domingo, 25 de janeiro de 2026

Filme "Marty Supreme" - é uma obra fascinante, onde Timothée Chalamet entrega uma das maiores performances da sua carreira

 

Preparem-se para um dos filmes mais marcantes dos últimos tempos!

Marty Supreme que é protagonizado por Timothée Chalamet e realizado Josh Safdie já chegou para nos cativar e fazer sonhar em grande!

Neste momento, esta produção conta já com um Globo de Ouro e um Critics Choice Award para Timothée Chalamet na categoria de “Melhor Ator”. E é um forte candidato aos Óscares.

O elenco também é constituído por Gwyneth Paltrow, Odessa A’Zion, Kevin O’Leary, Tyler Okonma, Abel Ferrara e Fran Drescher.

Esta comédia dramática desportiva é centrada no mundo vibrante e competitivo do ténis de mesa que oferece uma história de ambição e superação e que é apresentado com um estilo próprio.

Marty Mauser (Timothée Chalamet) é uma versão ficcional do lendário jogador Marty Reisman – ícone do ténis de mesa dos anos 50 que regressou à ribalda em 1997. Ao seu lado temos uma estrela de cinema que se envolve com ele, num relacionamento intenso e surpreendente que é interpretada por Gwyneth Paltrow.

Para quem não sabe, Timothée Chalamet fez uma preparação física e técnica de excelência para realizar todas as cenas desportivas relacionadas com o ténis de mesa. E sem que fosse necessário ter recurso a duplos.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Não há ninguém como o Marty que faz o que for preciso para realizar o seu maior objetivo. Nem lhe passa pela cabeça o que planeia fazer, caso o seu sonho não se concretize. Ele tem um propósito que é ser o melhor neste desporto e trazê-lo para as bocas do mundo. E com esta obrigação vem sacrifício. Não importa se ele ainda não faz dinheiro com este seu sonho. Uma coisa é garantida! Marty tem uma determinação implacável em vencer e não vai parar, sejam quais forem os obstáculos que surgem no seu caminho.  

Além disso, ele é carismático, impulsivo e imprevisível, sendo que nunca sabemos em que sarilhos se vai meter e o que esperar dos seus comportamentos malucos. E isso faz com que fiquemos ainda mais agarrados ao ecrã. A história representa bem a sua época e é muito interessante de se acompanhar, onde também envolve momentos hilariantes, surpreendentes e inesperados. Apesar de ser contada num ritmo mais acelerado, isso não tira o foco, nem a vontade de querer seguir a jornada sem limites de Marty Mauser.   

Uma das grandes lições que este filme transmite para o público é o nível de persistência e resiliência que muitas vezes é necessário ter para se conseguir realizar qualquer sonho que se tenha. Neste caso, Marty vive com a confiança de acreditar em si mesmo e apesar de haver momentos em que tudo na sua vida esteja a desmoronar, ele mesmo assim, acredita que vai conseguir. Assim, é mostrada a importância que é não desistir dos nossos sonhos por mais difíceis que possam ser de alcançar. A jornada pode ser desafiante, mas no final irá valer a pena.

Divulgação: A24 e Cinemundo

Marty Supreme é uma obra fascinante que proporciona uma experiência cinematográfica completamente louca e ousada, tendo sido repleta de uma grande criatividade e adrenalina que conquista o espetador desde o primeiro instante. Nesta narrativa original e única com um tom, tanto dramático, como cómico, também apresenta a paixão, a intensidade, a vulnerabilidade, o risco e a enorme vontade de vencer, que certos desportos podem ter na vida de alguém.

Contudo, nem tudo é um mar de rosas e é realmente nos bastidores que se vê a verdade dura e crua sobre os sacrifícios que têm de ser feitos para que a pessoa seja a melhor na sua modalidade desportiva. E como muitas vezes, tem de se adaptar para vencer.

Um dos maiores destaques vai para a interpretação magnífica de Timothée Chalamet que traz autenticidade, brilho e uma energia contagiante a cada cena. Timothée foi mesmo espetacular, sendo que todas as cenas desportivas que ele executou foram incríveis. E também deu para se perceber a transformação fabulosa que ele teve e que foi crucial para assim, entregar uma das maiores performances da sua carreira.

