quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Filme "Frankenstein" - o que esperar desta nova adaptação tão esperada e realizada por Guillermo del Toro

 

Uma das adaptações mais esperadas de 2025 chegou à plataforma de streaming da Netflix. Frankenstein é a próxima produção realizada pelo icónico Guillermo del Toro, tendo sido baseada na criação da Mary Shelley.

O elenco é constituído por Oscar Isaac, Jacob Elordi, Mia Goth, Christopher Waltz, Charles Dance, Felix Kammerer, David Bradley, Lars Mikkelsen e Christian Convery.

Tudo é desenrolado ao redor do Dr. Victor Frankenstein que quer criar vida nova a partir da morte, sem prever o que viria a seguir. Em uma história com dois lados, quem realmente é o monstro?

Já houve diversas versões desta figura tão enigmática e popular. No entanto, quando foi anunciado que iríamos ter uma nova visão nas mãos do grande Guillermo del Toro, a expetativa para assistir era elevada. Mas será que este cineasta irá deixar a sua marca impactante o suficiente para transformar Frankenstein em algo que ainda não tenhamos visto?

Primeiramente, a história é dividida em duas partes, sendo que a primeira parte do filme é contada do ponto de vista do cientista, o Victor Frankenstein. E ao longo desse período há alguma incerteza em relação ao quanto é credível a história de Victor, onde pode ser questionado se existe realmente uma criatura. Já a segunda parte é dedicada a vermos pelos olhos da criação de Victor. No final, acabamos por acompanhar um tipo de dinâmica familiar invulgar e complexa.

Relativamente a Victor, ele é aquele tipo de personagem principal que se torna o vilão e muito disso, está relacionado com as consequências dos seus atos, devido àquilo que passou na sua infância, principalmente com o seu pai e chegando a um ponto que parece um género de dor geracional que ocorreu e que passou entre gerações. Ele tinha o objetivo de ultrapassar os conhecimentos e habilidades do seu pai e criar algo único no mundo. Além disso, ele é alguém que tinha uma dor muito profunda e queria muito que o seu irmão o amasse.

Enquanto conta o seu lado da história, nós conseguimos de certa forma, entender a dor de Victor e a obsessão dele em criar o homem perfeito. Inicialmente, ele teve uma visão que se transformou numa ideia que ganhou forma na sua mente e desde aí, foi inexorável até se tornar verdade. Até mesmo nas etapas iniciais que ele testou num público específico, parte do que lhes iria dizer seria um facto. Porém, outra parte não, sendo que tudo acaba por tornar-se numa verdade absoluta.

Agora, depois de ter concretizado o seu desejo e ter superado os limites da ciência, Victor acreditou plenamente que criou algo verdadeiramente horrível e tinha determinado que a memória dos seus males deveria morrer consigo. Na opinião dele, ele ao procurar a vida, acabou por criar a morte. Mas, será isso mesmo verdade? Será que o grande Victor Frankenstein cometeu um erro? Uma coisa é certa. Ele não considerou o que viria após a criação e é preciso destacar o Oscar Isaac que teve uma performance excelente em transmitir a personalidade peculiar e toda a loucura e destruição deste Victor. E para saber as respostas às perguntas feitas anteriormente, é essencial que se conheça a versão da sua criatura.

Afinal que criatura é esta? Em primeiro lugar, é completamente diferente daquilo que já tivemos a oportunidade de assistir noutras adaptações e ao longo do filme percebemos a razão para esta conclusão. Depois do criador dele ter contado a sua história, agora ele vai contar a dele.

Esta é uma criatura feita de pedaços de cadáveres de um campo de batalha que Victor Frankenstein monta como se fosse um puzzle. Ele é um tipo de ser original e é claramente composto por pessoas diferentes, sendo que se recorda de fragmentos e de memórias de vários homens. No entanto, desde o início há uma pureza nele que nos identificamos imediatamente, criamos empatia e em certos momentos, começamos a torcer por ele.

Enquanto isso, há quem o considere como um monstro como é o caso de Victor Frankenstein, o criador dele. E tal como qualquer ser humano, quando alguém tem medo de algo e neste caso, de alguém, a tendência é caçar e matar apenas por ser uma criatura fragmentada e discriminada e também tudo o que possa ser considerado como desconhecido.

Temos a possibilidade de ver o desenvolvimento difícil desta criatura que bastava uma palavra ou um simples olhar para se compreender o que estava a sentir. Apesar de ter sido maltratado e excluído por Victor, ele simplesmente queria uma companheira ao seu lado para viver em paz. E caso o amor lhe fosse negado, então iria entregar-se à ira e o principal alvo seria o seu criador.

