Costumam ser daquelas pessoas que preferem assistir a séries mais curtas?
Então, Karen Pirie é para vocês!
Com a renovação para uma segunda temporada já confirmada, os primeiros três
episódios de Karen Pirie são baseados no The Distant Echo, o
primeiro livro da série de literatura policial da autora escocesa Val McDermid
sobre a inspetora Karen Pirie. Originalmente exibida pelo canal
britânico ITV em 2022, esta pode ser atualmente vista na plataforma do Disney+.
Este drama criminal que tem tido no Reino Unido uma ótima resposta a nível de audiências é protagonizado por Lauren Lyle, tendo estes três
episódios sido escritos por Emer Kenny e realizados por Gareth Bryn. No elenco
também fazem parte nomes como Barrie Hunter, Ariyon Bakare, Chris Jenks, Gilly
Gilchrist e River Wilde.
A história centra-se em Karen Pirie (Lauren Lyle), uma jovem
inspetora escocesa verdadeiramente contemporânea e brilhante, sempre com
resposta pronta e um desejo tenaz pela verdade.
Nesta série, a recém-promovida Karen é incumbida de reabrir a
investigação de um homicídio que tem sido objeto de um podcast controverso
sobre crimes verdadeiros. Quando uma empregada de mesa, a adolescente Rosie
Duff foi encontrada brutalmente assassinada num cemitério de St Andrews, em
1996, a suspeita recaiu sobre os três estudantes que encontraram o corpo. Mas
com a falta de provas forenses, nenhuma acusação foi feita e a investigação
fracassou. Vinte e cinco anos depois, alguém está disposto a arriscar tudo para
manter os segredos que cercam o caso. Saberão os três homens mais do que aquilo
que revelaram anteriormente? O que falhou na primeira investigação? Poderá Karen
descobrir a verdade sobre o que aconteceu a Rosie naquela noite
fatídica?
Karen Pirie é uma jovem inspetora destemida que sabe muito
bem o que está a fazer, mesmo que muitos não acreditem, principalmente por ser
mulher. Depois de muitas polémicas envolvidas e expostas por um podcast em torno
da investigação policial do homicídio de Rosie Duff, os responsáveis acharam
que a melhor pessoa para liderar a revisão deste caso arquivado seria uma
mulher e nada mais interessava. Karen Pirie foi a escolha e apesar de não
ter sido indicada inicialmente pelas melhores razões, os seus superiores não estavam à espera das suas capacidades fantásticas e cheias de
qualidade como investigadora.
Esta protagonista feminina cria uma empatia imediata com o público com a
sua personalidade decidida, perspicaz, determinada e ousada. Lauren Lyle fez um
ótimo trabalho no desempenho desta líder com um talento que tem uma perspetiva
própria e consegue chegar a conclusões que mais ninguém conseguiu.
São poucas as produções que conseguem prender a atenção do espetador quando
nos referimos a dramas policiais, principalmente aqueles que estejam
relacionados com casos arquivados. Mas Karen Pirie tem a capacidade de o
fazer pela maneira simples como apresenta e organiza toda a história, criando
interação com quem está a ver.
A história é completamente fluída e repleta de mistério, sem nunca esquecer
a investigação criminal em si. É incrível como a tecnologia pode fazer toda a
diferença na resolução de um caso arquivado, onde determinados detalhes só são
descobertos dessa forma. Mas, também mostra a falta de coragem que às vezes
existe na polícia para resolver um homicídio como deve ser.
Karen Pirie é uma série de investigação criminal dinâmica e surpreendente que
merece o devido reconhecimento. É repleta de reviravoltas e revelações
inesperadas e é tão impressionante como os mais pequenos pormenores se encaixam
perfeitamente como num puzzle. Além disso, é bom ter a oportunidade de assistir
a histórias que criam um interesse imediato na pessoa e fazendo com que a própria
se torne por uns momentos numa investigadora, a partir do conforto da sua casa.
E ainda tem tempo para abordar temas relevantes e que fazem sentido que sejam
discutidos em sociedade.
