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quinta-feira, 6 de julho de 2023

Karen Pirie é uma série de investigação criminal dinâmica e repleta de revelações inesperadas

Costumam ser daquelas pessoas que preferem assistir a séries mais curtas? Então, Karen Pirie é para vocês!

Com a renovação para uma segunda temporada já confirmada, os primeiros três episódios de Karen Pirie são baseados no The Distant Echo, o primeiro livro da série de literatura policial da autora escocesa Val McDermid sobre a inspetora Karen Pirie. Originalmente exibida pelo canal britânico ITV em 2022, esta pode ser atualmente vista na plataforma do Disney+.

Este drama criminal que tem tido no Reino Unido uma ótima resposta a nível de audiências é protagonizado por Lauren Lyle, tendo estes três episódios sido escritos por Emer Kenny e realizados por Gareth Bryn. No elenco também fazem parte nomes como Barrie Hunter, Ariyon Bakare, Chris Jenks, Gilly Gilchrist e River Wilde.  

A história centra-se em Karen Pirie (Lauren Lyle), uma jovem inspetora escocesa verdadeiramente contemporânea e brilhante, sempre com resposta pronta e um desejo tenaz pela verdade.

Nesta série, a recém-promovida Karen é incumbida de reabrir a investigação de um homicídio que tem sido objeto de um podcast controverso sobre crimes verdadeiros. Quando uma empregada de mesa, a adolescente Rosie Duff foi encontrada brutalmente assassinada num cemitério de St Andrews, em 1996, a suspeita recaiu sobre os três estudantes que encontraram o corpo. Mas com a falta de provas forenses, nenhuma acusação foi feita e a investigação fracassou. Vinte e cinco anos depois, alguém está disposto a arriscar tudo para manter os segredos que cercam o caso. Saberão os três homens mais do que aquilo que revelaram anteriormente? O que falhou na primeira investigação? Poderá Karen descobrir a verdade sobre o que aconteceu a Rosie naquela noite fatídica?

Karen Pirie é uma jovem inspetora destemida que sabe muito bem o que está a fazer, mesmo que muitos não acreditem, principalmente por ser mulher. Depois de muitas polémicas envolvidas e expostas por um podcast em torno da investigação policial do homicídio de Rosie Duff, os responsáveis acharam que a melhor pessoa para liderar a revisão deste caso arquivado seria uma mulher e nada mais interessava. Karen Pirie foi a escolha e apesar de não ter sido indicada inicialmente pelas melhores razões, os seus superiores não estavam à espera das suas capacidades fantásticas e cheias de qualidade como investigadora.

Esta protagonista feminina cria uma empatia imediata com o público com a sua personalidade decidida, perspicaz, determinada e ousada. Lauren Lyle fez um ótimo trabalho no desempenho desta líder com um talento que tem uma perspetiva própria e consegue chegar a conclusões que mais ninguém conseguiu.  

São poucas as produções que conseguem prender a atenção do espetador quando nos referimos a dramas policiais, principalmente aqueles que estejam relacionados com casos arquivados. Mas Karen Pirie tem a capacidade de o fazer pela maneira simples como apresenta e organiza toda a história, criando interação com quem está a ver.  

A história é completamente fluída e repleta de mistério, sem nunca esquecer a investigação criminal em si. É incrível como a tecnologia pode fazer toda a diferença na resolução de um caso arquivado, onde determinados detalhes só são descobertos dessa forma. Mas, também mostra a falta de coragem que às vezes existe na polícia para resolver um homicídio como deve ser.

Karen Pirie é uma série de investigação criminal dinâmica e surpreendente que merece o devido reconhecimento. É repleta de reviravoltas e revelações inesperadas e é tão impressionante como os mais pequenos pormenores se encaixam perfeitamente como num puzzle. Além disso, é bom ter a oportunidade de assistir a histórias que criam um interesse imediato na pessoa e fazendo com que a própria se torne por uns momentos numa investigadora, a partir do conforto da sua casa. E ainda tem tempo para abordar temas relevantes e que fazem sentido que sejam discutidos em sociedade.

