sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Filme "One Battle After Another" é um espetáculo de cinema implacável e verdadeiramente americano

 

Chegou um dos grandes filmes de 2025! One Battle After Another (Batalha Atrás de Batalha, como título em português) é realizado por Paul Thomas Anderson, um dos mestres mais aclamados na realização da atualidade.

O elenco reúne o trio Leonardo DiCaprio, Sean Penn e Benicio Del Toro, sendo que se juntam a eles, Regina Hall, Teyana Taylor, Chase Infiniti, Wood Harris e Alana Haim.

Esta é a história de Bob (Leonardo DiCaprio) que vive há anos em fuga, tentando deixar para trás um passado feito de confrontos e perdas. Mas, quando o destino o obriga a regressar, descobre que há batalhas que não podem ser evitadas. Entre memórias que assombram e inimigos que regressam mais fortes, Bob terá de enfrentar a luta definitiva: proteger a filha Willa (Chase Infiniti) e descobrir até onde pode ir um pai pelo amor à família.

Aqui temos Bob, um sobrevivente e um talento nato para explosivos que fez parte de um grupo revolucionário. Mas, que depois teve de desaparecer e assumir uma nova identidade, tornando-se assim, em alguém tão paranoico e convencido de que mais cedo ou mais tarde, o seu passado lhe irá fazer uma visita.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

One Battle After Another é uma viagem intensa, explosiva e completamente caótica de sobrevivência, amor incondicional e redenção, tendo sido envolvida num tom humorístico bem peculiar. E que se transforma numa obra cinematográfica extraordinária, em que cada uma das suas cenas é perfeitamente executada.  

Esta é daquelas produções em que a pessoa pode esperar pelo inesperado, principalmente em termos técnicos. Uma das cenas de maior destaque vai para a perseguição que parecia que nunca mais acabava e que trouxe uma sensação imediata de que estávamos realmente a perseguir o carro em frente, chegando a um ponto que se podia sentir algumas tonturas, devido às características da estrada e pelo ritmo da cena ser mais acelerado.  

Este é um drama psicológico poderoso com um visual brilhante e arrebatador que é repleto de violência, sendo constituído por uma narrativa impactante que mostra a fragilidade da humanidade, enquanto mistura bons momentos de ação e de suspense, onde não faltou diferentes combinações de comédia. Nesta história com relevância política, revolta e cheia de conflitos e tensão, onde o ser humano é constantemente testado e até traído, também iremos ver que cada detalhe importa e tudo é desenvolvido com criatividade e inteligência.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

O elenco foi bem escolhido, sendo que num geral, as dinâmicas entre as personagens foram equilibradas e engraçadas de se observar. Um desses exemplos vai para as personagens desempenhadas por Leonardo DiCaprio e Benicio Del Toro que tiveram cenas que trouxeram um lado mais descontraído a esta história arrojada. Já Chase Infiniti que se estreava no grande ecrã foi uma ótima surpresa no trabalho que teve com a sua Willa, sendo que as suas cenas partilhadas com a personagem arrogante e perigosa interpretada por Sean Penn prenderam a atenção. No entanto e infelizmente, houve personagens que não tiveram grande interesse e que até se tornaram irritantes sempre que apareciam no ecrã.    

One Battle After Another é um filme ousado e uma aposta acertada com uma excelente qualidade que proporciona ao espetador uma adrenalina imediata com todo o caos envolvido e o perigo no qual as personagens se vão encontrando. Aqui é-nos mostrado um mundo semelhante ao nosso atual, onde neste caso, temos uma revolução composta por elementos extremamente dedicados à sua causa que se sacrificaram e atingiram significativamente os seus alvos, levando a que fossem bem-sucedidos por algum tempo. Enquanto isso, transmite a mensagem de que há batalhas de que não podemos escapar e mostra que quando temos um propósito e estamos a lutar pela nossa família surge uma capacidade única de determinação para fazer o que for preciso.

Este é absolutamente um espetáculo de cinema implacável e verdadeiramente americano que apresenta o peso da realidade e é acompanhado por uma ótima banda sonora que traz o tom certo em cada uma das suas cenas. E também é um dos maiores filmes de 2025, cuja experiência precisa de ser vivida em IMAX® e que merece o devido reconhecimento.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Filme "The Long Walk" - o que esperar da adaptação cinematográfica de mais uma obra de Stephen King

 

Chegou a adaptação cinematográfica de mais uma obra de Stephen King! The Long Walk é uma produção de terror realizada por Francis Lawrence.

