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sábado, 26 de março de 2022

Série "A Discovery of Witches" - um drama apaixonante e empolgante com uma dose de mistério, magia e fantasia que conseguiu surpreender

A Discovery of Witches (A Noite de Todas as Almas, como título em português) está na lista das minhas séries favoritas. É uma produção britânica criada em 2018, sendo constituída por 3 temporadas que podem ver em exclusivo na plataforma da HBO Max e é baseada na trilogia de sucesso de Deborah Harkness. É produzida pela Bad Wolf e pela Sky Productions, cuja estreia original ocorreu no canal britânico Sky One.

Diana Bishop (Teresa Palmer) é uma bruxa e historiadora que tem a oportunidade de aceder a um livro muito especial designado por Ashmole 782 e sabe que deve resolver os seus mistérios. Um dia, Matthew Clairmont (Matthew Goode) oferece-se para ajudá-la na sua pesquisa, mas na realidade, ele é um vampiro que faz parte de uma espécie que as bruxas nunca devem confiar. Será que Diana vai aceitar a ajuda de Matthew e descobrir os segredos pertencentes a este livro?

O elenco é constituído por Teresa Palmer (Diana Bishop), Matthew Goode (Matthew Clairmont), Alex Kingston (Sarah Bishop), Gregg Chilingirian (Domenico), Trevor Eve (Gerbert D’Aurillac), Owen Teale (Peter Knox), Malin Buska (Satu), Edward Bluemel (Marcus Whitmore), Aiysha Hart (Miriam Shepherd), Valarie Pettiford (Emily Mather), Lindsay Duncan (Ysabeau De Clermont), Aisling Loftus (Sophie Wilson), Tanya Moodie (Agatha Wilson), Adelle Leonce (Phoebe Taylor) e Steven Cree (Gallowglass).  

Num mundo, onde bruxas, vampiros e demónios vivem de um modo discreto no meio dos humanos, a história segue Diana Bishop, uma historiadora e bruxa relutante que descobre um manuscrito enfeitiçado na Biblioteca Bodleian, em Oxford. Essa descoberta faz com que ela embarque numa jornada mágica para desvendar os segredos que explora mais a origem de seres mágicos. Para proteger o livro, Diana conta com a ajuda de um misterioso geneticista e vampiro, Matthew Clairmont que terá um grande dilema para lidar, ao mesmo tempo que se vai apaixonando por ela.

Apesar da desconfiança que sempre existiu entre bruxas e vampiros, eles formam uma aliança e estão dispostos a proteger o livro enquanto resolvem mistérios ocultos e evitam ameaças que o mundo pode sofrer por parte de criaturas mágicas.

Diana sempre tentou ter uma vida normal e nunca quis seguir o destino que foi aceite pelos seus antepassados, sendo que se tem dedicado mais ao seu trabalho como historiadora. Mas tudo muda com a descoberta de um manuscrito cheio de inúmeros segredos que só ela tem o poder para desvendar e que podem ser perigosos, assim que forem revelados. E por isso, ela torna-se num alvo para muitos inimigos que querem saber mais sobre um livro perdido há muito tempo que pode mudar a vida de todas as espécies para sempre. Será que ela tem a capacidade de se proteger e usar os seus poderes para enfrentar os seus adversários?

Esta bruxa é uma mulher determinada e forte que vai percorrer um caminho longo e surpreendente por um mundo desconhecido por muitos com desafios, obstáculos, conflitos, perigos e aprendizagens que vão ser vitais para dominar os seus poderes extraordinários e conseguir cumprir com a sua missão.

Um dos pontos altos desta série é sem dúvida, a relação profunda de amor entre Diana e Matthew. Desde o primeiro momento em que se conheceram que existiu uma atração imediata e inexplicável de ambos e transformando-se mais tarde, numa história de amor bonita, enigmática e cativante. Esta dupla vai ser testada constantemente e terá de enfrentar ameaças, fazer sacrifícios e tomar decisões difíceis para o bem de todos e para protegerem aqueles que mais amam. Seja viajarem no tempo e com a ajuda dos seus aliados, eles nunca vão desistir de lutar, aconteça o que acontecer! Um relacionamento com lições bem valiosas que vale a pena acompanhar!

A Discovery of Witches é um drama empolgante com uma dose de romance, mistério e fantasia que conseguiu inovar e é uma visão mais adulta e peculiar nunca antes vista por parte de histórias que retratam vampiros, demónios e bruxas. Tem um argumento simples e interessante com uma qualidade evidente que flui naturalmente, onde dão atenção aos mínimos detalhes e foi feito de um modo muito inteligente, fazendo com que o espetador se envolva imediatamente com as personagens e torça por elas e também fique viciado com o desenrolar de cada episódio. Além disso, a produção tem uma boa banda sonora, vistas bonitas, a fotografia foi bem escolhida, os efeitos visuais são de acordo com o necessário, o elenco está de parabéns pelo seu trabalho e os ângulos de filmagem foram realizados num bom enquadramento. Mas tive pena que não tivessem havido mais cenas de ação, principalmente com a Diana a utilizar mais os seus poderes em determinados confrontos.

É uma série apaixonante, maravilhosa e emocionante passada em épocas específicas com relações familiares e descobertas que não vão deixar ninguém indiferente. Tem o seu lado mais misterioso e mágico que não precisou de grandes complexidades para desvendar um mundo de criaturas fascinantes que se escondem em plena luz do dia com medo das repercussões humanas, mas onde algo está prestes a chegar que pode fazer a diferença no futuro de cada um destes seres. Um entretenimento fantástico para qualquer faixa etária que não podem mesmo perder e que teve a oportunidade de contar uma história intrigante com princípio, meio e fim e cheia de surpresas, reviravoltas e revelações!

domingo, 2 de janeiro de 2022

"Harry Potter 20º Aniversário: De Volta a Hogwarts" - um evento com uma nostalgia emocionante, incrível e mágica que merece o devido reconhecimento

 

Finalmente chegou o momento do aguardado regresso do universo de cinema de Harry Potter para comemorar o seu 20º aniversário. Para quem não sabe, o lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal, o primeiro livro da saga Harry Potter foi no dia 26 de junho de 1997 nas mãos de J. K. Rowling. A partir desse momento que esta coleção de livros foi transformada num universo de fantasia que é das mais populares do mundo e que criou um enorme impacto na vida dos seus milhões de admiradores, continuando até aos dias de hoje a marcar diferentes gerações.   

