terça-feira, 16 de junho de 2020

Minissérie "I Know This Much is True" com Mark Ruffalo - 2 irmãos gémeos, com personalidades completamente distintas e que lidam com os seus próprios traumas



Na HBO Max, temos a minissérie "I Know This Much is True" com 6 episódios e protagonizada por Mark Ruffalo. É baseada no livro de Wally Lamb de 1998, que tem o mesmo nome. O realizador e criador é o Derek Clanfrance e também tem Mark Ruffalo, como produtor executivo.

A história desenrola-se na cidade fictícia de Three Rivers, em Connecticut, nos anos 90, nos quais conta a vida de 2 irmãos gémeos chamados Dominick e Thomas Birdsey (Mark Ruffalo), que sempre estiveram presentes na vida um do outro, apesar de terem dificuldades em lidar com os traumas adquiridos durante a infância e adolescência.  

Para além de Mark Ruffalo, o elenco é constituído por: Kathryn Hahn (Dessa Constantine), John Procaccino (Ray Birdsey), Melissa Leo (Ma ou Concettina Ipolita Tempesta Birdsey), Rosie O' Donnell (Lisa Sheffer), Rob Huebel (Leo), Archie Panjabi (Dra. Patel), Imogen Poots (Joy Hanks), Juliette Lewis (Nedra Frank), Marcello Fonte (Domenico Onofrio Tempesta), Michael Greyeyes (Ralph Drinkwater), Philip Ettinger (jovens Dominick e Thomas Birdsey), Aisling Franciosi (Dessa Constantine no passado).


Este é um drama intenso, mas emocionante de uma família que tem ascendências italianas e que faz o que for preciso para sobreviver, lutando sem limites, apesar de todos os momentos trágicos que vão acontecendo. 

Esta é uma família cheia de segredos que vive num mundo difícil. Os irmãos Birdsey foram criados por uma mãe frágil e por um padrasto violento, mas nunca chegaram a saber a identidade do pai biológico. Apesar de serem idênticos fisicamente, as suas personalidades eram completamente diferentes, sobrevivendo a todos os obstáculos que vão surgindo, mesmo que tenham nascido em décadas diferentes, nos quais Dominick nasceu em 31 Dezembro de 1949 e Thomas em 1 Janeiro de 1950, com diferença de meros minutos.

Apesar da mãe ter sido diagnosticada com um cancro, já em estado terminal, não deixou de ser carinhosa com os seus filhos, dando a atenção que cada um precisava e estes faziam os possíveis para agradarem e passarem os últimos momentos na companhia da mãe. Enquanto que o Thomas aproveitou para estar na companhia da sua mãe, Dominick preferiu criar a cozinha que esta sempre desejou.   



Dominick é um pintor de casas, divorciado e que sente-se o responsável para cuidar do irmão. É protetor na forma como apoia o seu irmão indefeso, com uma garra e intensidade, que ficamos com vontade de torcer por ele, mas também podemos ver que ele é arrogante e explosivo. Ele procura respostas sobre a identidade do seu pai biológico, ao mesmo tempo que acumula a raiva que tem do seu padrasto Ray. Também tenta ser independente, mas nem sempre consegue, pois tem de estar numa vigilância constante perante o irmão. 

Nesta série podemos ver os comportamentos que Dominick vai tendo, perante as outras personagens. Apesar do seu casamento ter terminado após uma tragédia, Dominick não consegue esquecer Dessa, mas tenta seguir a sua vida com a nova namorada Joy. 

Dominick está constantemente a chegar aos seus limites, levando a que sofra de um dilema. Por um lado quer proteger o seu irmão, mas ao mesmo tempo, quer ter a sua própria independência. Mesmo assim, ele não descansa, enquanto não houver justiça para Thomas e acabamos por ver o seu desgaste. 

Dominick tem as suas falhas e nem sempre age de cabeça fria. É o membro mais responsável da família Birdsey e também o narrador da história, nos quais partilha a sua perspetiva, as suas emoções e pensamentos, de acordo com o desenrolar dos episódios. Para além disso, também irá descobrir mais sobre as suas origens, através de um manuscrito escrito em italiano pelo seu avô, que inclui as memórias deste familiar, nos quais vai contratar Nedra para fazer a tradução em inglês. Após ter começado a ler as memórias do avô, este acaba por chegar às suas próprias conclusões. 



Thomas é o membro mais frágil desta família, pois sofre de esquizofrenia, necessitando constantemente de cuidados especiais, e infelizmente, nem sempre é fácil de lidar com uma pessoa que tem este distúrbio psicológico. Por isso, é interessante ver como uma pessoa, com determinadas perturbações psicológicas é tratada, tanto em institutos psiquiátricos, como pela sociedade. 

O irmão Dominick é o seu principal pilar e não consegue sobreviver sem ele. Está sempre a sentir-se perseguido por alguém e faz sacrifícios divinos que ele acredita que são fundamentais para salvar o mundo.

Quando Thomas toma determinadas atitudes mais extremas e loucas, ele acha que faz todo o sentido implementar medidas pelas suas próprias mãos. Devido à sua condição, ele passa a maior parte da sua vida em instalações psiquiátricas, pois necessita de cuidados específicos.

É mesmo muito interessante ver a relação entre estes 2 irmãos gémeos que têm personalidades completamente distintas um do outro. Os diálogos partilhados por estes irmãos são empolgantes e intrigantes, e ao longo dos episódios, podemos acompanhar o crescimento de cada um e os possíveis efeitos que podem vir a ter no respetivo presente. Tudo vai sendo explicado com muito cuidado para o espetador compreender alguns dos momentos perturbadores e por vezes traumatizantes, que estas personagens tiveram de passar para chegarem ao momento presente. 


