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sexta-feira, 17 de julho de 2026

A Odisseia de Christopher Nolan é uma obra-prima extraordinária que é profundamente arrepiante, intensa e impactante (Crítica)

Chegou o momento da estreia do filme mais antecipado de 2026! A Odisseia (The Odyssey, 2026) está preparada para elevar as fasquias e proporcionar uma experiência audiovisual que nunca foi antes vista.

Desta vez, esta obra tão popular de Homero foi adaptada pelas mãos do grande visionário Christopher Nolan. E este é o primeiro filme narrativo da história a ser filmado integralmente com câmaras IMAX de 70mm.

Este é considerado como o projeto mais ambicioso da carreira de Christopher Nolan com um orçamento estimado em 250 milhões de dólares.

As suas rodagens decorreram ao longo de 91 dias, sendo que terminaram antes do previsto e sem ultrapassarem o orçamento. E passaram por localizações reais que incluíram Marrocos, Grécia, Itália, Islândia, Escócia e Saara Ocidental.

Já o elenco é de luxo, sendo constituído por Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Samantha Morton, John Leguizamo, Zendaya, Charlize Theron, Jon Bernthal, Himesh Patel, Mia Goth e Benny Safdie.

Em termos de equipa técnica, estão de regresso o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema, o compositor vencedor de Óscares, Ludwig Göransson e a produtora Emma Thomas.

A Odisseia acompanha Ulisses, o lendário rei grego de Ítaca, na sua longa e perigosa jornada de regresso a casa após a Guerra de Troia, narrando os seus encontros com seres míticos como o Ciclope Polifemo, as Sereias e a ninfa Calipso, enquanto tenta reunir-se com a sua esposa, Penélope. Mito e legado — estes são os temas que atravessam o épico de ação de Nolan.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Depois de Ulisses liderar o exército que levou a uma vitória decisiva contra Troia, ele procura voltar ao seu lar de Ítaca. Enquanto isso, o seu filho Telémaco resolve partir à procura do seu pai e a sua mulher, Penélope espera ansiosamente pelo regresso dele.

No entanto, Ítaca está repleto de pretendentes que se querem casar com Penélope e assim, se tornarem, no próximo monarca de Ítaca. Porém, até ao momento, Penélope tem conseguido adiar esse acontecimento.

O foco desta narrativa é na jornada difícil de 10 anos do regresso de Ulisses a casa, que lhe proporcionou uma reflexão profunda que também incluiu uma procura pela sua identidade e uma transformação útil para o que viesse de seguida. Além disso, também acompanhamos a sua culpa, tormento e o seu processo de redenção perante tudo o que fez ao longo da Guerra de Troia

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

A Odisseia é uma obra-prima extraordinária que é profundamente arrepiante, intensa e impactante. Desde o primeiro instante que nos faz sair imediatamente da nossa própria realidade. E acabamos por mergulhar por uma experiência inesquecível, única e imersiva que nos deixa completamente deslumbrados, sem palavras e em êxtase com a sua grandiosidade, atenção aos detalhes e com tudo aquilo que nos vai sendo apresentado.

Um dos maiores destaques vai sem dúvida, para a banda sonora tão rica e fantástica de Ludwig Göransson que ao longo do filme, nos faz vibrar cada vez mais e também cria uma tensão pertinente e interessante à própria história.  

Em relação ao elenco, quero realçar as interpretações fabulosas de Matt Damon, Anne Hathaway, Samantha Morton, John Leguizamo e Robert Pattinson. Cada um, deu vida a personagens com personalidades muito distintas entre si. Mas, mesmo assim, conseguiram brilhar durante o tempo em que estiveram em cena. E até houve quem desse mesmo tudo de si, por mais pequena que pudesse ser a cena apresentada.

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

De uma certa forma, Anne Hathaway no papel de Penélope representou um símbolo, uma mulher resiliente e complexa que é envolvida em luto, raiva e abandono. Ela tem uma dose de esperança de que o poder do amor entre ela e Ulisses é o suficiente para ele voltar. Por isso, ela faz o que for necessário para aguentar o máximo de tempo possível para que aconteça o seu reencontro mais aguardado.

