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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Série "Perry Mason" da HBO - a jornada de um detetive privado que torna-se num advogado para ajudar a resolver mistérios e crimes complicados

A série Perry Mason é uma das novas apostas da HBO, em que é transmitida na sua plataforma portuguesa sobre a história de um dos mais famosos advogados de defesa criminal da ficção norte-americana, que decorre no início das suas funções com um caso emblemático, incluindo pelo meio um pouco de drama, mistério e crime. Este drama, atualmente com 8 episódios que já foi renovado para uma 2ª temporada, é baseado nas personagens dos livros do autor, Erle Stanley Gardner que escreveu mais de 80 capítulos, desde 1933 até 1970, tendo várias versões desde filmes, emissões de 15 minutos na rádio, banda desenhada, séries, entre outros. Esta adaptação mais recente é criada por Rolin Jones e Ron Fitzgerald, tendo como produtores executivos, Amanda Burrell, Robert Downey Jr., Susan Downey, Ron Fitzgerald, Joe Horacek, Rolin Jones e Timothy Van Patten, que também é o realizador e para além disso, tem a produção de Matthew Rhys.

 

A história desenrola-se no ano de 1931, na cidade de Los Angeles. Perry Mason (Matthew Rhys) é um mero investigador privado que ajuda Elias Birchard “E.B.” Jonathan, um advogado a resolver crimes que estão possivelmente interligados com os seus clientes. Quando o rapto de uma criança tem consequências devastadoras para a sua família, que podem ou não estar relacionados com o crime, Perry resolve aceitar o caso tornando-se assim, primeiramente no seu investigador e mais tarde, num advogado de defesa criminal, tentando descobrir a verdade a todo o custo, mas não será uma tarefa fácil, principalmente quando existem várias pessoas que farão os possíveis para encobrir as pistas que poderão ser fundamentais para que consiga defender a sua cliente.  

 

O elenco é constituído por Matthew Rhys (Perry Mason), John Lithgow (Elias Birchard “E.B.” Jonathan), Juliet Rylance (Della Street), Tatiana Maslany (Irmã Alice McKeegan), Gayle Rankin (Emily Dodson), Chris Chalk (Paul Drake), Shea Whigham (Pete Strickland), Lili Taylor (Birdy McKeegan), Nate Corddry (Matthew Dodson), Robert Patrick (Herman Baggerly) e Stephen Root (Maynard Barnes).


 

Nesta época, a cidade de Los Angeles estava em constante evolução, com grandes inovações a serem criadas e onde a igreja evangélica tinha cada vez mais influência na sociedade enquanto o resto do país lutava contra a Grande Depressão, mas este era um sítio repleto de corrupção, crimes, racismo e homofobia que estava dividida na sua opinião sobre diversos assuntos marcantes para a altura.

 

Esta primeira temporada conta a história do caso mediático que envolve o rapto de um bebé de um ano chamado Charlie que corre muito mal, resultando na sua morte trágica, cujo objetivo principal dos sequestradores era conseguirem extorquir o máximo de dinheiro possível aos pais da criança, que só queriam ter de volta o seu filho, acreditando que o mesmo estava vivo, mas infelizmente não foi isso que aconteceu.

 


O caso de Charlie torna-se num dos mais emblemáticos e famosos desta época, pois tudo aconteceu de uma forma muito estranha que tinha pormenores macabros que seriam completamente insensíveis uma pessoa cometer a uma criança inocente. Os principais suspeitos do sequestro e homicídio de Charlie são os próprios pais que ao longo dos episódios vamos vendo todas as evidências contra eles.

 

Durante estes episódios, podemos acompanhar o caminho que é necessário que cada uma das personagens percorre para a sua própria redenção que pode fazer toda a diferença na resolução deste crime, tendo o espetador, a oportunidade de criar as suas próprias teorias sobre o que poderá ter acontecido com Charlie e quem é o verdadeiro culpado.

 


Herman Baggerly, um membro conceituado da igreja da Irmã Alice e um homem poderoso na cidade contrata os serviços do advogado E.B. Jonathan, nos quais este pede a ajuda de Perry Mason para solucionar o caso, pois este detetive costuma fazer alguns trabalhos de investigação sempre que é solicitado.

 


Perry Mason é um detetive privado que luta para sobreviver, tendo como seu braço direito e aliado, Pete Strickland e um dia são contratados pelo advogado, E.B. Jonathan, um género de mentor para Perry, para ajudarem a resolver um caso completamente desconcertante que é o caso do sequestro de Charlie Dodson, de um ano de idade, cujos pais, Matthew e Emily, membros da igreja da Irmã Alice receberam um pedido de resgaste no valor de 100 000 dólares.

