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sábado, 25 de julho de 2020

Série "Cursed" da Netflix - Nimue tem uma missão muito importante para realizar, tornando-se na portadora de uma espada misteriosa e na Rainha dos Fey



A série original Cursed é uma das principais apostas da Netflix para este ano, em que o próprio trailer criou expetativas para os admiradores das lendas do Rei Arthur e onde estreou recentemente nesta plataforma. Sendo constituída por 10 episódios, esta é baseada num romance escrito por Tom Wheeler e com a ilustração de Frank Miller, nos quais também têm o papel de produtores executivos e criadores da mesma.

 

Nimue (Katherine Langford) é uma jovem que vive numa aldeia, mas que não é bem aceite pelos outros, devido aos poderes que tem e por não ter a capacidade de os conseguir controlar. Um dia, a sua aldeia é atacada pelos Paladinos Vermelhos e a sua mãe dá-lhe uma missão muito importante que é entregar uma espada poderosa ao feiticeiro Merlin (Gustaf Skarsgård). Durante a sua jornada, Nimue vai passar por vários obstáculos e conhecer os aliados que serão fundamentais para que consiga proteger o seu povo da extinção, mas não será um caminho nada fácil de percorrer, principalmente quando cruza-se com um humano jovem chamado Arthur (Devon Terrell).


O elenco é constituído por Katherine Langford (Nimue), Devon Terrell (Arthur), Gustaf Skarsgård (Merlin), Daniel Sharman (The Weeping Monk), Sebastian Armesto (Uther Pendragon), Lily Newmark (Pym), Shalom Brune-Franklin (Sister Igraine), Bella Dayne (Red Spear), Matt Stokoe (Gawain), Peter Mullan (Father Carden), Emily Coates (Sister Iris), Polly Walker (Lady Lunete), Billy Jenkins (Squirrel), Adaku Ononogbo (Kaze), Catherine Walker (Lenore), Jóhannes Haukur Jóhannesson (Cumber – The Ice King), Sofia Oxenham (Eydis), Clive Russell (Wroth the Tusk Commander), Sophie Harkness (Sister Celia), Zoe Waites (The Widow), Andrew Whipp (Jonah), Nickolaj Dencker Schmidt (Dof) e Peter Guinness (Sir Ector).



Esta é uma série que não aborda as lendas do Rei Arthur da forma que estaríamos à espera, pois neste caso é contada, segundo a perspetiva de Nimue, que está destinada a tornar-se na mítica Lady of the Lake (Senhora do Lago em português). Esta apresenta um lado bem diferente daquilo que já lemos e vimos, seja na apresentação das respetivas personagens icónicas da história, que têm um passado diferente do original.

 

Esta é uma história mais dirigida para um público mais juvenil, dando para perceber na forma como a mesma vai sendo estruturada, ao longo dos episódios, onde a série aproveitou a sua liberdade criativa para fazer mudanças significativas neste universo que é tão conhecido pelo público. É uma nova invenção da lenda do Rei Arthur, que tem um lado mais moderno e não tão sério a nível de argumento.

 

O livro As Brumas de Avalon da norte-americana Marion Zimmer Bradley é um exemplo que conta estas lendas, segundo uma perspetiva feminina, considerado como um sucesso autêntico, desde que foi publicado no início dos anos 80.

 

Nimue é uma personagem que tem tido funções diferentes nas adaptações já existentes, onde ela protege e tem uma ligação forte com uma espada denominada por Excalibur, acabando por vir a entregar ao merecedor Arthur, mas neste caso, ela tem um papel muito mais significativo.



Desde muito nova, Nimue é uma jovem que manifesta poderes com uma intensidade bem superior ao que se esperava, mas ela considera que isto não seja um dom, mas sim, uma maldição que a permite aceder a forças obscuras poderosas, depois de ter sido atacada por um demónio. Mesmo assim, ela é eleita por uns seres místicos da floresta denominados por Ocults (Ocultos, em português), para ser a nova líder da sua comunidade, mas ela não concorda e tenta fugir ao seu destino.

