Chegou
o momento de apresentar O Testamento de Ann Lee, o novo filme da
realizadora e argumentista premiada Mona Fastvold. Amanda Seyfriend é a
protagonista, sendo que foi nomeada ao Globo de Ouro na categoria de Melhor
Atriz.
Esta
é a extraordinária história verídica de Ann Lee, fundadora da seita devocional
conhecida como os “Shakers”. O filme capta o êxtase e a agonia da sua missão de
construir uma utopia, apresentando mais de uma dúzia de hinos tradicionais dos “Shakers”,
reinventados como movimentos arrebatadores e ainda contendo canções originais.
Tudo
isto que nos vai sendo mostrado é fundamentado em algo real para esta pessoa
real que existiu e conseguimos perceber de um modo pouco usual, como uma
comunidade particular a admirava. Começam a contar a história desta figura,
desde a sua infância, mas que avança num instante para a sua idade adulta que
mostra com intensidade a sua devoção a Deus.
No
entanto, esta sua admiração é apresentada através do movimento e da
vocalização. Cada uma das canções eram um género de extensões da sua dor num
momento ou extensões da sua excitação ou até a sua curiosidade para com o
mundo. Mas, que realmente era uma extensão dos seus sentimentos e desta sua
devoção a Deus.
Não
importando os sacrifícios que tinham de fazer, tanto para esta mulher, como
para os seus seguidores era através do movimento, por vezes bizarro e acompanhado
por uma música peculiar, que se sentiam mais profundamente perto de Deus. E assim,
esta era a forma de se expressarem essa linha direta com o divino.
O
Testamento de Ann Lee
é uma obra extremamente excêntrica, selvagem e louca que tenta criar uma
perspetiva completamente diferente e estranha no modo como expressa a fé. Enquanto
isso, transmite o lado mais bonito e alegre de fazer parte dos “Shakers”, onde a
pessoa fica imersa nas atuações musicais. Porém, não deixa de mostrar a
obsessão, os sacrifícios, a luta por estas crenças e a realidade crua daqueles
tempos.
Amanda
Seyfriend entrega uma performance extasiante, cujos seus movimentos são
elegantes apesar dos extremos que fazem parte da personagem e sem esquecer os
inúmeros gritos, seja de euforia e/ou de sofrimento que esta vai sentindo e
expressando.
Infelizmente,
quem assiste não consegue ter qualquer tipo de conexão com nenhuma das
personagens e a narrativa chega a ter uma duração demasiado longa, sendo que a
pessoa fica com aquela sensação de que não acrescentou nada de novo.
Garantidamente, este é daqueles filmes que não é para qualquer um. E é
necessário que se tenha uma mente aberta, pois pode tornar-se confuso e cansativo
para alguns.
Pessoalmente,
no início tinha alguma curiosidade em saber mais sobre os “Shakers”, as suas
crenças e a mensagem que transportaram naquela época. Contudo, não captou o
interesse que esperava e acaba por ser demasiado a diferentes níveis.
Apesar
de ter uma bonita cenografia, boas atuações musicais e uma ótima banda sonora a
acompanhar, esta é uma produção com o seu lado espiritual que não impacta, nem cria
vontade do público em querer saber mais sobre a história dos “Shakers” e as suas
respetivas tradições.
Assim, O Testamento de Ann Lee será daqueles filmes facilmente esquecíveis que tinha o potencial para atrair mais a atenção de quem assistir, seja qual fosse a sua religião.
.jpg)
.jpg)