O elenco é constituído por Judy Greer, Mark Hamill, Cooper Hoffman, David Jonsson, Ben Wang, Charlie Plummer, Cooper Hoffman, Garrett Wareing, Jordan Gonzalez, Joshua Odjick, Tut Nyuot e Roman Griffin Davis.

Ambientado num futuro distópico, acompanha um grupo de 100 adolescentes que se inscrevem num concurso anual arriscado. O vencedor ganha o que quiser pelo resto da sua vida, enquanto todos os perdedores são condenados à morte. Para ganhar, é preciso seguir duas regras: não parar e andar mais rápido do que 6,4 km/h.

Por isso, cada passo é uma escolha e desacelerar não vai ser uma opção!

Tudo isto desenrola-se nos Estados Unidos perante um regime autoritário, onde este grupo de jovens participam numa competição inédita que implica caminhar sem parar até que reste apenas um sobrevivente. Aconteça o que acontecer, não se pode parar. Senão, irão pagar o preço.

Propositadamente é referido que qualquer um dos participantes pode ganhar, mas não podem todos ganhar. Para isso têm de andar ou então, são alvejados mortalmente.

The Long Walk apresenta uma realidade pura e dura de um regime militar levado ao extremo, onde proporciona uma experiência radical emocionalmente devastadora que envolve a audiência desde o início ao fim, apesar de haver cenas que podem deixar alguns desconfortáveis. Por isso, pode acontecer não ser adequada para os mais sensíveis.

No entanto, este concurso anual mostra como depois de uma guerra que mudou a ordem mundial fez com que os comportamentos destes seres humanos chegassem a um nível tão obscuro de intensidade, brutalidade e de crueldade que ultrapassam todos os limites daquilo que é aceitável.

Surgem alturas em que ficamos com a sensação de que estamos presentes em cada etapa desta loucura, a caminhar com eles, lado a lado e a acompanhá-los nesta jornada bastante real que leva qualquer um à exaustão. E este é sem dúvida, um desafio que poucos conseguiriam enfrentar e a própria pessoa chega a questionar-se, o que faria no lugar deles para vencer. Além disso, dá para ver o próprio desgaste físico e emocional dos atores que interpretam estas personagens, sendo que tiveram de fazer uma preparação específica para as filmagens desta longa caminhada.

A narrativa foi desenvolvida a um bom ritmo, mesmo que para alguns pode tornar-se um pouco cansativa. Contudo, acabou por ter as suas falhas, como a falta de desenvolvimento na maioria das personagens que fez com muitos dos jovens fossem indiferentes, facilmente esquecíveis e assim, acabava-se por não se criar qualquer tipo de conexão. Depois, poderia ter sido mais bem aprofundado as razões que estão por trás desta competição e ainda, saber mais sobre as características deste mundo destruído onde a trama se insere. E se tivesse sido mais imprevisível, então seria uma mais-valia.

Um dos grandes destaques vai para as interações entre as diferentes personagens, umas que foram mais profundas do que outras. Mas, foi graças à dinâmica e cumplicidade entre a dupla desempenhada muito bem por Cooper Hoffman e David Jonsson, que foram os responsáveis por prender a atenção do público ao longo desta caminhada. Eles conheceram-se no começo desta marcha e devido a tudo aquilo que tiveram de passar acabaram por automaticamente e de um modo natural, criar uma ligação imbatível que apresenta o significado real do que é fazer parte de uma irmandade. E por isso, desde o início, o espetador cria uma empatia imediata por estas duas personagens que faz com que se queira acompanhar mais esta longa caminhada, enquanto se torce por elas.

Além disso, temos a oportunidade de assistir a um registo diferente do trabalho de Mark Hamill que dá vida ao Major e que é a figura responsável por liderar esta competição. Mesmo não tendo muito tempo de ecrã, este antagonista psicótico e aterrorizante destacou-se desde o primeiro instante com a sua frieza e os seus atos tiranos. E é por isso, que faz com que o público sinta repulsa e até ódio por ele, torcendo assim, para que ele tenha o final que realmente merece.

The Long Walk é uma produção intensa e emocionante que tem a capacidade de entreter com sucesso o público, devido à sua história perturbadora, tensa e repleta de uma violência sem filtros. Podem até existir ligeiras semelhanças com a saga Hunger Games, mas mesmo assim, é apresentado como um filme sólido de terror psicológico que mostra a mente a pregar partidas e ainda, testa o estado mental de cada um, sendo que acompanhamos o estado em que o ser humano pode chegar em situações de completa exaustão. Tudo isto cria um impacto brutal para quem for assistir.