Mark Ruffalo consegue prender o espetador desde o início até ao fim, pois cativa em todas as cenas que está presente. Este ator teve uma performance brilhante a interpretar estes 2 gémeos, principalmente quando estava a desempenhar o papel de Thomas com problemas psiquiátricos, que considero que seja uma personagem muito mais obscura e complexa, e também com uma carga emocional mais intensa, relativamente ao Dominick. Mas mesmo na sua representação como Dominick, também deu para ver uma carga emocional diferente, mas ao mesmo tempo, surpreendente, devido à quantidade de situações conturbadas que foi passando e ainda ter força para continuar e seguir em frente. 

Nesta série podemos ver que cada um destes irmãos tem uma linguagem corporal e vozes diferentes. Para além disso, podemos observar um olhar peculiar e caraterístico de cada personagem, nos quais conseguimos diferenciar bem quem é quem. Mark Ruffalo fez uma interpretação muito difícil de se fazer e também digna de prémios. 

É interessante ver este grande desafio que acredito que deve ter sido para o ator. Mark Ruffalo começou a interpretar Dominick e depois teve de interromper as filmagens durante 6 semanas, para engordar cerca de 13 kg para conseguir ter o físico de Thomas e aproveitou esse tempo para preparar-se psicologicamente para essa personagem. 


Neste drama emocionante são abordados alguns temas mais pesados, como a depressão, solidão, isolamento, descoberta da sua própria identidade, sentimentos de culpa, religião, luto, sobrevivência e saúde mental. 

Decorre em 2 linhas temporais diferentes, nos quais mostra a infância e o período de universidade dos irmãos e o tempo presente . Para além disso, o público não se perde entre as cenas do passado e as do presente

Podemos observar a forma como cada personagem lida com a perda de um ente querido e as escolhas difíceis que por vezes têm de fazer para sobreviverem. Também é bem representado a falta de felicidade que existe na vida dos irmãos Birdsey e assim, são mostrados os sentimentos e reações destes gémeos perante situações difíceis. 


O ritmo utilizado para contar a história em 6 episódios é o indicado, pois o drama consegue estar muito bem organizado no modo como explora o que é essencial, de uma forma que nós conseguimos entender bem e onde as cenas do passado e do presente estão bem divididas. 

Para além da fotografia ser bem escolhida, num tom mais sombrio e de ter uma banda sonora que é de arrepiar, sem dúvida que é adequada ao tipo de história e o próprio argumento também é inteligente e muito bem escrito, apesar de ser um drama mais pesado. 

É uma história que não é aconselhada a todos, pois pode ter algumas cenas mais perturbadoras para alguns espetadores, por isso é importante ter em atenção como está o estado da mente de cada um. 


Considero que esta história é profunda a nível emocional, onde vemos dois irmãos constantemente em sofrimento. Também é complexa, triste, mostrando os comportamentos que o ser humano pode ter perante diferentes adversidades que podem acontecer ao longo da vida. 

A série é extraordinária, muito bem produzida e com uma qualidade técnica impressionante, que deixa o espetador interessado, desde o início até ao fim. Eu acho que merece ser nomeado e quem sabe, vencer prémios, principalmente pelo desempenho incrível de Mark Ruffalo. Sem dúvida, que tem tudo para ser considerada como uma das melhores apostas deste ano, por isso aconselho a verem. 

sábado, 13 de junho de 2020

Série "13 Reasons Why" da Netflix - uma história que trouxe polémica, mas ao mesmo tempo aborda temas relevantes para a sociedade



A série "13 Reasons Why", que é transmitida pela Netflix, chegou ao fim após 4 temporadas. Esta é uma história que deu muito em que falar, em que é baseada no livro "Thirteen Reasons Why", lançado em 2007 e escrito por Jay Asher. Brian Yorkey foi o responsável para a sua adaptação para a plataforma da Netflix, onde a sua 1ª temporada foi lançada em 2017 e Selena Gomez é uma das produtoras executivas da série. 

Esta história desenrola-se à volta da vida de uma estudante chamada Hannah Baker (Katherine Langford), que cometeu suicídio e que resolve referir os 13 motivos pelos quais o fez, através de uma caixa de cassetes gravadas pela mesma e que foram entregues anonimamente, ao seu amigo Clay Jensen (Dylan Minette). Este irá ouvir com toda a atenção, estas 7 cassetes gravadas dos 2 lados e assim, compreender a razão porque Hannah resolveu suicidar-se. 


Nestas cassetes, Hannah mostra a sua própria versão dos fatos, onde indica quais foram as pessoas que lhe deram motivos suficientes para o seu sofrimento e que ela chegasse um dia, a um ponto sem retorno. Para além disso, também tem instruções explícitas, que cada pessoa deve ouvir as cassetes até ao fim e entregar à seguinte senão, estas serão divulgadas para o público.  

O espetador vai descobrir ao mesmo tempo que Clay, as dificuldades que Hannah teve desde que chegou à cidade e as razões que teve para ter terminado com a sua vida. 

O elenco é constituído por Katherine Langford (Hannah Baker), Dylan Minette (Clay Jensen), Justin Pretince (Bryce), Brandon Flynn (Justin), Alisha Boe (Jessica), Christian Navarro (Tony), Miles Heizer (Alex), Ross Butler (Zach), Grace Saif (Ani), Devin Druid (Tyler), Timothy Granaderos (Monty), entre outros.


Esta é uma série controversa que divide opiniões, em que tem uma abordagem madura perante alguns temas complicados e obscuros que são muito relevantes estarmos informados, mas que nem sempre a sociedade quer lidar, tornando-se assim, por vezes num tabu. 

Os assuntos abordados nesta história são realizados com uma clareza que outras séries não o fazem. Os temas são os seguintes: bullying, suicídio, drogas, abuso sexual, depressão, ansiedade, violação, violência de todos os tipos, racismo, sexualidade, preconceito, cyberbullying, identidade, auto-mutilação, aborto, alcoolismo, solidão, isolamento, ataques de pânico, alucinações, entre outros. 