Não percam Karen Pirie com a fantástica Lauren Lyle, principalmente para aqueles que gostam de conteúdos relacionados com investigações criminais! Agora, que venham mais episódios!

domingo, 26 de setembro de 2021

Minissérie "Mare of Easttown" da HBO, protagonizada por Kate Winslet e vencedora de Emmys - uma história de uma investigação policial com um lado mais dramático que surpreendeu

 

Mare of Easttown é uma das minisséries originais mais recentes da plataforma da HBO Max, tendo sido criada e escrita por Brad Ingelsby e tem a realização de Craig Zobel. Constituída por sete episódios, este drama com crime e investigação pelo meio conseguiu arrecadar 16 nomeações para a edição deste ano dos Emmy, em que venceu 4 prémios, como por exemplo, o de Melhor Atriz numa Minissérie ou Telefilme (Kate Winslet), Melhor Atriz Secundária numa Minissérie ou Telefilme (Julianne Nicholson), Melhor Ator Secundário numa Minissérie ou Telefilme (Evan Peters) e na categoria de Direção de Arte.     

Nesta história, Mare Sheehan (Kate Winslet) é uma detetive de uma pequena cidade da Pensilvânia designada por Easttown que investiga um assassinato local, enquanto a vida desaba ao seu redor. Também explora o lado negro de uma comunidade unida e a forma como a família e as tragédias do passado podem definir o nosso presente. 

Esta minissérie tem um elenco de luxo, tais como, Kate Winslet (Mare Sheehan) que também tem a função de produtora executiva, Julianne Nicholson (Lori Ross), Jean Smart (Helen), Angourie Rice (Siobhan Sheehan), Evan Peters (Colin Zabel), Guy Pearce (Richard Ryan), Cailee Spaeny (Erin McMenamin), David Denman (Frank Sheehan), John Douglas Thompson (Chefe Carter), Patrick Murney (Kenny McMenamin), James McArdle (Mark Burton), Sosie Bacon (Carrie Layden), Joe Tippett (John Ross) e Neal Huff (Padre Dan Hastings).

Pode conter spoilers!

Divulgação: HBO Portugal

Numa cidade tipicamente americana e onde toda a gente se conhece, temos uma moradora bem peculiar com o nome de Mare Sheehan que é um tipo de heroína local com um caráter único, tendo sido a estrela de um jogo de campeonato de basquete do colégio há 25 anos. Ultimamente, a comunidade não tem acreditado muito nas suas capacidades como detetive já que tanto ela como a polícia não conseguiram resolver um caso mais antigo de uma outra jovem que tinha desaparecido há um ano, sendo que é algo que a assombra até aos dias de hoje. Por isso, Mare sente-se pressionada pelos habitantes de Easttown para resolver um caso de desaparecimento que inclui reviver tudo aquilo que investigou no passado que pode ter pistas vitais para descobrir o paradeiro de uma jovem. Infelizmente, Mare acaba por ter uma investigação de um homicídio em mãos. Será que todos os casos estão relacionados e ela vai conseguir encontrar quem foi a pessoa que cometeu este crime?

Mare é uma pessoa real, tal como todos nós que tem os seus próprios problemas e desafios para enfrentar e que já foi vítima de uma tragédia familiar. No seu caso, ela teve um divórcio recente, um filho que se suicidou, uma nora que é viciada em heroína que quer ficar com a custódia do seu filho Drew (Izzy King) ou seja, o neto de Mare e muito mais.

Divulgação: HBO Portugal

Esta é uma mulher bondosa, justa e complexa com um bom coração e um espírito bem forte que já passou por muito e dá para sentir facilmente o peso do seu sofrimento, principalmente pela perda do seu filho que marca qualquer mãe e em que ela se sente culpada por tudo o que aconteceu. Basta um olhar para o espetador perceber o que Mare está a sentir em determinadas circunstâncias. Mas mesmo assim, ela é a pessoa com que a comunidade pode contar para ajudar a resolver qualquer tipo de problemas, por mais comuns ou insignificantes que possam ser e alguns deles até podem ser bem pertinentes. Para evitar de ter de lidar com os seus problemas pessoais, Mare tenta encontrar formas para se manter ocupada para não pensar naquilo que a preocupa e assim, ela acaba por passar os dias a resolver os problemas dos outros e a ser a salvação dos moradores desta cidade.

