sábado, 8 de março de 2025

Filme "Mickey 17" transporta-nos para uma viagem imperdível e alucinante que ganha novas dimensões

 

Já chegou um dos filmes mais aguardados do realizador sul-coreano, Bong Joon Ho. Mickey 17 é a sua nova produção de ficção científica e é uma adaptação do livro Mickey 7, de Edward Ashton. Bong Joon Ho também é o responsável pelo argumento e promete surpreender o público. O filme pode ser visto na plataforma de streaming da HBO Max.

O elenco é constituído por Robert Pattinson, Naomi Ackie, Steven Yeun, Toni Collette e Mark Ruffalo.

Na história, o improvável herói, Mickey Barnes (Robert Pattinson), vê-se numa circunstância extraordinária de trabalhar para um empregador que exige o compromisso absoluto com o trabalho…morrer para viver. Ele é um “descartável” cuja função é morrer e voltar a ser impresso. Cada vez que Mickey morre, a humanidade aprende algo novo.

Por isso, ele está mortinho para salvar a humanidade. Mas, será que ele leu a papelada toda e sabe exatamente o que significa ser um “descartável”? Terá Mickey tomado atenção a tudo aquilo que esta função implica?

Este acaba por ser o pior emprego do mundo, ou seja, sempre que morre em missão, ele é imediatamente impresso de novo, com todas as memórias intactas. E de seguida, está pronto para regressar ao trabalho e é praticamente garantido que irá morrer outra vez.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Isto acontece, porque na Terra, tudo estava a correr mal e ele queria sair de lá. Perante as dificuldades financeiras e como se sentia sem rumo e desesperado, Mickey decidiu embarcar como um membro da tripulação a bordo de uma nave espacial para fazer parte de um projeto de colonização de um planeta gélido, onde inscreveu-se como um candidato “descartável”, sujeitando-se assim, a uma série de experiências em que incluíam as tarefas mais perigosas. E que implicava morrer diversas vezes e de inúmeras maneiras. Seja qual fosse a forma que ele morresse, era logo impressa uma nova versão do seu corpo com as memórias sempre atualizadas.

Neste trabalho avassalador e bem solitário é exigido um compromisso absoluto com o mesmo, onde pode consumir totalmente a pessoa, tornando-se assim, num autêntico inferno combinado com toxicidade e com todo o tipo de venenos que possam existir. Pois, ele é exposto a radiações, inala gases tóxicos e ainda, é injetado com vacinas experimentais. Mas, não importa as consequências, porque aconteça o que acontecer, ele irá de seguida, renascer, quantas vezes forem precisas.  

Mickey é sem dúvida, um herói improvável e esta é a sua grande dádiva para a humanidade. Ele até pode ser considerado como um jovem vulnerável e tolo. E mesmo assim, apesar dos muitos desafios que enfrenta, ele acaba por sobreviver sem quebrar. Quando a sobrevivência da humanidade está em risco, Mickey está pronto para se sacrificar, quantas vezes forem necessárias. Nós acompanhamos um Mickey a lutar até ao fim.

Divulgação: Warner Bros. Pictures e Cinemundo

A sua vulnerabilidade vai sendo apresentada ao longo desta história, sendo que ele tenta processar o que ele é e aquilo de que é feito. Mas, ao mesmo tempo, tem uma relação um pouco complicada com todas as suas versões anteriores e que às vezes é difícil de se descrever. Contudo, tudo muda quando surge inesperadamente o 18, porque ele tem de lidar com o facto da razão pelo qual ele foi a única versão que sobreviveu. E ainda, entender a complexidade da personalidade deste 18 que é muito mais destemido e corajoso do que ele. Eles são múltiplos, o que significa que a regra é serem todos exterminados. Será que o Mickey 17 e 18 vão ser exterminados?

Para além disso, também é retratado um planeta desconhecido designado por Niflheim que vai sendo testado para o projeto de colonização e Mickey é a chave para a sobrevivência da humanidade. Será que eles estão completamente sozinhos neste lugar ou já existem espécies nativas? A verdade é que eles estão acompanhados por umas criaturas com características muito peculiares que acabam por lhes dar uma lição muito útil para sobreviverem.

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Mickey 17 é uma obra de arte ousada e surpreendente com uma identidade própria que nunca sabemos o que esperar e onde tudo pode acontecer. Esta é uma aventura sci-fi que é irreverente, hilariante e é constituída por um lado mais selvagem e outro mais cómico e irónico, sendo que se desenrola num ambiente futurista e cuja narrativa aborda dilemas éticos e humanitários, enquanto apresenta uma mensagem mais profunda e em certas situações numa perspetiva mais provocadora e até política. Por isso, acaba por tornar-se num filme relevante para os dias de hoje.