Para este tipo de personagem já adaptado diversas vezes, sabia-se que precisava de se ver alguém com potencial e que conseguisse prender a atenção do público. Jacob Elordi encarnou com tanta elegância e dedicação esta criatura e à medida que a história foi ocorrendo, o seu próprio movimento corporal é pensado numa maneira diferente, sendo que depois lhe deu mais expressividade e realidade.

Frankenstein é uma obra eletrizante e arrebatadora que nos proporciona uma experiência imersiva e nos apresenta com inteligência, uma visão louca e espetacular desta trama passada no século XIX. Esta não é apenas uma história de um cientista brilhante que foi capaz de criar vida e muitas outras coisas. É também retratada a fragmentação do ser humano, o luto, a relação complexa de pais e filhos, a solidão e isolamento e a necessidade de pertencer e de ser amado. E também está a ser contada histórias de pessoas cheias de maldade que têm uma ambição sem limites e são cruéis e egoístas. E tudo isto é uma forma mais real de ver o mundo e entender cada história.

Automaticamente faz questionar-nos não só o mundo e a humanidade, mas também a nossa própria identidade. Quem sou eu e porque estou aqui? Afinal, qual é o meu propósito? Podemos encontrar redenção? E também nos transmite a ideia de amar uma personagem que é imperfeita e de perdoar essas imperfeições.  

Guillermo del Toro deu tudo de si nesta produção, sendo que para mim estava destinado a fazer Frankenstein e a transformá-lo atualmente num dos seus filmes mais bonitos visualmente. Era mesmo inevitável isso acontecer, pois ele já estava a pensar há muito tempo na sua visão perante o livro de Mary Shelley. E dá para ver que também tinha uma estratégia muito precisa de como decidiu filmar este filme, enquanto mostrava o amor que tem por ele, sendo que fez coisas que normalmente um realizador não faz e estava disposto a correr mais riscos.

Apesar de existirem mudanças em relação a diferentes adaptações de Frankenstein, este cineasta queria impulsionar a sua visão e encontrou uma maneira de permanecer fiel ao romance original, mas moldando de acordo com a sua marca, o seu estilo e a sua maneira de demonstrar emoções. E são muito poucos os cineastas que realmente são capazes de criar mundos e proporcionar uma experiência única ao espetador.

Frankenstein possui uma energia própria envolvida numa história comovente que é fluída e repleta de espontaneidade. E é uma homenagem a um ambiente gótico combinado com o sobrenatural que automaticamente relacionamos com este mundo. Além disso, mergulhamos profundamente para o mundo de Frankenstein, graças ao trabalho brilhante a nível do design de produção, cinematografia, guarda-roupa muito adequado à época representada, maquilhagem e banda sonora com música que faz amplificar as emoções do filme e as loucuras da situação que está a acontecer no momento. Também a iluminação estava muito bem incorporada e os efeitos especiais foram ótimos. Assim, todos estes elementos juntos foram fulcrais para funcionarem em conjunto e assim, darem vida a esta obra impressionante e com uma ótima qualidade.

Um desses exemplos, vai para os cenários que foram construídos. Estes foram fundamentais para definirem o tom em que como seria esta adaptação de Frankenstein. A cela da criatura foi construída de raiz e o laboratório é o derradeiro cenário onde a criação acontece. O laboratório era um local completamente louco com muitas partes de cadáveres e sangue espalhados por todo o lado, sendo que Victor fez o que fosse necessário para provocar uma tempestade e relâmpagos. E claro que não faltaram explosões e muito mais.

Outra coisa que gostaria de destacar e que dá para perceber o trabalho espantoso de cenografia foi o navio preso no gelo do Ártico, onde se dá grande parte da ação. E fiquei ainda, mais surpreendida pela positiva, por saber que construíram o navio de verdade, tanto o interior, como o exterior. Este acaba por ser um dos grandes símbolos desta produção.

A obra deste génio que é o Guillermo del Toro é mesmo digna de se ver e é apresentada em grande escala como este mundo funciona, levando a momentos muito ativos de loucura e a cenas brutalmente violentas, transmitindo todo o tipo de emoções e também mostrando a importância que era contar a história da criatura. E para além disso, acredito que vai permanecer para sempre na memória de muitos admiradores deste universo do Frankenstein.


terça-feira, 4 de novembro de 2025

Filme "Os Estranhos: Capítulo 2" - o que esperar da sequência desta saga de terror

 

Os Estranhos: Capítulo 2 (The Strangers: Chapter 2, como título original) é o segundo filme de uma trilogia do género de terror que é uma adaptação criada de acordo com a visão do realizador Renny Harlin. O argumento tem como base o filme, Os Estranhos (2008), realizado por Bryan Bertino e protagonizado por Liv Tyler e Scott Speedman – que também serviu de inspiração para The Strangers – Predadores da Noite (2018), de Johannes Roberts.

