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sábado, 13 de junho de 2026

Disclosure Day - um espetáculo visual impressionante e impactante que entrega uma mensagem poderosa (Crítica)

Chegou o momento de Disclosure Day (O Dia da Revelação, como título em português), uma nova descoberta que promete muita ficção científica. É realizado por Steven Spielberg, o cineasta que redefiniu o imaginário coletivo sobre a vida extraterrestre.

O elenco é composto por Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Eve Hewson, Colman Domingo, Wyatt Russell e Henry Lloyd-Hughes.

Já a banda sonora fica a cargo do lendário compositor John Williams, assinalando assim, a 30ª colaboração com Steven Spielberg e reforçando o estatuto do filme como um dos grandes eventos cinematográficos do ano. No argumento, temos Steven Spielberg e o David Koepp que se reúnem para mais uma produção.

Neste caso, temos a apresentação de uma história original sobre o momento em que a humanidade é confrontada com a prova definitiva de que não está sozinha no universo.

Agora e se, de um momento para o outro, o mundo inteiro soubesse? E se a verdade — aquela que governos e agências mantiveram em segredo durante décadas — fosse finalmente revelada a sete mil milhões de pessoas em simultâneo.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Margaret (Emily Blunt), meteorologista, está no ar numa transmissão em direto quando sinais e padrões de comunicação anómalos começam a interromper as emissões de todo o mundo. Daniel (Josh O’Connor), especialista em cibersegurança, deteta simultaneamente a origem dos sinais — e percebe que se trata de inteligência extraterrestre. Juntos, os dois investigadores arriscam tudo para trazer a verdade ao público.   

Do outro lado da barricada, uma figura de autoridade (Colin Firth) tenta a todo o custo impedir a divulgação — convicto de que a revelação provocará o colapso da ordem mundial. Disclosure Day não é apenas um filme sobre extraterrestres: é uma pergunta sobre o que acontece à humanidade quando a maior mentira de sempre deixa de ser sustentável.

Desde o início que é colocada a questão. Se houvesse provas a comprovar que afinal não estamos sozinhos, então como seria a nossa reação? Será que ficávamos assustados? Ou, simplesmente aumentava a nossa curiosidade em querer saber mais?

O maior foco é explorar o impacto global da revelação da existência de vida alienígena, enquanto deixa em aberto, grande parte da narrativa, para assim, preservar o mistério.

Já imaginaram como seria alguém, como Margaret estar numa emissão em direto e é subitamente afetada por estranhos sons e padrões de comunicação? Automaticamente se pensaria que algo estaria errado, não é verdade?

Enquanto isso, outras pessoas lidam com sinais inquietantes e imagens enigmáticas.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Disclosure Day é um espetáculo visual impressionante e impactante, que entrega uma mensagem poderosa e intensa sobre o valor da empatia, verdade, espiritualidade, humanidade, comunicação, fé e como não se deve perder a esperança. E tudo é feito com uma grande generosidade e compaixão, por parte de Steven Spielberg, que é acompanhado por uma banda sonora estrondosa da responsabilidade do lendário John Williams. Uma banda sonora que amplifica o tom misterioso da narrativa.

A experiência em si é imersiva e envolvente, sendo que há momentos que conseguem ser tão inquietantes e emocionantes. O filme desperta aquela curiosidade genuína sobre o desconhecido e nos faz questionar e refletir sobre o que realmente existe para além daquilo que conhecemos. Isso foi uma das partes que mais me cativou.

Depois, a forma como os acontecimentos são apresentados faz com que tudo pareça muito familiar com a nossa realidade. Como se aquela revelação pudesse acontecer a qualquer momento. E isto, fosse um tipo de preparação para nos aproximar, melhorar os meios de comunicação e ter noção, do que poderia ocorrer, caso fosse na vida real.     

Um dos maiores impactos é sem dúvida, os 20 minutos finais, no qual nos tira o fôlego e nos deixa perplexos e completamente sem palavras. Parecia que estávamos realmente a assistir a um telejornal, que estava a acompanhar uma descoberta histórica em tempo real. E depois estarmos a vivê-lo com a mesma intensidade do que as personagens. Para quem cresceu fascinado por estes temas relacionados com os extraterrestres, aqueles momentos finais fazem-nos sentir que fazemos parte de algo muito importante. E de que não estamos sozinhos.

