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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Supergirl - o que esperar da heróina kryptoniana protagonizada por Milly Alcock (Crítica)

Depois de várias adaptações da heroína kryptoniana, chegou o momento de conhecermos a Supergirl protagonizada por Milly Alcock.

Este filme realizado por Craig Gillespie é baseado na aclamada série de banda desenhada “Supergirl: Woman of Tomorrow” de Tom King e Bilquis Evely. O argumento é de Ana Nogueira.

Para além de Milly Alcock no duplo papel de Supergirl/Kara Zor-El, o elenco é composto por Eve Ridley como Ruthye Marye Knoll, Matthias Schoenaerts como o vilão Krem of the Yellow Hills, Jason Momoa como Lobo, e David Corenswet, que está de volta com o papel de Superman. Emily Beecham e David Krumholtz também fazem parte, interpretando os pais de Kara, Alura e Zor-El.

Nesta narrativa, quando um adversário implacável e inesperado atinge algo demasiado próximo de casa, Kara Zor-El, também conhecida como Supergirl, une forças, ainda que com relutância, com uma companheira improvável numa jornada épica e interestelar movida por justiça e vingança.

Nesta ameaça, Kara não responde com discursos inspiradores. Responde com raiva, com atitude e com música alternativa a tocar de fundo.

Kara Zor-El não é o Superman. Não é aquilo que a pessoa esperava. Mas ela não quer saber da opinião de ninguém. Supergirl tem superpoderes, um cão adorável e uma bagagem emocional que nenhum cabo de aço consegue segurar. Cresceu com o peso de um nome impossível de carregar, numa galáxia que espera que ela seja perfeita — e decidiu que não.

Antes de tudo, esta é considerada como uma história de crescimento, de identidade e de uma rapariga que está a descobrir quem é enquanto salva o universo.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

O ponto de vista referido de seguida, não terá comparações com o material original pelo qual foi baseado. Como não vi, a minha opinião será de acordo com aquilo que foi apresentado neste filme.

Esta nova visão de Kara Zor-El foi inicialmente apresentada no filme mais recente do Superman que introduziu David Corenswet no papel deste super-herói. Mesmo que tenha aparecido por breves instantes, Kara Zor-El cria imediatamente uma vontade para se conhecer melhor a sua jornada, acompanhada pelo seu adorável cão Krypto.

Apesar de não ter grandes expetativas iniciais e de ter assistido a outras adaptações de Supergirl, tinha curiosidade em ver se teríamos algo refrescante ou até mais do mesmo.

Desta vez, temos uma Kara Zor-El dura e imprevisível com os seus traumas, destroçada, perdida e ainda, com dificuldades em encaixar-se, depois de ter sido obrigada a fugir do seu lar. Mesmo com o apoio do seu primo, Kal-El, a sua adaptação tem tido os seus desafios e parecia que a sua solução seria viajar por diferentes planetas. E embebedar-se naqueles, em que ela não tinha poderes para que assim, pudesse sentir algo.

Ela até podia ter sobrevivido à queda de Krypton. Porém, decidiu que não iria dar satisfações a ninguém, nem vestir a capa e assim, não salvaria ninguém.

Um dia, ela conhece Ruthye Marye Knoll, uma rapariga que tinha acabado de perder os pais e com uma sede de vingança para encontrar o culpado. Por isso, estava decidida a fazer justiça pelas próprias mãos.

Acrescentando a isso, o seu amor de quatro patas corre risco de vida e só ela o pode salvar. Será que é desta que Kara Zor-El vai sair da sua bolha de auto-destruição? E finalmente, seguir o caminho que era suposto?

Divulgação: Warner Bros. Pictures e Cinemundo

Supergirl é daqueles filmes de super-heróis que é dinâmico, tem momentos de ação na dose certa e que vai entreter. Mas, falta-lhe a capacidade de transmitir emoção e de desenvolver as suas personagens, principalmente em relação à protagonista. Pessoalmente, esperava que fosse uma história com um tom mais emocionante. Até porque é abordado um dos traumas da Supergirl. E infelizmente, são percetíveis os erros no argumento e muitas das personagens seriam facilmente descartáveis.

Tanto Milly Alcock, como Jason Momoa fizeram um trabalho bastante competente e aproveitaram ao máximo, a partir daquilo que lhes deram. E dessa forma, conseguiram prender a atenção do público. Cada um à sua maneira.

