domingo, 18 de outubro de 2026

Whalefall é uma obra tensa, dura e por vezes, assustadora que transmite uma sensação constante de claustrofobia (Crítica)

Whalefall (A Queda da Baleia, como título em português) realizado por Brian Duffield é um thriller de sobrevivência, baseado no aclamado romance homónimo de Daniel Kraus sobre o encontro de um jovem com uma enorme baleia-cachalote.

O elenco é constituído por Austin Abrams, Josh Brolin, Elisabeth Shue, John Ortiz, Jane Levy e Emily Rudd.

Nesta história, após a morte do seu pai (Josh Brolin), Jay Gardiner (Austin Abrams) vai mergulhar ao largo da costa central da Califórnia em busca dos seus restos mortais, mas é engolido por uma enorme cachalote. Enquanto está preso no seu interior, com apenas uma hora de oxigénio restante, Jay percebe que os valiosos ensinamentos do seu pai podem ser a chave para a sua fuga.

Há um ano, Jay perdeu o seu pai e continua a querer provar o seu valor. Um dia, ele decide pegar no fato de mergulho e ir para o mar à procura dos restos mortais do pai. E acaba por ter um encontro perigoso com uma baleia.

Para sobreviver, ele terá de fazer o que for preciso para sair do interior desta baleia, enquanto coloca em prática, aquilo que aprendeu com o seu pai.

Whalefall é uma obra completamente nova e diferente que é tensa, dura e por vezes, assustadora. É acompanhada por uma ótima banda sonora e ainda, transmite uma sensação constante de claustrofobia.

Apesar de às vezes ser irrealista, é algo que não incomoda a experiência em si, sendo que é ótimo que haja um storytelling que seja mais renovado e original.

Neste caso, é claro que não passaria pela cabeça de alguém questionar uma situação aparentemente impossível. Mas, esta história faz isso mesmo. Praticamente, desde o início, o espetador é questionado: O que faria se ficasse preso numa baleia? O que faria para escapar? E caso acontecesse, qual seria a reação? Era logo entrar em pânico e simplesmente, aceitar que a morte seria o seu destino? Ou então, tentaria fazer o impossível para sobreviver?

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Desde o início que o espetador embarca numa experiência aterradora, juntamente com a personagem principal que é engolida viva por um cachalote gigantesco. Enquanto isso, mostra como é ser engolido vivo por uma baleia é altamente improvável, mas que aqui, pode ser possível. Da forma como tudo é executado em termos de planos de filmagem, parece que o público também está preso dentro deste animal e há alturas que dá para sentir claustrofobia.

Pelo meio desta narrativa, vão sendo apresentados flashbacks entre Jay e o seu pai. Nestas cenas de flashbacks, ficamos a conhecer um pouco mais sobre o relacionamento complexo dele com o pai. E que nos faz compreender melhor aquilo que o protagonista está a sentir. Como esta figura paterna foi dura com Jay nos seus ensinamentos e no modo como lhe tratava.  

Aqui temos um pai que vai ensinar-lhe todas as ferramentas para quando for importante, Jay saiba o que fazer. E que assim, não deixe o medo impedi-lo de sobreviver.

Depois de uma luta pavorosa com os tentáculos de uma lula gigante, a partir do momento em que Jay entra na cachalote, aí é que começa o verdadeiro desafio de sobrevivência. Ele tem 60 minutos nas suas reservas de oxigénio para sobreviver ao impensável. Para isso acontecer, ele terá de pensar com calma e terá de recorrer ao que o pai lhe ensinou. E também terá de enfrentar o seu passado e luto para que assim, possa seguir em frente.

Isto não é apenas um thriller intenso de sobrevivência. Também é uma história envolvente e emocional que aborda os perigos do oceano, como o oceano não deixa que nada nos falte e a perda de um ente querido. Ainda, de certa forma, desenvolve um tipo de metáfora inesperada para que a própria personagem principal possa lidar com essa mesma perda.

Com Whalefall, há uma certa identificação no sentido em que muitas vezes, as marcas da infância nos podem acompanhar pela vida fora e nos moldar enquanto pessoas. Porém, às vezes essas marcas podem nos trazer aprendizagens muito mais úteis do que pudéssemos imaginar.  

Se querem ver algo de diferente e inimaginável, preparem-se para suster a respiração para os 60 minutos mais duradouros que possamos vivenciar. E não podem perder este filme que arriscou e que surpreendeu! 


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