O universo de Harry Potter retrata as aventuras de um jovem órfão que descobre aos 11 anos que é um feiticeiro e mais tarde, ele recebe uma carta muito peculiar e exclusiva para estudar em Hogwarts, uma escola de magia e bruxaria que vai dar que falar com todas as peripécias e reviravoltas que vão sucedendo ao longo destes livros. A vida deste rapaz nunca mais será a mesma e na sua jornada vão ser muitos os desafios constantes que ele terá de enfrentar.

O verdadeiro desafio começou quando se tomou a decisão de produzir oito filmes baseados na série de livros escritos pela britânica, J. K. Rowling, realizado pela Warner Bros. Pictures entre 2001 e 2011 e protagonizado por Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, tornando-se imediatamente num êxito estrondoso.

Tanto os livros como os respetivos filmes sempre foram um tipo de coleção de lições de vida com uma perspetiva única que ajudavam no amadurecimento, principalmente dos mais jovens e com uma história repleta de fantasia, mistério, aventura, romance e suspense que foi eficaz a prender a atenção do público, desde o início. Ambos têm uma perspetiva muito bonita e criativa sobre a vida e uma crença na infinidade de possibilidades que existem nesse mundo fora.

Os filmes desta saga conseguiram criar um ambiente mágico, familiar e especial que a pessoa facilmente se identifica e fazendo toda a diferença, chegando a um ponto que não nos cansamos de rever cada uma destas aventuras. É sempre fantástico a pessoa atravessar a plataforma 9 ¾ da estação de comboios King Cross, imaginar qual seria a equipa que seria selecionada pelo Chapéu mais famoso de Hogwarts, como seria participar num jogo de Quidditch com o auxílio de uma vassoura voadora e que feitiços teríamos a oportunidade de aprender com a nossa própria varinha mágica.

Divulgação: HBO Portugal

Pela primeira vez, Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson e os restantes membros do elenco lendário dos oito filmes reuniram-se para comemorar este mundo mágico, através do Harry Potter 20º Aniversário: De Volta a Hogwarts que já está disponível na plataforma de streaming da HBO Max.

Esta retrospetiva especial é produzida pela Warner Bros. Unscripted Television em associação com a Warner Horizon na icónica Warner Bros. Studio Tour London e em conjunto com Casey Patterson e Pulse Films. Comemora os 20 anos desde a estreia do primeiro filme: Harry Potter e a Pedra Filosofal, tendo a participação de Emma Watson, Oliver Phelps, James Phelps, Alfred Enoch, Ian Hart, Jason Isaacs, Mark Williams, Rupert Grint, Tom Felton, Bonnie Wright, Toby Jones, Evanna Lynch, David Heyman, Matthew Lewis, Robbie Coltrane, Ralph Fiennes, Helena Boham Carter, Gary Oldman e Daniel Radcliffe e dos realizadores Chris Columbus, Alfonso Cuarón, Mike Newell, David Yates.

Esta homenagem memorável realizada por Casey Patterson e Joe Pearlman é constituída por quatro capítulos, sendo que vai mostrar o reencontro dos atores e a magia que está por trás da produção dos filmes espetaculares que tão bem conhecemos com a revelação de surpresas e curiosidades dos seus bastidores e contar com uma história encantadora de making-off, através de novas entrevistas e conversas com elenco que vai sem dúvida, proporcionar aos fãs mais um momento único para se juntarem a eles para mais uma jornada mágica e inesquecível.

Além disso, temos a oportunidade de voltar a recordar cada um dos filmes e de ver estas conversas a ocorrerem em locais bem conhecidos e enigmáticos dos admiradores deste universo do Harry Potter, tais como a sala de Albus Dumbledore, a sala comum dos Gryffindor e dos Slytherin, o Gringotts Wizarding Bank em Dragon Alley, a Weasley burrow, a sala de aula das Poções de Hogwarts (Potions classrom at Hogwarts of Witchcraft and Wizardry, como nome original) e o salão principal de Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry.

Também foram sendo mostradas entrevistas antigas e imagens das audições e da primeira vez em que a tripla Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint esteve junta pela primeira vez para que fosse avaliada a química que transmitiam entre si, sendo que se encaixaram facilmente para o que era pretendido e depois o último dia de filmagens dos três que foi repleto de emoção no derradeiro momento de despedida.  


Divulgação: HBO Max

Os atores partilharam a experiência que tiveram ao longo de 10 anos com cada um dos realizadores que trabalharam nos filmes e respetivos colegas de elenco, sendo que durante as filmagens faziam várias brincadeiras e se divertiram imenso, mesmo quando não estavam a gravar. Inicialmente não conseguiam conter a empolgação por estarem a participar num filme de Harry Potter e por vezes, era difícil manter o foco. Porém, cresceram naquele ambiente que teve uma marca na vida de cada um e construíram juntos, um vínculo inquebrável. O facto de acompanharmos conversas do Daniel Radcliffe com Helena Boham Carter e Gary Oldman bem interessantes ou as histórias que os três protagonistas foram recordando em conjunto foram muito cativantes de se ouvir e mostrando a cumplicidade que continua a existir entre todos os elementos do elenco.

Existem diversas curiosidades que vão sendo desvendadas ao longo deste especial dedicado a um mundo tão icónico que eu acredito que irá continuar em gerações futuras, como por exemplo, os castings para os filmes. Sabiam que houve uma grande pressão e tiveram dificuldades em encontrar o ator que iria interpretar Harry Potter e que foi o realizador que encontrou o Daniel Radcliffe quando ele estava num quarto de hotel em Londres a assistir à versão da BBC de David Copperfield? Parece uma simples coincidência, mas que fez toda a diferença para a produção deste sucesso global. Já Rupert Grint e Emma Watson foram mais fáceis para serem selecionados, porque era como se eles tivessem saído diretamente dos livros.

É tão bom relembrar momentos importantes da história, as cenas dos filmes, protagonizadas pelas nossas personagens favoritas ou por vilões como o Voldemort ou a família Malfoy. Foram vários os valores que nos ensinaram de um modo tão natural e foi interessante perceber como foi sendo criado o impossível através da mente de Stuart Craig, o designer de produção que para criar este mundo teve uma liberdade criativa e teve a oportunidade de contruir este mundo do zero. Já viram como era produzir o baile de Inverno ou cenas com cerca de 250 figurantes ou até colocarem centenas de velas penduradas no salão principal de Hogwarts? O cinema também tem sem dúvida, a sua própria magia que também nos é mostrada, através de imagens dos bastidores dos filmes.