 

Infelizmente, esta investigação acaba por tornar-se num crime de rapto e homicídio. Perry vai estar constantemente à procura da verdade que revela-se não sendo algo fácil de se concretizar, mas isso não o impede de fazer o que for preciso para descobrir o que aconteceu realmente com o bebé Charlie.

 

Perry Mason é uma pessoa muito simples que vive de uma forma bem humilde, ao mesmo tempo que é assombrado pelas experiências um pouco traumáticas que passou enquanto serviu em França. Ele cometeu muitos erros para com a sua ex-mulher e o seu filho, por isso tenta compensá-los sempre que consegue, mas nem sempre acaba da forma que pretendia.


 

Inicialmente, ele é definido por ser um veterano com problemas relativamente ao excesso de consumo de álcool que atua como detetive particular, depois de ter lutado na 1ª Guerra Mundial. Não tem cuidados a nível de higiene, vestindo-se mal, sendo assim, caracterizado de uma forma bem peculiar que inclui um chapéu, cigarro na boca e gravatas que são roubadas aos mortos da morgue.


Mason está sempre acompanhado da sua pequena máquina fotográfica que é fundamental nas suas investigações em métodos não muito legais e pouco tradicionais. Ele vive na quinta da sua família, sem condições e no meio de uma pista de aviação. É pessimista e constantemente atormentado por memórias do passado e com as suas dificuldades financeiras, ele aceita qualquer trabalho que lhe aparece à frente, pois são notórios os fracassos e erros que cometeu anteriormente.


 

De certa forma, Mason é um homem vulnerável e prático com um ligeiro tom misterioso, que sobrevive, sem ter qualquer tipo de expetativas de vir a ter uma vida melhor. Tanto ele, como o seu parceiro Pete Strickland ganham dinheiro, através de fotos que tiram a estrelas de Hollywood, em situações comprometedoras. Ele é uma pessoa que quebrava as regras para fazer o seu trabalho de investigador, tendo os seus próprios contactos, seja na morgue ou através de fontes fiáveis que são essenciais para extrair informações cruciais para os seus casos.

 

Mason é uma personagem que considera que de certa forma, toda a gente é culpada de tudo o que está a acontecer naquele momento em Los Angeles e por isso, defende quem ele acredita que é realmente inocente. Ele vai enfrentar quem for preciso para chegar à verdade, nem que tenha que percorrer meios menos ortodoxos, mas será que as ações de Perry são justificáveis ao ponto de ele não precisar de sofrer com as consequências?


 

Depois de ocorrerem várias peripécias no julgamento do caso de Charlie que fazem com que Emily Dodson seja acusada e considerada como a principal suspeita de ter tido algum envolvimento no sequestro e morte do seu filho, Mason resolve aceitar e tornar-se no seu advogado. Assim, ele começa a ter uma postura mais responsável que inclui tomar mais cuidados para consigo, como por exemplo, pentear-se ou mesmo fazer a barba. Por isso, vamos vendo um pouco, o processo de transformação de Mason como detetive para uma carreira de advogado, com planos bem definidos.

 

Na minha opinião, é bem interessante acompanhar a construção da personagem de Perry Mason e a sua própria evolução e jornada como pessoa, desde os seus dias como investigador privado até tornar-se num advogado diferente, sendo fundamental para defender aqueles que são inocentes, mas infelizmente têm muitas dificuldades para conseguirem provar. Mesmo tendo alguns defeitos na sua personalidade, ele é sem dúvida, a pessoa mais indicada para ajudar quem mais precisa e que é constantemente prejudicada pelo sistema de justiça do país e também dá-lhe uma oportunidade de se redimir dos erros do seu passado.


 

Matthew Rhys desempenha os diversos lados da personalidade Perry Mason, de um modo fantástico e bem realista. Temos a oportunidade de ver uma boa construção da personagem principal com uma mente brilhante, mas ao mesmo tempo perturbada com os seus fantasmas do passado, não conseguindo lidar com eles sempre da melhor forma, tendo assim, reações que nem sempre são as melhores e por isso, a utilização de flashbacks também são essenciais para termos uma noção dos traumas passados por este indivíduo.

 

Mason tem uma abordagem completamente diferente de qualquer outro advogado, tornando-o brilhante no seu trabalho, pois esta é uma luta de Mason contra o sistema judicial, em que ele utiliza as informações certas em alturas imprescindíveis. No caso de Emily, ele prepara-se para todo o tipo de teorias e pormenores que possam vir a surgir, para que não prejudique o seu cliente e não tenha nenhuma surpresa desagradável, mas será que consegue impedir os planos do procurador?


