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sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Filme "Bugonia" - o que esperar do próximo projeto de Yorgos Lanthimos protagonizado por Emma Stone e Jesse Plemons

 

Estejam preparados que o próximo projeto de Yorgos Lanthimos não vai deixar ninguém indiferente. Bugonia é o novo filme deste realizador que é o remake de uma comédia de ficção científica sul-coreana, Save the Green Planet!, de Jang Joon-hwan (2003).

Em Portugal, Bugonia estreou na 2ª edição do Tribeca Festival Lisboa no recinto do The Chapel, a Igreja do Convento do Beato que foi transformada numa sala de cinema para receber a exibição de diferentes filmes, tanto nacionais, como internacionais.

Este filme é protagonizado por Emma Stone, Jesse Plemons, Aidan Delbies, Stavros Halkias e Alicia Silverstone.

Toda esta história é desenrolada ao redor de dois jovens obcecados por conspirações que decidem raptar a poderosa diretora-geral de uma grande empresa, convencidos de que ela é uma extraterrestre que pretende destruir o planeta Terra.

A designação de Bugonia também está ligada a uma certa lenda. Falamos de uma referência a uma crença antiga na qual se acreditava que as abelhas nasciam a partir da carcaça de um boi morto.

O que não falta aí são inúmeras teorias da conspiração, sendo que tudo o que envolve extraterrestres e a presença de vida noutros planetas são das mais frequentes.

Desta vez, temos uma reflexão sobre o mundo atual pelos olhos do peculiar Yorgos Lanthimos que tem uma perspetiva muito particular e muita coisa para dizer. E por vezes, aquilo que transmite chega a ser um pouco abstrato e dando assim, a oportunidade ao espetador de ter a sua própria visão daquilo que está a assistir.

Tudo se inicia com a determinação dos primos Teddy (Jesse Plemons) e Don (Aidan Delbies) em provar a existência de extraterrestres no planeta Terra, não importa o custo. Eles estão convencidos que uma raça alienígena está a viver entre os humanos e têm um plano específico para destruir o planeta Terra.

Para comprovarem as suas suspeitas, eles resolvem raptar Michelle (Emma Stone), uma bilionária e CEO de uma farmacêutica muito bem-sucedida que eles acreditam que ela é a representante da espécie extraterrestre. Mas, será que eles estão certos em relação às suas suspeitas e Michelle é realmente uma extraterrestre? Uma resposta que vai ter os seus desafios.

Bugonia é mais uma viagem bizarra e negra com a sua dose de loucura, o seu lado selvagem e deveras excêntrico que possui um humor com um tom muito próprio que é envolvida em conspirações e dilemas morais que questionam muitos temas pertinentes e importantes para a atualidade, sendo que alguns continuam a trazer muita polémica à mistura. À sua maneira, consegue criticar a sociedade atual e a forma como as fake news, a desinformação e as notícias acabam por influenciar como as pessoas olham para o mundo e até prejudicar, principalmente em termos de saúde mental.

Um dos principais destaques vai sem dúvida para a performance, tanto de Emma Stone, como de Jesse Plemons que brilham intensivamente, cada um à sua maneira. O desempenho de Jesse Plemons é uma enorme surpresa, pois vemos um registo diferente dos trabalhos anteriores deste ator, sendo que ele dá vida a um apicultor obcecado pela existência de extraterrestres e como quer provar isso a tudo o custo, mesmo que tenha de ter comportamentos mais selvagens e executar medidas mais agressivas. E ele também está completamente devastado e até convencido de que a empresa liderada pela Michelle é a principal responsável pela diminuição significativa das abelhas. Juntando a isso, esta mesma empresa também feriu significativamente a sua mãe problemática, devido a medicamentos experimentais utilizados para a abstinência de opioides. Por isso, temos aqui um homem que acredita que está a salvar o mundo de uma invasão alienígena e ao mesmo tempo com razões suficientes para ver Michelle como culpada de tudo o que está a acontecer.

Já Emma Stone apresenta uma figura poderosa com uma reputação invejável que é a CEO de uma empresa que tem um impacto global, sendo que ela manipula com distinção, aproveitando as fraquezas e inseguranças de quem a raptou. A sua entrega não é só psicológica, mas também física, onde por vezes basta um simples olhar ou outra expressão corporal para dar ênfase à cena em si.  

Com Bugonia assistimos a um jogo misterioso de poder, tortura e de manipulação psicológica com uma ligeira reviravolta no final, onde nem tudo o que parece realmente é. É envolvido em ironia, delírio e caos e nota-se que é uma crítica ao presente. De uma certa forma, soa como um aviso para a sociedade, mostrando o quanto esta está a destruir extremamente o planeta e o quanto é cada vez mais difícil fazer uma mudança que importa e que deixa uma marca importante.

Yorgos Lanthimos apresenta em quatro atos diferentes a sua assinatura nesta sátira e um método muito próprio que é típico do estilo dele, misturando elementos de drama, ficção científica e suspense com uma comédia mais negra. E não irão faltar momentos absurdos, esquisitos, paranoicos, radicais e exagerados. No entanto, sente-se que falta algo no seu argumento com falhas e por vezes, tem os seus altos e baixos e até chega a perder-se, podendo mesmo dividir opiniões. Mesmo assim, deixa a sua reflexão e é interessante assistir às interpretações de Emma Stone e Jesse Plemons. Além disso, a escolha perante a banda sonora combina muito bem para a história que está a ser contada e às vezes, até tem um lado mais engraçado em determinadas cenas.