Divulgação: HBO Portugal

Além disso, também dedicaram um momento deste reencontro para relembrar aqueles que já faleceram como Richard Harris, Richard Griffiths, John Hurt, Helen McCrory, Alan Rickman e muitos mais nomes que vão ficar na memória de todos nós e foi muito bonito e comovente de se ver.

Este evento é uma nostalgia emocionante, incrível e mágica que merece o devido reconhecimento e celebra o legado incomparável dos filmes Harry Potter e a importância que tem na vida de todos nós. É fantástico, surreal e mágico acompanhar este elenco tão especial a regressar aos cenários originais de Hogwarts, onde começaram há 20 anos pela primeira vez e a conviverem entre si, em conversas bem intimistas que deixam qualquer um emocionado, mas ao mesmo tempo, feliz por terem sido proporcionados estes momentos tão únicos para os atores que fazem parte de algo que é tão significativo para tanta gente e para os fãs. Por isso, eu aconselho a verem, a aprenderem ainda mais sobre as personagens e a respetiva profundidade e preparação, a verem cenas que não chegaram a ir para o grande ecrã e a apreciarem que vale mesmo muito a pena. O universo de Harry Potter merece esta homenagem muito especial cheia de magia no ar que nunca iremos esquecer tão cedo e continua a ter um impacto enorme em milhões de admiradores!

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Série "Chapelwaite", protagonizada por Adrien Brody - uma história misteriosa de terror com o seu lado sobrenatural e com acontecimentos inexplicáveis e sinistros

 

Chapelwaite é uma série original da plataforma EPIX com 10 episódios que pode ser vista na HBO Max e é baseada no conto Jerusalem’s Lot de Stephen King, sendo protagonizada pelo vencedor do Óscar da Academia, Adrien Brody que também tem uma função de produtor executivo. Esta adaptação é desenvolvida por Jason Filardi e Peter Filardi e produzida pela EPIX Studios.

Na década de 1850, o capitão Charles Boone (Adrien Brody) muda-se com a sua família para a sua casa ancestral na pequena e pacata cidade de Preacher’s Corners. Charles rapidamente terá de enfrentar os segredos da história da sua família e lutar para acabar com as trevas.

Divulgação: HBO Portugal

O elenco é constituído por Adrien Brody (Capitão Charles Boone), Emily Hampshire (Rebecca Morgan), Jennifer Ens (Honor Boone), Sirena Gulamgaus (Loa Boone), Ian Ho (Tane Boone), Julian Richings (Philip Boone), Devante Senior (Able Stewart) e Christopher Heyerdahl (Jakub).

Como referido anteriormente, a história situa-se na década de 1850 e acompanha o capitão Charles Boone que após a sua esposa ter morrido no mar se muda com os seus três filhos para uma casa que recebeu de herança e localizada em Preacher’s Corners, Maine. Esta mudança não vai ser nada pacífica para esta família que será muito atormentada e assim, os Bonnes terão de enfrentar um mal que nunca imaginariam que existisse e tem torturado há já várias gerações, os seus antepassados. Será que Charles Boone vai conseguir livrar-se da maldição da sua família?

Divulgação: HBO Portugal

Charles Boone não vai enfrentar esta ameaça sozinho, pois terá aliados que poderão fazer toda a diferença nesta luta contra aqueles que querem transformar o mundo em plena escuridão.

Falamos de Rebecca Morgan, uma jovem ambiciosa que deixou Preacher’s Corners para estudar no Mount Holyoke College e que voltou para casa mais cedo do que o previsto para escrever uma história para a nova e prestigiosa Atlantic Magazine. O seu bloqueio de escritora desaparece quando Charles Boone chega à cidade com os filhos e, apesar dos protestos da sua mãe, Rebecca candidata-se para ser a governanta da infame mansão Chapelwaite e da família Boone, com o objetivo de escrever sobre eles. Ao fazer isso, Rebecca não só vai criar o próximo grande romance gótico, como também vai desvendar um mistério que atormenta a sua própria família há anos.

Divulgação: HBO Portugal

Charles e a sua família chegam a Preacher’s Corners, mas não vão ter uma receção nada agradável por parte dos habitantes, pois eles têm razões mais do que suficientes para desconfiarem das intenções de qualquer um dos membros dos Boone e também têm um medo e um ódio profundo por eles. Por isso, Charles tem de mostrar o quanto quer melhorar a vida dos moradores desta cidade e assim conseguir conquistar a confiança desta comunidade bem peculiar que acredita que eles são os responsáveis por ter surgido uma doença misteriosa que não deixa de se propagar. Será que ele vai ter êxito?

Uma coisa é certa! Seja em Preacher’s Corners ou em Chapelwaite ou até em Jerusalem’s Lot, ninguém está a salvo e há um mistério que precisa de ser desvendado, em que a família Boone acaba por ter ligações diretas com aquilo que está a acontecer e poderá ser a única capaz de impedir o caos.

Divulgação: HBO Portugal

Charles Boone tem de descobrir a verdade sobre a história dos seus antepassados e lidar com as respetivas revelações e os seus demónios do passado que podem levá-lo à loucura. Ele tem de ter cuidado e atenção, porque tem um histórico de doenças mentais na sua família. O caminho será cheio de perigos e obstáculos não só para ele, mas para os seus filhos, Honor, Loa e Tane que terão de lutar em conjunto contra criaturas sobrenaturais e a própria escuridão, onde os vampiros se escondem.

O facto de ser uma história baseada nos contos do artista inesquecível que é Stephen King faz com que o público em si tenha uma curiosidade imediata em ver mais uma adaptação, mesmo que algumas das que foram produzidas anteriormente não tenham sido nada de especial e que por vezes, desiludiram. Porém com Chapelwaite foi uma boa surpresa que teve os elementos necessários para prender a atenção do espetador e correspondeu às expetativas, tal como se esperava depois da pessoa ver o seu trailer que foi apresentado num tom sinistro e sombrio.  