 

Um dia, a sua aldeia é atacada pelos Red Paladins (Paladinos Vermelhos em português), onde consegue sobreviver, mas infelizmente presencia o assassinato da sua mãe Lenore pelas mãos de um destes soldados. Por isso, Nimue entra numa jornada perigosa, onde irá fazer os possíveis para cumprir a promessa que fez à sua mãe de entregar uma espada misteriosa a Merlin, que poderá salvar o futuro do seu povo, através da união que a espada pode criar entre as diferentes comunidades que vivem em diversos reinos.


 

Sendo Nimue, a protetora da Sword of Power ou Espada do Poder, em português (referência à lendária Excalibur) e a futura líder de uma revolução faz com que ela torne-se num alvo, tanto por Reis como pela própria Igreja, que querem adquirir esta espada, a todo o custo. Assim, temos uma lista vasta de inimigos que querem ter a espada para os seus próprios planos que não chegam a ser revelados e Nimue estará num perigo constante, para evitar que a espada possa vir a cair nas mãos erradas.

 

Inicialmente, Nimue foi toda a sua vida ignorada, atacada e humilhada pelos outros, acabando por ser abandonada pelo seu próprio pai. Ela é uma rapariga impulsiva e insegura, que não acredita em si própria, tendo muito por amadurecer, em que as pessoas da sua aldeia têm medo do quanto poderosa ela é. Assim, ela ainda não se sente preparada para seguir o seu destino e para além disso são muitos os obstáculos que terá de ultrapassar para cumprir com a sua missão.


 

Após ter morto uma alcateia com uma espada poderosa, Nimue começa a ficar conhecida como a Wolf Blood Witch (Bruxa de Sangue de Lobo, em português) e a sua história começa a chegar a todos os pontos do reino, conseguindo adquirir cada vez mais seguidores para a sua causa.

 

Ao longo dos episódios, ela passa por alguns momentos de insegurança, ao mesmo tempo que tenta ser corajosa quando enfrenta os seus inimigos ou está em perigo mortal, utilizando os seus poderes e a própria espada. Mesmo assim, Nimue terá de ter cuidado, pois a Espada do Poder é muito misteriosa e considerada amaldiçoada por muitos, nos quais é constituída por poderes inexplicáveis, que pode levar ao seu portador a ter momentos de pura obsessão e loucura.


 

Durante esta jornada, Nimue conhece um mercenário problemático chamado Arthur que torna-se no seu companheiro de viagem e acaba por ajudá-la no que for necessário para cumprir a missão de encontrar Merlin e entregar-lhe uma relíquia sagrada.

 

Esta rapariga precisa de viajar por terras desconhecidas para descobrir a sua própria identidade, ao mesmo tempo que tenta cumprir a promessa que fez à sua mãe, tornando-se mais tarde, na Rainha e líder da revolução da comunidade Fey, que são seres mágicos com poderes, que por vezes podem ser confundidos como humanos e onde a magia corre dentro de cada um.


 

Um dia, Nimue desloca-se ao esconderijo onde estão os Fey ou seja, uma espécie de povo das fadas, que sobreviveram aos ataques dos Paladinos. Ela torna-se num símbolo de esperança na luta contra os Paladinos Vermelhos e o Rei Uther, pois isso, também é importante que ela inspire o povo com a sua voz e através de ações e eu acho que houve pouco disso a acontecer. Eu acredito que ela tentou sempre fazer o que achava que é certo para proteger e salvar o seu povo de uma possível extinção, mas nem sempre tomou as melhores decisões, acabando por sofrer as consequências dos seus atos e diminuindo as hipóteses dos Fey sobreviverem.

 

O desenvolvimento de Nimue não é feito da melhor forma, principalmente na sua aprendizagem, seja a controlar os seus poderes ou na jornada que precisa de percorrer para tornar-se na líder nata que o seu povo precisa. Para além disso, também falta um pouco mais de brilho e capacidades de luta e ação na Nimue, que são fundamentais não só para a história, mas também para a importância da própria personagem.

 

Infelizmente, não dão espaço suficiente para que a Nimue possa desenvolver as suas capacidades para que depois possa metê-las em ação, de um modo muito mais realista e não tão artificial e forçado, como ocorreu em determinadas situações. Por isso, eu acho que a Nimue necessitava de mais tempo para se preparar e assim aprender a segurar e a lutar com uma espada, de uma forma eficiente e coordenada, fazendo com que as suas cenas de ação fossem muito mais interessantes e bem realizadas.


