitudes e faz os possíveis para manter e preservar as aparências na cidade, protegendo assim, a sua reputação.


 

Por fim, Roy é um pregador que inicialmente tinha uma fobia por aranhas até que encontrou a sua fé em Deus, perdendo esse medo por completo. Tem como aliado, Theodore, que tem sequelas físicas, mas não é por isso que deixa de tocar a sua guitarra. Será que Roy vai cometer atos completamente imperdoáveis em nome do seu Deus?

 

Esta é uma história bem violenta que decorre após a 2ª Guerra Mundial e até 1960, principalmente na cidade de Knockemstiff, numa zona rural de Ohio e também em Coak Creek, na Virgínia Ocidental, em que acompanha-se a evolução de personagens obscuras durante cerca de 20 anos e onde um dos temas predominantes é a religião, como esta pode afetar cada personagem e o que isso significa para cada uma delas e também a ligação que estas duas localizações podem ter uma com a outra.


 

Estas são comunidades muito religiosas que definem cada decisão da sua vida, de acordo com a vontade de Deus, sendo que as pessoas tentam aliviar as suas mágoas ou simplesmente procurar respostas a algo que para elas é um ser superior e por isso, fazem o que for necessário para que as suas orações sejam atendidas que por vezes podem incluir atitudes extremas que não têm qualquer tipo de justificação.

 

Este filme é narrado pelo próprio autor do livro com o mesmo nome em que é baseado, nos quais vai contando a história de cada personagem e é essencial que o espetador vá ficando atento a cada pormenor deste suspense e assim, evitando perder-se no seu decorrer. A forma como o autor vai narrando a história até pode influenciar de certa forma, quem o está a ouvir e a experiência que adquire do filme, dependendo da intensidade e entoação com que utiliza a sua voz enquanto vai contando a mesma.

 

Esta história vai sendo uma aprendizagem para quem assiste, mas também para cada uma das suas personagens, em que vemos lições de vida e possíveis consequências que podem dar origem a um acumular de raiva, levando a ataques sucessivos de violência ou mesmo situações que vão decorrendo e como as personagens vão reagindo a elas, podendo ser vital na sua evolução como pessoas.


 

Este é um thriller psicológico em que as personagens vão sendo constantemente desafiadas, principalmente a nível emocional e nem todas conseguem vencer, pois são vários os traumas com que têm de lidar e nem sempre têm a força suficiente para os enfrentar. Neste caso, existem personagens bem perturbadoras que não conseguem lidar com as adversidades da vida.

 

Também temos a oportunidade de ver cada personagem a procurar por algo específico que acaba por tornar-se num desafio difícil, mas não quer dizer que seja impossível e para além disso, também vemos representações sobre como a fé é vista por estas pessoas, pois a religião afeta a vida das pessoas de uma forma bem específica, principalmente se é uma comunidade que vive num sítio mais rural.


 

Pode acontecer o espetador não chegar a torcer totalmente por uma personagem, mas não deixa de ser curioso, ver como a história de cada um vai terminar, podendo ser por vezes, surpreendente. Mesmo que sejam abordadas as histórias de uma quantidade vasta de personagens, a pessoa não se perde e é interessante a ligação que vão fazendo umas com as outras, acabando por fazer todo o sentido. Assim, as histórias das diferentes personagens são cruzadas de forma inteligente.

 

Este filme tenta mostrar o significado que é ter uma vida religiosa e o que pode estar no interior de cada um de nós, onde nos questionamos se faz sentido ou não, que determinados atos devem ser cometidos pelas próprias mãos da pessoa. Sem dúvida, que dá para refletir sobre vários temas fundamentais, tais como a manipulação, rejeição, vingança ou influência e como devemos reagir aos mesmos.


 

Também tentam mostrar que o ser humano tem um monstro no seu interior. Isso até me faz acreditar que chegamos à conclusão que todos nós acabamos por ter dois tipos de lobos, dentro de nós, um com luz e outro com escuridão e existe uma luta intensa entre os dois que têm o objetivo de estar no controlo e assim, temos de ser nós a escolher quem realmente queremos ser. Assim, este filme deixa refletir sobre o que acabou de acontecer e a forma como lidamos com a nossa própria vida e onde se baseia a nossa fé, sejamos pessoas religiosas ou não.

 

Infelizmente são vários os atos que são cometidos de uma forma conveniente para uma determinada personagem, onde esta utiliza como justificação, a sua fé e a mensagem de Deus, em vez de admitir que é por benefício próprio ou para propósitos específicos. Estas pessoas aproveitam-se da crença dos outros para cometerem ações terríveis, sem pensarem nas consequências e nas vítimas respetivas. Assim, a moral das personagens acaba por ser constantemente questionada, principalmente devido a atos de violência pura e excessiva, existindo conflitos morais que podem influenciar a própria construção da personalidade da pessoa e possíveis atitudes que podem vir a ter.