No elenco, fazem parte nomes, tais como, Madelaine Petsch, Gabriel Basso, Ema Horvath, Brooke Lena Johnson, Richard Brake, Pedro Leandro e Rachel Shenton.

É verdade! Os Estranhos estão de volta – mais brutais e implacáveis do que nunca. Quando descobrem que uma das suas vítimas, Maya (Madelaine Petsch), ainda está viva, regressam para terminar o que começaram. Sem ter para onde fugir e ninguém em quem confiar, Maya tem de sobreviver a mais um capítulo horrível de terror enquanto os Estranhos – movidos por um propósito incessante e sem sentido – a perseguem, mais do que dispostos a matar qualquer um que se atravesse no seu caminho.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Para relembrar, o pesadelo de Maya começou quando, durante uma viagem pelo Oregon (no Pacífico Noroeste dos EUA) com Gregory, o namorado, o carro avariou no meio de uma floresta e ambos cometem o maior erro das suas vidas: recorrer à aplicação Airbnb para encontrar um lugar para passar a noite. Perante a preocupação, encontrar uma cabana isolada e silenciosa pareceu-lhes a solução perfeita. Mas a noite trouxe-lhes três visitantes inesperados na forma de assassinos mascarados que cercaram a casa e transformaram aquelas horas em puro terror.

Após esse ataque brutal, que terminou com a morte de Gregory e uma milagrosa fuga de Maya, ela desperta numa cama de hospital, convencida de que está a salva. Mas, o horror não ficou para trás, pois os três estranhos sabem que ela sobreviveu e não vão parar enquanto não terminarem tudo aquilo que começaram.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Por isso, na sequência desta saga acompanhamos os eventos logo após o final do primeiro filme, onde Maya foge do hospital e é colocada novamente em perigo, precisando lutar para sobreviver.

Aqui temos Maya que coloca em prática o seu instinto de sobrevivência e assim, tenta escapar a todo o custo, perante psicopatas que não descansam enquanto não a eliminarem.

Ao longo de 1 hora e 36 minutos, temos muitos clichês, cenas sem sentido e somos desafiados a tentar compreender o que realmente está a acontecer e possíveis motivos para tal. Enquanto isso, acompanhamos a protagonista a fugir destes Estranhos e também a lidar com os obstáculos e ameaças que vão surgindo. Também temos alguns flashbacks relacionados com estes assassinos estranhos, mas como não explicam aquilo que importa, acaba por atrapalhar a história que está a ser contada.  

Não fazendo comparações com o material original no qual é adaptado, Os Estranhos: Capítulo 2 focou-se mais numa perseguição que parecia não ter fim e que não acrescenta nada de novo. De certa forma, a história em si torna-se demasiado previsível e pouco consegue surpreender.

Apesar de inicialmente não ter tido grandes expetativas, aquilo que esperaria seria no mínimo, algo ao nível do primeiro filme ou até algo superior ao mesmo. Infelizmente, o resultado foi inferior e conseguiu diminuir ainda mais a fasquia para a produção que irá encerrar esta saga.

Houve situações nas quais a narrativa parecia desleixada e tinha um número considerável de falhas que fez com que o espetador perca o interesse naquilo que está a ver. Claro que não deixa de ter os seus momentos de maior tensão, suspense e aflição, mas não é o suficiente para captar como deve ser, a atenção do público. A sensação é que a pessoa fica com mais perguntas do que respostas e a tendência de perder-se pela narrativa aumenta.

Divulgação: Pris Audiovisuais

Este é um filme que tem falta de inovação e originalidade e que poderia ter aproveitado esta adaptação de uma outra forma. Até pode possuir algumas boas cenas de perseguição, mas chega a um ponto que se torna cansativa e depois também tem aquelas alturas que parece que perde todo o sentido.

No final, foram mostradas imagens do terceiro e último filme e aquilo que foi apresentado acabou por não criar grande vontade em assistir a como tudo isto termina.

Na crítica do primeiro filme, referi que podia ser considerado como uma produção facilmente esquecível. E com este segundo capítulo, tenho a certeza que as pessoas vão esquecer ainda mais rapidamente, esta sequência.  

Esta saga prometeu valer a pena e até agora, entregou pouco.

Para saber mais sobre a crítica do primeiro capítulo desta saga, basta Ver Aqui! 


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Filme "Bugonia" - o que esperar do próximo projeto de Yorgos Lanthimos protagonizado por Emma Stone e Jesse Plemons

 

Estejam preparados que o próximo projeto de Yorgos Lanthimos não vai deixar ninguém indiferente. Bugonia é o novo filme deste realizador que é o remake de uma comédia de ficção científica sul-coreana, Save the Green Planet!, de Jang Joon-hwan (2003).