Além disso, há que destacar a performance espetacular, cativante e emocionante de Emily Blunt. Ela brilha em cada cena e rouba todas as atenções. Basta um simples olhar para criarmos uma empatia imediata por ela. Este é um dos trabalhos mais marcantes da sua carreira e ela merece todos os aplausos e reconhecimento.  

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Em relação à história, tem as suas imperfeições e deslizes. Poderiam ter mostrado e aprofundado mais detalhes sobre a vida alienígena e a sua tecnologia. E houve alturas que parecia que se estava a arrastar e até poderia ter tido mais ação.

O final deixa-nos com aquela sensação de que ficámos pendurados e que haveria mais para apresentar. Acredito que todo o filme também quer que tenhamos a nossa própria interpretação. Mas, sinto que terminou na altura errada. Pois, deram a entender de que haveria mais para contar.

Disclosure Day é um thriller de sci-fi com um ar vintage que é envolvido em mistério, conspiração, perseguições, aventura, ação e suspense, no qual é preciso ter um pouco de tempo para se processar. A cinematografia, edição, som, cenografia e efeitos especiais estão fabulosos. Todo o elenco faz um ótimo trabalho e temos boas sequências de ação. É mais um clássico de Steven Spielberg sobre alienígenas que nos deixa a pensar.

É uma perspetiva diferente e mais surreal daquilo que estamos habituados a ver em filmes sobre extraterrestres. Aqui, eles não apresentam qualquer ameaça e simplesmente querem criar contacto e quem sabe, gerar um tipo de ligação. E para os humanos, apresentam-se em formas familiares.


Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Este filme é uma viagem intrigante que diverte e transmite que todos merecem saber a verdade sobre a existência de vida fora do planeta Terra. E torna-se numa luta desesperada para que isso se concretize, onde não vão faltar conflitos, questões morais, perguntas que precisam de respostas e peças de um puzzle que precisam de ser encaixadas.

Pode dividir opiniões, mas é daquelas produções com um storytelling que nos faz sentir algo, cria discussões interessantes e que deve ser vista sem julgamentos. E também contém uma mensagem que merece muito ser ouvida.

De um modo geral, Steven Spielberg continua a ser um mestre no cinema, fez um trabalho mágico e conseguiu entreter o espetador. E até parece que ele sabe de algo que não sabemos.

Para mim, quando temos um novo filme de Steven Spielberg é uma espécie de celebração. E somos mesmo sortudos, em viver na mesma altura em que o Steven Spielberg está a fazer filmes.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Série "Young Sherlock" da Prime Video - o que esperar desta nova aventura e mistério de Sherlock Holmes e companhia

 

Chegou o momento para acompanharmos mais uma aventura original com Young Sherlock (Jovem Sherlock, como título em português). Desta vez nas mãos do lendário realizador Guy Ritchie, que narra uma história dos tempos de juventude do maior detetive do mundo, sem nunca esquecer o seu tom misterioso e cheio de ação que estamos tão habituados a assistir.

Esta série pode ser vista na plataforma de streaming da Prime Video.

O elenco é constituído por Hero Fiennes Tiffin que interpreta Sherlock Holmes, Dónal Finn, Zine Tseng, Joseph Fiennes, Natascha McElhone, Max Irons e Colin Firth.

Nesta visão quando um carismático e desafiador Sherlock Holmes conhece ninguém menos do que James Moriarty, vê-se envolvido na investigação de um homicídio que ameaça a sua liberdade. O primeiro caso de Sherlock revela uma conspiração global, levando a um confronto explosivo que altera o curso da sua vida para sempre. Ambientada na vibrante Inglaterra da Era Vitoriana e com aventuras pelo estrangeiro, a série expõe as travessuras iniciais do adolescente anárquico antes de se tornar no residente mais famoso de Baker Street.

Divulgação: Prime Video Portugal

Esta é uma reinvenção das primeiras aventuras deste detetive icónico que é ambientada em Oxford na década de 1870, sendo que neste caso ele é um jovem desonrado, cru e sem filtros que tem um longo caminho pela frente.

Agora, conseguem reimaginar um cenário, onde Sherlock Holmes e James Moriarty seriam amigos próximos e até parceiros? Pois é, desde sempre que esta dupla têm tido uma rivalidade que até contagia e nos faz querer acompanhar mais.