Depois, temos Samantha Morton como Circe que é surpreendente nas poucas cenas onde surge, mas é o suficiente para se destacar de um modo impecável. Já Robert Pattinson mostra a sua versatilidade com a interpretação de um antagonista que nos dá alguns calafrios e que não queremos que ganhe a mão de Penélope. Matt Damon é excelente a desempenhar a evolução deste líder e todas as camadas da personalidade de Ulisses. Enquanto John Leguizamo é uma das grandes surpresas deste enredo e tem uma relevância muito maior do que se pensava.  

Esta é daquelas produções que nos faz relembrar a razão pela qual temos um amor poderoso pelo cinema. Como o storytelling, a cinematografia, a cenografia, a banda sonora e a escala de um projeto destes, encaixam na perfeição. E entregam ao público, uma história de qualidade extremamente elevada que faz transbordar todo o tipo de emoções e que consegue surpreender a todos os níveis. Um filme que é memorável, supera as expetativas e onde todos os atores entregam performances espetaculares.

As cenas de luta foram incríveis, principalmente as do último ato relacionadas com a personagem de Matt Damon. E sabendo que estas sequências não demoraram assim tanto tempo a filmar, ainda torna o resultado mais surpreendente.  

Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

Apesar de todas as polémicas que fizeram parte desta produção, nenhuma delas afetou a minha experiência a ver este filme. Fui completamente de mente aberta e sem pensar, se estava ou não de acordo com o material original. O que acabou por me estranhar foi o tempo de ecrã de algumas personagens. Umas esperava que aparecessem durante mais tempo, enquanto outras esperava muito menos.

Além disso, houve alturas em que faltou um pouco mais de emoção e no qual alguns diálogos não resultaram assim tão bem.  

Garantidamente, A Odisseia de Christopher Nolan merece ser celebrada e vista no maior ecrã possível em IMAX. E ficará para sempre como uma experiência cinematográfica única que triunfou e que marcará com excelência, a história do cinema!

Por isso, não percam esta aventura impressionante por esta Odisseia, porque filmes deste calibre não aparecem todos os dias. Valeu a pena a espera. E se são realmente amantes de cinema, então têm mesmo de assistir a esta aposta tão arriscada, mas que no final foi bem-sucedida.







quarta-feira, 27 de maio de 2026

Mother Mary protagonizado por Anne Hathaway e Michaela Coel - será que vale a pena ver?

2026 tem sido um ano em grande para Anne Hathaway e agora, temos a estreia de mais um filme com a sua participação.

Mother Mary é realizado por David Lowery e no elenco, juntamente com Anne Hathaway, temos: Michaela Coel, Sian Clifford, Hunter Schafer, FKA Twigs, Kaia Gerber, Atheena Frizzell, Jessica Brown Findlay, Isaura Barbé-Brown e a portuguesa Alba Batista.

Esta história segue Mother Mary (Anne Hathaway), uma estrela pop em crise que, na véspera do seu aguardado regresso, volta a cruzar- se com Sam Anselm (Michaela Coel), a antiga melhor amiga e figurinista. O reencontro faz ressurgir feridas antigas e transforma a preparação para o espetáculo numa experiência emocional intensa, marcada por tensão, memória e identidade.

E passem os anos que passarem, algumas rivalidades vão perseguir a pessoa para sempre.

Dez anos foi o tempo no qual esta cantora mundialmente famosa já não se encontrava com a estilista responsável pela sua imagem pública. Enquanto estas duas mulheres se reaproximam, elas são levadas a reavaliar a relação que as une, marcada por uma admiração mútua, mas ao mesmo tempo, por ressentimento e dependência emocional. Este reencontro reabre feridas do passado que afinal, nunca chegaram a sarar por completo.

Será que é desta que elas vão conseguir resolver o que as separa?

Muito aconteceu com a carreira de Mother Mary que incluíram altos e baixos. Porém, o momento decisivo da carreira estava prestes a chegar, através de um grande espetáculo de regresso aos palcos. Desta vez, a nível de figurinos, ela queria algo diferente, algo mais autêntico. E a sua equipa não estava a entregar o que ela realmente pretendia. Por isso, ela dirigiu-se à única pessoa que poderia fazer o vestido que tanto queria. Mas, para isso acontecer, Mother Mary teria de enfrentar o seu passado conturbado com Sam.