Esta história é sensível, mas também poderosa à sua maneira, sendo por vezes difícil de assistir para alguns espetadores, devido a sentirem-se desconfortáveis de verem partes que podem ser deprimentes, mas ao mesmo tempo tão realistas, pois acaba por criar ao espetador uma experiência muito emocional, que pode deixá-lo chocado com algumas das cenas que são representadas. Por isso é que pode não ser apropriado, pessoas mais sensíveis assistirem, pois algumas das cenas podem ser consideradas perturbadoras para o espetador, porque o objetivo do criador foi torná-las o mais real possível.

A forma dura como estes assuntos são detalhados faz com que a pessoa comece a levar mais a sério e que também esteja atenta, pois transmite uma mensagem de que determinadas atitudes de um indivíduo pode ter consequências devastadoras para o outro. 


Ao longo das 4 temporadas, esta história vai introduzindo um narrador que vai partilhando os seus pensamentos sobre determinadas ocorrências que vão sucedendo. 

Hannah é uma adolescente com uma personalidade muito complexa que é constantemente atormentada e tem uma tristeza profunda. Ela tenta enfrentar todas as suas dificuldades e medos, mas nem sempre é o suficiente, principalmente quando está a passar por estes momentos sozinha, sem qualquer tipo de apoio. Infelizmente, Hannah sofre de abusos físicos, psicológicos e sexuais e através de flashbacks conseguimos perceber a gravidade e intensidade da sua situação e das humilhações públicas pelas quais passou.

Clay é uma pessoa reservada que tem uma paixão secreta por Hannah, mas que não consegue demonstrá-lo da melhor forma. Tanto Hannah como Clay partilham uma química incomum, mas bonita de se ver, apesar de não conseguirem admitir aquilo que sentem um pelo outro. 

Ao longo das temporadas, Dylan Minette interpreta muito bem a personagem do Clay. É muito difícil representar uma personagem como Clay, com uma bagagem emocional muito intensa, comportamento obsessivo e faz com que não sabe estar numa relação, tornando-a tóxica e para além disso, ele tenta ajudar as pessoas nas suas preocupações, quando ainda não conseguiu enfrentar os seus próprios problemas. 

Esta é uma série cheia de dramas, que sempre foi muito criticada e dividiu opiniões, por ter mostrado cenas mais explícitas que pudessem chocar alguns espetadores mais sensíveis, como por exemplo as cenas à volta do suicídio de Hannah, que foram recentemente retiradas pela Netflix.


Considero que algumas das interpretações foram fundamentais para dar credibilidade às cenas que íamos acompanhando, mesmo que pudessem ser mais difíceis de assistir. Na minha opinião, para além Katherine Langford  e Dylan Minette, também achei que Alisha Boe, Brandon Flynn, Miles Heizer, Devin Druid e Christian Navarro estão de parabéns pelo modo como foram conduzindo as suas personagens respetivas. Estes atores conseguiram mostrar através das suas personagens, a forma como cada um enfrenta as suas próprias batalhas e que nem sempre é fácil de o fazer. 

Enquanto que a 1ª temporada foca-se mais nas dificuldades físicas e emocionais que Hannah Baker passou, as restantes temporadas acabam por focar na vida das restantes personagens que continuam a ser alunos da Liberty High, após o acontecimento trágico cometido por Hannah. 

Apesar de tudo o que aconteceu entre Justin e Jessica, estes sempre foram dos meus casais favoritos da história, porque são daqueles que por mais situações complicadas que possam cada um passar, eles estarão sempre presentes na vida um do outro, por mais erros e sofrimento que possam cometer ou causar um contra o outro. 


Tanto a jornada de Justin como de Clay foram bem interessantes de acompanhar, pois acabamos por ver um crescimento mais maduro, perante qualquer problema que tivessem de enfrentar e para além disso, eu gostei do desenvolvimento da relação entre estas 2 personagens. Também gostei e achei interessante ver o crescimento de Tyler ao longo das temporadas e o apoio que teve por parte dos seus amigos para que isso acontecesse.

Por vezes, o argumento nem sempre foi bem escrito e construído, principalmente porque achei que alguns diálogos e cenas estavam um pouco perdidos e confusos e que não faziam qualquer sentido estarem ali presentes. Para além disso, deixou algumas perguntas sem respostas que acho que não seja a melhor abordagem, quando existe tempo para terminar uma história.

Eu achei interessante e pertinente também abordarem o quanto um apoio profissional pode fazer toda a diferença para ajudar uma pessoa a enfrentar e ultrapassar os seus medos. Para além disso, a representação que foi feita em mostrar a importância que é pedir ajuda, seja a um familiar, um amigo ou mesmo a um profissional de saúde para que a pessoa não precise de passar por isso sozinha.

 

É fundamental que estes temas sejam sempre abordados com muito cuidado e infelizmente, não foi isso que aconteceu nesta história. Não houve qualquer tipo de equilíbrio quando estes eram mencionados, ou seja, era definido como sendo demasiado ou então não era suficiente, e por isso nem sempre fazia sentido, tornando-se assim, confuso para o espetador.

Como disse anteriormente, acho que a história tem as suas inconsistências e as suas próprias falhas. Esta é uma série que apesar de tudo, perdeu-se com o passar do tempo, pois nem sempre teve o ritmo certo, mas que não deixa de ter os seus bons momentos.

Também acho que foi relevante mostrar o tempo que é necessário para vítimas, seja de abuso ou de outro tipo de violência, para terem a coragem de enfrentarem os responsáveis, porque se estas não tiverem um tempo para processar tudo o que aconteceu, estas podem chegar a um ponto que sentem-se perdidas e assim, não conseguem ultrapassar os seus traumas. 