Este é um lugar distópico enrolado em opressão e violência que nos faz relacionar imediatamente com o mundo em que estamos a viver agora. Neste caso, este sítio é liderado por Kenneth Marshall, um político ambicioso e tirano que rapidamente traz à memória ditadores do passado. Este bilionário narcisista é desempenhado na perfeição por Mark Ruffalo que apresenta este antagonista como um ser desprezível que embarca numa viagem ao espaço para colonizar o planeta gelado Niflheim. Contudo, só lhe importa o poder e não tem qualquer tipo de limites.    

A narrativa em si é maioritariamente narrada pelo seu protagonista, sendo que desde o início conseguimos criar uma empatia imediata pelo Mickey, enquanto torcemos por ele. E ainda, acabamos por assistir, de acordo com o seu ponto de vista.

Divulgação: Warner Bros. Pictures e Cinemundo

Um dos maiores destaques do filme vai para Robert Pattinson que interpreta ao mesmo tempo e de um modo brilhante, duas versões do Mickey com feitios e conflitos totalmente diferentes, apesar de ainda terem alguns pontos em comum. É muito interessante acompanhar a jornada dos dois, a própria dinâmica do Mickey 17 com o Mickey 18 e como cada um lida com Kenneth Marshall e outras personagens. A versatilidade de Robert Pattinson é espetacular e ele dá mesmo tudo nestes dois papéis bem desafiantes e acompanhado por um tom humorístico bem engraçado. Sinceramente, espero que Robert Pattinson venha a ser premiado por este seu trabalho que merece sem dúvida, o devido reconhecimento.  

Além disso, a trama representa os níveis a que pode chegar um programa de clonagem futurista e todas as suas implicações e questões éticas. E não nos podemos esquecer da questão mais vezes mencionada na história. Sim, falamos da insistência de Mickey 17 ser constantemente bombardeado com a pergunta “Qual é a sensação de morrer?”. Uma pergunta com a qual a maioria de nós acaba por ter de lidar, mais cedo ou mais tarde, principalmente perante um acontecimento traumático. De uma certa forma, acaba por ser um tema mais tabu. Porém, acaba por criar um género de reflexão sobre o assunto.  

Divulgação: Warner Bros. Pictures Portugal e Cinemundo

Mickey 17 transporta-nos para uma viagem imperdível e alucinante que ganha novas dimensões e é cheia de revelações, circunstâncias inesperadas e ainda, com sequências completamente loucas. Esta é uma experiência cinematográfica única e com uma visão excêntrica sobre a colonização, vinda da mente do icónico Bong Joon Ho que precisa de ser vista em IMAX e que nos mostra ângulos de filmagem criativos e um trabalho de realização inteligente.

Este filme de ficção científica é uma diversão garantida e é cativante em cada uma das suas cenas. Por isso, não percam! Aproveitem esta ótima fonte de entretenimento e venham de mente aberta!

Se quiserem saber mais sobre a minha experiência na World Premiere de Mickey 17 em Londres, podem Ver AQUI!



segunda-feira, 3 de março de 2025

Lista dos Vencedores da 97.ª edição da Cerimónia dos Oscars 2025

A 97.ª edição dos Oscars decorreu na última madrugada e foram vários os filmes premiados, com algumas surpresas pelo meio e outros anúncios mais previsíveis. "Anora" foi a protagonista e a grande vencedora da noite, onde venceu 5 estatuetas douradas, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Realização. Já "I'm Still Here" protagonizado por Fernanda Torres levou o prémio para o Brasil na categoria Melhor Filme Estrangeiro.

Um dos momentos altos e mais emocionantes da noite foi sem dúvida, o desempenho musical extraordinário de Ariana Grande com Cynthia Erivo.

A lista de vencedores desta cerimónia foram os seguintes:


Melhor Filme

  • "Anora" - VENCEDOR
  • "The Brutalist"
  • "A Complete Unknown"
  • "Conclave"
  • "Dune: Part Two"
  • "Emilia Pérez"
  • "I'm Still Here"
  • "Nickel Boys" 
  • "The Substance"
  • "Wicked"

    Melhor Ator Principal

    • Adrien Brody - "The Brutalist" - VENCEDOR
    • Timothée Chalamet - "A Complete Unknown"
    • Colman Domingo - "Sing Sing"
    • Ralph Fiennes - "Conclave"
    • Sebastian Stan - "The Apprentice"

    Melhor Atriz Principal

    • Cynthia Erivo - "Wicked"
    • Karla Sofía Gascon - "Emilia Pérez"
    • Mickey Madison - "Anora" - VENCEDOR
    • Demi Moore - "The Substance"
    • Fernanda Torres - "I'm Still Here"

    Melhor Ator Secundário

    • Yura Borisov - "Anora"
    • Kieran Culkin - "A Real Pain" - VENCEDOR
    • Edward Norton - "A Complete Unknown"
    • Guy Pearce - "The Brutalist"
    • Jeremy Strong - "The Apprentice"

