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sábado, 5 de junho de 2021

Série "Sweet Tooth" da Netflix - uma história maravilhosa que transmite uma mensagem de esperança e cria uma reflexão necessária para os dias de hoje

 

Sweet Tooth é a nova série original da Netflix que acabou de estrear com oito episódios nesta plataforma, sendo que é baseada na banda desenhada da DC com o mesmo nome, da autoria de Jeff Lemire. Esta é uma produção da Warner Television Production que foi criada por Jim Mickle que também tem o papel de produtor executivo, juntamente com Beth Schwartz, Robert Downey Jr, Susan Downey, Amanda Burrell e Linda Moran.

Há cerca de 10 anos atrás, o Grande Colapso, um evento marcante que incluiu um vírus que espalhou a morte e o caos pelo mundo inteiro também trouxe o misterioso aparecimento de híbridos ou seja bebés que nasceram com partes humanas e com partes de animais. Mesmo sem saberem se os híbridos foram a causa ou mesmo o resultado deste vírus, muitos dos seres humanos temiam e chegavam a caçar esta nova espécie. Depois de viver durante uma década em segurança numa cabana isolada na floresta com o seu pai, um rapaz, metade humano, metade veado chamado Gus (Christian Convery) cria uma amizade improvável com Jepperd (Nonso Anozie), um solitário que estava apenas de passagem e surgiu no momento certo. Juntos, eles partem numa aventura extraordinária pelo que restou dos EUA, na procura por respostas, seja sobre as origens de Gus, o passado de Jepperd e descobrir qual é o verdadeiro significado de ter um lar. Esta será uma jornada cheia de obstáculos, revelações, aliados e inimigos inesperados e aos poucos Gus começa a perceber que afinal o mundo exterior à floresta é mais perigoso, exuberante e complexo do que ele pensava. Será que Gus vai conseguir encontrar as respostas para as suas inúmeras questões que o seu pai não lhe chegou a dar?

O elenco é constituído por Nonso Anozie (Tommy Jepperd), Christian Convery (Gus), Adeel Akhtar (Dr. Aditya Singh), Will Forte (pai de Gus), Dania Ramirez (Aimee), Stefania LaVie Owen (Bear), Dania Ramirez (Aimee), Neil Sandilands (General Steven Abbot), Aliza Vellani (Rani Singh) e James Brolin, como o narrador da história.

Divulgação: Netflix

A vida de todas estas personagens nunca mais seria normal, sendo que tudo mudou com a ocorrência do Grande Colapso através da estirpe H5G9 como tendo sido considerado como o vírus mais mortífero que deram origem a eventos de puro caos, mas ao mesmo tempo acontecia outra coisa ou seja, algo extraordinário e inesperado. Começaram a nascer diversos bebés bem peculiares que eram metade humana e metade animais que foram designados por híbridos e mais tarde se tornaram alvos de discriminação. E como os seres humanos têm receio daquilo que não conhecem, acabam por agir por instinto, pois acreditam que os híbridos possam ser um perigo para eles e para todos aqueles que mais amam e por isso, existe quem coloque como principal missão de caçá-los como os últimos homens, eliminando-os ou enviando-os para experiências científicas, onde seriam torturados e muito mais.  

Neste mundo pós-apocalíptico que sofreu mudanças significativas e em que muito já tinha acontecido e onde a natureza voltava a dominar o mesmo, mas uma pergunta mantinha-se. Quem veio primeiro? Os híbridos ou o vírus? Uma pergunta que acabava por ser o maior mistério existente naquele momento. Mas será que alguma vez se vai descobrir mais sobre a origem deste fenómeno inexplicável destes seres que têm partes humanas e partes animais?

Divulgação: Netflix

Claro que houve quem tivesse fé nestes híbridos e preferisse deixar o mundo para trás, protegendo estes híbridos de quem os quisesse fazer mal. Um desses exemplos foi um pai que fugia para a floresta inserida no Parque Nacional Yellowstone com o seu filho, Gus que era metade humano, metade veado para terem assim, uma vida em segurança e em paz.