Esta é uma protagonista que representa uma pessoa normal com feridas profundas que tem sempre a mesma rotina e é testada constantemente, seja na sua vida pessoal como na sua vida profissional e por isso, ela tem de lidar com diversas situações que são colocadas no seu caminho e descobrir qual é a melhor forma de as enfrentar. Uma coisa é certa! Irá ser um percurso desafiante para Mare e muita coisa lhe pode vir a acontecer!

Divulgação: HBO Portugal

Mare tem uma personalidade forte que carrega muita culpa e vai passando por dificuldades. Esta mulher reconhece as suas limitações mesmo que não queira admitir, não é perfeita e faz o que considera certo para todos. É uma ótima detetive que também é mãe, filha e avó, mas é extremamente viciada no trabalho que implica consequências para si e para a sua família. Ela nem sempre está nos seus dias e até pode estar mais impaciente e sobrecarregada, porém esta mulher tem sempre resposta para quem a provocar e faz o que for preciso. Ao longo dos episódios vai sendo apresentado o seu passado, os seus traumas e a sua rotina na polícia, as pressões que fazem parte do trabalho, a sua dinâmica familiar e um encontro inesperado com um possível interesse amoroso. Para além disso, vai sendo mostrado o relacionamento complicado de Mare com as restantes personagens, como por exemplo, com a sua melhor amiga Lori e a forma como a Mare aborda a história da sua família e a relação que têm com problemas de saúde mental.

Divulgação: HBO Portugal

Na sua vida pessoal, Mare tem de lidar com Siobhan, a sua filha adolescente e rebelde e Helen, a sua mãe que decide ir morar com ela, a batalha judicial pela custódia do neto e os problemas de saúde do mesmo, o divórcio recente com Frank, o seu ex-marido que atualmente é o seu vizinho e está prestes a casar-se de novo e o suicídio do filho mais velho que ela ainda não conseguiu processar completamente. Ela nem sempre consegue manifestar os seus sentimentos e tem de tomar decisões difíceis mesmo que tenha de questionar o seu lado mais moral e tenta não deixar que os seus problemas pessoais interfiram e possam desmoronar a vida ao seu redor. Dá mesmo para ver que a Mare está plenamente exausta e não está satisfeita com a sua vida. E temos a oportunidade de conhecermos melhor esta personagem tão rica em seus defeitos e qualidades e também de um modo muito mais profundo.   

Um dos principais destaques desta minissérie é a interpretação formidável e comovente de Kate Winslet que acaba por se transformar num dos melhores papéis da sua carreira. Ela fez um trabalho imperdível a desempenhar de um modo bem realista esta mulher determinada com uma sensibilidade e uma boa construção desta personagem que teve uma ótima evolução, levando a um final que funciona. Uma performance que não vamos esquecer tão cedo e mesmo nos mínimos detalhes, esta atriz é soberba a apresentar um estilo mais desleixado desta mulher com um feitio difícil que se veste de um modo prático e tem o seu lado mais vulnerável.

Divulgação: HBO Portugal

Como referido anteriormente, Mare vai estar a investigar um caso de assassinato local e não estará sozinha. Ela irá ter a ajuda de Colin Zabel (Evan Peters fez um ótimo trabalho a interpretar esta personagem), um jovem investigador que foi chamado para lhe ajudar e se torna no seu parceiro. Ela tem uma relação interessante com ele e partilham uma química evidente entre si. Apesar de ela gostar dele e de ter uma admiração por ele, ela é demasiado teimosa para reconhecer o papel que este detetive do condado pode ter na sua vida pessoal e profissional que pode ser útil na sua investigação e na análise das evidências disponíveis.