Em Portugal, Bugonia estreou na 2ª edição do Tribeca Festival Lisboa no recinto do The Chapel, a Igreja do Convento do Beato que foi transformada numa sala de cinema para receber a exibição de diferentes filmes, tanto nacionais, como internacionais.

Este filme é protagonizado por Emma Stone, Jesse Plemons, Aidan Delbies, Stavros Halkias e Alicia Silverstone.

Toda esta história é desenrolada ao redor de dois jovens obcecados por conspirações que decidem raptar a poderosa diretora-geral de uma grande empresa, convencidos de que ela é uma extraterrestre que pretende destruir o planeta Terra.

A designação de Bugonia também está ligada a uma certa lenda. Falamos de uma referência a uma crença antiga na qual se acreditava que as abelhas nasciam a partir da carcaça de um boi morto.

O que não falta aí são inúmeras teorias da conspiração, sendo que tudo o que envolve extraterrestres e a presença de vida noutros planetas são das mais frequentes.

Desta vez, temos uma reflexão sobre o mundo atual pelos olhos do peculiar Yorgos Lanthimos que tem uma perspetiva muito particular e muita coisa para dizer. E por vezes, aquilo que transmite chega a ser um pouco abstrato e dando assim, a oportunidade ao espetador de ter a sua própria visão daquilo que está a assistir.

Tudo se inicia com a determinação dos primos Teddy (Jesse Plemons) e Don (Aidan Delbies) em provar a existência de extraterrestres no planeta Terra, não importa o custo. Eles estão convencidos que uma raça alienígena está a viver entre os humanos e têm um plano específico para destruir o planeta Terra.

Para comprovarem as suas suspeitas, eles resolvem raptar Michelle (Emma Stone), uma bilionária e CEO de uma farmacêutica muito bem-sucedida que eles acreditam que ela é a representante da espécie extraterrestre. Mas, será que eles estão certos em relação às suas suspeitas e Michelle é realmente uma extraterrestre? Uma resposta que vai ter os seus desafios.

Bugonia é mais uma viagem bizarra e negra com a sua dose de loucura, o seu lado selvagem e deveras excêntrico que possui um humor com um tom muito próprio que é envolvida em conspirações e dilemas morais que questionam muitos temas pertinentes e importantes para a atualidade, sendo que alguns continuam a trazer muita polémica à mistura. À sua maneira, consegue criticar a sociedade atual e a forma como as fake news, a desinformação e as notícias acabam por influenciar como as pessoas olham para o mundo e até prejudicar, principalmente em termos de saúde mental.

Um dos principais destaques vai sem dúvida para a performance, tanto de Emma Stone, como de Jesse Plemons que brilham intensivamente, cada um à sua maneira. O desempenho de Jesse Plemons é uma enorme surpresa, pois vemos um registo diferente dos trabalhos anteriores deste ator, sendo que ele dá vida a um apicultor obcecado pela existência de extraterrestres e como quer provar isso a tudo o custo, mesmo que tenha de ter comportamentos mais selvagens e executar medidas mais agressivas. E ele também está completamente devastado e até convencido de que a empresa liderada pela Michelle é a principal responsável pela diminuição significativa das abelhas. Juntando a isso, esta mesma empresa também feriu significativamente a sua mãe problemática, devido a medicamentos experimentais utilizados para a abstinência de opioides. Por isso, temos aqui um homem que acredita que está a salvar o mundo de uma invasão alienígena e ao mesmo tempo com razões suficientes para ver Michelle como culpada de tudo o que está a acontecer.

Já Emma Stone apresenta uma figura poderosa com uma reputação invejável que é a CEO de uma empresa que tem um impacto global, sendo que ela manipula com distinção, aproveitando as fraquezas e inseguranças de quem a raptou. A sua entrega não é só psicológica, mas também física, onde por vezes basta um simples olhar ou outra expressão corporal para dar ênfase à cena em si.  

Com Bugonia assistimos a um jogo misterioso de poder, tortura e de manipulação psicológica com uma ligeira reviravolta no final, onde nem tudo o que parece realmente é. É envolvido em ironia, delírio e caos e nota-se que é uma crítica ao presente. De uma certa forma, soa como um aviso para a sociedade, mostrando o quanto esta está a destruir extremamente o planeta e o quanto é cada vez mais difícil fazer uma mudança que importa e que deixa uma marca importante.

Yorgos Lanthimos apresenta em quatro atos diferentes a sua assinatura nesta sátira e um método muito próprio que é típico do estilo dele, misturando elementos de drama, ficção científica e suspense com uma comédia mais negra. E não irão faltar momentos absurdos, esquisitos, paranoicos, radicais e exagerados. No entanto, sente-se que falta algo no seu argumento com falhas e por vezes, tem os seus altos e baixos e até chega a perder-se, podendo mesmo dividir opiniões. Mesmo assim, deixa a sua reflexão e é interessante assistir às interpretações de Emma Stone e Jesse Plemons. Além disso, a escolha perante a banda sonora combina muito bem para a história que está a ser contada e às vezes, até tem um lado mais engraçado em determinadas cenas.