Não percam Karen Pirie com a fantástica Lauren Lyle, principalmente
para aqueles que gostam de conteúdos relacionados com investigações criminais! Agora,
que venham mais episódios!
Mare of
Easttown é uma das minisséries originais mais recentes da plataforma da HBO Max, tendo sido criada e escrita por Brad Ingelsby e tem a realização de
Craig Zobel. Constituída por sete episódios, este drama com crime e
investigação pelo meio conseguiu arrecadar 16 nomeações para a edição deste ano
dos Emmy, em que venceu 4 prémios, como por exemplo, o de Melhor Atriz numa
Minissérie ou Telefilme (Kate Winslet), Melhor Atriz Secundária numa
Minissérie ou Telefilme (Julianne Nicholson), Melhor Ator Secundário
numa Minissérie ou Telefilme (Evan Peters) e na categoria de Direção de
Arte.
Nesta
história, Mare Sheehan (Kate Winslet) é uma detetive de uma pequena
cidade da Pensilvânia designada por Easttown que investiga um
assassinato local, enquanto a vida desaba ao seu redor. Também explora o lado
negro de uma comunidade unida e a forma como a família e as tragédias do
passado podem definir o nosso presente.
Esta
minissérie tem um elenco de luxo, tais como, Kate Winslet (Mare Sheehan) que
também tem a função de produtora executiva, Julianne Nicholson (Lori Ross), Jean
Smart (Helen), Angourie Rice (Siobhan Sheehan), Evan Peters (Colin Zabel), Guy
Pearce (Richard Ryan), Cailee Spaeny (Erin McMenamin), David Denman (Frank
Sheehan), John Douglas Thompson (Chefe Carter), Patrick Murney (Kenny
McMenamin), James McArdle (Mark Burton), Sosie Bacon (Carrie Layden), Joe
Tippett (John Ross) e Neal Huff (Padre Dan Hastings).
Pode
conter spoilers!
Divulgação: HBO Portugal
Numa cidade
tipicamente americana e onde toda a gente se conhece, temos uma moradora bem
peculiar com o nome de Mare Sheehan que é um tipo de heroína local com um
caráter único, tendo sido a estrela de um jogo de campeonato de basquete do
colégio há 25 anos. Ultimamente, a comunidade não tem acreditado muito nas suas
capacidades como detetive já que tanto ela como a polícia não conseguiram
resolver um caso mais antigo de uma outra jovem que tinha desaparecido há um
ano, sendo que é algo que a assombra até aos dias de hoje. Por isso, Mare
sente-se pressionada pelos habitantes de Easttown para resolver um caso
de desaparecimento que inclui reviver tudo aquilo que investigou no passado que
pode ter pistas vitais para descobrir o paradeiro de uma jovem. Infelizmente, Mare
acaba por ter uma investigação de um homicídio em mãos. Será que todos os casos
estão relacionados e ela vai conseguir encontrar quem foi a pessoa que cometeu
este crime?
Mare é
uma pessoa real, tal como todos nós que tem os seus próprios problemas e desafios
para enfrentar e que já foi vítima de uma tragédia familiar. No seu caso, ela
teve um divórcio recente, um filho que se suicidou, uma nora que é viciada em
heroína que quer ficar com a custódia do seu filho Drew (Izzy King) ou seja,
o neto de Mare e muito mais.
Divulgação: HBO Portugal
Esta é uma
mulher bondosa, justa e complexa com um bom coração e um espírito bem forte que
já passou por muito e dá para sentir facilmente o peso do seu sofrimento,
principalmente pela perda do seu filho que marca qualquer mãe e em que ela se
sente culpada por tudo o que aconteceu. Basta um olhar para o espetador perceber
o que Mare está a sentir em determinadas circunstâncias. Mas mesmo
assim, ela é a pessoa com que a comunidade pode contar para ajudar a resolver
qualquer tipo de problemas, por mais comuns ou insignificantes que possam ser e
alguns deles até podem ser bem pertinentes. Para evitar de ter de lidar com os
seus problemas pessoais, Mare tenta encontrar formas para se manter
ocupada para não pensar naquilo que a preocupa e assim, ela acaba por passar os
dias a resolver os problemas dos outros e a ser a salvação dos moradores desta
cidade.
