2026
tem sido um ano em grande para Anne Hathaway e agora, temos a estreia de mais
um filme com a sua participação.
Mother
Mary é realizado por
David Lowery e no elenco, juntamente com Anne Hathaway, temos: Michaela Coel,
Sian Clifford, Hunter Schafer, FKA Twigs, Kaia Gerber, Atheena Frizzell,
Jessica Brown Findlay, Isaura Barbé-Brown e a portuguesa Alba Batista.
Esta
história segue Mother Mary (Anne Hathaway), uma estrela pop em crise
que, na véspera do seu aguardado regresso, volta a cruzar- se com Sam Anselm
(Michaela Coel), a antiga melhor amiga e figurinista. O reencontro faz
ressurgir feridas antigas e transforma a preparação para o espetáculo numa
experiência emocional intensa, marcada por tensão, memória e identidade.
E
passem os anos que passarem, algumas rivalidades vão perseguir a pessoa para
sempre.
Dez
anos foi o tempo no qual esta cantora mundialmente famosa já não se encontrava
com a estilista responsável pela sua imagem pública. Enquanto estas duas
mulheres se reaproximam, elas são levadas a reavaliar a relação que as une,
marcada por uma admiração mútua, mas ao mesmo tempo, por ressentimento e
dependência emocional. Este reencontro reabre feridas do passado que afinal,
nunca chegaram a sarar por completo.
Será
que é desta que elas vão conseguir resolver o que as separa?
Muito
aconteceu com a carreira de Mother Mary que incluíram altos e baixos.
Porém, o momento decisivo da carreira estava prestes a chegar, através de um
grande espetáculo de regresso aos palcos. Desta vez, a nível de figurinos, ela
queria algo diferente, algo mais autêntico. E a sua equipa não estava a
entregar o que ela realmente pretendia. Por isso, ela dirigiu-se à única pessoa
que poderia fazer o vestido que tanto queria. Mas, para isso acontecer, Mother
Mary teria de enfrentar o seu passado conturbado com Sam.
Por
entre arte, fama, identidade, pressão mediática, traumas e o preço da exposição
pública, estas mulheres têm de lidar com o impacto emocional da relação que
tiveram no passado.
Além
disso, havia um mistério paranormal associado que precisava de ser resolvido.
Mother
Mary apresenta atuações musicais bastante convincentes protagonizadas pela Anne
Hathaway que são acompanhados por figurinos mais extravagantes. Com um lado
mais espiritual e uma identidade própria e fora do comum, temos nesta história
lenta, uma falta de fundamento e uma combinação de metáforas sucessivas que
chegam a ser exaustivas. E que por vezes, tiram o foco daquilo que poderia
prender mais a atenção.
Inicialmente,
imaginava que este seria uma produção totalmente diferente daquilo que depois
acabei por ver. Esperava muitas mais atuações musicais da protagonista e ver
mais o lado negro da fama e como isso pode afetar um artista. É verdade que
vamos observando o nível elevado da vulnerabilidade dela. Mas, na maior parte
das vezes, não nos mostra exemplos de situações que levaram ela a chegar exatamente
a esse ponto mais frágil.
Para mim, uma das cenas mais inesperadas e mais surpreendentes do filme foi a coreografia de dança que Mother Mary mostrou a Sam Anselm. Um tipo de demonstração da sua dor. Um momento sem música a acompanhar e com uma profundidade emocional bastante intensa, onde meras expressões faciais e corporais transmitem muito mais do que meras palavras. Um silêncio puro, onde apenas os seus passos causavam ruído. Aí, Anne Hathaway fez um ótimo trabalho, incluindo também nas suas performances em palco que mereciam mais tempo de ecrã.
O
maior foco deste enredo que é mais bem classificado como um drama psicológico
do que um thriller vai para a relação conturbada e inexplicável de Mother
Mary com Sam Anselm. Uma ligação muito próxima que depois se tornou numa
relação mais desconfortável, em que uma das partes sentiu-se completamente
desvalorizada. As conversações que têm entre si são extensas, onde partilham as
suas emoções. Infelizmente, não dão grandes explicações para esse afastamento. E
nem apresentam cenas de flashbacks úteis para termos uma melhor noção do
quanto elas eram inseparáveis e de como tudo ruiu.
Depois,
a forma como quiseram juntar a relação delas com um género de entidade
sobrenatural envolvida em suspense foi muito estranho. Simplesmente, não
encaixou. E não fez grande sentido.
Também
temos a participação da atriz portuguesa Alba Baptista, mas cuja cena onde
participa é uma autêntica miniatura. Poderia ter sido interessante ver mais desta
sua atuação musical e até fazer uma pequena comparação com a atuação de
regresso de Mother Mary.
Mother Mary é uma experiência abstrata, distante, um pouco complexa, louca e mais emocional com uma expressão artística e um tom melancólico. O seu final é aberto a várias interpretações. Além disso, transmite uma sensação agridoce que poderia ter optado por outro rumo. Se tivesse sido escolhido um percurso mais inteligente, então poderia ter criado uma maior conexão com o espetador. E assim, evitava que se tornasse num filme sobre relações humanas facilmente esquecível.





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