Esta minissérie tem um mistério intrigante que vai tendo os seus momentos não só de drama, mas também de ironia e puro suspense. Tem uma história que desenvolve temas que estão relacionados com crimes, drogas, tragédias, saúde mental, suicídio, depressão, conflitos, dilemas, tensão, luta pela custódia de uma criança, terapia, dor, luto, investigações policiais, dramas familiares, violência entre jovens, problemas conjugais, maternidade, psicopatas, violência contra a mulher, abuso, solidão, prostituição, racismo, pobreza, dependência química, confiança, a procura pelo perdão e muito mais.

Divulgação: HBO Portugal

Mare of Easttown é mais um drama original da HBO com um pouco de humor pelo meio e com atores que brilham eficazmente que têm uma performance digna de um elenco de luxo e prende a atenção do público, sendo constituído por uma produção bem construída e desenvolvida que vale a pena ser apreciado. O espetador envolve-se com esta história delicada e bem cuidada que pode ter momentos mais pesados, pois mostra personagens bem reais com as suas vulnerabilidades e transtornos psicológicos bem visíveis que passam e enfrentam situações que podem acontecer a qualquer um de nós e abordam problemas que fazem parte do nosso quotidiano, dando a oportunidade do público de se envolver e de refletir sobre temas relevantes e tão reais para a sociedade.

Esta é uma produção muito bem concebida e elaborada com uma boa cinematografia e um trabalho competente e bem feito não só pelo realizador, mas por toda a equipa técnica que teve um bom desenvolvimento das personagens e contendo um argumento bem delineado e fácil de se compreender. A história em si tem uma grande carga emocional, suspense, mistério e thriller, é bem pensada, equilibrada e repleta de qualidade, bons diálogos, revelações, surpresas e reviravoltas, surpreendendo assim, o espetador pela positiva. A fotografia e banda sonora é adequada ao tipo de história que está a ser contada e os próprios ângulos de filmagem são inteligentes na forma como são criados, principalmente quando são planos em que estão mais focadas as caras de cada uma das personagens que vão apresentando as suas diversas emoções, criando assim, cenas que têm o impacto necessário para criar uma ligação de empatia imediata com o espetador e levando a um bom resultado final.

Divulgação: HBO Portugal

Esta é uma minissérie fabulosa e inesperada de investigação policial com um lado mais dramático que funciona bem e com sequências de ação breves, sendo que a pessoa se identifica facilmente e fica curiosa para ver o que vai acontecer de seguida e como este mistério vai ser desvendado. Também mostra a coragem que a pessoa tem de ter para enfrentar os seus medos e que ninguém é totalmente boa pessoa e nem é completamente perfeita, mas sim com os seus defeitos que cometem erros, sem deixarem de ter as suas próprias qualidades e que continua a existir esperança por mais que qualquer um lhe diga o contrário.

Para quem gosta de histórias dramáticas e de policiais, esta é uma que recomendo que vale mesmo a pena acompanharem apesar das suas ligeiras falhas e imperfeições. Felizmente foi reconhecida pela sua excelente qualidade, sendo que arrecadou um bom número de prémios nos Emmys, incluindo o de Melhor Atriz para Kate Winslet que sem dúvida, mereceu essa distinção. 

Mare of Easttown explora uma investigação de um assassinato de uma jovem local, onde são dadas informações com pistas que vão ser fundamentais para desvendar um puzzle que é a resolução de um homicídio, ao mesmo tempo que são apresentados vários suspeitos num ambiente mais frio e intimista, mas só um é o derradeiro responsável. Quem será? Esta história intensa, interessante e emocionante que teve um bom planeamento pode ter revelado a identidade do autor do crime com um final que não desiludiu, mas eu acredito que tem potencial para uma possível continuação e considero que seja uma das melhores minisséries deste ano que merece ser vista e conseguiu superar as expetativas.


domingo, 28 de março de 2021

Série "The Irregulars" da Netflix - quando John Watson e Sherlock Holmes contratam um grupo de jovens para investigarem casos relacionados com o sobrenatural

 

The Irregulars (que também pode ser designado por O Bando ou Os Irregulares de Baker Street, em português) é uma série original da Netflix de drama policial, mas com uma mistura de mistério que tem atualmente uma temporada com oito episódios e estreou recentemente, tendo sido criada e escrita por Tom Bidwell que também é produtor executivo da mesma, com produção de Rebecca Hodgson e baseando-se nos livros do Sir Arthur Conan Doyle.  