Ao longo de uma década, Gus aprendeu diferentes técnicas de sobrevivência com o seu pai na sua casa bem afastada de tudo e de todos, sendo que ele sempre foi proibido de atravessar a vedação e sem perceber as razões para tal. Um dia, uma série de acontecimentos sucedem e Gus tem de colocar em prática tudo aquilo que o seu pai lhe ensinou, mas aquilo que este rapaz mais desejava de fazer era encontrar a sua mãe que nunca conheceu.

Divulgação: Netflix

De um modo inesperado e preciso, Gus conhece Jepperd, um homem com boas habilidades de sobrevivência e de combate, mas que esconde os seus próprios segredos e que simplesmente quer estar sozinho e não quer ser incomodado. Depois de muita persistência, Gus e Jepperd começam uma perigosa viagem por este mundo pós-apocalíptico na tentativa de encontrar a mãe deste rapaz ao mesmo tempo que desenvolvem uma amizade bem especial. Mesmo com alguém que possa guiar e proteger Gus, ele vai ter de enfrentar novos perigos nas suas aventuras. Será que ele está preparado para todos os obstáculos que possam vir a ocorrer na sua jornada com Jepperd?

Divulgação: Netflix

Gus é um menino tímido cheio de vida e amor para dar que é cativante e tem um pensamento otimista e curioso, um lado divertido e um bom coração, sendo que acaba por nos ensinar lições bem vitais, dando importância ao que realmente importa e muito mais. Ele é um miúdo doce, ingénuo e inocente que tem características de um veado como os sentidos mais apurados, mas faz um trabalho árduo quando é necessário ao mesmo tempo que quer divertir-se como nunca o fez e conhecer um mundo que acredita que tem muito para oferecer.

Ele tem uma relação de altos e baixos com Jepperd, mas é Gus que vai fazer a diferença na vida deste homem que queria estar completamente sozinho, mas que mais cedo ou mais tarde foi-se adaptando à presença deste rapaz que acabou por lhe trazer um novo propósito.

Divulgação: Netflix

Jepperd é um ex-jogador de futebol americano que também já foi um último homem que caçava híbridos como Gus, mas ele resolveu deixar esta parte da sua vida para trás. Ele é uma pessoa que tem os seus próprios traumas, sendo que coloca um tipo de barreira nessas memórias e tenta seguir em frente da melhor forma que consegue, mas lá no fundo, ele tem um bom coração e dá para perceber ao longo da sua jornada com Gus, em que este rapaz lhe ensina mais do que ele julgava ser possível, mesmo que Jepperd tenha tentado a todo o custo afastá-lo de si próprio, sem sucesso.  

Esta é a história de um menino muito especial e adorável que se viu a viver no fim do mundo, mas num mundo além da floresta que era bem diferente e complicado do que aquilo que ele imaginava, onde certos atos de maldade eram cometidos por uma questão de sobrevivência e pessoas estavam dispostas a fazer o que fosse preciso para destruírem o vírus e assim, recuperar o poder. Mesmo assim, Gus está disposto a saber mais sobre este mundo, mesmo que possa vir a ter de conhecer verdades que ele não esteja pronto para ouvir.

Divulgação: Netflix

Sweet Tooth é um dos grandes destaques do ano em que tem uma história de fantasia, drama e aventura, mas com um pouco de ação pelo meio que é atraente e divertida tanto para jovens como para adultos, sendo que aborda de uma forma simples e natural, temas vitais para a sociedade. O público consegue envolver-se e criar empatia imediata com as suas personagens, principalmente com o seu protagonista Gus que apesar de ser muito novo consegue cativar qualquer um com a sua maneira de ver as coisas e simplesmente por ser diferente e ter uma personalidade tão única e especial, criando um tipo de esperança e de novas possibilidades para um futuro melhor para a humanidade, sem que haja um aproveitamento excessivo dos recursos do planeta ou até comportamentos de egoísmo, violência ou de superioridade do ser humano perante os outros.