No caso de Milly Alcock, ela fez uma boa performance desta heroína kryptoniana, onde temos a possibilidade de conhecer brevemente mais camadas da sua personalidade, principalmente os efeitos que os seus traumas têm tido nas suas escolhas mais recentes. E como ela tenta não se importar com nada, mas na realidade, não é bem assim.

Vemos uma visão bem diferente daquilo que já nos foi mostrado noutras adaptações, sendo que mesmo assim, acaba por complementar muito pouco à sua história. E isso, também foi devido a não ter existido aqui um grande desenvolvimento da personagem.

Divulgação: Warner Bros. Pictures e Cinemundo

Uma das partes que mais apreciei neste filme foram as cenas partilhadas entre ela e o Krypto que elevaram mais a história. Acho que se tivessem adicionado mais cenas entre ambos e do próprio Krypto, então teria sido, sem dúvida, uma mais-valia.

Além disso, há que também realçar as cenas protagonizadas por David Corenswet, como Superman. Ele adiciona um lado mais ternurento e traz de volta, a ligação e a preocupação genuína de Kal-El com Kara Zor-El.         

Já em relação ao Jason Momoa, ele dá vida ao implacável caçador de recompensas com o nome de Lobo. Uma personagem bastante interessante, onde em cada cena em que participa, ele é a estrela. E dá mesmo para se perceber que o ator se estava a divertir muito neste papel. Teria sido benéfico, se ele tivesse surgido mais vezes no ecrã. Agora, é esperar que possamos ter mais oportunidades para vê-lo como Lobo.

Supergirl tinha potencial para se tornar num grande destaque, mas o seu produto final acaba por ser nada de especial. E poderá correr o risco de vir a se tornar num filme que vários espetadores acabam mesmo por esquecer.

Mesmo assim, isso não tira a vontade de querer continuar a acompanhar as aventuras de Supergirl na companhia de Krypto e ainda, a partilhar o ecrã com o Superman.

De seguida, partilho a minha crítica mais resumida deste filme que está disponível na conta de YouTube do A Geek Traveller.



sábado, 17 de setembro de 2022

Série "See" da Apple TV+ com Jason Momoa - um mundo inovador que traz pontos de reflexão bem interessantes

 

A série pós-apocalíptica de êxito global See tem sido uma das apostas da plataforma da Apple TV+ que estreou recentemente a sua terceira e última temporada com oito episódios, terminando assim, a história protagonizada por Jason Momoa e criada por Steven Knight.

Além de Jason Momoa (Baba Voss), o elenco é constituído por Sylvia Hoeks (Sibeth Kane), Hera Hilmar (Maghra Kane), Christian Camargo (Tamacti Jun), Archie Madekwe (Kofin), Nesta Cooper (Haniwa), Tom Mison (Lord Harlan), Olivia Cheng (Charlotte), Eden Epstein (Wren), Michael Raymond-James, David Hewlett, Trieste Kelly Dunn, Alfre Woodard (Paris), Dave Bautista (Edo Voss), Joshua Henry (Jerlamarel) e Yadira Guevara-Prip (Bow Lion).

Uma história que mistura drama com ação, ficção científica e aventura, desenrolando-se num futuro brutal e primitivo, centenas de anos depois da humanidade ter perdido a capacidade de ver. Como isso aconteceu, a humanidade teve de encontrar novas maneiras de interagir, construir, caçar e principalmente de sobreviver. Porém, tudo muda quando num dia uns irmãos gémeos nascem com este sentido.

Um evento catastrófico ocorreu quando mais de metade da população mundial foi exterminada por um vírus, enquanto aqueles que sobreviveram perderam completamente a visão. Assim, a perda deste sentido acabou por ser passada nas gerações seguintes, fazendo com que a humanidade tivesse de encontrar novos modos de sobrevivência.

Pode conter spoilers!

Divulgação: Apple TV+

Baba Voss é um guerreiro nato, determinado, destemido e líder da tribo Alkenny, mas também é o irmão de Edo Voss e o pai adotivo de Kofun e Haniwa, crianças bem especiais que nasceram com a habilidade de verem e que irão ter um impacto importante no futuro deste universo. Ele fará os possíveis para proteger e garantir a segurança da sua família e tribo dos caçadores de bruxas e outros inimigos. Esta história também mostra o amor de um pai e tudo aquilo que é capaz de fazer para proteger a sua família. Infelizmente em determinadas situações, Baba está na realidade a colocá-los em mais perigo.