 

Arthur é um mercenário que apaixona-se por Nimue, tem capacidades boas para lutar com espadas e quer recuperar a honra da sua família. Neste caso temos um Arthur que tem um passado diferente da sua lenda e vemos uma perspetiva bem diferente desta personagem, nos quais achei que houve algumas falhas na sua interpretação, muito devido a não ter surgido a oportunidade de explorar muito mais sobre a mesma. Para além disso, eu considero que não houvesse muita química entre ele e Nimue, sendo que o romance entre os dois poderia ter sido introduzido e abordado mais tarde, pois nesta altura não achei que tivesse sido muito relevante para a história.

 

Será que Arthur é um mero mercenário ou será que terá um futuro brilhante pela frente?

 

A performance de Arthur ficou abaixo das expetativas esperadas para uma personagem tão marcante que tanto ficou na nossa memória, sempre que ouvimos falar da lenda do Rei Arthur.

 

Infelizmente, este Arthur não consegue transparecer a personalidade que tanto o caracteriza nesta lenda e por isso não me conseguiu conquistar da forma que outras versões o fizeram.


 

Merlin é daquelas personagens lendárias que continuam a ser interessantes, mesmo que tenha algumas mudanças significativas, relativamente à história original. Neste caso, Merlin é conselheiro do Rei Uther Pendragon, numa altura que pelos vistos já tinha passado pelos seus tempos mais gloriosos. Ele era considerado como um dos feiticeiros mais poderosos daquela época, mas perdeu as suas habilidades, apesar de ninguém saber.

 

Ele é uma pessoa imprevisível e inteligente, que tem atitudes impulsivas e está constantemente bêbado e perdido, sem saber qual é a sua missão atual. Ao mesmo tempo também sofre de rumores que espalham-se pelo reino de que perdeu a sua magia e já não era tão poderoso quanto foi no passado. Assim, acabamos por ver um Merlin sem magia, um pouco desleixado, mas que é divertido à sua maneira, continuando a aconselhar um Rei, sem precisar de usar os seus poderes.


Apesar de Merlin ter perdido os seus poderes, isso não significa que não tenha planos para pôr em prátca. 

 

Gustaf Skarsgård faz uma ótima interpretação desta versão do Merlin, dando um certo carisma à personagem e trazendo um lado muito mais divertido para a mesma.


 
Nesta história, a religião acaba por ser abordada, sendo que alguns tipos de ódio, raiva, dor e devoção são partilhadas e também podemos ver os tipos de preconceitos existentes, seja no caso do povo de Nimue tem por ela, devido ao medo que têm dela ou mesmo através do ódio que os Paladinos Vermelhos têm perante os Fey.

 

Os Paladinos Vermelhos são um exército de monges guerreiros cristãos liderados pelo Padre Carden, que têm como principal objetivo, acabar com todas as comunidades que sejam diferentes, como por exemplo, os Fey (povo das fadas), ou seja, querem eliminar todo o tipo de criaturas mágicas e assim, conseguir extinguir com a magia existente na terra. Estes utilizam a sua própria religião como justificação para cometerem atos terríveis.

 

O Padre Cadarn é um bom vilão, onde constantemente vai mostrando o quanto cruel é seja com os seus inimigos ou com mulheres e crianças inocentes. Ele considera que na guerra não pode haver misericórdia, pois está nesta luta a fazer o trabalho, em nome de Deus e assim, espalhar a sua religião do cristianismo, livrando o mundo de seres que não são humanos.


 

Uma das armas mais letais dos Paladinos Vermelhos é o The Weeping Monk (Monge Chorão em português). É um monge guerreiro e assassina que contém lágrimas no rosto e que luta de uma forma perspicaz como se fosse um ninja.

 

O Monge Chorão é uma pessoa muito misteriosa, com segredos por desvendar, nos quais as reviravoltas à volta desta personagem são bem empolgantes. Ao longo dos episódios que aparece, consegue-se perceber que ele tem uma dor profunda com a qual tem de lidar mais cedo ou mais tarde e também tem uma grande devoção pela sua missão, mas chega a um momento que ele não sabe se está a fazer o mais correto.