    Melhor Atriz Secundária

    • Monica Barbaro - "A Complete Unknown"
    • Ariana Grande - "Wicked"
    • Felicity Jones - "The Brutalist"
    • Isabella Rossellini - "Conclave"
    • Zoe Saldaña - "Emilia Pérez" - VENCEDOR

    Melhor Realização

    • Sean Baker - "Anora" - VENCEDOR
    • Brady Corbet - "The Brutalist"
    • James Mangold - "A Complete Unknown"
    • Jacques Audiard - "Emilia Pérez"
    • Coralie Fargeat - "The Substance"

    Melhor Filme de Animação

    • "Flow" - VENCEDOR
    • "Inside Out 2"
    • "Memoir of a Snail"
    • "Wallace & Gromit: Vengeance Most Fowl"
    • "The Wild Robot"

    Melhor Curta-Metragem de Animação

    • "Beautiful Men"
    • "In The Shadow of The Cypress" - VENCEDOR
    • "Magic Candies"
    • "Wander to Wonder"
    • "Yuck!"

    Melhor Curta-Metragem

    • "A Lien"
    • "Anuja"
    • "I'm Not a Robot" - VENCEDOR
    • "The Last Ranger"
    • "A Man Who Could Not Remain Silent"

    Melhor Argumento Original

    • "Anora" - VENCEDOR
    • "The Brutalist"
    • "A Real Pain"
    • "September 5"
    • "The Substance"

    Melhor Argumento Adaptado

    • "A Complete Unknown"
    • "Conclave" - VENCEDOR
    • "Emilia Pérez"
    • "Nickel Boys"
    • "Sing Sing"

    Melhor Banda Sonora Original

    • "The Brutalist" - VENCEDOR
    • "Conclave"
    • "Emilia Pérez"
    • "Wicked"
    • "The Wild Robot"

    Melhor Canção Original

    • El Mal - "Emilia Pérez" - VENCEDOR
    • The Journey - "The Six Triple Eight"
    • Like a Bird - "Sing Sing"
    • Mi Camino - "Emilia Pérez"
    • Never Too Late - "Elton John: Never Too Late"

    Melhor Filme Internacional

    • "I'm Still Here" (Brasil) - VENCEDOR
    • "The Girl with the Needle" (Dinamarca)
    • "Emilia Pérez" (França)
    • "The Seed of the Sacred Fig" (Alemanha)
    • "Flow" (Letónia)

    Melhor Caracterização

    • "A Different Man"
    • "Emilia Pérez"
    • "Nosferatu"
    • "The Substance" - VENCEDOR
    • "Wicked"

    Melhor Guarda-Roupa

    • "A Complete Unknown"
    • "Conclave"
    • "Gladiator II"
    • "Nosferatu" 
    • "Wicked" - VENCEDOR

    Melhor Edição

    • "Anora" - VENCEDOR
    • "The Brutalist"
    • "Conclave"
    • "Emilia Pérez"
    • "Wicked"

    Melhor Fotografia

    • "The Brutalist" - VENCEDOR
    • "Dune: Part Two"
    • "Emilia Pérez"
    • "Maria"
    • "Nosferatu"

    Melhor Efeitos Visuais

    • "Alien: Romulus"
    • "Better Man"
    • "Dune: Part Two" - VENCEDOR
    • "Kingdom of the Planet of the Apes"
    • "Wicked"

    Melhor Som

    • "A Complete Unknown"
    • "Dune: Part Two" - VENCEDOR
    • "Emilia Pérez"
    • "Wicked"
    • "The Wild Robot"

    Melhor Design de Produção

    • "The Brutalist"
    • "Conclave"
    • "Dune: Part Two"
    • "Nosferatu"
    • "Wicked" - VENCEDOR

    Melhor Documentário

    • "Black Box Diaries"
    • "No Other Land" - VENCEDOR
    • "Porcelain War"
    • "Soundtrack to a Coup d'Etat"
    • "Sugarcane"

    Melhor Curta-Metragem Documental

    • "Death By Numbers"
    • "I Am Ready, Warden"
    • "Incident"
    • "Instruments of a Beating Heart"
    • "The Only Girl in the Orchestra" - VENCEDOR

    Na vossa opinião, houve alguma surpresa nos vencedores ou já esperavam?

    quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

    Filme "O Atentado de 5 de Setembro" - a operação terrorista que ocorreu nos Jogos Olímpicos de Munique de 1972

     

    A Paramount Pictures apresenta O Atentado de 5 de Setembro, um thriller realizado por Tim Fehlbaum que aborda o “Setembro Negro”, ou seja, a operação terrorista que lançou o caos nos Jogos Olímpicos de 1972.

    O elenco inclui Peter Sarsgaard, John Magaro, Ben Chaplin e Leonie Benesch.