Esta série também é adequada aos adultos que são pais de adolescentes, para assim compreenderem melhor, o que estes jovens podem passar durante o secundário. É uma história que abre discussões sobre temas que podem sensibilizar o ser humano, mas que por vezes são fundamentais que sejam faladas. Por vezes podem ser temas que estão muito presentes na vida das pessoas e que nem sempre têm coragem de falar neles e que possam incluir imagens mais chocantes, mas é necessário que sejam assim, mas realizadas de uma forma responsável e nem sempre a série conseguiu fazer isso. 

Também é importante ver o que acontece com as personagens que optam por caminhos mais obscuros, mas nem sempre foi explorado da melhor forma. Mesmo assim foi interessante ver algumas personagens encararem alguns dos seus medos, em momentos de crise e como um grupo de jovens tornaram-se amigos, mesmo após momentos de tragédia que foram testemunhando ao longo dos episódios.


Apesar de ter tido um sucesso imediato na sua 1ª temporada, acho que esta série não deveria ter sido prolongada da forma que foi. Tentou representar de uma maneira autêntica e verdadeira, mas por vezes desconfortável, assuntos que são sensíveis e tabu para a sociedade. Nem sempre conseguiram fazê-lo da melhor forma, mas esta história transmitiu uma das mensagens mais importantes que foi termos atenção às pessoas que vivem à nossa volta, naquilo que fazemos ou dizemos ao outro, pois os nossos comportamentos podem ter influência e fazer toda a diferença na vida de um indivíduo. 

Esta série teve muitos altos e baixos, onde a qualidade perdeu-se em algumas temporadas e que terá um final que não irá agradar a todo o público, mas que eu acho que estava mais do que na hora de terminar esta história e tive pena das escolhas que foram feitas pelos argumentistas, relativamente aos desfechos de algumas das personagens. 

 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Kevin McNally - o "Mr.Gibbs" dos Filmes dos "Piratas das Caraíbas"


Quem não se lembra da personagem carismática que tem sido o pirata Joshamee Gibbs ou Mr. Gibbs, nos cinco filmes existentes da saga dos "Piratas das Caraíbas"? O ator responsável por dar vida a esta personagem chama-se Kevin McNally, nos quais também tem uma lista vasta de participações, tanto em filmes, como em séries e em teatro. 

Kevin já participou em uma lista longa de séries, tais como: Poldark (1977), The Hard World (1983), Doctor Who (1984), Hard Cases (1989), Tygo Road (1990), Full Stretch (1993), Screen Two (1992-1996), Frontiers (1996), Dad (1997-1999), Bedtime (2002), Supernatural (2011-2012), Downton Abbey (2011-2012), Power Monkeys (2016), Designated Survivor (2016-2017), TURN: Washington's Spies (2014-2017), Unforgotten (2018), Outpost (2018) e mais recentemente, Catherine The Great (2019) e Das Boot: The Submarin (2018-2020). Estes são apenas alguns dos seus trabalhos em séries, pois como disse anteriormente, este ator tem uma lista vasta de participações. 

Para além dos filmes dos Pirates of the Caribbean, este ator também entrou em outros filmes, tais como: The Phantom of the Opera (2004), Valkyrie (2008), James Bond: The Spy Who Loved Me (1977), Johnny English (2003), entre outros. 


Os filmes dos Piratas das Caraíbas estão na lista dos meus favoritos, pois sempre me cativaram desde o 1º até ao mais recente, incluindo histórias relacionadas com piratas, nos quais tinham sempre uma aventura e jornada longa, misturada com humor, ação, lutas e momentos de descontração. Estes são daqueles filmes que já perdi a conta de quantas vezes já vi, mas que vou gostar sempre de recordar.

Um das minhas partes favoritas dos filmes são as cenas partilhadas entre o Mr. Gibbs (Kevin McNally) e o Jack Sparrow (Johnny Depp), porque acho que estas personagens têm uma grande química e os diálogos respetivos são hilariantes e divertidos. É interessante ver o companheirismo partilhado por estes 2 piratas, nos quais Mr. Gibbs acaba por ser o parceiro mais leal de Jack Sparrow, que faz o que for preciso por ele. 

Kevin McNally foi um dos convidados da Comic Con Portugal 2019, que decorreu no Passeio Marítimo de Algés. Foi daquelas pessoas que tinha mais curiosidade em ver e ouvir as suas histórias. Também tive a oportunidade de lhe fazer algumas perguntas sobre o seu trabalho nesta saga que tem milhares e milhares de admiradores, espalhados pelo Mundo. De seguida, partilho com vocês, as perguntas que fiz a este grande ator e as respostas respetivas.

1. Qual foi a sua experiência na saga dos filmes dos Piratas das Caraíbas? E se houve alguns momentos em que se divertiram nos bastidores?

Kevin McNally: Eu tive uma grande experiência, principalmente nos primeiros 3 filmes, porque estivemos muito tempo nas Caraíbas e no mar. No 4º filme fomos para o Hawaii e isso foi formidável. No último filme fomos para a Austrália, durante 5 meses. A razão pelos qual refiro que os primeiros 3 filmes foram mais agradáveis foi porque naquela altura, tudo o que nós filmávamos era real, mas depois, acabamos por passar, cada vez mais tempo com ecrãs verdes e CGI e assim, imaginando como o filme vai parecer. Eu costumava preferir de como era realizado antes, ou seja, algo específico que tinha de se fazer com um navio, sem ter de se utilizar computadores.   


2. Como foi trabalhar todos estes anos com o Johnny Depp? Eu ouvi dizer que ele era uma pessoa muito divertida e cómica no set do filme.  

Kevin McNally: Está completamente certa. O Johnny é um comediante no set. Está sempre a pregar-nos partidas, por isso fazer 5 filmes com ele e com Geoffrey Rush foi para mim, uma verdadeira honra.