 

Este monge tem habilidades extraordinárias não só com a espada, mas também em encontrar os Feys, nos quais não se percebe como consegue caçar estas criaturas mágicas, da forma que o faz. Ele tem cenas bem interessantes, seja nas suas cenas de luta e ação ou mesmo através do seu silêncio, que vai transmitindo emoções ao público, cativando o mesmo.

 

Daniel Sharman faz uma boa performance desta personagem que vai criando curiosidade ao espetador, ao mesmo tempo que dá a entender, a sua importância cada vez mais vital na história.

 

As cenas de luta poderiam ter sido bem melhores, mesmo que as minhas favoritas tenham sido desempenhadas pelo Daniel Sharman, em que estava à espera que este tivesse estado mais presente nos episódios. Há partes que parece que este tipo de cenas são mais artificiais e que nem sempre a filmagem em câmara lenta funcionava da melhor forma. 

 

Ao longo dos episódios, as personagens vão passar por alguns desafios, mostrando assim, a sua coragem para lutarem e também podemos ver Nimue a ter ao seu lado para apoiar, um grupo de personagens femininas igualmente fortes e corajosas, disponíveis para fazerem o que é certo.


 

 

Um dos exemplos é a Irmã Igraine, nos quais Shalom Brune-Franklin interpreta de um modo bem competente, fazendo com que o público tenha curiosidade para saber mais sobre esta versão da personagem, principalmente no seu envolvimento com as artes das trevas, apesar de haver partes que poderiam ser desnecessárias de estarem presentes nesta 1ª temporada.

 

A Irmã Igraine tem os seus próprios segredos que irão fazer toda a diferença na sua jornada, enquanto descobre qual é a sua verdadeira missão, sendo que ela tem um destino muito mais importante do que ela julga.


 
Depois temos a Pym que é a melhor amiga de Nimue, sendo uma rapariga pouco desastrada e atrapalhada, que por vezes não sabe bem o que está ali a fazer, mas acaba por conquistar todos aqueles que estão à sua volta e dando à história um lado mais engraçado.


 

Uma personagem que também achei divertida foi o Squirrel, que é uma criança corajosa, muito amiga de Nimue que apesar de não ter experiência como guerreiro, quer proteger o seu povo a todo o custo, sem importar-se com as consequências e para além disso, tem as suas falas mais cómicas, principalmente quando tenta humilhar alguns dos seus inimigos. Squirrel acaba por ter como mentor, Gawain ou o Cavaleiro Verde, sendo um amigo de infância de Nimue e tem um papel importante na proteção dos Fey.


 

Esta versão de Uther Pendragon é aquela que menos gostei até agora, sendo uma pessoa irritante e mimada, sem qualquer brilho, sempre que aparece. Depois temos um viking que é o Rei Cumber, tendo como objetivo, obter o trono de Uther, pois considera-se como o herdeiro legítimo do mesmo. Por um lado, eu achei que foi interessante incluírem os vikings e as suas invasões nesta história que acabam por empolgar mais o lado da ação, por outro eu acho que foram introduzidos na altura errada, nos quais nem sempre fazia sentido, estarem presentes, em determinadas cenas.

 


Nem todas as personagens foram desenvolvidas da melhor forma e por vezes pareciam meros figurantes com poucas falas, como por exemplo, a irmã Iris que parecia um pouco perdida e deslocada deste argumento, nos quais considero que a sua jornada não foi bem construída. Para além disso quando existe uma certa evolução numa determinada personagem, mas infelizmente, essa é realizada de um modo muito mais lento, quando poderia ter sido a um ritmo mais intermédio, sem que houvesse grandes pressas.

 

Na minha opinião há determinadas cenas que são excessivas e que não deveriam ter sido introduzidas nesta altura inicial da história, mas quem sabe explorar mais numa eventual 2ª temporada, pois fariam muito mais sentido se fossem abordadas muito mais para a frente. Eu acho que deveriam ter incluído partes muito mais empolgantes para o espetador, com o objetivo de o cativar, aumentando cada vez mais a sua curiosidade em querer saber mais sobre a história.


 

Também poderiam ter aproveitado muito mais as personagens que estão incluídas na história e são tão carismáticas para o público, como por exemplo, o Merlin ou mesmo o Arthur.