    Atualmente, este foi o maior atentado terrorista que ocorreu num evento desportivo. Neste caso, retrata o sequestro e assassinato de atletas israelitas, durante os Jogos Olímpicos de Munique, na perspetiva da equipa televisiva norte-americana da ABC Sports e da sua cobertura mediática.

    Esta trama revela o momento decisivo que mudou para sempre a cobertura mediática e que continua a ter impacto nos noticiários em direto hoje em dia. Passado durante os Jogos Olímpicos de verão de Munique, em 1972, o filme segue uma equipa de transmissão desportiva americana que rapidamente se adaptou da reportagem desportiva à cobertura em direto dos atletas israelitas feitos reféns.

    Através desta lente é oferecida uma nova perspetiva sobre transmissão em direto vista globalmente por um número estimado de mil milhões de pessoas na altura.

    Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

    No centro da história está Geoff (John Magaro), um jovem e ambicioso produtor que se esforça por provar o seu valor ao seu patrão, o lendário executivo de televisão Roone Arledge (Peter Sarsgaard). Juntamente com a intérprete alemã Marianne (Leonie Benesch) e o seu mentor Marvin Bader (Ben Chaplin), Geoff assume inesperadamente o comando da cobertura em direto. À medida que as narrativas mudam, o tempo passa e rumores contraditórios se espalham, com a vida dos reféns em jogo, Geoff tem de tomar decisões difíceis enquanto confronta a sua própria moralidade.

    A tecnologia utilizada nos anos 70 não era a mesma que é aplicada atualmente. Contudo, houve uma coisa que não mudou. Os meios de comunicação televisivos continuam a ser uma das fontes principais de partilhas de notícias e por isso, qualquer tipo de informação pode criar impacto para o próprio espetador.

    Já imaginaram como seria estar calmamente a acompanhar no refúgio da sua casa mais uma edição dos Jogos Olímpicos e de repente, ocorre o inesperado. Uma situação catastrófica tira completamente a atenção deste evento desportivo, transformando-se em momentos de pura incerteza e caos. E ainda por cima, na década de 70, onde ainda não existia as tecnologias e respetivas ferramentas mais modernas que os países têm agora à sua disposição para fornecer segurança aos seus cidadãos e visitantes.

    Para além disso, estamos a falar de uma época, onde a Alemanha ainda estava a sentir os efeitos da guerra liderada por Hitler e continuava muito vulnerável. Assim, não estava preparada para o que viria a acontecer numa aldeia olímpica, onde deveria ter existido um nível elevado de segurança. Pela falta disso, um atentado terrorista aconteceu e cujos alvos foram atletas israelitas.  

    Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

    Uma das reviravoltas da altura foi tudo isto ter ocorrido relativamente perto dos estúdios da ABC, onde a equipa da ABC Sports era a responsável por estar no momento a cobrir os Jogos Olímpicos. Mas, será que esta equipa de transmissão desportiva americana estava realmente preparada para uma cobertura tão mediática quanto esta? Uma coisa é certa! Mesmo que não tenham qualquer experiência no assunto e aconteça o que acontecer, esta equipa vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para cobrir em direto, este ato terrorista. No entanto, há uma lição muito valiosa a reter neste filme que é a importância de verificar muito bem as fontes de informação antes de anunciá-las ao mundo, pois pode correr mal.

    Para mim, um dos destaques é termos a chance de acompanhar os bastidores de uma transmissão televisiva e tudo aquilo que implica na mesma. Como é um trabalho bastante complexo e rigoroso e onde se tem de lidar constantemente com imprevistos. E neste caso, com a cobertura em direto aos atletas israelitas feitos reféns, e apesar de não serem as pessoas mais capazes para o fazer, simplesmente não desistiram e adaptaram-se às circunstâncias deste desafio, trazendo assim, uma perspetiva própria e conteúdo de qualidade. No entanto, aquilo que iriam de certa forma testemunhar acabaria por marcá-los para sempre.  

    Foi mesmo interessante, assistir a todos os passos fulcrais que são realizados para que seja depois proporcionada, uma transmissão televisiva que realmente agarre o espetador ao ecrã. É essencial referir que a equipa por trás de qualquer programa televisivo têm o mesmo valor que aqueles que apresentam a informação e dão a cara.

    Divulgação: Paramount Pictures Portugal e NOS Audiovisuais

    O Atentado de 5 de Setembro é um thriller subtil cheio de tensão que mostra com inteligência, uma tragédia real que marcou os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. A história em si desenvolve muito bem esta situação dramática que foi envolvida em inúmeros erros, tanto da polícia alemã, como da equipa do ABC Sports que acabaram por serem cruciais para o que vinha de seguida. E que levaram a consequências devastadoras e ao próprio desfecho dos 11 atletas e treinadores sequestrados.