No entanto, Guy Ritchie traz exatamente o oposto. Ele apresenta uma aliança improvável, cuja escolha é bastante acertada e que vai conquistando em cada episódio. Tanto Hero Fiennes Tiffin, como Dónal Finn entregam uma dinâmica interessante a desempenhar esta dupla que cria vontade ao público em querer assistir a mais aventuras deles, apesar de se saber que mais cedo ou mais tarde, esta relação poderá colapsar.

Divulgação: Prime Video Portugal

Young Sherlock é uma obra inteligente e interessante que tem um tom mais moderno misturado com vintage e que é repleta de um bom entretenimento e possui um estilo próprio. E que também é diferente e proporciona constantemente boas surpresas, sendo envolvida em mistério, humor, manipulações e ação. A história em si é intrigante, fluída e inesperada, trazendo assim, toda a família Holmes e um lado de Sherlock que ainda não tínhamos conhecido. E que depois, cria curiosidade em querer seguir mais as suas aventuras.

Com uma boa performance, Hero Fiennes Tiffin é uma das grandes revelações desta produção que entrega uma energia muito própria. Ele dá a pele a este famoso detetive que, neste caso, está na flor da idade e só se mete em sarilhos. Temos aqui um jovem com o seu charme, rebelde, brilhante e explosivo que não se importa com as consequências dos seus atos. Enquanto isso, já começa a ter atenção aos mais ínfimos detalhes que observa ao seu redor, mostrando assim, como a sua mente extraordinária funciona. E ainda, mostra as suas aptidões de observação e os traços característicos da sua personalidade complexa que muito irá dar que falar no seu futuro.

E não nos podemos esquecer de Dónal Finn que interpreta um James Moriarty bem diferente daquilo que conhecemos. Uma versão mais renovada, mas que aos poucos, começamos a nos aproximar da figura que é tão característica de se reconhecer. São várias as cenas em que ele brilha, chegando em alguns momentos a ter mais foco do que o Sherlock.

Divulgação: Prime Video Portugal

O facto da narrativa se ambientar em Oxford e depois se iniciar com o protagonista preso gera um maior impacto no próprio espetador que acaba por automaticamente, criar as suas teorias para justificar a situação em questão e imaginar como Sherlock se iria safar. Além disso, Oxford parece ser um lugar aliciante para se resolver um assassinato e assim, tornar-se na primeira investigação à séria de Sherlock Holmes, que precisa de resolver um caso perigoso para salvar a própria pele. E esse caso culmina num confronto que ele nunca mais iria esquecer.   

Já a cinematografia é executada com excelência. O visual, guarda-roupa e a cenografia transporta-nos automaticamente para esta época tão bem representada e situada em Inglaterra. E o argumento é bem escrito, fazendo com que o espetador esteja constantemente interessado naquilo que vai acontecer de seguida.

Está série entrega-nos exatamente tudo aqui que gostamos no Sherlock e ainda, algo completamente novo.

Young Sherlock é mesmo fantástico, leve e divertido, cumprindo assim, com o seu propósito de entreter e de surpreender o público, sendo que é crucial que a pessoa venha de mente completamente aberta. E também que não faça qualquer tipo de comparações com outras produções existentes e focadas em Sherlock Holmes.

É muito interessante quando nos dão a chance de ver novas versões e facetas de Sherlock Holmes. O facto de explorarem outro tipo de enredos deste universo, mesmo que não tenham nada a ver com o material original. E por mais anos que passem e seja qual for o mistério abordado, estas histórias vão continuar a marcar a memória de muitos admiradores deste detetive tão peculiar e extraordinário! Por isso, que venham mais mistérios e aventuras deste jovem Sherlock e companhia!

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Filme "Nobody 2" - será que esta sequela de thriller de ação protagonizada por Bob Odenkirk irá superar o seu original?

 

Depois do sucesso alcançado com o seu primeiro filme, chegou Nobody 2 (Ninguém 2, como título em português). Baseado nas personagens criadas por Derek Kolstad, Bob Odenkirk está de regresso para dar vida a este assassino peculiar e cuja realização está ao cargo de Timo Tjahjanto.

Para além de Bob Odenkirk, juntam-se a ele: Connie Nielsen, John Ortiz, RZA, Colin Hanks, Christopher Lloyd e Sharon Stone.