Para terminar, A Geek Traveller esteve presente uns dias durante o BFI London Film Festival, onde o icónico Royal Festival Hall também recebeu Yorgos Lanthimos, Emma Stone e Jesse Plemons para apresentar este novo filme que está a dar falar.

A energia e o ambiente foram surreais – um momento único para qualquer fã de cinema! Por isso, partilho com vocês, o vídeo exclusivo da Premiere de Bugonia em Londres.


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Filme "Springsteen: Deliver Me From Nowhere" - o que esperar desta obra dedicada ao ícone do rock americano, Bruce Springsteen

 

Chegou o momento de ver a adaptação cinematográfica do livro homónimo de Warren Zanes sobre a vida e carreira do ícone do rock americano, Bruce Springsteen. Springsteen: Deliver Me From Nowhere é realizado por Scott Cooper e tem Jeffrey Allen White a representar este artista musical. Atualmente, está disponível na plataforma de streaming da Disney+.

Para além de Jeffrey Allen White como o protagonista, o elenco é constituído por Jeremy Strong, Paul Walter Hauser, Stephen Graham, Odessa Young, Gaby Hoffman, Marc Maron e David Krumholtz.

Esta visão narra a produção de “Nebraska”, o álbum lançado por Bruce Springsteen em 1982 – um disco acústico, cru e assombrado, que marcou um momento decisivo na vida do artista e é considerado como uma das suas obras mais impactantes e duradouras.

Também acompanha Bruce Springsteen ainda jovem, no limiar do sucesso mundial, num momento em que lutava para conciliar as exigências do sucesso com os fantasmas do passado. Gravado num gravador de 4 faixas no quarto da casa de Springsteen na Nova Jérsia, “Nebraska” tornou-se num marco da sua carreira – um álbum íntimo e sombrio, habitado por almas perdidas à procura de um motivo para acreditar.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Em 1981, logo após o êxito de “The River Tour” temos este jovem artista a atravessar um momento crítico da sua vida. Enquanto sente o peso da fama e dos traumas de um passado conturbado, ele decide afastar-se durante algum tempo numa casa em Colts Neck, Nova Jérsia. Este lugar torna-se num tipo de refúgio silencioso, onde faz uma reflexão mais profunda que leva a que escreva novas canções extremamente pessoais.

Springsteen: Deliver Me From Nowhere não é uma simples história biográfica, é sim, a apresentação do homem por detrás da música que está à beira de ser uma superestrela global que enfrenta um capítulo exigente da sua vida e os fantasmas do seu passado. De uma maneira muito particular, testemunhamos a sua vulnerabilidade que vai estando associada às suas inseguranças, enquanto compreendemos o papel principal e a força que a música tem para ele.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Desde o início, dá para perceber a razão pelo qual “Nebraska” foi um dos seus trabalhos mais duradouros, pois ele passou por dificuldades, mergulhou profundamente e em silêncio perante as suas feridas, medos e memórias que não foram fáceis de encarar. Ele sempre foi definido como um ótimo storyteller e foi o facto de sair da sua zona de conforto, lidar com a sua saúde mental e acompanharmos todos os passos da produção de “Nebraska” que torna esta jornada tão interessante.

Ficamos a saber mais sobre o seu trauma não resolvido e a conhecer melhor esta figura tão conhecida que tinha os seus momentos de solidão e as suas fragilidades. E que ainda, gravou um álbum inteiro sozinho em casa isolado do sucesso e do mundo da fama, cujas faixas não precisavam de ter um som perfeito. Um ícone do rock americano que procurava inspiração, paz em casa e no seu processo criativo, fazendo com que o espetador crie uma ligação maior com ele.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Um dos maiores destaques vai para a interpretação de Jeffrey Allen White como Bruce Springsteen. Foi uma boa surpresa, principalmente por ver este ator num registo completamente diferente daquilo que já tinha visto e por ter tido uma ótima performance nas apresentações ao vivo e a representar a diferentes níveis a personalidade complexa e real do Boss.

Além disso, foi maravilhoso assistir à dinâmica única e especial de Bruce Springsteen e Jon Laudau, o histórico manager e confidente do músico. Jeremy Strong encaixou na perfeição a dar vida à pessoa que mais apoiou e acreditou em Bruce, sendo que dá para a ver que tinha uma sensibilidade muito própria e um sentido de proteção para com ele, porque para Jon aquilo que importava era o Bruce Springsteen e nada mais.