 

Perry Mason vai conseguindo alcançar aos poucos, todas as ferramentas necessárias para vencer o seu caso e assim derrotar um homem tão corrupto e ambicioso como é Maynard Barnes, mesmo que tenha de ultrapassar diversos obstáculos que não serão fáceis de enfrentar, incluindo más notícias dadas pelas pessoas em que ele mais confia, mas será que ele conseguirá provar que a sua cliente está inocente?

 


Maynard Barnes é o advogado distrital e um excelente manipulador que quer tornar-se no próximo presidente da câmara e por isso quer provar a todo o custo que a arguida e cliente de Mason é culpada, tendo sempre cartas na manga para a prejudicar, mesmo que não estejam relacionadas com o crime em si. Assim, é uma personagem que por vezes irrita, principalmente nas suas estratégias em tribunal querendo condenar alguém por cometer um erro que não está relacionado com o caso em questão.

 


E.B. Jonathan é um advogado com uma personalidade complexa e com algumas dificuldades e traumas por resolver. Assim, ele tem receio de pôr a sua carreira em risco, devido à situação de sequestro e assassinato misterioso, brutal e assustador de Charlie Dodson, pois este caso recebeu grande atenção por parte da comunicação social, por isso qualquer pessoa envolvida no caso ou era bem-sucedida ou era prejudicada na sua carreira e por isso é que resolve pedir a ajuda de Perry Mason, que não tem nada a perder.

 

Um dos pontos positivos da história também são as suas personagens femininas, como por exemplo Della Street, Irmã Alice e Emily Dodson, que representam uma importância crucial para os desenvolvimentos destes 8 episódios.

 


Della Street é a secretária criativa e jurídica do escritório de advogados de E.B. Jonathan e é uma personagem fundamental para a história que vai tendo uma grande evolução, pois é ela que fornece uma ajuda essencial para os casos, onde é a responsável pela pesquisa mais intensiva e aprofundada de cada pormenor e procura por informações sobre testemunhas existentes que podem fazer a diferença quando chegar a altura de depor em tribunal. É uma pessoa criativa, que tem um trabalho com várias funções, tendo também um objetivo específico que quer alcançar, mas acima de tudo, quer ajudar pessoas que são acusadas injustamente pela justiça americana.

 

A Irmã Alice McKeegan é a líder da igreja evangélica denominada por Radiant Assembly (Assembleia de Deus Radiante em português), que está constantemente a pregar para uma congregação faminta e uma audiência de rádio, por todo o país. Esta igreja tem uma ligação fulcral com a investigação, mas será que está envolvida diretamente com o sequestro e assassinato misterioso de Charlie Dodson?


 

A Irmã Alice é uma personagem carismática que ajuda o espetador a sentir-se mais envolvido na história. É uma oradora brilhante, cheia de seguidores, sendo que é algo que a pessoa não fica admirada, pois é muito devido aos seus sermões memoráveis que ela tem a capacidade de cativar qualquer um e assim, vai conseguindo angariar cada vez mais admiradores que têm fé nela e acreditam naquilo que prega.

 


Ela é uma pessoa misteriosa e cheia de talento, mas com uma personalidade muito complexa, onde nem sempre sabemos o que vai na sua cabeça, em que os seus discursos motivacionais são brilhantes mesmo que sejam repletos por um espetáculo cheio de peripécias e reviravoltas, mas que sem dúvida, fica na memória tanto dos seus seguidores, como do próprio público que está a assistir. Mas nem sempre tudo corre pelo melhor, principalmente quando a Irmã Alice enfrenta pressão por parte dos anciãos da igreja sobre as suas promessas de algo inconcebível. Por isso, a Tatiana Maslany está de parabéns pela interpretação fantástica desta personagem, em que podemos ver uma construção muito bem desenvolvida, que foi um dos pontos fundamentais para o sucesso alcançado desta história.

 


Esta é uma igreja que quer manter um determinado tipo de imagem para os seus crentes, mesmo que não seja real, sendo que começamos a ver aos poucos a verdadeira motivação desta instituição, sendo que acaba por serem reunidas evidências suficientes para que seja investigada pela equipa de Perry Mason, em que uma das suas conclusões é a manipulação intensiva que ocorre nesta instituição, entre outras. Assim, existe uma grande ligação entre o caminho que a Irmã Alice vai percorrendo que pode ter implicâncias no destino de outras personagens e na própria investigação de Mason.



 

Paul Drake também é uma personagem essencial na história, apesar de nem sempre estar presente em todos os episódios. Ele é um polícia negro que faz as suas próprias investigações, questionando as suas convicções e a razão pelo qual tornou-se num agente da lei, mas Paul tenta estar no lado certo da história, tentando buscar justiça para aqueles que a necessitam, acabando por ter alguns dilemas pelo caminho.