Para além disso, é graças a Marty Supreme que ficamos com mais vontade de assistir, tanto a mais competições de ténis de mesa, como a ver mais vezes, quem sabe no futuro, o Timothée Chalamet a jogar esta modalidade.

Este é dos filmes que mais queria ver nos últimos tempos e sem dúvida, que não desiludiu e que merece todo o devido reconhecimento! E espero mesmo que Timothée Chalamet vença o Óscar de Melhor Ator Principal!


domingo, 11 de janeiro de 2026

Eleanor the Great - o que esperar do primeiro filme realizado por Scarlett Johansson e protagonizado por June Squibb

 

Chegou o momento para assistirmos a Eleanor the Great (A Grande Eleanor, como título em português), o primeiro filme de Scarlett Johansson enquanto realizadora e com June Squibb como a protagonista.

No elenco também fazem parte Erin Kellyman, Jessica Hecht, Rita Zohar e Chiwetel Ejiofor.

Inicialmente, o público português teve a oportunidade de assistir a esta estreia no dia 1 de novembro no The Chapel durante a 2ª edição do Tribeca Festival Lisboa.

Nesta produção temos Eleanor, uma viúva que aos 94 anos procura reencontrar-se em Nova Iorque, mas uma história contada por acaso arrasta-a para uma teia de afetos, ilusões e descobertas, onde a fronteira entre verdade e mentira se dissolve em humanidade.

June Squibb é a atriz responsável por dar vida de uma forma vibrante à espirituosa e orgulhosamente problemática Eleanor Morgenstein, uma mulher de 94 anos que, após uma perda devastadora, passa a contar uma história que ganha vida própria e torna-se perigosa.

Nas mãos de Scarlett Johansson são entrelaçados temas como o envelhecimento, a família, a perda e os limites do engano, transformando esta história de amizade e memória num retrato profundo da complexidade humana.

Divulgação: Sony Pictures Classics

Eleanor sempre se manteve envolvida e ligada às pessoas à sua volta. Depois de ter perdido a sua melhor amiga, ela muda-se da Florida para Nova Iorque para assim, viver com a filha e o neto, na esperança de se reconectar com a família. Em vez disso, ela sente-se ainda mais à deriva e invisível.

Eleanor é uma mulher sem filtros cheia de vida e com um lado rebelde que depois da partida da sua Bessie (Rita Zohar), leva a que ela viva uma grande dor e um vazio emocional, devido à ausência de alguém que foi a sua amiga mais íntima ao longo de 70 anos.

Um dia durante uma visita ao Centro Comunitário Judaico de Manhattan, ela calha entrar num grupo de apoio para sobreviventes do Holocausto, onde na realidade não pertence. No entanto, aproveita apenas para revelar uma história que, sem querer, lhe traz um nível de atenção que não pretendia.

Esta mesma história que Eleanor contou e que nem tinha noção das proporções que iriam tomar, era na realidade o testemunho de Bessie que sobreviveu ao Holocausto. Embora sem pensar, quando Eleanor decidiu assumir o relato de uma sobrevivente do Holocausto, esta mentira acabou por aumentar a sua dimensão até fugir do controlo.

Assim, ela vê-se envolvida numa narrativa que não esperava vir a acontecer, enquanto Nina (Erin Kellyman), uma jovem estudante de jornalismo a procura como amiga e mentora e que ainda, quer fazer um artigo sobre Eleanor. Quando as coisas vão longe demais, Eleanor tem de enfrentar a verdade.

Por quanto tempo irá a mentira de Eleanor durar? Será que a relação entre Eleanor e Nina irá resistir?



Divulgação: Sony Pictures Classics

Eleanor The Great é de um modo inesperado surpreendente e contém um tom caricato e outro mais emocional e caloroso. Apesar disso e devido a alguns desequilíbrios, fragilidades e falta de cuidados com alguns assuntos, a trama em si pode não agradar a todos. Contudo, aborda temas com o qual o público se identifica, como a perda, o luto, a empatia, a compaixão, o perdão e acima de tudo, o poder da amizade. Além disso, transmite a mensagem do quanto devemos viver a vida, não importa a idade e ainda, manter vivas, memórias importantes.