Divulgação: HBO Portugal

Chapelwaite é uma série com drama, mistério e terror que se desenrola num ambiente obscuro e assustador e inclui uma mansão típica da época. E tem sem dúvida, um lado mais arrepiante, tenso e interessante numa narrativa com acontecimentos inexplicáveis e sinistros, mesmo que tenha faltado desenvolvimento em algumas das suas personagens. Uma história intensa contada ao seu ritmo com suspense que aborda uma maldição, o desconhecido, sobrenatural, rancor, discriminação, conflitos, investigação e muito mais. Não devem perder, principalmente se são fãs das obras de Stephen King!

domingo, 26 de setembro de 2021

Minissérie "Mare of Easttown" da HBO, protagonizada por Kate Winslet e vencedora de Emmys - uma história de uma investigação policial com um lado mais dramático que surpreendeu

 

Mare of Easttown é uma das minisséries originais mais recentes da plataforma da HBO Max, tendo sido criada e escrita por Brad Ingelsby e tem a realização de Craig Zobel. Constituída por sete episódios, este drama com crime e investigação pelo meio conseguiu arrecadar 16 nomeações para a edição deste ano dos Emmy, em que venceu 4 prémios, como por exemplo, o de Melhor Atriz numa Minissérie ou Telefilme (Kate Winslet), Melhor Atriz Secundária numa Minissérie ou Telefilme (Julianne Nicholson), Melhor Ator Secundário numa Minissérie ou Telefilme (Evan Peters) e na categoria de Direção de Arte.     

Nesta história, Mare Sheehan (Kate Winslet) é uma detetive de uma pequena cidade da Pensilvânia designada por Easttown que investiga um assassinato local, enquanto a vida desaba ao seu redor. Também explora o lado negro de uma comunidade unida e a forma como a família e as tragédias do passado podem definir o nosso presente. 

Esta minissérie tem um elenco de luxo, tais como, Kate Winslet (Mare Sheehan) que também tem a função de produtora executiva, Julianne Nicholson (Lori Ross), Jean Smart (Helen), Angourie Rice (Siobhan Sheehan), Evan Peters (Colin Zabel), Guy Pearce (Richard Ryan), Cailee Spaeny (Erin McMenamin), David Denman (Frank Sheehan), John Douglas Thompson (Chefe Carter), Patrick Murney (Kenny McMenamin), James McArdle (Mark Burton), Sosie Bacon (Carrie Layden), Joe Tippett (John Ross) e Neal Huff (Padre Dan Hastings).

Pode conter spoilers!

Divulgação: HBO Portugal

Numa cidade tipicamente americana e onde toda a gente se conhece, temos uma moradora bem peculiar com o nome de Mare Sheehan que é um tipo de heroína local com um caráter único, tendo sido a estrela de um jogo de campeonato de basquete do colégio há 25 anos. Ultimamente, a comunidade não tem acreditado muito nas suas capacidades como detetive já que tanto ela como a polícia não conseguiram resolver um caso mais antigo de uma outra jovem que tinha desaparecido há um ano, sendo que é algo que a assombra até aos dias de hoje. Por isso, Mare sente-se pressionada pelos habitantes de Easttown para resolver um caso de desaparecimento que inclui reviver tudo aquilo que investigou no passado que pode ter pistas vitais para descobrir o paradeiro de uma jovem. Infelizmente, Mare acaba por ter uma investigação de um homicídio em mãos. Será que todos os casos estão relacionados e ela vai conseguir encontrar quem foi a pessoa que cometeu este crime?

Mare é uma pessoa real, tal como todos nós que tem os seus próprios problemas e desafios para enfrentar e que já foi vítima de uma tragédia familiar. No seu caso, ela teve um divórcio recente, um filho que se suicidou, uma nora que é viciada em heroína que quer ficar com a custódia do seu filho Drew (Izzy King) ou seja, o neto de Mare e muito mais.

Divulgação: HBO Portugal

Esta é uma mulher bondosa, justa e complexa com um bom coração e um espírito bem forte que já passou por muito e dá para sentir facilmente o peso do seu sofrimento, principalmente pela perda do seu filho que marca qualquer mãe e em que ela se sente culpada por tudo o que aconteceu. Basta um olhar para o espetador perceber o que Mare está a sentir em determinadas circunstâncias. Mas mesmo assim, ela é a pessoa com que a comunidade pode contar para ajudar a resolver qualquer tipo de problemas, por mais comuns ou insignificantes que possam ser e alguns deles até podem ser bem pertinentes. Para evitar de ter de lidar com os seus problemas pessoais, Mare tenta encontrar formas para se manter ocupada para não pensar naquilo que a preocupa e assim, ela acaba por passar os dias a resolver os problemas dos outros e a ser a salvação dos moradores desta cidade.

Esta é uma protagonista que representa uma pessoa normal com feridas profundas que tem sempre a mesma rotina e é testada constantemente, seja na sua vida pessoal como na sua vida profissional e por isso, ela tem de lidar com diversas situações que são colocadas no seu caminho e descobrir qual é a melhor forma de as enfrentar. Uma coisa é certa! Irá ser um percurso desafiante para Mare e muita coisa lhe pode vir a acontecer!

Divulgação: HBO Portugal

Mare tem uma personalidade forte que carrega muita culpa e vai passando por dificuldades. Esta mulher reconhece as suas limitações mesmo que não queira admitir, não é perfeita e faz o que considera certo para todos. É uma ótima detetive que também é mãe, filha e avó, mas é extremamente viciada no trabalho que implica consequências para si e para a sua família. Ela nem sempre está nos seus dias e até pode estar mais impaciente e sobrecarregada, porém esta mulher tem sempre resposta para quem a provocar e faz o que for preciso. Ao longo dos episódios vai sendo apresentado o seu passado, os seus traumas e a sua rotina na polícia, as pressões que fazem parte do trabalho, a sua dinâmica familiar e um encontro inesperado com um possível interesse amoroso. Para além disso, vai sendo mostrado o relacionamento complicado de Mare com as restantes personagens, como por exemplo, com a sua melhor amiga Lori e a forma como a Mare aborda a história da sua família e a relação que têm com problemas de saúde mental.

Divulgação: HBO Portugal

Na sua vida pessoal, Mare tem de lidar com Siobhan, a sua filha adolescente e rebelde e Helen, a sua mãe que decide ir morar com ela, a batalha judicial pela custódia do neto e os problemas de saúde do mesmo, o divórcio recente com Frank, o seu ex-marido que atualmente é o seu vizinho e está prestes a casar-se de novo e o suicídio do filho mais velho que ela ainda não conseguiu processar completamente. Ela nem sempre consegue manifestar os seus sentimentos e tem de tomar decisões difíceis mesmo que tenha de questionar o seu lado mais moral e tenta não deixar que os seus problemas pessoais interfiram e possam desmoronar a vida ao seu redor. Dá mesmo para ver que a Mare está plenamente exausta e não está satisfeita com a sua vida. E temos a oportunidade de conhecermos melhor esta personagem tão rica em seus defeitos e qualidades e também de um modo muito mais profundo.   