 

Apesar de ter dilemas morais, Drake tem uma boa intuição e lá no fundo não gosta de ver injustiças e isso vai-se comprovando ao longo dos episódios, mesmo que não seja mostrada a sua presença.



Infelizmente, muitos dos acusados eram culpados injustamente, pois não tinham os meios necessários para provarem a sua inocência e eram vários os fatores envolventes que impediam um final mais feliz, por isso não conseguiam ter alguém que se envolvesse de forma a lutar contra o sistema até aparecer pessoas como Perry Mason a defender o caso de Emily Dodson. Sendo a opinião pública considerada como muito potente e essencial, é interessante ver nesta história como esta vai sendo afetada de acordo com as situações que vão decorrendo.

 

Existe um lema do juiz que está afixado no interior do tribunal e que é abordado em alguns episódios, nos quais primeiro vem a verdade e depois a busca pela justiça, mas que infelizmente nem sempre é fácil de se cumprir e de se provar, principalmente quando determinados casos parecem jogos autênticos com uma complexidade bem evidente, tornando-se por vezes indecentes para as vítimas.

 


Ao longo dos episódios também temos a oportunidade de acompanhar o julgamento de Emily que inclui tanto testemunhas de acusação como também de defesa, ao mesmo tempo que são realizadas investigações a determinadas personagens que podem estar relacionadas com o rapto e morte de Charlie. Por vezes, as evidências são por vezes confusas, acabando por baralhar o caso, mas isso não faz o Mason desistir. Mas afinal quem serão os sequestradores de Charlie e poderão ter alguma ligação específica com algumas das personagens principais?

 


A história chega a um ponto que começamos a chegar à conclusão que isto é uma grande conspiração criada por pessoas importantes no poder que não querem saber se a pessoa é realmente culpada ou não, desde que possa ser vantajoso para eles. Nestas situações é muito importante que não exista qualquer tipo de influência quando o objetivo é descobrir a verdade, mas neste caso, podemos ver muito bem a corrupção existente, principalmente na polícia que utilizam o seu próprio estatuto para esconderem os seus rastos e usarem a seu favor. Será que os vilões da história vão ser apanhados e assim pagarem pelos seus atos?

 

A 1ª temporada acaba por abordar apenas um caso específico e por isso vão-se alongando a uma velocidade bem lenta que nem sempre favoreceu a própria história e por vezes pode decorrer alguns momentos de confusão, mas quase que a pessoa não dá conta. Infelizmente existem alguns episódios que são um pouco mais parados, sendo que acabam por ter um ritmo muito mais lento do que o necessário, mas depois é compensado na forma como a história se vai desenrolando até chegar a reviravoltas interessantes.


 

A história tem uma versão e um ponto de vista mais sombrio e violento, sendo constituída por um bom mistério que pode ser um pouco perturbadora, devido a algumas cenas mais assustadoras ou cenas de crimes horríveis que pode fazer impressão aos espetadores mais sensíveis, principalmente por desenrolar-se à volta de um caso mórbido.


 

Uma minissérie que acabou por transformar-se numa série a partir do momento que foi renovada para uma segunda temporada, pois torna-se num mistério intrigante e cativante com uma versão sombria, onde são mostradas as circunstâncias que levaram a este crime macabro e conturbado que foi o assassinato de uma criança, contendo reviravoltas interessantes e algumas delas até surpreendentes de certa forma, numa busca longa pela verdade.

 

Esta é a adaptação mais recente dos livros que ainda tem muito potencial por explorar e que foi baseada nas criações de Erie Stanley Gardner e como ainda não tive a oportunidade de ver as outras versões mais antigas não posso fazer qualquer tipo de comparações, mas posso dizer que gostei da forma como esta foi criada e estruturada.


A cidade de Los Angeles é representada de um modo mais antigo e com os costumes daquela década. A época em que está inserida está bem recriada que inclui uma fotografia que vai sendo escolhida, de acordo com a cena que estamos a acompanhar, mas também com uma banda sonora envolvente e uma ótima qualidade, contendo um estilo mesmo adequado para a altura, onde tudo encaixa e faz sentido, num geral.