Os destaques deste filme vão para a interpretação maravilhosa e comovente de June Squibb e para as dinâmicas das ligações, tanto de Eleanor com Bessie, como a de Eleanor com Nina. É bonito de se assistir a uma amizade tão verdadeira e cúmplice como a de Bessie e Eleanor e além disso, acompanhar a construção da ligação inesperada de Eleanor com Nina. Estas são duas relações muito diferentes entre si, mas que é interessante ver como funciona a dinâmica de cada uma delas.  

No seu papel como Eleanor, June Squibb apresenta-a como uma mulher carismática e astuta que usa a idade avançada a seu favor e entrega uma combinação de ironia e um humor atípico enrolado numa língua afiada.  

Divulgação: Sony Pictures Classics

Temos aqui alguém que sofreu uma perda forte e profunda, enquanto quer ser dispensada e colocada num lar de idosos pela sua filha. Ela não tem muitas pessoas com quem conversar e ter a oportunidade de se abrir e partilhar os sentimentos de perder a sua melhor amiga e os seus arrependimentos. E é graças a Nina que começa a sentir-se mais confortável e aberta para conversar, embora inclua algumas mentiras pelo meio. Nina não só passa a passar muito tempo com Eleanor, mas à sua maneira, também consegue impactar esta idosa.

Aos poucos, vamos compreendendo os motivos pelos quais nasceu esta grande mentira criada por Eleanor que envolve boas intenções. Na realidade, quando Eleanor assume a identidade de uma sobrevivente do Holocausto, ela acredita que é por um bom motivo e que está a honrar e conservar a memória da amiga. É impressionante como a dor e o luto pode fazer as pessoas fazerem coisas inimagináveis.

Divulgação: Sony Pictures Classics

Com Eleanor the Great é explorado o tema da identidade e o poder do storytelling e da conexão humana. É oferecido algo que não vemos todos os dias, que é trazer uma história moralmente mais complexa e um tanto ambiciosa, cuja protagonista é uma idosa autêntica e onde June Squibb brilhou do início ao fim, sendo que tudo é tratado de um modo leve, apesar de por vezes, serem retratados assuntos mais delicados. Também existem aqueles momentos em que a pessoa fica com uma lágrima no cantinho do olho e outros em que algumas saídas de Eleanor têm a sua piada. Já a fotografia é satisfatória e a banda sonora é discretamente eficaz.

Em relação à estreia de Scarlett Johansson como realizadora resulta num desempenho que mostra potencial nesta função e cria curiosidade em querer acompanhar projetos desta figura que tanto conhecemos nos seus inúmeros trabalhos como atriz. Acredito que ela tem um futuro promissor numa carreira de realização, mas que precisa de tempo para melhorar as suas capacidades para tal.  

Apesar de por vezes ser um pouco previsível, Eleanor the Great é bom o suficiente para criar reações no espetador e em que June Squibb rouba genuinamente as atenções com a sua versatilidade, onde a sua performance complexa equilibra humor, profundidade emocional e vulnerabilidade.  

domingo, 4 de janeiro de 2026

All Her Fault - o que esperar desta minissérie protagonizada por Sarah Snook

 

Desta vez apresento-vos All Her Fault, uma minissérie original da Peacock com oito episódios que pode ser vista através da plataforma de streaming da SkyShowtime. É baseada no romance homónimo de Andrea Mara, publicado em 2021. E recebeu indicações a dois Globos de Ouro nas categorias de Melhor Minissérie e Melhor Atriz em Minissérie para Sarah Snook.

Este projeto é protagonizado por Sarah Snook e junta-se a ela Jake Lacy, Dakota Fanning, Michael Peña, Sophia Lillis, Abby Elliot, Daniel Monks, Jay Ellis, Thomas Cocquerel, Duke McCloud e Kartiah Vergara.

A história inicia-se quando uma mãe se vê numa procura desesperada para descobrir a verdade por trás do desaparecimento misterioso do seu filho.  