Esta é uma
protagonista que representa uma pessoa normal com feridas profundas que tem
sempre a mesma rotina e é testada constantemente, seja na sua vida pessoal como
na sua vida profissional e por isso, ela tem de lidar com diversas situações
que são colocadas no seu caminho e descobrir qual é a melhor forma de as
enfrentar. Uma coisa é certa! Irá ser um percurso desafiante para Mare e
muita coisa lhe pode vir a acontecer!
Divulgação: HBO Portugal
Mare
tem uma personalidade forte que carrega muita culpa e vai passando por
dificuldades. Esta mulher reconhece as suas limitações mesmo que não queira
admitir, não é perfeita e faz o que considera certo para todos. É uma ótima detetive
que também é mãe, filha e avó, mas é extremamente viciada no trabalho que
implica consequências para si e para a sua família. Ela nem sempre está nos
seus dias e até pode estar mais impaciente e sobrecarregada, porém esta mulher
tem sempre resposta para quem a provocar e faz o que for preciso. Ao longo dos
episódios vai sendo apresentado o seu passado, os seus traumas e a sua rotina
na polícia, as pressões que fazem parte do trabalho, a sua dinâmica familiar e
um encontro inesperado com um possível interesse amoroso. Para além disso, vai
sendo mostrado o relacionamento complicado de Mare com as restantes
personagens, como por exemplo, com a sua melhor amiga Lori e a forma
como a Mare aborda a história da sua família e a relação que têm com
problemas de saúde mental.
Divulgação: HBO Portugal
Na sua vida
pessoal, Mare tem de lidar com Siobhan, a sua filha adolescente e
rebelde e Helen, a sua mãe que decide ir morar com ela, a batalha judicial
pela custódia do neto e os problemas de saúde do mesmo, o divórcio recente com Frank,
o seu ex-marido que atualmente é o seu vizinho e está prestes a casar-se de novo
e o suicídio do filho mais velho que ela ainda não conseguiu processar
completamente. Ela nem sempre consegue manifestar os seus sentimentos e tem de
tomar decisões difíceis mesmo que tenha de questionar o seu lado mais moral e tenta
não deixar que os seus problemas pessoais interfiram e possam desmoronar a vida
ao seu redor. Dá mesmo para ver que a Mare está plenamente exausta e não
está satisfeita com a sua vida. E temos a oportunidade de conhecermos melhor
esta personagem tão rica em seus defeitos e qualidades e também de um modo
muito mais profundo.
Um dos
principais destaques desta minissérie é a interpretação formidável e comovente
de Kate Winslet que acaba por se transformar num dos melhores papéis da
sua carreira. Ela fez um trabalho imperdível a desempenhar de um modo bem
realista esta mulher determinada com uma sensibilidade e uma boa construção
desta personagem que teve uma ótima evolução, levando a um final que funciona.
Uma performance que não vamos esquecer tão cedo e mesmo nos mínimos detalhes,
esta atriz é soberba a apresentar um estilo mais desleixado desta mulher com um
feitio difícil que se veste de um modo prático e tem o seu lado mais
vulnerável.
Divulgação: HBO Portugal
Como referido
anteriormente, Mare vai estar a investigar um caso de assassinato local
e não estará sozinha. Ela irá ter a ajuda de Colin Zabel (Evan Peters
fez um ótimo trabalho a interpretar esta personagem), um jovem investigador que
foi chamado para lhe ajudar e se torna no seu parceiro. Ela tem uma relação
interessante com ele e partilham uma química evidente entre si. Apesar de ela
gostar dele e de ter uma admiração por ele, ela é demasiado teimosa para
reconhecer o papel que este detetive do condado pode ter na sua vida pessoal e profissional
que pode ser útil na sua investigação e na análise das evidências disponíveis.