3. Qual foi o papel que interpretou e que considera ter sido o seu maior desafio e porquê?

Kevin McNally: Eu acho que o meu maior desafio foi no teatro, a interpretar King Lear, pois descrevem por ser "Everest de papel", como subir ao Monte Everest. Isso foi um trabalho difícil, mas ao mesmo tempo agradável. No cinema ou na televisão, os papéis tendem a ser desafiantes não por razões intelectuais, mas por razões físicas. Por exemplo, eu estar no mar durante 1 semana ou ter de fazer cenas mais físicas, como coreografias. Por isso, para uma pessoa como eu, as dificuldades são mais as partes físicas e não tanto as intelectuais. 


4. Como foi a preparação para as cenas de ação e luta?

Kevin McNally:  Tive um duplo fantástico que tenta ajudar-me a fazer todas as cenas de ação possíveis. Obviamente que os produtores não gostam que eu faça as cenas mais perigosas, porque não querem que eu vá para o hospital durante 2 semanas, em período de gravações. Por isso, eu só tento fazer o mais simples, como nadar, andar e beber rum.  

Gostaria de agradecer ao Kevin McNally pela sua simpatia e disponibilidade para responder a todas as perguntas feitas, tanto nas conferências de imprensa, como nos painéis. Foi muito interessante ouvir algumas das histórias dos bastidores da saga dos filmes dos Piratas das Caraíbas e saber mais sobre a sua experiência em outros trabalhos que fez. Também um agradecimento especial à organização da Comic Con Portugal, por ter trazido este ator ao nosso país. Aproveito para partilhar algumas das fotografias que tirei, durante uma das conferências de imprensa e no painel. 








domingo, 7 de junho de 2020

Minissérie "Defending Jacob" com Chris Evans - um drama que conta a história do filho de um advogado que torna-se no principal suspeito de um homicídio


A Apple TV + produziu recentemente, a minissérie "Defending Jacob" com 8 episódios. Este drama é baseado no livro com o mesmo nome de William Landay, nos quais foi criado e escrito por Mark Bomback, realizado por Morten Tyldum e também tem Chris Evans como produtor executivo.

Andy Barber (Chris Evans) é um advogado que trabalha para a procuradoria geral até que um dia, Ben Rifkin (Liam Kilbreth), um jovem de 14 anos é assassinado e Andy torna-se o responsável pela investigação deste crime. Durante o decorrer da investigação, Jacob (Jaeden Martell), um adolescente e filho de Andy, é considerado como o principal suspeito da morte do seu colega da escola. Andy fará os possíveis para provar da inocência do seu filho de 14 anos, mesmo que as evidências possam comprovar o contrário.


O elenco é constituído por Chris Evans (Andy Barber), Michelle Dockery (Laurie Barber), Jaeden Martell (Jacob Barber), Cherry Jones (Joanna Klein), Pablo Schreiber (Neal Logiudice), Betty Gabriel (Pam Duffy), Sakina Jaffrey (Lynn Canavan), Poorna Jagannathan (Dr. Vogel) e J.K. Simmons (Bob Barber).


A investigação liderada por Andy será à volta do homicídio cruel do jovem Ben Rifkin, onde levou várias facadas e o crime ocorreu num parque, na cidade de Newton. Andy começa a interrogar as crianças da escola do seu filho e começa a perceber que vai ser difícil resolver o caso, pois vão aparecendo evidências que podem ligar Jacob a um possível envolvimento no crime. 

Esta é uma história com qualidade, que cria uma experiência boa e diferente para o espetador, pois esta vai inserindo dicas para que seja criada a nossa própria opinião sobre os fatos apresentados ou seja, acabamos por ser um género de júri, que tem o trabalho de julgar o caso e definir se um adolescente de 14 anos é ou não culpado por homicídio. Este caso de investigação acaba por tornar-se ligeiramente viciante, porque deixa o espetador cativado desde o início até ao fim. 


Este drama desenrola-se, segundo a perspetiva de Andy, enquanto está a testemunhar numa audiência. Ele não desiste enquanto não conseguir provar a inocência do seu filho e irá sempre defendê-lo, desde o início ao fim. Andy acredita que Jacob não é o responsável pela morte do seu colega de escola, por mais provas que possam ser representadas do contrário. Apesar de Andy fazer sempre o seu trabalho, de acordo com as evidências, relativamente aos seus casos anteriores e sem ter qualquer tipo de desconfiança das mesmas, não é isso que acontece quando o suspeito é o seu filho. Por isso acaba por ver as coisas de uma forma bem diferente do que deveria ser, mas é normal isso acontecer quando se está a defender o seu próprio filho. 

Durante os 8 episódios deste drama criminal, uma das perguntas mais frequentes é se Jacob é realmente culpado ou inocente do crime que está a ser acusado, acabando por testar os nossos pensamentos e conclusões que possamos vir a ter sobre esta história, de acordo com as evidências que vamos recebendo. O que acontece é que existe sempre uma dúvida constante sobre o que poderá ou não ser verdade e para além disso, há uma reflexão de como é possível, um jovem como Jacob ter sido capaz de matar o seu colega de escola, de um modo tão violento.  

Num geral, o elenco tem uma boa performance na forma como representam as personagens respetivas. É interessante ver a construção das personagens que têm personalidades mais complexas e de ver a forma como cada membro da família Barber reagem a este tipo de situação. 



Andy é um advogado do estado de Massachusetts e também competente no seu trabalho, em que os seus colegas consideram-no como um género de mentor. A sua vida muda completamente quando o seu filho é acusado de matar um colega da escola. Um dos seus maiores medos é tornar-se num assassino como o seu pai. Andy também passa por alguns dilemas morais, que nem sempre sabe resolver da melhor forma, porque questiona-se, se as escolhas que faz significam que poderá tornar-se num bom homem ou num bom pai.