Garantidamente, The Long Walk ficará marcado na história deste género cinematográfico.

Então, preparados para esta longa caminhada tão diferente e fora do comum? Uma coisa é certa! Este thriller enrolado num ambiente militar de horror não deixará ninguém indiferente!


sábado, 6 de setembro de 2025

Minissérie "Washington Black" - o que esperar destes oito episódios que podem ser vistos na Disney+

 

Washington Black é uma minissérie de oito episódios baseada no aclamado romance de Esi Edugyan que primeiramente estreou na Hulu e de seguida, passou a estar disponível na plataforma de streaming da Disney+. Esta foi criada por Selwyn Seyfu Hinds e tem Sterling K.Brown como produtor executivo.

O elenco é constituído por Ernest Kingsley Junior, Rupert Graves, Iola Evans, Edward Bluemel, Sharon Duncan-Brewster, Eddie Karanja, Tom Ellis e Sterling K.Brown.

Temos aqui uma história de aventuras gigantesca que acompanha o artista e cientista, George “Wash” Black numa aventura à volta do mundo com a ajuda de uma estranha máquina voadora. A sua viagem leva-o pela América, pelos mares frios do Ártico, pelas torres góticas da velha Europa e pelos desertos do Norte de África, mantendo-se sempre um passo à frente de um caçador de recompensas de letal.

Divulgação: Disney+

George Washington “Wash” Black é um jovem de 11 anos que estava a trabalhar numa plantação de cana-de-açúcar em Barbados e que precisa de fugir após testemunhar uma morte chocante. Isto acontece, porque esta ameaça leva a que a sua vida seja virada do avesso. Assim para recomeçar de novo, ele embarca numa viagem inesperada por diversos continentes para sobreviver.

Um dos seus principais companheiros na sua fuga foi Christopher Wilde, Titch, um inventor britânico excêntrico que acaba por tornar-se no seu primeiro mentor, pois juntos constroem um género de balão para conseguirem escapar.

Num contexto do século XIX, este é um jovem escravo negro cheio de humanidade que tem um olhar curioso sobre o mundo e ainda, possui uma mente brilhante, muito curiosa e impressionante em termos científicos, tendo assim, um talento nato para a ciência. Ao longo da sua jornada, ele vai enfrentando vários desafios. Depois dele ter fugido, ele acaba por chegar a Halifax, considerada como a última paragem no Caminho de Ferro Clandestino, onde Medwin Harris torna-se numa figura crucial na sua trajetória e que teve uma infância traumática como refugiado negro na Nova Escócia. Além disso, Wash também se cruza no caminho de Tanna, uma mulher negra de pele clara que consegue se passar despercebida por branca.

Enquanto ele viaja por terras desconhecidas, Wash desafia o mundo de um modo corajoso em simplesmente, imaginar um futuro superior àquilo que poderia ser definido para alguém com as suas raízes. E ele é esperto o suficiente para ter a hipótese de mudar o mundo significativamente. Enquanto isso, ele tem um caçador de recompensas que não irá parar de procurar por ele. Mesmo assim, a sua trajetória acaba por dar luz a inúmeras possibilidades, em que este rapaz mostra como os sonhos são possíveis de se concretizar e é possível triunfar perante a adversidade.

Esta é a história sobre um jovem e o rapaz que costumava ser que se interliga com as histórias de outras pessoas da sua raça que incluem períodos de sofrimento e de muita luta, mas que mesmo assim, têm esperança em algo melhor. E independentemente da cor da pele, as famílias lidam com as mesmas dificuldades e lutas.

Divulgação: Disney+

Washington Black é uma aventura de uma vida absolutamente interessante e surpreendente que é profundamente inspiradora, onde temos direito a paisagens deslumbrantes, enquanto aborda de uma forma tão leve, tanto a representatividade de uma raça que continua até aos dias de hoje a ser discriminada, como as realidades da escravatura e da colonização. E a apresentação dessa realidade é o suficiente para oferecer uma narrativa emocionante envolvida em sobrevivência, resiliência, tensão, amor, esperança, bondade, sonhos, dilemas morais e na busca pela liberdade que tem uma capacidade única de impactar.

Adicionando a toda a sua magia e fantasia, esta minissérie representa muito bem o visual da época do século XIX onde está inserida, tendo atenção a todos os detalhes, possuindo um lado mais contemporâneo e também combinando um design de produção perfeito com uma cinematografia fabulosa e de tirar o fôlego. Já a história é contada de um modo revigorante e empolgante, nunca é monótona e está muito bem escrita, sendo que é desenvolvida num ritmo suave e adequado e tendo sido acompanhada por uma banda sonora com um tom delicado e acertado.