Por entre arte, fama, identidade, pressão mediática, traumas e o preço da exposição pública, estas mulheres têm de lidar com o impacto emocional da relação que tiveram no passado.

Além disso, havia um mistério paranormal associado que precisava de ser resolvido. 

Mother Mary apresenta atuações musicais bastante convincentes protagonizadas pela Anne Hathaway que são acompanhados por figurinos mais extravagantes. Com um lado mais espiritual e uma identidade própria e fora do comum, temos nesta história lenta, uma falta de fundamento e uma combinação de metáforas sucessivas que chegam a ser exaustivas. E que por vezes, tiram o foco daquilo que poderia prender mais a atenção.

Inicialmente, imaginava que este seria uma produção totalmente diferente daquilo que depois acabei por ver. Esperava muitas mais atuações musicais da protagonista e ver mais o lado negro da fama e como isso pode afetar um artista. É verdade que vamos observando o nível elevado da vulnerabilidade dela. Mas, na maior parte das vezes, não nos mostra exemplos de situações que levaram ela a chegar exatamente a esse ponto mais frágil.

Para mim, uma das cenas mais inesperadas e mais surpreendentes do filme foi a coreografia de dança que Mother Mary mostrou a Sam Anselm. Um tipo de demonstração da sua dor. Um momento sem música a acompanhar e com uma profundidade emocional bastante intensa, onde meras expressões faciais e corporais transmitem muito mais do que meras palavras. Um silêncio puro, onde apenas os seus passos causavam ruído. Aí, Anne Hathaway fez um ótimo trabalho, incluindo também nas suas performances em palco que mereciam mais tempo de ecrã. 

O maior foco deste enredo que é mais bem classificado como um drama psicológico do que um thriller vai para a relação conturbada e inexplicável de Mother Mary com Sam Anselm. Uma ligação muito próxima que depois se tornou numa relação mais desconfortável, em que uma das partes sentiu-se completamente desvalorizada. As conversações que têm entre si são extensas, onde partilham as suas emoções. Infelizmente, não dão grandes explicações para esse afastamento. E nem apresentam cenas de flashbacks úteis para termos uma melhor noção do quanto elas eram inseparáveis e de como tudo ruiu.  

Depois, a forma como quiseram juntar a relação delas com um género de entidade sobrenatural envolvida em suspense foi muito estranho. Simplesmente, não encaixou. E não fez grande sentido.

Também temos a participação da atriz portuguesa Alba Baptista, mas cuja cena onde participa é uma autêntica miniatura. Poderia ter sido interessante ver mais desta sua atuação musical e até fazer uma pequena comparação com a atuação de regresso de Mother Mary.  

Mother Mary é uma experiência abstrata, distante, um pouco complexa, louca e mais emocional com uma expressão artística e um tom melancólico. O seu final é aberto a várias interpretações. Além disso, transmite uma sensação agridoce que poderia ter optado por outro rumo. Se tivesse sido escolhido um percurso mais inteligente, então poderia ter criado uma maior conexão com o espetador. E assim, evitava que se tornasse num filme sobre relações humanas facilmente esquecível.  

sexta-feira, 1 de maio de 2026

The Devil Wears Prada 2 - o que esperar da sequela de um dos filmes mais icónicos que foi um fenómeno global

 

A sequela de um dos filmes mais icónicos chegou e com regressos muito especiais! Um fenómeno global que promete mais uma vez agarrar o público!

The Devil Wears Prada 2 (O Diabo Veste Prada 2, como título em português) volta a reunir o realizador David Frankel e a argumentista Aline Brosh Mckenna com os atores: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci.

A este elenco junta-se: Kenneth Branagh, Simone Ashley, Justin Theroux, Lucy Liu, Patrick Brammall, Caleb Hearon, Helen J. Shen, Pauline Chalamet, B.J. Novak e Conrad Ricamora. E não nos vamos esquecer do regresso de Tracie Thoms e Tibor Feldman.

O filme pode ser visto na plataforma de streaming da Disney+.