Depois de um miúdo ser assassinado, Andy fica responsável pelo caso, nos quais começa a interrogar as crianças da escola do seu filho e começa a ver que vai ser difícil resolver o caso, pois Jacob tem um possível envolvimento no crime. 


Este advogado é dedicado à família e esforça-se para ser uma boa pessoa, mas também guarda segredos obscuros sobre o seu passado. Ele é perseguido por fantasmas e traumas do passado, nos quais o seu pai, Billy é o principal responsável.


Podemos observar um lado do trabalho de Chris Evans bem diferente daquele que estamos habituados a assistir. Neste caso, vemos um lado muito mais dramático, com uma carga de emoções mais intensa. Sem dúvida que esta é uma evolução muito positiva no trabalho deste ator, pois considero que este encaixa-se muito bem no papel que interpretou.


Jacob é um rapaz introvertido, doce e ao mesmo tempo distante. Tem mudanças de humor, alguma agressividade e não consegue expressar aquilo que vai sentindo e consequentemente, faz com que fique cada vez mais isolado e com sentimentos de indiferença. Começa a ser acusado pelos próprios colegas da escola, acabando por ser visto de outra forma.

Apesar de Jacob ter garantido que não cometeu o crime, os seus pais continuam a ter as suas dúvidas, pois ele tinha razões para o fazer, principalmente quando este cria uma história macabra, que publica num site da internet sobre o suposto crime, indicando todos os pormenores do mesmo ou porque Ben fazia-lhe bullying. Por isso, o público fica na dúvida se deve ou não ficar no lado de Jacob. 


Jaeden Martell faz uma boa interpretação deste jovem que foi acusado de homicídio, principalmente a nível dos seus movimentos corporais e expressões faciais. 


A família Barber vive no estado de Massachusetts, nos EUA e podemos ver que existe uma boa química entre todos os membros desta família. Infelizmente, esta família começa a viver o pior pesadelo das suas vidas, onde sofre de isolamento, falta de empatia e preconceito perante a comunidade, depois de Jacob ser constituído arguido.

Esta é uma história que mostra os momentos de esperança e ao mesmo tempo, de desespero que estes pais vão passando e que nem sempre conseguem lidar da melhor forma. Acho que a relação familiar é bem representada, principalmente quando existem dificuldades e acontecem traumas. Infelizmente é criado um circo mediático à volta desta família, nos quais a comunicação social coloca-se à porta da sua casa para vigiar todos os passos que são dados por cada membro, desde que Jacob foi detido. Esta família tenta ter uma vida normal, mas os fatores à sua volta não deixam que isso aconteça.


Laurie é das personagens que tem um maior desenvolvimento e evolução nesta história, onde podemos observar um lado mais profundo e desesperado desta, pois ela quer saber a verdade, custe o que custar, não importa as consequências. Ela tem uma carga emocional muito intensa, que consegue representar de um modo doloroso e também vemos até onde chega o seu limite em lidar com toda esta situação.

Laurie passa por muitos momentos conturbados, principalmente quando começa a desconfiar do próprio filho, acumulando assim, um sentimento de culpa. Esta é uma mãe que tem medo de ter criado um possível assassino e ao longo dos episódios vai tendo uma mistura de emoções, nos quais, vai refletindo sobre sinais possíveis que tivessem ocorrido na infância de Jacob, que indicassem ou não uma conclusão assustadora.

Uma das principais ligações ao crime é devido ao facto de Jacob ser neto de um criminoso, que está a cumprir prisão perpétua, depois de ter violado e morto à facada, uma mulher. Este criminoso chama-se Bob Barber e é interpretado por J.K. Simmons, que apesar de ter tido uma participação pequena, representa uma personagem versátil e ao mesmo tempo, assustadora.  

Esta série é constituída por uma fotografia promissora, que foi muito bem escolhida, pois capta a atenção daquilo que estamos a assistir. Para além disso, achei que a banda sonora foi bem encaixada na história, mas infelizmente, o genérico não foi o melhor, nos quais poderia ter sido muito mais atrativo.

Esta investigação acaba por trazer uma reflexão para o próprio público, que vai acompanhando estes 8 episódios, onde tenta encaixar todas as pistas que vão sendo fornecidas para assim completar este puzzle.

 
O argumento até está bem escrito, incluindo um caminho longo de suspense, mas desvia-se um pouco da história do livro, em que altera algumas das cenas fundamentais, mas acaba por ser uma forma de deixar o público criar as suas teorias e utilizar a sua própria imaginação ou seja o final fica ao critério do espetador. 

Esta história aproxima o público, devido às reviravoltas que vão sucedendo, nos quais algumas são inesperadas, momentos de tensão e também podemos acompanhar todas as etapas do julgamento de Jacob. 


A construção da defesa de Jacob é feita a um bom ritmo, onde podemos ver todos os passos que são necessários para que no dia do julgamento não hajam surpresas que possam prejudicar o caso. 


A inocência de Jacob torna-se num autêntico mistério para todas as personagens envolventes. Desta forma também podemos acompanhar as emoções que são vividas por cada personagem. 


Considero que há partes da história que poderiam ter sido mais bem exploradas, tais como a história de determinadas personagens que poderiam ter dado uma maior relevância ao drama. 

Tal como acontece em histórias de outros crimes, eu estava à espera que tivesse sido mostrado algum tipo de flashblack, para  vermos a verdade e todos os detalhes sobre o homicídio de Ben e o seu responsável. 

Este thriller dramático faz refletir sobre o que é certo e o que é errado ou como a comunicação social pode afetar um julgamento. Também é abordada a influência que a internet tem nos comportamentos da sociedade. Para além disso, são representadas as consequências que uma tragédia deste tipo pode trazer para a dinâmica de uma família.