O pior pesadelo de qualquer mãe começa. Marissa Irvine (Sarah Snook) prepara-se para ir buscar o seu filho Milo à casa de um amigo da sua nova escola. Contudo, quando ela chega lá e bate à porta, recebe uma resposta que não esperava. A mulher que vive naquela casa nunca ouviu falar da criança e a Marissa fica completamente aflita e em choque com o que está a acontecer, enquanto faz tudo o que é possível para descobrir o paradeiro de Milo e saber quem o raptou.

Este foi só o primeiro passo para que esta família começasse a desmoronar, juntamente com todos os seus segredos profundos prestes a serem revelados. No entanto, Marissa vê na sua nova amiga Jenny Kaminki (Dakota Fanning) como a única pessoa em quem pode confiar, sendo que estas duas mulheres formam uma aliança próxima e improvável. E juntas, elas procuram por Milo.

Marissa carregada com o peso da culpa do que levou àquele momento nunca mais seria a mesma, principalmente depois de saber de determinados segredos de família que iriam mudar o rumo da sua vida para sempre.

Enquanto isso, o detetive Alcaras (Michael Peña) segue todas as pistas deste caso de desaparecimento, levando a que o seu código moral seja levado ao limite. Será que ele vai conseguir encontrar Milo a tempo, desvendar o que realmente aconteceu a esta criança e levar a justiça aos responsáveis pelo rapto?

All Her Fault é um thriller e um suspense intrigante cheio de reviravoltas inesperadas que prende completamente a atenção e que entrega um mistério interessante e bem desenvolvido. Ao longo desta história, a pessoa começa a pensar automaticamente em teorias relacionadas com quem poderão ser os responsáveis por esta tragédia e quais poderão ser as possíveis causas para tal.

Quando olhamos para a narrativa em si, então podemos identificá-la como um pouco complexa que tem um lado mais assustador. E é verdade que há alturas em que parece que a história é previsível, mas de repente, surgem surpresas que nos atrai.

Esta trama misteriosa retrata dinâmicas familiares, erros, mal-entendidos, acusações, mentiras e manipulações causadas por este grupo de seres humanos que são mais profundas do que se poderia imaginar, sendo que se fica com vontade em saber como tudo se irá desenrolar. No entanto, existem algumas personagens que acabaram por ser dispensáveis e que na realidade, não faziam falta. E por isso mesmo, pode tornar-se difícil criar algum tipo de empatia pelas mesmas.

All Her Fault consegue ser subtil a apresentar muitas das pressões sociais, sacrifícios e dificuldades que são impostas a muitas mães trabalhadoras. E o quanto é difícil conciliar a vida profissional da vida pessoal. Assim, é por essa razão que muitas mães acabam por ter a necessidade de contratar uma ama para tomarem conta dos filhos. Porém, tem as suas desvantagens.

Nesta minissérie dramática que também aborda a maternidade, podemos acompanhar mais um desempenho arrebatador e fantástico de Sarah Snook que carrega às costas esta história e consegue transmitir com qualidade, um sofrimento por vezes, silencioso e perturbador desta mãe que esconde as suas emoções e se sente culpada pelo desaparecimento do seu filho. Além disso, podemos observar a evolução interessante da sua personagem no decorrer de cada episódio.

Até pode não ser perfeita, principalmente em relação ao trabalho mais fraco de alguns dos atores e pelo facto da pessoa chegar ao final desta trama e ficar com a sensação que faltava ali qualquer coisa. Por exemplo, podiam ter desenvolvido mais o enredo da amizade das duas mães e o final poderia ter sido melhor. Mas, mesmo assim, traz um conteúdo com um suspense na medida certa com algumas surpresas associadas que cria interesse em acompanhar e que num modo geral, foi bem executado.

A convite da SkyShowtime e da NOS que deixo aqui um agradecimento, eu estive presente no visionamento do primeiro episódio desta minissérie que ocorreu nos Cinemas NOS do Centro Comercial Vasco da Gama em Lisboa e partilho de seguida, um vídeo deste evento!