Assim, quase vinte anos depois de darem vida às icónicas personagens Miranda, Andy, Emily e Nigel (Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci) regressam às elegantes ruas de Nova Iorque e aos sofisticados escritórios da Runway Magazine, na muito aguardada sequela do fenómeno de 2006 que marcou uma geração.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Muito tempo se passou desde que acompanhámos estas personagens. O que será que aconteceu durante estes últimos vinte anos? Será que vamos ver uma Miranda diferente? A Andy manteve-se pela Runway Magazine ou voltou à sua carreira como jornalista? Será que Nigel voltou a ter uma oportunidade para seguir com a sua vida fora da Runway? E por onde se encontra a Emily? Esta e muitas outras perguntas podem surgir logo no início e aos poucos vão sendo respondidas.

A Runway Magazine continua a ser uma referência no mundo da moda, apesar de ter de se adaptar a um mundo mais moderno, onde as redes sociais têm o maior impacto e as tendências são outras. Miranda continua a ser a líder destemida que tão bem conhecemos, mas será que ela se adaptou a estas mudanças?

Às vezes, basta um erro para criar um enorme escândalo e deitar tudo a perder. E foi isso que aconteceu no início desta narrativa. A Runway e a Miranda estavam metidos num grande sarilho que coloca em risco a própria reputação.

Enquanto isso, temos uma Andy que voltou ao jornalismo. Porém, um dia e de uma forma inesperada, ela e a sua equipa é demitida. Apesar de ter ficado sem trabalho, Andy acaba por receber uma oferta para voltar como a nova editora da Runway. Será que ela vai conseguir salvar a reputação deste ícone global?

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

The Devil Wears Prada 2 mostra mais uma vez como há ícones que reinam para sempre. Não é apenas uma história focada na moda. É também glamour, elegância, tendência e muito mais, que nos deixa radiantes e nos volta a reunir com um elenco imperdível.

É interessante ver como estas personagens se encontram passados vinte anos e se tiverem algum tipo de evolução. O quarteto fantástico (Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci) deste fenómeno continua carismático, a brilhar intensamente e a cativar quem está a assistir.

A dinâmica entre Meryl Streep e Anne Hathaway continua espetacular e cada uma das cenas que partilham são maravilhosas e mantêm a sua qualidade elevada. É incrível quando temos a oportunidade de testemunhar a performance de duas atrizes extraordinárias.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Apesar das suas falhas, esta sequela foi sem dúvida, uma boa ideia que complementou com requinte o seu original. E trouxe ao espetador, uma nostalgia imediata e a diferentes níveis. No meu caso, a nostalgia foi no sentido em que a história se desenrolou em várias localizações de Nova Iorque, Milão e Lago Como. E como já viajei para esses locais e caminhei exatamente por onde as personagens passaram, então trouxe uma sensação de alegria e saudade.

Além disso, este é daqueles filmes que nos traz sempre uma aprendizagem positiva, principalmente em termos profissionais. Como muitas vezes, é preciso começar por baixo para se provar o seu valor, passar por ambientes desafiantes, aceitar as críticas e lidar com a pressão. E como o sucesso profissional exige resiliência e humildade. Tudo isso é fundamental e faz parte do processo para se crescer e assim, tornar-se num bom profissional.

The Devil Wears Prada 2 não é perfeito. Mas, proporciona uma ótima experiência, faz ligações com o seu original e consegue entreter, juntando temas atuais com diálogos únicos, personagens inesquecíveis. E sem esquecer, o seu lado mais sarcástico e engraçado.  

De seguida, partilho um vídeo para descrever este filme em 3 palavras!


domingo, 5 de maio de 2024

Filme "The Idea of You" - o que esperar de uma das comédias românticas mais aguardadas do ano?

 

Um dos filmes mais recentes que estreou em exclusivo na plataforma da Prime Video é The Idea of You, considerada como uma das comédias românticas mais aguardadas do ano que tem a realização de Michael Showalter.

Tendo sido baseado no livro de Robinne Lee, é protagonizado por Anne Hathaway que também tem o papel de produtora e Nicholas Galitzine. E o elenco também é composto por Ella Rubin, Annie Mumolo, Reid Scott, Perry Mattfeld, Jordan Aaron Hall, Mathilda Gianopoulos, Raymond Cham Jor., Jaiden Anthony, Viktor White e Dakota Adan.