Um dos principais destaques desta minissérie é a interpretação formidável e comovente de Kate Winslet que acaba por se transformar num dos melhores papéis da sua carreira. Ela fez um trabalho imperdível a desempenhar de um modo bem realista esta mulher determinada com uma sensibilidade e uma boa construção desta personagem que teve uma ótima evolução, levando a um final que funciona. Uma performance que não vamos esquecer tão cedo e mesmo nos mínimos detalhes, esta atriz é soberba a apresentar um estilo mais desleixado desta mulher com um feitio difícil que se veste de um modo prático e tem o seu lado mais vulnerável.

Divulgação: HBO Portugal

Como referido anteriormente, Mare vai estar a investigar um caso de assassinato local e não estará sozinha. Ela irá ter a ajuda de Colin Zabel (Evan Peters fez um ótimo trabalho a interpretar esta personagem), um jovem investigador que foi chamado para lhe ajudar e se torna no seu parceiro. Ela tem uma relação interessante com ele e partilham uma química evidente entre si. Apesar de ela gostar dele e de ter uma admiração por ele, ela é demasiado teimosa para reconhecer o papel que este detetive do condado pode ter na sua vida pessoal e profissional que pode ser útil na sua investigação e na análise das evidências disponíveis.

Esta minissérie tem um mistério intrigante que vai tendo os seus momentos não só de drama, mas também de ironia e puro suspense. Tem uma história que desenvolve temas que estão relacionados com crimes, drogas, tragédias, saúde mental, suicídio, depressão, conflitos, dilemas, tensão, luta pela custódia de uma criança, terapia, dor, luto, investigações policiais, dramas familiares, violência entre jovens, problemas conjugais, maternidade, psicopatas, violência contra a mulher, abuso, solidão, prostituição, racismo, pobreza, dependência química, confiança, a procura pelo perdão e muito mais.

Divulgação: HBO Portugal

Mare of Easttown é mais um drama original da HBO com um pouco de humor pelo meio e com atores que brilham eficazmente que têm uma performance digna de um elenco de luxo e prende a atenção do público, sendo constituído por uma produção bem construída e desenvolvida que vale a pena ser apreciado. O espetador envolve-se com esta história delicada e bem cuidada que pode ter momentos mais pesados, pois mostra personagens bem reais com as suas vulnerabilidades e transtornos psicológicos bem visíveis que passam e enfrentam situações que podem acontecer a qualquer um de nós e abordam problemas que fazem parte do nosso quotidiano, dando a oportunidade do público de se envolver e de refletir sobre temas relevantes e tão reais para a sociedade.

Esta é uma produção muito bem concebida e elaborada com uma boa cinematografia e um trabalho competente e bem feito não só pelo realizador, mas por toda a equipa técnica que teve um bom desenvolvimento das personagens e contendo um argumento bem delineado e fácil de se compreender. A história em si tem uma grande carga emocional, suspense, mistério e thriller, é bem pensada, equilibrada e repleta de qualidade, bons diálogos, revelações, surpresas e reviravoltas, surpreendendo assim, o espetador pela positiva. A fotografia e banda sonora é adequada ao tipo de história que está a ser contada e os próprios ângulos de filmagem são inteligentes na forma como são criados, principalmente quando são planos em que estão mais focadas as caras de cada uma das personagens que vão apresentando as suas diversas emoções, criando assim, cenas que têm o impacto necessário para criar uma ligação de empatia imediata com o espetador e levando a um bom resultado final.

Divulgação: HBO Portugal

Esta é uma minissérie fabulosa e inesperada de investigação policial com um lado mais dramático que funciona bem e com sequências de ação breves, sendo que a pessoa se identifica facilmente e fica curiosa para ver o que vai acontecer de seguida e como este mistério vai ser desvendado. Também mostra a coragem que a pessoa tem de ter para enfrentar os seus medos e que ninguém é totalmente boa pessoa e nem é completamente perfeita, mas sim com os seus defeitos que cometem erros, sem deixarem de ter as suas próprias qualidades e que continua a existir esperança por mais que qualquer um lhe diga o contrário.

Para quem gosta de histórias dramáticas e de policiais, esta é uma que recomendo que vale mesmo a pena acompanharem apesar das suas ligeiras falhas e imperfeições. Felizmente foi reconhecida pela sua excelente qualidade, sendo que arrecadou um bom número de prémios nos Emmys, incluindo o de Melhor Atriz para Kate Winslet que sem dúvida, mereceu essa distinção. 

Mare of Easttown explora uma investigação de um assassinato de uma jovem local, onde são dadas informações com pistas que vão ser fundamentais para desvendar um puzzle que é a resolução de um homicídio, ao mesmo tempo que são apresentados vários suspeitos num ambiente mais frio e intimista, mas só um é o derradeiro responsável. Quem será? Esta história intensa, interessante e emocionante que teve um bom planeamento pode ter revelado a identidade do autor do crime com um final que não desiludiu, mas eu acredito que tem potencial para uma possível continuação e considero que seja uma das melhores minisséries deste ano que merece ser vista e conseguiu superar as expetativas.


domingo, 30 de maio de 2021

"Friends: The Reunion" - um especial muito aguardado pelos admiradores desta série que vai criar uma nostalgia cheia de surpresas e revelações

 

Finalmente chegou o dia de acompanharmos a reunião do elenco de Friends, uma das comédias com maior sucesso e que continua a ser das mais populares da atualidade apesar de já ter terminado há 17 anos. Esta sitcom de origem norte-americana foi criada por David Crane e Marta Kauffman, tendo sido constituída por 10 temporadas com um total de 236 episódios e transmitida pelo canal NBC, desde 1994 até 2004, mas continua a estar disponível no serviço de streaming, HBO Max, o canal português FOX Comedy, entre outros. Esta foi produzida pela Bright/Kauffman/Crane Productions em associação com a Warner Bros. Television, em que a banda sonora teve a responsabilidade de Michael Skloff e Allee Willis, sendo que conseguiu ganhar vários prémios, entre eles, seis Emmys, um Globo de Ouro e dois SAG Awards.

Do elenco faz parte Jennifer Aniston (Rachel Green), Courteney Cox (Monica Geller), Lisa Kudrow (Phoebe Buffay), Matt LeBlanc (Joey Tribbiani), Matthew Perry (Chandler Bing) e David Schwimmer (Ross Geller). Também teve a participação de James Michael Tyler (Gunther), Mike Hannigan (Paul Rudd), Tom Selleck (Richard), Maggie Wheeler (Janice), Elliot Gould (Jack Geller), entre outros. 