Além disso, mostra a grandeza e a criatividade sem limites que é o trabalho da engenharia e da ciência, e o quanto isso é importante para dar luz a inúmeras invenções, sendo que muitas delas acabam por tornarem-se extraordinárias. Também é interessante saber mais sobre a vida dos negros na Nova Escócia e acompanhar esta aventura de exploração do Wash ao redor do mundo em pleno século XIX que incluíram destinos tão distintos entre si, onde cada um tinha uma lição para ensinar.

Divulgação: Disney+

Em cada um dos seus episódios, Washington Black prende a atenção de quem está a assistir e ainda, conseguiu reinventar-se em comparação com outras produções que abordam temas pesados, como a escravatura que continuam a criar discussões até aos dias de hoje. E foi executado com muita sensibilidade, ternura, respeito e sem recorrer a grandes cenas de violência. Enquanto isso, combina com momentos mais leves que nos faz sonhar, imaginar e acreditar que tudo irá melhorar.

Num toque mais moderno, esta produção é rica no resultado que entrega e acaba também por se tornar numa lição de desenvolvimento pessoal, onde acompanhamos o protagonista a fugir de uma vida de escravo, a crescer, a construir a sua identidade, a ser corajoso, os seus altos e baixos, a compreender o sentido de família e de pertencer a uma comunidade unida e ainda, a aprender, de acordo com as suas experiências e as pessoas com quem se cruzava. É uma das razões pelas quais o espetador identifica-se com este génio que mostra com humildade a força do espírito de um ser humano e por isso, fica a torcer para que tenha sucesso.  

Está na hora de voar com o imperdível Washington Black! Um drama de época cativante, comovente e transformador que foi uma boa surpresa e que inclui uma boa dose de aventura e ação. Por isso, não podem perder na Disney+! E aproveitem para ler o livro inspirador que deu origem a este enredo!



terça-feira, 2 de setembro de 2025

Eden é o próximo filme realizado por Ron Howard e este thriller de sobrevivência é inspirado numa história verídica

 

Eden é o próximo filme realizado por Ron Howard que é inspirado numa história verídica, sendo centrado num dos maiores mistérios do século XX.

O elenco é constituído por Jude Law, Vanessa Kirby, Daniel Brühl, Sydney Sweeney e Ana de Armas.

Neste thriller dramático baseado em factos reais que foi apresentado no Festival de Cannes 2024 é explorado um dos mistérios mais duradouros e intrigantes de sempre. Entre as duas guerras mundiais, o filósofo Friedrich Ritter (Jude Law) e a sua mulher Dora (Vanessa Kirby) abandonam a civilização e mudam-se para uma remota ilha nas Galápagos. A sua fuga idílica é rapidamente interrompida pela chegada de outros viajantes com os seus próprios planos, incluindo um casal (Daniel Brühl e Sydney Sweeney) em busca de uma cura para a tuberculose e uma baronesa (Ana de Armas) com planos para construir um hotel de luxo. A coexistência entre os habitantes transforma-se numa luta pela sobrevivência, enquanto lidam com as adversidades da ilha e as ambições conflituosas de cada um.

Foi durante o período entre as duas guerras mundiais que um grupo de idealistas toma a decisão de uma mudança radical, ou seja, resolve abandonar a civilização para começar de novo nesta ilha remota. O que começa como uma fuga para o paraíso rapidamente se transforma num conflito, onde a sobrevivência depende de alianças frágeis, desconfiança crescente e desejos opostos.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Assim, acompanhamos o confronto entre três grupos distintos: o filósofo Friedrich Ritter e a sua companheira Dore Strauch; a família Wittmer, que procura um novo começo; e uma baronesa carismática e ambiciosa que está determinada a reclamar a ilha. À medida que a tensão aumenta, a utopia desmorona.

Será que cada um destes três grupos é bem-vindo ao paraíso? Este até poderia ser considerado como um lugar de sonho, mas quando a ideia de paraíso se transforma em conflito, tudo pode mudar. Pois, até a utopia mais perfeita se pode tornar num verdadeiro pesadelo. No entanto, já sabemos como a humanidade funciona com a sua impulsividade e principalmente quando coloca em prática, o seu instinto de sobrevivência.