Esta
minissérie tem um mistério intrigante que vai tendo os seus momentos não só de
drama, mas também de ironia e puro suspense. Tem uma história que desenvolve
temas que estão relacionados com crimes, drogas, tragédias, saúde mental,
suicídio, depressão, conflitos, dilemas, tensão, luta pela custódia de uma
criança, terapia, dor, luto, investigações policiais, dramas familiares, violência
entre jovens, problemas conjugais, maternidade, psicopatas, violência contra a
mulher, abuso, solidão, prostituição, racismo, pobreza, dependência química,
confiança, a procura pelo perdão e muito mais.
Divulgação: HBO Portugal
Mare of
Easttown é mais um drama original da HBO com um pouco de humor pelo meio e
com atores que brilham eficazmente que têm uma performance digna de um elenco
de luxo e prende a atenção do público, sendo constituído por uma produção bem
construída e desenvolvida que vale a pena ser apreciado. O espetador envolve-se
com esta história delicada e bem cuidada que pode ter momentos mais pesados,
pois mostra personagens bem reais com as suas vulnerabilidades e transtornos
psicológicos bem visíveis que passam e enfrentam situações que podem acontecer a
qualquer um de nós e abordam problemas que fazem parte do nosso quotidiano,
dando a oportunidade do público de se envolver e de refletir sobre temas
relevantes e tão reais para a sociedade.
Esta é uma
produção muito bem concebida e elaborada com uma boa cinematografia e um trabalho
competente e bem feito não só pelo realizador, mas por toda a equipa técnica
que teve um bom desenvolvimento das personagens e contendo um argumento bem
delineado e fácil de se compreender. A história em si tem uma grande carga
emocional, suspense, mistério e thriller, é bem pensada, equilibrada e repleta
de qualidade, bons diálogos, revelações, surpresas e reviravoltas, surpreendendo
assim, o espetador pela positiva. A fotografia e banda sonora é adequada ao
tipo de história que está a ser contada e os próprios ângulos de filmagem são
inteligentes na forma como são criados, principalmente quando são planos em que
estão mais focadas as caras de cada uma das personagens que vão apresentando as
suas diversas emoções, criando assim, cenas que têm o impacto necessário para
criar uma ligação de empatia imediata com o espetador e levando a um bom
resultado final.
Divulgação: HBO Portugal
Esta
é uma minissérie fabulosa e inesperada de investigação policial com um lado
mais dramático que funciona bem e com sequências de ação breves, sendo que a
pessoa se identifica facilmente e fica curiosa para ver o que vai acontecer de
seguida e como este mistério vai ser desvendado. Também mostra a coragem que a
pessoa tem de ter para enfrentar os seus medos e que ninguém é totalmente boa
pessoa e nem é completamente perfeita, mas sim com os seus defeitos que cometem
erros, sem deixarem de ter as suas próprias qualidades e que continua a existir
esperança por mais que qualquer um lhe diga o contrário.
Para
quem gosta de histórias dramáticas e de policiais, esta é uma que recomendo que
vale mesmo a pena acompanharem apesar das suas ligeiras falhas e imperfeições.
Felizmente foi reconhecida pela sua excelente qualidade, sendo que arrecadou um
bom número de prémios nos Emmys, incluindo o de Melhor Atriz para Kate
Winslet que sem dúvida, mereceu essa distinção.
Mare
of Easttown explora uma investigação de um assassinato de uma jovem local,
onde são dadas informações com pistas que vão ser fundamentais para desvendar
um puzzle que é a resolução de um homicídio, ao mesmo tempo que são apresentados
vários suspeitos num ambiente mais frio e intimista, mas só um é o derradeiro
responsável. Quem será? Esta história intensa, interessante e emocionante que
teve um bom planeamento pode ter revelado a identidade do autor do crime com um
final que não desiludiu, mas eu acredito que tem potencial para uma possível
continuação e considero que seja uma das melhores minisséries deste ano que
merece ser vista e conseguiu superar as expetativas.
The
Irregulars (que também pode ser
designado por O Bando ou Os Irregulares de Baker Street, em
português) é uma série original da Netflix de drama policial, mas com uma
mistura de mistério que tem atualmente uma temporada com oito episódios e
estreou recentemente, tendo sido criada e escrita por Tom Bidwell que também é
produtor executivo da mesma, com produção de Rebecca Hodgson e baseando-se nos
livros do Sir Arthur Conan Doyle.