A história desenrola-se nas ruas de Londres durante a época Vitoriana no século XIX, onde um grupo de adolescentes que inclui Bea (Thaddea Graham), Jessie (Darci Shaw), Billy (Jojo Macari) e Spike (McKell David) e vive numa cave húmida até que um dia, eles são contratados pelo Dr. John Watson (Royce Pierreson) e o seu sócio misterioso, Sherlock Holmes (Henry Lloyd-Hughes) para recolherem informações vitais para solucionar crimes estranhos que eles não imaginavam que poderiam estar relacionados com o mundo do sobrenatural. A eles, junta-se Leopold (Harrison Osterfiel) que esconde segredos sobre a sua verdadeira identidade, mas que até poderá ser útil em pistas que vão surgindo durante estas investigações. Será que Bea, Jessie, Billy, Spike e Leo serão capazes de chegar à verdade e assim, resolverem os crimes aterrorizantes que vão surgindo nesta cidade britânica?

O elenco é constituído por Thaddea Graham (Bea), Darci Shaw (Jessie), Jojo Macari (Billy), McKell David (Spike), Harrison Osterfiel (Leopold), Royce Pierreson (Dr. John Watson), Henry Lloyd-Hughes (Sherlock Holmes), Clarke Peters (Homem do Linho), entre outros.

Divulgação: Netflix

Algo chegou a Londres, uma escuridão que entrou nesta cidade, criando uma ameaça para todos e possivelmente, o caos, caso não seja impedida.

Os Irregulares são um grupo de jovens destemidos e irreverentes que vivem num dos locais mais obscuros da cidade de Londres, sendo que cresceram nas ruas e antes disso, viveram num reformatório e felizmente, sobreviveram. Juntos, eles terão de fazer o que for necessário para salvarem não só Londres, mas também o mundo inteiro.

Divulgação: Netflix

Este bando é constituído por Bea, Jessie, Billy e Spike que vive com muitas poucas condições numa cave de um bar em Londres. Eles são órfãos que foram criados em reformatórios que não davam as melhores condições e depois cresceram na rua, mas são pessoas que sem dúvida, lutam uns pelos outros, não importa o que aconteça. Mais tarde, entra para o grupo, Leo que vai aprender muito com este quarteto.

Este é um grupo de jovens que lida com os seus problemas e traumas à sua maneira, mas a vida deles acaba por mudar quando a dupla John Watson e Sherlock Holmes os contrata para ajudarem a resolver casos mais complicados que chegam às mãos destes investigadores que estão relacionados com o sobrenatural. Assim, eles dedicam-se a investigar fenómenos paranormais e lutam contra monstros.

Pode conter spoilers!

Divulgação: Netflix

Beatrice ou Bea é obstinada, inteligente e a líder deste grupo, designado pelos Irregulares que passou por momentos complicados na sua vida, sendo que viver na rua não é tarefa fácil, fazendo com que tenha de crescer mais depressa e tornar-se assim, numa pessoa responsável e independente que é capaz de tomar conta da sua irmã mais nova, Jessie desde muito cedo, em que ela acha que precisa de cuidado extra. Apesar de ser autoritária e de ter tido uma vida dura, ela é humilde, tem compaixão e um bom coração de tal forma que é dedicada aos outros e quer que todos estejam em segurança, principalmente Jessie.

Num dia, Bea é recrutada pelo Dr. Watson para que possa ajudar a ele e ao seu parceiro em algumas das suas investigações e ela será bem compensada se for bem-sucedida. Ao longo dos episódios, Bea vai sendo posta à prova, será que ela vai conseguir ultrapassar todos os obstáculos que vão ser colocados no seu caminho?