 

É muito importante que tenha muita atenção à história, pois tem uma lista extensa de personagens que pode confundir o espetador relativamente à origem e à missão de cada um, pois é fornecida de repente, demasiada informação para uma só temporada. Assim, eu acho que em alguns episódios, a pessoa sente-se um pouco perdida e fica com a sensação que falta algo, porque há muita coisa a acontecer ao mesmo tempo.


 

Infelizmente, nem todos os episódios são constituídos por um bom ritmo, onde nem sempre há um equilíbrio do mesmo e nem todas as interpretações estiveram bem, que eu acredito que tenha sucedido, devido a falhas no argumento.

 

Ao contrário de outras adaptações, neste caso não sabemos em que época decorre a história ou em que reino tudo acontece, criando uma certa dúvida no espetador e também, alguns dos diálogos não são feitos, de acordo com uma pessoa que pudesse viver naquela altura medieval.


Apesar de conter cenas interessantes da pessoa acompanhar, a história continua a ter alguns problemas no seu argumento, que infelizmente nem sempre é sólido, perdendo um pouco o ritmo e levando a que possa diminuir a própria qualidade da série.


 

A série não trouxe batalhas emocionantes misturadas com uma quantidade considerável de magia e isso foi algo que senti muita falta de ver neste tipo de histórias de fantasia. Estas batalhas aconteciam poucas vezes, de um modo muito rápido e nem sempre foram bem coordenadas, nos quais mostrou situações que parecem improváveis de acontecer. Também acabamos por ver mais sangue e violência do que o habitual, relativamente às versões que já foram feitas destas histórias.

 

Eu achei interessante a forma como as cenas eram separadas umas das outras, através de animações relativamente semelhantes às de banda desenhada e dá para ver aqui o toque de Frank Miller. Também o genérico da série é muito bem feito, seja nas cores, nos próprios movimentos ou mesmo na sua identidade visual e as florestas são representadas de uma forma bem próxima aos contos de fadas, onde vemos uma certa simplicidade e beleza à volta deste local.



Por vezes, os efeitos visuais têm uma falta de equilíbrio de umas cenas para as outras, mas considero que são relativamente simples e competentes quando são introduzidos, de um modo bem leve, sem qualquer tipo de complexidade, mesmo que não estejam na lista dos melhores que eu já vi até agora, e a banda sonora está mesmo muito bem inserida para o tipo de história que é.

 

Sendo uma história tão clássica e ambiciosa que traz personagens tão tradicionais que é difícil a pessoa não se cativar, mas infelizmente neste caso, isso aconteceu em alguns episódios desta série, mesmo tendo os ingredientes necessários que poderia vir a interessar o espetador, desde o início até ao fim. 



Eu também acho que é muito interessante e importante incluir cada vez mais personagens femininas como as heroínas da história, sem precisarem da ajuda de ninguém, mesmo que tenham aliados disponíveis para o fazer. Por isso, eu gostaria de ter visto mais sobre a aprendizagem, as aventuras e a jornada mais pormenorizada da Nimue.

 

Esta série é uma versão peculiar e moderna da lenda do Rei Arthur contada a partir da perspetiva de Nimue e é sempre interessante de ver as aventuras de Merlin, Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, tais como Gawain, Lancelot e Percival, mesmo que sejam representações novas destas personagens tradicionais e tão icónicas nesta lenda. Para além disso, também existe uma grande diversidade de etnias no elenco desta série que sempre é um ponto positivo, quando queremos criar algo mais moderno.

 

Considero que seja uma história contada de um ângulo diferente, mas ao mesmo tempo interessante para quem é admirador destas lendas revolucionárias do Rei Arthur. Também é constituído por momentos intrigantes que surpreende o público na forma como a história vai-se desenrolando ao longo dos episódios.


 
Cursed é uma série de fantasia com os seus altos e baixos e não deixa de ser interessante à sua maneira, sendo uma versão completamente diferente daquilo que já estamos habituados a ver noutras adaptações, pois vemos um lado místico de um modo mais leve e que nem sempre é abordado na frequência que devia ter sido.