Só para relembrar de um modo muito simples, a história inicia-se no café Central Perk situado no bairro de Greenwich Village em Manhattan, na cidade de New York, em que Monica (Courteney Cox), Phoebe (Lisa Kudrow), Joey (Matt LeBlanc), Chandler (Matthew Perry) e Ross (David Schwimmer) estão juntos na conversa, quando o último refere que gostaria de estar casado de novo e de repente entra Rachel (Jennifer Aniston) vestida de noiva, depois de ter deixado o seu noivo no altar. Ross vê uma oportunidade de confessar o seu amor por ela, mas será que vai conseguir? Temos a oportunidade de acompanhar as aventuras, jornadas e peripécias destes seis amigos por esta cidade que não dorme e a amizade que lhes une.

Divulgação: HBO Portugal

Agora falemos de Friends: The Reunion, o famoso regresso que os admiradores desta sitcom já esperavam há muito tempo. Com a duração de 1h 44 minutos e disponível em exclusivo na HBO Portugal, Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer regressam ao palco da icónica comédia original, o Stage 24, estúdio da Warner Bros., em Burbank para participarem numa celebração sem guião, na primeira pessoa desta adorada série que continua a marcar as vidas de todos aqueles que acompanharam e que continuam a fazê-lo.

Este especial foi realizado por Ben Winston que foi produtor executivo juntamente com os produtores executivos de Friends, Kevin Bright, Marta Kauffman e David Crane. Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer também são produtores executivos deste projeto. Para além disso, teve a participação de convidados especiais, como por exemplo, David Beckham, Justin Bieber, BTS, James Corden, Cindy Crawford, Cara Delevingne, Lady Gaga, Elliott Gould, Kit Harington, Larry Hankin, Mindy Kaling, Thomas Lennon, Christina Pickles, Tom Selleck, James Michael Tyler, Maggie Wheeler, Reese Witherspoon e Malala Yousafzai.

Eu sou daquelas pessoas que sempre ouviu falar de Friends e o impacto que teve na vida das pessoas, sendo que criou um fandom com diferentes faixas etárias e espalhadas pelos vários continentes. Finalmente, eu resolvi fazer uma maratona de Friends há uns meses atrás para conhecer esta série de comédia e vi as 10 temporadas em apenas 3 semanas. E não é que me cativou, desde o início ao fim? Isso aconteceu, de tal forma que ficou a fazer parte da lista das minhas séries favoritas e sempre que revejo Friends acaba por fazer com que eu continue a rir-me às gargalhadas, como se fosse a primeira vez que estivesse a ver determinada cena ou episódio. Se quiserem saber mais sobre a minha opinião sobre esta série, basta acederem ao seguinte link https://ageektraveller.blogspot.com/2020/12/uma-homenagem-serie-friends-que-foi.html

Existiam muitas expetativas perante o regresso dos protagonistas para fazerem uma homenagem a esta sitcom e sem dúvida, que não desiludiu, mesmo que o público estivesse à espera que tivessem participado mais atores que fizeram parte do elenco, como por exemplo, Paul Rudd.

Divulgação: HBO Portugal

Friends: The Reunion cria uma mistura de emoções para o espetador ao longo que este especial vai decorrendo, sendo constituído pela apresentação de cenas emblemáticas que fizeram a pessoa rir-se às gargalhadas ou pelos testemunhos que os atores foram dando sobre a importância que a série teve e continua a ter, mesmo 17 anos após terem terminado as suas filmagens. Para além disso, o elenco visitam os famosos décors e partilham entre si, as suas memórias, recordações e histórias sobre os bastidores e curiosidades bem agradáveis e surpreendentes de se ouvir.

Friends foi uma série que teve uma evolução consistente e interessante em que houve um pouco de tudo. Neste especial foi introduzido um genérico ligeiramente diferente do original, mas que também chama a atenção da pessoa, muito devido à sua música tão característica que nós nunca iremos esquecer. Foi empolgante ver os atores a fazerem uma nova leitura de cenas que se destacaram na série, sendo que cada um deles voltou a interpretar na perfeição as suas personagens e que foi tão bom de relembrar. Também foi hilariante rever os famosos bloopers, em que por exemplo, durante a gravação de uma determinada cena não conseguiam parar de rir ou diziam asneiras. Por fim, nós temos a oportunidade de rever personagens que fizeram toda a diferença na história desta série e assistir a um desfile com algumas das roupas que ficaram na memória, mas desta vez foram utilizados como modelos, pessoas bem conhecidas do público.

Este foi um reencontro emocional que fez todo o sentido que tivesse sido feito para homenagear uma das melhores sitcom existentes até hoje e que vai continuar a entreter o seu público, por mais anos que passem. Foi mesmo muito bonito de se ver, o quanto esta série significa para muita gente, sejam os seus atores, convidados deste especial e fãs que vivem em diferentes países. Friends marcou a vida de diferentes gerações e vai continuar a fazê-lo, de um modo bem peculiar que só esta sitcom consegue fazer e fico grata por ter sido produzida esta reunião que foi realizada com revelações, brincadeiras e boas surpresas e que tiveram todo o cuidado no modo como o fizeram, dando assim, atenção aos mínimos detalhes.


sábado, 27 de fevereiro de 2021

Minissérie "It's a Sin" - uma história emocionante que se desenrola nos anos 80 que cria um impacto e transmite uma mensagem poderosa e importante sobre a comunidade homossexual

 

It’s a Sin é uma minissérie de drama de cinco episódios, que foi transmitida no canal britânico Channel 4, mas que está disponível, em exclusivo, na HBO Max e restantes países desta plataforma, cuja criação e escrita é de Russell T Davies e é produzida pela Red Production Company. Juntamente com Nicola Shindler, Russell T Davies também tem a função de produtor executivo desta história que tem como protagonista Olly Alexander, vocalista e líder da banda Years & Years e com realização de Peter Hoar.

Esta é uma história que retrata a vida de Ritchie (Olly Alexander), Roscoe (Omari Douglas) e Colin (Callum Scott Howells) enquanto eles resolvem começar uma vida completamente nova em Londres, no início dos anos 80. Apesar de não se conhecerem inicialmente, estes jovens homossexuais juntamente com a sua amiga Jill (Lydia West) cruzam-se e acabam por partilhar aventuras juntos, mas quando surge um novo vírus mortal, a vida de cada um deles muda de certa forma, sendo que vão ser colocados à prova de um modo inesperado. Mesmo com o impacto mortal que o VIH vai tendo ao longo dos anos, estes amigos estão determinados a viverem a vida ao máximo e a amarem, ao mesmo tempo que não vão desistir de lutar.

