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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Wildwood é uma obra-prima extraordinária que entrega uma aventura alucinante, impactante e espetacular

Wildwood (Floresta Mágica, como título em português) é o filme de animação stop-motion mais longo, ambicioso e desafiante produzido pelo estúdio da Laika, uma referência e especialista mundial neste estilo de animação que tanto nos entregou produções de animação emblemáticas!

Dos criadores de Coraline e realizado por Travis Knight, Wildwood tem um elenco de vozes originais constituído: por Peyton Elizabeth Lee, Jacob Tremblay, Carey Mulligan, Mahershala Ali, Angela Bassett, Awkwafina, Jake Johnson, Charlie Day, Amandla Stenberg, entre outros.

Foram precisos 16 anos para que toda a produção ficasse totalmente pronta para concretizar uma adaptação do livro de fantasia de Colin Meloy, publicado em 2011.

A dimensão deste projeto é gigante, sendo que contou com 233 marionetas e 49 animadores. E foram ainda construídos 136 cenários físicos para criar o universo do filme.

Nesta aventura de animação em stop-motion, acompanhamos Prue, uma adolescente determinada a encontrar o irmão bebé depois de este ser raptado por um bando de corvos.

Agora, para o encontrar, Prue entra no Território Impenetrável, uma floresta encantada nos arredores de Portland, Oregon. Ao lado de Curtis Mehlberg, um colega de turma desafortunado, mas leal e eles embarcam numa viagem por um mundo habitado por animais falantes, bandidos e outras figuras misteriosas.

À medida que avançam, Prue e Curtis acabam envolvidos num conflito que ameaça o equilíbrio daquele território. Perante perigos inesperados e forças movidas pela dor e pela ambição, Prue terá de descobrir uma força que desconhecia possuir para conseguir salvar o irmão e proteger o futuro da Terra Selvagem.

Uma nova e grande aventura que leva o público a um mundo que nunca se imaginou ser possível de entrar. Isto começa com os primeiros grandes responsáveis que são um bando de corvos. É verdade! Quando o irmão bebé é raptado por eles, a obstinada adolescente Prue Mckeel lança-se numa missão de resgate desesperada neste Território Impenetrável. Ela vai ter de arriscar tudo para trazer o seu irmão são e salvo e de regresso a casa. E ainda, evitar que a Terra Selvagem seja destruída por uma bruxa.  

Divulgação: NOS Audiovisuais

Algumas das premissas principais desta história são as questões seguintes: até onde a pessoa iria por aqueles que mais ama? E será que tem a coragem necessária para atravessar uma floresta mágica e desconhecida que estava a tornar-se cada vez mais num lugar selvagem?

Prue é uma rapariga impulsiva que não é do tipo de desistir e teve de crescer demasiado depressa. Isso fez com que não acreditasse em fantasias. Um dia, ela fez uma promessa aos pais dela. Tomar conta do irmão, mas o inesperado aconteceu. Devido a Prue desafiar a ordem dos pais de sair de casa, o seu irmão foi levado repentinamente por corvos. E ela vai fazer o que for preciso para o encontrar. Não vai desistir de procurar por ele. Nem que tenha de entrar por um mundo diferente daquilo que já conheceu. E onde tudo pode acontecer, sendo que este universo tem os seus perigos e está à espera de que os seus segredos sejam revelados.

Para conseguir resgatar o irmão, ela vai precisar de encontrar a sua coragem para enfrentar um lugar desconhecido e selvagem que está proibida de ir. Além disso, este é o lar de muitas criaturas mágicas que lhe querem fazer mal e que falam. Enquanto isso, ela tem de enfrentar os seus próprios medos.