    Não é de certeza fácil retratar este atentado, pois implica uma investigação mais profunda perante este evento. Porém, foi tudo executado com eficiência, cuidado e com uma boa qualidade, tendo sempre atenção aos detalhes que vão sendo representados da década de 70.

    Este não costuma ser o meu género de filmes, mas conseguiu surpreender-me pela positiva por todo o trabalho técnico envolvido e por estar a contar uma história verídica relacionada com um acontecimento que infelizmente, envolveu um massacre e teve um final trágico.




    terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

    Filme "Bridget Jones - Louca Por Ele" - é uma excelente forma de terminar esta jornada inesquecível

     

    Preparados para o grande regresso da incomparável e legendária Bridget Jones?

    A Universal Pictures apresenta Bridget Jones – Louca Por Ele (Bridget Jones: Mad About the Boy, como título original) que é realizado por Michael Morris e cujo argumento é de Helen Fielding, tendo sido baseado no seu romance que se tornou num fenómeno literário. Tudo começou com o Diário de Bridget Jones que foi um best-seller mundial e mais tarde, transformou-se num filme de grande sucesso.

    O elenco é constituído por Renée Zellweger, Chiwetel Ejiofor, Leo Woodall e Hugh Grant.

    Renée Zellweger regressa a este papel que estabeleceu uma heroína de comédia romântica para sempre. Esta é uma mulher cuja abordagem inimitável à vida e ao amor redefiniu todo um género cinematográfico. Quem não se lembra das suas aventuras românticas e da sua capacidade para triunfar apesar das adversidades?

    Tudo isso levou-a a casar finalmente com o advogado Mark Darcy e a tornar-se mãe do seu filho. Por isso, a felicidade de Bridget chegou!

    Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

    Neste último capítulo apresentado, Bridget está novamente solteira, pois ficou viúva há quatro anos, quando Mark (Colin Firth) foi morto numa missão humanitária no Sudão. Agora é mãe solteira de Billy, de 9 anos, e Mabel, de 4, e está presa num estado de limbo emocional, criando os filhos com a ajuda dos seus amigos leais e até do seu antigo amante, Daniel Cleaver (Hugh Grant).

    Pressionada pela sua “família urbana” – Shazzer, Jude e Tom, pela colega de trabalho Miranda, pela mãe e pela ginecologista Dra. Rawlings (Emma Thompson) – a forjar um novo caminho para a vida e para o amor, Bridget volta ao trabalho e até experimenta as aplicações de encontros, onde é rapidamente perseguida por um jovem sonhador e entusiasta (Leo Woodall).

    Agora a fazer malabarismos entre o trabalho, a casa e o romance, Bridget enfrenta o julgamento das mães perfeitas da escola, preocupa-se com Billy, que luta contra a ausência do pai, e envolve-se numa série de interações embaraçosas com o professor de ciências do seu filho, que é racional e não tem culpa (Chiwetel Ejiofor).

    Inicialmente, tudo estava a correr lindamente para Bridget que tinha criado uma família com o Mark. Porém, o inesperado acontece e ela torna-se numa viúva, passando a dedicar-se totalmente aos filhos. Será que ela consegue sobreviver quando as memórias são tudo aquilo que lhe resta de Mark?

    Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

    Os anos passaram e apesar de ainda estar a lidar com o luto pela perda de Mark e com a pressão das pessoas ao seu redor, Bridget arrisca e dá uma nova oportunidade ao amor, enquanto decide voltar ao trabalho. Já imaginaram como seria a Bridget numa aplicação de namoros, como o Tinder? Sim, aqui vamos ter uma pequena noção da sua experiência por lá e muito mais…

    Com Bridget Jones – Louca Por Ele, nós vamos embarcar numa aventura completamente alucinante e hilariante repleta de magia e envolvida numa autêntica montanha-russa de emoções. Bridget está de volta para uma nova década cheia de momentos de pura alegria que nos vai encaminhar para uma nostalgia imediata e tirar de certeza as enormes saudades que tínhamos desta mulher tão peculiar e divertida.

    Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

    Por uns instantes, chega a ser estranho estarmos a assistir a novas personagens a tentarem conquistar o coração de Bridget. Isso até faz com que tenhamos mais saudades do charmoso Mark Darcy e teria sido uma mais-valia, se tivessem surgido mais cenas de flashbacks da vida familiar deles. Mesmo assim, deu para rever o insubstituível e carismático Daniel Cleaver que continua bastante engraçado e a dinâmica dele com a Bridget foi tão boa e bonita de se ver de novo. Mais cenas com ele, teria sido ainda mais divertido.  

    A história em si é fluída, tocante e cativante, sendo que continua a possuir os elementos fundamentais que desde o início nos fez apaixonar por esta personagem. A banda sonora foi muito bem escolhida e encaixada perfeitamente nesta comédia romântica.