Desta vez Hutch Mansell (Bob Odenkirk), pai suburbano e antigo assassino letal, é levado de volta ao seu violento passado depois da sua casa ser invadida. Isto desencadeia uma série de eventos que desvendam segredos sobre o passado da sua própria mulher, Becca (Connie Nielsen).

Além disso, este assassino workaholic leva a sua família para umas férias muito necessárias na pequena cidade turística de Plummerville. No entanto, ele logo se vê na mira de um operador corrupto do parque temático, um xerife suspeito e um chefe do crime sanguinário.

Mesmo assim, uma coisa ele garante. Ninguém lhe estraga as férias.

Férias em família com um pai como o Hutch Mansell tem tudo para se tornar altamente perigoso, mas também nunca se sabe o que se pode esperar.

Divulgação: Universal Pictures Portugal

Quatro anos depois de ter enfrentado inadvertidamente a máfia russa, Hutch continua com uma dívida de 30 milhões de dólares perante esta organização criminosa. Por isso, ele está a trabalhar numa série interminável de ataques a alvos internacionais.

Por mais que ele gosta da ação que faz parte do seu “trabalho”, Hutch e a sua mulher Becca encontram-se sobrecarregados e a afastarem-se cada vez mais. Assim, eles decidem levar os seus filhos numa pequena escapadinha para o Majestic Midway e Waterpark de Wild Bill. Este foi o único local onde Hutch e o seu irmão Harry passavam férias enquanto crianças e ele se sentia realmente feliz. Juntamente com o pai de Hutch, esta família chega a esta pequena cidade turística designada por Plummerville completamente ansiosa para ter um momento de descanso, apanhar sol e com alguma diversão pelo meio.

Mas, quando um pequeno encontro com alguns rebeldes da cidade faz com que a família se torna num alvo do operador corrupto do parque temático e de um xerife duvidoso, então Hutch cruza-se no caminho de um chefe do crime sanguinário que é bastante desequilibrado, psicótico e muito perigoso. Líder esse que ele (ou qualquer um) alguma vez encontrou.

Mesmo que os problemas tenham uma tendência a persegui-lo, Hutch fará o que for preciso para alcançar o seu principal objetivo que é ter a oportunidade de finalmente ter as suas merecidas férias, sendo que aconteça o que acontecer, ninguém lhe irá impedir. Será que ele vai conseguir?

Divulgação: Universal Pictures Portugal

Nobody 2 é uma viagem de ação alucinante e espetacular que é rodeada de uma energia cativante e uma dose de loucura que não para de surpreender com as suas reviravoltas criativas. Todos os elementos necessários para se tornar num thriller de ação bem-sucedido estão presentes, onde a imaginação não tem limites. Cada uma das suas cenas de ação e de luta são extremamente bem coreografadas, sendo que em alguns momentos chegam a ser selvagens.

Apesar de também conter um lado tanto cómico, como misterioso, a estrela desta história é sem dúvida, a ação que absolutamente brilha, levando a que seja entregue um bom entretenimento, principalmente para quem é fã de filmes de ação. Temos explosões, tiroteios, perseguições, lutas intensas, violência, tensão, conspiração e muito mais. É interessante como as sequências de ação aproveitam a atmosfera onde são inseridas e como o protagonista utiliza qualquer objeto que encontra à mão para ter vantagem perante o adversário. Além disso, ainda usa o próprio parque aquático e respetivas atrações a seu favor.  E uma boa surpresa foi ver mesmo que tivesse durado pouco tempo, uma das personagens a lutar com uma espada de samurai, uma arte marcial que sempre me fascinou.

Este é daqueles filmes completamente caóticos no bom sentido que ficamos com a sensação que estávamos mesmo a precisar de assistir, principalmente se temos o objetivo de simplesmente descontrair. No entanto, este novo capítulo deveria ter tido mais tempo de duração para que desenvolvesse mais e melhor a dinâmica familiar e as personagens centrais desta história.  

Para mim, esta produção é tão entusiasmante, quanto o primeiro, sendo que superou o seu original e é um dos grandes filmes de 2025 no género de ação que conseguiu prender a atenção desde o início até ao fim. 

Bob Odenkirk está de regresso para mais uma experiência explosiva e cheia de violência desta figura implacável que não vão querer perder!


terça-feira, 13 de maio de 2025

The Night Manager é uma produção genial protagonizada por Tom Hiddleston

 

Pode ter demorado, mas chegou! Desta vez, vamos falar de uma das minhas produções favoritas que por mais anos que passem, continuará a estar na minha lista!