Este é um drama que pode ter um final que não seja satisfatório para todos, mas mesmo assim, aconselho-vos a verem, caso gostem deste tipo de histórias. 

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Série "Manifest" - o mistério do voo 828, que deixa o espetador curioso na procura por respostas


A série "Manifest" é um dos mistérios dramáticos mais falados do canal NBC, que estreou em 2018, nos quais é transmitida em Portugal, pelo HBO Portugal. Atualmente é constituída por 2 temporadas e tem a criação de Jeff Rake. 

A história desenrola-se em torno de um mistério sobre um avião da companhia aérea Montego Air, que aterrou em segurança após ter passado por uns momentos mais conturbados, enquanto esteve no ar, mas na realidade, o voo 828 esteve desaparecido durante cerca de 5 anos, nos quais os passageiros e tripulantes foram dados como mortos, e assim que voltou, este grupo de 191 pessoas não tinham envelhecido, mesmo após todos esses anos. Michaela (Melissa Roxburgh) e Ben Stone (Josh Dallas) são 2 irmãos que faziam parte da lista dos passageiros do avião e assim, resolvem investigar o desaparecimento misterioso do voo 828, que poderá trazer mais perguntas do que respostas, mas estes não vão desistir, enquanto não souberem o que realmente aconteceu.  

O elenco é constituído por Melissa Roxburgh (Michaela Stone), Josh Dallas (Ben Stone), Athena Karkanis (Grace), J.R. Ramirez (Jared Vasquez), Jack Messina (Jack Stone), Luna Blaise (Olive), Parveen Kaur (Saanvi) e Matt Long (Zeke). 


Michaela é uma agente da polícia que foi fazer uma viagem à Jamaica, com toda a sua família e aproveitou para pensar no pedido de casamento do seu namorado. Quando estão à espera do avião para regressar, surgiu a oportunidade de embarcarem no voo 828 para New York e ao mesmo tempo receberem 400 dólares de recompensa. Assim, Michaela, Ben e o seu filho, Cal não pensam duas vezes e resolvem aceitar, sem saberem das possíveis consequências. Por isso, a família separa-se e cada membro dirige-se para o respetivo voo. O voo 828 sofre por um período complicado de turbulência, mas o piloto consegue resolver a situação e tudo volta ao normal. Mas tudo acaba por mudar quando umas simples horas são encaminhadas para 5 anos e meio depois, durante o momento de aterragem. 

Tanto os tripulantes como os passageiros não imaginavam que este voo iria mudar por completo, as suas vidas, pois para eles tinham passado poucas horas, enquanto que para o resto do mundo tinham-se passado 5 anos, sem qualquer tipo de explicação plausível. Todos os familiares e amigos destas pessoas já tinham seguido com a sua vida, após terem tido 5 anos para fazerem o luto, perante os seus entes queridos. 


Como se poderia imaginar, os 191 passageiros do voo 828 partirem da Jamaica em 7 de Abril de 2013 e voltarem apenas em 4 de Novembro de 2018? Apesar de terem estado desaparecidos durante mais de 5 anos, este grupo de pessoas sentiu que tinha passado apenas 3 horas. 

Os passageiros deste avião terão de aprender a lidar com muitas mudanças que decorreram durante a respetiva ausência e também lutar pela sua própria sobrevivência. Estes passam a viver num mundo, onde todos aqueles que conheciam seguiram em frente, sem eles. 

O impossível aconteceu e acaba por tornar-se numa nova oportunidade de vida para este grupo de pessoas, mas não será fácil de meter em prática, pois estes irão ter muitas mais perguntas, em vez de respostas. Mas é sempre bom ter uma segunda oportunidade para tentar ter uma vida melhor e corrigir erros cometidos, anteriormente.

É interessante observar as mudanças que podem acontecer e fazem toda a diferença em personagens que estão ausentes durante 5 anos. Para além disso, também é importante ver as reações das pessoas que acreditavam que um determinado ente querido estava morto e que afinal, estava vivo. Após mais de 5 anos, estes voltam a ver esse familiar e amigo, acabando por não ser fácil, depois de terem passado por um período de incerteza e luto, quando houve um desaparecimento, sem qualquer tipo de pistas.


A família Stone é onde desenrola-se a maior parte da história, nos quais Ben, Cal e Michaela faziam parte da lista dos passageiros do voo 828, que estiveram ausentes durante mais de 5 anos e consequentemente fez com que Olive e Grace tivessem que seguir com as suas vidas, pensando que os restantes membros da família tinham falecido. É interessante ver a adaptação que Ben, Cal e Michaela vão tendo com as mudanças que ocorreram nos últimos anos. Por exemplo, o namorado da Michaela está casado com outra pessoa; a irmã gémea de Cal está 5 anos mais velha, logo está na adolescência e a esposa de Ben está a namorar com outra pessoa.

Gostei de ver a relação entre Cal e Olive, que funciona muito bem na história, onde podemos observar um apoio constante que existe nestes gémeos, que não muda, por mais anos que passem. Antes de ir para a Jamaica, Cal é diagnosticado com leucemia terminal, tendo uma esperança de vida de 6 meses, mas isso não parou com que a família estivesse sempre presente para ele e tivesse comprometido a fazer esta viagem, levando a que tivesse surpresas mais tarde.


Depois de regressarem, muitos dos passageiros começaram a ter visões com imagens inexplicáveis, nos quais designaram por callings ("chamadas" em português), que poderiam vir a fazer todo o sentido e serem fundamentais para salvarem vidas. Ben, Michaela e Cal tinham estas visões que podiam manifestar-se de forma auditiva ou visual, onde mostravam-lhes o futuro e dando-lhes instruções, que podiam levar até pessoas que precisavam de ajuda.