Nesta produção foi feita uma ótima adaptação que prende a atenção do espetador, desde o início ao fim e foi apresentada de um modo bem fluído e interessante com um bom desenvolvimento da história e com um ritmo adequado, sendo constituída por vistas panorâmicas e paisagens naturais bem bonitas de se ver e dividida pelos seus momentos mais emocionantes e tensos, sem deixar de nos transportar para um tipo de conto de fadas.

Divulgação: Netflix

Sweet Tooth foi feita sem dúvida, com o coração e com o carinho suficiente para se tornar numa história incrível e comovente que acaba por levar o público para um mundo com uma beleza própria e repleta de fantasia que vai tendo os seus desafios e dificuldades, mas não deixa de ter uma mensagem positiva de resiliência e de pura esperança em tempos difíceis para que um dia possa ocorrer uma mudança que seja necessária para que haja um futuro melhor e seguro e a importância que o amor e a família pode ter na vida de cada um, mesmo que não sejam pessoas do nosso sangue e assim acaba por criar uma reflexão muito pertinente que foi resultado de uma experiência maravilhosa e cheia de aprendizagens e com um pouco de magia pelo meio.

Pela forma como terminaram estes oito episódios, eu espero que haja uma nova temporada para que tenhamos a oportunidade de continuar a acompanhar as aventuras de Gus e companhia e saber o que vai acontecer com estes híbridos que de certa forma são especiais, cada um à sua maneira e também com o vilão da história que ainda tem planos que quer muito concretizar.


sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Série "Perry Mason" da HBO - a jornada de um detetive privado que torna-se num advogado para ajudar a resolver mistérios e crimes complicados

A série Perry Mason é uma das novas apostas da HBO, em que é transmitida na sua plataforma portuguesa sobre a história de um dos mais famosos advogados de defesa criminal da ficção norte-americana, que decorre no início das suas funções com um caso emblemático, incluindo pelo meio um pouco de drama, mistério e crime. Este drama, atualmente com 8 episódios que já foi renovado para uma 2ª temporada, é baseado nas personagens dos livros do autor, Erle Stanley Gardner que escreveu mais de 80 capítulos, desde 1933 até 1970, tendo várias versões desde filmes, emissões de 15 minutos na rádio, banda desenhada, séries, entre outros. Esta adaptação mais recente é criada por Rolin Jones e Ron Fitzgerald, tendo como produtores executivos, Amanda Burrell, Robert Downey Jr., Susan Downey, Ron Fitzgerald, Joe Horacek, Rolin Jones e Timothy Van Patten, que também é o realizador e para além disso, tem a produção de Matthew Rhys.

 

A história desenrola-se no ano de 1931, na cidade de Los Angeles. Perry Mason (Matthew Rhys) é um mero investigador privado que ajuda Elias Birchard “E.B.” Jonathan, um advogado a resolver crimes que estão possivelmente interligados com os seus clientes. Quando o rapto de uma criança tem consequências devastadoras para a sua família, que podem ou não estar relacionados com o crime, Perry resolve aceitar o caso tornando-se assim, primeiramente no seu investigador e mais tarde, num advogado de defesa criminal, tentando descobrir a verdade a todo o custo, mas não será uma tarefa fácil, principalmente quando existem várias pessoas que farão os possíveis para encobrir as pistas que poderão ser fundamentais para que consiga defender a sua cliente.  

 

O elenco é constituído por Matthew Rhys (Perry Mason), John Lithgow (Elias Birchard “E.B.” Jonathan), Juliet Rylance (Della Street), Tatiana Maslany (Irmã Alice McKeegan), Gayle Rankin (Emily Dodson), Chris Chalk (Paul Drake), Shea Whigham (Pete Strickland), Lili Taylor (Birdy McKeegan), Nate Corddry (Matthew Dodson), Robert Patrick (Herman Baggerly) e Stephen Root (Maynard Barnes).


 

Nesta época, a cidade de Los Angeles estava em constante evolução, com grandes inovações a serem criadas e onde a igreja evangélica tinha cada vez mais influência na sociedade enquanto o resto do país lutava contra a Grande Depressão, mas este era um sítio repleto de corrupção, crimes, racismo e homofobia que estava dividida na sua opinião sobre diversos assuntos marcantes para a altura.