Como referido anteriormente, baseado no aclamado romance contemporâneo homónimo, The Idea of You conta a história de Solène (Anne Hathaway), uma mãe solteira de 40 anos que inicia um romance inesperado com Hayes Campbell (Nicholas Galitzine), de 24 anos, vocalista de August Moon, a boys band mais requisitada do planeta. Quando Solène é forçada a acompanhar a filha adolescente ao Festival de Música Coachella, depois de o seu ex a ter abandonado à última da hora, tem um encontro casual com Hayes, surgindo uma faísca instantânea e inegável. Quando iniciam um romance turbulento, não demora muito até que o estatuto de super estrela de Hayes coloque desafios inevitáveis à sua relação, e Solène descobre rapidamente que a vida sob os holofotes pode ser mais do que aquilo que esperava.

Divulgação: Prime Video

Já imaginaram como seria apaixonar pela pessoa mais improvável e ter de repente, a sua vida virada do avesso? E quando essa pessoa é uma celebridade reconhecida internacionalmente? Isso foi o que aconteceu com Solène que apesar de estar a continuar a lidar com um trauma deixado pelo seu ex, o inesperado acontece. Pensava ela que ia finalmente ter um tempo para si própria que incluía um tempo passado na natureza a acampar, quando os seus planos são completamente alterados pelo seu ex.

Para não desiludir a sua filha e amigos, Solène aceita levá-los ao Festival de Música Coachella, onde iriam estar presentes num meet and greet com os August Moon, a boys band mais popular do momento que arrasta multidões. Porém, a filha de Solène não estava para aí muito virada em conhecer uma banda que ela já considerava que fazia parte do seu passado e assim, o interesse não era o mesmo. Mas, como era um presente do seu pai, ela acabou por ir e parece-me que Solène aproveitou mais o momento do que ela. Tudo isso, porque minutos antes, Solène tinha conhecido de um modo acidental e até de uma certa forma, caricata, o vocalista da banda com o nome de Hayes Campbell. Na vida real, é muito improvável algo deste género acontecer, mas mesmo assim, foi engraçado de se assistir.

Divulgação: Prime Video

The Idea of You é uma história de amor à primeira vista tocante e revigorante que teve os seus desafios, mas que na realidade deixou a sua marca para esta dupla de protagonistas, seja qual fosse o final. Quem está a ver consegue criar uma empatia imediata com estas duas personagens e acaba por torcer para que fiquem juntos, apesar de todas as adversidades que teimam a separá-los.  

Anne Hathaway e Nicholas Galitzine foram uma ótima escolha para interpretarem estes amantes, sendo que transmitem uma excelente química que é tão natural e evidente, levando a que encaixassem muito bem um com o outro.

Divulgação: Prime Video

Este é um romance simples, divertido, apaixonante e muito agradável com boa música que vai entreter o público. E que aproveita para abordar as dificuldades vividas pelas celebridades, principalmente a nível pessoal e o impacto que as redes sociais pode ter negativamente na vida de alguém. Dá para perceber que não é fácil ser uma figura pública, em que todos os seus passos são constantemente vigiados, acabando por não ter qualquer tipo de descanso. E, onde o conteúdo das suas vidas são publicadas pela comunicação social e até por vezes, por muitos fanáticos que não sabem estabelecer limites. 

Assim, o filme em si, acaba por apresentar uma mensagem pertinente em que chama a atenção de como infelizmente, a sociedade pode comportar-se perante celebridades que são pessoas como nós e que simplesmente têm os holofotes em cima delas. Mas, que não merecem receber mensagens de ódio de uma forma gratuita. Por isso, elas também merecem ter a sua privacidade e é essencial que as pessoas respeitem isso e que sejam colocados limites. É possível admirar alguém com todo o respeito e carinho, mas sem qualquer tipo de exageros.