O elenco é constituído por Olly Alexander (Ritchie Tozer), Omari Douglas (Roscoe Babatunde), Callum Scott Howells (Colin Morris-Jones), Lydia West (Jill Baxter) e Nathaniel Curtis (Ash Mukherjee), mas também inclui Keeley Hawes (Valerie Tozer), Shaun Dooley (Clive Tozer), Neil Patrick Harris (Henry Coltrane), Stephen Fry (Arthur Garrison), Tracy Ann Oberman (Carol Carter) e tem a participação de David Carlyle (Gregory Finch), Moya Brady (Millie), Neil Ashton (Grizzle), Nicholas Blane (Sr. Hart), William Richardson (Sr. Brewster), Ashley McGuire (Lorraine Fletcher), Calvin A. Dean (Clifford), Nathaniel Hall (Donald Bassett), Jill Nalder (Christine Baxter), Andria Doherty (Eileen Morris-Jones), Nathan Sussex (Pete), Toto Bruin (Lucy Tozer), Shaniqua Okwok (Solly Babatunde), Michelle Greenidge (Rosa Babatunde), Delroy Brown (Oscar Babatunde) e Ken Christiansen (Karl Benning).

 

Esta minissérie aborda tanto a amizade como o amor durante a crise do VIH em Londres na década de 1980, sendo que tudo vai sendo contado, de acordo com a perspetiva de três jovens homossexuais em que optaram por se tornar independentes, através de uma nova vida pela cidade de Londres. A jornada destes rapazes não vai ser nada fácil com obstáculos e desafios pelo caminho, pois infelizmente existia na sociedade, comportamentos específicos de preconceito, homofobia, discriminação e muito mais, devido ao facto de serem gays. Para além disso, durante esta época começa a surgir um vírus mortal e sem cura, o VIH e SIDA, que atacavam as defesas do organismo, deixando-o completamente vulnerável a outras doenças e podia ser transmitida sexualmente, sendo que as suas principais vítimas faziam parte de um grupo específico que eram os homossexuais e por isso, o risco era grande, mas mesmo assim, estes amigos querem continuar a aproveitar a vida e amarem, enquanto conseguirem.

A história em si, não explora só a sociedade de Londres desta década, mas também especificamente, da comunidade homossexual que vivia numa época de terror que não era tolerada e passava por diversas dificuldades e para além disso, nem sempre conseguiam viver a vida que queriam, pois por vezes, tinham de esconder a sua verdadeira identidade para serem aceites e por isso, estes homens tinham medo de revelar quem eram e não se queriam sentir vulneráveis e impotentes. Até existiam sentimentos de vergonha de eles não quererem admitir que apanharam a doença ou então estavam em períodos de negação, escondendo o que estava a acontecer, mas eles queriam igualdade e reconhecimento e não desprezo por parte da população.

 

Ao longo dos episódios, vamos tendo a noção de que havia muita pouca informação sobre esta doença que atacava de uma forma silenciosa e só davam conta quando era tarde demais. Isto foi um tipo de pandemia que começou a estar presente em diferentes países, mas desconhecia-se na altura, sendo que começou por ser um género de mistério para muitos ou que até mais parecia um rumor ou um mito, acabando mais tarde por se tornar em algo bem real e fatal e assim, os médicos não sabiam identificar o problema e as pessoas não sabiam lidar com isso, principalmente com as suas vítimas que as consideravam como contagiosas e achavam que o mais importante era manterem quem estava doente, isolado de tudo e de todos, sendo que alguns chegavam a morrer sozinhos e abandonados. Infelizmente, o tratamento não era digno, nem eficaz e as práticas que os médicos utilizavam para tratar os pacientes que eram vítimas desta doença misteriosa não eram as mais corretas e por isso, havia muita ignorância e falta de informação.

Naquela altura, existia um medo sobre tudo o que era relacionado com o VIH que era grande, pois as pessoas tinham receio de serem infetadas e as famílias não queriam que os outros soubessem que tinham um elemento que tinha morrido de SIDA, mas depois haviam aqueles que continuam constantemente, a viver em silêncio ou até que aceitavam, sem comentarem. Para além disso, este era um assunto com uma vertente mais de tabu que não era falado numa Inglaterra governada por Margaret Thatcher e quando alguém adoecia, de um modo misterioso, infelizmente não existia preocupações por parte dos outros, pois simplesmente ignoravam a situação.

Inicialmente são apresentadas as histórias de cada uma destas personagens antes de se conhecerem entre si, as suas origens, quais são os seus desejos para o futuro e como se imaginam daqui a muitos anos. Um dia, Ritchie, Roscoe e Colin encontram-se e começam a partilhar um apartamento grande designado por Pink Palace, juntamente com Ash e Jill, o elo em comum entre eles e assim, cada um deles vai tendo o seu período de auto-conhecimento que não será uma tarefa fácil de se concretizar, mas não vão deixar de lutar por aquilo que mais querem, seja a nível de amor, amizade, sucesso profissional ou até na realização de sonhos e com um apoio incondicional que vão tendo uns pelos outros, tornando-se assim, numa família muito unida que não é obrigatório que seja de sangue, mas que foi escolhida por eles. Este grupo de amigos mostra que mesmo com todos os problemas que possam vir a surgir, ainda é possível sorrir e aproveitar a vida da melhor maneira.

Estes são rapazes homossexuais que sempre viveram em locais mais remotos, relativamente à cidade de Londres que desconhecem e o que implica ter uma vida diferente e independente por lá, e com momentos de descoberta pelo meio, mas eles acreditam que finalmente não precisam de esconder quem são e que podem ter as suas próprias personalidades, sendo que a narrativa foca neste grupo de amigos num período conturbado que passam por situações semelhantes, em que cada um tem de enfrentar e lidar com as suas preocupações e medos que se vai desenrolando de um modo próprio e de certa forma, até chegarem ao momento que conseguiram libertar-se das suas famílias mais conservadoras que não os deixavam ser livres. Para além disso, eles têm de enfrentar os desafios que é viver uma vida adulta e de lutar numa sociedade que tem dificuldades em aceitar e entender a identidade de cada um deles.