 

Quando pessoas religiosas que deveriam estar a fazer o bem acabam por estar a fazer o contrário, em benefício próprio e justificando as suas ações como sendo feitas em nome de Deus, sendo que estas acabam por ser classificadas como os diabos que vivem neste planeta. Nesta história são apresentadas personagens bondosas e humildes que revelam-se completamente o contrário, em que tudo é feito a partir de aparências, onde estas utilizam a sua influência para os seus próprios planos, que por vezes até podem vir a ser macabros. Assim, este filme mostra como pessoas mais vulneráveis podem ser influenciadas, devido à sua religião ou devido à manipulação de líderes que deveriam estar o fazer bem em vez de utilizarem a fé das pessoas para objetivos peculiares.


 

Num geral, estas personagens são bem complexas, apesar de cada uma ter a sua peculiaridade, em que podemos ver a jornada e aprendizagem de cada um deles, que nem sempre pode acabar bem, pois são alguns que vão ter os seus fins trágicos, uns mais surpreendentes do que outros. Existem cenas que podem causar um impacto imediato a quem está a assistir, devido à sua intensidade, por isso é um filme que não é indicado aos espetadores mais sensíveis e pode não agradar a todos por ser uma história mais pesada.

 

Infelizmente, eu acho que algumas das personagens não faziam muita falta ao filme, pois poderiam atrapalhar e tirarem o brilho a outras mais relevantes e fundamentais para a continuação da história. Poderia fazer todo o sentido, caso esta produção tivesse sido uma minissérie, mas num filme nem sempre existe tempo suficiente para desenvolver suficientemente as personagens, quanto mais introduzir outras que podiam bem ter sido dispensadas.

 

Este filme consegue reunir um elenco de luxo, em que temos a oportunidade de ver a versatilidade de muitos destes atores, em que estamos habituados a ver em registos bem diferentes do que acontece nesta produção e para além disso, também podemos assistir a vários momentos dramáticos em ambientes pesados, onde vemos o trabalho incrível dos atores deste projeto.


 

A história é contada a um ritmo bem lento, onde vamos estando em períodos de tempo diferentes, dependendo da jornada em que está situada determinada personagem. Também é constituída por um argumento bem desenvolvido, uma boa cinematografia e uma fotografia mais sombria que pode representar uma falta de esperança e fé que as personagens vão tendo, enquanto percorrem o seu caminho e considero que seja a mais indicada para este suspense. Para além disso, a edição deste filme está muito bem implementada e a banda sonora também ajuda a criar o clima e a tensão necessária para um thriller deste tipo, em que faz todo o sentido quando chegamos ao seu final, pois todas as ligações entre as personagens foram bem realizadas.

 


Este filme de drama e terror tem uma história misteriosa, cheia de suspense, com muita tensão e tragédias pelo caminho e com personagens bem sinistras que mostram um pouco a hipocrisia e a maldade da humanidade com algumas controvérsias pelo meio, em que são introduzidas pessoas fanáticas por uma determinada religião que nem sempre têm bom senso e usam a violência de um modo excessivo, em nome de Deus e tornando-se por vezes angustiante.

 

Como não tive oportunidade de ler o livro pelo qual este filme foi baseado não posso fazer comparações sobre esta adaptação, apesar de achar que nesta história pode haver uma certa crítica a esta religião específica e os seus simbolismos, onde ajuda a refletir sobre o que vai acontecendo com as cenas mais tensas e dolorosas que o público vai acompanhando e para além disso, também mostra que por mais luz que uma determinada pessoa possa vir a ter, não deixa de ter o seu lado mais obscuro.


 

Este é daqueles filmes pesados que tenho a certeza que vão dividir opiniões pois houve um tempo excessivo do mesmo que poderiam ter aproveitado para aprofundar muito mais determinadas personagens que eu considerei vitais para o desenrolar da história, mas não deixa de ser interessante de ver para que o espetador possa tirar as suas próprias conclusões e para isso acontecer é essencial que esteja com muita atenção para não perder a noção de espaço e tempo.

 

Devil All The Time é uma crítica ao ser humano e aos seus atos de maldade que comete perante outras pessoas mais vulneráveis que simplesmente são manipuladas facilmente, mas que deixa refletir em possíveis semelhanças com a realidade, por isso eu acho que esta história até traz uma discussão interessante e aconselho a verem.