A história desenrola-se nas ruas de Londres durante a
época Vitoriana no século XIX, onde um grupo de adolescentes que inclui Bea (Thaddea Graham), Jessie (Darci Shaw), Billy (Jojo Macari) e Spike (McKell David) e vive numa cave
húmida até que um dia, eles são contratados pelo Dr. John Watson (Royce Pierreson) e o seu sócio misterioso, Sherlock Holmes (Henry Lloyd-Hughes)
para recolherem informações vitais para solucionar crimes estranhos que eles
não imaginavam que poderiam estar relacionados com o mundo do sobrenatural. A
eles, junta-se Leopold (Harrison
Osterfiel) que esconde segredos sobre a sua verdadeira identidade, mas que até poderá
ser útil em pistas que vão surgindo durante estas investigações. Será que Bea, Jessie,
Billy, Spike e Leo serão capazes
de chegar à verdade e assim, resolverem os crimes aterrorizantes que vão
surgindo nesta cidade britânica?
O elenco é constituído por Thaddea Graham (Bea), Darci
Shaw (Jessie), Jojo Macari (Billy), McKell David (Spike), Harrison Osterfiel
(Leopold), Royce Pierreson (Dr. John Watson), Henry Lloyd-Hughes (Sherlock
Holmes), Clarke Peters (Homem do Linho), entre outros.
Divulgação: Netflix
Algo chegou a Londres, uma escuridão que entrou nesta
cidade, criando uma ameaça para todos e possivelmente, o caos, caso não seja
impedida.
Os Irregulares
são um grupo de jovens destemidos e irreverentes que vivem num dos locais mais
obscuros da cidade de Londres, sendo que cresceram nas ruas e antes disso,
viveram num reformatório e felizmente, sobreviveram. Juntos, eles terão de
fazer o que for necessário para salvarem não só Londres, mas também o mundo
inteiro.
Divulgação: Netflix
Este bando é constituído por Bea, Jessie, Billy e Spike que vive com muitas poucas condições numa cave de um bar em
Londres. Eles são órfãos que foram criados em reformatórios que não davam as
melhores condições e depois cresceram na rua, mas são pessoas que sem dúvida,
lutam uns pelos outros, não importa o que aconteça. Mais tarde, entra para o
grupo, Leo que vai aprender muito com
este quarteto.
Este é um grupo de jovens que lida com os seus
problemas e traumas à sua maneira, mas a vida deles acaba por mudar quando a
dupla John Watson e Sherlock Holmes os contrata para
ajudarem a resolver casos mais complicados que chegam às mãos destes
investigadores que estão relacionados com o sobrenatural. Assim, eles
dedicam-se a investigar fenómenos paranormais e lutam contra monstros.
Pode conter spoilers!
Divulgação: Netflix
Beatrice ou Bea é obstinada,
inteligente e a líder deste grupo, designado pelos Irregulares que passou por momentos complicados na sua vida, sendo
que viver na rua não é tarefa fácil, fazendo com que tenha de crescer mais
depressa e tornar-se assim, numa pessoa responsável e independente que é capaz
de tomar conta da sua irmã mais nova, Jessie
desde muito cedo, em que ela acha que precisa de cuidado extra. Apesar de ser
autoritária e de ter tido uma vida dura, ela é humilde, tem compaixão e um bom
coração de tal forma que é dedicada aos outros e quer que todos estejam em
segurança, principalmente Jessie.
Num dia, Bea
é recrutada pelo Dr. Watson para que
possa ajudar a ele e ao seu parceiro em algumas das suas investigações e ela
será bem compensada se for bem-sucedida. Ao longo dos episódios, Bea vai sendo posta à prova, será que
ela vai conseguir ultrapassar todos os obstáculos que vão ser colocados no seu
caminho?