 

Esta primeira temporada conta a história do caso mediático que envolve o rapto de um bebé de um ano chamado Charlie que corre muito mal, resultando na sua morte trágica, cujo objetivo principal dos sequestradores era conseguirem extorquir o máximo de dinheiro possível aos pais da criança, que só queriam ter de volta o seu filho, acreditando que o mesmo estava vivo, mas infelizmente não foi isso que aconteceu.

 


O caso de Charlie torna-se num dos mais emblemáticos e famosos desta época, pois tudo aconteceu de uma forma muito estranha que tinha pormenores macabros que seriam completamente insensíveis uma pessoa cometer a uma criança inocente. Os principais suspeitos do sequestro e homicídio de Charlie são os próprios pais que ao longo dos episódios vamos vendo todas as evidências contra eles.

 

Durante estes episódios, podemos acompanhar o caminho que é necessário que cada uma das personagens percorre para a sua própria redenção que pode fazer toda a diferença na resolução deste crime, tendo o espetador, a oportunidade de criar as suas próprias teorias sobre o que poderá ter acontecido com Charlie e quem é o verdadeiro culpado.

 


Herman Baggerly, um membro conceituado da igreja da Irmã Alice e um homem poderoso na cidade contrata os serviços do advogado E.B. Jonathan, nos quais este pede a ajuda de Perry Mason para solucionar o caso, pois este detetive costuma fazer alguns trabalhos de investigação sempre que é solicitado.

 


Perry Mason é um detetive privado que luta para sobreviver, tendo como seu braço direito e aliado, Pete Strickland e um dia são contratados pelo advogado, E.B. Jonathan, um género de mentor para Perry, para ajudarem a resolver um caso completamente desconcertante que é o caso do sequestro de Charlie Dodson, de um ano de idade, cujos pais, Matthew e Emily, membros da igreja da Irmã Alice receberam um pedido de resgaste no valor de 100 000 dólares.

 

Infelizmente, esta investigação acaba por tornar-se num crime de rapto e homicídio. Perry vai estar constantemente à procura da verdade que revela-se não sendo algo fácil de se concretizar, mas isso não o impede de fazer o que for preciso para descobrir o que aconteceu realmente com o bebé Charlie.

 

Perry Mason é uma pessoa muito simples que vive de uma forma bem humilde, ao mesmo tempo que é assombrado pelas experiências um pouco traumáticas que passou enquanto serviu em França. Ele cometeu muitos erros para com a sua ex-mulher e o seu filho, por isso tenta compensá-los sempre que consegue, mas nem sempre acaba da forma que pretendia.


 

Inicialmente, ele é definido por ser um veterano com problemas relativamente ao excesso de consumo de álcool que atua como detetive particular, depois de ter lutado na 1ª Guerra Mundial. Não tem cuidados a nível de higiene, vestindo-se mal, sendo assim, caracterizado de uma forma bem peculiar que inclui um chapéu, cigarro na boca e gravatas que são roubadas aos mortos da morgue.


Mason está sempre acompanhado da sua pequena máquina fotográfica que é fundamental nas suas investigações em métodos não muito legais e pouco tradicionais. Ele vive na quinta da sua família, sem condições e no meio de uma pista de aviação. É pessimista e constantemente atormentado por memórias do passado e com as suas dificuldades financeiras, ele aceita qualquer trabalho que lhe aparece à frente, pois são notórios os fracassos e erros que cometeu anteriormente.


 

De certa forma, Mason é um homem vulnerável e prático com um ligeiro tom misterioso, que sobrevive, sem ter qualquer tipo de expetativas de vir a ter uma vida melhor. Tanto ele, como o seu parceiro Pete Strickland ganham dinheiro, através de fotos que tiram a estrelas de Hollywood, em situações comprometedoras. Ele é uma pessoa que quebrava as regras para fazer o seu trabalho de investigador, tendo os seus próprios contactos, seja na morgue ou através de fontes fiáveis que são essenciais para extrair informações cruciais para os seus casos.