 

Para quem gosta de histórias de fantasia, esta é uma boa recomendação, onde temos lutas em climas empolgantes ou vistas bonitas de se ver, que faz lembrar este universo de magia e onde acontecem algumas reviravoltas inesperadas, sendo um bom entretenimento e valendo a pena a maratona. Sem dúvida que acabamos por ver um lado da história do Rei Arthur, constituído por um rumo diferente, mas não deixa de ser interessante, mas acredito que seriam necessárias algumas mudanças para que conseguisse chegar à qualidade que muitas outras versões desta lenda têm tido.

 

Esta história é uma ideia bem inteligente, com uma boa iniciativa e com muito potencial, tendo uma versão mais feminina, mas que eu acho que ainda tem por onde melhorar. Com um universo tão extenso e uma mitologia tão rica, ainda há muito por onde poderiam explorar nesta adaptação, caso tenham a oportunidade de voltar para uma nova temporada.


domingo, 24 de maio de 2020

Série "Medici" - uma das melhores séries históricas existentes sobre o governo de uma das famílias mais poderosas de Florença


A série "Medici" é constituída por 3 temporadas, nos quais a 1ª temporada designa-se por "Medici - Masters of Florence" e as restantes por "Medici - The Magnificent". É uma colaboração feita por italianos e britânicos, nos quais o idioma é em inglês, tendo sido criada por Frank Spotnitz e Nicholas Meyer e também tem Richard Madden como um dos produtores executivos da série. Estreou no canal italiano Rai 1, mas também é transmitido na Netflix em alguns países, tais como, EUA, Canadá, Irlanda, entre outros. Infelizmente não é transmitido na Netflix em Portugal.  

Este é um drama familiar e político, que conta a história da linhagem dos Medici, durante o período em que governaram Florença, em Itália. Irá acompanhar todos os acontecimentos, desafios e dificuldades que cada membro da família dos Medici teve de passar para conseguirem salvar a sua terra e respetivo povo das mãos de diferentes manipuladores, que tinham como principal objetivo, serem eles a governar e adquirir a riqueza da cidade para eles próprios.

Esta série representa a história de uma das famílias mais poderosas da época que fez a diferença em Florença, mas que pelo caminho fez muitos inimigos dispostos a prejudicá-los a todo o custo. Durou quase 3 séculos, onde a sua riqueza foi fundamental para impulsionar a cultura italiana e também foi responsável pelo período do Renascimento. O banco da família Medici nasceu nesta região e tornou-se num dos mais antigos da Europa. 

Nos livros de história nós lemos sobre a família Medici, a responsável pelo Renascimento em Itália e é bem interessante, ver como esta série adapta esta história. 


1ª Temporada: Masters of Medici



Esta 1ª temporada é composta por 8 episódios e desenrola-se em Florença no século XV. 

O elenco é constituído por Richard Madden (Cosimo de Medici), Dustin Hoffman (Giovanni de Medici), Guido Caprino (Marco Bello), Stuart Martin (Lorenzo de Medici), Tatjana Nardone (Emilia), Annabel Scholey (Contessina de Medici), Valentina Bellè (Lucrezia de Medici), Ken Bones (Ugo Bencini), Alessandro Sperduti (Piero de Medici), Michael Schermi (Ricciardo), Daniel Caltagirone (Andrea Pazzi), Lex Shrapnel (Rinaldo degli Albizzi), Sarah Felberbaum (Maddalena), Alessandro Preziosi (Filippo Brunelleschi), Engenio Franceschini (Ormanno Albizzi), Brian Cox (Bernardo Guadagni), entre outros.

Depois de tornar-se banqueiro do Papa, durante o seu reinado, Giovanni de Medici (Dustin Hoffman) morre de forma misteriosa. O seu filho Cosimo (Richard Madden) assume a liderança do banco da família Medici, tendo como seu aliado, o seu irmão Lorenzo (Stuart Martin). São vários os obstáculos que terá de enfrentar, enquanto governa Florença, desde a epidemia da peste, as rivalidades que tem com outras famílias ou pôr em prática, a sua visão para o futuro desta terra e abrir o caminho para o Renascimento.


Cosimo é admirador de arte e arquitetura e gosta de desenhar. Um dos seus sonhos é terminar a construção do Duomo de Florença, mas não será fácil encontrar o arquiteto que terá as habilidades necessárias para o fazer. Para além disso são muitos aqueles que não concordam com a construção do mesmo. Será Filippo Brunelleschi (Alessandro Preziosi) capaz de construir a sua cúpula? 

