quarta-feira, 18 de março de 2026

Filme "Good Luck, Have Fun, Don't Die" é uma viagem louca, ousada e explosiva que não deixa ninguém indiferente

 

Good Luck, Have Fun, Don’t Die é a nova comédia apocalíptica irreverente realizada por Gore Verbinski que pretende combinar ação, ficção científica e sátira contemporânea.

O elenco é composto por Sam Rockwell, Juno Temple, Haley Lu Richardson, Michael Peña, Zazie Beetz, Asim Chaudhry e Tom Taylor.

A premissa é bem simples: um homem vindo do futuro entra num restaurante para recrutar um grupo improvável de civis e impedir uma catástrofe provocada, tanto pela Inteligência Artificial (IA), como pelas redes sociais. Este enredo transforma um encontro comum num loop temporal delirante sobre tecnologia, manipulação algorítmica e o destino da humanidade.

Perante uma noite escura e abafada em Los Angeles, temos um restaurante americano à pinha. De repente, um homem (Sam Rockwell) entra de rompante com um detonador na mão e afirma vir do futuro. É a 117.ª vez que regressa com o mesmo aviso. Antes que o tempo acabe, precisa de convencer um grupo de clientes completamente improváveis a ajudá-lo a impedir um apocalipse de IA e salvar a humanidade dos perigos das redes sociais. O problema? Está tudo contra eles: desde desconhecidos céticos e adolescentes viciados no scroll, até monstruosidades algorítmicas fora de controlo. Ainda assim, se este grupo improvável consegue unir-se, talvez o mundo tenha uma hipótese… Ou talvez não!

Divulgação: NOS Audiovisuais

Já imaginaram como seria uma pessoa estar simplesmente a conviver ou a descontrair num diner, quando do nada, surge um homem a ter um discurso incomum sobre conspirações do futuro e a dizer coisas sem sentido, enquanto ameaça que pode detonar os explosivos que tem à volta do seu corpo. Qual seria a melhor reação? Ignorar? Ou então, entrar na brincadeira para que se possa sair vivo deste estabelecimento? Afinal, qual seria a decisão mais lógica? Isso é uma das primeiras coisas que ficamos logo a questionar.

Agora, o que inicialmente parecia ser um assalto, revela-se uma proposta muito mais estranha: ele tinha de recrutar a combinação certa de pessoas entre os clientes presentes para embarcar numa missão noturna para salvar o mundo de uma inteligência artificial. Para isso acontecer, ele achou que era preciso apenas um pouco de persuasão e a ameaça “suave” de explodir todo o diner para assim, garantir os voluntários.

De seguida, esta equipa bastante diversificada mergulha numa aventura distópica envolvida numa corrida constante contra o tempo. Ao longo desta jornada, iriam encontrar desde adolescentes zumbis, bonecos robôs a andarem descontrolados e todo o tipo de outras coisas bizarras bem furiosas. Será que é esta a equipa que vai sobreviver, depois das inúmeras tentativas deste homem lunático e peculiar? E será que a missão vai ser bem-sucedida? Muito pode acontecer, mas quem sabe, este grupo de pessoas até pode vir a ter uma prestação diferente da esperada.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Good Luck, Have Fun, Don’t Die é uma viagem louca, ousada e explosiva que abana o espetador para acordar para a realidade crua e dura dos tempos atuais, a nível do uso excessivo da inteligência artificial, sendo que não é nada subtil a apresentar a frustração que existe perante este tema. Esta é uma produção com um design de produção e cinematografia que atrai quem está a ver, uma banda sonora no ponto e em que também mistura ação, aventura, ficção científica e comédia, enquanto incita à discussão sobre a evolução da tecnologia e os perigos associados.

O que não faltam são produções que exploram os riscos e a ameaça que a inteligência artificial pode vir a tornar-se para a humanidade. Porém, nenhuma delas faz do modo que esta aventura de ficção científica: traz uma maior criatividade, é imprevisível e não tem filtros em apresentar a sua visão acompanhada por humor negro e caos.  

Uma das grandes intenções deste filme é criar reações no espetador, mostrando de uma forma singular, mais agressiva e por vezes, perturbadora, a sua mensagem que depois vai ganhando força, à medida que a narrativa se desenrola. É por isso que automaticamente, há quem acabe por refletir esta chamada de atenção que cumpriu com o seu propósito, mesmo que o método possa não ter sido o melhor. Mas, às vezes em certas situações, pode não haver outra opção.

A história em si contém um ritmo adequado que consegue cativar e não chega a ser cansativa, pois tem os seus momentos eletrizantes, ridículos, exagerados ou malucos que vão entretendo e criando interesse no que vai ocorrer de seguida.

Além disso, foi esperto dividi-la em atos para nos darem contexto e assim, conhecermos melhor as personagens e o respetivo estado de espírito, antes de se cruzarem com o homem do futuro. Também foi uma excelente ideia, introduzirem uma personagem que era extremamente alérgica à tecnologia e como esta poderia vir a ter um papel importante no desenvolvimento desta narrativa. No entanto, houve personagens irritantes que eram facilmente dispensáveis e que na minha opinião, não acrescentaram grande valor ao enredo.

Good Luck, Have Fun, Don’t Die que marca o regresso do realizador Gore Verbinski não deixa ninguém indiferente com a sua insanidade, honestidade e mensagem, sendo que proporciona na companhia do grande Sam Rockwell, uma experiência diferente, por vezes divertida e de certa forma, caótica. Mas, que até é interessante para quem quiser assistir, a algo um pouco fora da caixa.


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