 

Mason é uma personagem que considera que de certa forma, toda a gente é culpada de tudo o que está a acontecer naquele momento em Los Angeles e por isso, defende quem ele acredita que é realmente inocente. Ele vai enfrentar quem for preciso para chegar à verdade, nem que tenha que percorrer meios menos ortodoxos, mas será que as ações de Perry são justificáveis ao ponto de ele não precisar de sofrer com as consequências?


 

Depois de ocorrerem várias peripécias no julgamento do caso de Charlie que fazem com que Emily Dodson seja acusada e considerada como a principal suspeita de ter tido algum envolvimento no sequestro e morte do seu filho, Mason resolve aceitar e tornar-se no seu advogado. Assim, ele começa a ter uma postura mais responsável que inclui tomar mais cuidados para consigo, como por exemplo, pentear-se ou mesmo fazer a barba. Por isso, vamos vendo um pouco, o processo de transformação de Mason como detetive para uma carreira de advogado, com planos bem definidos.

 

Na minha opinião, é bem interessante acompanhar a construção da personagem de Perry Mason e a sua própria evolução e jornada como pessoa, desde os seus dias como investigador privado até tornar-se num advogado diferente, sendo fundamental para defender aqueles que são inocentes, mas infelizmente têm muitas dificuldades para conseguirem provar. Mesmo tendo alguns defeitos na sua personalidade, ele é sem dúvida, a pessoa mais indicada para ajudar quem mais precisa e que é constantemente prejudicada pelo sistema de justiça do país e também dá-lhe uma oportunidade de se redimir dos erros do seu passado.


 

Matthew Rhys desempenha os diversos lados da personalidade Perry Mason, de um modo fantástico e bem realista. Temos a oportunidade de ver uma boa construção da personagem principal com uma mente brilhante, mas ao mesmo tempo perturbada com os seus fantasmas do passado, não conseguindo lidar com eles sempre da melhor forma, tendo assim, reações que nem sempre são as melhores e por isso, a utilização de flashbacks também são essenciais para termos uma noção dos traumas passados por este indivíduo.

 

Mason tem uma abordagem completamente diferente de qualquer outro advogado, tornando-o brilhante no seu trabalho, pois esta é uma luta de Mason contra o sistema judicial, em que ele utiliza as informações certas em alturas imprescindíveis. No caso de Emily, ele prepara-se para todo o tipo de teorias e pormenores que possam vir a surgir, para que não prejudique o seu cliente e não tenha nenhuma surpresa desagradável, mas será que consegue impedir os planos do procurador?


 

Perry Mason vai conseguindo alcançar aos poucos, todas as ferramentas necessárias para vencer o seu caso e assim derrotar um homem tão corrupto e ambicioso como é Maynard Barnes, mesmo que tenha de ultrapassar diversos obstáculos que não serão fáceis de enfrentar, incluindo más notícias dadas pelas pessoas em que ele mais confia, mas será que ele conseguirá provar que a sua cliente está inocente?

 


Maynard Barnes é o advogado distrital e um excelente manipulador que quer tornar-se no próximo presidente da câmara e por isso quer provar a todo o custo que a arguida e cliente de Mason é culpada, tendo sempre cartas na manga para a prejudicar, mesmo que não estejam relacionadas com o crime em si. Assim, é uma personagem que por vezes irrita, principalmente nas suas estratégias em tribunal querendo condenar alguém por cometer um erro que não está relacionado com o caso em questão.

 


E.B. Jonathan é um advogado com uma personalidade complexa e com algumas dificuldades e traumas por resolver. Assim, ele tem receio de pôr a sua carreira em risco, devido à situação de sequestro e assassinato misterioso, brutal e assustador de Charlie Dodson, pois este caso recebeu grande atenção por parte da comunicação social, por isso qualquer pessoa envolvida no caso ou era bem-sucedida ou era prejudicada na sua carreira e por isso é que resolve pedir a ajuda de Perry Mason, que não tem nada a perder.