    Além disso, a empatia por Bridget mantém-se, pois, a pessoa consegue identificar-se não só com a personalidade dela, mas também com tudo aquilo que vai acontecendo com ela. Renée Zellweger continua fantástica a desempenhar esta mulher desajeitada que continua a conquistar gerações. Por mais anos que possam vir a passar, os filmes de Bridget Jones continuarão a deixar a sua marca especial no universo cinematográfico.

    Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

    Bridget Jones – Louca Por Ele foi uma excelente forma de terminar este capítulo e uma homenagem merecida a esta jornada inesquecível. É praticamente garantido que ao longo da história se pode ficar com uma lágrima no canto do olho, sendo que deu para se perceber desde o início, o carinho e o amor que foi colocado neste projeto. Mas, uma coisa é certa! As aventuras de Bridget Jones e companhia irão para sempre fazer parte da vida dos admiradores desta saga tão mágica e única!

    Por fim, há que referir as mensagens pertinentes e caricatas que foram sendo transmitidas nos seus diferentes filmes e onde nos fizeram refletir imediatamente e de um modo mais profundo. E mais tarde, acabando por se transformarem em lições valiosas para a nossa evolução enquanto seres humanos. Uma frase que se destaca neste último filme é sem dúvida, “Bridget Jones, está na hora de viveres”! E isso pode ser muito bem considerado como um ótimo conselho para todos nós e assim, aproveitarmos a vida da melhor maneira.

    Por isso, não percam duas horas de um romance maravilhoso combinado com drama e comédia, onde não vai faltar paixão, maluqueiras, gargalhadas, reviravoltas, diversão, piadas introduzidas no tempo certo e muito amor! Há recordações que nunca nos abandonam e Bridget Jones é uma delas que ficará com certeza no nosso coração!


    domingo, 9 de fevereiro de 2025

    Filme "Sing Sing" - o impacto que um programa de reabilitação pelas artes pode ter em prisioneiros

    Sing Sing é um filme premiado de Greg Kweda, tendo sido inspirado no programa de Reabilitação Através das Artes, implementado na Prisão de Sing Sing (Nova Iorque). Além das nomeações aos Óscares (Melhor Ator, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Canção Original), esta obra cinematográfica recebeu nomeações aos BAFTA, aos Critics Choice Awards, aos Film Independent Spirit Awards e aos Satellite Awards, tendo já vencido 3 Gotham Awards e 1 Satellite Award, entre outros.

    Já a nível de protagonistas, temos Colman Domingo e Paul Raci, sendo que também encontramos um elenco maioritariamente constituído por ex-presidiários participantes do programa (RTA), entre os quais Clarence Maclin (mais conhecido por Divine Eye). Clarence foi condenado por roubo e desde a sua libertação tem trabalhado como conselheiro de jovens, especialista em artes criativas.

    Tudo se desenrola na Prisão de Sing Sing e conta-nos uma história emocionante de redenção e esperança sobre um grupo de prisioneiros em diferentes fases no processo judicial. Além disso, revela a complexidade das emoções humanas, num contexto de privação de liberdade.

    Divulgação: NOS Audiovisuais

    Divine G (Colman Domingo), preso em Sing Sing por um crime que não cometeu, encontra um propósito ao atual num grupo de teatro ao lado de outros homens encarcerados, incluindo o desconfiado recém-chegado (Clarence Maclin), nesta comovente história verdadeira de resistência, de humanidade e do poder transformador da arte, com um elenco que inclui um conjunto inesquecível de atores ex-presidiários.

    Este recuso condenado injustamente acaba por encontrar na expressão e na arte, uma ferramenta de transformação pessoal e comunitária. Juntamente com outros homens encarcerados, Divine G forma um grupo teatral que desafia os limites impostos pelo sistema prisional, iluminando histórias de vida que são raramente exploradas no cinema.

    Esta é uma das interpretações mais poderosas de Colman Domingo que lhe valeu uma nomeação, como Melhor Ator aos Óscares, ao Globo de Ouro (Melhor Ator – Drama), aos BAFTA e aos SAG Awards, entre outros. Neste papel, ele faz de John Divine G Whitfield, um recluso real que participou neste programa. A performance em si foi magnética e brilhou em cada uma das cenas que foi surgindo. E também fomos acompanhando diversos traços da personalidade deste homem, onde um programa específico foi vital na sua evolução enquanto ser humano.

    Divulgação: NOS Audiovisuais

    Sing Sing é uma obra intrigante e repleta de resiliência que tem a capacidade única de apresentar um tema que é muito raro que seja retratado e onde a experiência real destes homens acrescenta muito ao próprio filme. Aqui temos uma nova forma de olhar para os reclusos, de olhar para eles como indivíduos com a sua história e percurso. E ainda, transmite uma mensagem importante e pertinente, levando a uma reflexão mais profunda em relação à empatia e à forma como tratamos os seres humanos.  