Ao longo destes episódios podemos acompanhar o período em que Cosimo esteve em exílio em Veneza e as conspirações que foram sendo desenvolvidas contra o poder que a família Medici tem perante Florença e o seu povo. Também podemos ver a altura em que Cosimo financiou uma revolução artística que é visível, quando a pessoa visita a cidade de Florença. 

Richard Madden fez um trabalho exemplar em interpretar esta personagem e representar a sua personalidade com ideias inovadoras e essenciais para colocar Florença no caminho para o período do Renascimento, mesmo com muitas dificuldades pelo meio.


2º e 3ª Temporada:  The Magnificent


Ao longo de 8 episódios, a história decorre 20 anos após os acontecimentos da 1ª temporadas, onde seguimos a vida de Lorenzo de Medici (Daniel Sharman), filho de Piero (Julian Sands) e Lucrezia de Medici (Sarah Parish), que era conhecido como o Magnífico e neto de Cosimo. Em 1460, o seu pai Piero sofre uma tentativa de assassinato e por isso, Lorenzo resolve assumir as responsabilidades como líder da família e do banco Medici. Mais tarde, Lorenzo casa-se com Clarice Orsini (Synnove Karlsen), que será uma aliada fundamental no seu reinado. 

Lorenzo irá reinar Florença de uma forma diferente e de acordo com as suas convicções. Tem um irmão chamado Giuliano (Bradley James), no qual tem uma relação muito próxima e também é amigo de Sandro Botticelli (Sebastian de Souza). Terá pela frente, a gestão do banco da família Medici que não será nada fácil. 

Com o sonho de trazer paz para Florença, o reinado de Lorenzo é diferente do normal, não sendo visto da melhor forma, levando a que tenha como principal adversário, uma família de banqueiros chamada Pazzi, e liderada por Jacopo Pazzi (Sean Bean). Jacopo e o seu sobrinho Francesco (Matteo Martari) vão unir forças com o Papa (Raoul Bova) contra a política da família Medici. E assim, surge uma das famosas conspirações da história de Florença, designada por Conspiração dos Pazzi, com o objetivo de tirar o poder a Lorenzo.


O elenco é constituído por Daniel Sharman (Lorenzo de Medici), Bradley James (Giuliano de Medici), Sean Bean (Jacopo Pazzi), Julian Sands (Piero de Medici), Sarah Parish (Lucrezia de Medici), Synnove Karlsen (Clarice Orsini), Sebastian de Souza (Sandro Botticelli), Alessandra Mastronardi (Lucrezia Donati), Raoul Bova (Papa Sisto IV), Aurora Ruffino (Bianca de Medici), Matilda Lutz (Simonetta Vespucci), Matteo Martari (Francesco de Pazzi) e Charlie Vickers (Guglielmo de Pazzi).


Lorenzo quer impulsionar a cultura italiana, mostrando a beleza da arte, onde Botticelli será o seu principal aliado e acaba por tornar-se num mentor para outros artistas que querem expressar a sua arte. 

As obras de arte não eram vistas da melhor forma, por isso foi difícil para a família Medici contrariar essas opiniões. Por isso aproveitaram a sua própria influência para mostrarem a importância desta cultura, dando oportunidades a artistas de revelarem a sua arte e os seus movimentos artísticos. 

O desempenho de Daniel Sharman na personagem de Lorenzo de Medici é espetacular e brilhante. Está de parabéns, na forma como conseguiu representar uma das personalidades e figuras históricas mais carismáticas daquela época. Foi interessante acompanhar o papel fundamental que Lorenzo teve no Renascimento Italiano.  

Na 3ª e última temporada constituída por 8 episódios, Lorenzo vai ter inimigos como Girolamo Riario (Jack Roth) que não irá descansar, enquanto todos os membros da família Medici estiverem mortos, nos quais será uma luta longa e difícil de vencer. Para além disso, também são adicionadas figuras importantes nesta época, tais como Tommaso Peruzzi (Toby Regbo), que foi um arquiteto italiano que construiu a Villa Farnesina, uma vila de Roma entre 1508 e 1511 e Girolamo Savonarola (Francesco Montanari), um padre que era conhecido pelas suas profecias e destruição de obras de arte e por insistir em mudanças na igreja católica. A personagem Bruno Bernardi (Johnny Harris) também é introduzida nesta última temporada.


