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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Masters Of The Universe é uma excelente fonte de entretenimento que merecia mais reconhecimento (Crítica)

Já chegou o franchise lendário para liderar uma épica aventura em live-action. Falamos de Masters Of The Universe que é realizado por Travis Knight e é baseado no material da MATTEL.

O elenco é constituído por Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Alison Brie, James Purefoy, Morena Baccarin, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Charlotte Rilley, Kristen Wiig, Idris Elba e Jared Leto.

Neste enredo, após 15 anos separados, o Príncipe Adam (Nicholas Galitzine) descobre a sua Espada do Poder e regressa a Eternia, onde encontra a sua terra natal devastada pelo domínio maléfico de Skeletor (Jared Leto). Para salvar o seu mundo e proteger a sua família, Adam terá de unir forças com os seus aliados mais próximos, Teela (Camila Mendes) e Duncan/Man-At-Arms (Idris Elba) e assumir o seu verdadeiro destino como He-Man, o herói mais poderoso do universo.

Primeiramente, inicia-se em Eternia, quando Adam era tratado como uma criança. Este era um reino com um brilho próprio que estava em paz e no qual, as novas gerações treinavam para possíveis futuras guerras. E assim, defenderem o seu reino.

Aqui as lendas não nascem, elas são forjadas.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Contudo, havia quem não levasse o treino tão a sério, como foi o caso de Adam, que tinha outras prioridades em vista. Um dia, de um modo inesperado, Eternia é atacado pelo vilão Skeletor (Jared Leto) e o líder deste reino teve de render-se. Depois de ficarem prisioneiros de Skeletor, ele e a mulher nunca mais foram vistos. E foi assim, que Skeletor tornou-se no novo Rei de Eternia, cujo futuro deste lugar iria se tornar num pesadelo.  

Durante a conquista de Skeletor, Adam, o herdeiro de Eternia conseguiu fugir para a Terra, utilizando um portal. E levando consigo, um bem com poder absoluto que era bastante precioso. No entanto, durante a viagem perdeu-o. E não iria descansar, enquanto não encontrasse.

Entretanto, Skeletor não estava satisfeito, porque faltava-lhe a Espada do Poder, que lhe iria transformar na figura mais poderosa. E sem isso, poderia ocorrer uma Rebelião para tentar tirá-lo do trono.

Enquanto isso, passam 15 anos e vemos um Adam mais adulto a viver uma vida normal na Terra, mas a continuar a sonhar com o regresso à sua terra natal. É aí que vemos uma pessoa diferente, atrapalhada e com competências valiosas de comunicação que lhe poderiam, quem sabe, ser úteis mais tarde.

No entanto, num dia, o seu passado acabaria por apanhá-lo. E Adam teria de se tornar no herói que Eternia realmente precisa para vencer Skeletor. Será que ele está preparado para essa grande responsabilidade?

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Para uma iniciante neste mundo, Masters Of The Universe é uma aventura empolgante e divertida, repleta de energia e ação que possui uma essência atrativa e leve. No meu caso, é uma ótima introdução a este universo que nos faz viajar para o seu interior e ter assim, uma experiência mais imersiva.

Um dos destaques vai para Jared Leto na sua interpretação de Skeletor. Ele consegue roubar cada uma das cenas em que está presente e naturalmente, brilhar. E faz um ótimo trabalho, enquanto vilão.

Já Nicholas Galitzine faz um bom desempenho no papel deste herói que vai ganhando confiança em si e fazendo o necessário para depois ser merecedor da sabedoria de Grayskull. Ele cativa e de um modo genuíno, prende a atenção do público que depois cria empatia e ligação pela personagem. Uma coisa é certa! Pelo poder de Grayskull, Adam tem o poder!

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Pictures Films

A história em si não é ambiciosa e não é levada a sério. Infelizmente, faltou desenvolvimento nas personagens, principalmente do protagonista. É que não se soube grande coisa sobre os anos em que ele passou na Terra, o que aprendeu e como chegou à sua idade adulta e ao momento em que o encontramos no presente.

Em relação ao seu lado mais cómico e ridículo, nem sempre acerta. Claro, que existem momentos de humor com saídas bastantes engraçadas. Mas, depois também temos outros menos frequentes que acabam por ser forçadas e/ou piadas secas. E que nem sempre combina com o que está a acontecer. Num geral, tem uma boa capacidade de gozar com o seu próprio mundo e incluindo piadas que realmente resultam.

Adicionalmente, também poderá haver uma divisão a nível de opiniões e acredito que poderá mesmo não agradar a todos.

Mas mesmo assim, dá para ver que é feito com carinho e respeito pelos admiradores do franchise. E para alguns, poderá oferecer uma certa sensação de nostalgia perante o original.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Então, Masters Of The Universe faz-nos sair da nossa realidade e simplesmente, tem uma magia única em cativar e atrair quem está a ver. E naturalmente, cria vontade em querer acompanhar mais a jornada de cada uma das personagens.