Esta é daquelas relações tão naturais que muitos de nós admira e muito devido ao amor, lealdade, confiança e o sentido de responsabilidade que têm um pelo outro. As cenas que mais apreciei foram protagonizadas por esta dupla que fazem com que o público tenha logo uma ligação imediata e próxima com estes dois. E algumas destas cenas até tiveram os seus momentos mais comoventes e verdadeiros.  

Outro ator que vale a pena referir pelo seu bom trabalho é o de Paul Walter Hauser que tem surpreendido cada vez mais e aqui interpreta o técnico de guitarra Mike Batlan, trazendo um lado mais leve e cómico à história em si.

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Springsteen: Deliver Me From Nowhere é uma viagem mais emocional por um outro lado deste artista icónico que parece incompleto e saber a pouco. Além disso, poderia ter beneficiado muito mais, se tivesse tido mais atuações ao vivo, mostrando assim, a força da natureza que é Bruce Springsteen no palco. E ainda, ter mais cenas partilhadas entre Bruce e o seu manager, Jon Laudau, cuja relação é um dos pontos mais fortes do filme. Isso também teria sido uma excelente adição.

Não há dúvidas, que ele mostra com intensidade a sua verdade contra tudo e todos e os sacrifícios que teve de fazer. E é transmitida a sua determinação e coragem para se enfrentar a si mesmo e o seu passado complicado, mas não é o suficiente para se destacar da mesma forma, em relação a outras histórias dedicadas a outros artistas musicais que tiveram um impacto muito maior.  

Divulgação: 20th Century Studios Portugal

Mesmo assim, é uma obra inspiradora bem editada que apresenta a criação da canção popular “Born in The USA” e também o processo artístico por detrás de um disco peculiar. Enquanto isso, também honra o legado de Bruce Springsteen e não deixa de ser interessante acompanhar alguns dos anos mais difíceis deste músico visionário que foi crucial para a evolução da sua carreira e visão artística, sendo que continua a ser um ícone na música internacional, uma inspiração para uma geração de artistas e músicos e também é um autêntico espetáculo cheio de energia no palco. E para quem já assistiu a um concerto ao vivo, como eu, sabe bem daquilo que eu falo.

Por isso, não vão com expetativas e aproveitem o momento para conhecer um pouco mais sobre a vida e carreira do astro de rock, Bruce Springsteen numa perspetiva diferente e até identificarem-se com alguns dos temas abordados nesta narrativa.


domingo, 19 de outubro de 2025

Filme "After the Hunt" - vale a pena ver este drama psicológico realizado por Luca Guadagnino e protagonizado por Julia Roberts?

 

After the Hunt (Depois da Caçada, como título em português) é um drama psicológico realizado por Luca Guadagnino, cujo elenco é constituído por Julia Roberts, Ayo Edebiri, Andrew Garfield e Michael Stuhlbarg.

A estreia foi no Festival de Cinema em Veneza, onde integrou a competição e ainda passou pelo BFI London Film Festival.

Esta trama conta como Alma Imhoff (Julia Roberts), uma professora de filosofia da Universidade de Yale (EUA) vê-se envolvida numa situação complexa que gira em torno das acusações de má conduta sexual dirigidas a Hank (Andrew Garfield), um colega com quem mantém uma relação de grande proximidade. A suposta vítima é Maggie (Ayo Edebiri), uma aluna muito inteligente que tem sido protegida dela. A situação vai-se agravando até Alma se dar conta de que um segredo sombrio do seu próprio passado pode deitar tudo a perder.

Esta professora universitária vê a carreira e integridade colocadas à prova, a partir do momento em que um estudante acusa um colega professor de agressão sexual. À medida que o caso ganha mediatismo, ela é forçada a confrontar questões do seu passado, bem como os limites da sua responsabilidade institucional e pessoal.

Tudo isto faz com que ela se encontre numa encruzilhada pessoal e profissional, onde as suas escolhas podem trazer repercussões. Além disso, ela nunca fala de si mesma, da sua vida pessoal e da sua família, sendo que a necessidade dela em ter privacidade faz parecer que está a esconder algo.

Uma coisa é certa. Alma tem de estar preparada para as consequências dos seus atos, pois para a aluna, ela foi sempre uma mentora para esta jovem e quando Maggie teve a coragem de se manifestar e quem sabe, inspirar outras pessoas que sofrem, Alma não a apoiou. Agora, será que Alma sabe a verdade e simplesmente não a quer dizer? Se assim é, então porque não contesta? Será que aquilo que Maggie revelou é uma invenção? Estas são algumas das questões que vão surgindo.