Em relação à antagonista, temos uma bruxa que quer devastar a floresta e recuperar o que ela lhe tirou. Este é um exemplo de como uma tragédia pode moldar plenamente uma personagem.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Wildwood é uma obra-prima bonita e extraordinária que tem uma magia muito própria e nos entrega uma aventura alucinante, impactante e espetacular. Toda a animação em stop-motion a nível técnico é perfeita e é executada numa escala nunca antes vista. A fotografia é lindíssima. A quantidade de detalhes que tem e as cenas bonitas que possui são surreais. Cada detalhe é tão deslumbrante e criativo! É mesmo de deixar a pessoa de boca aberta e em êxtase, enquanto aprecia este estilo de animação e sentindo uma autêntica montanha-russa de emoções. As horas envolvidas nesta criação e todo o cuidado, esforço e energia que colocaram na experiência visual é de tirar o fôlego e de louvar!

Com cada aspeto do filme, dá para ver que fizeram isto por amor à arte e é isso que a Laika prioriza em todas as suas produções.  

O facto de ter sido utilizada totalmente uma técnica de stop-motion faz com que a experiência ainda seja mais fenomenal. A quantidade de vezes que passa pela cabeça a questão: como é possível que este universo e cada uma destas cenas em stop-motion terem sido feitas pelas mãos de muitas pessoas? E realçar que todas as sequências das cenas da batalha são brilhantes.  

Divulgação: NOS Audiovisuais

Para quem não sabe, o stop-motion é uma técnica de animação que consiste em criar a ilusão e a sensação de movimento, a partir de uma sequência de fotografias de objetos reais e estáticos. Neste caso, são criados cenários e marionetas, mas é tudo em miniatura. Primeiro, coloca-se a personagem num cenário físico. Depois tirar a fotografia, mudar ligeiramente a posição da personagem e repetir todo o processo, milhares de vezes.

Um segundo de filme são 24 frames, ou seja, 24 fotos e como a duração do filme é de 2 horas e 12 minutos, então isso equivale a milhares de frames (cerca de 7920 frames). É mesmo um método extremamente complexo, muito minucioso, demorado e exaustivo que exige paciência e dedicação. Mas, que no final, entrega um rigor técnico e proporciona um resultado incrível e único.  

Já na história em si, poderia ter sido mais bem desenvolvida, principalmente em relação a algumas das personagens, fazendo com que não se crie empatia por elas. Contudo, não é algo que afete a experiência de todo.

Esta narrativa com um espírito ligeiramente selvagem retrata a guerra entre povos, mas também é focada em temas relacionados com magia, luto, sacrifício, amor, família, amadurecimento e amizade, sendo que é cheia de adrenalina, mistério, criaturas mágicas e estranhas, perseguições, lutas, batalhas, rituais e com muito mais para se descobrir. E além disso, mexe muito com a pessoa, em todos os sentidos.

Divulgação: NOS Audiovisuais

A arte é uma manifestação da criatividade humana e Wildwood é um excelente exemplo disso. É impressionante quando um grupo de pessoas talentosas se junta para criar uma obra de arte de animação tão rica, envolvente e muito especial. Tudo o que se vê é feito à mão e foi criado por alguém. Na minha opinião, o stop-motion é mesmo uma arte pura.

Wildwood é um filme de aventura, ação e fantasia que é encantador e arrepiante, visualmente genial que passou num piscar de olhos e que merece ser admirado, celebrado e premiado. É importante referir que tem de haver mais reconhecimento pelo stop-motion. Num mundo que está a ser cada vez mais dominado pela inteligência artificial, a arte manual continua a resistir. E sem dúvida, que precisamos cada vez mais, desta técnica de arte que possui um poder e um nível de grandiosidade, sofisticação e profundidade que deixa qualquer um, sem palavras. Por isso, viva à arte que é feita à mão!

Assim, se são fãs de cinema, então têm mesmo de ver Wildwood no maior ecrã possível! Acreditem que esta é daquelas produções inspiradoras com uma qualidade magnífica que dificilmente iremos ver tão cedo no cinema.

E Wildwood é tão precioso, marcante e surpreendente que a pessoa fica encantada a viver esta experiência inesquecível que lhe foi oferecida. Passou a fazer parte da lista dos meus filmes de animação favoritos. E faz-me lembrar o porquê de eu ser completamente apaixonada por cinema, pois a magia do cinema também está na criatividade e nos detalhes.