Divulgação: Netflix

Depois temos Jessie que tem uma personalidade muito diferente da sua irmã mais velha, Bea. Ela é uma rapariga sensível e doce, mas que tem pesadelos misteriosos que são assustadores, arrepiantes, recorrentes e que parecem ser bem reais, porém ela não se consegue livrar, sendo que é uma parte que é muito destacada ao longo dos episódios. Será que estes pesadelos a podem magoar na realidade ou têm um significado?

Aos poucos, começamos a perceber que Jessie é especial e tem um dom que implica entrar na mente dos outros e que consegue ver coisas que as pessoas normais não têm capacidade de observar. Jessie pensa que é um fardo para todos e é louca, pois tem de ter sempre alguém a vigiá-la e tem estado constantemente presa na cave, sem que possa sair. Por isso, ela sente que a tratam de maneira diferente, mas através de uma personagem misteriosa, o Homem do Linho que não sabemos quais são as suas verdadeiras intenções acaba por ajudar Jessie a descobrir mais sobre os seus pesadelos e a conhecer melhor os seus poderes, em que ela tem de se lembrar que o que julgava ser loucura é poder.

Jessie pode ser a chave para lutar contra a escuridão que está a chegar a Londres, graças às suas aptidões, mas para isso acontecer terá de sofrer uma transformação e enfrentar os seus medos e lutar contra eles, sendo que ela é das personagens que tem um maior amadurecimento durante estes oito episódios. Será que ela vai conseguir vencer os seus medos e que vai estar disposta a sacrificar-se pelo bem da humanidade, caso seja necessário?

Divulgação: Netflix

Para além disso desta dupla de meninas, também temos Billy que é leal e tem a força mais física do grupo ou seja, os músculos, sendo que tem dificuldades em controlar-se e fará o que for preciso para proteger o seu bando, ao mesmo tempo que lida com os problemas do seu passado. Spike apresenta as cenas mais leves e divertidas da história, em que fala muito rápido e diz aquilo que os outros precisam de ouvir, dando bons conselhos e acabando por ser quem faz o que for necessário para que o grupo se mantenha unido.

Divulgação: Netflix

Por fim, temos Leopold ou Leo que é muito esperto, culto, chique e o único que não cresceu nas ruas, mas que se sente isolado e sozinho. É uma personagem completamente oposta aos restantes, sendo que nunca teve dificuldades em sobreviver e tem uma educação muito mais exigente, devido à sua posição como membro da família real britânica ou seja o filho da rainha de Inglaterra. Ele está proibido de sair do palácio, pois tem uma saúde que é muito sensível, mas Leo quer passear pela cidade e conhecer as profundezas de Londres e simplesmente viver uma vida normal e simples, sem que esperem nada dele e que possa ser ele próprio e por isso, ele esconde a sua verdadeira identidade por um longo período de tempo. Como será que os outros vão reagir quando descobrirem a verdade?

Quando Leo conhece o bando que vive no bar Duck and Quiver e começa a apaixonar-se por Bea, ele tenta ser útil, nem que seja através dos seus conhecimentos em literatura e começa a perceber o verdadeiro significado da amizade e com eles, Leo sente-se livre, sem que tenha de dar justificações a ninguém, acabando por estar a viver por uns tempos do modo que sempre desejou, em que não havia problema em ser uma pessoa quebrada.

Estas investigações não existiam se não fosse pelo facto do Dr. John Watson ter recrutado estes adolescentes para que em seu nome e no de Sherlock Holmes desvendassem as pistas que faziam parte de cada caso.

Divulgação: Netflix

O médico John Watson e o seu sócio, Sherlock Holmes gerem uma pequena agência de detetives localizada em Baker Street 221B e são homens respeitáveis, mas não têm acesso às zonas mais desonrosas de Londres e por isso, Watson oferece a Bea para pagar pelos seus serviços, caso ela lhe traga informações que só podem ser obtidas por alguém que viva nas ruas de Londres, como é o caso dela e dos seus amigos. Mas o que Bea não sabia inicialmente é que Watson escondia segredos que podiam ser importantes para o desenrolar das suas investigações, acabando por acontecer um desenvolvimento na relação entre estes dois.