Seja qual for a época, qualquer ser humano procura por um determinado sonho e quando encontram um sítio como Eden e têm outras pessoas envolvidas no mesmo ambiente, então tem tudo para correr mal. Além disso, fazem o que for preciso para que possam alcançar esse mesmo sonho.

Estes três grupos são muito distintos entre si, onde cada um tem um objetivo a cumprir. Seja simplesmente encontrar sossego ou começar uma vida nova num ambiente com um ar mais puro ou até colocarem a própria ambição em prática.  Entre eles, haverá quem não olhe a meios para atingir os seus fins.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Eder é um thriller de sobrevivência com uma ótima qualidade que mergulha com inteligência e alguma intensidade para uma complexidade tão característica do ser humano e para a sua resiliência em enfrentar qualquer tipo de obstáculos que possam vir a surgir. Esta é uma história tensa e imersiva que é bem executada, em que também nos mostra os desafios e os perigos que é viver numa ilha remota. Por vezes, a maior ameaça é o próprio ser humano e neste caso, temos referência a isso.

O filme também nos faz apreciar visualmente e de um modo tão natural, as vistas deslumbrantes deste sítio e tudo aquilo que a natureza oferece.

O elenco está de parabéns pela excelente performance que entregaram, sendo que acabamos por assistir a um registo diferente na representação de cada um.    

Além disso, é-nos apresentado não só a convivência humana numa perspetiva única, mas também explora o lado mais negro da humanidade, o seu instinto de sobrevivência e até onde a sua maldade, ego e ambição podem chegar, sendo que aqui não existem limites para os seus comportamentos e atos.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Eder entrega uma narrativa interessante e intrigante combinando com o seu lado mais obscuro e realista que nos leva a embarcar numa jornada transformadora de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Enquanto isso, deixa-nos a pensar e até a imaginar como seria viver neste paraíso completamente isolado da civilização e o que a pessoa estaria disposta a fazer para sobreviver.

Como esta produção é inspirada numa história verídica, quem está a ver acaba por criar um tipo de conexão com o desenrolar dos acontecimentos e até fica com curiosidade em saber mais sobre o destino das pessoas que sobreviveram. Se estão à procura de um thriller de sobrevivência ousado, diferente e baseado em factos reais, então Eder poderá ser uma boa escolha.


domingo, 31 de agosto de 2025

Filme "The Roses" - o que esperar desta nova adaptação protagonizada por Olivia Colman e Benedict Cumberbatch

 

The Roses [Um Casal (Imperfeito), como título em português] é o próximo projeto da Searchlight Pictures que é realizado por Jay Roach. Este é uma adaptação do filme clássico de 1989 ‘The War of the Roses’, baseado no romance de Warren Adler. E já podem ver na plataforma de streaming da Disney+.

Com argumento de Tony McNamara, o filme é protagonizado por Olivia Colman e Benedict Cumberbatch que são acompanhados por Andy Samberg, Allison Janney, Belinda Bromilow, Sunita Mani, Ncuti Gatwa, Jamie Demetriou, Zoë Chao e Kate McKinnon.

Vale tudo quando o amor está em guerra. A vida parece fácil para o casal perfeito Ivy (Olivia Colman) e Theo (Benedict Cumberbatch): carreiras de sucesso, um casamento por amor, filhos fantásticos. Mas, por baixo da fachada da sua suposta vida ideal, está a formar-se uma tempestade – à medida que a carreira de Theo desce a pique e as ambições de Ivy descolam, acende-se uma feroz competição e ressentimento oculto.

Será que eles vão viver felizes para sempre? Este casamento é grande o suficiente para os 2? E será que vai durar até que a morte os separe?

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

O casamento de Ivy e de Theo teve sempre a aparência de um género de conto de fadas. Ambos com carreiras de sucesso – ela como “chef” de cozinha e ele como arquiteto –, boa condição financeira e filhos amorosos. Nada parecia anunciar uma ruptura. Mas, infelizmente, o equilíbrio desfaz-se no dia em que ele perde o emprego e passa a cuidar da casa, enquanto acompanha o crescimento da carreira dela. Por isso, de um momento para o outro, todos os conflitos e rancores acumulados ao longo dos anos vêm à tona. E tudo em redor deles, parece transformar-se em combustível de uma guerra de ressentimentos, competição e pura maldade.  

Primeiramente, temos Theo Rose que foi arrebatado por uma paixão repentina e ardente por Ivy. Como referido anteriormente, ele é um arquiteto com um enorme talento, mas tudo se desmorona quando se dá um desastre num dos seus edifícios e este colapsa juntamente com o ego de Theo.