O argumento está muito bem elaborado, onde inclui um elenco constituído não só por atores britânicos, mas também por italianos. É constituído por cenários espetaculares e desempenhos incríveis, onde mostra a influência da família Medici naquela época e a sua importância para Florença evoluir da forma que o fez.  

A banda sonora é cativante e um dos pontos positivos da série, nos quais a responsabilidade é de Paolo Buonvino, onde inclui músicas lindíssimas, que ficam no ouvido do público e que vão sendo introduzidas nas partes mais importantes da história. 

A série também tem um genérico muito bem construído, onde inclui a música "Renaissance" e "Revolution of Bones" feita por Paolo Buovino e Skin e também considero que esta foi muito bem escolhida para representar este drama familiar. É daquelas músicas que estabelecem uma ligação com a história da série, sempre que o espetador tem a oportunidade de ouvir. É uma música poderosa cheia de emoção que encaixa perfeitamente nesta história. 

Um dos pontos positivos da série foi a forma como recriaram Florença naquela época. Acredito que tenha sido um desafio grande para David Serge, um dos responsáveis pelos efeitos visuais da mesma. Um dos exemplos, é sem dúvida, o Duomo de Florença, nos quais  foram sendo mostradas imagens da mesma, sem o telhado e a cúpula, pois a mesma foi sendo construída ao longo do desenrolar da história da 1ª temporada. A equipa de efeitos visuais está de parabéns pelo modo que trabalharam ao longo destas 3 temporadas.


A série capta a essência daquilo que era vivido na altura. Dá para ver que há muita paixão envolvida na construção desta série, desde os figurinos, os cenários ou a complexidade necessária para incluir elementos que só existiam naquela época. Foi tudo muito bem representado, onde mostra tanto o requinte como a riqueza da família Medici ou de outras famílias existentes na altura. Toda a cenografia é magnífica, onde mostra a beleza de Florença, durante o século XV e é muito bom admirá-la.

As gravações desta série foram realizadas em vários locais de Itália, tais como Florença, Mântua, Roma, Pienza, Montepulciano e assim mostrar a beleza da região de Toscana. Algumas cenas também foram feitas na região de Val d' Orcia. Por exemplo, o Palazzo Comunale representa a sede do banco dos Medici e o Palazzo Piccolomini representa o exterior do Palácio da família.Também foram utilizados edifícios, como Palazzo Vecchio, a Basilica di San Lorenzo, Palazzo del Bargello, o Battistero e o Duomo. 

Com algumas adaptações narrativas, esta não é uma história totalmente fiel ao original, pois houve situações que nunca se chegou a saber como sucederam na realidade, como o caso da morte de Giovanni e assim, os criadores resolveram escolher um determinado rumo, com o objetivo de envolver o público no mistério. 

Para além disso também ocorreram algumas ligeiras modificações, relativamente ao original, que nem chegamos a dar conta ou alguns pormenores que não estão de acordo com a época em questão. Temos como por exemplo, personagens do sexo masculino terem barba, quando nas suas pinturas da época não o tinham. 


Esta é daquele tipo de histórias que tem expetativas altas, principalmente para aqueles que são historiadores e alguns deles especializados na história desta família. Inclui todos os acontecimentos que foram fundamentais naquela época, onde não ignoram detalhes relevantes para contar a história e os pormenores são muito bem pensados. O importante é que têm atenção aos fatos históricos.

É uma série complexa, no qual o espetador não se perde e é constituída por uma história emocionante, muito bem construída, que envolve relações familiares, traição, ação, arte, conflitos políticos, dilemas, decisões difíceis de serem tomadas, estratégias de todo o tipo e guerras e respetivas consequências para o povo e apesar de ser uma série que não é muito falada, considero que seja uma história com grande qualidade e muito bem feita.  É muito interessante ver a admiração que o povo sente pela família Medici. 

Esta é uma história onde são representados os períodos mais importantes na história italiana e também é uma produção televisiva poderosa e com qualidade suficiente para ser vista por todos. Se gostam de séries históricas, esta é fundamental e imprescindível de acompanharem, pois cativa desde o início até ao fim.