Divulgação: Netflix
Depois temos Jessie
que tem uma personalidade muito diferente da sua irmã mais velha, Bea. Ela é uma rapariga sensível e doce,
mas que tem pesadelos misteriosos que são assustadores, arrepiantes, recorrentes
e que parecem ser bem reais, porém ela não se consegue livrar, sendo que é uma
parte que é muito destacada ao longo dos episódios. Será que estes pesadelos a
podem magoar na realidade ou têm um significado?
Aos poucos, começamos a perceber que Jessie é especial e tem um dom que
implica entrar na mente dos outros e que consegue ver coisas que as pessoas
normais não têm capacidade de observar. Jessie
pensa que é um fardo para todos e é louca, pois tem de ter sempre alguém a
vigiá-la e tem estado constantemente presa na cave, sem que possa sair. Por
isso, ela sente que a tratam de maneira diferente, mas através de uma
personagem misteriosa, o Homem do Linho
que não sabemos quais são as suas verdadeiras intenções acaba por ajudar Jessie a descobrir mais sobre os seus
pesadelos e a conhecer melhor os seus poderes, em que ela tem de se lembrar que
o que julgava ser loucura é poder.
Jessie pode ser a chave para lutar contra a escuridão que
está a chegar a Londres, graças às suas aptidões, mas para isso acontecer terá
de sofrer uma transformação e enfrentar os seus medos e lutar contra eles,
sendo que ela é das personagens que tem um maior amadurecimento durante estes
oito episódios. Será que ela vai conseguir vencer os seus medos e que vai estar
disposta a sacrificar-se pelo bem da humanidade, caso seja necessário?
Divulgação: Netflix
Para além disso desta dupla de meninas, também temos Billy que é leal e tem a força mais
física do grupo ou seja, os músculos, sendo que tem dificuldades em
controlar-se e fará o que for preciso para proteger o seu bando, ao mesmo tempo
que lida com os problemas do seu passado. Spike
apresenta as cenas mais leves e divertidas da história, em que fala muito
rápido e diz aquilo que os outros precisam de ouvir, dando bons conselhos e acabando
por ser quem faz o que for necessário para que o grupo se mantenha unido.
Divulgação: Netflix
Por fim, temos Leopold
ou Leo que é muito esperto, culto,
chique e o único que não cresceu nas ruas, mas que se sente isolado e sozinho.
É uma personagem completamente oposta aos restantes, sendo que nunca teve
dificuldades em sobreviver e tem uma educação muito mais exigente, devido à sua
posição como membro da família real britânica ou seja o filho da rainha de
Inglaterra. Ele está proibido de sair do palácio, pois tem uma saúde que é
muito sensível, mas Leo quer passear
pela cidade e conhecer as profundezas de Londres e simplesmente viver uma vida
normal e simples, sem que esperem nada dele e que possa ser ele próprio e por
isso, ele esconde a sua verdadeira identidade por um longo período de tempo.
Como será que os outros vão reagir quando descobrirem a verdade?
Quando Leo
conhece o bando que vive no bar Duck and Quiver
e começa a apaixonar-se por Bea, ele tenta
ser útil, nem que seja através dos seus conhecimentos em literatura e começa a
perceber o verdadeiro significado da amizade e com eles, Leo sente-se livre, sem que tenha de dar justificações a ninguém,
acabando por estar a viver por uns tempos do modo que sempre desejou, em que
não havia problema em ser uma pessoa quebrada.
Estas investigações não existiam se não fosse pelo
facto do Dr. John Watson ter
recrutado estes adolescentes para que em seu nome e no de Sherlock Holmes desvendassem as pistas que faziam parte de cada
caso.
Divulgação: Netflix
O médico John
Watson e o seu sócio, Sherlock Holmes
gerem uma pequena agência de detetives localizada em Baker Street 221B e são homens respeitáveis, mas não têm acesso às
zonas mais desonrosas de Londres e por isso, Watson oferece a Bea para
pagar pelos seus serviços, caso ela lhe traga informações que só podem ser
obtidas por alguém que viva nas ruas de Londres, como é o caso dela e dos seus
amigos. Mas o que Bea não sabia inicialmente
é que Watson escondia segredos que
podiam ser importantes para o desenrolar das suas investigações, acabando por
acontecer um desenvolvimento na relação entre estes dois.