Inicialmente, transmitida pela AMC, Night Manager (O Gerente da Noite, como título em português) foi uma minissérie de seis episódios, baseada no romance de 1993 de John le Carré e é adaptado por David Farr para os dias atuais. Contudo, após a sua estreia, em 2016, foram precisos sete anos para a BBC One e a Prime Video resolverem renovar para uma segunda e terceira temporadas. Foi sem dúvida, um momento de celebração para os fãs desta produção britânica que venceu 3 Globos de Ouro, 2 Emmys e outros prémios.

Atualmente pode ser visto no canal AMC e na plataforma de streaming Prime Video.

O elenco é constituído por Tom Hiddleston, Hugh Laurie, Olivia Colman, Elizabeth Debicki, Alistair Petrie, Michael Nardone, Tom Hollander, David Harewood, Tobias Menzies, entre outros. 

Night Manager mostra as peripécias de Jonathan Pine (Tom Hiddleston), que depois de entrar para o serviço de inteligência britânico, tem de se infiltrar no círculo de confiança do perigoso traficante de armas Richard Onslow Roper (Hugh Laurie).

Jonathan Pine é o gerente noturno de um hotel no Cairo que é recrutado para se infiltrar no círculo interno deste traficante de armas.

Tudo isto inicia-se no auge dos protestos da Primavera árabe, onde Jonathan recebe um pedido de ajuda de uma hóspede elegante e com bons contactos. Como amante de um poderoso, mas perigoso proprietário deste hotel, ela tem provas de um acordo de armas que pode ajudar a arrasar o levante popular. Comprometido a fazer o que acha certo, Pine contacta o seu amigo na embaixada britânica. As suas ações levam-no involuntariamente para o terrível mundo do cruel traficante de armas, Richard Roper.

Quando a informação desta hóspede chega a Angela Burr (Olivia Colman), uma agente anti-corrupção do Governo com a intenção de derrubar o império de Roper, desencadeiam-se uma cadeia de eventos que terminam em tragédia.

Três anos depois, quando os seus caminhos se cruzam novamente na Suiça, Pine tem a sua hipótese de vingança. Pine e Angela Burr elaboram juntos um plano para derrubar Roper.

Anteriormente, Jonathan Pine foi um soldado britânico e acredita-se que é a pessoa certa para derrubar a aliança que o empresário Richard Onslow Roper tem com o comércio de armas. Será que o Pine vai conseguir enganar este especialista de armas e cumprir com a sua missão?

The Night Manager é uma produção genial que tem tudo o que é preciso para prender a atenção, desde o primeiro instante. E muito disso, deve-se à interpretação brilhante de Tom Hiddleston que dá vida a este Pine bem ousado que passa a viver uma vida dupla e que não se assusta facilmente. Ele tem um trabalho difícil pela frente, mas fará o que for preciso para ser bem-sucedido.

Apesar de ser uma história mais complexa de espionagem e com uma boa dose de mistério pelo meio, esta acaba por ser muito bem elaborada e é apresentada de um modo sólido e exatamente ao ritmo certo. A própria cinematografia é executada com um nível elevado de qualidade, juntamente com a escolha eficiente perante as diferentes cidades que vão sendo mostradas e que dão mais naturalidade e relevo ao argumento. E o seu elenco faz um excelente trabalho.

Este é daquele tipo de narrativas empolgantes que marca completamente a indústria do entretenimento que atrai automaticamente o espetador, mesmo que inicialmente pode não apreciar o género de assuntos abordados. Contudo, a partir do momento em que se começa a ver, a pessoa fica com um interesse imediato em querer saber como tudo se irá desenrolar.

Neste caso, também temos uma melhor noção de como funciona o mercado negro especializado em armas e como a negociação vai sendo executada, enquanto a inteligência britânica está a usar todos os seus recursos para impedir a mesma.

The Night Manager é um thriller fenomenal e muito inteligente que consegue criar um impacto próprio com todo o seu drama, intrigas, revelações, suspense, crime e ação. E também não tem falta de amor, vingança, manipulação, perseguições e estratégias bem planeadas. Tudo encaixa mesmo na perfeição.  

Até podia ser improvável, mas é cativante acompanhar a transformação de um mero gerente da noite de um hotel do Cairo para um agente valioso da inteligência britânica que surpreende de um modo excecional.