    Esta é uma história poderosa que de um modo autêntico mostra a aptidão do espírito humano e como a arte pode ser um meio para a pessoa se libertar, regenerar e onde possa sentir-se mais vulnerável. Foi muito inteligente e interessante o facto de ter sido baseado num programa de reabilitação de prisioneiros nos Estados Unidos, onde no elenco continha pessoas que realmente fizeram parte do programa. E tudo isto desenrolar-se num dos estabelecimentos mais conhecidos e temidos dos Estados Unidos, também acrescentou muito mais valor.

    Divulgação: NOS Audiovisuais

    É impressionante o impacto que um programa de reabilitação pelas artes tem não só nas prisões norte-americanas, como nos reclusos. Como lhes pode proporcionar novas formas de viver e de estar no mundo, sendo que é criado para ajudar as pessoas a lidarem melhor com as suas emoções e a conseguirem uma verdadeira reabilitação, enquanto existe uma luta constante pelo preconceito, os valores morais e qualquer outro tipo de tabus. Ainda, como um simples programa de teatro se pode tornar em algo maravilhoso e situado num lugar onde se pode estar presente sem filtros. E onde estes homens encarcerados podem encontrar esperança e redenção.

    Sing Sing é inovador e tem os seus momentos mais tocantes, onde expõe uma sensibilidade mais humana ao abordar as histórias de homens encarcerados. Estamos a falar da realidade dura e crua de quem está preso e as respetivas lutas que têm de enfrentar para sobreviver, principalmente em termos de saúde mental. E como a força que um escape à realidade dura de cada um, pode realmente fazer toda a diferença na reabilitação de alguém.

    Este é um filme com uma complexidade própria que vale muito a pena assistir e que consegue ser um tipo de fonte de inspiração e uma luz de esperança, em relação a este tema! 


    quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

    Filme "Love Hurts" proporciona momentos de boa disposição que irá entreter o público

     

    A Universal Pictures apresenta Love Hurts (O Amor Dói, como título original), que tem a realização de Jonathan Eusebio.

    O elenco é constituído por Ke Huy Quan, Ariana DeBose, Daniel Wu, Sean Astin, Mustafa Shakir, Lio Tipton, Rhys Darby, Marshawn Lynch, André Eriksen, Cam Gigandet, Steven Seagal, Ian Bliss e Jessica Henwick.

    Nesta narrativa, um agente imobiliário é puxado de volta para a vida que deixou para trás depois do seu antigo parceiro de crime reaparecer com uma mensagem sinistra. Com o seu irmão, que é um senhor do crime, também no seu encalço, ele tem de confrontar o seu passado e a história que nunca enterrou totalmente.

    Para o protagonista Marvin (Ke Huy Quan), existe sempre uma oportunidade para se mudar de vida, no qual, ele fala por experiência própria. Porém, também refere que não se pode esconder quem a pessoa realmente é e também, nunca se deve fugir do passado. Será que foi isso que aconteceu no caso de Marvin? Estaria ele preparado para enfrentar as consequências das suas escolhas?

    Marvin pensou que tinha deixado a vida de assassino para trás, pois ele tinha a intenção de que nunca mais queria magoar um ser humano. Finalmente, ele tinha encontrado algo que realmente gostava de fazer num lar onde era feliz e reconhecido pela comunidade. No entanto, a vida pregou-lhe uma partida para que ele fosse enfrentar o seu passado, fosse qual fosse o custo que tivesse de vir a pagar. Será que Marvin pode fugir? Uma coisa é garantida! Tanto o seu irmão, líder de um grupo criminoso, como a sua ex-parceira no crime tinham outros planos!

    Já imaginaram um agente imobiliário bem-sucedido de dia que só queria vender casas de sonho. E de seguida, também é assassino à noite? Algo que podia ser impensável de se considerar, mas que até teve a sua piada em se assistir.

    Divulgação: Universal Pictures Portugal e Cinemundo

    Love Hurts é uma comédia bastante engraçada que é repleta de ação e de momentos de boa disposição, sendo uma aposta perfeita para entreter o público, principalmente na época de São Valentim. Um dos maiores destaques vai para as cenas de luta que estão excecionalmente muito bem coreografadas e também são criativas e empolgantes. E isso faz com que cative imediatamente quem está a ver, maioritariamente quem vibra com artes marciais. Considero que foi um trabalho excelente a nível de qualidade e de execução.

    A história em si é leve e fluída, tendo sido desenvolvida a um ritmo certo e onde não vão faltar reviravoltas, perseguições, tiros, pontapés, sarilhos e uma camada de amor envolvida. Mas, não nos vamos esquecer da escolha bem acertada na banda sonora que trouxe uma boa combinação para o que estava a ser contado. Já os ângulos de filmagem escolhidos foram pertinentes, impactantes e inteligentes, sobretudo nas cenas de ação que englobam as de luta.