Além disso, é pertinente ver em determinadas situações como apesar de ser cego, o Baba se movimenta lentamente não só para ouvir onde está o seu adversário, mas também para esconder a sua própria localização.

Apesar de vermos um lutador violento, selvagem, eficaz e muitas vezes age com cautela, Baba Voss também tem os seus momentos mais vulneráveis e um lado mais humano que teremos a oportunidade de acompanhar com aqueles que ele mais ama.

Divulgação: Apple TV+

Como não podia ter filhos, este protagonista decide tomar conta e criar as crianças de Maghra como suas. Quando Maghra foi deixada por Jerlamarel (o pai biológico das crianças), ela conheceu Baba Voss e como precisava de proteção acabou por se casar com ele e juntou-se à tribo Alkenny. Será que Baba Voss vai colocar todos em risco de vida por causa do segredo que este novo casal esconde? Uma coisa é certa! Baba irá ter uma jornada difícil pela frente e cheia de obstáculos!

Jason Momoa encaixa-se completamente no papel deste protagonista que desempenhou de um modo fantástico e é na minha opinião um dos melhores papéis da sua carreira!

A 1ª temporada acaba por nos introduzir um mundo completamente diferente e original daquilo que já vimos em outras produções, ou seja, um evento catastrófico que neste caso causou a morte de uma boa parte da humanidade e aqueles que sobreviveram ficaram cegos, levando a que tivessem de se adaptar a estas novas circunstâncias. Porém muitos anos depois com o nascimento de duas crianças com o poder de ver, a vida neste universo nunca mais seria a mesma. E por isso, temos a oportunidade de assistir aos efeitos que o surgimento da visão irá ter nesta nova sociedade e como irão lidar com tudo isso.

Divulgação: Apple TV+

Essas crianças são Kofun e Haniwa e filhos de Maghra e Jerlamarel, um homem procurado pela rainha Kane por ter a capacidade de ver e acaba por ser uma ameaça para esta líder, chegando a um ponto que ele tem de estar constantemente a fugir para não ser apanhado. Jerlamarel consegue criar o seu impacto à sua maneira, sendo que acredita que foi escolhido por Deus para trazer de volta a visão ao mundo e considera-se como um tipo de salvador da humanidade. Já Maghra é uma mulher justa que faz tudo o que for preciso para proteger os seus filhos e tem um lado mais frágil com aqueles que ela mais ama, tal como acontece com Baba Voss.   

A pessoa começa a imaginar como será o futuro destas crianças e todos aqueles que nasceram com o dom de ver e aos poucos começamos a observar que são constantemente alvo de preconceitos e perseguidas por caçadores, os Witchfinders e ainda são considerados como bruxos que supostamente mereciam morrer. Será que voltar a existir a visão no mundo é uma bênção ou uma maldição? Será que possuir o sentido da visão terá as suas vantagens?

Divulgação: Apple TV+

Uma coisa é certa, a rainha Sibeth Kane é a irmã mais velha de Maghra e uma governante implacável e detestável do Reino de Payan que não tem misericórdia e mata quem espalhar heresias sobre o tema da visão. Tanto ela como o seu exército de caçadores de bruxas querem eliminar todos aqueles que promovam o conceito da visão e que possuem conhecimentos mais específicos sobre o tema.

Um dos seus principais aliados será Tamacti Jun que é quem lidera este exército, sendo considerado como um soldado leal, brilhante e violento com a missão de encontrar todos aqueles que possuem o sentido da visão. Esta é daquelas personagens que terá um desenvolvimento muito interessante ao longo das três temporadas desta série, mostrando as suas aptidões bem peculiares e tudo aquilo que vai aprendendo com as suas experiências de vida.

Divulgação: Apple TV+

Kofun e Haniwa são os gémeos que nasceram com a habilidade mística de ver e acabam por se tornarem alvos de uma rainha que se sente ameaçada pela presença deles, ou seja, pessoas que conseguem ver. E por isso, ela não vai parar, enquanto não os capturar e eliminar toda a gente que tenha esse dom.