Além disso, este filme composto por um elenco competente e cores tão vivas é puramente generoso com tudo aquilo que nos entrega. Pelo design de produção, pelas cenas de ação com algumas coreografias de lutas criativas e pela música fenomenal que fica no ouvido. Pelos bons efeitos visuais e pelos cenários maravilhosos construídos ao detalhe e ainda, figurinos que encaixam tão bem. E até pela própria mensagem bonita que transmite, principalmente em termos de comunicação que também proporciona momentos de maior emoção. A comunicação é vital para a relação entre cada um e às vezes, pode vir a evitar muitos conflitos.

Divulgação: Sony Pictures Portugal e Big Picture Films

Masters Of The Universe é uma excelente fonte de entretenimento, onde o tempo voa e cria interesse em ver mais. Possui uma boa dose de paródia, ironia, estranheza, silêncios desconfortáveis, explosões e mitologia. Sinceramente, eu acho que merecia mais reconhecimento. E cumpriu com o objetivo de trazer um mundo maravilhoso e vibrante à realidade, envolvido em bondade e esperança e entregando assim, ao espetador, uma jornada descontraída em live-action a partir de um conjunto de histórias de banda desenhada e de animação que têm feito parte da vida de muitas pessoas.

Por isso, não vão com expetativas e vejam, sejam fãs deste mundo ou estejam a descobri-lo pela primeira vez. E no maior ecrã, juntem-se a esta aventura de fantasia por um universo muito rico e com ainda, muito potencial para dar. 


segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Filme "Together" - o que esperar desta produção independente de body horror

 

Depois da sua estreia mundial na edição de 2025 do Festival de Cinema de Sundance, Together realizado por Michael Shanks chega a Portugal.

Este filme independente é protagonizado por Dave Franco e Alison Brie e promete impressionar no género de filmes de terror, através de uma ousada e visceral incursão no universo do body horror.

Nesta narrativa, Tim e Millie (Dave Franco e Alison Brie) encontram-se numa encruzilhada na sua relação quando se mudam para o campo, abandonando tudo o que lhes é familiar, exceto um ao outro. Com as tensões já exacerbadas, um encontro com uma força misteriosa e sobrenatural ameaça corromper as suas vidas, o seu amor e os seus corpos.

Temos aqui um casal que já está junto desde 2017 e que estão à procura de um recomeço. Isolados no campo, longe de tudo o que conhecem, as personagens enfrentam tensões crescentes e as fundações da sua relação começam a abalar, devido a uma presença inexplicável. Assim, nesta perturbadora narrativa, a química entre os protagonistas é levada ao limite, numa história onde o amor, o isolamento e o horror se fundem de forma inquietante.

Automaticamente, quando começamos a assistir à mudança de um casal para um local totalmente remoto, significa que muito provavelmente, algo irá correr mal. De um certo modo, acaba por tornar-se previsível, pois o que não falta são filmes a iniciarem com esse tipo de premissa. Mas, no entanto, o desenvolvimento em si já não é tão semelhante.

Cada vez se torna mais difícil de criar filmes de terror que possam trazer algo de novo, enquanto os fãs acabam por ser mais exigentes naquilo que têm interesse em receber. Contudo, nesta produção independente não convencional deu para entender desde o início que quiseram arriscar naquilo que queriam entregar.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Together é uma aposta acertada no universo do body horror que tem a capacidade de surpreender nas cenas que vão sendo apresentadas, principalmente a nível de efeitos visuais. O desenvolvimento da história prende a atenção de quem está a ver, pois a pessoa fica curiosa em como será o desenrolar de cada uma das cenas, principalmente em relação à criatividade que podem apresentar em termos de fusão do corpo humano.

Para além disso, gostaria de ter visto mais destaque ao lado mais sobrenatural do enredo, que pareceu-me ser uma lenda que ainda não tinha sido muito abordada em produções do género. Em vez disso, o foco foi mais dedicado à tensão constrangedora, toxicidade e dinâmica que faziam parte do relacionamento deste casal e à dependência que ambos sentiam entre si. E a história em si também poderia ter sido mais assustadora, não deixa de ter os seus erros e alguns dos seus diálogos poderiam ter sido mais naturais.

Este filme não é para todos, pois existem cenas mais intensas que podem fazer impressão a alguns e até serem perturbadoras. Mas, mesmo assim, é entregue um conteúdo diferente e mais inovador para este género que é acompanhado por uma boa escolha na banda sonora, no qual torna-se interessante e por vezes, estimulante para o espetador assistir.

Se estiverem à procura de um filme de body horror fora do comum, então Together poderá ser uma boa opção para ter uma experiência mais bizarra e emocional, mas que no final acaba por ser particularmente original e estranho no bom sentido.