After the Hunt é um drama inquietante e tenso cheio de segredos que representa uma metáfora filosófica complexa, onde a verdade depende de quem a diz e o confronto é inevitável, questionando o que é certo. Enquanto isso, temos um maior foco num escândalo de abuso sexual que é enrolado num jogo de poder, cujo discordar de alguém sobre um assunto delicado pode realmente trazer consequências. E também mostra que a perspetiva pode mudar tudo e que nós nem sempre vemos as coisas como elas são.

Apesar do tema abordado ser sensível e ter potencial, a história em si tem um lado emocionante que não é suficiente para impactar totalmente, fazendo com que se torne tão desconfortável de se assistir pelo facto do argumento perder-se ao longo do seu desenrolar, chegando a um ponto que desilude quem está a ver.

Dá para ver que o realizador não tem medo de arriscar e apresentar o seu ponto de vista. Porém, neste caso não o fez da maneira mais inteligente. Até em termos técnicos, houve erros, onde determinadas cenas foram filmadas numa luminosidade dura que se torna num ponto de distração que retira o foco no ator.  

Mesmo assim, foi interessante a banda sonora escolhida para este filme de suspense que coloca um certo mistério e contagem decrescente à narrativa, sendo que ter a universidade prestigiada de Yale como palco da mesma foi positivo. A escolha de algumas das músicas serem de língua portuguesa foi inesperada e boa. E tanto Julia Roberts, como Andrew Garfield entregaram boas performances.

Concluindo, After the Hunt era daqueles filmes que tinha uma maior curiosidade em assistir em 2025, mas infelizmente acabou por não ser aquilo que eu esperava e irá sem dúvidas, dividir opiniões.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Filme "Tron: Ares" - o que esperar do novo capítulo desta saga

 

Chegou o momento para o próximo filme da inovadora saga Tron, com a estreia de Tron: Ares que é realizado por Joachim Rønning e tendo sido baseado nas personagens criadas por Steven Lisberger e Bonnie MacBird. E está disponível na plataforma de streaming do Disney+.

O elenco é composto por Jared Leto, Greta Lee, Evan Peters, Hasan Minhaj, Jodie Turner-Smith, Arturo Castro, Cameron Monaghan, Gillian Anderson e Jeff Bridges.

A trama segue um programa sofisticado, Ares, que é enviado do mundo digital para o mundo real numa missão perigosa, marcando o primeiro encontro da humanidade com seres de I.A.

Cada vez mais estamos a evoluir para uma tecnologia mais sofisticada, onde a I.A. é o destaque principal, sendo que já foram retratados de diversas maneiras, como seria o futuro da humanidade perante o desenvolvimento da tecnologia.

Divulgação: Disney

Neste caso, Ares é um programa de segurança de excelência que é também considerado como o soldado perfeito e possui uma inteligência que ultrapassa qualquer tipo de expetativas. No entanto, este ser de I.A tem uma restrição relevante que é ter a capacidade de estar presente no mundo real durante cerca de 30 e tal minutos. Depois disso, é automaticamente destruído e regressa à rede que é o mundo digital onde foi criado.

Este sempre cumpriu com as ordens dadas pelo seu criador, sem questionar. Até que um dia, tudo mudou, quando começa a conhecer melhor o lado bom da humanidade, chegando a um ponto que surgem situações em que ele acaba por compreender qual é o significado de um sentimento e até a questionar determinadas ordens que recebe. Além disso, a premissa da narrativa transforma-se de um modo previsível na vontade dele em querer viver sem limites no mundo real.

Quando dois mundos estão prestes a colidir, tem tudo para correr mal. Porém, existe uma solução que pode evitar que isso aconteça. Por isso, começa a procura por um mito que pode ser a solução ideal não só para o Ares concretizar o seu desejo, mas para melhorar o futuro da humanidade.

Divulgação: Disney

Tron: Ares é um espetáculo visual impressionante que é acompanhado por uma banda sonora brilhante composta pela banda Nine Inch Nails que fica no ouvido. Este filme merece ser visto em IMAX pelos seus efeitos visuais e cenas de ação que atraem desde o início. No entanto, peca no seu argumento chegando a uma altura em que se torna desleixado e onde algumas personagens são meros figurantes. Já em relação às cenas de luta, estas poderiam ter sido mais bem desenvolvidas.

Pelo contexto visual e pela excelente banda sonora que vai sendo rodeada por um design criativo e um bom trabalho cinematográfico, é interessante ver o resultado desta produção desenrolada a um ritmo rápido, onde em algumas circunstâncias ficamos com a sensação de que estamos a experienciar o que está a acontecer no momento. E até foi engraçado ter uma adição dos anos 80 a algumas das suas cenas.

Este novo capítulo desta saga poderia ter sido mais bem aproveitado em termos de história, cenas de luta e desenvolvimento das personagens. Por isso, o melhor é não ir com nenhuma expetativa e deixar o seu lado mais visual e sonoro entreter.