 

Um dos pontos positivos da história também são as suas personagens femininas, como por exemplo Della Street, Irmã Alice e Emily Dodson, que representam uma importância crucial para os desenvolvimentos destes 8 episódios.

 


Della Street é a secretária criativa e jurídica do escritório de advogados de E.B. Jonathan e é uma personagem fundamental para a história que vai tendo uma grande evolução, pois é ela que fornece uma ajuda essencial para os casos, onde é a responsável pela pesquisa mais intensiva e aprofundada de cada pormenor e procura por informações sobre testemunhas existentes que podem fazer a diferença quando chegar a altura de depor em tribunal. É uma pessoa criativa, que tem um trabalho com várias funções, tendo também um objetivo específico que quer alcançar, mas acima de tudo, quer ajudar pessoas que são acusadas injustamente pela justiça americana.

 

A Irmã Alice McKeegan é a líder da igreja evangélica denominada por Radiant Assembly (Assembleia de Deus Radiante em português), que está constantemente a pregar para uma congregação faminta e uma audiência de rádio, por todo o país. Esta igreja tem uma ligação fulcral com a investigação, mas será que está envolvida diretamente com o sequestro e assassinato misterioso de Charlie Dodson?


 

A Irmã Alice é uma personagem carismática que ajuda o espetador a sentir-se mais envolvido na história. É uma oradora brilhante, cheia de seguidores, sendo que é algo que a pessoa não fica admirada, pois é muito devido aos seus sermões memoráveis que ela tem a capacidade de cativar qualquer um e assim, vai conseguindo angariar cada vez mais admiradores que têm fé nela e acreditam naquilo que prega.

 


Ela é uma pessoa misteriosa e cheia de talento, mas com uma personalidade muito complexa, onde nem sempre sabemos o que vai na sua cabeça, em que os seus discursos motivacionais são brilhantes mesmo que sejam repletos por um espetáculo cheio de peripécias e reviravoltas, mas que sem dúvida, fica na memória tanto dos seus seguidores, como do próprio público que está a assistir. Mas nem sempre tudo corre pelo melhor, principalmente quando a Irmã Alice enfrenta pressão por parte dos anciãos da igreja sobre as suas promessas de algo inconcebível. Por isso, a Tatiana Maslany está de parabéns pela interpretação fantástica desta personagem, em que podemos ver uma construção muito bem desenvolvida, que foi um dos pontos fundamentais para o sucesso alcançado desta história.

 


Esta é uma igreja que quer manter um determinado tipo de imagem para os seus crentes, mesmo que não seja real, sendo que começamos a ver aos poucos a verdadeira motivação desta instituição, sendo que acaba por serem reunidas evidências suficientes para que seja investigada pela equipa de Perry Mason, em que uma das suas conclusões é a manipulação intensiva que ocorre nesta instituição, entre outras. Assim, existe uma grande ligação entre o caminho que a Irmã Alice vai percorrendo que pode ter implicâncias no destino de outras personagens e na própria investigação de Mason.



 

Paul Drake também é uma personagem essencial na história, apesar de nem sempre estar presente em todos os episódios. Ele é um polícia negro que faz as suas próprias investigações, questionando as suas convicções e a razão pelo qual tornou-se num agente da lei, mas Paul tenta estar no lado certo da história, tentando buscar justiça para aqueles que a necessitam, acabando por ter alguns dilemas pelo caminho.

 

Apesar de ter dilemas morais, Drake tem uma boa intuição e lá no fundo não gosta de ver injustiças e isso vai-se comprovando ao longo dos episódios, mesmo que não seja mostrada a sua presença.



Infelizmente, muitos dos acusados eram culpados injustamente, pois não tinham os meios necessários para provarem a sua inocência e eram vários os fatores envolventes que impediam um final mais feliz, por isso não conseguiam ter alguém que se envolvesse de forma a lutar contra o sistema até aparecer pessoas como Perry Mason a defender o caso de Emily Dodson. Sendo a opinião pública considerada como muito potente e essencial, é interessante ver nesta história como esta vai sendo afetada de acordo com as situações que vão decorrendo.