 


A série é uma boa aposta para a HBO que surpreendeu o público na forma peculiar que resolveu fazer esta adaptação, incluindo uma personagem clássica que tornou-se marcante para os admiradores dos livros de Erle Stanley Gardner, tendo uma boa reconstrução da época, onde a história é inserida e está tudo filmado de um modo impecável, contendo uma boa dinâmica e um final satisfatório. Para além disso, é constituído por elenco talento repleto de performances interessantes que conseguiram desenvolver muito bem as suas personagens. Assim, eu estou curiosa para acompanhar os novos episódios da 2ª temporada que irão estrear em breve nesta plataforma.


sábado, 15 de agosto de 2020

Série "Sherlock" - a melhor e mais brilhante adaptação das aventuras de Sherlock Holmes e do seu parceiro Dr. John Watson

Com 4 temporadas, Sherlock é uma série britânica do canal BBC, que tem como adaptação, as histórias escritas por Sir Arthur Conan Doyle, sendo criada por Steven Moffat e Mark Gatiss, iniciando em 2010 e terminando em 2017. É constituída por 13 episódios, que estão divididos em 3 episódios, de cerca de 90 minutos, em cada temporada e ainda um episódio especial. Foi produzida pela Hartswood Films e atualmente está disponível na plataforma da Netflix, apesar de já ter sido exibida pelo canal AXN e RTP2, mas este é um drama policial que já foi transmitido a mais de 180 países.

Esta história desenrola-se na cidade de Londres, onde Dr. John Watson (Martin Freeman) procura um sítio para viver e conhece Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch). Depois irão formar uma equipa para ajudar a desvendar investigações, que só eles conseguem resolver. São vários os mistérios, mas com a inteligência de Sherlock e com a parceria de Watson vai ser difícil os criminosos escaparem.

 


O elenco é constituído por Benedict Cumberbatch (Sherlock Holmes), Martin Freeman (John Watson), Una Stubbs (Sra. Hudson), Rupert Graves (Greg Lestrade), Andrew Scott (Jim Moriatry), Mark Gatiss (Mycroft Holmes), Louise Brealey (Molly Hopper), Vinette Robinson (Sally Donovan), Jonathan Aris (Anderson), Lara Pulver (Irene Adler), Amanda Abbington (Mary Morstan), entre outros.

 



Esta série é escrita por Mark Gatiss, Steven Moffat e Stephen Thompson e com Sue Vertue como produtora, sendo constituída por episódios que seguem assassinos em série, assaltos misteriosos, gangs, casos relacionados com a família real de Inglaterra, atividades estranhas feitas numa base militar, entre outros que podem pôr em causa a segurança do país.

 

Esta versão utiliza tecnologias muito mais recentes, tais como computadores, telemóveis, Internet, SMS ou GPS que são ferramentas essenciais para investigar um determinado caso ao contrário das outras adaptações que desenrolavam-se em épocas muito mais antigas.

 

Ao longo dos episódios surgem enigmas que não serão fáceis de resolver, mas quando se tem alguém na equipa como Sherlock, significando que mais cedo ou mais tarde, tudo será desvendado.

 



Sherlock é um homem brilhante e excêntrico na forma como se comporta perante os outros, que ajuda a Polícia Metropolitana de Londres a desvendar crimes e mistérios, através da sua parceria com o detetive Greg Lestrade. É uma pessoa que toca violino, muito inteligente, com grandes capacidades de observação e intuição, mas descreve-se como um sociopata altamente funcional, que está constantemente em perigo.

 



Ele está isolado no seu próprio mundo e praticamente só trabalha em casos que não tenham quaisquer pistas e soluções à vista e também quer mostrar e provar que é extremamente mais inteligente e genial que os outros, através do seu talento de conseguir criar ligações com as pistas de uma forma rápida, devido à velocidade do seu pensamento estar sempre em alta e assim, mais ninguém tem a capacidade de o ser da mesma forma que ele.

 

Este é um investigador bizarro, frio e arrogante, nos quais contém algumas das características do Síndrome de Asperger e que utiliza adesivos de nicotina. Inicialmente, algumas das personagens duvidam das capacidades de Sherlock para fazer um trabalho eficaz, mas aos poucos acabam por chegar à conclusão que estavam errados e começam a depender completamente do talento de Holmes. Aos poucos, Sherlock torna-se num tipo de celebridade, devido ao êxito que tem em resolver casos e por isso são vários aqueles que irão pedir a sua ajuda. 



 

Sherlock é um génio à sua maneira, com uma intuição bem apurada, conseguindo resolver mistérios que parecem impossíveis de decifrar, mas é completamente anti-social e antipático, em que representa dificuldades em interagir com a sociedade, pois está constantemente a insultar e usar as pessoas para os seus planos, mas mesmo assim, algumas das personagens continuam a ter um carinho profundo por ele, por mais vezes que ele os possa vir a magoar.