Entretanto, Kofun e Haniwa passam por um processo de aprendizagem diversificada, relativamente aos restantes membros da sua tribo que é utilizarem os livros que continham os conhecimentos que precisavam para aprenderem a ler e a adquirirem novas habilidades. Estes livros cheios de sabedoria eram considerados como uma ameaça direta à própria sociedade atual. Aos poucos, começamos a perceber que cada um deles têm uma visão do mundo completamente diferente. Enquanto Kofun é inteligente e mais cauteloso, Haniwa é uma jovem determinada, forte, orgulhosa e com um lado mais rebelde e curioso sobre o passado do mundo e as suas próprias origens que pode vir a deixá-la em sarilhos.

Divulgação: Apple TV+

Já a segunda temporada é dedicada praticamente ao confronto entre Baba Voss e o seu irmão Edo e com a participação de outros núcleos. Além disso, o protagonista tem de lidar com as consequências dos eventos ocorridos e neste caso precisa de resgatar a sua filha ao mesmo tempo que luta para garantir a sobrevivência da sua família. No entanto, Baba Voss tem um reencontro inesperado que é uma ameaça muito pior que Jerlamarel, pois ele terá de enfrentar o seu irmão, Edo Voss que tem um exército poderoso do seu lado.

Nesta terceira e última temporada já passou quase um ano desde que Baba Voss derrotou o irmão e némesis, Edo e despediu-se da família para viver remotamente na floresta. Mas quando um cientista trivantiano desenvolve uma nova forma devastadora de armamento para videntes que ameaçam o futuro da humanidade, Baba regressa para proteger a sua tribo.  

Para a maior parte das personagens deste universo foram os indivíduos com visão que tiveram a responsabilidade de destruírem o mundo, devido maioritariamente ao uso de tecnologia e a guerras constantes. A existência destas pessoas com o dom da visão eram ameaça suficiente para aqueles que são líderes desta nova sociedade e o que não faltavam eram receios sobre um possível regresso desse mesmo sentido. Este era um tema que se tornou num mito e num autêntico tabu e quem falaria sobre o assunto estaria a cometer um ato de heresia e teria de ser castigado.

Por conta do poder e da fé inabalável, os seres humanos que nasciam com visão viviam sempre com medo, sendo constantemente caçados e eram definidos como serem trabalho do diabo. Por vezes, devido a rumores que iam surgindo haviam pessoas inocentes que acabavam por serem queimadas vivas por serem suspeitas de serem bruxas. Mesmo assim, havia sempre uma vantagem estratégica em ver!

Divulgação: Apple TV+

Este é um mundo que nos apresenta uma civilização completamente distinta daquela que conhecemos nos dias de hoje, onde não existem avanços tecnológicos, mas sim maneiras diferentes de se expressarem. Esta é uma sociedade nova de cegos com uma forte ligação com a natureza que voltou a construir as suas próprias armas, as suas casas e que caçavam para sobreviverem ou seja, no qual a sua população passou a viver, de acordo com o seu instinto.

Esta é uma civilização com tradições mais primitivas que funciona com regras diferentes e está dependente de sons e cheiros que ganham amplitude para que consigam sobreviver. De uma certa forma é maravilhoso ver a adaptação dos seres humanos às adversidades e ainda terem a arte de se reinventarem, como por exemplo, escrever algo, utilizando nós em cordões. Ainda demonstra a capacidade humana de se superar e até de julgar os outros, pois acabam por seguir os seus próprios instintos. Apesar de serem cegos, os outros sentidos acabaram por serem muito mais desenvolvidos e mais tarde virem a ser bem úteis na sobrevivência de cada um.  

Quem convive com alguém que tenha deficiência visual consegue reconhecer na série diversos elementos que fazem parte, como por exemplo, o sistema de comunicação utilizado que é baseado no tato e a importância que o aumento da sensibilidade dos outros sentidos tem para se sobreviver. É de louvar o facto de fazerem parte tanto no elenco como na equipa técnica, pessoas cegas ou deficientes visuais.

Com esta série é incrível o modo como foi construído um mundo em que a visão não existe há muito tempo, tendo atenção a todos os detalhes e onde observamos como determinadas coisas pertencentes ao passado são apresentadas como se fosse pela primeira vez.