Assim, depois de ficar sem trabalho foi tomada a decisão deles trocarem de papéis. Theo passava a cuidar dos filhos e Ivy acabaria por assumir o papel do ganha-pão da casa. Só que ela alcança o sucesso, passa a adorar o que conquistou e não quer prescindir da marca que deixa em tudo o que faz. Foi a partir daí que um casal feliz se transformou por completo em algo mais tóxico e caótico que podia não ter volta a dar.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

The Roses é uma comédia romântica negra inteligente e incomum que é divertida e pensada fora da caixa. Além disso, possui um sotaque e humor tipicamente britânicos, enquanto traz reviravoltas inesperadas e interpretações incríveis. Existem cenas que são de chorar a rir e outras que até podem emocionar. Uma coisa é garantida. Este casal vai surpreender muito!

Temos aqui um casal atípico que é completamente honesto entre si e usa o humor sarcástico para comunicar, sendo que se iniciou como um amor à primeira vista que evoluiu para um ponto em que parecia que nada conseguia derrubá-los. Contudo, chegou à altura em que esta relação começou a descambar, onde houve quem pressentisse sarilhos e uma corrente de frustração entre eles, chegando a um ponto que as pessoas ao redor deles passaram a achar que eles se odiavam.

Este é um casamento turbulento e cheio de amargura que também envolveu presentes envenenados e brincadeiras constrangedoras deles que dava para ver que poderiam deixar qualquer um desconfortável.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

No início dá para perceber que sempre houve amor, mas ao longo do tempo acabou por tornar-se num amor muito desgastado. E se calhar foi essa uma das várias razões pelas quais não conseguiam resolver os seus problemas, pois eles nem sempre tinham a capacidade de falar a mesma língua e o modo de mostrar carinho e intimidade poderia não ser o mais adequado.

Claro que o casamento pode não ser um mar de rosas, mas neste caso podia tomar proporções arrebatadoras e até levar a um duelo inimaginável. Tanto Olivia Colman como Benedict Cumberbatch fazem um desempenho estupendo a dar vida a esta dupla que possui uma dinâmica eletrizante envolvida em diálogos provocadores. E ainda, utiliza um humor britânico peculiar, negro, seco e bem afiado que só eles podiam levar por diante.

Inicialmente pode haver quem alinhe mais com a Ivy e depois há quem fique mais do lado de Theo. Porém, às vezes mudam de lado durante o enredo e no final resta apenas torcer para que se entendam. No entanto, também é interessante ver o lado mais engraçado dos comportamentos e ações de cada um destes protagonistas que chegam a portar-se mesmo mal.

Divulgação: 20th Century Studios

Com The Roses, temos um entretenimento puro com um argumento fantástico, um bom elenco secundário a acompanhar e uma ótima escolha em termos de banda sonora. Para mim, é um dos meus filmes favoritos de 2025.

Por isso, temos de fazer um brinde a este casal que prende a atenção do espetador por entrar em guerra da maneira mais improvável e criativa e por ainda, proporcionar risos do começo ao fim. Para além disso, alerta como um romance pode ser levado ao extremo e partilha um certo guia daquilo que não se deve mesmo fazer num casamento.

Mesmo que não possa ser do agrado de todos, este é um filme realista e satírico que não podem perder, principalmente se gostarem de produções fora do comum.


quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Filme "Drácula: Uma História de Amor" - o que esperar da nova adaptação desta lenda tão imortal que é o Conde Drácula

 

Chegou a nova adaptação da lenda tão imortal que é o Conde Drácula!

Apresentado no Festival de Cannes 2024, Drácula: Uma História de Amor (Dracula: A Love Tale, como título original) é realizado por Luc Besson e designa-se como uma reinterpretação visualmente deslumbrante e emocionalmente intensa do mito de Vlad, o Empalador que está dividido entre a escuridão e a memória de um amor que resiste ao tempo.

Esta produção foi rodada em Paris, entre estúdios e locais históricos como o Hôtel de la Marine e o Palais Royal, sendo que o filme conjuga paisagens góticas, guarda-roupa luxuoso e atmosferas intensas que pretendem criar uma experiência cinematográfica grandiosa. Será que irá conseguir surpreender?

Desta vez, esta figura ganha nova vida através de Caleb Landry Jones, onde no elenco também se junta Christoph Waltz, Zoë Bleu, Matilda De Angelis, Ewens Abid e Guillaume de Tonquédec.