 

Esta é uma pessoa peculiar que consegue reter uma grande quantidade de informação num tipo de palácio da mente, que gosta de nomear, tendo a capacidade de influenciar todos à sua volta e acaba por ter atitudes perigosas que podem afetar as restantes personagens, pois existem situações nos quais ele ultrapassa todos os limites a nível moral, mas chegamos à conclusão que existe uma razão pelo qual Sherlock age de uma forma específica, estando relacionado com memórias retidas de um trauma de infância que teve. Mas será que algumas das ações de Sherlock terão algum tipo de consequências para ele?



 

Infelizmente, existem situações nos quais Sherlock ultrapassa todos os limites a nível moral, mas chegamos à conclusão que existe uma razão pelo qual ele age de uma forma específica, estando relacionado com memórias retidas de um trauma de infância que teve. Para além disso, o seu irmão Mycroft está sempre a fazer o que é necessário para proteger Sherlock e há momentos que parece que influencia os eventos à volta para beneficiá-lo, evitando que vá parar à prisão.

 


Ao longo dos episódios, Sherlock também tem a oportunidade de descobrir mais sobre o seu passado, incluindo partes que não tem qualquer tipo de lembranças, sendo revelados tanto segredos da família Holmes, como traumas que Sherlock tem enterrados no fundo da sua mente e onde temos a oportunidade de ver Louis Moffat a desempenhar a versão mais nova desta personagem. Será que os seus inimigos vão aproveitar a oportunidade para descontrolá-lo ou o seu lado mais psicológico está bem controlado?

 

Temos a oportunidade de ver como funciona a mente de Sherlock, como por exemplo, os seus pensamentos, nos quais são apresentados através de elementos gráficos para referir o que está no seu interior e para além disso, também acompanhamos a forma como são resolvidos os crimes e mistérios numa cidade de Londres mais moderna.

 



A personagem de Sherlock Holmes é sem dúvida, uma das mais carismáticas existentes no mundo do entretenimento, que é um tipo de génio que ao mesmo tempo tem atitudes loucas. Será que chegamos a ver um lado mais humano de Sherlock?

Benedict Cumberbatch faz uma interpretação incrível desta versão de Sherlock, nos quais considero, que esta seja a minha favorita até agora. Este ator interpreta uma personagem muito complexa, com uma personalidade muito peculiar, que nem sempre é fácil, uma pessoa lidar. Tem uma inteligência fascinante e a forma como vai resolvendo as suas investigações é muito interessante, pois vai dando atenção aos mínimos pormenores que lhe são apresentados e para além disso, ele vai encaixando todas as peças do puzzle até conseguir desvendar cada mistério.

 

Este ator faz um trabalho plenamente credível com uma intensidade complexa no desempenho desta versão mais moderna de Sherlock, tendo uma boa representação de como seria esta personagem no mundo atual através das suas expressões faciais e movimentos corporais e sem dúvida, que não haveria outra escolha possível, senão Benedict.

 



John Watson é um médico que foi atingido por uma bala enquanto estava a servir o exército britânico no Afeganistão, fazendo com que tivesse de regressar a Londres em Inglaterra para cuidar da sua saúde que trouxe-lhe alguns traumas por resolver, seja a nível físico como emocional. Ele não imaginava os obstáculos que teria de enfrentar depois de voltar do seu serviço militar, sendo uma pessoa sem trabalho, com problemas financeiros e com dificuldades em encontrar um sítio para viver.

 

Um dia, John conhece Sherlock que está à procura de alguém para dividir um apartamento no centro de Londres, acabando por tornarem-se numa dupla imprescindível e imbatível a resolverem crimes juntos.


 

Watson aproveita para criar um blog, em que partilha as suas histórias e aventuras com Sherlock e a sua jornada com este detetive, durante os casos que vão investigando, ao mesmo tempo que tenta ultrapassar os traumas causados por eventos da guerra no Afeganistão. As publicações de Watson tornam Sherlock numa celebridade, conseguindo assim, adquirir cada vez mais casos e mistérios, seja por parte do governo ou por pessoas com alguma influência e riqueza.

 


A relação entre Sherlock Holmes e John Watson vai sendo explorada ao longo dos episódios, onde a parceria entre estas duas personagens vai ser posta à prova, com desafios e obstáculos que terão de enfrentar juntos, sendo que é interessante ver como eles complementam-se um com o outro, tornando-se assim em bons parceiros.

 

É muito interessante ver uma relação de amizade tão forte e profunda quanto a de John com Sherlock, que faz com que chegue a ponto que arriscam a sua própria vida para salvar o outro do perigo e como uma amizade pode vir a ajudar a ultrapassar traumas pessoais e criar uma certa mudança na personalidade de cada pessoa.