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

"The Smashing Machine: Coração de Lutador" - o que esperar deste filme protagonizado por Dwayne Johnson e Emily Blunt

 

Depois de ter sido aplaudido durante cerca de 15 minutos na estreia mundial do Festival de Veneza de 2025 e até recebido o Leão de Prata de Melhor Realizador que foi atribuído a Benny Safdie, The Smashing Machine: Coração de Lutador criou uma certa expetativa para o público.

Com Dwayne Johnson como protagonista que também teve Emily Blunt e Ryan Bader a completar este elenco, este filme independente é produzido e distribuído nos EUA pela A24.

Toda esta narrativa é inspirada na história verídica de Mark Kerr, lenda do MMA nos primórdios da UFC, onde apresenta um homem que está dividido entre a glória no ringue e o caos na vida pessoal, num retrato intenso sobre superação, vício e identidade.

É inicialmente focado no auge da sua carreira, sendo que em pleno ano 2000, ele enfrenta uma batalha interna marcada pelo vício, a pressão da vitória, o amor e a fragilidade das amizades.

Esta era uma era implacável para este desporto de combate, em que o mínimo erro podia deitar tudo a perder. E aquilo que não se vê e que acaba por ser o lado negro da coisa é a tensão constante que existe entre a glória exterior e o colapso interior que pode acontecer a qualquer momento.

Divulgação: A24 e NOS Audiovisuais

The Smashing Machine: Coração de Lutador apresenta como um desporto tão brutal e exigente pode ter o seu lado menos bonito, sendo que se transforma numa batalha interna que envolve ter de fazer sacrifícios e lidar com vícios perigosos e todo o tipo de emoções que vão surgindo. Enquanto isso, vai percorrendo um caminho com um tom obscuro que acompanha a queda e a luta pela redenção de um campeão, em que não basta ter só força. E também explora a resiliência profunda, a trajetória desafiante e o lado mais vulnerável deste protagonista que acreditava plenamente que nada o iria deitar abaixo e que nunca iria sentir a sensação de perder um combate.

É interessante assistir a um registo completamente diferente do trabalho de representação de Dwayne Johnson que iniciou a sua carreira nos ringues da WWE. Dá para perceber que foi um papel bastante rigoroso para esta figura emblemática que deu vida ao icónico Mark Kerr, um lutador que entrou numa rota de colisão com os seus próprios limites e cujo sucesso desportivo já não era suficiente para o manter de pé. E houve momentos que deu para sentir o impacto emocional que a interpretação de Dwayne Johnson quis transmitir deste lutador que teve de enfrentar os seus próprios demónios, enquanto testava os seus limites físicos e morais. Por isso em algumas cenas, ele com o seu desempenho conseguiu surpreender pela positiva.   

Para além disso, houve uma dinâmica que caso tivesse sido mais explorada, teria sido uma forma de melhorar significativamente a trama geral. Neste caso, seria a relação de companheirismo entre Mark Kerr e Mark Coleman que poderia ter trazido uma vantagem significativa para o resultado desta produção. Além disso, ocorreram alturas em que a pessoa fica com mais interesse em saber mais sobre a carreira e jornada de Mark Coleman do que acompanhar o inapropriado desequilíbrio que existiu em contar a história do próprio Mark Kerr.

Como admiradora de artes marciais, os combates para mim foram um dos destaques, sendo que a pessoa sente um pontinho de adrenalina quando está a assistir. Também foi boa ideia mostrarem alguns dos treinos de preparação que são necessários para que os lutadores estejam no seu melhor nível.

Divulgação: A24 e NOS Audiovisuais

Em relação ao papel de Emily Blunt como Dawn Staples, existiram alturas em que perdia a sua relevância, chegando a protagonizar cenas mais cansativas. No entanto, uma das cenas mais poderosas do filme foi uma discussão intensa e esgotante entre as personagens Mark Kerr e Dawn Staples que se tornou num ótimo trabalho de representação, tanto de Dwayne Johnson, como de Emily Blunt.

Num modo geral, The Smashing Machine: Coração de Lutador é um filme de superação que foi mal aproveitado, perdeu um pouco o seu controlo e poderia ter sido apresentado de uma forma mais interessante. É que ficou tão preso a determinados períodos que levou a caminhos sombrios que perderam o encanto. E que acabaram por influenciar e trazer um rumo desequilibrado na sua narrativa, chegando a perder-se por diversas vezes. Assim, a sua duração não deveria ter sido tão longa como foi.  

Não é um filme mau, sendo que a narrativa em si poderia ter sido organizada de um modo diferente e até ter tido uma melhor abordagem em pontos mais interessantes relacionados com este desporto de combate, os respetivos bastidores e as dificuldades que os lutadores sentem realmente na pele. Mas infelizmente, não foi o resultado esperado.