quinta-feira, 12 de março de 2026

Filme "O Testamento de Ann Lee" conta a história da fundadora da seita devocional conhecida como os "Shakers"

 

Chegou o momento de apresentar O Testamento de Ann Lee, o novo filme da realizadora e argumentista premiada Mona Fastvold. Amanda Seyfriend é a protagonista, sendo que foi nomeada ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz.

Esta é a extraordinária história verídica de Ann Lee, fundadora da seita devocional conhecida como os “Shakers”. O filme capta o êxtase e a agonia da sua missão de construir uma utopia, apresentando mais de uma dúzia de hinos tradicionais dos “Shakers”, reinventados como movimentos arrebatadores e ainda contendo canções originais.

Tudo isto que nos vai sendo mostrado é fundamentado em algo real para esta pessoa real que existiu e conseguimos perceber de um modo pouco usual, como uma comunidade particular a admirava. Começam a contar a história desta figura, desde a sua infância, mas que avança num instante para a sua idade adulta que mostra com intensidade a sua devoção a Deus.

No entanto, esta sua admiração é apresentada através do movimento e da vocalização. Cada uma das canções eram um género de extensões da sua dor num momento ou extensões da sua excitação ou até a sua curiosidade para com o mundo. Mas, que realmente era uma extensão dos seus sentimentos e desta sua devoção a Deus.

Não importando os sacrifícios que tinham de fazer, tanto para esta mulher, como para os seus seguidores era através do movimento, por vezes bizarro e acompanhado por uma música peculiar, que se sentiam mais profundamente perto de Deus. E assim, esta era a forma de se expressarem essa linha direta com o divino.



Divulgação: 20th Century Studios Portugal

O Testamento de Ann Lee é uma obra extremamente excêntrica, selvagem e louca que tenta criar uma perspetiva completamente diferente e estranha no modo como expressa a fé. Enquanto isso, transmite o lado mais bonito e alegre de fazer parte dos “Shakers”, onde a pessoa fica imersa nas atuações musicais. Porém, não deixa de mostrar a obsessão, os sacrifícios, a luta por estas crenças e a realidade crua daqueles tempos.

Amanda Seyfriend entrega uma performance extasiante, cujos seus movimentos são elegantes apesar dos extremos que fazem parte da personagem e sem esquecer os inúmeros gritos, seja de euforia e/ou de sofrimento que esta vai sentindo e expressando.

Infelizmente, quem assiste não consegue ter qualquer tipo de conexão com nenhuma das personagens e a narrativa chega a ter uma duração demasiado longa, sendo que a pessoa fica com aquela sensação de que não acrescentou nada de novo. Garantidamente, este é daqueles filmes que não é para qualquer um. E é necessário que se tenha uma mente aberta, pois pode tornar-se confuso e cansativo para alguns.

Pessoalmente, no início tinha alguma curiosidade em saber mais sobre os “Shakers”, as suas crenças e a mensagem que transportaram naquela época. Contudo, não captou o interesse que esperava e acaba por ser demasiado a diferentes níveis.

Apesar de ter uma bonita cenografia, boas atuações musicais e uma ótima banda sonora a acompanhar, esta é uma produção com o seu lado espiritual que não impacta, nem cria vontade do público em querer saber mais sobre a história dos “Shakers” e as suas respetivas tradições.

Assim, O Testamento de Ann Lee será daqueles filmes facilmente esquecíveis que tinha o potencial para atrair mais a atenção de quem assistir, seja qual fosse a sua religião.