Esta versão de Sherlock Holmes não é bem aquela que estamos habituados a ver, sendo que neste caso acaba por ser um tipo de sombra do detetive brilhante que foi no passado, pois este é um Sherlock mais perturbado, preso nas suas memórias e de certa forma, mais cobarde e dependente de drogas, em que temos a oportunidade de compreender a razão pelo qual é assim.

Divulgação: Netflix

Esta é uma história, onde tudo pode acontecer. Desde estes jovens serem perseguidos por um grande bando de corvos furiosos, passando por tragédias que podem surgir em qualquer esquina e homicídios macabros em que ocorrem eventos que não fazem sentido e até a luta contra monstros, onde pessoas ganham poderes do nada e usam para o mal. São crimes violentos que precisam de ser parados o mais rapidamente possível, mas não será um desafio fácil para Bea, Jessie, Billy, Spike e Leo e juntos terão casos para investigar, ao mesmo tempo que têm de enfrentar os seus próprios medos e lidar com os efeitos dos seus atos para que possam vencer.

Esta série de mistério, investigação e terror é cheia de revelações que traz boas surpresas e aborda vários temas, tais como, as sociedades secretas dedicadas ao estudo do paranormal, o preconceito, a magia, a amizade, a importância dos relacionamentos, diferenças entre classes sociais, o poder, a ganância, o oculto e a ocorrência de fenómenos muito estranhos relacionados com o sobrenatural, descobrindo a origem e a fonte dos poderes dos monstros que vão surgindo pela cidade.

Todo o horror, terrores e tumultos que chegam a Londres está relacionado com uma fenda que se abriu na barreira entre este mundo e o próximo, criando manifestações de distúrbios bem profundos que podem trazer uma ameaça para o mundo. Esta é uma fenda que dá poderes, pegando no lado negativo e mais sombrio de um indivíduo, deformando-o e fazendo com que se torne num monstro com planos bem explícitos de destruição.

Divulgação: Netflix

Esta série é contada de uma forma bem moderna apesar de desenrolar-se no século XIX numa cidade húmida e cruel que evidencia bem a diferença entre o povo que tinha um ar sujo com a sociedade que vivia no luxo. É uma história que foi bem produzida e é muito fácil de se compreender, em que é constituída por uns ótimos efeitos visuais, sendo que esta envolve quem está a ver, tendo sido contada de um modo simples e fluído, criando um ambiente bem próprio à época inserida com os seus cenários bem apresentados.

É uma visão distinta daquilo que possamos esperar que foca num grupo de jovens que tem aventura, romance e terror, em que os opostos se atraem, mas que transmite uma mensagem relevante em que mesmo na escuridão existe uma luz que vale a pena lutar por mais obstáculos que possam vir a surgir e em que cada uma das personagens tem um papel específico no desenrolar dos acontecimentos e não é necessário esconder a sua identidade para que possa ser aceite pelos outros. Neste caso, as investigações não seriam desvendadas da mesma forma se não fosse por estes jovens que fizeram toda a diferença nestes oito episódios.

The Irregulars é uma realidade alternativa com suspense onde o universo do Sherlock Holmes é sobrenatural e misterioso, tendo a participação de algumas personagens relevantes neste mundo, tais como o Mycroft Holmes ou o Inspetor Lestrade, entre outros e com um lado mais leve e cómico e outro apresentado através de flashbacks, onde são constados os eventos relacionados com a morte de Alice, a mãe de Jessie e Bea. O elenco fez um bom trabalho, apesar de não me ter identificado com todas as personagens, principalmente a de Sherlock e Watson. Esta é uma produção que vale a pena a sua maratona, pois teve sem dúvida, os seus momentos interessantes como a forma como foi explorada a amizade destes jovens e muito mais que vai prendendo a atenção e criando a vontade em querer ver mais.