Esta versão de Sherlock
Holmes não é bem aquela que estamos habituados a ver, sendo que neste caso
acaba por ser um tipo de sombra do detetive brilhante que foi no passado, pois
este é um Sherlock mais perturbado,
preso nas suas memórias e de certa forma, mais cobarde e dependente de drogas,
em que temos a oportunidade de compreender a razão pelo qual é assim.
Divulgação: Netflix
Esta é uma história, onde tudo pode acontecer. Desde
estes jovens serem perseguidos por um grande bando de corvos furiosos, passando
por tragédias que podem surgir em qualquer esquina e homicídios macabros em que
ocorrem eventos que não fazem sentido e até a luta contra monstros, onde
pessoas ganham poderes do nada e usam para o mal. São crimes violentos que
precisam de ser parados o mais rapidamente possível, mas não será um desafio
fácil para Bea, Jessie, Billy, Spike e Leo e juntos terão casos para investigar, ao mesmo tempo que têm de
enfrentar os seus próprios medos e lidar com os efeitos dos seus atos para que
possam vencer.
Esta série de mistério, investigação e terror é cheia
de revelações que traz boas surpresas e aborda vários temas, tais como, as sociedades
secretas dedicadas ao estudo do paranormal, o preconceito, a magia, a amizade,
a importância dos relacionamentos, diferenças entre classes sociais, o poder, a
ganância, o oculto e a ocorrência de fenómenos muito estranhos relacionados com
o sobrenatural, descobrindo a origem e a fonte dos poderes dos monstros que vão
surgindo pela cidade.
Todo o horror, terrores e tumultos que chegam a
Londres está relacionado com uma fenda que se abriu na barreira entre este
mundo e o próximo, criando manifestações de distúrbios bem profundos que podem
trazer uma ameaça para o mundo. Esta é uma fenda que dá poderes, pegando no
lado negativo e mais sombrio de um indivíduo, deformando-o e fazendo com que se
torne num monstro com planos bem explícitos de destruição.
Divulgação: Netflix
Esta série é contada de uma forma bem moderna apesar
de desenrolar-se no século XIX numa cidade húmida e cruel que evidencia bem a
diferença entre o povo que tinha um ar sujo com a sociedade que vivia no luxo. É
uma história que foi bem produzida e é muito fácil de se compreender, em que é
constituída por uns ótimos efeitos visuais, sendo que esta envolve quem está a
ver, tendo sido contada de um modo simples e fluído, criando um ambiente bem
próprio à época inserida com os seus cenários bem apresentados.
É uma visão distinta daquilo que possamos esperar que
foca num grupo de jovens que tem aventura, romance e terror, em que os opostos
se atraem, mas que transmite uma mensagem relevante em que mesmo na escuridão
existe uma luz que vale a pena lutar por mais obstáculos que possam vir a
surgir e em que cada uma das personagens tem um papel específico no desenrolar
dos acontecimentos e não é necessário esconder a sua identidade para que possa ser
aceite pelos outros. Neste caso, as investigações não seriam desvendadas da
mesma forma se não fosse por estes jovens que fizeram toda a diferença nestes
oito episódios.
The
Irregulars é uma realidade
alternativa com suspense onde o universo do Sherlock
Holmes é sobrenatural e misterioso, tendo a participação de algumas
personagens relevantes neste mundo, tais como o Mycroft Holmes ou o Inspetor
Lestrade, entre outros e com um lado mais leve e cómico e outro apresentado
através de flashbacks, onde são
constados os eventos relacionados com a morte de Alice, a mãe de Jessie e Bea. O elenco fez um bom trabalho,
apesar de não me ter identificado com todas as personagens, principalmente a de
Sherlock e Watson. Esta é uma produção que vale a pena a sua maratona, pois teve
sem dúvida, os seus momentos interessantes como a forma como foi explorada a
amizade destes jovens e muito mais que vai prendendo a atenção e criando a
vontade em querer ver mais.