Divulgação: Apple TV+

Até foi criado um estilo de luta único e emblemático para aqueles que não conseguem ver e ainda inclui o uso de espadas, lâminas e muito mais. As cenas de ação e de luta são espetaculares e incríveis de se acompanharem, brutais e muito bem coreografadas e considero como um dos destaques principais desta produção, conquistando o espetador num instante. As lutas apresentadas são completamente de tirar o fôlego e os seus métodos são bem diferentes de tudo o que foi apresentado até agora e o mesmo acontece com as estratégias e técnicas de combate.  

Depois de tantas produções abordarem o tema clássico dos efeitos que surgem após um apocalipse, esta série consegue ter a capacidade de ser inovadora e apresentar uma perspetiva bem inédita e original. Contudo, esta história intrigante com o seu lado mais sombrio e estranho foi uma aposta arriscada e ousada que teve os seus frutos e foi eficaz a contar a sua narrativa, sendo que não faltaram as batalhas sangrentas, guerras, escravos, traições, conflitos, rivalidades, profecias, perseguições, torturas, caos, destruições, manipulações, rumores, conspirações, armadilhas, preconceitos, tensões familiares, intrigas políticas, revoltas, crueldades, mentiras, ameaças constantes, verdades, lealdades, crenças, explosões e muitos segredos que acabaram por serem revelados.   

Divulgação: Apple TV+

Com See foi criado algo completamente novo e inovador que criou uma curiosidade e uma vontade imediata no espetador de querer continuar a ver a história a se desenvolver, onde o tema da religião foi um dos focos. Temos a oportunidade de ver boas interpretações por parte do elenco, vistas exuberantes de diferentes florestas e outros cenários impressionantes, uma fotografia impecável, uma boa escolha na banda sonora e figurinos e ainda contém um genérico bem típico para este tipo de mundo. Apesar de tentar manter o seu bom nível de qualidade acaba por não ser perfeita, porque por vezes as mudanças de ritmo não ajudam e criam mais problemas ligeiros. Porém, não tiram a vontade de continuar a ver a série.   

Este é um mundo pós-apocalíptico envolvido no caos com nações, reinos e tribos que têm receio pelo desconhecido e deixa qualquer um a pensar, pois a pessoa começa a imaginar desde o primeiro momento como seria viver sem um dos principais sentidos que é a visão e que tipo de adaptações teriam de ser feitas para que se consiga sobreviver com a ausência da mesma.

Esta história é inteligente, interessante, intensa e bem pensada, apresentando uma visão totalmente fora da caixa de um mundo distópico que consegue sobreviver de um modo tão natural sem conter algo que nós estamos tão habituados que esteja ali tão presente, chegando a um ponto que nos questionamos em como estas pessoas têm talentos tão fantásticos de construção de armas sem precisarem de ver ou como conseguem lutar tão bem contra os seus adversários, utilizando apenas outros sentidos. E também nos faz refletir em como seria o nosso mundo se existisse a falta de visão e se tínhamos a capacidade de nos adaptarmos ao que estava disponível como fizeram as personagens da série ou até de nos comunicarmos de maneira diferente.

Divulgação: Apple TV+

See é uma das séries mais caras dos últimos tempos que merece o seu reconhecimento. É bem desenvolvida e realizada com o seu suspense e com muita ação que infelizmente não é muito falada. Mas é peculiar e retrata muito bem o preconceito e a cegueira, mostrando a perspicácia que estas pessoas têm em agir mesmo sendo cegas. Num geral, esta produção é bem organizada e consegue envolver quem está a ver e cumprir com aquilo que promete, sendo de acordo com as expetativas que o público cria para esta história e a sua conclusão é profundamente satisfatória e de uma certa forma poética e épica que prende a atenção e está cheia de revelações que a pessoa não vai querer perder.

É uma novidade excelente que vale a pena assistir e conquistou um público que se tornou fiel da história e das suas personagens, apresentando o fim da realidade como a conhecemos num mundo original com pontos de vista únicos sobre a religião, cultura, política e a civilização em si e colocando pontos de reflexão bem interessantes, sendo que nunca foi antes feita desta forma e tem os seus momentos mais impactantes, onde os seres humanos estão numa batalha pela sobrevivência e a aquisição de informação importante pode ser poderosa neste lugar.