Para terminar, A Geek Traveller esteve presente uns dias durante o BFI London Film Festival, onde o icónico Royal Festival Hall também recebeu Yorgos Lanthimos, Emma Stone e Jesse Plemons para apresentar este novo filme que está a dar falar.

A energia e o ambiente foram surreais – um momento único para qualquer fã de cinema! Por isso, partilho com vocês, o vídeo exclusivo da Premiere de Bugonia em Londres.


quarta-feira, 3 de julho de 2024

Kinds of Kindness - o que esperar da nova obra peculiar de Yorgos Lanthimos que é protagonizada por Emma Stone

 

A dupla Emma Stone e o realizador Yorgos Lanthimos está de regresso para mais uma colaboração e desta vez com o filme Kinds of Kindness (Histórias de Bondade, como título em português) da Searchlight Pictures. A estreia mundial foi feita na edição deste ano do Festival de Cannes. Já podem assistir na plataforma de streaming da Disney+.

Para além de Emma Stone, temos no elenco, nomes como Jesse Plemons, Willem Dafoe, Margaret Qualley, Hong Chau, Joe Alwyn, Mamoudou Athie e Hunter Schafer.

Este filme que combina drama com comédia é composto por uma fábula tríptica que acompanha um homem sem escolha que tenta assumir o controlo da sua própria vida; um polícia que está alarmado com o facto da sua mulher, que estava desaparecida no mar, ter regressado e parecer uma pessoa diferente; e uma mulher determinada a encontrar uma pessoa específica com uma capacidade especial, que está destinada a tornar-se um prodigioso líder espiritual.

Divulgação: Searchlight Pictures e 20th Century Pictures Portugal

Yorgos Lanthimos cria três histórias plenamente diferentes que poderiam ser muito interessantes, caso tivessem um tipo de conexão entre elas. Contudo, não foi isso que transpareceu. Garantidamente, cada uma delas tinha a sua peculiaridade, trazendo assim, diversas reações de quem estivesse a assistir.

Já estamos habituados às excentricidades inimagináveis deste realizador que sempre nos surpreende, cada vez que vemos uma das suas obras. E este não é exceção, sendo que neste caso, o seu trabalho singular foi completamente oposto daquilo que sucedeu em Poor Things, fazendo com que dividisse as opiniões de quem vê a um nível superior ao que se esperava. É daquelas narrativas que não vai mesmo agradar a todos e é dirigido a um público muito específico que consiga entender o incompreensível. A pessoa precisa de abrir a mente de tal forma e não ter expetativas para assim, conseguir acompanhar algo incomum que pode por momentos não fazer sentido nenhum.   

Cada uma destas histórias tem o seu próprio impacto, mas não envolve do modo que se poderia estar à espera. É verdade que automaticamente começa a imaginar-se os vários fatores que eram necessários para algo daquele género acontecer, sendo por vezes, mesmo improvável de alguma vez ocorrer na realidade. Mesmo assim, conseguem cada uma à sua maneira, captar a atenção do espetador, ao mesmo tempo que o seu próprio raciocínio está constantemente a ser testado.

Divulgação: Searchlight Pictures e 20th Century Pictures Portugal

Kinds of Kindness é um misto de comportamentos estranhos, aterrorizantes e perturbadores que deixam qualquer um a processar cada uma das suas histórias com intensidade. Mas, que pode vir a tornar-se para alguns numa experiência meramente insuficiente, cansativa e até facilmente esquecível. Não é um filme para todos os gostos e pode ser devido à sua complexidade elevada que vai tendo as suas falhas. Também temos uma falta de equilíbrio e consistência, de um argumento sólido e de um ritmo adequado. Porém, não se tira o mérito à criatividade única de Yorgos Lanthimos e à forma como apresenta esta sua produção, principalmente à ligação arrepiante e bem executada da banda sonora em cada cena. O elenco em si cumpriu muito bem com o seu papel, onde em cada história desempenharam personagens diferentes e deu para perceber que algumas cenas devem ter sido difíceis de filmar.

Um dos maiores destaques vai para a sua loucura imprevisível repleta de momentos absurdos e combinados com um humor mais negro, sem esquecer de mostrar o que as pessoas são capazes de fazer por amor, poder e controlo. Podem existir alturas em que o diálogo ultrapasse os limites da coerência, sendo que pode tornar-se muito confuso de se compreender tudo e até chegar a perder todo o sentido. Por isso é essencial que a pessoa esteja atenta a todos os pormenores que vão sendo mostrados e tenha uma mente mais abstrata e extremamente aberta. Este filme possui uma arte desafiante e é mais longo do que deveria ser, sendo que deixa muitas mais perguntas do que respostas, testando os limites do absurdo e dando a escolha ao espetador de fazer a sua própria interpretação. Yorgos Lanthimos apresenta um caminho único, intrigante e mais sombrio para a bondade num ambiente obscuro que está cheio de sacrifícios, erros e particularidades, deixando quem está a ver perplexo e exausto com cada uma destas três histórias ousadas com uma dose de terror.