 



Mas Sherlock não é a única pessoa que chega a fazer parte da vida de John. Mary foi essencial e tem um papel fundamental na evolução e na vida deste médico, apesar de esconder segredos e ter tido um passado mais conturbado.

 

Um dos pontos positivos da série é sem dúvida, a dinâmica e química excelente partilhada entre Sherlock e John, sempre que estão em cena. Em determinadas situações, Watson praticamente não questiona as atitudes e decisões do seu parceiro, mas consegue trazer de uma certa forma, a humanidade escondida de Sherlock, sendo um género de bússola moral para ele. São várias as cenas repletas de emoção que pode fazer ultrapassar os limites de cada uma destas personagens e tanto Benedict como Martin têm uma performance muito intensa e magnífica e dá para ver a qualidade extrema do trabalho destes dois atores.

 


Nesta história é explorado o conflito intenso, constante e mortal entre Sherlock Holmes e Jim Moriarty, nos quais têm uma relação muito complexa e estranha um com o outro, que podem pôr em risco milhares de vidas na cidade de Londres.

 

Moriarty é o principal inimigo de Holmes que consegue perturbá-lo de uma forma muito intensiva, acabando por afetar por vezes a sua mente. Ele é um psicopata que faz os possíveis para encurralar, destabilizar e destruir a vida de Sherlock, mas também a sua imagem e reputação respetiva.



 

Este vilão é uma pessoa instável, impulsiva e assustadora e que gosta de criar armadilhas para o seu inimigo, mas será que Sherlock irá descobrir os seus planos a tempo?

 

Chega a uma altura que Moriarty obriga Holmes a resolver vários casos que não parecem ter qualquer tipo de ligação, ameaçando matar um número elevado de pessoas em Londres com bombas.



 

Moriarty é uma personagem popular, um pouco cómica, que representa o caos e cria planos muito perigosos e surpreendentes, que têm o objetivo de destruir e matar Sherlock, tornando-se irritante para alguns, mas sem dúvida que marcou a série, como um dos seus melhores vilões e Andrew Scott está de parabéns pela interpretação magnífica desta personagem que vai ficar na memória do público.

 



Uma das personagens que o público desenvolveu carinho foi a Sra. Hudson que é a proprietária do apartamento onde Sherlock Holmes e John Watson vivem e recebem os seus clientes em Baker Street em Londres. Ela acaba por ser uma figura maternal para esta dupla, sendo responsável pela parte mais leve e cómica da história, tentando aliviar algumas das tensões que vão sucedendo, nem que seja perguntar se a pessoa quer uma chávena de chá.

 



Para além disso, também temos a patologista Molly Hooper do St Bartholomew’s Hospital dá assistência ao Sherlock no seu laboratório, ajudando em alguns dos seus casos, mas tem um certo interesse amoroso por ele, apesar de ele não lhe dar atenção nenhuma, mesmo que ela não se importe, pois fará o que for necessário para ajudar este detetive, mesmo que tenha de colocar a sua vida em segundo plano.


 


Para além de Moriarty, Toby Jones interpreta um dos vilões da história chamado Culverton Smith, em que o espetador não sabe o que esperar desta personagem, acabando por se surpreender a cada atitude que vai sendo tomada por este homem com poder, dinheiro e fama, confundindo a pessoa sobre qual é o seu principal objetivo e tendo algumas reviravoltas interessantes.

 

Uma das principais vantagens que temos na existência desta série é acompanhar as aventuras de Sherlock Holmes no século XXI em Londres ou seja numa cidade mais moderna, cheia de tecnologia em que serão utilizadas algumas dessas ferramentas, com o objetivo de resolver crimes.



 

As investigações de Sherlock Holmes são legendárias no meio policial, sendo este como um dos detetives mais famosos por todas as suas peculiaridades, desde a sua criação em 1887, através das histórias de Arthur Conan Doyle.  

 

Esta série do detetive mais famoso do mundo tornou-se num fenómeno e sucesso autêntico, onde tem admiradores em vários países espalhados pelo mundo e onde já teve a oportunidade de ganhar diversos prémios, que inclui os Emmys, BAFTAs, entre outros. E não seria a mesma se não tivesse uma banda sonora bem envolvente, incluindo o seu genérico, sendo criada por David Arnold e Michael Price e constituída por músicas emblemáticas que criam uma boa ligação com algumas das cenas mais importantes da história.

 



Num geral, esta série britânica tem um elenco de luxo que fez interpretações brilhantes e formidáveis das suas personagens, com uma boa direção, contendo um argumento muito bem escrito e construído, nos quais conseguiram adaptar várias das histórias mais conhecidas de Sherlock Holmes que foram criadas por Arthur Conan Doyle, sendo na minha opinião, como uma das melhores adaptações feitas até hoje.