Como Ben e Michaela resolveram dedicar-se à investigação do desaparecimento misterioso do voo 828, também fizeram com que levassem mais a sério, as visões que vão tendo, ao longo dos episódios, pois acreditam que tudo tem uma explicação e que também pode vir a ser relevante para algo que ainda não conseguiram descobrir. Através destas visões, chegam à conclusão que existe um motivo e uma ligação entre os passageiros do avião, muito maior do que pensavam.

Estes callings ordenam que sejam tomadas atitudes que podem ou não fazer toda a diferença na vida de outra pessoa. Por isso, passageiros como Michaela ou Ben começam a perceber que a vida deles tem um determinado propósito e que eles têm de descobrir qual é, entendendo as mensagens que são transmitidas por estas visões e depois fazerem o que for necessário para cumprirem aquilo que lhes é pedido.

Michaela consegue desvendar alguns dos seus casos da polícia, com a ajuda dos callings que vai recebendo, por isso, ela é uma das pessoas que acredita que estes aparecem por uma boa razão.

Esta série dramática será sem dúvida, um mistério muito difícil de desvendar, mas que cria laços entre as personagens e o espetador, nos quais é constituído por episódios surpreendentes, que vão cativando o público. Também é interessante, o espetador acompanhar as descobertas feitas, ao mesmo tempo que as personagens. 

Existe um bom drama familiar, onde são partilhadas as diferentes dificuldades que cada membro da família vai passando, ao longo da história.  
 

Este é um daqueles mistérios, onde o espetador cria teorias ilimitadas para tentar explicar o desaparecimento deste avião e que torna com que o desenrolar da história vá sendo por vezes, surpreendente e empolgante, mas também intrigante. Acabam por ser várias as opções que vão passando pela mente do público.

Em determinados episódios, é interessante ver que o espetador está à espera que naquele momento seja esclarecido com algumas respostas a perguntas que pode exceder a sua compreensão, mas em vez disso, acaba por surpreender e deixar ainda com mais perguntas, levando a que a sua curiosidade vá aumentando, ao longo do desenrolar da história. 

Eu considero esta história como sendo um puzzle muito complexo de se resolver, nos quais cada peça nem sempre encaixa da forma que pensávamos. É daquelas séries em que o público tem de estar muito atento para não se perder e assim perceber todas as peças que vão sendo introduzidas ao longo dos episódios. Pode acontecer a pessoa perder-se com a quantidade de mensagens que são transmitidas e têm de ser decifradas.


Também acontece uma discriminação perante os passageiros deste avião, onde alguns destes não conseguem voltar a ter uma vida normal. São vários aqueles que vão tentar obter respostas através dos passageiros, seja agentes do governo ou fanáticos que acreditam que o seu regresso foi um autêntico milagre e querem saber mais. Mas depois há aquelas pessoas que acredita que este grupo não é normal e é perigoso, e por isso incentiva ódio e violência contra eles. 

O governo também faz experiências com alguns destes passageiros para tentar perceber melhor o que aconteceu, mas também para aproveitarem os "poderes" com que ficaram após o regresso do avião.

Uma das principais perguntas feitas nesta história é por onde estes passageiros estiveram nestes últimos 5 anos e são várias as teorias existentes. Também é abordado temas místicos e a relação que pode ter com acontecimentos do passado. Para além disso, um dos passageiros tenta descobrir o que aconteceu através de experiências científicas e alguns ensaios clínicos. 

A chegada de Zeke também cria um aumento na curiosidade do público, onde existe a tentativa de ser fazer uma ligação entre esta personagem e o grupo dos passageiros.


Considero que nem todos os episódios tiveram a mesma qualidade, o que acaba por ser uma pena, pois é uma série com muito potencial, que ainda tem muito para contar. Nos primeiros episódios da 1ª temporada, eu achei alguns dos episódios parados e com um ritmo muito lento, que nem sempre tinha muita relevância, mas que foi melhorando aos poucos. É daquelas histórias, em que o público tem de estar muito atento para não se perder e assim perceber todas as peças que vão sendo introduzidas ao longo dos episódios. Mesmo assim, esta série dramática prende o espetador desde o início até ao fim.

Acho que alguns dos efeitos visuais poderiam ter sido melhores e em alguns episódios, o ritmo era por vezes demasiado lento, pois prolongaram alguns esclarecimentos mais do que deviam. As vozes que são introduzidas nos callings pareceram um pouco artificiais para o que supostamente deveria ser. 

Ao longo da 2ª temporada, a religião é um dos temas fulcrais da história. Sejam dúvidas que as pessoas possam ter relativamente a determinados cultos ou mesmo a nível de alguma das possíveis explicações para o avião ter voltado ou de ter sido um milagre e também a quantidade de teorias da conspiração, onde acreditam que o governo ou seres extraterrestres possam ser os responsáveis pelo desaparecimento do voo 828. Também podemos ver o poder que a fé pode ter na sociedade, mas que nem sempre é utilizada pelos melhores motivos. 


Relativamente ao argumento, eu acho que algumas coisas deveriam melhorar no mesmo e assim, explorar de uma forma mais consistente este suspense, pois demoram muito a dar respostas e quando dão, acabam por introduzir ainda mais perguntas. Mesmo assim, considero que teve um bom crescimento desde a 1ª temporada até à 2ª. 

Esta série acaba por ser inspirada num desaparecimento real que aconteceu em 2014, com o voo MH370, que desde então nunca foi encontrado, acabando por tornar-se num mistério sem pistas.  

Esta até é uma história inteligente e bem interessante de acompanhar. Para quem é fã de mistérios, esta pode ser uma boa aposta. Algumas das revelações da série são surpreendentes em que a pessoa fica em choque e ao mesmo tempo com curiosidade em saber mais, pois são várias as reviravoltas que vão sucedendo.

Espero que continue por mais algum tempo, pois ainda existem vários mistérios para serem desvendados nesta série.