Agora, preparem-se para mais aventuras singulares de Jonathan Pine que se desloca mais uma vez por diferentes países para cumprir com as suas próximas missões, sendo que ainda tem muito para mostrar!

terça-feira, 15 de abril de 2025

Adolescence - 3 Razões para assistir a esta minissérie que tornou-se num fenómeno mundial

Adolescence tornou-se num surpreendente fenómeno com os seus quatro episódios que pode ser visto na Netflix. Muito se tem falado desta minissérie criada por Stephen Graham e Jack Thorne que já foi vista por inúmeras pessoas. Esta é daquelas produções que tem dado muito que falar, e onde têm existido várias campanhas para que possa ser exibida nas escolas.

O elenco é constituído por Owen Cooper, Stephen Graham, Ashley Walters e Faye Marsay.

A história é focada num jovem de 13 anos que é acusado do homicídio de uma colega da escola. A família dele, a sua terapeuta e o detetive responsável pela investigação terão de questionar e descobrir o que realmente aconteceu.

De seguida, partilho com vocês, 3 Razões para assistirem a esta minissérie:

 

1.       O desempenho singular de Owen Cooper

Estando a assistir a esta minissérie, a conclusão a que se chega é que um dos maiores destaques desta produção é sem dúvida, a interpretação de Owen Cooper no papel de protagonista. Agora, uma coisa que não nos passaria pela cabeça é que este foi o primeiro trabalho de interpretação num set de filmagens deste jovem ator.

Desde a sua audição para o papel até à sua performance em Adolescence, Owen Cooper surpreendeu tudo e todos. Ninguém estaria à espera daquilo que ele iria transmitir para o público, onde a sua prestação incluiu improvisação e cenas de tensão elevada.

Owen Cooper é uma das grandes revelações de Adolescence e de certeza, que irá ter pela frente uma ótima carreira no mundo da representação.

2.       Os temas abordados são importantes que sejam discutidos em sociedade

Infelizmente, cada vez mais têm ocorrido vários crimes em escolas em todo o mundo, sendo que no caso do Reino Unido, o número de crimes com facas continua a aumentar consideravelmente.

Já foi revelado que esta história foi inspirada em relatos relacionados com rapazes envolvidos neste tipo de crimes, mas não em nenhum caso em específico.

Em Adolescence, temos um jovem de 13 anos que é suspeito de ter esfaqueado várias vezes uma rapariga da sua escola.

Um dos principais focos deste argumento e que acaba por ser um dos maiores alertas é o impacto das redes sociais e da internet no comportamento dos adolescentes. Como um adolescente pode ser manipulado de tal forma, que o leva a cometer atos irrepreensíveis. E como jovens vulneráveis podem ser arrastados para caminhos mais perigosos.

Adolescence até pode dividir opiniões, mas consegue ter a capacidade em quatro episódios de criar mais discussão neste tipo de assuntos que são essenciais que sejam abordados. Esta minissérie é impactante e faz refletir sobre a razão pelo qual este tipo de eventos acontece cada vez com mais frequência com os jovens da atualidade.

 

3.       Técnica de filmagem ousada que prende automaticamente a atenção

Uma das partes que eu acho mais interessante numa produção são os seus bastidores. Como tudo é executado e toda a parte técnica envolvida.

Na maior parte das produções são-nos mostradas diferentes sequências de filmagem com uma variedade em termos de ângulos de filmagem. No entanto, Adolescence opta por uma técnica de filmagem ousada que prende automaticamente a atenção do espetador.

Em Adolescence são usados planos-sequência sem qualquer tipo de cortes e edições. Esta é uma abordagem única, onde tudo é filmado num único plano contínuo. Mas, para isso resultar, todas as localizações utilizadas teriam de ser próximas umas das outras para que assim, tanto os atores, como a câmara tivessem a possibilidade de deslocarem-se em tempo real. Isso significa que assim que um episódio iniciasse, só pararia apenas no seu final, tornando-se assim mais real e cativante.

De acordo com a Academia Internacional de Cinema, o plano-sequência é uma técnica audiovisual em que uma cena é apresentada sem cortes, geralmente para acompanhar um personagem a partir de uma única perspetiva e ao longo de toda uma ação.