Esta adaptação de The Idea of You pode diferenciar um pouco do romance em que é baseado. Porém, eu acho que é interessante ver duas visões diferentes desta história. As pessoas que leram o livro podem ficar com vontade em ver o filme. E depois existem aquelas que nunca leram o livro, mas que depois de assistirem ao filme até ficam com curiosidade em ver uma outra perspetiva desta narrativa. No fim de contas, quem tiver a oportunidade de acompanhar o filme sairá de lá satisfeito!

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Série "Solos" da Amazon Prime Video - uma reflexão diferente sobre o significado de ser humano, principalmente durante os momentos mais isolados

 

A série Solos é um Amazon Original que estreou no dia 25 de junho na plataforma da Amazon Prime Video, sendo constituída por uma antologia de 7 episódios e que tem a criação de David Weil que também tem o papel de realizador em três dos episódios para além de Sam Taylor-Johnson, Zach Braff e Tiffany Johnson. Ao longo destes episódios, a série oferece um tipo de reflexão sobre o significado mais profundo da conexão humana, utilizando a visão e perspetiva de cada protagonista que é interpretado por um elenco de luxo.

O elenco é constituído por Morgan Freeman (Stuart), Anne Hathaway (Leah), Helen Mirren (Peg), Uzo Aduba (Sasha), Nicole Beharie (Nera), Anthony Mackie (Tom), Dan Stevens (Otto/Tym) e Constance Wu (Jenny).

Esta produção tem uma mistura de drama com ficção científica e um pouco de fantasia pelo meio que explora as verdades mais estranhas, belas, comoventes, hilariantes e maravilhosas sobre o que afinal significa ser humano. Tudo isto vai sendo abordado em diferentes histórias e com sete pessoas distintas entre si, em que cada personagem nos ensina como é que durante os nossos momentos aparentemente mais isolados ou até nas circunstâncias mais estranhas, acabamos por estar ligados através da experiência humana que adquirimos e todas as lições que vamos aprendendo por mais sinistras que possam vir a ser.

Cada episódio traz uma história nova que é apresentada por cada uma das personagens num ponto de vista individual e desenrolada num futuro incerto que pode ter robôs de inteligência artificial ou smart houses extravagantes e úteis, sendo que pode vir a criar um nível de pensamento mais profundo e quem sabe, fazer a pessoa pensar de um determinado modo que a ajude a chegar às respostas que procura.

Esta série mostra os efeitos que a evolução da tecnologia pode ter no futuro de cada um que podem vir a ser benéficos ou prejudiciais para a humanidade, sendo constituído por monólogos e momentos de auto-reflexão que pode fazer com que o púbico fique a pensar de uma forma diferente sobre alguns assuntos. O psicológico de uma pessoa pode ser afetado por diferentes razões que podem depender das situações que estão a passar num determinado período de tempo, fazendo com que cada um destes episódios explore as emoções conforme a circunstância que podem vir a desencadear comportamentos bem específicos, tais como crises existenciais, perturbações na mente e até reflexões que podem fazer a diferença no crescimento da personagem em si.

Estas são histórias complexas que apresentam a essência do ser humano e as lutas que vão enfrentando e onde a moral de cada um é questionada, mesmo que sejam retratadas em episódios curtos e alguns deles, ousados. Se o espetador não estiver atento pode acabar por se perder naquilo que está a ser mostrado, chegando a um ponto que fica confuso, se cansa e não queira continuar a ver. Nem todos os episódios conseguiram criar uma conexão imediata com o público e com cada uma das suas histórias, sendo que levou a partes sem sentido e outras um pouco exageradas. Mas também existiram situações em que a história termina quando a pessoa começa a criar uma ligação com aquilo que está a ver, acabando por ficar um certo vazio a quem está a acompanhar.

Num dos episódios até tinha aquela sensação que me iria prender a atenção, mas de repente desenrolou-se de um modo tão estranho que acabou por estragar a experiência, pois eu achei que faltava ali qualquer coisa para que no final tenha chegado à conclusão que foi interessante.

