quarta-feira, 27 de maio de 2026

Filme "Mother Mary" protagonizado por Anne Hathaway e Michaela Coel - será que vale a pena ver?

2026 tem sido um ano em grande para Anne Hathaway e agora, temos a estreia de mais um filme com a sua participação.

Mother Mary é realizado por David Lowery e no elenco, juntamente com Anne Hathaway, temos: Michaela Coel, Sian Clifford, Hunter Schafer, FKA Twigs, Kaia Gerber, Atheena Frizzell, Jessica Brown Findlay, Isaura Barbé-Brown e a portuguesa Alba Batista.

Esta história segue Mother Mary (Anne Hathaway), uma estrela pop em crise que, na véspera do seu aguardado regresso, volta a cruzar- se com Sam Anselm (Michaela Coel), a antiga melhor amiga e figurinista. O reencontro faz ressurgir feridas antigas e transforma a preparação para o espetáculo numa experiência emocional intensa, marcada por tensão, memória e identidade.

E passem os anos que passarem, algumas rivalidades vão perseguir a pessoa para sempre.

Dez anos foi o tempo no qual esta cantora mundialmente famosa já não se encontrava com a estilista responsável pela sua imagem pública. Enquanto estas duas mulheres se reaproximam, elas são levadas a reavaliar a relação que as une, marcada por uma admiração mútua, mas ao mesmo tempo, por ressentimento e dependência emocional. Este reencontro reabre feridas do passado que afinal, nunca chegaram a sarar por completo.

Será que é desta que elas vão conseguir resolver o que as separa?

Muito aconteceu com a carreira de Mother Mary que incluíram altos e baixos. Porém, o momento decisivo da carreira estava prestes a chegar, através de um grande espetáculo de regresso aos palcos. Desta vez, a nível de figurinos, ela queria algo diferente, algo mais autêntico. E a sua equipa não estava a entregar o que ela realmente pretendia. Por isso, ela dirigiu-se à única pessoa que poderia fazer o vestido que tanto queria. Mas, para isso acontecer, Mother Mary teria de enfrentar o seu passado conturbado com Sam.

Por entre arte, fama, identidade, pressão mediática, traumas e o preço da exposição pública, estas mulheres têm de lidar com o impacto emocional da relação que tiveram no passado.

Além disso, havia um mistério paranormal associado que precisava de ser resolvido. 

Mother Mary apresenta atuações musicais bastante convincentes protagonizadas pela Anne Hathaway que são acompanhados por figurinos mais extravagantes. Com um lado mais espiritual e uma identidade própria e fora do comum, temos nesta história lenta, uma falta de fundamento e uma combinação de metáforas sucessivas que chegam a ser exaustivas. E que por vezes, tiram o foco daquilo que poderia prender mais a atenção.

Inicialmente, imaginava que este seria uma produção totalmente diferente daquilo que depois acabei por ver. Esperava muitas mais atuações musicais da protagonista e ver mais o lado negro da fama e como isso pode afetar um artista. É verdade que vamos observando o nível elevado da vulnerabilidade dela. Mas, na maior parte das vezes, não nos mostra exemplos de situações que levaram ela a chegar exatamente a esse ponto mais frágil.

Para mim, uma das cenas mais inesperadas e mais surpreendentes do filme foi a coreografia de dança que Mother Mary mostrou a Sam Anselm. Um tipo de demonstração da sua dor. Um momento sem música a acompanhar e com uma profundidade emocional bastante intensa, onde meras expressões faciais e corporais transmitem muito mais do que meras palavras. Um silêncio puro, onde apenas os seus passos causavam ruído. Aí, Anne Hathaway fez um ótimo trabalho, incluindo também nas suas performances em palco que mereciam mais tempo de ecrã. 

O maior foco deste enredo que é mais bem classificado como um drama psicológico do que um thriller vai para a relação conturbada e inexplicável de Mother Mary com Sam Anselm. Uma ligação muito próxima que depois se tornou numa relação mais desconfortável, em que uma das partes sentiu-se completamente desvalorizada. As conversações que têm entre si são extensas, onde partilham as suas emoções. Infelizmente, não dão grandes explicações para esse afastamento. E nem apresentam cenas de flashbacks úteis para termos uma melhor noção do quanto elas eram inseparáveis e de como tudo ruiu.  

Depois, a forma como quiseram juntar a relação delas com um género de entidade sobrenatural envolvida em suspense foi muito estranho. Simplesmente, não encaixou. E não fez grande sentido.

Também temos a participação da atriz portuguesa Alba Baptista, mas cuja cena onde participa é uma autêntica miniatura. Poderia ter sido interessante ver mais desta sua atuação musical e até fazer uma pequena comparação com a atuação de regresso de Mother Mary.  

Mother Mary é uma experiência abstrata, distante, um pouco complexa, louca e mais emocional com uma expressão artística e um tom melancólico. O seu final é aberto a várias interpretações. Além disso, transmite uma sensação agridoce que poderia ter optado por outro rumo. Se tivesse sido escolhido um percurso mais inteligente, então poderia ter criado uma maior conexão com o espetador. E assim, evitava que se tornasse num filme sobre relações humanas facilmente esquecível.  

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