No século XV, o príncipe Vladimir, após a repentina e cruel morte da sua amada esposa, renega a Deus e herda uma maldição eterna: ele torna-se Drácula. Condenado a vaguear pelos séculos, desafia o destino e a própria morte, guiado por uma única esperança – reunir-se novamente com o seu amor perdido.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Ele ficou devastado pela morte da mulher que amava e por isso é que renega a fé e é amaldiçoado com a vida eterna. Séculos depois, já como Drácula, vive isolado do mundo até reconhecer numa jovem o rosto da sua amada perdida – dando início a um caminho entre desejo e redenção, onde o tempo e a mortalidade perdem significado.

Para Drácula, a morte é um privilégio que Deus concede. E apesar dele ter sido um dos servos mais fiéis, a morte foi-lhe negada. Assim, durante 400 anos, Drácula espera pelo regresso da sua princesa e faz o que for preciso para que isso aconteça.  

Nesta visão, em vez de termos um Drácula mais aterrorizante e perigoso, ele é profundamente mais humano, sendo que sofreu uma tragédia e nunca largou a memória do amor da sua vida. Caleb Landry Jones faz aqui uma interpretação diferente e convincente com um sotaque peculiar que leva a conhecermos o lado provavelmente mais vulnerável e ternurento de Drácula, apesar de continuar a ser uma ameaça para a humanidade e de ter as suas entradas mais dramáticas.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Drácula: Uma História de Amor é particularmente um romance trágico envolvido num mistério obscuro e fantasioso que reinventa a clássica história de Bram Stoker sobre um dos ícones mais populares da cultura pop.

Nesta história intemporal, temos violência, cenas de batalha excelentes, lutas empolgantes, mas os momentos de horror são praticamente inexistentes, sendo que se foca mais no romance tórrido de Drácula e na procura exaustiva pela sua amada que acredita que irá reencarnar na pele de outra mulher. Mesmo assim, esta fantasia sombria que contém uma perspetiva mais emocional e juntamente com uma pequena dose de humor consegue criar algum interesse em acompanhar o seu desenrolar.  

Enquanto isso, temos Christoph Waltz a assumir o papel de um perseguidor enigmático, que promete revelar a verdadeira natureza do protagonista. No entanto, a personagem em si não criou grande impacto no enredo, sendo que houve falta na sua construção, acabando por tornar-se facilmente esquecível e dispensável.

Sempre apreciei produções de época e esta não é exceção. Neste caso, traz um maior requinte ao ambiente representado que é rodeado por um estilo mais gótico e elegante, uma cinematografia bem executada, um guarda-roupa lindíssimo, uma banda sonora adequada à narrativa contada, vistas bonitas e ainda, por uma vampira muito bem desempenhada por Matilda De Angelis. E tudo isto está alinhado com o ângulo proposto por este realizador e sem esquecer do equilíbrio que existe em relação à escuridão que também faz parte da história.

Divulgação: NOS Audiovisuais

Com Drácula: Uma História de Amor, testemunhamos um amor de um príncipe do século XV e da sua esposa forjado com sangue e destinado à eternidade. Uma união apaixonante que será a salvação dele. E não importa, o tempo que possa ter de esperar, porque um dia, ele irá reencontrar a sua alma gémea. Enquanto isso, também conhecemos uma Paris do século XIX com todas as suas características e costumes que rapidamente nos conquista.

Como já tinha referido anteriormente, esta é uma nova adaptação mais leve e moderna deste protagonista que pode ter as suas falhas, tais como: erros no argumento, rapidez em alguns momentos do filme, falta de tempo para explorar determinados pontos pertinentes, os efeitos de um perfume que faz enfraquecer e exagerar a trama. E ainda, os efeitos especiais estranhos que foram usados para darem vida às gárgulas, os servos do Conde Drácula.

Contudo, é um filme ligeiramente mais sentimental que também mostra o poder da esperança em voltar a ver quem mais se ama. Poderá entreter muitos e para mim, vale a pena ver, mas não se deve ter qualquer tipo de expetativas. Simplesmente, aproveitar e assistir a este romance envolvente e intenso que possui a sua própria essência.


quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Filme "Nobody 2" - será que esta sequela de thriller de ação protagonizada por Bob Odenkirk irá superar o seu original?

 

Depois do sucesso alcançado com o seu primeiro filme, chegou Nobody 2 (Ninguém 2, como título em português). Baseado nas personagens criadas por Derek Kolstad, Bob Odenkirk está de regresso para dar vida a este assassino peculiar e cuja realização está ao cargo de Timo Tjahjanto.