 

Existe um lema do juiz que está afixado no interior do tribunal e que é abordado em alguns episódios, nos quais primeiro vem a verdade e depois a busca pela justiça, mas que infelizmente nem sempre é fácil de se cumprir e de se provar, principalmente quando determinados casos parecem jogos autênticos com uma complexidade bem evidente, tornando-se por vezes indecentes para as vítimas.

 


Ao longo dos episódios também temos a oportunidade de acompanhar o julgamento de Emily que inclui tanto testemunhas de acusação como também de defesa, ao mesmo tempo que são realizadas investigações a determinadas personagens que podem estar relacionadas com o rapto e morte de Charlie. Por vezes, as evidências são por vezes confusas, acabando por baralhar o caso, mas isso não faz o Mason desistir. Mas afinal quem serão os sequestradores de Charlie e poderão ter alguma ligação específica com algumas das personagens principais?

 


A história chega a um ponto que começamos a chegar à conclusão que isto é uma grande conspiração criada por pessoas importantes no poder que não querem saber se a pessoa é realmente culpada ou não, desde que possa ser vantajoso para eles. Nestas situações é muito importante que não exista qualquer tipo de influência quando o objetivo é descobrir a verdade, mas neste caso, podemos ver muito bem a corrupção existente, principalmente na polícia que utilizam o seu próprio estatuto para esconderem os seus rastos e usarem a seu favor. Será que os vilões da história vão ser apanhados e assim pagarem pelos seus atos?

 

A 1ª temporada acaba por abordar apenas um caso específico e por isso vão-se alongando a uma velocidade bem lenta que nem sempre favoreceu a própria história e por vezes pode decorrer alguns momentos de confusão, mas quase que a pessoa não dá conta. Infelizmente existem alguns episódios que são um pouco mais parados, sendo que acabam por ter um ritmo muito mais lento do que o necessário, mas depois é compensado na forma como a história se vai desenrolando até chegar a reviravoltas interessantes.


 

A história tem uma versão e um ponto de vista mais sombrio e violento, sendo constituída por um bom mistério que pode ser um pouco perturbadora, devido a algumas cenas mais assustadoras ou cenas de crimes horríveis que pode fazer impressão aos espetadores mais sensíveis, principalmente por desenrolar-se à volta de um caso mórbido.


 

Uma minissérie que acabou por transformar-se numa série a partir do momento que foi renovada para uma segunda temporada, pois torna-se num mistério intrigante e cativante com uma versão sombria, onde são mostradas as circunstâncias que levaram a este crime macabro e conturbado que foi o assassinato de uma criança, contendo reviravoltas interessantes e algumas delas até surpreendentes de certa forma, numa busca longa pela verdade.

 

Esta é a adaptação mais recente dos livros que ainda tem muito potencial por explorar e que foi baseada nas criações de Erie Stanley Gardner e como ainda não tive a oportunidade de ver as outras versões mais antigas não posso fazer qualquer tipo de comparações, mas posso dizer que gostei da forma como esta foi criada e estruturada.


A cidade de Los Angeles é representada de um modo mais antigo e com os costumes daquela década. A época em que está inserida está bem recriada que inclui uma fotografia que vai sendo escolhida, de acordo com a cena que estamos a acompanhar, mas também com uma banda sonora envolvente e uma ótima qualidade, contendo um estilo mesmo adequado para a altura, onde tudo encaixa e faz sentido, num geral.

 


A série é uma boa aposta para a HBO que surpreendeu o público na forma peculiar que resolveu fazer esta adaptação, incluindo uma personagem clássica que tornou-se marcante para os admiradores dos livros de Erle Stanley Gardner, tendo uma boa reconstrução da época, onde a história é inserida e está tudo filmado de um modo impecável, contendo uma boa dinâmica e um final satisfatório. Para além disso, é constituído por elenco talento repleto de performances interessantes que conseguiram desenvolver muito bem as suas personagens. Assim, eu estou curiosa para acompanhar os novos episódios da 2ª temporada que irão estrear em breve nesta plataforma.