Dá para entender desde o início que é uma técnica sofisticada e complicada de se concretizar e que implica muito tempo, tanto de preparação, como de ensaios e coordenação. Isso porque, chega o momento crucial e não há margem para erros. Tudo tem de ser pensado e encaixado ao pormenor, como é o caso do modo como a câmara se vai movimentar, os ângulos em que a mesma vai filmar e como combinar os mesmos com as localizações utilizadas. Até poderíamos comparar isto como se fosse uma coreografia extremamente complexa de dança.

Utilizar planos-sequência com o auxílio de um drone cria um impacto maior não só em quem está a executar os mesmos, como também em quem está a assistir ao produto final. A pessoa consegue sentir toda a tensão envolvida, enquanto parece que está a fazer parte da própria narrativa. Assim, existe uma maior proximidade com o público em cada uma das cenas apresentadas e cria um entusiasmo muito superior em querer saber o que vai acontecer de seguida.

Assim, este plano-sequência é gravado num único take, sendo que é um método muito raro de ser usado noutras produções. Porém, para que isto tenha um resultado com uma qualidade excelente é necessário compromisso total de cada elemento que esteja a trabalhar na produção, seja a nível do elenco como de toda a equipa técnica.

Esta é uma abordagem cinematográfica ousada e muito inteligente realizada por Philip Barantini que conseguiu em conjunto com a sua equipa manter a autenticidade do plano-sequência, onde incluiu localização estratégica de cenários e tudo foi meticulosamente ensaiado e organizado.

Em Adolescence, a câmara movimenta-se naturalmente em sintonia com os atores e captura a sua narrativa de um modo preciso e sem interrupções.

Não percam esta minissérie de quatro episódios que pode ser vista na Netflix! 

sábado, 5 de abril de 2025

Filme "Drop - Número Desconhecido" : o que esperar deste thriller envolvido em mistério e tensão

Drop – Número Desconhecido é o próximo filme da Universal Pictures realizado por Christopher Landon. A estreia mundial ocorreu no SXSW Film Festival de 2025 e o elenco é constituído por Meghann Fahy, Brandon Sklenar, Violett Beane, Jacob Robinson, Reed Diamond, Gabrielle Ryan, Sarah McCormack, Jeffrey Self e Ed Weeks.

Esta é a história de como o primeiro encontro de uma mãe viúva dá uma reviravolta aterradora quando ela é bombardeada com mensagens anónimas ameaçadoras no seu telemóvel durante o seu jantar de luxo, deixando-a a questionar se o encantador par está por detrás do assédio.

Por vezes, os primeiros encontros podem ser um pesadelo, mas nada nos prepara para aquilo que vamos assistir em Drop – Número Desconhecido. Neste caso, é-nos mostrado como um primeiro encontro pode correr mesmo muito mal.

O foco deste suspense combinado com drama ocorre maioritariamente num restaurante luxuoso com uma vista de tirar o fôlego, onde Violet (Meghann Fahy) vai ter o seu primeiro encontro com Henry (Brandon Sklenar). Depois de ter tido um passado atribulado e violento com o seu ex-marido que acabou por falecer, Violet resolve dar uma nova oportunidade ao amor e encontrar-se com uma pessoa que nos últimos meses, tem estado a conversar via online. Contudo, esta noite iria tornar-se em algo completamente inesperado e perigoso. Será que tudo aconteceu por um simples acaso ou era tudo planeado? Isso é algo que Violet terá de descobrir, enquanto arranja uma maneira para salvar aqueles que mais ama.

Drop – Número Desconhecido é um thriller constrangedor envolvido em mistério e tensão que tem a capacidade de captar a atenção do espetador, criando assim, curiosidade em saber como tudo se irá desenrolar. Por mais que contenha situações que são bem improváveis de acontecer na vida real e algumas mais forçadas, a narrativa em si vai entretendo, por mais estranha que possa vir a parecer. No entanto, a maior parte das personagens acabam por ser facilmente descartáveis.

Um dos pontos fortes vai para a performance de Meghann Fahy, onde nos apresenta uma mãe em aflição disposta a fazer tudo pelo filho. E ao mesmo tempo, a tentar decifrar quem está por trás das mensagens anónimas que ameaçam o seu bem-estar e daqueles ao seu redor. De um modo muito simples, a pessoa cria uma empatia imediata por esta personagem determinada e torce para que ela seja bem-sucedida.