Para além de Bob Odenkirk, juntam-se a ele: Connie Nielsen, John Ortiz, RZA, Colin Hanks, Christopher Lloyd e Sharon Stone.

Desta vez Hutch Mansell (Bob Odenkirk), pai suburbano e antigo assassino letal, é levado de volta ao seu violento passado depois da sua casa ser invadida. Isto desencadeia uma série de eventos que desvendam segredos sobre o passado da sua própria mulher, Becca (Connie Nielsen).

Além disso, este assassino workaholic leva a sua família para umas férias muito necessárias na pequena cidade turística de Plummerville. No entanto, ele logo se vê na mira de um operador corrupto do parque temático, um xerife suspeito e um chefe do crime sanguinário.

Mesmo assim, uma coisa ele garante. Ninguém lhe estraga as férias.

Férias em família com um pai como o Hutch Mansell tem tudo para se tornar altamente perigoso, mas também nunca se sabe o que se pode esperar.

Divulgação: Universal Pictures Portugal

Quatro anos depois de ter enfrentado inadvertidamente a máfia russa, Hutch continua com uma dívida de 30 milhões de dólares perante esta organização criminosa. Por isso, ele está a trabalhar numa série interminável de ataques a alvos internacionais.

Por mais que ele gosta da ação que faz parte do seu “trabalho”, Hutch e a sua mulher Becca encontram-se sobrecarregados e a afastarem-se cada vez mais. Assim, eles decidem levar os seus filhos numa pequena escapadinha para o Majestic Midway e Waterpark de Wild Bill. Este foi o único local onde Hutch e o seu irmão Harry passavam férias enquanto crianças e ele se sentia realmente feliz. Juntamente com o pai de Hutch, esta família chega a esta pequena cidade turística designada por Plummerville completamente ansiosa para ter um momento de descanso, apanhar sol e com alguma diversão pelo meio.

Mas, quando um pequeno encontro com alguns rebeldes da cidade faz com que a família se torna num alvo do operador corrupto do parque temático e de um xerife duvidoso, então Hutch cruza-se no caminho de um chefe do crime sanguinário que é bastante desequilibrado, psicótico e muito perigoso. Líder esse que ele (ou qualquer um) alguma vez encontrou.

Mesmo que os problemas tenham uma tendência a persegui-lo, Hutch fará o que for preciso para alcançar o seu principal objetivo que é ter a oportunidade de finalmente ter as suas merecidas férias, sendo que aconteça o que acontecer, ninguém lhe irá impedir. Será que ele vai conseguir?

Divulgação: Universal Pictures Portugal

Nobody 2 é uma viagem de ação alucinante e espetacular que é rodeada de uma energia cativante e uma dose de loucura que não para de surpreender com as suas reviravoltas criativas. Todos os elementos necessários para se tornar num thriller de ação bem-sucedido estão presentes, onde a imaginação não tem limites. Cada uma das suas cenas de ação e de luta são extremamente bem coreografadas, sendo que em alguns momentos chegam a ser selvagens.

Apesar de também conter um lado tanto cómico, como misterioso, a estrela desta história é sem dúvida, a ação que absolutamente brilha, levando a que seja entregue um bom entretenimento, principalmente para quem é fã de filmes de ação. Temos explosões, tiroteios, perseguições, lutas intensas, violência, tensão, conspiração e muito mais. É interessante como as sequências de ação aproveitam a atmosfera onde são inseridas e como o protagonista utiliza qualquer objeto que encontra à mão para ter vantagem perante o adversário. Além disso, ainda usa o próprio parque aquático e respetivas atrações a seu favor.  E uma boa surpresa foi ver mesmo que tivesse durado pouco tempo, uma das personagens a lutar com uma espada de samurai, uma arte marcial que sempre me fascinou.

Este é daqueles filmes completamente caóticos no bom sentido que ficamos com a sensação que estávamos mesmo a precisar de assistir, principalmente se temos o objetivo de simplesmente descontrair. No entanto, este novo capítulo deveria ter tido mais tempo de duração para que desenvolvesse mais e melhor a dinâmica familiar e as personagens centrais desta história.  

Para mim, esta produção é tão entusiasmante, quanto o primeiro, sendo que superou o seu original e é um dos grandes filmes de 2025 no género de ação que conseguiu prender a atenção desde o início até ao fim. 

Bob Odenkirk está de regresso para mais uma experiência explosiva e cheia de violência desta figura implacável que não vão querer perder!