    Relativamente ao desempenho de Ke Huy Quan, ele está de parabéns, pois deu vida a uma personagem carismática e bem-disposta com quem nos identificamos e criamos uma empatia imediata. E já não era sem tempo ter aqui mais um lutador cheio de habilidades, com garra e que fosse naturalmente divertido.

    Além disso, podia ter havido mais tempo de ecrã para o irmão do protagonista que foi interpretado pelo Daniel Wu. Como admiradora do seu trabalho, onde se destacou de um modo incrível como protagonista na série, Into the Badlands (2015-2019) e brilhou nas suas inúmeras cenas de luta. Na minha opinião, teria sido muito interessante acompanhar mais este novo registo dele como antagonista que é diferente e não aquele que estava mais habituada a ver. Assim, podíamos ter visto mais deste amor de irmãos que por vezes, dói como tudo e sem dúvida, que ele poderia ter trazido ainda mais entusiasmo à própria trama.

    Este é daqueles filmes com a sua realidade que eu acredito que irá ser revisto muitas vezes, porque proporciona uma experiência descontraída e com um humor no ponto certo. E ainda, transmite mensagens simples e úteis, e também apresenta vários momentos de ação que encaixam muito bem no tipo de conteúdo que querem mostrar. Por isso, venham de mente aberta e aproveitem a magia que tanto o amor, como uma boa piada ou até um valente pontapé podem trazer para vocês!

    terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

    Filme "A Presença" arrisca nos seus ângulos de filmagem, mas será que conseguiu inovar de alguma forma?

    A Presença (Presence, como título original) é o próximo projeto realizado por Steven Soferbergh, cuja escrita fica à responsabilidade de David Koepp.

    No elenco, estão presentes Lucy Liu, Chris Sullivan, Callina Liang, Eddy Maday e Julia Fox.

    Neste caso, uma família apercebe-se de que não está sozinha depois de se mudar para a sua nova casa nos subúrbios.

    Falamos de uma família disfuncional, a Payne composta por mãe, pai e dois filhos, onde cada um está a lidar com os seus próprios problemas. Porém, quando se mudam para uma nova habitação, apercebem-se que este lugar tem muito mais do que aquilo que aparenta.

    Já imaginaram como se sentiriam se soubessem que estão a ser constantemente observados por uma entidade invisível? Ou se simplesmente estivessem a sentir a presença de algo desconhecido?

    Primeiramente, uma das coisas que me interessou bastante foi o facto desta história com o seu lado sobrenatural ter sido filmada inteiramente pela perspetiva de um espírito. O que não faltam são obras relacionadas com fantasmas, assombrações e outros temas do paranormal, chegando a um ponto que é difícil proporcionarem algo de novo para o espetador. Por isso, quando começamos a ter a noção que desta vez, vamos ter a chance de acompanhar tudo pela visão de um espírito que está a assombrar um determinado lar, então a curiosidade suscita imediatamente.

    A Presença é mais definido por ser um drama psicológico envolvido num mistério que possui elementos do sobrenatural, mas poucos a nível de terror. Esperava-se uma história muito mais desenvolvida e cativante, porque acredito que tinha potencial para tal. Ainda assim, pelo trailer prometeu muito, mas num geral entregou um conteúdo com alguma perda de equilíbrio e de sentido. E no final, a interpretação e a explicação da narrativa fica na ótica do público. Assim, cada um fica com a sua teoria em relação ao desenrolar deste thriller, tenha ou não lógica.

    No entanto, um dos principais destaques vai sem dúvida, para o trabalho executado pela câmara que proporciona uma experiência impactante para quem está a ver, fazendo com que a pessoa se sinta a fazer parte do próprio filme. Através dos ângulos de filmagem foi visualmente arriscado, sendo que teve um resultado eficiente e perspicaz para o espetador. E foi pertinente e original, o modo como foram apresentados cada um dos detalhes presentes em cada uma das divisões da casa. Além disso, houve alturas em que devido à velocidade das cenas apresentadas, parecia que estávamos a ficar com a cabeça à roda e isso foi totalmente inesperado. E tudo graças ao trabalho técnico com um estilo próprio que teve um bom desempenho.  

    Ao longo de 85 minutos, A Presença também apresenta um rumo ligeiramente sombrio, perturbador e cheio de suspense e alguma tensão, enquanto vai testando o psicológico das personagens. Contudo, o que realmente criou um maior impacto foi a intensidade pelo qual acompanhámos inteiramente a visão específica de um espírito, onde podíamos observar as suas reações e atitudes invisíveis, dependendo das situações que iam ocorrendo.

    Por isso, à sua maneira conseguiu inovar um pouco um assunto que já foi muito retratado, em que até trouxe algo diferente daquilo que já conhecíamos e acrescentou um toque mais emocional. Mesmo assim, este filme acabou por não corresponder às expetativas iniciais, nomeadamente quando se aborda a nível do argumento.