Nem sempre o argumento foi claro e interessante e a mensagem também não é suficientemente bem abordada e transmitida. Mesmo com uma falta de equilíbrio e uma perda de rumo nas suas histórias, esta série teve os seus altos e baixos em que alguns episódios tiveram a capacidade de prender o espetador apesar de terem poucos minutos para contar as suas histórias, enquanto outros já não. Porém dão a oportunidade para que os atores mostrem de um modo mais pormenorizado a qualidade do seu trabalho e assim, os erros não importam, porque vemos um lado diferente que não estamos muito habituados em ver neste elenco.

Na minha opinião, as histórias conseguiram cativar em alguns episódios muito devido às performances incríveis dos seus atores, como foi o caso de Anthony Mackie, Dan Stevens ou de Morgan Freeman que se destacaram no modo como desempenharam as suas personagens.

Anthony Mackie teve uma das melhores interpretações da série, em que demonstra a sua versatilidade e diversos lados emocionais da sua personagem, Tom que quer arranjar uma maneira eficaz de tomar conta da sua família, mesmo após morrer e ao mesmo tempo apresenta uma parte mais sarcástica, mas também emocional numa passagem feita em meros instantes. Em tão pouco tempo dá para perceber o seu amadurecimento enquanto vai refletindo sobre o que é mais importante e ele consegue criar empatia com o espetador e assim, um resultado final satisfatório.

Solos é constituído por elementos que fazem parte da ficção científica que cria uma discussão de como são as relações da tecnologia com a humanidade e os perigos que podem trazer, caso não haja cuidado. Também tem um elenco a mostrar um trabalho com uma vertente diferente, mas que até se torna curioso por se ver diferentes técnicas que são utilizadas para interpretarem uma personagem específica que podem ter monólogos pertinentes que podem fazer a diferença para se conhecer a história que nos está a ser mostrada, sendo que não é uma tarefa nada fácil quando se tenta inovar um determinado tema.

Para além de se desenrolar num ambiente futurístico e de uma reflexão sobre temas relevantes e mais complexos, esta história também explora a inteligência artificial, a viagem ao espaço e até no tempo, uma mistura de ficção científica com suspense e terror, o isolamento social causado por uma pandemia e receios que não deixam a pessoa prosseguir com a sua vida futura, mesmo que já seja seguro, lidando assim, de um modo peculiar e como existe uma dependência da tecnologia para se sobreviver em determinadas ocasiões. Ainda conseguimos observar enquanto uma das personagens conta a história da sua vida, olhando diretamente para nós em que vai alternando as suas emoções e passando por momentos de alegria, desespero e muito mais ou quando alguém impulsiona reações a uma outra personagem com um objetivo próprio.

Esta série não deixa de ter boas surpresas e referências de um dos meus filmes favoritos, 13 Going on 30 (De Repente, já nos 30! como título em português) e de outro que ficou na minha memória, Avengers: Endgame. Existe uma ligeira comparação com a série Black Mirror, mas têm qualidades completamente diferentes uma da outra, sendo que o conceito de Solos tinha um bom potencial, mas eu acho que nem sempre foi aproveitado da melhor maneira, fazendo com que a ligação entre personagem e público resultasse poucas vezes e levando a poucas interações entre si.

Imaginem como seria conversar com a nossa própria versão que está situada no futuro num período de tempo específico e que talvez consiga responder às nossas dúvidas? Acaba por ajudar a fazer uma análise à nossa própria vida. Neste caso, será que estas personagens conseguiram aproveitar a vida enquanto tiveram essa possibilidade? Ficaram coisas por fazer ou por dizer? É o que têm de esperar para verem nestes sete episódios. Uma coisa que chegamos sem dúvida à conclusão com esta série é que mesmo que as personagens estejam isoladas entre si, estas têm algo em comum, uns com os outros, como por exemplo, terem uma vida solitária, conflitos que precisam de lidar, decisões difíceis que têm de ser tomadas, as suas cargas emocionais, medo de um futuro incerto, entre outros.

Seja qual for a reflexão que traga e mesmo a mensagem que transmita para quem está a assistir, eu aconselho a verem esta série Solos que tem desempenhos interessantes que valem a pena ver, apesar dos episódios serem constituídos maioritariamente por monólogos. Para além disso, os sentimentos das personagens são explorados de uma forma que eu acredito que podem vir a se identificarem e assim, compreenderem aquilo que está a ser mostrado neste projeto.