 

Ritchie Tozer é um adolescente que sempre escondeu a sua orientação sexual da sua família, por motivos de vergonha e por achar que eles não iam aceitá-lo, pois eram mais tradicionais e conservadores. Ele resolve ir estudar Direito para Londres e deixar a sua terra que era na Ilha de Wight, sendo que ele acaba por se sentir livre de uma educação rigorosa e depois de conhecer Jill na faculdade, ele opta por mudar a sua formação para Teatro e tornar-se num ator. Um dia, Jill acompanha Ritchie até ao seu lar para que ele contasse toda a verdade aos pais, mas a partir do momento que ele começa a contar uma parte, a família não reage bem e por isso, Ritchie decide omitir o resto. Infelizmente chega a um ponto que Valerie, a mãe de Ritchie tem um pensamento incompreensivo e egoísta perante o seu filho quando descobre toda a verdade, chegando a tomar atitudes inconcebíveis, pois ela continua em negação por mais que a tentem abrir os olhos e na sua própria realidade, sem ter a noção que está a magoar o seu filho, mas Jill acaba por dizer aquilo que pensa num modo direto e radical e deixando Valerie, sem palavras.

 

Roscoe Babatunde é um jovem negro, de origem nigeriana que cria um impacto e um choque para a sua família muito religiosa e conservadora quando finalmente revela-se e “sai do armário”, sendo que assume a sua verdadeira identidade para com os seus familiares e sai de casa para seguir com a sua vida em frente, sem olhar para trás. 

Colin Morris-Jones é um rapaz tímido, reservado, envergonhado e que não dá nas vistas, sendo que vem do País de Gales para ir viver para Londres, onde começa a trabalhar numa alfaiataria e vem a conhecer o seu primeiro amigo homossexual, Henry Coltrane que tem um companheiro português e que o vai proteger e fazer o que for necessário para que Colin se sinta bem-vindo neste local tão estranho e novo para ele. Ele acaba por admitir pela primeira vez que é gay numa conversa com Henry, chegando a um ponto que ele tem curiosidade em saber como casais homossexuais vivem a sua vida em Londres e também quer experimentar tudo aquilo que ainda não tinha conseguido fazer. Apesar de ter tido uma participação pequena, Neil Patrick Harris que interpreta Henry teve um grande destaque no modo como apresentou esta personagem que ajudou Colin a conhecer-se melhor.

 

Jill Baxter tem um papel fundamental na vida destes rapazes, seja como uma figura protetora ou como alguém que está disposta a mostrar o seu apoio e ajudar, seja qual for a circunstância e dificuldade. Ela tem um bom coração e representa aquilo que a humanidade devia ser a nível de aceitação, apoio e compreensão, mesmo que tenha os seus momentos mais obscuros, sendo que o espetador identifica-se com esta personagem e a sua maneira de pensar e agir e também os seus medos, perante tudo o que estava a ocorrer em determinadas alturas, mas não deixa de estar presente e sem dúvida que, a Lydia West está de parabéns pelo seu desempenho incrível.

Esta é uma história, com momentos de dor pura, em que mostram ao seu ritmo, a propagação rápida deste vírus que matou milhares, os seus perigos eminentes e a sua evolução, principalmente ao aparecimento de várias manchas pelo corpo e os cuidados redobrados que eram feitos para quem sofria desta epidemia, seja a nível de desinfeção, utilização de máscaras ou distanciamento físico, sendo constituído por finais mais trágicos, mas que era algo que se esperava. Vamos acompanhando de que forma é que esta pandemia começa a afetar a vida de cada um destes amigos, de maneiras bem distintas e as decisões que vão tomando, relativamente a uma doença que inicialmente ignoraram ou explorando o desejo sexual com vários parceiros sem terem cuidado, mas que acabam por se colocarem em risco e vir a sofrer as consequências dos seus excessos pelas noites de Londres em bares que podiam ser devastadoras. Para além disso, chegava a um ponto que estes rapazes podiam sentir-se culpados pela pessoa que se tornaram ou pela sua orientação sexual e por desiludirem quem mais amam, sendo que achavam que mereciam todo o sofrimento que podiam vir a ter, pois existia rejeição por parte de muitas famílias quando sabiam que um dos seus filhos tinha contraído o vírus ou simplesmente pela sua orientação sexual, mas felizmente ainda existiam familiares que aceitavam e apoiavam em situações mais complicadas.

 

Esta é uma minissérie que eu aconselho a verem, pois tem uma história credível que está bem equilibrada em que tem o seu tom dramático, mas não deixa de ter o lado mais cómico, descontraído leve e divertido que inclui música típica, sendo constituído por momentos de alegria e animação garantida que mostra a união que estes amigos têm uns com os outros e que sabem se divertir, apesar de algumas noites serem demasiado loucas. Durante esta década, temos a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento destas personagens que procuravam uma diferente forma de viver que podia ser feita através da liberdade não só de escolhas, mas também de um modo em que o indivíduo podia ser ele próprio e como eles são constantemente vítimas do preconceito, sendo que o VIH não só acabou por ligá-los de um modo peculiar, mas também criou um impacto e uma mudança para toda a comunidade homossexual.

 

It’s a Sin apresenta muito bem a essência da época numa realidade cruel e violenta e o tema que é abordado que continua a criar discussão na sociedade e também é feito de um modo bem simples, pessoal e intimista, pois é importante que seja retratado com equilíbrio, sendo que é o que acontece neste caso e fazendo com que o público aprenda, compreenda facilmente sobre como o VIH surgiu e se emocione com os acontecimentos que vão ocorrendo com as personagens e tirando as suas próprias conclusões. Também a mostra a importância da liberdade, do amor, da empatia e da amizade e o quanto isso pode unir todos por um objetivo em comum, transmitindo uma mensagem muito poderosa e importante e que é essencial que as pessoas que são vítimas desta doença tenham uma voz, que possam viver a sua verdade e não sejam completamente ignoradas, lutando pela vontade de amarem quem quiserem e de serem livres. Estes cinco episódios tiveram ótimas interpretações que fizeram as suas personagens brilharem, cada uma à sua maneira, com discursos interessantes e que faziam sentido, sendo constituído por uma boa realização, cinematografia e edição e com referências aos anos 80, tais como a música que foi sendo introduzida e para além disso, tem cenas que podem ser menos delicadas a pessoas mais sensíveis, como é o caso da violência que é utilizada pelas autoridades ou o ambiente festivo que por vezes é excessivo e descontrolado.