 

Sherlock foi uma ótima surpresa para os fãs desta personagem, superando quaisquer expetativas que existissem. Têm uma ótima produção e uma história tão bem estruturada que vicia e prende a atenção do espetador desde o início até ao fim, acabando por não criar qualquer tipo de incómodo por cada episódio conter 90 minutos.

 



Esta é uma história excelente com ótimos mistérios que é constituída por diálogos interessantes e bem conduzidos que são ditos de uma forma inteligente, em que dão atenção aos mínimos detalhes, ao mesmo tempo que utilizam tecnologia mais recente, de forma que todos os pormenores possam ser fundamentais para que um determinado caso seja resolvido. O espetador tem a oportunidade de criar as suas próprias teorias, mas nem sempre chegam a ser as mais corretas, pois existem momentos em que a pessoa é surpreendida, de uma maneira que acaba por ter uma mistura de emoções e pensamentos, ficando satisfeita com os acontecimentos que vão sucedendo.

 

As personagens são levadas ao limite, sendo testadas constantemente, ao mesmo tempo que são muito bem exploradas e desenvolvidas, dando a oportunidade para contar o caminho percorrido por cada uma destas e onde o espetador cria uma ligação de empatia com estas pessoas, fazendo com que ocorra uma mistura de sentimentos quando acompanhamos esta história, ou seja, o público sente-se envolvido naquilo que está a ver no momento e nem dá conta do tempo que vai passando em cada episódio. É muito interessante ver que cada personagem acaba por ter um lado mais misterioso e aos poucos vamos conseguindo desvendar os segredos escondidos de cada uma.

 



Em alguns episódios podemos acompanhar determinados jogos mentais que são feitos com as personagens, mas também com o próprio espetador e havia momentos que parecia que estávamos no interior da mente de Sherlock, tornando a experiência entusiasmante. Também podemos ver segredos a serem desvendados e as personagens a enfrentarem os seus medos e a superarem desafios relevantes para a evolução da respetiva personalidade.

 

Apesar de ser uma série dinâmica, eu acho que em determinadas situações podia ter sido muito mais bem equilibrado do que realmente foi. Esta é uma história que sempre teve expetativas altas para o público, principalmente após um longo tempo de espera por novos episódios e num geral não desiludiram, apesar de eu achar que a 4ª e última temporada chegou a um ponto que a pessoa começa a estranhar o modo como foi sendo desenrolado os últimos episódios e contendo partes mais confusas, surpreendendo assim, pela negativa.



 

A última temporada não é tão focada em resolver crimes, mas sim em explorar mais o passado de Sherlock e a respetiva ligação com os seus familiares e na minha opinião houve falhas no argumento, tornando-se numa temporada muito menos interessante e com uma qualidade inferior ao que já estávamos habituados. Mesmo que tivesse desiludido um pouco os seus admiradores, esta não deixou de ser uma temporada que desse vontade de não acompanhar.

 

Com a série Sherlock conseguiram construir um dos melhores produtos de entretenimento dos últimos anos, que tenta dar uma visão dos livros de Arthur Conan Doyle num mundo mais moderno e conseguem fazê-lo de uma forma competente com uma mensagem bem transmitida, pois tornou-se num grande sucesso a nível mundial. Existem algumas diferenças dos livros para a série, mas não deixa de ser genial e com uma qualidade excelente, conseguindo assim, cumprir o seu próprio e tornar-se numa das melhores adaptações destes livros.




 


Esta é uma história curta de mistério e suspense com revelações e reviravoltas inesperadas, cenas emocionantes que segue o seu próprio ritmo, sendo tudo desenvolvido de uma forma esplêndida, fascinante e surpreendente. É constituída por uma fotografia, cenários, localizações e guarda-roupa muito bem escolhidos e por uma montagem, edição, realização e efeitos visuais muito bem trabalhados e com uma ótima qualidade. Sem dúvida, que está na lista das melhores produções realizadas até hoje, contendo ação, drama e humor e que colocam as emoções do público à prova e com momentos obscuros que deixa a história mais pesada, mas sem exageros.

 



Esta série merece um reconhecimento digno na inteligência e criatividade incrível e fantástica dos seus criadores, que acaba por dar um certo final para a história, apesar de eu achar que poderiam no futuro voltar, pois ainda tinha muito mais para dar. Mesmo que já tenha terminado há alguns anos, Sherlock continua a deixar saudades para os fãs das aventuras desta personagem e vale a pena de ser vista por quem ainda não teve oportunidade de o fazer.