Há algum tempo que já acompanho o trabalho da Meghann Fahy e felizmente, tenho visto diferentes registos desta atriz e isso faz com que me continue a suscitar curiosidade em querer ver mais.  

O filme em si também tem tempo para transmitir uma mensagem de esperança, principalmente para quem é vítima de violência doméstica. Algo que eu também achei interessante foi o genérico apresentado para esta produção, sendo que foi bem realizado. Num geral, os filmes não têm no seu início, um momento para ser dedicado totalmente ao genérico e foi bom este não ter sido o caso.

Drop – Número Desconhecido também tem um lado ligeiramente mais romântico e faz uma boa construção na tensão que vai sendo adicionada ao longo da trama, onde vai deixando algumas pistas para tentarmos adivinhar quem está a observar esta protagonista, enquanto se adapta aos tempos modernos. Pode ter as suas falhas e às vezes ser cansativo, exagerado e artificial em algumas cenas, mas não deixa de ter as suas surpresas, um ou outro bom momento a nível de ação e ainda, proporciona uma experiência satisfatória para o espetador. 


terça-feira, 7 de janeiro de 2025

"Sorri 2" é um dos grandes filmes de terror de 2024 com os seus sorrisos traumáticos, arrepiantes e perturbadores

 

Ao longo de 2024, os amantes de terror têm sido presenteados com várias produções deste género e muitas delas surpreendentes. Sorri 2 é um terror psicológico cheio de suspense que estreou recentemente, tendo sido realizado e escrito por Parker Finn. E é protagonizado pela cantora e atriz britânica Naomi Scott.  

Desta vez prestes a embarcar numa nova digressão mundial, a sensação pop mundial Skye Riley (Naomi Scott) começa a experienciar acontecimentos cada vez mais aterradores e inexplicáveis. Subjugada pela escalada de horrores e pelas pressões da fama, Skye é forçada a enfrentar o seu passado sombrio para recuperar o controlo da sua vida antes que esta se descontrole.

Já imaginaram como seria ser vítima de uma maldição de uma entidade sobrenatural, que se alimenta de traumas e se manifesta através de um sorriso maléfico? E ainda, para mais quando esse alvo é uma figura mediática, cujos passos estão constantemente a serem vigiados?

Foi isso que aconteceu com Skye Riley, uma artista sensação do universo pop que após ter passado por uma fase complicada de vícios em álcool e drogas, o pior ainda estava para vir. O seu verdadeiro pesadelo estava prestes a começar.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Sorri 2 é uma trama de terror psicológico bem sinistra e obscura que possui um nível de criatividade bastante acentuada, sendo ainda repleto de tensão, manipulação e mistério. Mas, sem nunca esquecer do seu próprio elemento de terror que deixa o espetador perplexo e até assustado, caso isso pudesse vir a suceder na vida real. O ritmo da narrativa em si é lento, onde vai criando todos os ingredientes necessários para cumprir com o seu objetivo final. Enquanto os efeitos visuais, especiais e sonoros trazem um ambiente intenso a cada uma das cenas mais perturbadoras e sangrentas.

De uma certa forma, isto acaba por ser um tipo de teste à personagem principal em relação à sua sanidade mental. Pois chega a um ponto em que a pessoa não consegue distinguir a realidade da alucinação, levando algumas vezes, a um colapso mental extremo. E neste caso, ainda juntando isso ao lago negro da fama, acaba por se vir a tornar mais grave.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Naomi Scott faz um ótimo desempenho desta protagonista, onde tem a oportunidade de explorar diversas camadas da sua vulnerabilidade e da falta de controlo existente na sua própria mente. E também existe tempo para termos uma noção de como poderá ser o dia a dia de uma estrela pop e como lida com a fama, sejam quais forem as adversidades que estejam a ocorrer no momento.

No elenco também temos Ray Nicholson no papel de Paul Hudson, o namorado da personagem principal que teve uma prestação convincente, mas que infelizmente teve pouco tempo em cena.

Por isso, num geral esta é daquelas produções inquietantes que consegue manter o público prendido ao ecrã com a sua inovação e devido a esta viagem perigosa que tem a capacidade de testar a mente de qualquer um, e até levar a consequências totalmente devastadoras e por vezes, fatais. Assim, Sorri 2 com os seus sorrisos traumáticos, arrepiantes e perturbadores pode ser definido como um dos grandes filmes de terror de 2024!